Palavra de ordem é economia de combustível, a herança mais bem-vinda do controverso programa Inovar-Auto. E nessa verdadeira corrida para beneficiar o consumidor, um passo audacioso acaba de vir do Grupo PSA (antes, PSA Peugeot Citroën). Na linha 2017 do Peugeot 208 estreia o motor de três cilindros 1,2-litro flex (foto) que aparece no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) com nota triplo A, ou seja, é o automóvel de menor consumo de combustível à venda no Brasil (entregas a partir de 1º de maio).

Trata-se de um motor aspirado de última geração e, pode-se afirmar, até melhor que o mesmo Pure Tech, família EB2, produzido na França. Toma o lugar do antigo, de 1.450 cm³, que progressivamente será descontinuado. O Citroën C3 também o receberá em curto prazo. Foi desenvolvido especificamente para o Brasil, com taxa de compressão de 12,5, quatro válvulas por cilindro e duplo comando variável na admissão e escapamento.

Os números falam por si: potência de 84 cv/90 cv (etanol) a 5.750 rpm e torque de 12,2 kgfm/13 kgfm (etanol) a apenas 2.750 rpm. Significa desempenho melhor que o antigo, pois o torque máximo aparece mais rápido e se diminuiu em 25 kg a massa do motor. A diferença nominal para o anterior é de apenas 3 cv e 0,9 kgfm (etanol), imperceptível na prática: torque máximo surgia antes a 3.000 rpm. Além disso, se caracteriza pela suavidade acima dos padrões para uma unidade motriz de três cilindros.

Números de consumo são brilhantes, tanto com etanol quanto gasolina. Em cidade faz 10,9 e 15,1 km/l; na estrada, 11,7 e 16,9 km/l, respectivamente, segundo o PBE. Além de ter uma relação de custo/km no ciclo urbano com etanol mais atraente que outros motores flex, não será difícil superar 20 km/l com gasolina na estrada, na vida real.

Esse novo motor é importado da França e só será nacionalizado quando a produção tornar-se rentável, próxima das 100.000 unidades por ano, incluídos os carros exportados. A PSA considera o lançamento um marco na sua história de 15 anos no Brasil. O 208 recebeu leve atualização de linhas para marcar meia-vida desta geração lançada há cinco anos. Grade, para-choque dianteiro, luz diurna, lanterna traseira em LED e sistema multimídia com tela tátil de 7 pol. são as principais mudanças.

Continua a ser um compacto que disponibiliza equipamentos acima da média do mercado. Inclui recursos eletrônicos de série como controle eletrônico de estabilidade (correção de trajetória) e função de assistência em rampas. O acabamento interno também se destaca por materiais agradáveis ao tato no painel.

Os preços, entretanto, se mantiveram: de R$ 48.190 (Active) a R$ 64.590 (Griffe, 1,6 L, flex, 115 cv/122 cv, automático), mesmo com inflação alta. A PSA oferece bônus de R$ 3.000.

Finalmente, chegou a aguardada versão GT. Seu motor turbo de 1,6 L e 173 cv (etanol) é reconhecido pelo alto desempenho e funcionamento suave. Em um carro de apenas 1.196 kg em ordem de marcha, acelerar de 0 a 100 km/h em 7,6 s o coloca em posição de superioridade frente aos concorrentes, embora disponível apenas com câmbio manual de seis marchas. Preço de R$ 78.990 limitará a venda entre 5% e 10% do total da linha.

 

RODA VIVA

 

APESAR de estar confirmado para o segundo semestre a estreia do motor Renault de três cilindros/1,0 L no Sandero e também no inteiramente novo subcompacto Kwid, a marca francesa ainda avalia se vale a pena oferecer o de 0,8  L com o qual foi lançado na Índia em setembro do ano passado. Diferenças de preço e de consumo de combustível seriam insignificantes.

FINALMENTE o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo terá um local digno para importância do maior evento da América Latina organizado por empresa particular. Antecipado por esta coluna em outubro de 2014, estão previstos mais de 750.000 visitantes entre 10 e 20 de novembro próximos. A Reed-Alcântara espera até 36 marcas e 90 expositores.

