“A vida começa todos os dias” — Érico Veríssimo

Eu ainda era um meio adolescente quando uma imagem ficou marcada em minha memória. Estava eu simplesmente olhando o movimento da rua quando vi um jipe passar com dois rapazes MUITO sujos, mas MUITO sorridentes. Eles tinham um sorriso que extrapolava a alegria. Na verdade, transmitia felicidade. Coisa simples.

Foi mais ou menos nessa mesma época que meu interesse — que viraria paixão — pelo mundo a motor despertou. Carros e motos eram assuntos cada vez mais presentes no dia a dia. E, então, eis que um dia apareceu a oportunidade de “fazer” uma trilha de moto. E nesse dia nasceu uma paixão: o off-road. E que poucos anos mais tarde foi (muito) intensificado com os carros 4×4. E a paixão virou profissão. E da primeira trilha até hoje já se passaram 26 anos.

LF_apos_trilha  O OFF-ROAD É APAIXONANTE LF apos trilha 1

Como se pode “terminar” um dia off-road; muito sujo pode significar muita diversão e muito trabalho em equipe (autor)

Conto isso para, de certa forma, dizer que foi o “acaso” que me levou até o Off-Road. Mas foi a paixão que me faz viver isso intensamente até hoje.

Esse site é voltado àqueles que tem paixão por automóveis, afinal o nome já diz tudo: Autoentusiastas. E imagino que muitos leitores do site achem totalmente incompatível a paixão por um automóvel com a prática do off-road. Basicamente, imagino que o “dó” de usar o carro nas condições fora-de-estrada, nas trilhas da vida, é que traga esse sentimento.

Puxe da memória, volte aos tempos de criança. Lembra como era “gostoso” brincar de carrinho”? Tenha a certeza que é quase a mesma coisa. O que eu vou tentar mostrar com essa matéria é justamente isso. E como pode ser interessante, divertido, prazeroso e ainda trazer novos amigos, conhecer novos lugares e um novo estilo de vida. E não custa nada lembrar que a vida é muito curta e efêmera para não aproveitá-la.

Quando você usa o carro no asfalto em avenidas e rodovias, o prazer em dirigir está em “controlar” a máquina, sentir suas reações, provocá-lo, contornar as curvas, brincar com as leis da física e por aí vai. Quando em pista e em local controlado, é hora de buscar os limites, aumentar a velocidade, a ação da força G sobre você e sobre o carro e, ainda assim, tentar ao máximo manter-se no controle, explorando as situações.

E acredite, tudo isso é potencializado no off-road. Controlar a máquina, fazer a abordagem correta de cada obstáculo, usar a técnica correta, brincar com as inclinações em subidas e descidas, andar a 40 km/h no meio do mato e ter a sensação de estar a mais de 120km/h (pois, tudo a sua volta e perto passa mais rápido e a análise de terreno e condições é enorme em pouco espaço de tempo), superar os terrenos difíceis e tudo isso se soma à sensação de liberdade, o contato com a natureza, as paisagens encantadoras, os lugarejos e a vida simples dos lugares simples. A lista é imensa. Acho que eu ficaria enumerando por parágrafos e mais parágrafos.

Controlar a "máquina" em terrenos acidentados e inclinados pode trazer uma "adrenalina" inacreditável. Foto: auto na Serra da Canastra (MG)  O OFF-ROAD É APAIXONANTE DSC03202 001

Controlar a “máquina” em terrenos acidentados e inclinados pode trazer uma “adrenalina” inacreditável (Foto: autor, na Serra da Canastra, MG)

Off-road estraga o carro?

A resposta é: depende. Como tudo na vida, depende. Vai depender do seu jeito de dirigir nas trilhas, do tipo de trilha que você vai fazer, do carro que você vai escolher e de uma série de outras variáveis, entre elas a experiência adquirida  — por isso mesmo, a dica é sempre começar aos poucos.

