Assim como na semana passada, estava prestes a escrever sobre outro assunto quando o universo voltou a conspirar e me fez mudar de tema. Nada como viver em terras tupiniquins, onde tudo muda o tempo todo. “No Brasil, até o passado é incerto” disse Pedro Malan ou Gustavo Loyola. E se há divergências quanto à autoria da frase, eu não as tenho quanto à validade dela.

Pois bem. Estava eu assistindo ao Grande Prêmio de F-1 domingo passado e algo me chamou muito a atenção. Corrida em Mônaco, sob chuva razoavelmente intensa, os organizadores decidiram fazer a largada com safety car. Até aí, normal. Não acho tão bonito de ver mas, vá lá, não sou eu que estou colocando em risco minha vida atrás do volante de um bólido desses. E acredito que eles entendam mais de segurança do que eu. Mas, qual não foi minha surpresa ao notar que o Mercedes-Benz corria pelas ruas do principado com o “giroflex” e as luzes de condução diurna (DRL) ligadas.

Olhei várias vezes e as diversas voltas com o safety car me ajudaram a comprovar. Sim, em plena corrida de F-1, em Mônaco, circuito de rua extremamente perigoso, com chuva, e o carro não tinha os faróis baixos acesos – mas somente as DRL (daytime running ligths). E estamos falando aqui de um Mercedes-Benz AMG GT-S de 503 cv, dirigido por um ex-piloto de diversas categorias, entre elas a rapidíssima DTM alemã, Bernd Maylander. Em Monza, por exemplo, o safety car atinge velocíssimos 280 km/h.

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O safety car circulou com faróis DRL em Mônaco (foto topformula1.com)

Mas aqui no Brasil seremos obrigados a andar com os faróis baixos ligados, pois há muitas dúvidas sobre se o uso de apenas os DRL nas estradas não será considerado infração. Falta sair a regulamentação, mas tenho lá minhas dúvidas sobre como será. Ou seja, a FIA, a associação dos pilotos, Charles Whiting e mais uma penca de pessoas que vivem de, para e pelo automobilismo entendem menos de segurança do que um senador brasileiro. Poxa, o Brasil sempre fazendo escola!

Essas originalidades já nos levaram a ter um padrão único de tomada que não existe em lugar nenhum. Um tempo atrás, algumas pessoas disseram de público que em Portugal seguia-se esse padrão. Se foi assim em algum momento não sei, mas acabei de voltar de lá e estive em uma dúzia de cidades e em nenhumazinha encontrei essa tomada. Tive de usar meus adaptadores que, aliás, há algum tempo os carrego mesmo em viagens pelo Brasil, tal a confusão de tomada antiga e aparelho com pino novo ou vice-versa.

Os carros que temos em casa normalmente ficam com a alavanca das luzes no automático e, portanto, andamos sempre com as luzes diurnas ligadas e, num passe de mágica, acendem-se os faróis baixos em túneis, garagens e lugares escuros. Mas obviamente não em rodovias durante o dia. Daqui para frente teremos de mudar manualmente os comandos.

Sempre defendi o princípio das luzes nos carros pelo mesmo motivo que os aviões as usam: ser visto. Evidentemente que um avião não precisa iluminar a pista ao pousar ou decolar pois a operação geralmente é feita por instrumentos. Nem precisaria ter luzinhas nas extremidades das asas durante o vôo se a questão fosse “ver”. É para ser visto – seja por uma ave que pode ser sugada por uma turbina (OK, muitas vezes acontece mesmo com luzes acesas, mas imagina como seria sem elas), seja por outros objetos voadores. Pelo mesmíssimo motivo deve-se acender as luzes do carro nas ruas iluminadas e, ainda, é por isso que os veículos têm luzes na traseira, ora bolas! Mas isso não significa que as DRL não sejam suficientes para as estradas durante o dia. São.

Sempre me revolto contra a falta de manutenção de muitos carros, motos e caminhões que vejo por aí. Se nem isso é fiscalizado, agora vão colocar mais uma lei? Quando a Polícia Rodoviária não para (e multa pouquíssimo, quase nada) quem circula à noite sem algum farol ou com lanternas em vez de farol  baixo me faz crer que pode não saber qual é a norma ou o que é lanterna e o que é farol baixo. Espero que não seja o caso, claro, mas se nem isso é fiscalizado, como farão com mais uma lei?

