Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas OS “BIG BROTHERS” – Autoentusiastas

Não, não estamos na terra de gigantes, mas acho que tem gente que gostaria de estar lá. Juntamente com as miniaturas de carros, também existem os carros em escala aumentada e é sobre isto que vou falar.

Vamos apresentar três exemplos de “Big Brothers”, perfeitamente funcionais, inspirados em Volkswagens. Dois, menos detalhados, pertencem a um grupo que foi estabelecido para eventos e baladas e outro muito detalhado que é mais um desafio de competência de uma oficina.

Na foto destacada vemos a “Kombi-Walter”, que é a maior Kombi do mundo, seguida pelo “Big Red” que é o Fusca grandalhão, participando da “Parada del Sol, do dia 9 de fevereiro de 2013, realizado na cidade de Scottsdale, no condado de Maricopa, no Arizona, Estados Unidos. Um evento onde aparece de tudo, desde escolas, balões alegóricos, carros antigos, movimentos sociais e carros de show, como estes dois e muito mais. Para dar uma ideia do clima desta parada, que é uma das atividades fim destes dois veículos especiais, ai vão algumas fotos deste evento:

 

A “Kombi-Walter”

A história da “Kombi-Walter” começou com a ideia de um visionário, Kirk Strawn, da Walter Productions, situada em Phoenix, Condado de Manicopa, Arizona, EUA.

 

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O visionário Kirk Strawn, aí sem barba, volta e meia ele a deixa crescer

 

Mas de onde veio o  caminhão para emergências “Walter” e a inspiração para a criação da “Kombi-Walter”? O caminhão “Walter” especial para emergências em aeroportos, que seria transformado na “Kombi-Walter”, passou por vários “empregos”, iniciando em 1963 como veículo de salvamento na Base da Força Aérea Americana de Luke, no Arizona, estado do qual ele não saiu mais. Estes tempos estão registrados em uma placa comemorativa que existe até hoje. Passou pelo corpo de bombeiros da cidade de New River. Depois foi para a cidade de Jerome, onde por cinco anos borrifou água sobre os montes de carvão estocado no pátio, para evitar a autoignição do carvão.

Nesta mina ocorre um evento anual, o Jerome Jamboree, que reúne centenas de Kombis Vintage, e outros Volkswagens que sobem a montanha para acampar na mina, evento que foi registrado em 2003 pela revista Hot VWs.

Este artigo acabou chamando a atenção de Kirk Strawn, que participou do Jerome Jamboree seguinte.

Lá Kirk avistou o caminhão de emergência Walter e observou que a sua forma de caixa, conjunto rodante, e tamanho de pneus lembrava uma Kombi gigante, talvez ainda não grande o suficiente. Em seguida o caminhão foi negociado e transportado para Phoenix, para uma velha madeireira onde fica a oficina da empresa de Kirk.

Juntamente com uma “tribo” de amigos a “Kombi-Walter” foi surgindo numa escala aproximada de 2:1, ficando pronta em 2009. Daí em diante “Walter” passou a participar de inúmeros eventos de Volkswagen, diversos festivais como o Burning Man — homem em chamas, no deserto de Black Rock, em Nevada, onde surge a cidade temporária de Black Rock City, que reúne anualmente aproximadamente 65.000 pessoas. Também virou “figurinha carimbada” dos Jerome Jamborees, sem esquecer inúmeras paradas como a da cidade de Scottsdale.

Já vimos a parada de Scottsdale, agora vamos dar uma olhada no Jerome Jamboree:

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Vista aérea da área da mina onde o Jerome Jamboree é realizado; no canto direito inferior é possível ver a “Kombi-Walter”, o reboque Kalliope e o Fusca “Big-Red”

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A “Kombi-Walter” em pleno evento, com seu reboque Kalliope que é um mega sistema de som e luz para animar o acampamento

Agora mostraremos a “Kombi-Walter” e o “Big-Red” participando do gigantesco festival de contracultura Burning Man, de 2014, que reúne uma multidão no deserto Black Rock:

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A incrível vista aérea do festival Burning Man; no centro fica a gigantesca estátua de madeira que será queimada como um ponto alto do evento

