Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas ESTATÍSTICAS FURADAS – Autoentusiastas

No momento em que o Brasil se volta, finalmente, a investir em parcerias público-privadas para desatar o nó de uma infraestrutura de altíssima deficiência cabem analisar alguns aspectos. Nada menos de 80% das estradas brasileiras (cerca de 1,3 milhão de quilômetros no total) não são pavimentadas. Essa proporção só se encontra em países muito pobres.

Trata-se de referência bastante desfavorável para uma nação que tem a quarta a maior superfície terrestre contínua do planeta (quinta, com Alasca incluído como área descontínua dos EUA), a quinta população, um PIB que o coloca em sétimo (tendência de cair) e um mercado interno de veículos que já foi o quarto do mundo (hoje em sétimo e em queda). Nada justifica uma rede asfaltada tão ridiculamente baixa dentro do conceito “rodoviarista” de transporte de bens. Cerca de 60% das cargas viajam por caminhão e esse percentual não é muito acima de alguns países europeus e mesmo dos EUA.

Só mais recentemente se abriu a possibilidade de, além de conservação do piso, as concessionárias duplicarem as pistas e mesmo construir novas vias. Outra realidade é a incapacidade do Contran de controlar a frota real circulante. Se esse número fosse pelo menos próximo do real, os interessados em infraestrutura estariam em condições de estimar o crescimento do tráfego ao longo do tempo pois os contratos estabelecem, em geral, 30 ou mais anos de concessão.

Essa falha de planejamento ocorre por exigências exageradas para que motoristas deem baixa no veículo ao fim de sua vida. Então são abandonados nas ruas (há multa de R$ 16.000 na cidade de São Paulo, mas provavelmente ninguém a pagou até hoje), em galpões, deixados ao relento no campo ou mesmo jogados em rios e represas.

Saber, porém, quantos modelos, de que marca e tipo ainda circulam são tarefas essenciais para produção de componentes de reposição. Por isso tanto o Sindipeças quanto a Anfavea publicam estudos há mais de 10 anos. Em 2015, a primeira entidade estimou a frota brasileira (sem contar motos) em 42.587.250 unidades. A segunda chegou a números bem próximos. Algo como 35% abaixo do total divulgado pelo Contran e Detrans. Refletem apenas emplacamentos originais (via Renavam) e um número quase irrelevante de baixas espontâneas de registros: apenas 1,8 milhão de unidades entre 1990 e 2015. A maioria, certamente, de seguradoras com PT (perda total) em acidentes.

Agora uma terceira fonte também estuda a frota. A filial brasileira da consultoria Jato desenvolveu processo para cálculo de veículos em circulação dividindo o mercado em 15 segmentos e analisando, caso a caso, cada um deles. Estabeleceu curvas específicas de descarte de produtos por impossibilidade mecânica de rodar ou consertar, roubos (com desmanches) e PT. A empresa estima, em 2014, 38.564.843 veículos, uns 9% abaixo das referências Sindipeças e Anfavea.

Em razão dos maus resultados de vendas desde 2015 é provável a frota brasileira real diminuir, pois entrariam no mercado menos carros e veículos pesados do que os que deixam de circular. As futuras concessionárias de estradas que fiquem de olhos abertos.

 

RODA VIVA

 

NISSAN deu boa arrumada no meio ciclo de vida do Sentra 2017. Frente modernizada e adição de itens de conforto e conveniência já na versão de entrada somam-se a comando elétrico no banco de motorista e alto-falantes Bose. Agora deixou de existir câmbio manual: todos têm o automático CVT. Melhorou economia de combustível e a 120 km/h motor sussurra a 2.000 rpm.

QUANDO se exige mais do acelerador, mesmo na posição “L” do CVT, resposta é um pouco lenta: rotação de torque máximo (20 kgfm) fica apenas 300 rpm abaixo da de potência máxima (140 cv, pouco para um 2-litros aspirado). Turbo seria ideal. Os preços aumentaram 7%, justificados por mais equipamentos, e são competitivos: R$ 79.990 a R$ 95.990.

SOFISTICAÇÃO e equipamentos exclusivos estão no novo BMW 740 Li M Sport, sedã de alta gama e referencial da marca alemã. Pretende vender até 100 unidades/ano ao preço único de R$ 709.950. Nível de conforto para o passageiro do lado direito do banco traseiro é ímpar. Alguns itens, de tão avançados, exigem homologação específica no Brasil e não vêm agora.

