Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas VOCÊ SABE O QUE É UM SUPER BEETLE? – PARTE 3 – Autoentusiastas

Terminando a matéria, nesta terceira parte vamos de 1974 a 1980 com o último e espetacular Super Beetle conversível montado na Karmann, de Osnabrück, Alemanha. No total, de 1971 a 1980, foi um tempo até curto para esta incrível série de Super Beetles que não pararam de ser melhorados por todo este tempo. Fica a pergunta:  estes carros, caso tivessem sido fabricados também no Brasil, por sua excelência e avanço técnico não teriam sobrevivido até os dias de hoje, incluindo aí a fantástica versão conversível?

Em 1974 o último Fusca deixou a linha de produção em Wolfsburg para abrir espaço para o Golf. E, como de costume, a Volkswagen trouxe mais algumas mudanças para o Super Beetle. Regulamentos dos EUA passaram a determinar que todos os carros fossem capazes de suportar um impacto frontal de 5 mph (8 km/h) e um impacto traseiro de 2½ mph (4 km/h) sem sofrer danos.

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O último Fusca fabricado em Wolfsburg (foto Volkswagen Archiv)

Para vencer este novo obstáculo a Volkswagen acrescentou o que foram chamados de para-choques capazes de absorver energia e se autorrestaurar. Para poder realizar essa tarefa, amortecedores foram acrescentados aos para-choques de aço dianteiros e traseiros, agora mais grossos.

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À esquerda o sistema de 1973, com suporte rígido; à direita o sistema introduzido em 1974 com amortecedor de lâmina do para-choque com espessura maior (foto Jalopnik)

Para garantir que os ocupantes da frente estivessem usando o cinto de segurança, um bloqueio da ignição foi instalado de modo que não era possível dar a partida a menos que os cintos de segurança dianteiros tivessem sido corretamente atados. Alguns proprietários inventivos logo descobriram que este sistema era bastante fácil de desativar, para tanto bastava desligar os sensores instalados abaixo de ambos os bancos dianteiros.AG-42-Foto-79

Página do manual de um Super Beetle (VW113), mostrando a instrumentação do painel, onde a lâmpada “Aperte o cinto” está no item 8 (foto Volkswagen Archiv)

Para melhorar a condução sob frenagens bruscas, a geometria de direção do Super Beetle passou a ter raio de rolagem negativo, solução adotada no Passat lançado um ano antes. Também em 1974, o velho dínamo foi finalmente substituído por um moderno alternador. A expectativa de durabilidade dos cabeçotes foi aumentada através do uso de metal com um novo tipo de liga.

A brochura de vendas de 1974 tinha 16 páginas e apresentava tanto o modelo standard como o Super Beetle. Na capa havia uma foto de um Super Beetle 1303 vermelho flutuando no oceano com o subtítulo: “The VW Beetles. They’re built better than ever.” ( Os Fuscas. Eles são fabricados melhor do que nunca).

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Este seria mais um ano para uma edição especial com a introdução do famoso Sun Bug (Fusca Sol). Disponível nas versões standard, 1303 sedã e modelos conversíveis, o Sun Bug vinha pintado numa bela tonalidade ouro Metálico Hellas e vinha totalmente equipado.

Rodas esportivas prateadas estampadas, console de túnel Kamei (marca alemã de acessórios de renome), teto solar com defletor de vento (Sedã apenas) e painel com acabamento em madeira eram apenas algumas das guloseimas que vieram com esta edição especial.

Os bancos receberam um estofamento especial na cor castanho, as guarnições das portas e o carpete do assoalho seguiram o mesmo padrão. A manopla do câmbio tinha um desenho especial. Um logotipo Sun Bug era instalado na tampa do compartimento do motor pelo concessionário.

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Detalhe do emblema com o logo do Sun Bug

O folheto do Sun Bug na verdade era um folder (vinha dobrado) e a sua ambientação foi feita na década de 20:

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AG-42-Foto-91Numa absoluta novidade em termos de catálogo de vendas o do Sun Bug apresentava a partitura e a correspondente letra da música Let a little sunshine into your life (Deixe um pouco de luz do sol entrar em sua vida), especialmente composta por Keith Konnes. Frases desta música foram usadas como legendas das fotos do catálogo e o resultado ficou muito interessante. Acabei ficando curioso para saber como a música era e pedi a um amigo tecladista, o Alexandre Hodapp, para passá-la para MP3 e aí eu fiz um vídeo que permite a quem quiser não só ouvir a música, como também cantá-la. Quem se habilita?

