No Primeiro Mundo não se vende sequer um parafuso que não esteja certificado. No Brasil é na base do “salve-se quem puder”.

No Brasil, o governo faz de conta que se preocupa com segurança veicular, estabelece normas, exigências e obrigatoriedade de equipamentos. Em geral, pressionado pelos fabricantes interessados em faturar e focando apenas o carro zero-km. Deixou o showroom, ainda é atendido nos primeiros anos pela oficina da concessionária, forçada pela fábrica a manter um padrão mínimo de qualidade. E, mesmo assim, costuma pisar no tomate…

Mas, fora da autorizada, só se o dono do carro tiver noção mínima de mecânica ou der a sorte de ser atendido por uma oficina responsável. Caso contrário, vai na base do “salve-se quem puder”. Ao contrário do Primeiro Mundo, qualquer “fundo de quintal” coloca no mercado qualquer produto sem nenhum critério de segurança, qualidade ou durabilidade. No mercado de reposição (chamado “paralelo”) encontra-se na mesma prateleira uma peça produzida pela mesma empresa que fornece para fábrica do automóvel ao lado de outra feita numa fabriqueta que desconhece padrões éticos ou de qualidade. Na Europa, ninguém coloca um parafuso à venda se não for certificado por um órgão homologado pelo governo. No Brasil, o Inmetro ainda engatinha no assunto e, por enquanto, só estabeleceu padrão de qualidade para alguns poucos itens, como rodas e amortecedores. Componentes são repostos na suspensão, freios e direção do automóvel sem nenhuma exigência de qualidade. E dane-se a segurança.

Lojas e oficinas oferecem chip para aumentar o desempenho ou transformar para flex o carro a gasolina, sem compromisso com níveis de consumo e  emissões.  A prateleira dos “economizadores” é um festival de maracutaias que anunciam mundos e fundos. Trapizongas elétricas, eletrônicas e mecânicas que reduzem em “até 20%” o consumo de combustível. Fosse verdade, as fábricas de automóveis não iriam se interessar pelo equipamento?

Quase fui vítima, recentemente, de uma loja tentando me empurrar um jogo de pneus com um grande desconto: só percebi a malandragem ao perguntar pelo DOT: o vendedor recuou, disse não ter certeza se tinha o jogo completo no estoque e saiu pela tangente. Poucos motoristas sabem que os quatro dígitos que seguem as letras “DOT” (na banda lateral) revelam sua data de fabricação: no caso, pelo menos um deles ostentava “1712”, ou seja tinha sido produzido há quatro anos, na 17ª semana de 2012. Durabilidade de pneu, rodando ou na prateleira, não passa de cinco a seis anos….

Farol de xenônio é outra “armação”: apesar de proibido, algumas lojas tentam engambelar o freguês e confiam na falta de fiscalização nas nossas ruas e estradas, pois só pode ser instalado como reposição em automóveis que deixaram com ele a linha de montagem. Para-brisa é outro “conto do vigário”: se oferecido a preço bem inferior ao de mercado, é por ser antigo, do tipo temperado. Já tem tempos, mais de 25 anos, que a lei exige que sejam laminados, por questão de segurança.

Aditivo é capitulo à parte e pode-se, em princípio, duvidar de quase todos. Apenas aditiva a conta bancária de quem o fabrica e reduz a do freguês. Oferecidos em cada esquina, os únicos realmente necessários são os que se misturam à água do radiador e à gasolina comum. Mas as opções são muitas e tem, por exemplo, outro para a gasolina, o “booster”. Diz (em inglês) que aumenta a potência do motor. Funciona? Sim, lá nos EUA, onde a mistura de álcool é de 10% no máximo. Ou na Europa, idem. No Brasil, é inútil oxigenar a gasolina que já tem 27% de álcool. Tem até para o óleo do motor, que afirma recompor suas partes desgastadas. Fosse verdade, coitadas das retíficas…

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
Nota: a foto de abertura apenas mostra a colocação de um aditivo e não entra no mérito de sua eficácia.
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