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No Canadá usa-se DRL nas estradas, não farol baixo (foto en.wikipedia.org)

A alegação do autor do projeto de que em outros países é assim me revolta pela simplificação e pelo engano. Não, nobre legislador, não é bem assim. E muitos ainda citam o Canadá e os estudos que teriam sido realizados lá comprovando o aumento da segurança. Só que fazem uma enorme confusão, não sei se de propósito ou apenas por ignorância. Há no Canadá faróis de uso diurno que são ligados automaticamente ao dar partida no carro, que não são faróis baixos e que não podem ser desligados. E esses estão dentro da lei e são os que são utilizados normalmente. Na Escandinávia, de fato, existe uma norma semelhante mas que contempla as DRL, de uso obrigatório durante o dia, mas não dos faróis baixos que, sim, têm uso compulsório à noite — mas lá tem pouquíssimas horas de sol por dia e no inverno isso se limita a um par de horas. Não é o caso do Brasil, né?

A alegação de que muitos acidentes acontecem nas estradas por falta de visibilidade se choca, literalmente, com a realidade, que insiste em mudar em função dos interesses. Se amanhã alguém propuser outra lei vai dizer que os acidentes são causados por outro motivo. E, se isto correspondesse à realidade, então, por quê há tantos acidentes com motos? Afinal, desde 23 de setembro de 1997 o Código de Trânsito Brasileiro, lei 9.503, artigo 40, obriga ônibus, quando trafegarem em faixas próprias, motos e ciclomotores a circular com faróis acesos à luz do dia, tanto nas ruas quanto nas estradas.

Em setembro do ano passado, no 1º Fórum Nacional da Cruz Vermelha Brasileira sobre Segurança Viária, o médico Fernando Moreira, especialista em Medicina do Trânsito e conselheiro da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), apresentou dados que demonstram que os acidentes envolvendo motos já são a principal causa de ocorrências de trânsito no país, ultrapassando os atropelamentos de pedestres. Segundo ele, atualmente, mais de metade das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são de motociclistas, que respondem por três quartos das indenizações do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT).

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Nem as motos respeitam a obrigatoriedade (foto novojornal.jor.br)

Eu mesma pesquisei e confirmei que em 2014 76% das indenizações pagas pela Seguradora Líder, a título de Dpvat, foram para acidentes envolvendo motocicletas — isso, apesar de o veículo representar naquele ano apenas 27% da frota nacional. Das indenizações pagas no período, 82% foram referentes à invalidez permanente e 4%, por morte. O restante para reembolso de despesas médicas. Foram mais de 580 mil vítimas em acidentes com motocicleta, a maioria do sexo masculino (88%) nas indenizações de morte (88% é para as indenizações de morte em acidentes envolvendo motocicletas). Já os automóveis representaram 19% (147.012) das indenizações pagas, as picapes e vans 3% (21.855) e ônibus, micro-ônibus e vans representaram 2% (14.435). E então, como é mesmo que a questão de segurança funciona?

Esquecem-se os defensores de que muitos motociclistas não têm habilitação para tanto, a maioria em São Paulo sequer tem (ou usa) luz dianteira e traseira mesmo à noite… em fim, a conta não fecha. Se a legislação já obriga há anos o uso do farol e os acidentes só aumentam ou a lei não é respeitada ou esse não é o motivo principal de acidentes.

Mudando de assunto: Fim de semana de ficar horas sentada na frente da TV: Fórmula 1, Nascar, 500 milhas de Indianápolis… acabei vendo o jogo do Corinthians no VT, de tanta coisa que tinha. Mônaco com safety car fica chatinha, mas certamente Ricciardo não queria tanta emoção – pneus errados no pit stop? Me poupe, RBR! Agora, esses pneus do Hamilton… fala sério. Acho que eram intermediários e que como pegadinha para nós todos foram pintados de roxo.

NG

A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


  • Marcelo R.