A meu ver, esta série especial foi uma das melhores e os carros eram muito bonitos mesmo, como pode ser visto no vídeo seguinte feito por uma loja de automóveis para promover a venda de um lindo exemplar. Notem todos os detalhes do carro. É um curso rápido em termos de VW 1303 conversível:

Novas melhorias para o Super Beetle ocorreram em 1975. A tradicional caixa de direção de setor e sem-fim deu lugar uma moderna de pinhão e cremalheira. Foram implementadas melhorias na geometria da suspensão traseira. A carcaça do motor passou a ser feito com uma liga melhor, classificada como AS21. Os dois tubos de escapamento, marca registrada do Fusca há muitos anos, passaram a um só.

O catálogo de vendas de 1975, com 16 páginas, tem o mote: “Some things change. Some things never change. Volkswagen does both” (Algumas coisas mudam. Algumas coisas nunca mudam. Volkswagen faz as duas coisas):

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Este anúncio faz um contraponto com o Fusca 1949 e o modelo 1975, tanto que o primeiro Fusca que foi importado pelos EUA aparece na página 4. O mote das páginas 4 e 5 é: “We’ve been making the Volkswagen long enough to know better” (Temos feito o Volkswagen há tempo suficiente para saber melhor). Acho que é interessante reproduzir as primeiras frases do texto desta página:

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“Dê uma olhada no Volkswagen1949. Agora, dê uma olhada no modelo 1975. O da direita. Se você puder encontrar as cerca de 30.000 mudanças que fizemos, você é bom. E se você não pode não se sinta mal. Essa é a maneira que nós gostamos. Voltando ao passado, quando começamos a fazer o Volkswagen, nós o projetamos não necessariamente para ter uma boa aparência, mas para funcionar bem. Por isso, não tivemos que nos virar do avesso contorcendo o carro do ano passado na forma do deste ano. Na verdade, foi precisamente porque não nos forçamos a fazer as mudanças que nós pudemos gastar mais tempo caçando o que realmente tinha que ser mudado …”

Assim como este texto é interessante para ser pesquisado, em outros anúncios há muitas passagens interessantes e todos os folhetos constantes desta matéria podem ser ampliados na tela do computador para possibilitar a leitura do texto. Em tablets e celulares basta usar a possibilidade de ampliação disponível.

Novamente regulamentos americanos forçaram a Volkswagen, e outros fabricantes, a reduzir os índices de emissão de poluentes. A gasolina perdeu o chumbo tetraetila e esta seria a nova dieta para o Super Beetle, que recebeu uma injeção eletrônica de combustível computadorizada Bosch L-Jetronic. Isso impulsionou a redução de consumo de combustível de 25 mpg (10,6 km/l) para 33 mpg (14 km/l). Um emblema prateado “Fuel Injection” foi adicionado à tampa traseira do motor ocupando o lugar que tradicionalmente era ocupado pelo emblema Volkswagen. Fuscas produzidos para a Califórnia foram equipados com um catalisador sob a saia traseira, agora abaulada, e em pouco tempo todos os estados americanos passaram a exigir este equipamento.

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O ano de 1975 também produziu uma série especial chamada de La Grande Bug. Este 1303 era basicamente um Sun Bug reformulado, sem os logos e alguns frisos.

O seu folheto de vendas nos EUA dizia orgulhosamente: “La Grande Bug – You don’t drive it, you arrive in it” (Você não o dirige, você chega nele) com a imagem de um motorista uniformizado na frente de uma elegante mansão juntamente com dois “La Grande Bugs”, um com o seu teto solar de aço aberto.

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Catálogo do La Grande Bug

Na capa do folheto canadense se podem ver as três cores exclusivas da edição especial La Grande Bug, duas para os Estados Unidos, a saber o verde Víbora “L96N  Vipergrün-metallic/Viper Green Metallic” e o azul Anaconda metálico “L97B  Ancona-metallic/Ancona Blue Metallic”. Para o Canadá havia a cor ouro metálico — a mesma usado no Sun Bug, mas para o desespero dos proprietários a Volkswagen usou nestes carros duas tonalidades próximas! Uma dor de cabeça para quem perdeu a etiqueta da cor colada na lateral do porta-malas. As cores eram: “L98C Harvest Gold Light Metallic/Sun Gold Light Metallic” um pouco mais clara e “L99B Hellas-metallic/Hellas Met”, um pouco mais opaca.

