O Peugeot 208 ano-modelo 2017 já foi tratado aqui, quando o Wagner Gonzalez esteve em Fortaleza (CE) para o lançamento no começo de abril. O momento marcou a chegada de duas versões diametralmente o opostas, o 208 GT propulsionado pelo renomado motor turbo 1,6 THP e o aguardado 3-cilindros de 1,2 litro PureTech, e entre as duas uma intermediária chamada Sport, com o comprovado motor 1,6-L EC5M de 115/122 cv. A gama 208 está completa agora, atende a todos os gostos. E chegou o hora de ver como o modelo com o novo motor se comporta no dia a dia.

A versão testada é a Allure, topo da gama com esse novo motor e que custa R$ 55.490. É precedida da Active (R$ 48.690) e da Active Pack (R$ 52.190). Existe outra versão Allure, com o motor 1,6 EC5M e câmbio automático de quatro marchas por R$ 59.590.

O 3-cilindros, importado da Franca (leia sobre a fábrica desses motores), tem funcionamento dentro do estado da arte dos motores dessa configuração. Nada de vibração, apenas sua conspicuidade, seu som típico de intervalo de ignição de 240 graus. um certo “rachado” que não incomoda, associado a um ruído mecânico e de aspiração musicais.

20160522_170324  PEUGEOT 208 1,2-L TRÊS-CILINDROS, NO USO 20160522 170324

Três cilindros, 1,2 litro, 84 ou 90 cv

Lança muito bem, apesar da primeira algo longa, o que é inesperado num motor 1,2-litro de aspiração atmosférica. Nada que atrapalhe, mas alguns poderão estranhar o que para outros é uma característica apreciável. A elasticidade é notável, mesmo que o torque máximo de 12,2/13 m·kgf (gasolina e álcool, a ordem-padrão no AE) ocorra a 2.750 rpm, resultado do variador de fase nos dois comandos de válvulas que proporciona potência palpável em baixas rotações.

Há pequenas diferenças entre a versão do motor na Europa e a aplicada aqui, a começar pelo fato de ser flex e ter taxa de compressão mais alta, 12,5:1 contra 11:1. Com isso potência passou de 82 cv para 84 cv e com álcool, 90 cv, sempre à rotação-pico de 5.750 rpm. E o torque lá é de 12 m·kgf, mesma rotação, nesse caso diferença desprezível em relação ao motor daqui com gasolina. Outra diferença, que pode ter relação com a taxa de compressão, é o curso dos pistões ser de 90,34 mm ante 90,5 mm, para uma cilindrada de 1.197,3 cm³ e não 1.199 cm³. Por falar nisso, a biela é de 145,6 mm, o que resulta na relação r/l 0,31.

20160522_171911  PEUGEOT 208 1,2-L TRÊS-CILINDROS, NO USO 20160522 171911

Visual interno agradável aos olhos

O carro veio abastecido com gasolina e o tanque não esgotou para testá-lo com  álcool. A curiosidade de dirigi-lo com “suco de cana” no tanque seria mais para observar eventual aspereza do que propriamente desempenho, que com toda certeza é maior.

Destaque para o baixo consumo de combustível, tanto observado quanto o divulgado, oficial Inmetro/PBE, que com gasolina é 15,1 e 16,9, cidade e estrada, e com álcool 10,9 e 11,7 km/l. Consegui 16 a 16,5 km/l a 120 km/h reais sem ar-condicionado, portanto cumpre o que diz o Inmetro. Na cidade, nunca menos de 13 km/l, mesmo sob trânsito congestionado e lento. Portanto, esse motor é brilhante em consumo sem a penalização de desempenho. Com o tanque de 55 litros mesmo abastecido com álcool o 208 com esse motor vai longe, quase 650 quilômetros.

20160522_172219  PEUGEOT 208 1,2-L TRÊS-CILINDROS, NO USO 20160522 172219

Tem DRL, a eficaz maneira sinalização diurna, que não ofusca o tráfego contrário como o farol baixo

Dados da Peugeot informam aceleração 0-100 km/h em 14,3/12,8 s e velocidade máxima de 171/177 km/h, números muito bons e que são ajudados pelo coeficiente de arrasto (Cx) 0,33 e área frontal contida de 2,09 m², apesar dos 1.073 kg de peso em ordem de marcha. E apesar também das “patas” 195/6oR15 (Pirelli Cinturato P1), não precisavam ser tão largas, ficando claro ter a Peugeot atendido à preferência dos brasileiros — 185/65R15 na França.