    Nora,

    sobre a obrigatoriedade de uso dos faróis baixo, vamos aguardar. Sinto que ainda teremos mudanças (só Deus sabe se para melhor) neste caso. Agora, sobre a corrida, confesso que depois dessa lambança da Red Bull, eu desliguei a televisão e fui fazer outra coisa.

    Um abraço!

  • Olha, um safety car, pilotado por um piloto (ohhh) experiente, num ambiente controlado — a pista —, focado no que está fazendo, poderia estar guiando com toda e qualquer lâmpada apagada que ainda seria anos-luz mais seguro do que a selva de idiotas que guia pelas rodovias e estradas do Brasil estando com todas as lâmpadas ligadas — minha humilde opinião. Para mim a questão da lei é puramente arrecadatória, mas para ser aprovada pela sociedade e permitir reeleições, deve ser justificada obviamente pela questão da segurança. Mudando de assunto, ontem vi um quase acidente que me arrepiou: numa via de trânsito rápido de três faixas, velocidade de 80 km/h e sinaleiras a cada ~1,000 m, o trânsito bem fraco, a mocinha com uma Biz parou no sinal, na pista do meio, e um caminhãozão Mercedes trucado com baú freou tudo e ainda teve que desviar para pista do lado, parando uns 5 metros a frente de onde a Biz parou… olha, graças a Deus fui poupado de ver carne humana no asfalto.

  • Luciano, quem depende de farol ligado de carro em sentido contrário para percebê-lo tem problemas sérios de visão e devia não dirigir enquanto não tiver a vista examinada. Carros precisam ser vistos, mas não com essa imbecilidade de farol baixo ligado.

  • Mr. Car, o Arnaldo foi a Araxá. E, tudo bem, não brigo com você não, mas que farol ligado de dia incomoda, é fato. Por isso foi criado o farol de uso diurno mais fraco, como bem mostra a foto de abertura da coluna da Nora de hoje, tráfego no Canadá.

  • Juvenal, se você não se importa em incomodar os outros à toa…

  • Enildo, tudo o que você diz está certo, mas tem um detalhe: farol baixo de dia incomoda. Tanto incomoda que foi criado o farol de uso diurno nos países nórdicos e Canadá, no começo dos anos 1990, de intensidade luminosa menor. Por que você acha que fariam isso? Esse imbecil desse deputado ouviu o galo cantar mas não sabia onde o galináceo estava.

  • Corsário, boa, bem lembrado!

  • caíque313131, farol baixo de dia incomoda. Por isso criaram o farol de uso diurno nos países nórdicos e Canadá no início dos anos 1990, farol de baixo de intensidade luminosa menor. Já sei, talvez você acredite na balela de que “o povo brasileiro é muito inteligente”.

  • Nora Gonzalez

    Ricardo Kobus, sou corinthiana sim, mas gosto muito de futebol em geral e sou capaz de torcer pelo time adversário se estiver jogando melhor — bem, não no caso do Corinthians que dá divórcio por justa causa — mas tranquilamente no caso das seleções argentina ou brasileira. Gosto dos meus times, mas gosto ainda mais do esporte.

  • João Lock

    Não sei se sou mais burro que uns ou mais inteligente que outros. Lá na minha terra, bem antes de ser obrigatório aqui, já existia tal obrigatoriedade. Mas depois alguém mais burro ou mais inteligente, sei lá, revogou a lei, porém, o costume ficou. Desde meu primeiro carro, um Corcel GT 1977, utilizo farol baixo nas rodovias de qualquer tipo. Se não me falha a memória, acho que tive que substituir uma única vez uma lampada de farol de um carro meu.

    • Lucas dos Santos

      Revogaram a lei porque leis de trânsito não podem ser restritas a um único município, estado ou região. É inconstitucional. Apenas a União pode legislar sobre o trânsito.

      Muita gente ainda acha que essa lei ainda está em vigor e por isso o “costume” de usar o farol baixo nas rodovias permaneceu.

  • Elizandro, insanidade total. Aliás, o tal deputado autor da lei é um ex-PRF.

  • Luciano, farol ligado de dia incomoda. Por isso os faróis de uso diurno usados há mais de 20 anos nos países nórdicos e no Canadá são os faróis baixos mais fracos. Essa lei é abusiva e só mesmo muita ignorância para criá-la.