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Capa do catálogo canadense do La Grande Bug

Os La Grande Bug vinham com teto solar, rodas Lemmerz Sport GT, para-choques com guarnição de borracha, volante em couro granulado, bancos de couro granulado com inserções em tecido, painel com acabamento em roseira envernizada, console central harmonizado opcional. No total foram produzidas 13.273 unidades para os EUA e Canadá.

Agora ilustrações sobre o drama dos proprietários de Sun Bug e La Grande Bug dourados, com uma comparação das duas tonalidades:

 

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Os dois padrões de tonalidade usados no caso

Veja um vídeo com o qual um La Grande Bug com 242 milhas/387 km originais foi ofertado para venda:

Apesar dos sinais negativos em relação à continuidade do Fusca nos EUA, o pessoal de marketing da Volkswagen of America não esmorecia e lançou um folheto com o título: “Is there a Beetle in your future?” (Há um Fusca em seu futuro?)

 

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AG-42-Foto-97AG-42-Foto-98Em 1975 as vendas do Fusca tinham caído quase pela metade, de 791.023 no ano anterior para somente 441.116 e não havia indícios que as coisas poderiam melhorar. Embora essa quantidade de carros vendidos ainda pudesse parecer grande, a Volkswagen vinha vendendo mais de 900.000 Fuscas anualmente desde 1964 somente nos EUA. Em fevereiro de 1975 Tony Schmucker tomou posse como presidente da Volkswagen e decidiu acabar com a produção do sedã 1303 e direcionar mais recursos para os produtos mais recentes. Só o conversível Super Beetle e o sedã standard continuariam a ser fabricados, saber-se-ia lá por quanto tempo.

Em setembro de 1975, o novo Golf GTI estreou no Salão de Frankfurt. Seu potente motor de 1600 cm³ arrefecido a água fornecia 110 cv. Isso era mais do que o dobro da potência do Super Beetle. Parecia que já estava claro que a produção europeia do Fusca seria encerrada em pouco tempo, à medida que mais fabricas seriam necessárias para produzir os modelos mais novos nos quais a Volkswagen estava projetando o seu futuro.

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Um Golf GTI Mk1 pertencente ao acervo do VW AutoMuseum (foto Volkswagen Archiv)

Em julho de 1976 o sedã Super Beetle 1303 deixou de ser fabricado e o último exemplar deixou a linha de montagem, mas a sua versão conversível permaneceu em fabricação. A suspensão dianteira McPherson, o painel de instrumentos integral e o para-brisa panorâmico que caracterizaram o sedã Super Beetle continuaram no conversível.

Em 1976, havia muito poucos conversíveis sendo produzidos pelos fabricantes de automóveis americanos. O Super Beetle conversível era uma das únicas opções para aqueles que queriam uma experiência ao ar livre. A demanda mundial começou a crescer novamente, de tal maneira que uma ordem foi enviada para a Karmann para aumentar a produção do conversível de 33 a 50 unidades por dia. O aumento das vendas provocou a liberação de uma das edições especiais mais populares, o conversível Triple White. Branco era a cor nacional da Alemanha para veículos de competição, de modo que este 1303 veio com pintura na cor branco Alpino, o estofamento e a capota vieram igualmente na cor branca.

Desde 1974 as vendas de conversíveis nos EUA vinham aumentando à razão de 5.000 unidades por ano. E em 1977 foi lançada a Champagne Edition (Edição Champanha) com um folheto de 16 páginas, das quais, curiosamente, duas vieram em branco e o Fusca ocupou somente metade de uma delas. Abaixo vai a reprodução do texto da página 5 que esclarece o motivo desta série e que carros foram por ela abrangidos:

 

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Reprodução parcial da página 5 do catálogo da Champagne Edition com o texto traduzido abaixo

A Champagne Edition

Para comemorar o milionésimo Rabbit (nota: nome Golf, então de primeira geração, nos Estados Unidos) selecionamos seis modelos da nossa linha1977 de modelos Volkswagen — e criamos uma quantidade limitada de carros da Champagne Edition. O Rabbit acima é um deles.

Nas páginas que se seguem, leia sobre os mais recentes Rabbit, Dasher (Passat nos EUA, então primeira geração), Scirocco (então de primeira geração), Bus (Kombi T2) e Beetle (1303 conversível). Em seguida, consulte o seu revendedor Volkswagen mais próximo e experimente você mesmo esses modelos de produção limitada.