Como anda

O jeito de andar do 208 já era conhecido, sem novidade portanto. O motor e câmbio estão bem casados, o escalonamento é bom (veja o gráfico “dente de serra” abaixo). As marchas são as mesmas  do Allure 1,5, anterior, apenas o diferencial foi encurtado 9,3%, de 4,290:1 para 4,692:1. A v/1000, que era 34,1 km/h, com o motor 1,2-L é 31,3/1000.

Dente de serra 208 1,2 PureTech  PEUGEOT 208 1,2-L TRÊS-CILINDROS, NO USO Dente de serra 208 12 PureTech

No carro testado o comando de câmbio mostrou vagueza em determinados momentos e curso de engate mais longo que o esperado. Deu a impressão de haver algum problema de coxins, pois o curso não era uniforme em todas as situações de aceleração. Como já dirigi outros 208 e nada disso notei, acredito tratar-se de alguma coisa anormal neste carro. Mas em trocas rápidas (não “de competição”, frise-se) de segunda a para terceira notei arranhada, como poderá ser visto no vídeo. Mas o punta-tacco é “telepático”, imediato, perfeito.

O motor gira solto e suave, com corte “sujo”a 6.500 rpm (a rotação-limite do “dente de serra”), o que denota acerto da Peugeot, 750 rpm acima da rotação de potência máxima (5.750 rpm). A invasão de ruído é baixa, normal, e a 120 km/h reais o giro é 3.800 rpm, sem incomodar, mas poderia ser um pouco menos. A velocidade máxima é em quinta marcha, praticamente coincidindo com a rotação de potência máxima quando com álcool (100 rpm abaixo).

A solução da leitura dos instrumentos por sobre o volante é estranha assim que começa a dirigir, mas logo se acostuma a ela. Para isso volante precisou ser achatado na parte superior e, por questão de coerência, embaixo também. Com isso, como já descrevi em outros testes do 208, o volante mede 330 mm de “diâmetro” na vertical e 350 mm, na horizontal. É um volante pequeno e jeitoso, e a relação de direção, mesmo não informada, é baixa, estimo entre 15:1 e 15,5:1, portanto rápida. Dirigi-lo na cidade é fácil e prazeroso, associado ao diâmetro mínimo de curva de razoáveis 10,4 metros. Todos os biotipos encontram a posição preferida de dirigir por o volante ser ajustável em altura e distância, como também são altura de ancoragem do cinto e do banco do motorista.

20160522_172523  PEUGEOT 208 1,2-L TRÊS-CILINDROS, NO USO 20160522 172523

O curioso volante achatado nos dois “polos”

A suspensão tem calibração que prioriza conforto, mas nem por isso o 208 deixa de ser prestativo nas curvas, o vídeo mostra bem isso. Portanto, rodar em “superfícies lunares” como as das ruas de São Paulo poupa os ocupantes. O freio permite boa modulação, mas os discos não são ventilados, como já não o eram no Allure 1,5, algo imperdoável e indesculpável; a Peugeot precisa rever essa questão, pois até compactos de motor 1-litro têm discos ventilados.

20160522_165814  PEUGEOT 208 1,2-L TRÊS-CILINDROS, NO USO 20160522 165814

Um belo momento na praça Santos-Dumont, em Araçariguama, onde está o “nosso” Vickers Viscount, o sol indo para o seu descanso após iluminar o último domingo

Há guias de luz a LED na dianteira, mas para elas acenderem como DRL (luz de rodagem diurna), ou seja, chaveadas pelo interruptor de ignição/partida e ligarem depois que o motor entrar em funcionamento, é preciso configurar pelo menu da central multimídia, o que é bastante fácil. Caso contrário elas atuam como luzes de posição em vez de DRL, ligadas normalmente pelo interruptor de luzes.  Mas quando em função DRL as lanternas traseiras (a LED) ligam-se também, o que não deveria. E a Peugeot bem poderia aplicar no para-brisa o que nem preciso dizer o que é.

Duas curiosidades. Uma, com motor em marcha-lenta, a 900 rpm, ao apertar o pedal de embreagem a rotação sobe para 1.300 rpm, uma forma de “creeping com câmbio manual” em que no tráfego anda e para basta controlar a embreagem, bem como ajudar no tirar o carro da imobilidade. Outra, o som de motor em marcha-lenta, estando-se fora do carro, parece-se com o de um diesel moderno.

