Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas RESULTADOS INCERTOS – Autoentusiastas

O conturbado cenário político atual levou à criação de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. Pretende investigar o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), mais conhecido como seguro obrigatório.

Criado por lei, em 1974, é confundido com uma taxa. Trata-se, porém, de um fundo administrado pelo consórcio Seguradora Líder. Arrecadação bastante alta – mais de R$ 8 bilhões no ano passado – tem potencial de atrair criminosos para fraudar laudos e falsificar documentos. O DPVAT tem alcance social por pagar indenizações sem apontar culpado por acidente ou atropelamento.

O valor para morte e invalidez permanente é muito baixo, R$ 13.500, mas a burocracia atrapalha quem não consegue informações sobre o trâmite. Também há ressarcimentos de despesas hospitalares, fora do sistema SUS, de R$ 2.700 por pessoa.

A CPI pretende verificar eventuais desvios já sob suspeita da Polícia Federal. Outros questionam a administração cartelizada e a contratação de serviços sem seguir regras de transparência. Também há repasse de 5% da receita bruta para o Denatran que deveria usá-la em campanhas educativas. São R$ 400 milhões/ano e pouco resultado visível.

Além de estatísticas de acidentes de trânsito pouco confiáveis, há conflitos de dados. Para a Seguradora Líder o prazo de até três anos para solicitar indenizações gera distorções. Ainda assim, em 2012 pagaram-se 60.752 compensações por morte e no ano passado, 42.501. Esse último número está bem próximo das estatísticas do SUS de 2014.

Uma diferença de 43% em apenas quatro anos pode apontar algum tipo de descontrole, por mais que a lei seca, a introdução de ABS e airbags nos carros e a diminuição de circulação pela crise econômica contribuíssem para aliviar o número de acidentes fatais.

Ainda assim, implantar nova regulamentação para o DPVAT será tarefa nada trivial. Cenário ideal, de livre concorrência entre as seguradoras, funcionaria só sem evasões, em particular, de veículos mais antigos. O mercado existe: 55 milhões de carros, caminhões e motos segundo estudos estatísticos confiáveis. A frota oficial registrada é de quase 80 milhões, distorção grave porque no Brasil só existe certidão de nascimento de veículos. Certidões de óbito dependem de alta burocracia que levou 25 milhões de unidades ao abandono ou a desmanches ilegais.

Há pouco se tentou criar um seguro “popular” que alcançasse os 18 milhões de veículos entre seis e 15 anos de idade. Estes representam 44% da frota real e não têm qualquer cobertura. Para tanto, seria necessário utilização de peças recuperadas por meio de empresas recicladoras, como já ocorre na Argentina. A reciclagem descartaria qualquer componente que afetasse a segurança dos veículos. Um aditivo de danos pessoais e mortes por acidente, com cobertura de valor decente, poderia ser agregado e livremente disputado entre as seguradoras.

Mas a ideia não prosperou. Parece que a indústria de autopeças viu na iniciativa uma ameaça à sua produção. Alternativa é rediscutir ou emendar a lei do DPVAT com resultados incertos.

 

RODA VIVA

 

CHEGA às lojas, praticamente de forma simultânea ao Peugeot 208, o Citroën C3 com o novo motor de três cilindros, 1,2 L, de 90 cv (etanol). Substitui o 4-cilindros de 1,45 L restrito agora ao Aircross. A nova unidade se destaca pelo baixo consumo de combustível com números do Inmetro quase iguais aos do 208, único com triplo A (na sua categoria, na geral e em emissões) à venda no Brasil.

EMBORA os dois modelos da PSA dividam a mesma arquitetura e o coeficiente de forma aerodinâmica seja semelhante, há pequenas variações de peso em ordem de marcha. Novo motor tem boa elasticidade. O C3 teve reajuste de preços: vai de R$ 46.490 a 52.690 com câmbio manual. Continua o motor de 1,6 L e caixa automática de 4 marchas na versão de topo, Exclusive.

MACAN é um SUV de dimensões aceitáveis para o dia a dia, espaçoso internamente e ótimo porta-malas. Ao mesmo tempo tem robustez, sensibilidade e refinamento mecânico de um Porsche. Tração 4×4 com diferencial central transfere maior parte do torque para as rodas traseiras. Direção mostra sensibilidade invejável. Sua base é a do Audi Q5, inclusive motor turbo 4-cilindros/2 37 cv.

JAGUAR montou uma estratégia diferenciada de aproximação com compradores do seu primeiro SUV, o F-PACE. Lançará ações ligadas às corridas de rua até a entrega das primeiras unidades, em setembro próximo, por preços entre R$ 309.300 e 405.900. Nada de pegar pesado fisicamente, pois afinal não há tantos jovens com contas bancárias recheadas.

INVESTIMENTOS muito altos estão associados à célula de sobrevivência, ou seja, a parte central do carro onde viajam motorista e passageiros. Em recente seminário da SAE Brasil, vários fabricantes de veículos compartilharam alguns dos principais avanços que os engenheiros conseguiram. Participaram FCA Fiat, Ford, GM, Honda, Mercedes-Benz, PSA e VW.