SÃO PAULO Expo inclui novo pavilhão de 90.000 m² (10% maior que o Anhembi), climatizado, estacionamento coberto para 4.500 veículos, duas pistas de testes, praça de alimentação para 600 pessoas e várias possibilidades de acesso. A área, a ser inaugurada no próximo dia 26, está sob administração do grupo francês GL, que investiu R$ 400 mi no empreendimento.

CITROËN lança o plano de revisões periódicas a R$ 1,00 por dia (R$ 365,00) para os três primeiros anos (ou 10.000/20.000/30.000 km), válido para o recente Aircross e C3 ano-modelo 2017 (estreia do motor de três cilindros). Renault adotou a mesma estratégia ao apresentar o Logan em 2007. Nove anos depois, é como se não tivesse havido inflação…

DEPOIS de quatro anos de trabalho duro e superando obstáculos, o diretor Dino Dragone concluiu o filme-documentário Nutz, de 77 minutos. O melhor sobre o tema “Os brasileiros e seus carros antigos – histórias de loucura e paixão”. Pré-estreia foi em São Paulo, no Box 54. Ideia é exibir em circuitos culturais e futuramente estar disponível também em DVD.

FC

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  • Mr. Car

    Se eu fosse a “dona” Renault sequer imaginaria a hipótese deste Kwid 0,8 litros por aqui, ainda mais nestas condições de diferenças de preço e consumo insignificantes em relação ao 1,0 litro. Desde o começo achei muito estranho pensarem em oferecer esta opção.

    • CorsarioViajante

      Também sempre achei uma ideia tão louca que achava que mais cedo ou mais tarde alguém ia notar que não vale a pena implantar dois motores tão parecidos.

    • Edison Guerra

      Quando se fala neste motor 0,8 l, só vem à minha mente a Towner e o Gurgel BR800, que vejo se “arrastando” pelas ruas no dia a dia. Melhor nem vir, com a nossa topografia será um desastre.

      • Gustavo73

        O problema não é ser 0,8L e sim não ter vai em consumo e preço frente ao 1.0. Afinal estamos falando de.uma diferença de décadas entre os motores do BR800 e Towner e esse. Nos anos 90 pré injeção eletrônica um motor 1.0 tinha potência até menor que os atuais 1.0.

      • Davi Reis

        Acho que o problema principal nem seria esse, a questão é que não faz sentido absolutamente nenhum vender um carro com duas opções de motores tão parecidas em torque e potência. Algum dos dois teria que sair de linha rapidinho e seria um custo completamente desnecessário. Seria diferente se estivéssemos falando de um 0,8 aspirado e um 1 turbinado, por exemplo. Essa de vender o mesmo carro com motorizações muito próximas ou muito distantes dificilmente dá certo.

    • Gustavo73

      Não vejo necessidade do 0.8L se teria consumo e custos similares ao 1.0.

  • João Pedro

    “superar 20 km/l com gasolina na estrada”, na verdade, com “etanolina”… Imagina com gasolina de verdade…

  • André Andrews

    A adoção de árvore contra-rotativa ajudou nesta suavidade.

  • Gustavo73

    Esse 1,2 12v foi uma grata surpresa de onde não se esperava o grupo PSA. Econômico e sem fazer grandes concessões no rendimento frente ao 1.5 8v que veio substituir. Equipando 208, C3 e C3 Aircross não deve ser difícil atingir as 100 mil unidades ano levando em consideração as vendas em outros países da região. Espero que sua versão turbo também venha, pois seus números são ainda mais animadores, e poderia equipar outros produtos como 2008, permitindo nele e nos outros compactos do grupo a inclusão do câmbio automático de 6 marchas. Mas também poderia equipar as versões de entrada dos médios substituindo o 1.6 16v e até o 2.0 16v.
    Agora o 208 tem ESP de série? Achei que só na versão mais cara, sei que a Allure (intermediaria) tem 4 airbags de série o que é um diferenciador na categoria.

  • Roller Buggy, é difícil apontar uma cilindrada ideal, depende sobretudo dos anseios do comprador, mas eu diria entre 1,3 e 1,5 litro equivalente por meio de superalimentação considerando um coeficiente 1,7, como é aplicado hoje pela FIA para fins de enquadramento de classes de cilindrada. Um 1,3 litro, por exemplo seria motor de 2,21 litros e com potência específica de 90 cv/l alcançaria quase 200 cv.

  • Guilherme, a correia do up! é para trocada a cada 120.000 km ou 4 anos e meio.