É claro que os elementos do fora-de-estrada (barro, areia, pedra etc.) trazem maior desgaste do que apenas trafegar pelo asfalto. Mas, tenha em mente que um bom veículo 4×4 para uso em aventura é projetado para esse fim e para essas condições. Portanto, fora uma manutenção preventiva mais frequente, o uso moderado e em trilhas leves pouco desgaste traz aos veículos.

Um item que muita gente considera é a conservação da pintura, da carroceria. De fato, o uso no fora-de-estrada costuma causar maior agressão à pintura, em função de andar “no meio do mato”, entre pedras e outras dificuldades. Mas costumo contar uma história de alguns anos atrás, quando eu tinha um veículo que não ia para a trilha e numa única semana um ralado num portão e um riscado fundo que apareceu na rua, o carro estacionado, o deixaram em pior estado do que o outro jipe que eu tinha e que ia para a trilha a toda hora. Então, isso também depende.

Mas o fundamental aqui é entender o conceito entre usar e aproveitar ou não usar e conservar. Resumindo: ou você usa e se diverte ou faz a opção por não aproveitar tudo o que um veículo 4×4 pode lhe proporcionar e, assim, eventualmente, conservar o carro um pouco mais.

Além disso, existem várias e várias formas de “brincar” no Off-Road. Você pode usá-lo para trilhas, passeios, viagens, expedições, ralis de regularidade e velocidade (veja ao final do texto).

Em certas situações mais extremas qualquer descuido pode, sim, trazer algum dano ao veículo. Foto: autor na Serra do Japi, na região de Jundiaí (SP)  O OFF-ROAD É APAIXONANTE DSC06479

Em certas situações mais extremas qualquer descuido pode, sim, trazer algum dano ao veículo (Foto: autor, na Serra do Japi, na região de Jundiaí, SP)

Off-road é caro?

Basicamente, não. Existem bons carros 4×4 usados para uso em trilhas a partir de pouco mais de R$ 10.000. Claro, quanto mais velho menos confiável e mais chance de gastar com manutenção. Com valores na faixa de R$ 50.000 é possível comprar ótimos veículos 4×4 usados e já se chega perto de alguns veículos seminovos. Você pode pensar em ter um veículo melhor para uso múltiplo, ou seja, o seu uso diário e mais a prática do off-road. E também há a opção de ter um segundo veículo (mais velho, mais rústico, mais simples) apenas para off-road.

Alguns exemplos (em valores aproximados e em condições normais de uso, sem acessórios que possam agregar valor):

  • Lada Niva 1,6-L gasolina ano 1991 – R$ 10.000
  • Nissan Pathfinder 3-L V-6 gasolina ano 1991 – R$ 15.000
  • Suzuki Samurai 1,3-L gasolina ano 1995 – R$ 15.000
  • Suzuki Vitara 1,6-L gasolina ano 1997 – R$ 20.000
  • Mitsubishi Pajero 2-portas 3-L V-6 gasolina ano 1998 – R$ 25.000
  • Land Rover Discovery 1 3-L V-8 gasolina ano 1997 – R$ 25.000
  • Mitsubishi Pajero TR4 2-Ll gasolina 2005 – R$ 30.000
  • Toyota Hilux SW4 3-L diesel  ano 2000 – R$ 35.000
  • Jeep Wrangler 2-portas 4-L gasolina ano 1998 – R$ 40.000
  • Land Rover Defender 90 2,5-L diesel 2-portas ano 1998 – R$ 45.000
  • Mitsubishi Pajero TR4 2-L gasolina 2011 – R$ 45.000
  • Troller T4 2,8-L diesel ano 2006 – R$ 50.000
  • Land Rover Defender 110 2,5-L diesel 4-portas ano 2001 – R$ 55.000
  • Suzuki Jimny 1,3-L gasolina ano 2015 – R$ 55.000

Em termos de manutenção, sempre vai depender muito do tipo e quantidade de trilhas que você faça e do estado e qualidade do seu veículo. Pode variar muito, mesmo.