O 208 Allure é razoavelmente equipado, por exemplo, o ar-condicionado é automático duas-zonas, vem com controlador e limitador de velocidade, faróis e luz traseira de neblina, teto solar panorâmico fixo, volante revestido de couro, bolsas infláveis laterais, pisca-3, acendimento automático das luzes de emergência em freadas fortes, lavador/limpador do vidro traseiro, sensor de distância traseiro, computador de bordo, alarme perimétrico e volumétrico, central multimídia com tela tátil de 7″ no painel, rádio com MP3 e Bluetooth com comando no volante, entrada USB e Aux-in, 4 alto-falantes e 2 tweeters, conexão com Link MyPeugeot, tomada 12 V, e acionamento elétrico dos vidros com um-toque para o motorista, entre outros.

20160522_174835  PEUGEOT 208 1,2-L TRÊS-CILINDROS, NO USO 20160522 174835

O 208 Allure 1,2-L tem todos os ingredientes para agradar e é uma boa ferramenta para a Peugeot crescer no mercado brasileiro. Embora seu preço possa assustar num primeiro momento, deve ser lembrado que o modelo recolhe  IPI de 13% e não 7%, alíquota esta reservada aos carros com motor de até 1 litro.

Veja o vídeo:

BS

(Atualizado em 28/05/16 às 18h15, correção da operação da DRL)

 

FICHA TÉCNICA PEUGEOT 208 ALLURE 1,2
MOTOR
DenominaçãoPureTech 1,2
Tipo de motor, instalaçãoOtto, arrefecido a líquido, transversal
Material do bloco/cabeçoteAlumínio
Nº de cilindros e disposiçãoTrês, em linha
Diâmetro x curso75 x 90,34 mm
Cilindrada1.197,3 cm³
Comprimento da biela145,6 mm
Relação r/l0,31
Taxa de compressão12,5:1
Nº de comandos/localizaçãoDois, cabeçote, variador de fase admissão e escapamento
Acionamento dos comandosCorreia dentada
Válvulas por cilindroQuatro
Potência máxima84 cv (G) e 90 cv (A), a 5.750 rpm
Torque máximo12,2 m·kgf (G) e 13 m·kgf (A), a 2.750 rpm
Rotação-limite6.500 rpm (corte “sujo”)
Formação de misturaInjeção eletrônica sequencial no duto
CombustívelGasolina e/ou álcool
SISTEMA ELÉTRICO
Tensão/bateria/alternador12 V / 60 A·h / 120 A
TRANSMISSÃO
Rodas motrizesDianteiras
TipoTranseixo manual de 5 marchas + ré
Relações das marchas1ª 3,636:1; 2ª 1,950:1; 3ª 1,281:1; 4ª 0,975:1; 5ª 0,767:a; ré 3,330:1
Relação de diferencial4,692:1
EmbreagemMonodisco a seco, acionamento hidráulico
SUSPENSÃO
DianteiraIndependente, McPherson, braço triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
TraseiraEixo de torção, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora integrada ao eixo
DIREÇÃO
TipoPinhão e cremalheira, assistência elétrica indexada à velocidade
Relação de direçãon.d.
Diâmetro do volante350 mm na horizontal e 330 mm na vertical
Diâmetro mínimo de curva10,4 metros
FREIOS
DianteirosDisco não ventilado Ø 266 mm
TraseirosTambor Ø 203 mm
OperaçãoServoassistência a vácuo, ABS e EBD
RODAS E PNEUS
RodasAlumínio, 6Jx15
Pneus195/60R15, de baixo atrito de rolamento
CONSTRUÇÃO
TipoMonobloco em aço, hatchback 4-portas, 5 lugares; subchassi dianteiro
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx)0,33
Área frontal2,09 m²
Área frontal corrigida0,69 m²
DIMENSÕES EXTERNAS
Comprimento3.975 mm
Largura1.702 mm
Altura1.472 mm
Distância entre eixos2.541 mm
Bitola dianteira/traseira1.475/1.470 mm
PESOS E CAPACIDADES
Peso em ordem de marcha1.073 kg
Peso rebocável sem freio/com freio400 kg
Capacidade do tanque55 litros
Capacidade do porta-malas285 litros/com banco rebatido 1.076 litros
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h14,3 s (G) e 12,8 s (A)
Velocidade máxima171 km/h (G) e 177 km/h (A)
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (INMETRO/PBE)
Cidade15,1 km/l (G) e 10,9 km/l (A)
Estrada16,9 km/l (G) e 11,7 km/l (A)
CÁLCULOS DE CÂMBIO
V/1000 em 5ª31,3 km/h
Rotação a 120 km/h em 5ª.3.830 rpm
Rotação à velocidade máxima em 5ª5.650 rpm
Alcance nas marchas (6.500 rpm)1ª 42,9 km/h; 2ª 80 km/h; 3ª 121 km/h; 4ª 160 km/h

Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

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  • Rodrigo Villarim

    Mais uma bela matéria! A pergunta que não quer calar: em igualdade de condições, será que esse motor é mais econômico que o três cilindros da VW?

