Mais um capítulo da notícia divulgada aqui no AE no dia 3 de junho , sobre a proibição de circulação de veículos pré-1997 em Paris.

Numa ação da Federação Francesa de Veículos de Época (FFVE),  braço francês da FIVA – Federação Internacional de Veículos Antigos,  a prefeitura de Paris concordou em permitir que veículos históricos transitem na região central da cidade, mesmo nos horários de proibição, das 8 da manhã às 8 da noite de segunda a sexta-feira.

Para isso será necessário utilizar colado ao carro a Carte Grise de Collection, o registro oficial e visível do carro de coleção, como nossa placa preta aqui no Brasil. Os carros que não obtiverem esse registro não poderão circular nos dias e horários informados.

O que se prevê agora é que esse modelo de exclusão de alguns veículos seja adotado também em outras cidades e países que tiverem a péssima ideia de copiar Paris. E sabemos que há várias mentes maldosas que adoram esse tipo de “solução” para a poluição.

A FIVA trabalhou para que essa autorização fosse adotada também em ação com a Unesco, a Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas, com a correta alegação de que veículos antigos significam também o reconhecimento e preservação da história, tecnologia e cultura dos povos, trabalho que é a base das atividades da Unesco.

Se ao menos uma parcela dos antigos está salva de ser proibida de rodar, uma outra grande quantidade de pessoas que utilizam por necessidade ou apenas por gosto pessoal carros mais antigos não foi ajudada com a medida, e o AUTOentusiastas, na habitual linha editorial, enfatiza que esse tipo de resolução é uma restrição à liberdade individual.

Nossos votos para que nada parecido chegue por aqui.

JJ



Error, group does not exist! Check your syntax! (ID: 7)
  • RoadV8Runner

    Mentes tacanhas trabalhando a favor do (pseudo) bem comum. O pior é que o número dos adeptos da hipocrisia só aumenta. As pessoas estão perdendo o senso crítico, aceitam qualquer coisa sem questionamento, principalmente se for algum “entendido” que despeja bobagens como essa, de restrição de circulação de veículos anteriores a 1997.

    • Luiz AG

      Na verdade em horário de pico deveriam ser proibidos todos os carros. Não faz sentido ir para o centro de paris de carro, local muito bem provido de transporte público. Pedágio também não acho uma boa solução, pois segrega quem tem dinheiro e quem não tem.
      Cortar “pela metade” me soa como algo populista.

  • anonymous

    Qual seria a melhor solução para a poluição em Paris?

    • Luiz AG

      Não ter emissão de poluentes nenhum nas ruas. É triste, não gosto mas é a realidade.

      • Fat Jack

        É preciso levar em conta não só para Paris como para praticamente para todos os centros urbanos que a poluição não vem exclusivamente das ruas (ou seja, dos veículos que nelas trafegam), e que o rodízio implementado na cidade de São Paulo visava a redução da poluição na cidade (rodízio este implementado de forma – legalmente falando – provisória e que estava sujeito a continuidade somente caso fosse constatado alguma redução nesse sentido) algo sobre o qual nunca encontrei nada em minhas buscas na net, sendo mantido somente por pura conveniência financeira da prefeitura. Servindo no final das contas muito mais como “solução provisória” para problemas de trânsito do que para redução dos índices de poluição…

        • Luiz AG

          Acho que o principal problema das grandes cidades é a aglomeração urbana. Não há recurso para todos. Água, energia, alimentos, tudo tem que ser trazido cada vez mais de longe para suprir a necessidade urbana. Sou um entusiasta do êxodo urbano. Em tempos de trabalho por internet com videoconferência e alta automação industrial não há mais justificativa para concentração urbana.

          • Fat Jack

            Pena somente que para bia parte dos empresários o home office só é admissível em caso de extrema necessidade da empresa, ainda sendo raro no Brasil apesar de plenamente possível.

          • Mr. Car

            Se em núcleos familiares de quatro ou cinco pessoas convivendo já dá confusão, imagine dez ou quinze milhões de pessoas aglomeradas em um determinado espaço. Não pode dar certo, a tendência é o caos, he, he!

      • anonymous

        É a realidade, mas não é realista… um mundo de carros elétricos sem motoristas é o futuro, muito provavelmente, mas ainda distante.

        Por enquanto, parece-me que proibir carros velhos (mas não clássicos/históricos/de coleção) no centro é uma boa. Em Lisboa já é assim há algum tempo, mas moradores têm autorização especial para circular sem problemas, com o que também concordo.

        • Luiz AG

          Sim eu acredito que a lei não pode voltar atrás. Quem sempre tem direito a andar com seu carro não pode ser privado disso.

        • Fat Jack

          Sou contrário a proibição, ainda mais sob a desculpa de diminuição da poluição, pois é sabido não serem os veículos a única fonte de poluição, talvez nem mesmo a maior.

    • ochateador

      Mandar todo mundo ir trabalhar a pé ou de bicicleta.

    • Paulo Ferreira

      Isenção de impostos para quem mover seus negócios para fora da cidade, isenção de impostos para quem comprovar que usa o sistema de transporte público. Qualquer forma de estimulo e não de proibição. A França não deveria ser o país da liberté?