    • Luciano Ribeiro

      Vamos ver Bob, uma lei que seria bem vinda agora é a retirada de todos os quebra-molas, esse sim é inutil.

  • Gustavo, só lanternas.

  • Leandro Castro

    Luciano, concordo contigo, em 100%.

    Agora discordo do Bob Sharp quando diz “Luciano, quem depende de farol ligado de carro em sentido contrário para percebê-lo tem problemas sérios de visão e devia não dirigir enquanto não tiver a vista examinada”. Dirijo há anos, e, tenho essa dificuldade, principalmente em dias quentes, aqui na região onde moro, temperatura media anual por volta dos 38 °C, onde temos aquele efeito que simplesmente esconde um carro a certa distância.
    Problemas sérios de visão, acredito que tenha quem usa como argumento, que fica difícil de enxergar com película clara nos vidros.

  • Real Power, desisto de falar sobre essa besteira que um imbecil de um deputado inventou. Não responderei mais a nenhum comentário sobre essa assunto. Tenho mais o que fazer.

  • CorsarioViajante

    É, só no Brasil que se padroniza um único formato… Com dois formatos de pino. Essa coisa do “pino fino x pino grosso” é um tormento e só enche o saco.

  • Caio, sim é com os faróis baixos são alimentados, com 10 volts em vez de 12, no esquema de DRL no Canadá e países nórdicos. Já dirigi um Impala nos EUA em 1995 que tinha isso. Era uma posição no interruptor de luzes (marcado como DRL, se não me falha a memória), em que só acendiam esses faróis, mais fracos, mas não lanternas traseiras, justamente para tornar o carro conspícuo (visível pelas pessoas) e não incomodar, não produzir o glare. Com toda certeza, uma fabricante de autopeças como a Bosch ou a Hella podem criar esses kits da noite para o dia, é muito fácil. O único problema é quem tiver colocado isso no carro se livrará das multas, mas não do incômodo dos que não instalaram o kit.

    • Caio Azevedo

      Verdade. Obrigado, Bob.

  • Tio Ítalo, isso aí. Esse pessoal que já está se antecipando para evitar a multa é o mesmo que entrega o ajusta anual do imposto de renda nos primeiros dias… (rsrsrs)

  • Fabius_

    Não tenho certeza, mas as marginais do Tietê e do Pinheiros em São Paulo oficialmente também são rodovias, com a sigla SP-015. Agora, como isso funciona, quem tem competência para fiscalizar e multar e quem tem responsabilidade sobre cada pista, eu nem imagino.

  • Renato Mendes Afonso

    Acho que a questão esta um pouco mais além. Como um colega comentou, tem muito PRF que não tem sequer conhecimento do que são DLRs e sua utilidade e podem acabar multando veículos com DLR ligada. Ainda que o condutor tenha a razão, imagina a dor de cabeça para recorrer da multa.

  • Lorenzo Frigerio

    Aqui na Bananalândia as leis são criadas já de olho na arrecadação… e como de costume, sempre valendo “pra ontem”. Para que termos instituto de metrologia e conselho de trânsito, se um político sempre sabe mais?

  • João Lock, refiro-me a outro grupo com problemas de visão, o de pessoas que pensam que enxergam bem mas não enxergam, comprovado por precisarem de dois clarões à frente para saber do que se trata — que espero não ser o seu caso.

    • João Lock

      Bob, sou aviador. Então, tenho que cuidar bem da minha visão. A frota de Urubus é crescente e eles teimam em dividir o mesmo espaço aéreo. Tem que ter olhos com boa penetração para distinguir distâncias de alvos tão pequenos. Na aviação existe uma especie de ditado que diz: “Aviate, Navigate, Communicate”. Voar, Navegar e se comunicar, seja por ondas de rádio ou visual. Ver e ser visto. E como lá de cima, tudo fica muito plano e pequeno, usamos de vários dispositivos de iluminação. Beacon lights, farois, strobos e lanternas verdes e vermelhas, que indicam o sentido de voo da ACFT observada. Eu não quero entrar nessas discussões intermináveis, para ver quem está certo. Mas aqui no mundo dos 2 eixos, tenho algumas observações pessoais. E uma delas é a PRONTIDÃO. Quanto antes você observar um alvo, objeto, principalmente em movimento, mas rápido será a sua reação se algo der errado. Pois a sua PRONTIDÃO lhe dará vantagem situacional. Como por exemplo, desviar de um veículo desgovernado. E você sabe que veículos em alta velocidade, qualquer milésimo de segundo, significa muitos metros. E daí entra outros atores, que também fazem parte do sistema, que são pedestres, ciclistas e etc… que precisão identificar os alvos (moto, carro, caminhão) que podem vir de dois sentidos diferentes, com velocidades de 100km/h ou mais. Aí, a relação de tempo de reação ainda é mais critica.