Segue a íntegra do catálogo da Champagne Edition com os carros que foram escolhidos para esta série especial:

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O VW 1303 conversível da série especial Champagne Edition, da mesma forma como os da série Triple White, foi pintado de branco Alpino com estofamento branco, mas desta vez a capota veio na cor marfim (areia claro). Havia faixas douradas que foram aplicadas logo acima dos estribos em cada lado da carroceria, o painel recebeu um acabamento em estilo pau rosa, rodas esportivas e pneus com faixa branca. Alguns detalhes nas fotos abaixo:

Os conversíveis Super Beetle 1303 equipados foram dos mais bonitos Fuscas jamais fabricados. Assim, a Volkswagen decidiu melhorar esta edição mais ainda com a adição de desembaçador do vidro traseiro e encostos de cabeça dianteiros ajustáveis.

No dia 19 de janeiro de 1978, na fábrica de Emden, a produção europeia do Fusca standard terminou, mas o conversível continuaria a ser fabricado na fábrica Karmann por um par de anos mais. A brochura de vendas do conversível 1978 dizia: “Mais uma vez, a Volkswagen promete-lhe o sol, a lua e as estrelas”.

 

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Das fotos que a gente não gostaria de ver, mas que o progresso impõe – Despedida do Fusca standard na fábrica de Emden em 19/01/1978 (foto Volkswagen Archiv)

Mas para o conversível a vida continuava e, agora de uma maneira mais econômica, foi emitido um folder de quatro páginas com o mote: “Once again, Volkswagen promises you the sun, the moon and the stars” (Mais uma vez, a Volkswagen promete para você o sol, a lua e as estrelas). Segue a reprodução deste folder:

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Folhas 4 e 1

 

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Folhas 3 e 4

 

“VW Beetle Conversível.

Os anos setenta podem estar a anos-luz de distância dos anos cinquenta, mas como uma geração após outra descobriu, há algo único e atemporal sobre a pura diversão e alegria de dirigir o nosso Beetle Conversível. E hoje, depois de 28 anos, de muitos milhões de Beetles produzidos e inúmeras mudanças, estamos orgulhosos de informar que o 1978 é um dos melhores Conversíveis já construídos. ”

No entanto, baseados em artigos de várias revistas o público passou a especular que 1978 seria o último ano para o popular conversível. Isto forçou um aumento na produção para acompanhar a demanda de conversíveis.  As cores disponíveis eram amarelo cromo, vermelho Marte, azul Barreira e, claro, branco Alpino.

A edição de Champagne estava de volta como o Champagne II e, pela primeira vez incluiu um rádio Blaupunkt AM/FM, relógio de quartzo e apliques de madeira de nós de olmo no painel. O folheto desta edição especial era uma brochura de 28 páginas, numa diagramação sofisticada. No primeiro parágrafo de sua introdução se lê:

-“ Este é um momento muito especial na salão de vendas do seu revendedor Volkswagen. Este é um momento em que ele orgulhosamente apresenta a ‘Champagne Edition II’ da Volkswagen — uma notável coleção muito elegante e impressionantemente luxuosa de Rabbits, Sciroccos, Dashers, Buses (Kombis), Campmobiles (Kombis adaptadas para camping) e Beetles conversíveis. ”

Já se pode observar que o Fusca conversível escorregou para o fim da fila nesta relação, demonstrando que o foco era outro. Segue a íntegra desta brochura da série especial Champagne Edition II, cuja leitura é muito interessante:

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A Volkswagen surpreendeu a todos em 1979, quando o conversível retornou por mais um ano. As novas diretrizes de segurança e poluição federais tinham sido adiadas e isto permitiu ao Super Beetle ficar por mais um ano na América do Norte para a sua visita final.

O folheto de duas páginas, frente e verso, derradeiro do Super Beetle simplesmente declarou em seu título: “The 1979 VW Beetle Convertible. Treat yourself to one life’s little pleasures” (O VW Fusca conversível 1979. Mime-se com um dos pequenos prazeres da vida). Começando o texto se lia: “After 29 years, millions of Beetles, and countless improvements, the 1979 Convertible is still a very sensible way to flip your lid.” Onde “flip your lid” tem duplo sentido, de um lado pode ser “fechar a tampa do compartimento do motor” e de outra, considerando a conotação humorística desta expressão idiomática, temos: “pirar, ou ficar pirado”… É um recurso muito usado em propaganda. E a tradução desta frase seria: Depois de 29 anos, milhões de besouros, e inúmeras melhorias, o Conversível 1979 ainda é uma maneira muito sensível de você pirar.

