Alguns fatos acontecem nos momentos certos. A apresentação do novo Sportage no Brasil ocorreu no mesmo dia em que a J.D. Power divulgou nos Estados Unidos o resultado da pesquisa sobre qualidade de veículos novos nos três primeiros meses de uso. E a Kia aparece em primeiro lugar, com menos defeitos por cada 100 unidades do que Porsche, Hyundai, Toyota e BMW, as cinco melhores marcas nessa medição. José Luiz Gandini, presidente da Kia do Brasil mostrou os ótimos dados da renomada e respeitada pesquisa, após a apresentação geral do novo carro, feita em conjunto com Ary Jorge, Diretor de Vendas.

A empresa tem restrição de quantidade de carros para importação e venda, já que não produzindo no Brasil, está penalizada pelas regras do programa Inovar-Auto. Como as restrições terminam no final deste ano, não há que se esperar excesso de oferta do modelo, que deverá ter um maior número de unidades chegando apenas a partir de janeiro de 2017.

Os modelos e preços, com os equipamentos de série, são os seguintes:

Sportage LX – Ar-condicionado, controle de velocidade de cruzeiro, rodas de liga leve aro 17 polegadas com pneus 225/60 R17, sistema de áudio com MP3/CD/USB/Bluetooth, volante multifuncional, faróis de neblina, câmera de ré, sensor de estacionamento, engates Isofix, sensor crepuscular e modos de condução: Eco, Normal e Sport. Preço R$ 109.990.

Sportage EX – Todos os itens da versão LX, mais ar-condicionado de duas zonas, bancos dianteiros com ajuste elétrico, entrada e partida sem uso de chave, volante com borboletas para troca de marcha, DRL a LED, rodas de liga leve maiores, com aro 19 polegadas montadas com pneus 245/45 R19, lanternas traseiras em LED,  bancos em couro, teto solar panorâmico, pedais com sapatas de aço inox, faróis de neblina em LED, bolsas infláveis laterais e de cortina, controles de tração e estabilidade, controle de descida, multimídia com DVD e GPS, sensor de chuva, assistente de tráfego lateral para auxiliar em estacionamentos e evitar pequenas batidas com veículos ou toques em pedestres, assistente de partida em rampa, assistente de frenagem e detector de ponto cego. Preço R$ 134.990.

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Versão LX tem rodas menores e farol de neblina simples

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O EX com as rodas maiores de fundo escuro, repetidoras de seta no retrovisor e faróis de neblina de LED, quádruplos

Os estepes são de uso normal, tanto roda de liga como  pneu, na mesma medida dos quatro rodantes, ponto muito positivo, alojado no porão do porta-malas sob a tampa do assoalho e que tem bastante espaço ao redor dele. Medido até o teto, são 828 litros de capacidade de bagagem com o banco na posição normal e 1.700 litros com eles  rebatidos parcialmente, item sempre muito bem-vindo. O encosto do banco traseiro tem regulagem de reclinação.

No interior, bancos de tecido na versão LX, apreciados por muitos  por serem menos frios no inverno e segurarem melhor o corpo em curvas. O painel de instrumentos e de portas tem desenho bastante agradável, e comandos simples e diretos, sem complicações. De se notar o topo do painel de instrumentos acolchoado, em uma material bastante similar ao toque à borracha, com textura agradável e sem brilhos em excesso. Fugindo dos desenhos de painel com volume enorme que invadem área do passageiro, este tem um volume ocupado bastante contido, colaborando no espaço para os ocupantes. O volante é padrão Kia, idêntico ao que já conhecíamos da Grand Carnival avaliada em março deste ano, e tem ótima pega e comunicação adequada com o a direção de assistência elétrica.

Dirigindo o carro na versão de topo, a EX, notei a falta da função de consumo e autonomia no computador de bordo, item comum hoje na maioria dos carros. O motorista precisa se acostumar a olhar o marcador de nível, como faz em veículos mais antigos, sempre prevendo abastecer antes de percorrer trajetos com poucos postos de abastecimento.

O espaço na frente é muito bom, e no banco traseiro, surpreendente. Apenas pessoas próxima a dois metros de altura poderão reclamar de algo, pois com 1,81 m fiquei quase que perdido lá atrás, tamanho o volume disponível para pernas e cabeça. Ótimo.

Isso se deve ao fato da nova carroceria ser maior que a anterior exceto na largura sem os espelhos, que permanece em 1.855 mm, com 30 mm a mais de entre-eixos, agora 2.670 mm. O comprimento total é de 4.480 mm e a altura, 1.655 mm. Embora não seja muito compacto, não são números exagerados, e dirigi-lo em trânsito pesado e apertado não será desafio enorme, já que a visibilidade é boa, mesmo tendo linha de cintura bastante alta. Só se requer adaptação de visibilidade junto à base da coluna dianteira, que é alta e em curvas de esquina e manobras esconde um pouco mais que o normal as guias e outros obstáculos baixos.