Para um passeio simples você não gastaria muito mais do que pensar em sair para almoçar numa cidade a 100 quilômetros de sua casa, uma referência para uma ideia de valor de um passeio simples.

Um grande comboio de veículos 4x4 com diversas marcas, modelos, tamanhos e preços. Foto: São Bento do Sapucaí (SP)  O OFF-ROAD É APAIXONANTE DSC02067

Um grande comboio de veículos 4×4 com diversas marcas, modelos, tamanhos e preços (Foto: São Bento do Sapucaí, SP)

Estilo de vida

Eu — e muita gente — entende o Off-Road como um estilo de vida. O carro, na verdade, é apenas um meio. Você o usa para um outro fim e ele passa a ter mais do que a simples finalidade da locomoção diária para ir trabalhar e resolver suas coisas. No Off-Road o carro ganha “nova vida”, ele lhe leva a lugares diferentes, lhe leva a lugares passando por caminhos onde um veículo “comum” não ousaria chegar perto, ele lhe “insere” num mundo de apaixonados por 4×4. Nas trilhas mais difíceis você vai reaprender o trabalho com companheirismo e em equipe, vai assimilar que um carro de R$ 100.000 pode ser ajudado por um carro de R$ 15.000 e ninguém é melhor do que ninguém na hora da dificuldade… E por aí vai.

Esse estilo de vida passa por reunir os amigos, marcar um passeio ou viagem, escolher o roteiro com as melhores trilhas, sair em grupo, utilizar o rádio de comunicação (isso é muito comum) para que todos se falem durante o passeio, fazer novos amigos, rever velhos amigos, conhecer lugares novos, rever lugares, fotografar, filmar e colecionar histórias para contar.

Uma grande diferença do Off-Road num veículo 4×4 e numa moto é a integração entre as pessoas. No carro você pode levar mais gente (sua família e amigos, por exemplo), os carros podem ser equipados com rádios e você consegue falar com os demais integrantes durante o passeio e a trilha, você pode levar mais coisas para uma viagem (curta ou longa), para um piquenique c à beira de um lago ou no alto de uma montanha, pode desfrutar de mais conforto e, principalmente, segurança.

Durante um passeio uma parada em grupo para um pic-nic pode ser um grande momento de confraternização. Foto: autor no sertão do PIauí  O OFF-ROAD É APAIXONANTE DSC03574

Durante um passeio uma parada em grupo para um piquenique pode ser um grande momento de confraternização (Foto: autor, no sertão do Piauí)

Diferentes formas de praticar Off-Road

Com um carro 4×4 nas mãos, você pode decidir entre várias “modalidades” de atividades para praticar Off-Road, cada qual com sua diversão, seu público de adeptos, seu tipo de veículo mais apropriado e outras. E pode escolher uma, duas ou todas. Abaixo segue uma simples tabela para explicar um pouco a diferença entre essas principais modalidades (fotos ao final da matéria).

AtividadeDescriçãoTipo de VeículoAcessórios ou ModificaçõesFaixa de Custo
Passeios e Viagens CurtasA ideia é conhecer lugares novos, não muito distantes e trilhas levesQualquer veículo 4×4 equipado com reduzida em condições originaisUtilize um pneu do tipo All-TerrainMenor
TrilhasA ideia é vencer obstáculos difíceis, caminhos desafiadores e terrenos complicadosVeículos com estrutura de chassis e carroceria e eixos rígidos são desejáveis, entre- eixos curtos pode melhorar o desempenhoGuincho, cintas de reboque, pneus mud-terrain,

Suspensões reforçadas e elevadas

Média
ExpediçãoA ideia são viagens longas com grandes distâncias e muitos dias (ou meses)Veículos originais, espaçosos, com grande capacidade de carga e alta autonomia, mecânica confiável e rede de assistência na região da viagemGuincho, equipamentos de camping e sobrevivência, pneus do tipo All-Terrain,