    • Rodrigo, sim, é, e pelos dados oficiais Inmetro.

  • Luciano, o motor a álcool teria de ser dedicado a essa combustível para ser realmente eficiente tanto em potência quanto em consumo, mas a indústria tem medo de lançar um e não vender, pois sabe que o seu consumidor é “isperto”, quer levar vantagem, e um dos quesitos para levá-la é justamente ter carro flex, que vende melhor, pois quem compra também é ‘isperto”, e daí formou-se esse círculo vicioso.

    • Ricardo kobus

      Bob,
      como eu gostaria de ver um motor com as inovações tecnológicas de hoje feito dedicado ao etanol.

      • Ricardo, como motor seria fabuloso. Mas o brasileiro encasquetou que o bom é motor flex e as fabricantes têm receio de lançar e ninguém comprar.

  • braulio

    Interessante que ontem mesmo vi vários “memes” do 208 por causa de seu “sorriso”. Só posso esperar que ele repita o sucesso do 206, mas que agora a Peugeot tenha aprendido a lição e não estrague seus bons produtos com pós-vendas tão vergonhosos…
    https://d37nk263jfz2p8.cloudfront.net/image/1/700/0/uploads/memes/1417912157776-54871778a6523.png

  • Rafael, eu nunca poderia imaginar isso. Agradeço a informação e o texto será logo corrigido. Vi agora no carro, mas pena as luzes traseiras ligarem junto.

  • marcus, outros leitores também já me alertaram sobre essa questão. Eu nunca poderia supor isso. Obrigado também e vou acertar o texto. Abraço.

  • Roger, exato, choveu (no bom sentido) comentários de leitores a respeito. Eu nunca poderia ter imaginado isso. Texto será corrigido logo. Obrigado.

  • Antonio, exato, vários leitores comentaram isso. Eu não fazia ideia de que isso fosse configurável. Texto será corrigido, claro. E obrigado pela sua atenção.

  • Rafael, não, isso mesmo Allure 1.2 = Allure 1,6 automático. Incrível, mas é.

  • Mr. Car, compraria o 1,6 manual sem nenhuma dúvida.

  • WSR

    Lindo é o adjetivo certo para este carro. Os desenhistas do Etios bem que poderiam fazer um estágio na Peugeot, hehe. Achei interessante a pouca diferença entre o consumo na cidade e na estrada. Não teria sido mais jogo a Peugeot adotar uma quinta mais longa? Assim este motor teria condições de chegar ainda mais perto dos 20 km/l…

    • WSR, a quinta poderia ser mais longa, sem dúvida.

  • Rodrigo, nada de complicação a mais.

  • Thales, apesar dessa impressão, são bem visíveis. Agora, usá-las como farol baixo à noite denota total ignorância de quem faz isso.

  • G. Vilchez

    Interessante essa sacada de aumentar em 400 rpm a marcha-lenta ao pisar na embreagem para facilitar a saída com o carro parado. Nunca havia lido sobre essa característica em algum outro carro.

    • G. Vilchez, já imaginou como seria complicado aplicar esse função, não fosse o acelerador elétrico comandado pelo módulo de controle eletrônico?

  • Geovane, seria preciso alongar um pouco a quarta para atingir velocidade máxima com ela.

  • Cara, Peugeot é sussa demais, isso é coisa do passado.

  • Sachetti, claro, convertendo essa rotação a essa velocidade para a nossa referência de 120 km/h seria 3.230 rpm, muito bom realmente.

  • Fat Jack

    É um carro interessante sem dúvida alguma, e caro também na mesma proporção. Não entendo por que a Peugeot não reduz um pouco a sua margem para tentar trazer o 208 para um patamar de vendas mais alto (onde creio que ele mereça estar) e apagar um pouco o estrago que as panes elétricas dos 207 fizeram à imagem da Peugeot. Bem interessante a elevação de rotação, pois algo que me incomodava no 206 1,4-l do meu pai que não conseguia sair da imobilidade sem ser acelerado, chato em trânsito pesado. Aguardo ansioso o teste da versão GTI, outra versão que me parece tão interessante quanto cara.

    • Fat Jack, o GTI está pautado, claro.

