Eu juro que tento, meus caros leitores. E me esforço muito — muitíssimo, aliás. Leio, converso, escuto, aceito sugestões de assunto para esta coluna de forma a abordar a maior quantidade de temas possível, mas a Prefeitura de São Paulo insiste em me fazer falar dela quando se trata de trânsito. Desta vez, novamente atacam as estatísticas. E de uma maneira cruel, diga-se. Não tem dó em triturar números e fatos.

No dia 20 de julho, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) junto com a Prefeitura divulgou que teria caído o número de acidentes com vítimas, mortos ou feridos, e que a lentidão nas vias também teve queda e, pasmem queridos leitores, tudo isto por causa da redução da velocidade em diversas ruas e avenidas que completou um ano naquele dia — marginal mais lenta fica mais rápida? (foto de abertura).

Observem que eu uso o “teria caído” no condicional, mesmo. Não sou advogada, mas sei que soa como quando os juristas dizem “suposto ilícito” pois não querem endossar que o cliente cometeu, sim, um ilícito ou quando querem deixar em aberto a possibilidade que se prove que não foi isso o que aconteceu. Então, para deixar bem claro, eu não endosso que houve redução no volume de acidentes e muito menos que isso se deveu à redução nos limites de velocidade.

Segundo as autoridades, teria havido queda de 38,8% no volume de acidentes e 8,7% no de lentidão desde que a Prefeitura adotou limites de velocidade de 50, 60 e 70 km/h em 46 km de vias marginais, exatamente um ano atrás. Ou, mais precisamente o volume de acidentes com vítimas (fatais e não fatais) no primeiro semestre de 2015 que teria sido de 608 teria caído no mesmo período de 2016 para 380. Para efeitos de comparação, o volume de acidentes com vítimas no primeiro semestre de 2014 teria sido de 763. E confudem a opinião pública menos crítica ou esclarecida dizendo que tudo isso aconteceu mesmo quando teria havido um aumento na frota de veículos, que teria ido de 7,8 milhões em 2014 para 8,1 milhões em dezembro de 2015.

Por que comparar períodos diferentes? Semestres entre si com anos inteiros? E por que não divulgar os dados de frota do primeiro semestre de 2016? Se bem que, neste caso, dá na mesma pois sabe-se fartamente que o número de licenciamentos é superestimado, pois o volume de baixas no sistema é infinitamente menor do que a realidade. Basta ver quantos carros são abandonados nas ruas, rios e represas para se ter uma idéia de que não foi dada baixa neles — assim como em tantos outros que empoeiram nas garagens da periferia ou são apenas desmanchados para venda das peças. Bastaria ver o número de veículos que pagam  IPVA anualmente e com essa base de dados fazer uma faxina nos números — embora, claro, haja veículos que circulam sem terem pago essa taxa. Mas seria um começo.

Coluna 27-7-16 Prefeitura 2  ASSIM FICA DIFÍCIL NÃO VOLTAR AO ASSUNTO Coluna 27 7 16 Prefeitura 2

Será que o volume de acidentes caiu nas marginais? (foto: esporte.uol.com.br)

E tem mais: ainda que o número de licenciamentos fosse maior (o que não se verifica, aguardem…) não significaria que haveria mais carros circulando, já que poderiam estar parados nas ruas e garagens. Mesmo assim, não sei de onde apareceram esses números, já que eles não citam fontes e, infelizmente, meus colegas de profissão não perguntaram. A Anfavea (a associação que reúne os fabricantes de veículos) divulgou há alguns dias que no primeiro semestre de 2016 houve queda de 25,4% nas vendas e somente 983,5 mil veículos foram emplacados em todo o país – isso inclui motos, caminhões, ônibus. Apenas como comparação, esse índice é o menor desde 2006. Se considerarmos desde 2014 até agora, o número de emplacamentos caiu 35% e se compararmos apenas todo 2014 com todo 2015 a redução foi de 22%, sempre incluindo veículos de passeio, motos, caminhões e ônibus. Considerando-se apenas automóveis de passeio, a redução foi de 27% segundo a Fenabrave, a federação que reúne os revendedores de veículos. Dificilmente São Paulo, que tem o maior Produto Interno Bruto (PIB) do país contrariaria esses números e iria sozinho na contramão deles. Por isso, não acredito que os números estaduais sejam muito diferentes dos nacionais. E qualquer que seja o período analisado, há queda, sim, na quantidade de carros em circulação.