      • João Lock, então estamos irmanados na mesma paixão, temos o vírus “aerococus” inoculados em nós: sou piloto também, que legal! Endosso tudo o que você disse. Mas há um detalhe nessa história da lei do farol baixo: no projeto de lei o tal representante do povo não se dignou apresentar qualquer estudo apontando necessidade de providências nesse sentido. Digo porque tenho o PL. A proposição foi verdadeiramente nas coxas.

  • Cesar

    Concordo! Aliás, sempre uso faróis baixos em rodovia.

  • Elizandro, falha do comando, que não instrui os policiais. Isso dá um trabalho danado…

  • Lorenzo, isso mesmo, que gente chata, não? Deveria ser essa a pena, realmente.

  • Lorenzo, anime-se, “Moro/Num patropi/Abençoado por Deus…/

  • Eduardo Sérgio

    Esses excelentíssimos congressistas de Brasília deveriam trazer também outras coisas que o Canadá tem: educação pública referência mundial; estradas que parecem tapetes; saúde pública primorosa; serviços públicos dignos para o cidadão etc.
    E de souvenir na bagagem ainda caberia mais um grande presente para os brasileiros: no Canadá as leis são aplicadas de fato a todos, do mais pobre canadense ao mais bem vestido e arrogante membro do parlamento daquele país.
    Tudo isso, sim, seria muito bem vindo ao Brasil.

    • Eduardo Sérgio, certíssimo!

    • Lucas dos Santos

      Estradas que parecem tapetes?! Você está louco? Vai virar pista de corrida! Vai ter que encher de lombada“, diriam os moradores de minha cidade!

      • Marcio

        Os moradores da minha cidade diriam que se você multar um Fusquinha velho, o condutor não terá condições de pagar a multa e estará sendo tirado o direito do cidadão de ir e vir, indo portanto contra a Constituição…

  • Piero Lourenço

    Também tenho essa dúvida sobre DRL, isso não está claro na lei. Mais uma bizarrice nacional, para variar!

  • Piero Lourenço

    Deve ser alguma “pressão” dos fabricantes de luzes… hahahahaa aumentar uso = queimar mais = vender mais

  • Lucas dos Santos

    Nas resoluções do Contran que versam sobre a aplicação de sinalização nas vias – como os vários volumes do Manual Brasileiro de Sinalização – é estabelecido que vias rurais com características de vias urbanas devem ser tratadas como se urbanas fossem.

    Espero que esse princípio seja aplicado nessa questão do uso do faróis também. Vamos ver se irão incluí-lo na resolução que regulamentará essa lei…

  • Lucas, correto!

  • Lucas, o Detran de São Paulo permite fazer-se a placa que se quiser, acesse e veja, http://www.detran.sp.gov.br .

    • Lucas dos Santos

      Sim, Bob, acredito que em todo o Brasil é assim. Mas isso só é possível para o primeiro emplacamento. Depois disso a combinação fica atrelada ao veículo e não pode mais ser substituída.

      No caso de carros já emplacados, a combinação terá de permanecer a mesma ao passar para o modelo novo.

  • Matuck

    Quer uma desvantagem grave? O carro da minha esposa, um Clio, tem os marcadores de combustível e temperatura no mesmo display LCD do computador de bordo, que corretamente diminui a iluminação forçada ao se ligar os faróis; óbvio, prevendo o uso noturno, para não incomodar os olhos do motorista. E, durante o dia, ficam ofuscados nesse modo. Muito, mas muito difíceis de serem visualizados.