  • Claiton, nada indica que alta rotação seja relacionada a durabilidade, há mais fatores envolvidos como projeto, materiais empregados, processo de usinagem etc. / Atualmente corte de rotação é feito de duas maneiras, interrupção da injeção e fechamento da borboleta de aceleração quando esta é do tipo elétrica. O corte de injeção faz o motor tranquear (“sujo”), o fechamento da borboleta não ocasiona trancos (“limpo”). O tipo sujo é desagradável, porém alerta o motorista que deve passar para a marcha superior, o que não acontece com o limpo, e isso pode colocar um motorista menos experiente em apuros durante uma aceleração para ultrapassar, por exemplo. Tenho visto alguns carros com corte “misto”, de início um breve sujo para informar que o motor está em corte, para seguida passar a limpo. Se seu carro for a injeção, experimente esticar totalmente a primeira e você perceberá o corte.

  • Mike, o 1,5 4-cilindros anda bem mais. Mais potência e em rotação menor, mais torque em rotação pouco acima da do 1,2 (3.000 rpm). Onde o tricilíndrico ganha mesmo, e por muito, é no consumo. O 1,5, pelo Inmetro, faz 12,0/14,0 km/l cidade/estrada com gasolina, e 8,0/9,6 km/l, idem, com álcool O 1,3, como está no texto, 15,1/16,9 km/l cidade/estrada e 10,9/11,7 km/l, com álcool. E o 1,5 tem v/1000 de 34,1 km/h, 3.520 rpm a 120 km/h.
    O 1,5 acelera de 0 a 100 km/h em 11,7/10,9 s e atinge 177/181 km/h (gasolina e álcool).
    O 1,3, 0 a 100 km/h em 14,3/12.8 s e atinge 171/177 km/h.

  • mna, a informação me foi passada pela fábrica. Motivo da diferença, não sei. É mesmo muito pequena.

  • Claiton, esse teste pode ser feito em qualquer marcha. Só indiquei a 1ª para não ser preciso muita velocidade.

  • Kar Yo, esse demora a cair de rotação fazia parte do controle de emissões.

  • Andrew_Felipe

    Eu gosto de atentar mais aos positivos do que aos negativos, porém, os pontos citados negativamente, seriam motivos para não comprá-lo? Por quê?
    Excelente post, quem tem/teve Peugeot sabe o que é bom. Tenho um Honda Fit e “odiei”, preferia meu 206, parece que esse 208 substituirá o famoso e “ótimo” Honda, principalmente por que é tão econômico quanto.
    Abraços e obrigado pelo post.

  • Rodolfo Andrade

    up! TSI tem corte limpo.

  • Gustavo, permita-me lembrar-lhe que superaquecimento de freio não tem necessariamente relação com altura do pedal. Se o fluido hidráulico for de boa qualidade, pode ter o fading que tiver que o pedal se mantém na mesma altura (posição). O pedal só baixa se o fluido começar a entrar em ebulição.

  • FF, são coisas distintas. O primeiro caso é retardo no fechamento da borboleta de aceleração para fins de controle de emissões de NOx. Parece até que o carro acelera, mas é só impressão, porque não há a queda de rotação que se espera. Carros americanos chegaram a ter isso no tempo do carburador mediante um sistema de vácuo cuja “lata” era fixada na parede de fogo e por isso era chamada de “dashpot”. O segundo é elevação automática da rotação de marcha-lenta na fase fria.

  • Douwe

    Para mim, nesta categoria, o 208 1,2 é a melhor compra. Certamente seria minha primeira opção caso quisesse um carro deste tipo e valor. No mais, estou extremamente satisfeito com meu 2008 Griffe, inclusive com o tão mal-falado câmbio de 4 marchas, que se não é brilhante, tem funcionamento correto — ainda que uma quinta ou sexta marcha deixaria o carro mais econômico. Mas não fiquei surpreso, na família, de 2001 a 2012 tivemos três Citroën e um Peugeot e todos eram excelentes (um Xsara Picasso que ficou com minha mãe de 2001 a 2006 e foi embora sem dar trabalho, com seus 90 mil km rodados e um Xsara hatch, 206 SW e C3, que pertenceram a minha irmã e também zero problemas, apenas a manutenção preventiva que todo carro necessita e merece). O pós-venda aqui em Natal é muito bom, recentemente fiz a primeira revisão do meu e fui muito bem atendido, serviço bem feito, valor igual a tabela da Peugeot, não tenho do que reclamar. A marca anda se esforçando bastante para corrigir possíveis condutas erradas de seus concessionários. Todos os meses, é sagrado, recebo uma ligação do serviço de atendimento ao cliente para saber como anda minha satisfação com o veículo, quais pontos negativos eu identifiquei, se tive problemas e também para avaliar o serviço prestado pela concessionária.

  • Renan, esse é exatamente o conceito. Só que farol baixo normal não dever ser usado para isso porque incomoda o tráfego contrário.