Consegui alguns dados mais recentes sobre venda de combustíveis no site da ANP, a Agência Nacional de Petróleo – órgão para lá de oficial. Entre janeiro e junho deste ano as vendas de todos os combustíveis somados caíram 5,4% no País quando comparadas com os mesmos seis meses de 2015. No mesmo site tem a informação de que apenas no Estado de São Paulo a venda de todos os combustíveis caiu 4,4% nos seis primeiros meses do ano quando comparado com o mesmo período de 2015. Ou seja, há menos veículos em circulação já que praticamente  nãoa temos veículos elétricos e, por óbvio, nenhum trafega sem combustível —pelo menos não no mundo que nós mortais habitamos. Já no de algumas autoridades…

Como especialista em Comunicação entendo o afã da área, e especialmente dos políticos às vésperas de tentar uma reeleição, de ocupar espaço na mídia. Mas um pouco de bom senso não faz mal. Sempre há assuntos que podem ser explorados sem menosprezar a inteligência alheia.

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Você confia nos dados desta “empresa”? (foto: economia.uol.com.br)

Sabem aquelas propagandas que dizem “espere, não ligue agora… “ para, em seguida, mostrarem outras qualidades do produto? Eu também tenho outros argumentos. Sem precisar fazer conta nenhuma pois isso “dá um trabalho….”, lembro apenas que no dia anterior a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo disse que está há seis meses sem repassar boletins de ocorrência para análise da CET — e a própria CET confirmou. Isto significa que a CET sabe apenas das ocorrências em que agentes da companhia participaram do atendimento — senão, nadinha de informação. Zero cômputo. Isto posto, é bem verdade que as ocorrências, no papel, podem ter diminuído, mas é me chamar de idiota e amnésica dizer que isso tem a ver com a redução da velocidade.

Outro fato: o volume de acidentes já havia caído entre 2014 e 2015 – exatos 20,31%, quando não havia esse limite de velocidade. Ou seja, por quê atribuir a isso a redução que já se constatava como tendência?

Mas espere, não ligue agora… Misturar acidentes fatais com não-fatais é descabido. É totalmente diferente uma morte do que uma escoriação, embora esta última também mereça cuidados das autoridades para ser evitada. Mas tem de ser contabilizada em separado uma da outra.

No intuito de colaborar com as autoridades, e fazendo de conta que os acidentes sim, teriam diminuido, listo aqui uma série de motivos tão plausíveis como aqueles enumerados pelo poder público para a suposta redução no volume de acidentes nas marginais:

>  Maior número de ocorrências de lua cheia em Timbuktu (a visibilidade melhora)
>  Aumento no índice de emplacamentos de riquixás em Calcutá (menos riquixás circulam agora por São Paulo, pois ficam por lá mesmo)
>  Redução na população de besouros-tigres no mundo (já pensou se entra um no carro enquanto você dirige?)
>  Possível revogação da lei que vigora em Haifa que proíbe que se levem ursos à praia (sei lá porque seria, mas essa é a única coisa que tem um fundo de verdade).

Mudando de assunto: Assistir a corrida de F-1 da Hungria para mim é sempre desculpa para ver, pela milionésima vez, a melhor ultrapassagem da história do automobilismo quando em 1986 Nelson Piquet passou Ayrton Senna na curva 1, por fora, derrapando como se fosse eu deslizando de meias no chão de madeira de casa. Sem tanto brilho, a corrida deste ano teve lances bacanas: a disputa Ricciardo-Vettel e a Verstappen-Räikönnen foram as mais emocionantes. Acho que o holandês mudou a trajetória para a esquerda, depois direita e depois esquerda para fazer a curva, o que seria irregular, mas como defensora de que essa norma deveria acabar não reclamo. E, claro, o moleque é muito bom. Sem falar no charme dos fiscais fazendo a dancinha depois da bandeirada — os poucos húngaros que conheço são divertidíssimos, o que confirma a impressão deixada na transmissão de tevê.