    • CorsarioViajante

      Ah! Mas o mecânico disse que tem que trocar a cada 40.000 km! E sabe como é, o mecânico entende muito mais do que a fábrica… rs

      • Davi Reis

        Melhor trocar com 10.000 km, porque a correia dentada é uma coisa muito perigosa sabe… Com essa quilometragem ela já pode arrebentar e fazer o carro explodir pelos ares, coisa de louco. Aconteceu com o primo de um amigo do meu ex-vizinho. Melhor a corrente, que dura 7 milhões de quilômetros… Brincadeiras à parte, tem cada coisa sem pé nem cabeça que se lê por aí que dá até pra assustar. Já teve um texto aqui no AE, não lembro de quem, falando justamente desse temor de boa parte das pessoas da correia dentada. Parece que tem gente que teima em acreditar que hoje em dia, em boa parte dos casos, o uso da correia ou da corrente não passa de uma mera escolha do fabricante tentando favorecer algum ponto. E afinal, se fosse algo tão atrasado assim, não estaria presente em motores de ponta como o Sigma e o Pure Tech, onde são banhadas a óleo. Para uma correia arrebentar hoje em dia, só por muito descaso do dono ou erro na hora da troca, e convenhamos que nesses casos, não há mesmo carro que sobreviva.

  • TDA

    Ótima notícia vindo da PSA e sua lentidão e falta de visão de mercado. Há tempos venho falando que o motor Puretech é uma dádiva que já deveria ter vindo ao Brasil. Não tinha lógica a Peugeot continuar a insistir nos bons mas já antigos TU e EC.
    Agora a PSA poderia ofertar também o Puretech EB2DT de 110 vc turboalimentado (não custa nada sonhar rsrs).

    • Gustavo73

      O de 130 cv assim dava pra substituir o 1.6 16v e o 2.0 16v aspirados. Com uma versão mais mansa do THP com uns 150 cv e dava pra atender toda a linha por aqui.

  • TDA

    Se fosse o Puretech 1,2 turbo certamente a vantagem total seria do 208. No caso do aspirado, creio que será melhor apenas no consumo (comparando apenas os motores, evidentemente) e a pegada em estrada seria mais divertida no Up! TSI. Agora o 208 GT com o prince vai ser o bicho, aliando o ótimo conjunto e comportamento dinâmico do 208 com a pegada bruta do THP.

  • CorsarioViajante

    Já passou da hora, se é que houve alguma hora em que fez sentido esta maluquice.

  • Davi Reis

    Pelos testes do Inmetro o 208 é bem mais econômico, coisa de assustar mesmo, ainda mais considerando que os números deles são geralmente bastante pessimistas. Mas se for para aliar um ótimo desempenho com consumo muito baixo, o up! TSI ainda me levaria.

  • Guilherme, não acho que seja preço excessivo dada a quilometragem ou tempo de troca. De qualquer maneira, preços de peças sempre são ajustados ao mercado algum tempo depois de o carro lançado.

  • Café Racer, sim, amanhã. Texto do Wagner, que viajou a Fortaleza, CE para o lançamento. Mas muito breve teremos vários ‘no uso’ com esse novo 208.

  • Diogo, há também o BMW 3C 1,5 litro turbo, 136 cv. Dirigi-o no MINI 4-portas, muito bom.

  • Corsário, lembro que no up! há limite de tempo, 4,5 anos, mas mesmo assim é um intervalo considerável.

  • agent008

    Estarei lá! Vai dar gosto ver a exposição em um local como o mínimo de conforto térmico…

  • Diego Santos

    João, admito que a Peugeot me surpreendeu. O grande entrave que a marca tem no país é a questão da fama de manutenção cara e péssimo pós-venda (o que na verdade varia de concessionária para concessionária). Tenho um Ka 1,0 SEL comprado em 2015, mas com as constantes elevações de preços da Ford hoje o 208 Active Pack me seria uma opção bem viável (comparando a diferença dos preços das duas versões).
    Torço para que a Peugeot consiga mudar essa imagem no Brasil (de peças caras e pós-venda ruim), pois seu produto é ótimo.
    Vai com tudo!!! Mas chora desconto que ele vem. (rs)

  • Newton, a Renault sugere a troca do esticador e da polia intermediária junto com a correia aos 80.000 km.