Roberto Agresti recomenda:

Um Honda Fit EXL prata Global metálico, que de acordo com o site da marca custa R$ 76.690 (R$ 990 deles referentes à pintura metálica) entrou na garagem do AE para o teste de 30 dias. O Fit é um “queridinho” do mercado brasileiro desde que chegou ao mercado no já distante ano de 2003. É um carro que parece ter uma auréola de santidade — difícil achar alguém que fale mal dele! Neste intervalo de 13 anos foram três as gerações diferentes deste pequeno Honda vendido no Brasil. A inicial durou até 2009, sucedida pela versão descontinuada em 2014, substituída por esta que é alvo de mais um teste de 30 dias do AE.

Pelas contas que fiz tomando como base as informações de emplacamentos divulgadas pela Fenabrave, neste próximo mês de junho a Honda poderá comemorar a chegada de meio milhão de Fit às ruas do Brasil. Marca respeitável e que deverá ser incrementada nos próximos anos, tendo em vista que este modelo que aqui temos é praticamente igual ao modelo vendido em outros mercados mundiais. Ou seja, nosso Fit é moderno, é atual, é mundial. Esta é uma marca registrada dos automóveis Honda no Brasil: a de nunca deixar gerações antigas “boiarem” muito tempo em produção se no exterior tiver sido lançada uma nova.

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Caracteriza esta nova geração do Fit a carroceria com desenho mais anguloso, que alguns chamam de “viril”, com vincos pronunciados nas laterais e os para-choques dotados de simulacro de tomadas/extratores de ar. É um desenho bem-sucedido e que perdeu um pouco aquela cara de carrinho de brinquedo, quase um pokemon sobre rodas. Paulo Keller fez um excelente “No uso” com um Fit EXL igualzinho a este que agora é vítima de nosso 30 dias.

Este Fit EXL começou sua jornada comigo em ritmo acelerado, rodando na correria paulistana em condições malvadas, trânsito intenso e sem muito cuidado com o acelerador. Trajetos curtos entremeados de paradas relativamente longas, aquela situação “pior dos mundos” para qualquer motor, que não consegue alcançar sua temperatura de exercício e mantê-la, como seria o ideal tanto para a durabilidade mecânica quanto para o consumo de combustível. Aliás, qual o combustível? Entregue com tanque cheio, a informação que obtive dos responsáveis pela frota da Honda foi a de que o carro estava abastecido com gasolina.

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No entanto, fiquei com um pé atrás e fiz questão de liquidar logo o tanque para ter certeza do tipo de combustível usado e assim que a luz alerta acendeu no painel, fui ao posto e descobri que, como de costume (e isso é um ponto positivo), a luz acende bem antes de o tanque estar perto da secura: entraram 36 litros exatos, ou seja, ainda havia 10 litros e muitos quilômetros a rodar pela frente. E foi exatamente isso que fiz. Engolir quilômetros. Nada menos que 630 km em um único dia, em um bate-e-volta da capital paulista a Ribeirão Preto, que me deu horas e mais horas de convívio com o Fit EXL e chance de conhecê-lo melhor.

O Honda Fit não é novidade nenhuma para mim. Ciclicamente eles aparecem nas minhas mãos desde que existem e, em geral, sempre gosto deles. Em geral? Explico: o primeirão, o Fit inaugural, em versão de câmbio automático CVT, me passava uma impressão estranha, com aquele motor subindo e descendo de rotação sem que a velocidade acompanhasse. Ou seja, preferia o manual. Na segunda geração, o câmbio CVT foi substituído por um câmbio automático convencional — em termos, pois os automáticos da Honda não têm os trens de engrenagens epicicloidais — e a sensação ruim de embreagem patinando foi substituída por outra, também ruim, a de motor entrando na cabine quando acelerava fundo. A suavidade de funcionamento do carrinho era comprometida pelo ruído interno exagerado quando o ponteiro do conta-giros passava das 4-4,5 mil rpm.

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Portanto, confesso que a primeira coisa que fiz ao tomar posse deste novo Fit EXL foi… acelerar para ver a rotação chegar à zona vermelha. Resultado? Nem barulhão, nem elasticão. O Fit voltou a ter câmbio CVT mas agora há um conversor de torque em vez de embreagem automática e assim, ao pregar o acelerador no fundo, o que acontece é curioso. A rotação sobe e se instala no limiar autorizado do conta-giros, e o carrinho progride. Barulho? Faz, mas menos que o anterior de câmbio automático e a sensação é de que ele vai em frente de forma rápida, bem rápida. Claro que não é e nem nunca será um esportivo, mas o motor revisto — taxa de compressão maior e o sistema de comando de válvulas variável batizado de i-VTEC – faz seu trabalho de maneira mais suave e consistente que o Fit anterior. Gostei!

O que mais gostei nessa primeira semana? Do interior, especialmente do banco do motorista. Vítima de uma coluna dando sinais de fadiga, para mim o encosto do banco do Fit foi uma ótima surpresa, conciliando conformação de encosto adequada a apoio lombar na medida, sem ser exagerado como em carros esportivos puro-sangue, o que seria um contrassenso, e nem ausente, deixando as costas soltas demais. Regulável em altura, o banco tem uma densidade de espuma adequada e isso mais a forração mista couro natural/couro sintético resultou em boa nota em termos ergonômicos, ainda mais tendo em vista a possibilidade de ajustar o volante em altura e distância.