NG

A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

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  • Mr. Car

    É como eu já disse, Nora: as estatísticas podem ser usadas para “provar” qualquer coisa e direcionar a qualquer conclusão, segundo os interesses de quem as manipula. Tipo “as estatísticas mostram que 100% das pessoas que bebem água morrem, portanto, água é um veneno letal”. He, he!
    Abraço.

    • CorsarioViajante

      Hahaha perfeito essa da água, se não me engano é um silogismo, como dizer que todos os gatos são mortais, Sócrates é mortal, logo Sócrates é um gato (como diz o personagem “O Lógico” do Rinoceronte de Ionesco — cito porque montei esta peça faz décadas).
      Outra que adoro é do sujeito que foi atravessar um lago com profundidade MÉDIA de 1 metro e morreu afogado… hehehe fácil entender o porquê…

    • Fat Jack

      Perfeito!

    • Acyr Junior

      No trânsito, 17% dos socorridos em acidentes têm sinais de embriaguez. De segunda a sexta, esse percentual é de 11% em média, e triplica aos sábados e domingos (30%). Partindo-se desses dados, seria correto dizer que 70% dos socorridos NÃO ingeriram álcool. Logo, quem não bebe álcool causa mais acidentes ??

      E aí: Fritas e Coca-Cola no McDonald’s ou bolinhos de carne seca e Black Label no Juarez ??

  • Marcelo R.

    “Consegui alguns dados mais recentes sobre venda de combustíveis no site da ANP, a Agência Nacional de Petróleo – órgão para lá de oficial. Entre janeiro e junho deste ano as vendas de todos os combustíveis somados caíram 5,4% no País quando comparadas com os mesmos seis meses de 2015. No mesmo site tem a informação de que apenas no Estado de São Paulo a venda de todos os combustíveis caiu 4,4% nos seis primeiros meses do ano quando comparado com o mesmo período de 2015. Ou seja, há menos veículos em circulação já que praticamente nãoa temos veículos elétricos e, por óbvio, nenhum trafega sem combustível —pelo menos não no mundo que nós mortais habitamos. Já no de algumas autoridades…”

    [MODO IRÔNICO ATIVADO]

    Minha gente! O INOVAR-AUTO está conseguindo o seu objetivo de melhorar a tecnologia dos veículos oferecidos ao sofrido povo brasileiro e, consequentemente, reduzindo o consumo de combustível dos mesmos, como os números provam! Crise econômica? Que crise?

    [MODO IRÔNICO DESATIVADO]

    Tenho medo das próximas eleições municipais. Por exclusão só me sobrou um candidato e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas de que vale a pena votar nele. Gostaria de acreditar, de verdade, que o próximo prefeito acabaria com todas as cacas que a criatura de hoje fez. Mas, está difícil crer nisso…

    Sobre o texto, a Nora já disse tudo!

    Sobre o “Mudando de Assunto”, eu também curti a dança dos fiscais.

    • CorsarioViajante

      Sou paulistano mas não moro (nem voto) mais na cidade. Estou me perguntando em quem vão votar, pois o Dória é dureza, Marta também, Haddad nem pensar, Erundina tem propostas ainda mais à esquerda que Haddad… Que mato sem cachorro! Acho que vai ganhar a chapa Marta / Matarazzo… Com bênção do Kassab! Ah as voltas que a política dá!

      • Fat Jack

        Nossa, se o Matarazzo se unir a Martaxa aí só há uma saída…

        • CorsarioViajante

          Já se uniu. O PSDB rachou, o MAtarazzo que, bem ou mal, tem um histórico com a cidade foi jogado para fora, o Bruno Covas se enroscou, enfim, o Alckmin manobrou como pode para emplacar um poste dele. O preço disso vai ser o desmonte do PSDB paulista e, consequentemente, do partido como força nacional, porque o Aécio, pelamor…

          • Fat Jack

            Putz!

    • Fat Jack

      “…Tenho medo das próximas eleições municipais. Por exclusão só me sobrou
      um candidato e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas de que vale a pena
      votar nele. Gostaria de acreditar, de verdade, que o próximo prefeito
      acabaria com todas as cacas que a criatura de hoje fez. Mas, está
      difícil crer nisso…”
      Está realmente o “Circo dos Horrores” a eleição municipal este ano!
      Quanto a desfazer essas tralhas, pode esquecer:
      1- Dá um trabalho danado! (políticos de forma geral detestam isso)
      2- Estão dando um mar de dinheiro! (políticos de forma geral amam isso)

      • Marcelo R.

