A marca japonesa fez apresentação estática do suve compacto que chega ao mercado em agosto e lidera transporte da tocha olímpica no Brasil.

Em se tratando de mercado brasileiro, o mar não está para peixe e talvez por isso a Nissan aposta suas fichas para ganhar foco fazendo suspense em torno do Kicks, próximo lançamento da marca. O suve compacto será fabricado no Brasil, que sediou a avant première mundial do novo produto, ontem (2/5), no Rio de Janeiro. Foi desenhado em parceria pelos departamentos de estilo da marca em San Diego (EUA) e no Rio.

Nissan apresentou o Kicks, carro oficial da Olímpiada do Rio (Foto Nissan)

Nissan apresentou o Kicks, carro oficial dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro 2016 (Foto Nissan)

A fábrica de Resende (RJ) recebeu investimentos de R$ 750 milhões para fabricar o Kicks, mas enquanto não inicia sua fabricação, planejado para o primeiro trimestre de 2017, o mercado verde-amarelo será atendido pelo modelo produzido no México. Ford EcoSport, Chevrolet Tracker, Jeep Renegade e o líder do segmento Honda HR-V são os adversários já anunciados, o que dá uma ideia da faixa de preços do modelo, que não foi anunciada. Tampouco o número de versões e características do trem de força, absolutamente nada, ainda que se acredite que motores 1,6 e 2 litros, e caixas manual de cinco marchas e automática CVT sejam as opções mais prováveis.

Estilo da carroceria é modrno e sóbrio (Foto Nissan)

Estilo é moderno e sóbrio (Foto Nissan)

De acordo com José Luis Valls, argentino que já comandou a filial do México e hoje é presidente da Nissan Latin America, a ideia é vender “entre 2.500 e 3.000 unidades por mês a partir de agosto”, números que segundo ele contribuiriam para atingir a meta de passar dos atuais 2,6 % de participação de mercado para “3, ou 3,1 % no final do ano”. Valls afirmou ainda que o Kicks fabricado no Brasil vai atender o mercado interno e, pouco a pouco, o “mercado latino-americano que engloba todos os países ao sul do México”. Sobre a situação do cenário político econômico nacional o executivo tem uma explicação que, ao menos em palavras, difere do pregado por seus pares: “O que determina a condição do mercado não é a situação política, mas a confiança do consumidor.” Segundo ele, o mercado nacional vai vender em torno de 2 milhões de unidades este ano.

Interior é luxuoso e bem acabado na versão supostamente topo de linha (Foto Nissan)

Interior é luxuoso e bem acabado na versão supostamente topo de linha; volante tem a parte inferior achatada (Foto Nissan)

A grande marca do Kicks, cujo conceito foi mostrado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2014, é seu estilo ousado e trabalhado, que registramais um passo para o fim do estilo insosso que marcou os carros da Nissan da geração passada. Além da pintura bicolor — o teto em cores berrantes remete ao estilo saia e blusa dos anos 1950/60 —, os blocos óticos dianteiros e traseiros são extremamente trabalhados e marcados por quinas. O interior dos dois modelos exibidos — dos quais não se podia abrir o capô do motor —, era bem acabado, com acabamento de qualidade e revestimento em couro, sugerindo tratar-se da versão topo de linha.

Curiosamente, a alavanca do câmbio automático trazia indicações P-R-N-D-L, o que sugere desde um câmbio automático epicíclico a um CVT. No modelo exposto não havia borboletas de troca de marcha junto ao volante.

Lanternas traseiras são angulosas (Foto Nissan)

Lanternas traseiras são angulosas (Foto Nissan)

Certamente essas informações endossam as palavras de François Dossa, o presidente da Nissan do Brasil, para quem o suve compacto deverá trazer novos consumidores para a marca. “O segmento onde o Kicks se encaixa cresce 50% em mercados como América do Norte, Europa e China e no Brasil nada menos de 200%. Temos um potencial pouco explorado e queremos conquistar o público jovem dessa fatia”.

Faróis tem discretas faixas de led. Contençnao de custos? (Foto Nissan)

Faróis têm discretas faixas de LED (Foto Nissan)

Certamente a curiosidade em torno do Kicks vai aumentar nos próximos 95 dias: o modelo será promovido como carro oficial dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro e será o carro comando do Revezamento da Tocha Olímpica, ação que percorrerá 328 cidades brasileiras nos próximos 95 dias. Como se trata de um tema internacional, o esforço deverá ser sentido em boa parte dos 80 países nos quais o veículo será comercializado.