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(Frente)

 

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(Verso)

Todos os equipamentos que eram opcionais na edição Champagne Beetle tornaram-se equipamento de série. Agora o Super Beetle era o único conversível de quatro lugares à venda nos EUA, e por US$ 6.495,00 ainda era um negócio muito bom. A última edição especial do Fusca foi apropriadamente chamada de Epilog Convertible (conversível final) ou simplesmente de Triple Black (triplo preto). Este Fusca raro se caracteriza pela pintura preta com um interior e capota também pretos. O Epilog foi produzido para mostrar o vínculo especial entre os primeiros conversíveis KdF-Wagen montados na fábrica Karmann nos anos 40 e que também foram pintados de preto. Incluído no adicional de US$ 200,00 no preço do Triple Black estava um rádio AM/FM que foi adicionado aos outros equipamentos de série.

A notícia começou a se espalhar e este foi, finalmente, o último ano de produção do conversível Beetle. Isso criou uma enorme carteira de pedidos na fábrica Karmann. A produção que deveria ser encerrada no dia 31 julho de 1979 foi mantida até janeiro de 1980, para preencher os milhares de pedidos que afluíram de muitos países ao redor do mundo. Mas naquele dia fatídico (10 de janeiro de 1980), o último Super Beetle, um conversível Triplo Branco, saiu da linha de produção e ao mesmo tempo saiu da história para sempre. Este carro podia ser visto em exposição no museu Karmann em Onasbrück, Alemanha.

Na foto enviada por Karin Schlesiger, do arquivo histórico da Karmann GmbH, pode ser visto sobre o carro um cartaz escrito à mão que diz: “Nach 30 Jahren, nicht zu fassen! Willst Du uns heute nun verlassen. Hoch betagt, doch ewig jung. Bleibst Du uns in Errinerung” (Depois de 30 anos. Não dá nem para acreditar, mas queres hoje nos deixar. Já tens idade, mas ainda és jovem. Ficarás eternamente em nossas lembranças).

 

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O último Fusca, no caso um conversível, que deixou as linhas de fabricação na Europa em 1980, foi um Triple White (Karmann Archiv)

Chegamos ao fim do relato detalhado sobre esta série de Fuscas que certamente marcou época em especial nos Estados Unidos, apesar de sua “vida” tão curta. O Sedã foi fabricado entre fim de 1970, já no modelo 1971, saindo de linha em julho de 1976. Já o carismático Conversível durou mais tempo, tendo se despedido em janeiro de 1980. É interessante notar o grande investimento que foi despendido para produzir estes carros, na tentativa de se batalhar um mercado que já tinha sido praticamente perdido para carros da própria Volkswagen e da concorrência, em especial dos japoneses que prontamente tudo fizeram para ocupar o espaço que o Fusca deixou.

Mas no coração de muitos americanos o Fusca permaneceu de maneira indelével, tanto que anos depois, em 1998, foi lançado o New Beetle, fabricado em Puebla, no México, como resposta para o clamor popular pela volta do Fusca. Não foi bem o que se esperava, mas foi o que a Volkswagen pôde fazer. Ficou dez anos em produção e mais de 1,1 milhão foram produzidos, mas eis que em 2011 surgiu o Beetle, também fabricado no México, com um desenho mais próximo do Fusca original que o New Beetle de 1998. A VW autorizou as filiais no mundo inteiro a lhe dar nome local e assim o Beetle, importado, traz o emblema ‘Fusca’ aplicado na traseira.

Mas isto já é um assunto para outra prosa…

Navegação entre as partes desta matéria: Parte 1 e Parte 2

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O conteúdo desta matéria, dividida em três partes, é de interesse histórico e representa uma pesquisa bastante aprofundada do assunto. Fotos de acervo próprio e pesquisa em livros, revistas (como a Gute Fahrt nº 8 – 1970), em sites da internet conforme indicado abaixo, e conforme indicado em algumas das fotos.
Créditos especiais desta matéria para: Jani Halonen da Finlândia, e a Wayne Dean dos EUA.
Todos os catálogos sobre o Beetle e o Super Beetle, incluídos nesta matéria, dividida em 3 partes, obviamente foram emitidos pela Volkswagen a seu tempo, portanto é dado crédito a esta pela emissão dos mesmos.