  • Renan, eu nunca disse que farol baixo de dia ofusca, pois se não o faz nem de noite. O que eu disse é que incomoda ver aqueles dois pontos ligados sem necessidade.

    • Nelson C

      Eu gosto e uso. Não faz mal a ninguém, e em algumas situações só percebi a presença um carro por causa do farol baixo.

  • Piero Lourenço

    Etios nem vende na Europa. É feito para mercados emergentes. Para mercado de primeira a Toyota usa o Yaris. Nesse caso comparar preço com carro de projeto bom com projeto mais pobre (Etios, Dacia etc) fica complicado. Se colocar a questão ” Beleza” o Etios perde mais feio ainda. Outro ponto: de onde tirou que o Etios é mais estável?

    • Piero, olha aí o complexo de vira-lata pegando firme de novo!

      • Piero Lourenço

        Não tem como, Bob. O carro aqui já é caro por infinitas razões e ainda vem produto de “segunda linha”, aí não dá. Ou vai me dizer que Etios e linha Dacia têm primor de produto de primeira linha? Quando vem produto de “primeira linha” como um Fiesta, Golf, Audi A3 etc. eles nacionalizam e canibalizam o carro.

  • Andrew, se você consegue esse consumo com o Fit, conte com 20% menos no 208 1,2.

  • Cláudio Bueno

    Bob, você teria informações sobre a distribuição de torque e retomada
    deste motor? Ao volante o desempenho deste motor lhe pareceu mais
    “esperto” que os 1.4-L da Fiat ou semelhante ao 1,0 MPI do up!?

    • Cláudio, não vi a curva de torque, mas com pico a 2.750 rpm e tendo variador de fase na admissão e no escapamento, só pode ter muito torque (e potência) em baixas rotações, e é isso que se nota ao dirigi-lo. A sensação é bastante parelha aos dois modelos citados.

  • kravmag, e se esse carro exclusivamente a álcool tivesse programação que pudesse ser abastecido com gasolina numa emergência, você o compraria?

  • Newton, pode ser, seu arrazoado é plausível.

  • Davi, creio que sim, teria que ser acrescentada linha de programa no processador tipo “se o pedal de embreagem é apertado, abrir x% a borboleta de aceleração”. E teria que haver um sensor que indicasse pedal de embreagem acionado.

  • Andrew, provavelmente o carro do mesmo segmento que você gosta, eu ache feio. Engraçado, não? E no final do seu comentário, tão equipado e bonito quanto qual?

    • Andrew_Felipe

      Acredito que o 208 possa ser tão equipado quanto o Fit, no quesito de equipamentos e tecnologia. O 208 é bonito e econômico, outro ponto forte que eu gosto. Mas não entendo de carro como vocês, como podem perceber, rsrs.

  • André Andres, clicando nesse link que você mandou, a página que aparece mostra no terceiro quadrado da esquerda para a direita “Allure 1.2 Mec & 1.6 Aut, R$ 55.490. Veja lá.

  • krravmaga, álcool pode ser importado facilmente dos EUA, como não? Tão facilmente como petróleo ou gasolina.

  • Douwe, é exatamente isso!

  • André Andrews, essa me pegou mesmo. Eu nunca poderia supor que o preço do Allure 1,6 automático tivesse que ser puxado. O desenhista do site foi infeliz nessa. Pelo menos tinha de ter alguma instrução do tipo “Clique aqui”. De qualquer maneira, obrigado, já foi corrigido na matéria.

  • Concordo plenamente, isso forçaria os fabricantes que ainda soltam unidades obsoletas (mas que agradam o povão porque “não dá manutenção”) no mercado a se atualizarem e fabricarem motores com tecnologias modernas.

    Mas, como diz o Bob, mudar a forma de tributação dá um trabalho…

  • Já foi. Não é mais. A manutenção de Gol e Palio ficou mais complexa, e a dos Peugeots ficou mais fácil, agora acabam se equivalendo. A diferença inegável é que peças de Gol e Palio você acha até na padaria, e nisso os franceses apanham, porque as peças paralelas em sua maioria são ruins e não são tão fáceis de encontrar (o que não quer dizer que sejam difíceis, veja a diferença), fazendo com que usemos as originais de concessionária ou aquelas feitas pelo mesmo fabricante, mas não para a linha de montagem.

    • Rodrigo Neves

      Pois é. Um amigo conseguiu um fornecedor que trabalha mais com Citroën, e consegue as peças do Xsara Picasso por um preço bem melhor. Mesma marca da linha de montagem, mas com a marca do fabricante da peça e não da do carro.