A aerodinâmica foi melhorada, com coeficiente de arrasto informado 0,33, ante 0,35 do anterior, uma grande melhora. Até mesmo a cortina de ar para diminuir o arrasto gerado pela roda dianteira está presente, com entrada de ar junto do farol de neblina e uma saída bem visível na caixa de roda.

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Entrada de ar sob farol de neblina

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Saída de ar na caixa de roda

 

 

O desempenho é bom, observado em trânsito urbano leve e 60 km de estrada para esse evento de apresentação. O motor é comum nas duas versões, o 2-litros de quatro cilindros e 16 válvulas, flexível em combustível, com 156/167 cv a 6.200 rpm e 18,8/20,2 m·kgf a 4.700 rpm (G/A), tendo ainda comandos de válvulas variáveis. O câmbio é automático epicíclico de seis marchas que pode ser comandado manualmente pela alavanca ou pelas borboletas junto ao volante. Não tem a velocidade de troca de marchas de um robotizado de  dupla embreagem, mas está perfeitamente adequado ao uso do carro.

As suspensões, McPherson na dianteira e multibraço atrás, são confortáveis e proporcionam ótima estabilidade. A versão EX com pneus de perfil mais baixo que a EX, é um pouco mais dura nas pancadas em irregularidades do que a LX, que tem rodas 2 polegadas menores em diâmetro e perfil mais alto no pneu, melhorando a absorção.

Com 1.570 kg em ordem de marcha, pode ser carregado com até 480 kg, passageiros mais bagagem. O tanque tem 62 litros, e saberemos o consumo em uso normal quando recebermos uma unidade para avaliação “no uso”.

A tração é dianteira, sem versão de tração nas quatro rodas, denotando que o cliente típico do modelo no Brasil não faz uso da tração total, e a Kia optou por torná-lo um suve apenas para asfalto. Lembramos que  no início do modelo, em 1995, o primeiro Sportage era tração nas quatro rodas. Foi interessante poder ver as três gerações anteriores do modelo, mantidos pela Kia do Brasil. Os exemplares da primeira e segunda geração são zero-quilômetro e estão absolutamente perfeitos.

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Lado a lado, as quatro gerações, surpresa magnífica para entusiastas da história e evolução

A carroceria é totalmente nova, com aços de diferentes resistências de acordo com as solicitações, tanto de uso quanto de impacto para absorção de energia. Não há nenhum indício de torções indesejadas, as portas e tampas fecham de maneira suave e sólida, bem como a ausência de ruído de vento, que mostra um belo projeto e construção.

O Sportage 2017 deverá ampliar o sucesso do modelo, muito ajudado pelo estilo de criação do renomado Peter Schreyer, o designer alemão responsável por todos modelos Kia desde 2009.

JJ

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  • Fórmula Finesse

    Creio que a Kia merecia mais atenção do mercado, seus carros são bem interessantes. O novo Sportage ficou ainda mais bonito.

    • Thales Sobral

      A Kia vinha crescendo a passos largos, até a rasteira chamada “Inovar-Auto”.

  • Eduardo Sérgio

    Os primeiros Kia Sportage vendidos no Brasil também eram oferecidos na versão a diesel.

    • lightness RS

      Praticamente todos rodando são diesel…

  • REAL POWER

    Versão LX caparam até o repetidor de seta!!!!!. Num carro de valor não se pode aceitar tal corte de custo.

    • Real Power, é essa burrice dos fabricantes que vou morrer sem entender. Como são idiotas, é impressionante! Quem paga o repetidor é o comprador, não eles!

    • Luiz Antônio Robaina Severo

      Pois é…
      Não sei por que também não deixar as rodas 19″ como opção na versão de topo… são completamente desnecessárias… quem quer levar um com rodas e pneus que não parecem com um rolo de fita isolante acabando que fique sem itens básicos como este? Absurdo…
      Quanto ao número de bolsas de ar e estrelinhas em testes “de segurança” eu particularmente não ligo… mas repetidores de seta? Estes sim junto com alguns outros itens básicos deveriam ter se tornado obrigatórios por nossos “bem informados, preocupados e competentes” legisladores…

      (Ficam as aspas pra deixar clara a ironia utilizada neste trecho, caso alguém venha a não percebê-la…)

  • Marcio, é o tal do Zeitgeist, o espírito do tempo de que o Alexander Gromow falou. As ideias convergem e em desenho de automóvel não há muito o que inventar.