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Na estrada manter os 120 km/h na reta de mais de 300 km que é o trecho de rodovia que liga São Paulo a Ribeirão Preto teve como grande protagonista o controlador de velocidade, equipamento de série neste Fit EXL, assim como o sistema de acesso ao telefone celular por Bluetooth e o sistema de áudio que pode ser controlado por teclas situadas no volante revestido de couro. No ritmo da velocidade permitida o Fit rodou até Ribeirão tranquilo como um peixe, no sentido inclusive literal pois choveu em quase 80% do percurso, chance para ver que o sistema de ar-condicionado é competente, mas não tem mais com comando digital como nas versões de topo de alguns Fit do passado, e que as palhetas do limpador fazem seu serviço de maneira competente, mas não são mais do tipo mais moderno como eram nos Fit da geração anterior.

Empobrecimento? Não, a palavra é forte demais. O Fit apenas abdicou de dois itens que seguramente não fazem grande diferença mas… o que dizer do desaparecimento dos freio a disco nas rodas traseiras? Não é um pecado mortal, mas é uma opção técnica que não segue a cartilha do “quanto melhor, melhor”.  E tendo em vista o que cobram por ele, ar-condicionado digital, palhetas “up to date” e discos na traseira combinariam melhor com 76 mil reais, assim como também as bolsas de ar tipo cortina que os Fit tem em suas versões vendidas na Europa e América do Norte. E o que dizer do sistema de controle de estabilidade, batizado de VSA (Vehicle Stability Assist) e de tração, também presente no Fit para americanos comprarem?

Precisa de VSA? A questão não é essa. Nesses 700 e passa quilômetros rodados no início de teste o Fit se mostra um carro muito seguro, estável, que responde aos comandos de maneira exata, competente. Enfim, digno da tradição da marca, atentíssima a aspectos técnicos e dinâmicos de excelência, cuja refinada engenharia é referência em carros, motos, aviões, robôs etc. Todavia, não equipar os carros vendidos no Brasil com os recursos plenos em termos de segurança deixa um sabor amargo, ao menos na minha boca. Ainda mais tendo em vista o preço…

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Voltando ao convívio desta primeira semana, como vocês já sabem na estrada o Fit EXL me atendeu maravilhosamente bem e em dados momentos o painel digital com o parcimonioso computador de bordo me avisou consumo instantâneo de além dos 14 km/l, marca que emporcalhei com minha pressa para chegar e acabou descendo a menos de 12 km/l. Prometo uma viagem mais comportada para breve! Outros bons aspectos destes primeiros dias? Bem… melhor conviver um pouco mais com ele, afinal teremos mais três semanas pela frente e deixar assunto amadurecer é mais do que necessário. É sábio.

Para a próxima semana o roteiro prevê muita cidade e nada de estrada, um tipo de uso que certamente está bem mais próximo ao da realidade da maioria dos donos e donas deste sucesso sobre rodas chamado Honda Fit. Até lá…

RA

 

HONDA FIT EXL

Dias: 7
Quilometragem total: 703,7 km
Distância na cidade: 55,7 km (7,9)
Distância na estrada: 648,0 km (92,1%)
Consumo médio: 9,5 km/l (gasolina)
Melhor média: 11,8 km/l (gasolina)
Pior média: 7,0 km/l (gasolina)

 

FICHA TÉCNICA HONDA FIT EXL 2016
MOTOR
N° e disposição dos cilindros Quatro, em linha, transversal, flex
Cilindrada 1.497 cm³
Diâmetro e curso 73 x 89,4 mm
Potência 115 cv (G), 116 cv (A), sempre a 6.000 rpm
Torque 15,2 m·kgf (G), 15,3 m·kgf (A), sempre a 4.800 rpm)
Taxa de compressão 11,4:1
Distribuição 4 válvulas por cilindro, comando no cabeçote, corrente, variador i-VTEC de fase e levantamento conjugados, coletor de admissão variável
Formação de mistura Injeção no duto Honda PGM-FI
TRANSMISSÃO
Tipo do câmbio Automático CVT
Conexão motor-transeixo Conversor de torque
Relações de marchas Frente 2,526:1 a 0,408:1, ré 2,706:1 a 1,382:1
Relação de diferencial 4,992:1
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, assistência elétrica indexada à velocidade
Voltas entre batentes 3
Diâmetro mínimo de curva 10,3 m
FREIOS
Dianteiros Disco ventilado Ø 262 mm
Traseiros Tambor Ø 200 mm
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio, 6Jx16
Pneus 185/55R16
Estepe Temporário, roda de aço 4Tx15, pneu T135/80D15
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, monovolume, 4 portas, 5 lugares
DIMENSÕES
Comprimento (mm) 3.998 mm
Largura (mm) 1.695 mm
Altura (mm) 1.535 mm
Distâncias entre eixos (mm) 2.530 mm
Bitola dianteira/traseira (mm) 1.482/1.472 mm
Distância livre do solo (mm) 145,3 mm
PESOS E CAPACIDADES
Peso em ordem de marcha 1101 kg
Capacidade do porta-malas 363 L (906 L c/banco rebatido, 1.045 L c/banco traseiro rebatido, dianteiros todos à frente
Tanque de combustível (l) 45,7 litros
CONSUMO (INMETRO/PBE)
Cidade 12,3 km/l (G), 8,3 km/l (A)
Estrada 14,1 km/l (G), 9,9 km/l (A)
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em D (km/h) 54,8
Rotação a 120 km/h D (rpm) 2.200
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