A respeito de automóveis, fala-se muito da sua segurança ativa, que se refere a como o comportamento do veículo coopera para que o motorista evite um acidente. É como ele freia, como faz curva, como acelera, como desvia etc. Há um bom tempo se fala também de sua segurança passiva, que é como ele protege seus ocupantes no caso de um acidente. Mas pouco se comenta sobre dois também importantes itens que entram nessa equação, a segurança preventiva e a direção preventiva.  A primeira também depende de como o veículo foi projetado, portanto, depende do cuidado do fabricante. Já a segunda depende só do motorista.

Boa posição para guiar e boa ergonomia é primordial (Foto: Car and Driver Brasil)

Boa posição para guiar e boa ergonomia são primordiais (Foto: Car and Driver Brasil)

Vamos a alguns pontos importantes que pesam bastante na segurança preventiva de um veículo. Uso o termo ‘motorista’ para os dois gêneros, masculino e feminino, para não ter que usar no texto todo o recurso tipo “o/a motorista”.

Alavanca de câmbio  – é o segundo ponto de contato de mão mais importante depois do volante. Por isso ele precisa ter movimentos precisos, leves e definidos, sendo a manopla muito importante para seu uso e sensação agradável proporcionada. O formato de manopla mais adequado de todos é o de pera, admitindo-se variações estilísticas não exageradas. A localização da alavanca também é importante para a segurança preventiva, a mão direita deve “cair” do volante e encontrá-la naturalmente.

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Porsche 912 ’68 (hillmanimages.com)

Assistência de direção – é fundamental para a assistência preventiva, não apenas para tirar esforço de movimentar o volante, como possibilitar relação de direção baixa, essencial para o dirigir preciso, com citado acima no caso de curva de esquina. Mas a assistência de direção deve ser variável no sentido de ir-se reduzindo com o aumento da velocidade, de modo numa estrada se tenha firmeza, certo “peso” no volante, ou o dirigir se torna tenso e cansativo. Há uma componente de segurança ativa nas direções assistidas, que é permitir ao motorista controlar melhor o veículo em caso de esvaziamento súbito de um pneu dianteiro.

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Assistência elétrica de direção do Porsche 911 (total911.com)

Bancos – se volante e alavanca de câmbio são pontos de contacto com o veículo, o banco o é de forma diferente, porém não menos abrangente. Um bom banco é um inestimável auxílio ao bom dirigir. Ele deve receber o corpo e apoiá-lo nas costas, região glútea e pernas. Particularmente importante é o apoio da região lombar, sem o quê poderá surgir dor de coluna após algumas horas dirigindo. Se o banco tiver esse ajuste, ótimo. Quando o banco é bom o motorista se sente encaixado nele. Quanto mais ajustes o banco tiver, melhor. Associado aos bancos está o cinto de segurança, em que altura de ancoragem superior ajustável ajuda no conforto e no correto posicionamento do cinto no corpo. Além disso, o cinto não deve exercer pressão constante no tórax, o que incomoda e cansa.

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Os afamados bancos Recaro (johnsoncontrols.com)

Bons faróis – isso dispensaria comentários pela sua obviedade, não fosse que além de  proporcionar boa iluminação da via, tem-se que levar em conta que eles não devem ofuscar quem vem em sentido contrário. Esse dois fatores são importantes, o primeiro por eliminar qualquer tensão resultante de iluminação insuficiente, o segundo por eliminar ou reduzir a ocorrência de o carro em sentido contrário passar aos faróis altos em represália.

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Noite que vira dia (worldofmods.com)

Câmbio automático – para boa parcela dos motoristas o câmbio automático proporciona um dirigir mais tranquilo, e quanto melhor for sua programação, a que reproduza  o mais fielmente possível a “lógica humana”, mais sossegado ainda se torna o dirigir. Por exemplo, não haver troca de marcha ascendente numa entrada de curva, o que embora não traga perigo, é desconcertante. Para esses motoristas esse tipo de câmbio constitui fator de segurança preventiva. Ressalte-se que “automático” aqui se refere às trocas de marchas independente do tipo de câmbio — epicíclico, robotizado (uma ou duas embreagens) e de variação contínua (CVT).