        O problema não é o item 1, é o 2…

  • Luiz AG

    Acho mais impressionante a prefeitura falar que tem 19 km de congestionamento enquanto o maplink fala em mais de 600 km….

    • CorsarioViajante

      Por isso pergunto, qual o método usado pela prefeitura para calcular o trânsito?

    • Nora Gonzalez

      Luiz AG, é que na nossa dimensão os quilômetros tem mil metros. Já naquela paralela que algumas autoridades habitam…

  • Nora Gonzalez

    Mr. Car, CorsarioViajante, BlueGopher, perfeita a comparação com Ionesco. Só pode ser coisa de teatro (pena que nós somos a platéia) do absurdo (algo que sobra do outro lado…)

  • CorsarioViajante

    Exato! Seu comentário foi ótimo, feijoada é ótimo, logo seu comentário é uma feijoada! kkkkk

  • Nando

    Não adianta nada o Sr. Prefeito (??) Fernando “Suvinil” Radard se empenhar para a reeleição veiculando estas mentiras mal desenhadas. Outubro vem aí, e a partir de novembro este cidadão não ganhará eleição nem para administrador de grupo no WhatsApp.

    O que sobra para a cidade são 4 anos absolutamente perdidos, de retrocessos, desgoverno, demagogia e incompetência. Uma cidade tão problemática não pode se dar ao luxo de tamanho desperdício.

    • CorsarioViajante

      Engana-se. Haddad será eternamente eleito vereador. Os cicloxiitas garantem.

  • Renato Texeira

    Coincidentemente (ou não) a PRF utiliza números (e argumentos) semelhantes a CET para a redução de acidentes no último semestre aqui no Rio Grande do Sul.

    http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/transito/noticia/2016/07/mortes-no-transito-caem-quase-20-no-primeiro-semestre-diz-prf-6621678.html

  • Elizandro Rarvor

    Adorei o texto todo, mas seu resumo da F1 foi muito legal.

  • Daniel S. de Araujo

    Nora, peço licença para mais uma vez me valer de um excesso de sinceridade: isso tudo é fruto de um grande aparelhamento de natureza esquerdopata, que toma conta de diversos setores e cria essa acefalia que vemos hoje.

    A cidade de São Paulo é desgovernada pelo PT de Haddad, o prefeito poste e defensor da perfeita conjugação verbal (nóis pega peixe) que criou esse estado de coisas que vemos hoje, tais como ciclovias ridículas, radares às pencas, limites irreais de velocidade, manipulação dos fatos e da estatística, enfim, todo um ambiente insano que é devidamente “comprado” pela imprensa (devidamente aparelhada – alguns jornais se comportam como verdadeiras sucursais da Agência PT de noticias – acho que o melhor exemplo é o portal UOL e a Folha de São Paulo, cujo expoente do absurdo foi se manter de maneira velada contra o impeachment de Dilma Rousseff até este praticamente estar consumado) e por consequência, formando a opinião do cidadão médio, formado dentro de um ensino doutrinário do politicamente correto e da atribuição de conceitos dogmáticos a questões impossíveis de se serem aprendidas de maneira cartesiana (como economia e história), típicas do esquerdismo que dominou a academia nos anos 70 e 80.

    Hoje é bonito ser antiautomóvel, ser ciclista, abastecer o carro com etanol de cana, chamar a policia militar de assassina, dizer que menor contraventor é vítima da sociedade, comer comida vegana, criticar os agroquímicos (chamados de agrotóxicos – e atribuir todas as mazelas do campo a Monsanto). Basta ser contra um desses dogmas para ser chamado de “reacionário”, “conservador”, “fascista”, seja lá o que isso efetivamente signifique. Essa é a nossa democracia. Apoie aquilo que defendemos ou os proibiremos de dizer sob o mantra de acusá-lo de fascista.

    É assim a vida. Agradeçamos ao ensino doutrinário que começa desde o jardim da infância.