Esta escultura de madeira, com 15 metros de altura, foi chamada O Abraço. Foi construída por uma equipe de 80 voluntários que prepararam as peças que a compuseram em três cidades; as partes foram reunidas no centro do acampamento por um trabalho coletivo, em seguida, foi incendiada queimando até o chão. O Abraço foi financiado por uma vaquinha. Na foto abaixo O Abraço está ardendo há uma hora:

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A escultura de madeira O Abraço em chamas por uma hora, ponto alto do Burning Man

Mas o nosso assunto é a participação da “Kombi-Walter” e o Fusca “Big-Red” neste evento, e ai estão eles:

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Apesar de seu tamanho avantajado, estes dois devem ter “sumido” ante o gigantismo deste evento

Como vimos a mega  “Kombi-Walter”,  deve seu nome à sua mecânica que vem de um caminhão da classe 1500 para atender emergências em aeroportos projetado em conjunto pela Walter Truck Company (1909-1997) e o U.S. Army Corps of Engineers. Estes caminhões muito especiais, com projeto customizado com a colaboração do exército, serviram em instalações de silos de mísseis nucleares distribuídos pelos Estados Unidos e em bases aéreas. Quando estes veículos foram aposentados eles foram vendidos para aeroportos civis, e estavam em excelentes condições. No fim de 1959 foi lançado o caminhão com chassi e carroceria em alumínio, uma grande inovação na época, e a “Kombi-Walter” deriva de um destes caminhões para emergências ano 1963 tipo 1500CFS.

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Caminhão para atender emergências em aeroportos Walter, ano 1963, modelo 1500CFS, que cedeu a sua mecânica para o projeto do “Walter”. A sua desmontagem estava sendo iniciada

Dados técnicos da “Kombi-Walter”:

Chassi:  Distância entre eixos – 4,74 m), largura – 2,54 m, comprimento – 9,36 m), altura – 4,02 m), peso – 8.845 kg.
Sistema de tração: Pneus radiais Bridgestone 445/95R25, com 57 polegadas (1,45 m) de altura, tração integral, freios a disco internos nas quatro rodas a ar com cilindro-mestre duplo.
Motor: Le Roi V-8 a gasolina com 844 pol³ (13.830 cm³),  334 cv a 2.600 rpm, sistema elétrico de 24 volts, distribuidor militar de 24 V convertido para ignição eletrônica sem rotor, carburador Zenith 29D de corpo duplo, escapamento duplo customizado, cárter de óleo de 21 litros, líquido de arrefecimento 102 litros, tanque de combustível de 151 litros.
Acessórios: tanque de água para o sistema de nebulização a bordo com 1.250 litros, gerador de 7.000 watts, ar-condicionado para o quarto VIP, mais de 20.000 luzes a LED de várias cores, para-brisa dividido tipo Safari, que rebate para frente.

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Comparação de tamanho ente a “Kombi-Walter” e uma Kombi normal

O trabalho começou com a desmontagem do caminhão, depois a montagem interna com a construção de uma sala VIP e escada para acesso à cabine de comando e plataforma superior. Em paralelo foram construídas as paredes externas e o acabamento. Veja algumas fotos da construção da “Kombi-Walter”, trabalho que levou seis anos:

As fotos mostram que a “Kombi-Walter” quase foi uma Pick-up, mas depois acabou se baseando num “Samba-Bus”, talvez pelas limitações de altura de algumas fiações urbanas e até mesmo da porta de entrada do galpão que também serve de garagem:

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A “Kombi-Walter” em sua fase Pick-up, ao lado de uma normal dando mais um termo de comparação dimensional

 

Com base na experiência brasileira pode-se dizer que a “Kombi-Walter” é um tipo sofisticado de trio elétrico com a aparência de uma Kombi Samba-bus gigantesca, isto porque possui um equipamento multimídia respeitável. Carrega 50 pessoas confortavelmente, tem uma plataforma superior onde as pessoas podem ficar, seu potente equipamento de som é de 360 graus. Ele está preparado para a conexão de uma mesa de disk-jockey, a iluminação conta com mais de 20.000 LEDs multicoloridos. Tanto a iluminação como o equipamento de som são comandados por um sistema de sincronização sem fio, fazendo as luzes oscilarem com a música.