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Cadillac 1953 (forums.cadillaclasalleclub.org)

Climatização – esta é um dos mais mais importantes itens num veículo fechado. Dirigir num ambiente confortável, à temperatura entre 20 ºC e 22 ºC, livre de correntes de ar e de ruído de vento, é talvez a maior contribuição para a segurança preventiva, especialmente na estrada ao dirigir durante muitos quilômetros. O Carlos Meccia escreveu em março passado útil matéria sobre ruído, recomendo relê-la. O motorista deve se sentir bem. Além disso, uma boa climatização ajuda a evitar embaçamento dos vidros e, quando o tempo está frio, dispensar casacos pesados que impedem a total mobilidade dos braços.

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Ar-condicionado, imprescindível para a segurança preventiva (skmechanic.com)

Ergonomia – o fabricante deve prover total facilidade de acesso tanto aos comandos primários – volante, pedais e alavanca de câmbio — quando aos secundários, entre os quais alavancas de seta e limpador de para-brisa, controles de climatização e de áudio, e outros. Estes precisam de ser de uso intuitivo para que não constituam algo que apresente alguma dificuldade.

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Exemplo de análise de ergonomia (pinterest.com)

Instrumentos – é um dos mais importantes elementos da segurança preventiva. Devem ser bem fáceis de ler e suas informações precisam ser entendidas prontamente. Embora cada fabricante tenha seu padrão no desenho dos instrumentos, não há muito o que inventar. Em tempos de intensa fiscalização de velocidade, é conveniente haver leitura de velocidade digital, de preferência combinada com analógica e numa janela no próprio velocímetro. É muito importante haver no carro ajuste da intensidade da iluminação dos instrumentos, para conforto visual especialmente nas viagens noturnas.

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Quadro de instrumentos Audi A6 3.0T 2016 (thetruthaboutcars.com)

Pedais – devem atuar de forma gradual, para correspondendo ao que se espera de suas respostas. A carga do pedal de embreagem não poder alta nem baixa demais e soltá-lo não deve exigir atenção especial (inclui o projeto do sistema de embreagem como um todo). O do freio deve ter um toque firme e a calibração do sistema de freio deve proporcionar fácil modulação, em especial a atuação do servofreio, que nunca deve ser abrupta, que demande atenção para um dirigir suave. O pedal de acelerador deve poder acionado pivotando o pé no calcanhar e seu curso não pode ser excessivo nem curto demais. E a operação punta-tacco deve ser natural, sem exigir contorcionismo do pé. Conjunto de pedais bem projetado é um forte elemento de segurança preventiva e nem todos os fabricantes dão a devida atenção a isso.

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Pedais são importantes para a segurança preventiva (forums.wwortex.com)

Posição de dirigir – o carro deve ajuste ter amplo dos bancos e do volante de direção que permitam ao motorista encontrar não só a posição de dirigir que ele considera confortável, como também, ainda mais importante, a correta. Como regra básica, o topo do aro do volante deve estar no nível do queixo e braços e pernas não deve estar muito esticados nem muito dobrados. Os comandos — volante, pedais e alavanca de câmbio — devem poder ser acessados naturalmente. Isso propicia a melhor condição possível para dirigir. Ajuste de altura e distância do volante é importante para se encontrar a melhor posição de dirigir, visto que a relação antropométrica das pessoas varia bastante. Muita atenção deve ser dada às costas, elas devem se apoiar totalmente no encosto do banco; há muitos motoristas que dirigem algo afastados do encosto e isso acaba fatigando mais do que o necessário.