  • Esses faróis de neblina… olhos de aranha.

  • Milton, pode ser, mas é uma atitude e um raciocínio imundos.

  • Elizandro Rarvor

    Agrada só a versão EX e só pelo carro em si, o preço está salgado pelo motor que tem, nada de novo e moderno e a versão LX é um assalto ao bolso e a segurança das pessoas, um carro alto desses não ter ESP é um absurdo, só dois airbags?

    • Elizandro, nada moderno???

      • Elizandro Rarvor

        Não me fiz entender, o que quis dizer era o motor, tento os motores 1.6 Turbo na prateleira, colocar este 2.0 é retrocesso, não me agrada.

        Carro novo com motor velho, receita para terceiro mundo.

    • Nelson C

      Concordo com você, Elizandro.

  • FocusMan

    Não curti esses faróis de neblina em LED. Parecem lança-mísseis!

  • WSR

    Pois é, as empresas sacaram que o brasileiro preocupa-se com a temperatura errada para a cerveja (excessivamente resfriada) e nem percebeu ainda que isso mascara o seu sabor…

  • Fórmula Finesse

    Ótima análise, comparsa, sinceramente eu torço pela Kia.

  • Thiaguss, puxa, que perigo, meu Deus!!!

  • Thiaguss, falhei em não fazê-lo entender que minha resposta ao seu comentário foi irônica. Desculpe. Já que você não gostaria de estar atado a cinto subadominal numa colisão, recomendo enfaticamente que evite andar de avião.

    • Thiagusss

      Bob Sharp, falhou em pensar que não entendi sua ironia. Sou leitor do AE há algum tempo e já conheço sua opinião sobre determinados assuntos, sei como se dá o “tom” das suas respostas para alguns comentários. Recomendo enfaticamente que não compare a velocidade atingida pelos veículos carro/avião.

      • Thiaguss, fico aliviado então, você entendeu a ironia. Quanto aos aviões, andam em velocidade de automóvel quando no solo, e neste também ocorrem acidentes aeronáuticos. O francês Carlos Gardel, o Rei do Tango, morreu numa colisão de solo no aeroporto de Medelín, Colômbia, em 24 de junho de 1935.

        • Thiagusss

          Saudoso Gardel.
          Nunca bati o carro usando este cinto de 2 pontos, mas pode ser que o cinto de 3 pontos traga a falsa sensação de estar mais “firme” no banco, inclusive naqueles que possuem os pré-tensionadores.

          • Thiaguss, os de 3 pontos são realmente mais firmes, tanto que os cintos dos pilotos são de 4 pontos.

  • Curió

    Há alguma real vantagem dos suves urbanos em relação aos sedãs de preço semelhante, fora um pouco mais de visibilidade?

    • Curió, nenhuma. Visibilidade, como assim?

    • Guilherme Borella

      São carros mais altos, não raspam em lombadas ou saídas de garagem mal projetadas de jeito nenhum. Sobrevivem melhor em pequenos alagamentos (comuns em cidades grandes por aqui), possuem pneus maiores, mais largos e mais caros, sentindo menos os buracos, valetas, bueiros e eventuais meio fios que você sequer irá notar ao passar por cima.

      Mas… são (bem) mais caros!! Com o mesmo preço você normalmente consegue sedãs maiores, mais confortáveis, mais equipados e com muito mais prazer ao dirigir. Custo de manutenção (peças e revisões) maiores.

  • LucianoNR

    Bonito carro, mas a versão completa está muito cara. Chega nos preços de Q3 e GLA. Superiores no conjunto motriz e na qualidade de acabamento, construção e segurança

  • Piero Lourenço

    Qualk a real função da saída de ar na caixa de rodas ? Meu carro tem isso tb… Sem ESP…sem comentários!!

  • Thiagusss

    Concordo com você LucianoNR, o cuidado que esperamos das montadoras pedindo que pintem os cofres dos motores e coloquem o degrade nos parabrisas, também serve para incluam no projeto o cinto de três pontos. Denota cuidado com os clientes.

  • Dieki, os bancos dos aviões eram arrancados, não ocorre mais. Isso depois daquele 737 da Varig que caiu por pane seca em Goiás, em 1989. O pouso forçado foi perfeito, mas com a desaceleração muitos bancos se soltaram e esmagaram passageiros na seção dianteira da cabine, 11 morreram. Depois disso todos os aviões no mundo tiveram as fixações do bancos reforçadas. E, como eu disse, prevê ferimentos em caso de colisão no solo.

    • Dieki

      Estou imaginando o nível das fixações. Desconhecia esse fato, obrigado!

  • VeeDub

    Nossa, este carro deve sofrer com motor 2,0 L e 1.570 kg.