VOYAGE 2017 não arrancou tão bem como o Gol em vendas. Mas a repaginada na parte frontal e o novo painel interno (laterais continuam iguais e também a parte traseira do sedã compacto) podem lhe dar mais fôlego. Impressiona bem o desempenho do motor 3-cilindros/1 litro. No uso em cidade o deixa bem próximo ao 4-cilindros de 1,6 L e com vantagem em economia.

OBSTÁCULOS no asfalto para sinalizar vias, como os temidos tachões ou “tartarugas” e mesmo inocentes “sonorizadores”, estão proibidos por resolução do Contran desde 2009. Mas, ainda se podem ver nas cidades e estradas em desacordo com a lei. Afora os danos em pneus e suspensões dos veículos, essas protuberâncias são muitas vezes causas de acidentes e danos no asfalto.

FC

A coluna “Alta roda” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
  • Fat Jack

    Toda estrutura de transporte brasileiro está sucateada, rodoviário, ferroviário (cerca de apenas 25% da malha férrea existente na década de 70 tem condição de circulação) e aérea (os “buracos” dos nossos radares são internacionalmente famosos). Sem um plano estatal sério não sairemos dessa situação que custa tão caro ao país e a todos nós. É algo que exige urgência, mas que continua invisível aos “tomadores de decisão”.

  • Eduardo Sérgio

    A foto do atoleiro que abre esse artigo é o cartão de visitas da situação atual da infraestrutura brasileira. E a perspectiva não é das melhores. Se nestes últimos anos – quando se vendeu a imagem de um Brasil muito rico, através de uma desenfreada farra com o dinheiro público – nada se fez, imaginem agora.

    Recentemente li uma declaração de um analista econômico que define bem essa oportunidade desperdiçada pelo Brasil: “Ao invés de solucionar os problemas estruturais, o governo resolveu levar o Brasil para a Disneylândia”.

    • Eduardo, sem conta a piada do Programa de Aceleração do Crescimento.

  • Mibson, põe mal-estar nisso. Tachões são tão criminosos quanto as lombadas. Gente que coloca obstáculos ao movimento dos veículos é nojenta, repulsiva, idiota, burra, canalha, ignorante ou qualquer outro adjetivo. Acho que com uma boa marreta e uma talhadeira dá para remover mais esse dejeto viário.

    • JeffRL

      Marreta e talhadeira é o mais prático e rápido. Foi o que o um senhor fez após colocarem tachões em frente à sua oficina. Não duraram uma semana, sendo primeiramente retirados apenas alguns para ficar um trilho livre, e após, o resto.

  • Pércio, somos uma nação que briga contra si mesma. Esse é mais um exemplo.

  • Roberto Neves

    Renato, eu vejo a questão do trabalho para o preso de forma diferente: vejo com um benefício, não como um castigo. Fico a me imaginar preso por 10 anos sem nada para fazer, sem nada produzir e nada aprender. Eu enlouqueceria. Trabalhar é muito bom, desde que em condições dignas e justas.

    Em algumas prisões do Brasil foi adotado o método de recuperação APAC, que inclui, entre outras medidas, o trabalho voluntário em oficinas montadas dentro da prisão por empresas. O preso trabalha e recebe salário.

    Outra medida do método APAC é manter o preso próximo à sua família. Nada de transferi-lo para superprisões distantes de sua cidade.

    O assunto é delicado e polêmico e não sou especialista. Se interessar aprofundar-se no assunto, há muita informação na internet. Trago algumas sugestões:

    http://al-mg.jusbrasil.com.br/noticias/1190878/metodo-apac-e-apontado-como-alternativa-para-o-sistema-prisional

    http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/03/140313_prisoes_apac_nm_lk

    http://www.conjur.com.br/2013-mar-30/cresce-numero-unidades-privadas-detencao-alternativa-presidios

  • Grim, por que você achou que o agente da CET o ajudaria? Isso dá um trabalho danado…

  • Eduardo Sérgio

    Nas eleições presidenciais de 2006, no debate entre Geraldo Alckmin e Lula, o candidato do PSDB questionou o adversário sobre a precária situação da infraestrutura brasileira e sobre o fato de nada ter sido feito até então. Em resposta, o candidato petista, com seu ar de deboche que lhe é peculiar, olhou para a câmera e disse: “o que importa é que hoje os brasileiros têm o bolsa-família”. Como já dizia Roberto Jefferson: “O PT não tem projeto de governo, o PT tem projeto de poder”.

    • Eduardo, e esse povo ignorante vota nessa corja, isso é que dói.

  • Roberto Neves

    Renato, não concordamos quanto aos princípios, mas concordamos inteiramente quanto ao aspecto prático: presidiários devem, sim, trabalhar, se possível aprendendo um ofício e contribuindo para seu sustento e o de sua família.