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Exemplo perfeito de sentar mal ao volante (injuryphysicians.com

Volante de direção – é o principal e mais demorado ponto de contacto entre o motorista e o carro, e por isso exige atenção especial do fabricante. Seu diâmetro deve estar entre 360 e 380 mm e o apoio dos polegares na raiz dos raios com o aro deve ser anatomicamente perfeito. O diâmetro da seção transversal do aro não pode grande nem pequeno demais e é melhor do ponto de vista anatômico que esta seção não seja circular, mas ligeiramente oval ou oblonga, que “receba” melhor as mãos nos movimentos de esterçamento maiores. Associado ao volante, a relação de direção deve ser tal que permita fazer uma curva de esquina típica de cidade virando o volante ¼ de volta.

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Bom exemplo de volante (facepunch.com)

Como se vê, são inúmeros os itens que pesam na segurança preventiva de um veículo. Parece que são só detalhes, mas cada um tem sua influência. Esses itens são de responsabilidade do fabricante do veículo, embora caiba ao motorista utilizar corretamente os recursos disponibilizados.

Mas passemos ao quarto componente da equação, tão importante quanto o que o veículo traz, que não depende da máquina: a capacidade de prevenção do motorista. Vale dizer que a experiência – os anos de volante, a vivência obviamente, coopera nessa capacidade de prevenir encrencas. Se bem que há quem, por achar que já sabe tudo, nunca haverá de aprender nada. É por isso que gosto do ditado “Ninguém é tão desprovido de conhecimento que não possa ensinar, ninguém é tão sábio que não possa aprender.”

O nervosismo atrapalha o raciocínio lógico (www.octetort.com Largada para o GP da Alemanha em 1956)

O nervosismo atrapalha o raciocínio lógico; a foto é da largada do GP da Alemanha de 1956, em Nürburgring (octetort.com) Largada para o GP da Alemanha em 1956)

Diz-se que um homem prevenido vale por dois. Tudo bem, mas eu acrescentaria que em certas situações uma pessoa desprevenida pode não valer nada. Um exemplo caseiro e corriqueiro disso é quando nos cabe cuidar de uma criança. Os pais bem sabem que a coisa não é fácil e que a melhor atitude é prevenir, prevenir e prevenir. O bebê começou a andar? Bom, então o jeito é limpar a casa de tudo quanto é coisa em que ele possa meter a testa enquanto corre feliz por correr. Quando minhas filhas estavam nessa fase, minha casa estava cheia de esponjas grudadas com fita crepe em quinas de mesas, quinas de paredes etc. O bebê já está comendo no cadeirão alto? Então é tratar de não colocar o cadeirão de frente junto à mesa, pois ele na certa vai fazer uma flexão com as perninhas se apoiando à mesa e vai cair com cadeirão e tudo para trás. E por aí vai, já que os perigos são inúmeros. Ou bem você cuida dele ou não cuida. Cuidar mais ou menos não vale nada. Deixar essa tarefa para os anjos da guarda é inaceitável.

O mesmo cabe ao bom motorista. Ele não pode contar com os providenciais anjos da guarda. Correr, executar manobras incríveis, é fácil, é simples, portanto, não é mérito. O difícil, o apreciável, é fazer isso sem arriscar a pele de ninguém. A segurança é o princípio básico do bom motorista, o resto é secundário. Não basta ele ter o domínio do carro para que seja considerado um bom motorista. Além disso, ele tem que, contínua e rapidamente, observar a situação e exercitar a imaginação, simulando possíveis ocorrências para que nunca se coloque em posição de risco, tanto para si quanto para os outros.

Nem sempre viajamos num mar de rosas (foto: autor)

Para tanto, manter a calma, sempre, é primordial. Os nervos atrapalham o raciocínio e obstruem a ação rápida e certa, seja lá qual for a tarefa tivermos pela frente. O bom lutador de boxe, o campeão, é o que sobe calmo no ringue com o objetivo de executar uma tarefa. Uma das providências que toma é justamente tentar desestabilizar psicologicamente o oponente, para que ele fique nervoso, com medo ou com raiva — se possível, ambos. Portanto, trate de dirigir calmo, com a pulsação baixa, seja na tocada lenta ou rápida. Mais importante que dominar a máquina é sabermos dominar a nós mesmos.