A “ficha técnica” divulgada ontem:

Nissan Kicks Dimensões
Comprimento 4.295 mm
Largura 1.760 mm
Altura 1.590 mm
Entre-eixos 2.610 mm

 

Preços, ficha técnica de verdade e versões, só em agosto

Dados técnicos não foram divulgados. Carros mostrados tinham capô lacrado (Foto Nissan)

Dados técnicos não foram divulgados; carros mostrados tinham o capô lacrado (Foto Nissan)

Se os executivos da Nissan não divulgaram detalhes básicos do Kicks, pelo menos balizaram os possíveis preços e versões para o modelo. Considerando que as possibilidades do novo suve serão combinações variando entre motor 1,6 com câmbio manual e 2,0 com câmbio CVT e a declaração oficial de que Chevrolet Tracker, Ford EcoSport, Honda HR-V e Jeep Renegade são os concorrentes visados, pode-se traçar o seguinte espectro de preços:

Versões de entrada

Preço médio dos concorrentes: R$ 71.070
Ford EcoSport SE 1,6, câmbio manual 5-marchas, R$ 68.490
Honda HR-V, 1,8, câmbio manual 6-marchas, R$ 68.900
Jeep Renegade 1,8, câmbio manual 5-marchas, R$ 69.900
Chevrolet Tracker LT 1,8, câmbio automático 6-marchas, R$ 76.990

Versões intermediárias

Preço médio dos concorrentes: R$ 85.663
Honda HR-V EX, 1,8, câmbio automático CVT, R$ 80.400
Ford EcoSport Freestyle Plus SE 1,6, câmbio robotizado 6-marchas, R$ 84.690
Jeep Renegade Limited 1,8, câmbio automático 6-marchas, R$ 91.900

Versões topo de gama

Preço médio dos concorrentes: R$ 94.735
Chevrolet Tracker LTZ 1,8 câmbio automático 6-marchas, R$ 82.590
Honda HR-V EXL, 1,8 câmbio automático CVT 7-marchas virtuais, R$ 88.700
Ford EcoSport Titanium 2,0, câmbio robotizado 6-marchas, R$ 90.390
Jeep Renegade Trailhawk 2,o diesel turbo, câmbio automático 9-marchas, R$ 116.900

 

WG

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  • RED883

    Embora não curta os minissuves por causa da dirigibilidade inferior, achei muito bonito o Kicks, mais que os concorrentes da Honda e Jeep.

  • Sobre a frase “Curiosamente, a alavanca do câmbio automático trazia indicações
    P-R-N-D-L, o que sugere desde um câmbio automático epicíclico a um CVT.”

    É a mesma do Sentra atual!
    Do Altima é
    P-R-N-D-Ds.

    Abraços

    • Ilbirs

      Desde o Sentra anterior, cujo CVT era de geração anterior, há essa posição L:

      http://4.bp.blogspot.com/-MGZ0yyMxcjs/UGBmjp5Z-sI/AAAAAAAABok/8bxr4DTFqSE/s1600/Alavanca+de+c%C3%A2mbio.jpg

      Nos atuais da Nissan (7,3:1 de relação de diferencial para modelos de até 1,8 l e 7:1 para modelos de até 2 litros), provavelmente devem ter reforçado ainda mais essa função e aproveitando o tal lance de o CVT funcionar o tempo todo engrenado. No caso do Kicks, a exemplo do que em breve também teremos em March e Versa, vai estar montada a tal transmissão para motores menores, o que nos faz crer na tal possibilidade de o L ser algo bem potente, daqueles capazes de poupar freio de automático em descida de serra sinuosa tanto quanto se poupa freio de carro manual que por um acaso pega essa mesma estrada no máximo em segunda marcha e com a desaceleração por si só servindo de redutor potente de velocidade.

  • Piero Lourenço

    Se fosse feito no México talvez um carro quase perfeito… feito no Brasil a qualidade já fica “questionável”. Tive um Sentra mexicano.. qualidade de material 100%.

  • Wagner Gonzalez

    Corsário,

    você não está sozinho nesse grupo. Eu diria que o Kicks tem linhas mais angulosas e cantos mais expressivos.

  • Francisco, a razão de não informarem altura livre do solo é apenas desinteresse/descohecimento da área de imprensa em publicar esse dado. A do Renegade, informado no teste por ocasião do lançamento, é 223 mm no Trailhawk. Tracker nunca testamos, HR-V a Honda não informou e Nissan Kicks, menos ainda, pelo menos nessa apresentação de ontem.

  • Ilbirs

    A cara de “genérico” é por ele seguir aquela silhueta de “hatchzão” em vez de “peruinha” que vemos em outros SUVs. Como em uma silhueta de “hatchzão” há menos colunas, um balanço mais curto e menos extensão de lata, também é de se crer menos espaço para variação de formato, ainda mais que sendo um SUV de pequeno porte há ainda menos lata para se variar.

  • Jambeiro, mero lapso. Isso acontece.