Fusca Baja “Big Red”

Construído pela equipe liderada por Kirk Strawn e seu irmão Erik, o Fusca Baja Big-Red também recebeu o nome e a mecânica de um caminhão de bombeiros classe 1500, ano 1959, também fabricado pela Walter Truck Company:

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O caminhão de incêndio Big-Red que cedeu componentes (e o nome) para a construção do Fusca Baja que é 1,5 vezes maior do que um Fusca normal

O Fusca Baja “Big Red” tem 2,74 m de altura, 7,01 m de comprimento e 2,44 m de largura, seus pneus têm 1,35 m de diâmetro, o que resulta em, aproximadamente, uma vez e meia mais comprido e mais largo que um Fusca, o que resulta num volume quatro vezes maior. Kirk Strawn o classifica como um veículo para festas e shows.

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Nesta foto se pode ver a comparação de tamanho entre um Fusca normal e o “Big-Red”

Kirk Strawn comentou que “embora ele se pareça com um Fusca, dirigi-lo é bem diferente. Na verdade, é como estar dirigindo um trator”. Sua velocidade máxima é próxima a 65 km/h. O seu motor é de trator Deutz Diesel V-8, arrefecido a ar com um câmbio Ford, diferencial Chevrolet, ligados por uma transmissão por corrente tipo Boss Hog. Adiante o Kirk disse: “É incrível que ele funcione. ”

Para a construção do Fusca Baja “Big-Red” foi aproveitado o chassi do caminhão de bombeiros e para conformar a carroceria foi usado um modelo em escala 1:1 esculpido em partes por uma fresadora a partir de blocos de isopor — que depois foram justapostos para formar o modelo completo. Nas fotos que se seguem pode-se ver alguns passos desta construção:

 

 

Fusca Cabriolet Plus Size

O terceiro exemplo da Terra dos Gigantes é o “VW Cabriolet Plus Size”, resultado de um desafio que o mecânico americano Richard Trupper decidiu fazer a si mesmo. Num minucioso trabalho que levou mais de três anos, junto com o seu filho, com a ajuda de dois funcionários, ele decidiu construir do zero um VW Cabriolet 40% maior do que o original.

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Acho que muitas pessoas devem levar um susto quando um Fusca Cabriolet Plus Size para a seu lado no sinal vermelho

Mas a foto emblemática que mostra claramente a proporção em relação a um cabriolet normal foi tirada dentro da oficina de Richard, sendo que enquanto o Plus Size estava sendo construído, este cabriolet normal estava sendo reformado e suas peças serviram de modelo para o “irmão maior”, que também se destaca pela placa personalizada “HUGE BUG” (Fusca Enorme):

 

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O contraste causa espanto quando visto pela primeira vez. Porém, apesar da possível ilusão de ótica, o menor não é uma miniatura, é um Fusca normal, o outro que é grandão

A ideia original incluía a fabricação de um motor VW Boxer em ponto maior, mas este item da sua autodisputa iria onerar o projeto em um quarto de milhão de dólares. Com isto a parte mecânica ficou por conta do chassi de uma picape Dodge, devidamente aumentado em comprimento e largura, mantendo seu motor Hemi. Este ficou na frente, dentro do que seria o porta-malas dianteiro. O assoalho do Cabriolezão foi elaborado simulando o assoalho original e atrás foi feito um simulacro de motor boxer. Seguem algumas fotos dos trabalhos realizados:

Certamente, é muito difícil manter as proporções num modelo em escala maior como neste caso, mas o serviço feito, com pequenos senões, foi excelente, e nas fotos que se seguem o caro leitor poderá avaliar o resultado obtido:

Mas há coisas que os puristas poderão apontar, e entre elas eu aponto um aspecto que causa confusão entre colecionadores até aqui no Brasil. A Volkswagen por muitos anos homenageou a cidade onde os seus Fuscas eram fabricados colocando no capô dos carros o brasão dessa cidade. Assim foi em Wolfsburg, que quer dizer Burgo do Lobo, e que tem um lobo em seu brasão (apesar de que no Brasil muitos cometem um engano e chamam o lobo de “raposinha”). A partir de agosto de 1959 o brasão de Wolfsburg foi modernizado, mas manteve o lobinho, mas nunca um cabrito montanhês! E foi este animal que o pessoal colocou no brasão do Cabriolezão, muito estranho mesmo, mas certamente uma alusão ao chassi da marca Dodge, cujo logotipo tem um cabrito montanhês — mas isto peca contra tudo que foi feito para que o Cabriolezão fosse uma cópia aumentada o mais fiel possível. Veja:

Fica aí o registro destes exemplos de Fuscas e Kombi em ponto maior, uma tendência interessante que parece corroborar a frase que vi nesta pesquisa: “Para melhorar um produto bom como o Volkswagen, só fazendo um maior”.

Caso você, leitor, conheça outros exemplos nos envie, vamos aumentando a garagem da Terra de Gigantes.

AG

O seu conteúdo é de interesse histórico e representa uma pesquisa bastante aprofundada do assunto. Fotos de acervo próprio e pesquisa em livros, em Sites da Internet , e conforme indicado em algumas das fotos.
A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

  • Carlos A.

    Sr. Alexander, sem dúvida parece não haver limites para esses VW!! Muito curioso mesmo.

    • Pois é Carlo A., vivendo e aprendendo!!! Muitas coisas a gente passa a ver no Facebook, mas entrando mais a fundo se descortinam histórias muito interessantes, como a que registrei neste artigo.
      Grato por seu comentário!

  • Juvenal Jorge

    Gromow,
    incríveis criações. Gostei muito do cabriolet, supercaprichado.
    Bela postagem, trouxe algo que eu nem desconfiava que existisse.

    • Pois é, caro Juvenal Jorge, tem cada coisa por ai, não é mesmo? Estes gigantes mostram, na verdade, que tanto o Fusca como a Kombi estão muito fortemente arraigados na mente dos americanos, tanto que foram lembrados para estas empreitadas. E, no caso dos dois primeiros, certamente houve a ponderação que a aceitação pelo público seria boa, pois, afinal, o que eles fizeram tem fins claramente comerciais.
      Já para o VW Cabriolet Plus Size eu não entendo muito bem a motivação de investir tanto num veículo 40% maior que o original… É uma tremendo autodesafio, e o resultado ficou muito intrigante mesmo…
      Grato por seu comentário

  • Newton (ArkAngel)

    Os americanos são incríveis, quando cismam de fazer alguma coisa, ninguém segura.

  • Mr. Car

    Esta big Kombi me fez lembrar daquele clássico episódio do desenho animado Speed Racer, “O Carro Mamute”, he, he!

  • Eduardo Sérgio

    Deve ser muito divertido dirigir no trânsito esse enorme Fusca Cabriolet e ver a cara assustada daqueles motoristas que costumam intimidar os fusquinhas “de verdade” por aí…

  • Mr. Car

    Era, Gromow. Era beeeeeem maior, he, he!
    Abraço.

  • Dieki

    O conversível ficou sensacional, bem proporcionado. A Kombi ficou estranha. É mais onibus com frente de Kombi do que uma Kombi gigante.

    • Realmente Dieki,
      O “VW Cabriolet Plus Size” ficou muito bom, se o projeto original de fazer um motor boxer 40% maior em tamanho tivesse sido possível a coisa ia ficar mais interessante ainda, mas US$ 500.000,00 é um valor bastante alto. Fico imaginando se este valor teria sido levantado por Crowd Funding…
      Não gostei da cabra montanhesa no emblema dianteiro, acho que quebrou a mística, mas deve ser pouca gente que note um detalhe como este…

  • Fernando Bento Chaves Santana

    Se ele transformar este projeto em um kit para montar sobre o chassis de picapes vai fazer um bom sucesso.

  • Salve Rogério Oliveira,
    esta matéria “dos superlativos” mostra a extravagância que é mais ou menos comum nos EUA, chegando a ser corriqueira nas limousines quilométricas feitas com carros das mais variadas marcas.
    Aqui temos algumas cidades que se jactam por suas coisa grandes, como Itu, mas nos EUA isto é fato em todo lugar.
    Grato por seu comentário.