  • Elizandro Rarvor

    Se você fizer o teste no 1,45 e neste 1,2, verá que o 1.45 anda um pouquinho a mais mesmo, mas a diferença de consumo será absurda em favor do 1,2.

  • Elizandro Rarvor

    Tive dois Peugeots 408 THP de 2012 até 2015 e o atendimento pós venda foi excepcional, um rodei 100.000 km e o segundo 80.000 km troquei por uma Passat Variant, por ter sido um negócio de ocasião e porque necessitava mesmo de mais espaço no porta-malas.

    Mas nem se compara o pós-venda da VW, só fiz uma revisão e de tão mal atendido levei o carro em um mecânico especialista nestes TSI para conferir se haviam mesmo trocado as peças, pelo simples motivo do carro ter ficado dois dias lá e estava do jeito que eu deixei com a lataria suja e não terem trocado as palhetas que eu pedi, não cobraram, claro, mas não trocaram.

    No final, o mecânico disse que trocaram mesmo o óleo e filtro e o filtro do motor, mas o da cabine não, como havia pedido.

    Mas voltando aos Peugeots, não tenho medo de voltar a ter um, especialmente se o novo 3008 chegar por aqui.

  • Elizandro Rarvor

    DRL é essa a função deles, SER VISTO, nunca foram projetados para iluminar, não é esta a função.

  • Elizandro, lembre-se que a energia cinética é massa vezes o quadrado da velocidade (Ec = m x v²) e por isso velocidade é fator mais importante do que peso quando se trata de estabelecer o arrefecimento dos freios.

  • Elizandro, não entre nessa onda da histeria carbônica que estão impingindo às pessoas. Os automóveis respondem por apenas 10% do total de CO2 da queima de combustíveis de origem fóssil, ficando 15%, até um total de 25%, para os outros modais de transporte (caminhões e ônibus, trens, aviões). Os 75% restantes cabem à indústria e moradia. Além disso, nossa frota é 5% da mundial e 10% de 5% é 0,05%, essa a nossa “contribuição” para efeito estufa, portanto desprezível, uma verdadeira piada. E note que a emissão gás de efeito estufa por veículos é apenas metade de outros, como o metano da flatulência dos gados bovino e equino. E o CO2 não polui o ar em nada, pois não é tóxico como o monóxido de carbono e os óxidos de nitrogênio, que entram na corrente sanguínea. Essa “poluição” a que você se referiu é exatamente igual à do ar que exalamos na respiração. E, cá entre nós, em números 109 e 125 g de CO2 por quilômetro é uma emissão de CO2 bem baixa, apesar dos “defasadíssimos” motores 1,0 e 1,4 do Chevrolet Onix. O mundo está mesmo enlouquecido.

    • Alex BH

      É o mesmo caso da água. Claro que devemos economizar em casa e tal, mas o que a indústria e principalmente a mineração (minerioduto) gastam de água são volumes absurdamente maiores de consumo desse recurso, muitas vezes não pagando absolutamente nada por causa de incentivos das prefeituras e estados.

  • Vinicius Vasques

    Jambeiro, apesar da estética estar alinhada com o padrão mundial da marca, o 301 está bem abaixo do 208 em termos de tecnologia e acabamento. É o carro de entrada da marca no Mercosul (é mais barato que o 108 por exemplo) é um dos mais utilizados como táxi e frota de locadoras (especialmente no Chile onde aluguei um).

  • Z_H, esse cansa. O cara escolhe carro pelo preço, não pelo carro em si.

  • Danilo Grespan

    Excelente matéria, e excelente carro: desde seu lançamento, esse interior me enche os olhos, ainda mais na versão GT, que fui ver esses dias. Entretanto Bob, cx de 0,33 não é algo ruim? Vejo outros carros com cx menor, como o meu 308, projeto mais antigo…

    • CorsarioViajante

      Já sabem o preço da GT?

  • Andrew_Felipe

    Obrigado pela resposta! Haha, faz mais sentido mesmo.

  • Mr. On The Road 77

    No último post, eu reclamei que o Etios nunca tinha sido bem avaliado sobre funcionamento do ar condicionado, que é claramente subdimensionado..
    Já hoje, a avaliação foi ótima!
    O 208 é um carro que curto muito e esse novo motor 1.2 é simplesmente sensacional.
    Também acho estranho o possibilidade ser multado em autoestrada mesmo utilizando um DRL em led, muito mais eficaz que os faróis baixos.

    • Mr, você está completamente enganado sobre o ar-condicionado do Etios: é um “freezer”. Quanto à DRL substituir o farol baixo, é preciso esperar a Resolução do Contran que trata da nova lei.