    • Nora Gonzalez

      Daniel S. de Araújo, sem mencionar que cada vez que vejo uma pessoa chamar outra de “fascista” ou “nazista” apenas porque não concorda com ela me dá ataque de caspa. É fazer pouco caso das barbaridades cometidas por esses regimes e dos milhões de mortes que provocaram. Se alguns fossem mais cultos, poderíamos chamá-los de volta de “stalinistas”, mas é perda de tempo, porque incorreríamos no mesmo erro e muitos estufariam o peito sem saber exatamente o que isso significa ou quantas mortes carregam nas costas. Prefiro colocar as coisas nos devidos lugares e chamar de babaca mesmo.

  • Nora Gonzalez

    Mineirim, pelo menos já sei onde não devo procurar emprego, né? Mas como dizia uma placa que tínhamos na Gazeta Mercantil, “o que importa é o leitor”. É esse o meu compromisso.

  • Fat Jack

    O pior caríssima Nora é que o que mais tem é “…opinião pública menos crítica ou esclarecida…”, recitando números divulgados se sem a devida comprovação, arrisco dizer sem grandes medos que é a imensa maioria (primeiro se noticia, depois – se houver um motivo de força maior – se apura.
    Esses números sempre foram questionáveis, basta ver as distâncias de frenagem necessárias informadas pelo senhor secretário municipal dos transportes quando da implantação destas velocidades máximas, total descalabro.
    Por falar nas marginais, há outra grande confusão à qual a CET fomenta sem o menor constrangimento: a necessidade ou não do uso dos faróis baixos acesos durante os dias haja visto que ambas são integrantes da SP-015, inicialmente a CET após questionamentos (principalmente das mídias dirigidas ao público autoentusiasta) divulgou que não se fazia necessário, em virtude de uma determinação municipal a respeito destas vias, porém, na mesma semana a mesma CET informou numa reportagem ao SPTV da rede Globo, que aguardava determinação e que não teria ainda condições de se pronunciar sobre a obrigatoriedade ou não. (traduzindo: nem eles sabem se sim ou não, e nem sequer sabem o que falam.
    A propósito, aproveitando a imagem que você veiculou…, a CET retirar e impedir o acesso destes cidadãos às marginais que é bom…, nada né???

    • Fat Jack, a lei do farol baixo de dia nas estradas consistiu apenas num acréscimo ao texto do Art. 40, Inciso do CTB, que ficou assim: I – o condutor manterá acesos os faróis do veículo, utilizando luz baixa, durante a noite e durante o dia nos túneis providos de iluminação pública e nas rodovias</u. Acontece que o Anexo I do CTB, Dos Conceitos e Definições, diz que Rodovia é "via rural pavimentada". Isso significa que, simplesmente, não se é obrigado ligar farol baixo na cidade, no perímetro urbano, seja a cidade, de qualquer porte, cortada ou não por rodovia de qualquer esfera de administração. Aliás, é bastante comum se ver nas rodovias placas informando Perímetro Urbano.

      • Nora Gonzalez

        Bob, mas será que os multadores de plantão sabem disso? claro, modo irônico ativado.

        • Nora, ler o Código dá um trabalho danado…

      • Danniel

        Aqui no Distrito Federal, é farol baixo full time pois todas as expressas são rodovias, inclusive sendo endossado pelos painéis eletrônicos alugados a peso de ouro (“Agora é lei, utilize os faróis mesmo durante o dia”, informam as telas distribuídas ao longo das vias).

        Seria um ótimo questionamento a ser feito ao DER-DF quanto à definição de rodovia.

        • Danniel, vou questionar o DER-DF. Obrigado pela sugestão.

    • Nora Gonzalez

      Fast Jack, escolhi essa foto propositadamente. Carro sobre a faixa e ambulantes – uma combinação péssima. Por isso fiz a pergunta: você acha que realmente há menos acidentes? tenho desviado de ambulantes nas marginais, na Rebouças (essa é relativamente nova), na Nove de Julho e, basicamente, em qualquer outra via. Com mais ambulantes, duvido que o volume de acidentes tenha caído.

    • CorsarioViajante

      Estes cidadãos foram inclusive um dos motivos alegados pela prefeitura para reduzir a velocidade. Como tem ambulantes, que são “pobres coitados”, a velocidade teria que ser reduzida para evitar acidentes. O próprio Estadão chegou a publicar uma matéria vergonhosa onde usava o relato de um catador de sucata, morador do canteiro central, como um “filósofo” falando sobre os males da pressa e como a vida dele melhorou com os novos limites… É para cancelar a assinatura mesmo.