Lista parcial dos sites consultados:
America on the Move _ Volkswagen Beetle.html; autoblog.com; automobile.fr; caradvice.com.au; commons.wikimedia.org; ebay.com; Etzold-Archiv-Volltreffer _ So wird´s gemacht.html; historics.co.uk; GatewayClassicCars.com; Jalopnik.com; kaeferwissen.de; www.kgfclassiccars.co.uk; losorigenes.net; luckyoldcar.com; nur-oldtimer.de; oldbug.com; petrolicious.com; pinterest.com; sebeetles.com; shinkinddesign.com; superbeetles.com; targhenere.net; Technical data -Super Beetle Saloon 1302; thesamba.com; vee.wee.net; Volkswagen Klassic Magazin; vw1302.de; Wikipedia; Wolfsburg & Volkswagen vw.com

A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

 

 

 

 

 

 



Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

  • Lorenzo Frigerio

    Mudaram tanta coisa no carro, que praticamente só faltou o motor AP. Esse tipo de trabalho o transforma naquilo que nunca será. É bizarro.

  • Luiz Alberto Melchert de Carva

    Mais uma vez, meus parabéns pela série cuja pesquisa primária bem se poderia aproveitar num trabalho de História. existe um grupo na FFLCH da USP que poderia colaborar com a transformação dessa série em um livro. Há muito a dizer para justificar a paralisia do modelo brasileiro. O principal foi o poder de monopólio, que não é monopólio na acepção da palavra mas faz produtores comportarem-se como tal. No rio de Janeiro, por exemplo, era raríssimo ver-se um carro que não fosse um fusca branco. Se o domínio é tão grande, por que investir? Por acordo, o que se produzia no Brasil não se produzia na Argentina e vice-versa. é que muitas empresas achavam que a argentina fosse cabeça de ponte para o mercado sul-americano, o que não aconteceu porque não havia acordo de comércio entre os dois países para a indústria automobilística. Assim o mercado brasileiro era garantido e, em time que está ganhando, não se mexe, especialmente porque os royalts eram fenomenais. Quando a fiat adquiriu a alfa e veio produzir o 147, a coisa começou a balançar e, como já não se produzia mais no resto do mundo (exceto México), mais valia apostar no gol e derivados. De uma certa forma, a VW brasileira teve muito mais fracassos mercadológicos (Sedã 1600, TL, Tc, SPII e Variant II, Logus e Ponter) do que sucessos (Fusca, Kombi, Passat, Santana e Gol) mas, quando os teve, foram explosivos.

  • Davi Reis

    Como sempre, sensacional!

  • Wendel Cerutti

    O que mais gostei nesse modelo foi o painel .

  • Mr. Car

    Três espetaculares posts! Agora, fica aquela vontade de “quero mais”, he, he! Gromow, se for possível, gostaria de lhe pedir um favor. Dá para me dizer (em resumo, não precisa ter o trabalho de traduzir) sobre o que fala a letra desta valsa? Adoro esta canção, bem como todo o trabalho deste coral maravilhoso, criado e o comandado pelo maestro Gerhard Albert Fischer, salvo engano na ativa até hoje, com seus 88 anos. Você já conhecia o “Fischer-Chöre”? Abraço, e desde já, obrigado.

  • Cláudio P

    Caro Alexander Gromow, foi uma satisfação acompanhar esta série de três posts sobre o Super Beatle. Agora lamento ainda mais pela VW do Brasil não ter trazido para o nosso Fusca ao menos uma parte dessas evoluções. Independente disso o Fusca é um carro com alma e tive a felicidade de poder constatar isso ao rodar com um “Itamar” por 8.000 km entre os anos de 94 e 95, principalmente por notar os olhares de simpatia e respeito que ele recebia. Foi uma ótima experiência. E para mim que sou fã do Passat de primeira geração ver o Dasher Champangne Edition foi um colírio para os olhos. 🙂

  • Carlos Eduardo

    Alexander, uma satisfação ler seus textos com tanta informação e conteúdo, uma delícia de ver essas brochuras de vendas.
    Algumas dúvidas que eu tenho:
    O Beetle americano e europeu foi fabricado apenas em Wolfsburg e Emden (Além do conversível fabricado pela karmann)?
    A venda do sedan na Europa acabou junto com a venda nos Estados Unidos em 1976?