    Aqui no DF praticamente todas as principais avenidas são rodovias federais. Não dá para brincar de ligar e desligar faróis, devem ficar ligados o tempo todo, para evitar ser tungado. Agora temos um carro novo com instrumentos imprescindíveis e ilegíveis. Palmas, senador, por falhar na generalização e se esquecer das exceções.

  • Lucas dos Santos

    Muito provável que confundam DRL com luz de posição ou considerem um “item estético”, como relatou o colega em comentário anterior.

    O problema é que a DRL, ou luz de rodagem diurna, não é reconhecida pelo nosso Código de Trânsito Brasileiro. Não consta nem mesmo dentre as definições do Anexo I – ao contrário da luz de neblina, que, apesar de não ser mencionada em nenhum artigo, está lá na lista de definições, deixando evidente que o seu uso é previsto nas situações para as quais fora designada.

  • Renato Texeira

    No caso ideal eu acho que o farol baixo durante o dia faz mais bem do que mal. Mas aqui no Brasil é bem comum circularem veículos com faróis desregulados, algumas vezes parcialmente queimados ou até com farol alto quando não devem. Tudo isto atrapalha ou confunde os demais condutores.

  • Lucas dos Santos

    Isso não me surpreende, Elizandro.

    O uso da DRL não é previsto pelo CTB – ainda que aprovada e regulamentada pelo Contran. Logo, na visão de nossa legislação de trânsito, ela realmente não passa de um item estético ou, no máximo, uma luz de posição.

    Tínhamos que pressionar nossos legisladores, para que alterassem o CTB e incluíssem a luz de rodagem diurna nas definições do Anexo I. Isso, por si só, já tiraria o status de “item estético” desse equipamento.

  • Marcos Melotti

    Eu ia ler a reportagem até o fim, mas percebi que a autora do artigo anda muito pouco em rodovias mesmo e não faz a mínima ideia da diferença que faz um carro, mesmo durante o dia, com o farol baixo ligado, falando do ponto de vista de “ser visto”… Só uma pergunta pra finalizar, você viu algum carro andando em sentido oposto ao do safety car na corrida de F-1 que precisasse vê-lo? Não acredito que ocorra uma diminuição de acidentes depois da implantação desta lei, mas a autora do artigo foi extremamente infeliz em suas considerações.

    • Pluto

      Também acho que a comparação da autora é com outro contexto.
      O pessoal do AE não está andando o suficiente por estradas Brasil afora.
      Onda de calor no asfalto omite bem um carro prata ou cinza distante.

      Mas que a lei é porca, isso ela tem razão.

      • Nora Gonzalez

        Marcos Melotti, CorsarioViajante, Pluto, quem lê minha coluna semanalmente (e escrevo há mais de ano e meio) sabe que rodo em estradas mais de 1.500 km por mês pelo Brasil e muito no exterior – seja a trabalho seja por lazer. Mas, claro, você pode considerar isso pouco. Também sempre defendi o uso constante de luzes nos carros, não apenas nas estradas mas na cidade – prática que adoto há anos. Quanto à comparação com a F1 pergunte ao Sebastian Vettel o que é ter pessoas circulando pela pista durante uma corrida, pois aconteceu isso com ele duas vezes apenas no ano passado. E ainda tem os fiscais de pista, que trabalham durante a corrida recolhendo detritos. Ou eles não têm de ver um carro e podem ser atropelados? A questão é que não é apenas quem está dentro de um veículo que tem de ver outro em sua direção.

    • CorsarioViajante

      Depende muito da sua realidade também. Eu rodo muito em estrada, mas principalmente no Estado de SP e em rodovias duplicadas, onde é claramente desnecessário o farol aceso durante a maior parte dos dias, pois os carros que vem na outra mão estão separados por um enorme canteiro, como na Bandeirantes ou Dom Pedro por exemplo.
      COmo vários citaram, a lei é bem intencionada mas genérica demais, não previu um monte de situações onde é desnecessária e pode até piorar. Ontem, por exemplo, rodando na Dom Pedro, quase todo mundo com farol aceso ligado em dia de sol, criou uma poluição visual que confundiu mais do que sem tudo ligado.