      • Paulo Ferreira, o papel aceita tudo. Liberté? Ora, a liberté…

  • Fat Jack

    Para mim qualquer restrição vai contra o direito primário e primordial de ir e vir, sendo muitas vezes utilizadas como medidas paliativas para o trânsito quando não se deseja por motivos financeiros investir em obras viárias. De qualquer forma apesar de ser absolutamente contra esse tipo de atitude se o local da restrição for pequena, tiver uma ampla e boa rede de transporte público e ainda for uma área de arquitetura de importância histórica acho que pode ser até aceitável, caso contrário (como na grande maioria das capitais nacionais, por não contarem com bom transporte público) não.
    No Brasil, acho dificílimo que algum governante se arrisque a algo do tipo pois a crítica de segregação econômica tenderia a arranhar com força a popularidade deste e de seu partido, o que é mesmo necessário é a manutenção de uma vistoria veicular só que da forma “certa”: sem exigir que veículos antigos poluam menos do que quando foram fabricados e sem “jeitinhos brasileiros” (que permitiam que várias frotas ficassem de fora das vistorias e fiscais fossem comprados), só que fazer direito, dá trabalho, e trabalho (como sabemos) não é exatamente o forte dos nossos “governantes”, né???

    • WSR

      Fazer certinho não dá caixa 2, por isso não fazem o certo, infelizmente.

    • anonymous

      O direito de “ir e vir” aplica-se tão somente a pessoas, não aos seus veículos, por este motivo os pedágios são legais.

  • Mr. Car

    Este negócio de diminuir poluição deveria ser feito focando melhoras nos índices de emissão dos carros que estão sendo produzidos atualmente e dos que virão no futuro, ao invés de aporrinhar a vida de quem tem um carro mais antigo, proibindo-os de rodarem. Assim, com o tempo, e a natural renovação da frota, os “poluidores” acabarão por sair de circulação, ficando só os “limpos”. Além disto, deve-se também estar atento a outras formas de poluição da atmosfera, e não tão somente eleger os automóveis como os grandes vilões desta história, jogando desta forma para a torcida dos eco-obcecados, enquanto outras fontes poluidoras continuam agindo livres, leves, e soltas.

  • WSR

    Ainda não achei um documento confiável sobre qual tipo de contaminante querem combater. É muito fácil dizer que o carro polui, mas será que é realmente o carro que tem causado o que eles dizem querer combater? Acho que isso é apenas uma tacada de mestre para vender mais carros novos, tentando sucatear os carros mais velhos.

    Espero que o Malddad não importe a ideia, argumentando que é do “primeiro mundo”…

  • braulio

    O interessante é que agora a lei parisiense só prejudica os que são mais pobres e/ou aqueles que não querem emitir as 30 toneladas de CO2 que são necessárias para se produzir um carro novo enquanto o antigo ainda dá conta do recado…
    Pensando de forma pragmática, isso significaria um impacto na tecnologia automotiva: As pessoas, entre elas os projetistas de automóveis, lembram melhor daquilo que veem com mais frequência, e os carros mais atuais não possuem a mesma variedade de motores, câmbios, suspensões e até de carrocerias que há duas ou três décadas. Pode ocorrer uma “pasteurização” ainda mais rápida no mundo do automóvel se essa proibição se espalhar pelas grandes capitais do mundo (na verdade, porque você fabricaria um produto melhor que o atual, investindo para isso alguns milhões de dólares, se seu cliente vai ter que comprar seu produto, quer veja evolução nele ou não?)

  • Marcelo, há esses problemas, mas muito longe da dimensão propalada. São Paulo não menos pior e ninguém é afetado.

  • Newton (ArkAngel)

    Há certas coisas que não fazem sentido para mim.
    O mundo está cada vez mais poluído, os alimentos cada vez mais contaminados com agrotóxicos, o stress está cada vez mais alto, a água está acabando, as florestas estão se extinguindo, o mar está cada vez mais contaminado; no entanto, o ser humano vive cada vez mais, e a qualidade de vida é melhor do que há 100 anos atrás.
    Há algo estranho nessa equação…

  • Luiz AG

    Entendeu porque mesmo com todo potencial a gente não descola do 3. Mundo?

  • guest

    O problema é que não são “incentivos”, mas sim dificuldades que os governos criam para a população poder cuidar de seu dia-a-dia.

    Exemplo: na Alameda dos Nhambiquaras (cidade de São Paulo), está sendo implantada uma absurda ciclofaixa de uns 200 m de extensão, entre a Av. Indianópolis e a Praça Janete Clair (local onde não costumam transitar bicicletas, diga-se). Com o estacionamento e mesmo a parada de veículos proibida, como fica a acessibilidade de cadeirantes, idosos e pessoas adoentadas às clínicas médicas ali existentes?

    Mas, na mente do alcaide petista paulistano, idosos e PPDs usam bicicletas para se locomoverem…

    E ainda ouço há pouco que dito prefeito, nos últimos lugares em pesquisas de intenção de votos para as próximas eleições municipais, intenta ampliar o tal rodízio, em vez de extingui-lo. Vai Brasiiiiil!!!

    • guest, já ouviu falar em canto do cisne? Essa porcaria de prefeito é mais um.