    Sobre o fim do Beetle conversível, pelo menos ele deixou um sucessor quase tão carismático quanto ele, o Golf mkI conversível que durou um bom tempo também, de 1980 até 1993, meu sonho de consumo.

  • CorsarioViajante

    Palmas! Incrível série. Só podemos agradecer pelo seu incrível trabalho! E fiquei bobo, achei que nos EUA sempre houve mais oferta de conversíveis, que coisa!
    Agora, uma dúvida: aquela foto do fusca coberto de água era “real”, quero dizer, ele teria capacidade de atravessar um trecho alagado daquele jeito por exemplo? Ou era só devaneio publicitário? Fiquei encucado qual seria o objetivo de fazer a foto daquele jeito. Grande abraço!

    • Grato CorsarioViagente, grato por seu incentivo.
      Realmente a questão de carros conversíveis varia com a moda e naquele tempo não estava na moda dos EUA, mas, mesmo assim, havia demanda e o Fusca cabriolé acabou ficando na berlinda, tanto que mesmo o Sedan 1303 tendo sido discontinuado em setembro de 1976 (não existe um a foto do último 1303 fabricado), o cabriolé continuou sendo fabricado e montado em Osnabrück, pela Karmann, até janeiro de 1980!

      A capa da brochura de vendas de 1974, com o Fusca vermelho “boiando” fez parte da propaganda baseada na estanqueidade do Fusca, tipo ter que abrir o vidro para fechar a porta; e que, caindo na água ele fica um bom tempo boiando até lentamente afundar. Houve testes com Fusca jogados em piscinas para contar o tempo que levava para afundar…
      Até spots para TV com este mote, como o do Fusca vermelho entrando deliberadamente na água.
      https://youtu.be/1qB0lb401ZU

      Mas alguns “malucos” levaram a coisa a sério e vedaram seus Fuscas, colocaram hélices atrás, puxaram o escapamento para cima e se aventuraram a cruzar os mares. Na verdade até no Lago do Ibirapuera um Fusca adaptado ando “navegando”, mas são água calmas, porém houve destrambelhados tentando enfrentar mar picado!!! Veja o exemplo do “Sea Bug” da Austrália.
      https://youtu.be/MQiS4paC_sk

      O “Sea Bug” tem uma tecnologia avançada que pode ser vista neste terceiro vídeo onde o seu “criador” também aparece:
      https://youtu.be/Ni1q1_xT6FY

      Há um grande número de exemplos de “Fusconautas” alguns melhor e outro pior sucedidos, é um assunto vasto…

  • Estevan Dario

    Sensacional, parabéns pelas ótimas reportagens!

  • Hugo Bueno

    Parabéns mais uma vez por brindar-nos com uma matéria que é mais um registro histórico de parte da existência do nosso querido Fusca. Infelizmente, na década de 70 estávamos há “anos luz” dos mercados europeu e americano, o que nos impôs uma gigantesca limitação técnica e de segurança, bastando para isso comparar a pequeníssima evolução do Fusca brasileiro entre o mesmo período de 1971 a 1979.

  • Kevin “Schãoantz!” (F.Lopes)

    Excelente matéria, isso mostra como se “lapidar” um carro. Infelizmente (mais uma vez) o Brasil foi privado destas evoluções, mostrando que as montadoras aqui instaladas só mandavam o “osso” pra cá.
    Lamentável, mas as coisas mudaram um pouco de um tempo pra cá. E nisso vejo a VW na frente pois o Jetta e o Golf são produzidos aqui, e o UP TSI que chegou primeiro aqui! As outras já estão se mexendo mas ainda temos um longo caminho em busca de ter igualdade tecnológica (a preço acessível) em relação a outros países.

  • Juvenal Jorge

    Gromow,
    belíssimo trabalho de sua parte, meus parabens!
    Delícia de matéria.

  • Bera Silva

    Esperei para comentar após a terceira parte. Parabéns pela pesquisa e pelo trabalho apresentado! Conteúdo muito rico e nos trouxe um mundo que parece tão próximo, mas também tão distante. Fico imaginando se, analogamente ao Porsche 911, o Fusca fosse produzido até hoje, sempre recebendo alguma melhoria. Como ele seria hoje? Não sou um fã de Fusca, mas o final dessa matéria deu pra emocionar.
    O ferramental do 1303 poderia ter “caído” aqui no Brasil. Só faltaria um boxer com comando no cabeçote pra fechar o pacote.