      • Fat Jack

        Aqui (BR) o rabo abana o cachorro e a banana come o macaco…

  • petrafan

    A barata é capaz de sobreviver a uma explosão nuclear. A esperança é a última que morre. Logo, a barata é o símbolo da esperança.

  • Avatar

    Faço minhas suas palavras! Constato tudo isso todo dia.

  • CorsarioViajante

    Hahaha é bem por aí… Usaram esta maluquice para inflacionar o número e mostrar como era “perigoso” andar a 90km/h, pois um carro levaria 300 metros para parar. Além disso consideraram um tempo de reação, se não me engano, de dois ou três segundos para o motorista começar a frear. E ainda teve a cereja do bolo, falando que o motorista não ia pisar no freio com força, mas sim com pouca força, pois “é assim que se dirige na vida real”.
    É, os números provam tudo mesmo!

  • CorsarioViajante

    Exato. É mais ou menos isso. Mas mostra como o PSDB rachou e, com isso, abre uma brecha perigosa. No fim é um resultado imprevisível.

  • Luiz AG, ali é zona urbana, não rural.

    • Christian Bernert

      Bob, todas as rodovias deveriam ter placas alertando sobre a obrigatoriedade do uso da luz baixa.
      Veja o caso do meu pai: longe de ser um alienado, é um empresário muito esclarecido e ativo. Porém um detalhe interessante, ele não tem e nunca teve televisão. Acredite isto existe, e não tem absolutamente nada a ver com convicção religiosa ou qualquer outra coisa. É pura convicção pessoal mesmo de que a TV não acrescenta absolutamente nada de útil à pessoa. Ao contrário, a TV muitas vezes destrói valores familiares e morais. Vivi toda minha infância e adolescência sem ter TV em casa, só comprei uma depois de casar. Mas sou obrigado a reconhecer que meu pai tem razão. Isto nunca prejudicou sua cognição sobre os fatos do dia a dia. Ao contrário, ele muitas vezes toma decisões tão lúcidas e acertivas na direção da empresa como eu jamais faria igual.
      Acontece que fui eu quem teve que alertar a ele de que deveria usar luz baixa nas rodovias, pois ele simplesmente não ficou sabendo. Não houve nada decente feito pelo governo ou qualquer órgão de trânsito para garantir que todo e qualquer motorista seja informado desta nova lei. É desproporcional cobrar isto de um cidadão meramente supondo que ele assiste regularmente a telejornais.

      • Christian, exatamente! Não existe aviso antes dos túneis dizendo para acender luz baixa? É o mesmíssimo caso. Mas há outra desordem jurídica nessa lei do farol baixo em rodovias, justamente essa palavra. O CTB define rodovia como via rural pavimentada. Como vias se dividem em urbana e rurais, não há porque ligar farol baixo nas vias urbanas, independente de pertencer ou não a uma rodovia de qualquer esfera de administração. A definição no CTB não deixa dúvida de interpretação, rodovia só em área rural. Isso sem falar na palhaçada de obrigar a acender farol de dia que um palhaço de um deputado, ex-policial rodoviário federal, sem conhecimento da causa, num verdadeiro achismo, sem nenhuma base, sem nenhum número estatístico relacionando acidentes com conspicuidade insuficiente dos veículos envolvidos, propôs essa lei e a teve aprovada por outros palhaços que vivem (bem) às nossas custas, os deputados e senadores. Eu estava articulando com o Roberto Nasser, que tem trânsito no Congresso, impedir que o presidente Temer sancionasse a lei, mas chegamos tarde, infelizmente. O pior de tudo, acho, é o Contran até agora, passados dois meses, não ter baixado resolução regulamentando o assunto, inclusive e principalmente na questão da DRL substituir ou não o farol baixo, deixando para os igualmente palhaços inspetores da PRF dirimir a questão. Estamos mesmo imersos na mais total desordem jurídica e ainda temos de pagar por isso. O cidadão no Brasil é lixo.

  • Marcelo R.

    Qual? O João Dória…

  • Luiz, gostei desses novos instrumentos!!!