FC

A coluna “Alta roda” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


  • She Bittencourt

    Fernando, você cita que o Peugeot 208 1,2-L é o único triplo A no mercado. Acho que esta informação está incorreta. No teste do Etios Sedan 2017 automático, feito pelo Bob, foi colocada uma foto do selo Inmetro do vidro do carro que o classifica também com três notas A.

    • Fernando Calmon

      Alô, She. Deve haver um engano na interpretação do selo. O Peugeot 208 ganhou 2 estrelas e mais uma pela eficiência energética: 1,32 kJ/km. Esse valor se refere diretamente às emissões de CO2. Aliás, muitos carros têm duplo A. A eficiência energética seria o que se convencionou chamar de terceira estrela.
      Veja o link: http://estaticog1.globo.com/2016/04/28/veiculos_leves_2016.pdf

  • Mr. Car

    Neste negócio de seguro obrigatório, no mínimo o contratante deveria poder optar pela sua seguradora preferida. No mínimo.

  • Daniel S. de Araujo

    No assunto DPVAT a solução é bem simples mas ao mesmo tempo, indesejável para muitos: Desregulamentação!

    O governo deveria criar uma lei que obrigue a contratação de um seguro obrigatório com valores semelhantes do DPVAT. E só. A seguradora poderá ser qualquer uma autorizada pela SUSEP. Acabou. Paga o seguro, apresenta a apólice, vincula o número ao Documento de licenciamento anual e acabou. As seguradoras poderiam promover abatimentos aos proprietários de veiculos pouco multados (reduzir a apólice –> barateamento na propriedade do veículo automotor), enfim, reduzir a burocracia e os cartórios mas….será que interessa?

    • Daniel, solução lógica e óbvia. Mas aí como fica a boquinha?

      • Daniel S. de Araujo

        Pois é! Depois de ontem e o R$1,00 para o Partidão e as contas do ex. Ministro (e mesmo da Senadora, afinal ambos são casados e quem dorme na mesma cama tem a mesma opinião…), cheguei a conclusão que a boquinha realmente é fundamental mesmo!

    • Christian Govastki

      Daniel, claro que não…

  • Fat Jack

    Enquanto não se vê nenhuma evolução no sistema do DPVAT inclusive para aumentar a agilidade dos processos e a redução das fraudes, o que se vê aos montes são propagandas…

  • Interessante, Luiz Alberto. Eu não sabia disso.

    • Luiz Alberto Melchert de Carva

      Atendendo a pedidos, O carro suicida era um Uno Mile branco, escolha de minha esposa que o estava guiando por ocasião do acidente. Ele tinha um extremo complexo de rejeição de minha parte, pois eu detestava de fato aquele carro. era implicância pura, sem o menor motivo. E o pior foi que ele demonstrou sua qualidade estrutural no momento em que bateu frente com frente em um ônibus. O para-bridas caiu para a frente, sobre o capô que se dobrou para cima, as portas dobraram-se para fora, a junta universal da barra de direção desmontou-se como era previsto. foi um verdadeiro show de categoria de projeto com deformação calculada. Até o cinto de segurança roído em 7/8 por um filhote de Labrador resistiu. Minha esposa, que fora totalmente culpada pelo acidente, tendo até que ser retirada pela janela despedaçada, só feriu os joelhos por baixo do painel por falta de airbag. Vendo os restos mortais daquele carro pareceu-me ouvi-lo dizer com uma voz embargada de emoção suicida: “Sou como o sândalo que perfuma o machado que o feriu”. A batida foi tão forte que o bloco do motor rachou e vazou água pela polia. Meu irmão mecânico que estava presente disse logo que era perda total. Um transeunte disse que não e eu disse ao motorista do ônibus que estava atônito: “Então, por favor, dê a volta e bata na traseira dele.

  • Paulo Roberto, e tem mais essa no rol dos absurdos do DPVAT.

  • ochateador

    Tem algum local que é possível consultar a idoneidade dos corretores?

  • Daniel S. de Araujo

    AAD, apenas um comentário: muitas vezes contratei seguro com gerente de banco por necessidade!

    Embora se fale que venda casada é crime, existe algo chamado “reciprocidade”. Ou você faz ou te engavetam o processo de concessão de financiamento, limites de crédito e até atividades bancárias corriqueiras. Não adianta falar que não existe e não pode porque existe e não acabará!

    • Daniel, concordo, é o velho princípio do “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei.”

  • Christian Govastki

    André, talvez não tenha ficado claro eu tenho UM seguro DPVAT e UM seguro facultativo que no caso em questão sobrepõe a cobertura do DPVAT.

    • agent008

      Mas aí já são dois seguros. Acho que o que ele quis dizer é que o DPVAT é por si só, em teoria, ilegal.

      • agent008, você está certo, à luz da razão o seguro de lesões corporais tem que ser obrigatório, mas não aquele específico.