  • Carlos A.

    Caro Sr. Alexander, vou procurar uma foto desse Fusca ainda não descarreguei os arquivos da máquina, mas devo ter fotografado. O problema de ir nesses evento é que volto a ser criança e fico até perdido com os registros.

  • Fórmula Finesse

    Que matéria incrível camarada Alexander, uma verdadeira viagem visual essas fotos, texto afiadíssimo – e uma vontade criada, irreprimível até, de guiar novamente um Fusca…mesmo que Tupiniquim.

  • Certo Eduardo Sérgio,
    Você pegou uma das frases chave daquele folheto. Todos aqueles que leem inglês certamente poderão se certificar das argumentações que o pessoal de marketing da Volkswagen of America apresentou durante as faria fases de implementação do projeto Super Beetle.
    É interessante a recorrente menção ao primeiro Fusca que chegou em 1949 aos Estados Unidos um ligação direta com a formação do conceito de heritage – herança – um conceito muito valioso para os americanos.
    A participação da propaganda de DDB – Doyle Dane Bernbach foi um dos fatores importantíssimos na vitória do Fusca nas terras do Tio Sam.

  • Mr. Car

    Muito obrigado mesmo, Gromow! Então esta beleza de canção fala da primavera, he, he! Estava difícil encontrar a tradução. Não é como “Lili Marleen”, uma música famosa no mundo todo, e que rendeu até um filme homônimo de Fassbinder, estrelado pela linda (pelo menos na época, he, he!) atriz Hanna Schygulla. Desta, minha gravação preferida é esta aqui, da orquestra de Arno Flor:
    https://www.youtube.com/watch?v=2i3mSKGTaYQ
    Valeu mesmo, Gromow! Mais uma vez, obrigado.
    Abraço.

  • Marcelo R.

    Gromow, muito obrigado pela série! O dia em que eu jogar na Mega-Sena e ganhar, vou atrás de um Triple White! (rsrs)

    Como já comentaram tudo, só me resta dizer que o Triple White me lembrou do seriado “O Super Herói Americano” (Greatest American Hero), já que ele era o carro da Pam, namorada do Ralph ( o dito “herói”):

    http://www.imcdb.org/i170845.jpg

    Um abraço!

  • Carlos Eduardo

    Apesar de gostar muito da pintura saia e blusa e das cortinas da Last Edition, não gostei do acabamento interno dela. Ao meu ver a Kombi com o melhor acabamento interno que tivemos foi a Carat em 1997, ainda assim não chegando aos pés dessas Champagne Edition.

  • Humberto

    Essa do Freud foi muito boa hahahaha Acreditava que esse papo da volta do Fusca por sugestão do presidente Itamar fosse lenda, e pelo o que você escreveu, não foi. Foi de fato um fato! Nem vou entrar no mérito da discussão da “volta” do Fusca fosse o Gol BX ou o Fusca 1303, está aí bem explicado por você pela limitação extrema dos custos. Foi um fato político e não de mercado que definiu a volta do fusca. Político, mas talvez com fundo “Freudiana” hehehe. Abraços!!!

    Humberto “Jaspion”.

  • Eduardo Sérgio

    Enquanto a Volkswagen relançava o Fusca em 1993, a Fiat investia pesado no sucesso do Fiat Uno Mille. Isso rendeu até um comentário sarcástico do então presidente da Fiat do Brasil, cujo nome não recordo: “Quando o Presidente Itamar Franco falou sobre a necessidade de um Fusca moderno, a Volkswagen entendeu ‘Fusca’, e a Fiat entendeu ‘moderno'”.

  • Grato meu caro Daniel Caetano,
    O material final, somando as três partes, ficou longo, mas quem se interessa pelo assunto, como você, pôde se informar detalhadamente sobre o assunto!

  • Fernando

    Incrível finalização da série, obrigado e parabéns por trazer e fazer tamanha pesquisa e compartilhá-la!

  • Rogério Oliveira

    Gromow! Nossa, que matéria rica em detalhes! Você se dedicou, não só palavras e conhecimento! Dedicou amor e paixão!Conhecia o Super Beetle, mas com esta matéria agora sou especialista no assunto! Obrigado por compartilhar esse conhecimento!

    Até à próxima!