  • Guilherme, sim, e não poderia ser diferente. 0 a 100 km/h em 14,3 s e velocidade máxima de 171 km/h do 1,2 e 11,7 s e 177 km/h, do 1,5. Mas em uso normal não se percebe tanta diferença.

  • Leônidas Salazar

    [Rotação a 120 km/h em 5ª: 3.830 rpm]

    Esta informação não deixa nenhuma dúvida em relação ao habitat do Peugeot 208 1.2 pure tech, ele é urbano.

    • Leônidas, de modo algum o habitat desse Peugeot é urbano! Não há nenhum problema em cruzar a 4.000~4.500 rpm ou mais. Pode incomodar um pouco, mas é plenamente suportável.

  • Lemming®

    Pensei o mesmo. Acho que a PSA deveria obter o selo AE de qualidade antes de colocar no mercado…hehe

  • Linkera

    E falta tb o 308 atual, o europeu… se vier os 2 eu racho a queima de fogos contigo! rsrs

  • CorsarioViajante

    Que cidade do interior de SP? Só por curiosidade, aqui em CAmpinas a fama é péssima e gostaria de saber se é só fama mesmo.

  • Alex BH

    Eu lembro quando lançaram o 206. Foi um sucesso, o carrinho era lindo! Mas o que “matou” a Peugeot aqui foi o pós-venda. Mas se fosse comprar carro dessa categoria, com certeza ia preferir um 208 do que o Onix que o povo compra…

  • Alex BH

    Peugeot, Citroën e Fiat gostam de atacar mais com mimos do que com robustez de motores e durabilidade como um todo. Honda e Toyota são mais simples nesses quesitos mas são bastante duráveis. Acho que o mercado em geral entende assim.

    • Alex BH, o mercado entende errado. Nada a ver.

  • Lyn

    E o vídeo?

    • Lyn, o vídeo encontra-se em edição. Possivelmente será colocado amanhã.

  • Renato, o Peugeot com esse motor é mais econômico que o up! TSI segundo dados oficiais de consumo pelo Inmetro. Como o VW anda bem mais, a decisão entre economizar ou dispor de mais desempenho só pode ser sua. Não posso influenciá-lo.

  • Rodrigo Neves

    Nunca medi. Mas posso garantir que passo um sério aperto em alguns carros. No Palio até que fico legal, mas em alguns eu fico com o joelho ralando o painel.

  • Rodrigo Neves

    Um amigo tem um Citroën Xsara Picasso e consegue achar as peças em um revendedor que trabalha com as mesmas originais, porém fora da linha. São bem mais baratas e duráveis, segundo ele.

    O bom é que existe 206 e 207 novos no mercado, por preço bem mais baixo que os concorrentes mais populares.

  • Rodrigo, já importamos até álcool metílico (metanol). Em 1989, quando houve falta de álcool, tivemos um combustível chamado MEG — metanol (33%), álcool (60% e gasolina (7%). Olha a zorra que é o Brasil em termos de combustíveis. É assim desde que me entendo por gente.

  • Danilo, ainda não testei essa versão, mas lhe garanto que não é preciso recear nenhum câmbio de quatro marchas atual.

  • Zeca, não posso te responder qual eu levaria para casa, seria quebra de ética. Jornalistas não podem indicar, recomendar ou manifestar escolha pessoal. / Faltou o porta-malas no texto, mas tem no vídeo.

  • Resendemaster

    A qualidade da imagem do vídeo é muito boa e a avaliação também.

  • Zeca, pode ter saído quando da edição. Mas, para matar a sua curiosidade, é um porta-malas típico de hatchback cujo volume (informado na ficha técnica, 285 litros) está na média da categoria. No próximo teste de um 208, que será o GT, não vou esquecer de fazer a foto.

  • André, sério que estão dizendo ter injeção direta? Claro que não. Tampouco o turbo na Europa.

  • Gini Jr., o desempenho com ar-condicionado ligado é muito bom, o motor pouco sente a carga adicional.

  • Luiz

    Bob. Seria legal um comparativo de consumo entre o 208 x up tsi. Pelo inmetro o 208 é mais econômico, mas relatos e testes mostram o contrario. Você poderia fazer um tira teima simulando algumas situações. Valeu.

    • Luiz, tenho dito e não por brincadeira que consumo do nosso carro é o que queremos que ele tenha. São tantas as variáveis que influenciam o consumo que só mesmo um teste padronizado e com repetibilidade como o do Inmetro é capaz de determinar o consumo. De nada adiantaria o tire-teima que você sugere. Se o órgão concluiu que o 208 PureTech é mais econômico do que o up! TSI, é porque é.