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O Piquet vivia infernizando o Mansell, por que será? (anninhhaiphong.net)

Lembro bem de, anos atrás, pouco antes de uma largada de uma corrida da Fórmula Indy, haviam colocado contadores de batimentos cardíacos em todos os pilotos, e isso era informado ao vivo pela tevê. O do Emerson Fittipaldi estava a 138 bpm, enquanto que os dos outros estavam acima de 200 bpm. É claro que ele tinha ótimo preparo físico, mas os outros, quase todos mais jovens que ele, também o tinham. A diferença estava no seu preparo psicológico. Ele estava calmo, raciocinando, pensando, calculando, prevendo.

Alguns exemplos de direção preventiva:

Nunca fazer a estúpida “briga de faróis”. Pista simples, à noite, estrada vazia, e lá de longe vem um sujeito com o farol alto. Você está com o seu alto ligado e logo o abaixa. Ele vai se aproximando e não abaixa o dele. Você dá uma piscadela no seu, alertando-o para isso, mas nada acontece; o sujeito, por maldade, falta de atenção ou ignorância, continua com o dele alto. Enraivecido, sua tendência é meter-lhe um alto também, mas é aí que você se arrisca ainda mais, pois ele, ofuscado, pode vir para cima de você. O jeito é deixar p’ra lá e tratar de se posicionar baseado na lista branca que separa o acostamento da faixa de rodagem, sem perder de vista o carro que vem de encontro.

Nem sempre viajamos num mar de rosas (foto: autor)

Nem sempre viajamos num mar de rosas (foto do autor)

Manter a distância do que vai à frente. A distância mínima é de dois segundos, ou seja, o que segue à sua frente passa por um ponto e só dois segundos depois, ou mais, é que você passa pelo mesmo ponto. E dois segundos é o mínimo, com pista seca e boa visibilidade. Com chuva, má visibilidade, é claro que esse tempo aumenta. Isso vale também, e principalmente, para estradas de pista simples, pois se deve deixar espaço para que, se alguém de trás vier ultrapassando, ele ali se encaixe. É muito comum, em pistas simples, ver filas indianas, tipo um elefante com a tromba segurando o rabo do que vai à frente, e isso, mesmo quando devagar, é um perigo danado, é um voo cego. Fora que muitos usam as detestáveis películas escurecedoras dos vidros, o que impossibilita que de trás se enxergue através deles para vermos o que acontece adiante.

Dizem que há limite para a inteligência humana, mas não para a sua burrice, portanto, espere pelo inesperado, pois há muita gente guiando sem saber fazê-lo. Dirija com atenção e viaje tranquilo. Ah, e se você estiver de carona e não aprovar os cuidados do motorista, trate de sair dessa situação. Eu mesmo já mandei alguns pararem e simplesmente desci.

O bom motorista deixa o passageiro tranquilo (Foto: Paulo Avelino)

O bom motorista deixa o passageiro tranquilo mesmo guiando rápido (Foto: Paulo Avelino)

Mas a suma do recado é esta: dirigir direito é agir para não ter que reagir.

AK

Bob Sharp colaborou


Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

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  • Roberto Alvarenga

    A facilidade para o punta-tacco tem sido esquecida pela maioria das fabricantes. Do carros que dirigi recentemente, no Gol, no Etios e no Sandero, é praticamente impossível. No meu Fluence dá para fazer com uma certa dificuldade.

  • Lorenzo, por falar em “subcultura de pobre” (adorei o termo) me lembrei de uma, a “primeira de pobre”, aquela em que a que a roda dá um¼ de volta na arrancada e já mete uma segunda…

  • Marco, no up! é de fato difícil, dá, mas é preciso ginástica.

  • Roberto, e nos túneis!