      • Corsário, sem contar que não houve nenhuma prova ou estudo justificando a necessidade dessa lei. Tenho a exposição de motivos do imbecil do deputado. Dá náusea.

  • Marcio

    Fantástico, agora vou simplificar a terminologia de guarda de CET, policial rodoviário, fiscais em geral para MULTADOR. hehehe

  • REAL POWER

    Christian Bernert, mas é justamente isso que estou defendendo. Carro com DLR que o use, sem DLR que use farol baixo. Simples e fácil, por isso não consigo entender a repulsa das pessoas em usar o farol baixo.

  • Pluto

    Terra engraçada essa.
    Seria ótimo se todos os motoristas ao menos usassem os faróis baixos à noite, chuva e neblina como manda a lei. Muitos motoristas nem sabem o que farol baixo é, muito menos diferença e baixo, alto, posição, neblina, milhas.

    Poderiam começar regulamentando e obrigando repetidoras laterais dos piscas.
    Poderiam fiscalizar o uso de lâmpadas irregulares como falso Xenon.
    Poderiam fiscalizar sobre os morcegões que andam escuros pela noite.
    Poderiam combater películas fora de especificação que diminuem a visibilidade.

    Mas tudo isso dá muito trabalho.
    Se fosse uma pessoa, o trânsito estaria usando óculos de sol com capacete de minerador ao mesmo tempo.

    • CorsarioViajante

      Exato. Aqui deveria ser como nos EUA, onde o uso é recomendado mas não obrigatório. E que fizessem campanhas incentivando o uso correto e, claro, fiscalizassem todos estes horrores que você citou.

  • Antônio do Sul

    Nessa situação, eu imagino o seu esforço em não chamar os policiais pelos adjetivos corretos….

  • Carlos A.

    Renato Teixeira, tudo isso é muito complicado e acho que aumenta é a insegurança nas estradas e não a segurança, muito diferente os DRL que são específicos para uso durante o dia. Sem falar que alguns veículos hoje, ligam junto com a ignição a iluminação do quadro de instrumentos e ao acionar os faróis (que sempre foram feitos para uso noturno ou túneis) tem a luminosidade reduzida, justamente para não atrapalhar o próprio motorista. Isso já é uma prova (assim como o sistema de acendimento de faróis automático quando há baixa luminosidade externa) que a indústria automobilística cria seus produtos seguindo a lógica e o bom senso! Pena essa visão apequenada de nossos políticos ‘entendidos’ queiram mudar a lógica, logo vai ter algum inteligente querendo mudar alguma Lei da Física!!!. Mais um detalhe ruim nessa história é que os veículos com acendimento automático dos quadros de instrumentos, ficam com as informações no display prejudicadas durante um dia de muito sol, devido a redução da intensidade com faróis ligados…vai ser um saco ficar regulando esse ajuste manualmente ao usar o carro durante o dia e durante a noite.

  • Danniel

    Fat Jack, eu mesmo serei um deles, pois ando em duas ruas do meu bairro e já caio em uma rodovia. Considerando o que ocorreu com a lei seca – uma caça às bruxas após a sanção da nova lei – não duvido que qualquer esquecimento será duramente fiscalizado.

  • CorsarioViajante

    Eu sou um deles, mantenho os faróis acesos o tempo todo, pois aqui em CAmpinas onde moro é bem comum entrar e sair de rodovias o tempo todo.

  • Awaked, como assim, terceira? F-1 não tem luz de freio.

  • Awaked, quando se está na faixa mais à esquerda está-se em situação irregular, mais pelo bom senso do que pelo Código, e nesses momentos deve-se redobrar a atenção ao tráfego à retaguarda. Não precisa de farol aceso no carro de trás para se perceber sua aproximação. Inclusive, é normal e permitido pelo Código relampejar faróis brevemente para avisar o motorista do carro à frente a intenção de ultrapassá-lo.

  • Awaked, fora que DLR é por fileira ou filete de LEDs, não um ponto único com é a luz de posição.

  • Awaked, ótimo, mas imagine se um dia hábito o traísse (não é impossível) e fosse fosse flagrado desrespeitando a lei. Você não ia gostar nada, garanto.

  • Awaded, existem estudos sim, até que o farol baixo de dia incomoda. Mas para o projeto de lei não foi apresentado nenhum estudo. Tenho-o.