  • EntusiastaFalido

    Marco, digo o mesmo, no up! é dificílimo. Acostumei a fazer punta-tacco num Voyage, num Sandero de um amigo; até no Fox de meu irmão, que tem o acelerador sem-fio mais lento que já vi, mas no up!… impossível! Ou se pisa na haste do pedal do freio para alcançar a lateral/calcanhar do pé no acelerador, ou a base do pé toca o túnel central antes de alcançar o acelerador. Como frear pisando lá em cima, mais próximo de onde o pedal articula, não é muito seguro, acaba que nem faço punta-tacco.

  • WSR

    Reparei que alguns adoradores da fita isolante, não satisfeitos em escurerer apenas os vidros, também escurecem (praticamente bloqueiam) a terceira luz de freio. Estou começando a achar que a definição de brasileiro já não serve para mim. Nem com muito esforço eu conseguiria ser tão idiota…

  • Fat Jack

    Absolutamente necessária e pertinente a matéria…, muitos ficam julgando este ou aquele modelo porque deixa de oferecer este ou aquele recurso eletrônico e pouca parte deles sequer sabe o que fazer no caso de uma frenagem de emergência, ainda mais se o veículo tiver alguma idade e não contar com ABS, na verdade a ampla maioria dos motoristas sequer conhece da forma que deveria o seu “prezado companheiro” carro.
    Certo dia desses dei uma “aulinha básica” ao meu filhote pretenso motorista ano que vem (comigo no volante) ao mostrar-lhe que é importantíssimo nunca se desesperar e como se pode utilizar o câmbio para conter o ânimo do veículo (cheguei propositalmente um pouco acima do ideal numa curva – já muito conhecida minha – e quando o carro esboçou uma saída de frente bastou reduzir uma marcha e segurá-lo com o câmbio para contornar a curva tranquilamente).
    Os recursos eletrônicos de fato têm o seu valor, mas se a “pecinha” entre o banco e o volante não souber o quê e como (ou se dada a sua postura errada não conseguir) fazer, a diferença que eles farão pode ser reduzida substancialmente.
    Parabéns AK e AE pela matéria.

    • Gustavo73

      Se a pecinha entre o volante e o banco não funcionar minimamente, todos os outros itens de segurança podem se tornar inúteis.

  • Gustavo73

    Excelente texto e colocações. Mas tem gente que nem ajusta os retrovisores. Não é incomum ver um carro andando com o retrovisor recolhido. Simplesmente não sei como conseguem. O simples uso das setas está cada vez mais esquecido, no Rio então é uma beleza. Ver e ser visto é fundamental.

  • Thiago, isso mesmo!

  • ditom

    Acho que não tem um carro no mercado que atenda esses requisitos para um homem alto (com mais de 1,90m).
    A propósito, uma vez, eu ainda piá, no carro com meu pai de noite numa rodovia federal, e o relé do farol alto pifa. Tinha de escolher, farol baixo ou alto para chegar em casa. Aprendi que, às vezes, quem vem de lá pode não baixar o farol por causas além de seu alcance…

    • ditom, pode-se viajar perfeitamente com farol baixo, apenas é preciso andar um pouco mais devagar. Não se justifica o uso do farol alto.

  • Eduardo Sérgio

    Gostei do final do artigo, acerca da atitude do passageiro. Certa vez meu pai aceitou carona de um conhecido seu e durante o percurso, em uma rodovia, foram tantas as loucuras praticadas pelo motorista que meu pai pediu para ele dirigir com mais cautela. Resposta do debochado dublê de piloto: “Ah, eu já vivi muito”, demonstrando que não estava preocupado em morrer em um acidente; ao que meu pai sabiamente respondeu: “Mas eu ainda quero viver bastante”.
    Infelizmente vemos muitos até mesmo perderem a vida por conta de uma simples carona, vitimados pelo exibicionismo de malucos aos volante.

  • Eduardo Sérgio

    Realmente não vale a pena esse tipo de disputa. Civilidade é a melhor resposta, dos dois lados.

    • Fat Jack

      Esperar civilidade de um espertalhão?
      É menos promissor do que garimpar no deserto!
      Por isso mesmo há tempos dou preferência pelo não uso da faixa da direita em caso de congestionamentos pra não ter de passar por essas situações.

  • Renato Texeira

    Também acho. Na realidade estas bizarrices eu percebo bastante na gurizada mais ignorante (independente se pobre ou não), que tem uma visão distorcida do que representa e do propósito de um automóvel.

  • Brenno

    Ótimo artigo. Acho uma questão muito válida: se autoconhecer. Quando um motorista não abaixa farol alto de noite e você aumenta o seu só por “raiva” ou então quando alguém cola na sua traseira um bom tempo e quando você abre passagem, de “raiva” senta o pé, dificultando a ultrapassagem. Temos de aprender a nos controlar. É difícil não xingar quem faz algo errado, é difícil aceitar um carro entrar na sua frente sem dar seta nem nada, dar fechadas no trânsito e o nunca dizer “obrigado”. Muitas vezes você já está bastante cansado/estressado do seu dia e para perder a cabeça é questão de segundos.
    É válido adotar o método do “chuveiro velho”:
    Não liga. Se liga, não esquenta.
    Abraço!

    • Brenno, essa do chuveiro velho é ótima! Dessa eu não esqueço.

  • Eddie, ao arrancar numa subida, não é preciso usar o freio de estacionamento. É bastante cômodo e tecnicamente correto.

  • JT, estava mesmo. Já corrigi.

  • Victor H, esse aí é um brasileiro seteiro xiíta! Dos que vão dobrar à direita em rua de sentido único e dão seta.

  • Victor H, essa do chuveiro é ótima, eu não conhecia! Filosofia popular é mesmo muito espirituosa.

  • Victor H, sabe por que ensinam assim nas autoescolas, gastar inutilmente a embreagem? É que ensinar certo dá um trabalho danado…

  • José Henrique, esse certificador é mais um brasileiro seteiro no pedaço… Doideira!

  • Victor H, está errado na base. Com os sistemas de gerenciamento de motor atuais, ao ser dar meia debreagem aumenta a carga no motor, a rotação de marcha-lenta aumenta automaticamente para compensar a carga e isso resulta em esforço na embreagem. O correto é usar o freio de estacionamento e soltá-lo simultaneamente com o debrear, isso depois de elevar a rotação do motor para que dê a potência necessária para arrancar na subida. Ou usar o punta-tacco, que faço automaticamente. Mas, como eu disse, ensinar o certo dá um trabalho danado…

    • É, eu ja tentei aprender o punta-tacco, mas não consegui. Então eu uso a técnica do treme-motor ou do freio de mão.

      • Victor H, estamos devendo aos leitores um vídeo a respeito. Vou agilizar isso. Após vê-lo você conseguirá.

  • Stark, é questão de coxinização de motor e câmbio apenas. Só diga: por que não usar o freio de estacionamento e evitar esse esforço desnecessário na embreagem?

  • Stark, impressiona-me a ignorância.

  • Stark, sobre a ré arranhar, tem certeza de que o curso completo do pedal de embreagem não está sendo impedido pelo tapete?

  • Stark, essa recomendação de esperar tantos segundos existe em várias marcas, o que é um contrassenso. Onde já viu, apertar o pedal de embreagem e contar mil-e-um, mil-e-dois, mil-e-três e só depois engatar a ré? Engata bem saindo da primeira com carro parado porque provavelmente a luva sincrônica 1ª-2ª deve fazer parte do trem de ré e está parada também. Para engatar primeira saindo de ponto-morto há alguma resistência ou entra fácil?

  • Entendido.

  • Jambeiro, assim você está justificando e estimulando os brasileiros seteiros. Seta é para avisar a intenção de dobrar, de mudar de faixa, que vai parar. Se não ninguém por perto para avisar que você quer ou vai dobrar, ou que vai parar, ou se você está numa faixa que só pode dobrar à esquerda ou à direita quando o sinal abrir, não há necessidade de dar seta. O pior é que o brasileiro seteiro acha que dar seta é ter autorização para mudar de faixa, pois se houver colisão vem aquela velha desculpa, “mas eu dei seta…”