  • Awaked, se não notar que tem carro se aproximando por trás, o que acontece? Sabe me dizer?

  • Awaked, claro que seria, haveria custo. Mas o ponto-chave é: se não está provado por a + b que um farol ligado de dia (no Brasil) teria evitado um acidente, tornar isso lei é abuso de poder do legislativo, além de uma ignorância inominável.

  • Awaked, incômodo é incômodo, não importa o seu grau. E as pupilas estão abertas para a condição de iluminação ambiente, não para dois pontos fortes de luz. E de dois pontos só, nada, vários!

  • Awaked, incômodo é incômodo, independente da sua intensidade. Além disso, as pupilas estão ajustadas para um a determinada intensidade luz ambiente, e dois focos fortes incomodam, mais ainda se forem vários focos (vários carros).

  • Follmec, não é proibido ligar faróis de neblina e por isso fiscais nada podem fazer. Muitos — a maioria — o fazem com o objetivo de deixar o carro lindão também, denotando pobreza de espírito. Farol de neblina foi feito para usar quando houver neblina. Seu facho é apropriado para isso.

  • Elizandro, era não, é. A Resolução nº 18, de 17/02/1998 continua em vigor enquanto não sair resolução regulamentando a lei do farol ligado em rodovias.

  • Mr. Bacon, exatamente, esse é o farol baixo que não incomoda, certíssimo.

  • Nora Gonzalez

    Lauro, a comparação foi retórica, mas se o princípio é ser visto isso vale para todos e não apenas motoristas. Não podemos nos esquecer dos fiscais de pista e médicos que entram durante a prova para tirar detritos da pista ou ajudar na remoção de carros e pilotos, justamente quando circula o safety car. Na hora, não necessariamente eles vão lembrar na pista de onde vem os carros. Ou eles não precisam ver os carros? E quanto a carros no outro sentido, bem… tem o Verstappen, o Ericsson e outros… 😉

  • Nora, boa!

  • Awaked, é obrigatório usar farol baixo do pôr do sol ao amanhecer, e esses dois momentos nunca são de escuridão completa.

  • Awaked, se vidros de condução não tiverem filme, uma consulta a um dos espelhos permite ver perfeitamente se vem carro se aproximando. Farol ligado torna ainda mais visível? É claro, mas é uma visibilidade adicional desnecessária. Além disso, que vem rápido pode dar uma relampejada de farol para alertar o motorista da frente, é uma sinalização diferenciada, ao passo que se todo mundo estiver de baixo ligado esta se vulgariza, não chamará tanto a atenção. Há décadas que sempre que vou ultrapassar um caminhão numa rodovia multifaixas dou uma breve relampejada de farol se a diferença de velocidades for expressiva.

  • Renato, observação correta a sua, as DRL a LED dão melhor conspicuidade ao carro.

  • Renato, perfeito.

  • Sinceramente, justiça pra mim, é quase como papai noel e coelhinho da páscoa. Já precisei e a questão foi resolvida, mas tanto tempo depois que ficou mesmo o prejuízo e a dor de cabeça.

  • agent008

    Está certa a explicação, apenas discordo quanto ao “problema” de separar tomadas pela corrente (‘pino fino’ 10A x ‘pino grosso’ 20A). Isto existe para evitar que aparelhos que demandam corrente maior sejam ligados em circuitos incapazes de sustentar esta corrente, o que causaria risco de incêndio. É um passo na direção certa na questão de aumentar a segurança. Este perrengue que estamos passando com os mil e um adaptadores, é temporário e com o passar do tempo estaremos todos usando equipamentos novos, com tomadas novas. Inglaterra e outros países passaram por isso e todos sobreviveram…

    • agent008, para evitar incêndio há o fusível, certo?

  • agent008

    Pela norma, todas as tomadas de 20A aceitam plugues de 10A, o contrário (aparelho de 20A em tomada de 10A) é que não pode ocorrer.

  • agent008, tivemos décadas, ou mesmo um século com os dois pinos tradicionais. Nunca houve problema, para que mudar então? Só serviu para complicar a vida de muitos. Fim da picada, falta do que fazer, em minha opinião.