GPS

Alto
Rali de RegularidadeCompetição onde se mede as equipes (duplas) que cumpriram as velocidades médias do roteiro com maior precisãoVeículos originais com suspensões fortes e resistentes, motores de bom desempenho e bom comportamento em baixas rotações e pequeno diâmetro de giroSistemas de navegação em ralis, pneus do tipo mud-terrain, itens de segurança adicionais (cinto de quatro pontos, por exemplo)Média
Rali de VelocidadeCompetição onde se mede as equipes que cumprem o trajeto em menor tempo, ou seja, maior velocidadeVeículo modificado com gaiola de segurança, bancos e cintos de competição, peso aliviado, suspensão reforçada e preparada para altos impactos e saltosProteções inferiores, pneus all-terrain e mud-terrain conforme o clima no diaMuito Alto

Importante: numa matéria futura vamos falar de dicas de equipamentos para a prática do Off-Road.

Conclusão

A ideia dessa matéria era mostrar um pouco do universo Off-Road. E desmistificar algumas ideias que a maioria das pessoas tem sobre o assunto. Tenha a certeza de que o off-road não deixa ninguém indiferente: ou você ama ou você odeia. A vida em aventura lhe traz a oportunidade de inúmeras histórias para contar, de experiências para viver, de amizades a fortalecer e lugares para conhecer. Não pense que apenas lugares longínquos são encantadores. Muitas pessoas ficam absolutamente surpresas com lugares que são possíveis conhecer a apenas 70 ou 80 quilômetros a partir de grandes cidades como São Paulo.

Quando me profissionalizei, um dos lemas que adotei foi “disseminar o estilo de vida off-road, com entusiasmo e alegria”. Se essa matéria lhe empolgou a pensar no assunto, me ajudou um pouco mais a seguir com essa missão e, principalmente, me deixou mais feliz.

Espero encontrar vocês em breve. Quem sabe em alguma trilha e num veículo 4×4.

Nota do AE:
Atendendo a pedidos de alguns leitores estamos estudando a organização de um passeio off-road AE organizado pelo Luís Fernando Carqueijo.  Mas precisamos avaliar a viabilidade e o interesse de um grupo maior. Caso você tenha interesse por favor responda o questionário deste link: Pesquisa Passeio Off-road. E se conhecer alguém que possa se interessar compartilhe o link. Obrigado.

Mais fotos

Atoleiros podem segurar o carro e você vai precisar de um guincho ou a ajuda de outro carro. Foto: Embú das Artes (SP)  O OFF-ROAD É APAIXONANTE DSC06424

Atoleiros podem segurar o carro e você vai precisar de um guincho ou a ajuda de outro carro (Foto em Embu das Artes, SP)

Atravessando dunas no Maranhão durante uma Expedição. As grandes viagens sempre são uma experiência fascinante. Foto: autor  O OFF-ROAD É APAIXONANTE DSC01879

Atravessando dunas no Maranhão durante uma Expedição; as grandes viagens sempre são uma experiência fascinante (Foto do autor)

Levantando poeira em Rally de Regularidade no ano de 2006. Foto: Donizeti Castilho  O OFF-ROAD É APAIXONANTE 216 Doni 4582

Levantando poeira em Rali de Regularidade no ano de 2006 (Foto: Donizeti Castilho)

Rally de Velocidade, com o Rally dos Sertões, requer veículos preparados (principalmente, em itens de segurança e estrutura) e experiência. Mas, são incomparáveis em aventura e adrenalina. Foto: Rally dos Sertões 2009 - Etapa 3  O OFF-ROAD É APAIXONANTE glauber etapa3

Ralis de Velocidade como o Rally dos Sertões requerem veículos preparados (principalmente, em itens de segurança e estrutura) e experiência. Mas são incomparáveis em aventura e adrenalina ( Foto: Rally dos Sertões 2009 – Etapa 3)

Sobre o Autor

Luís Fernando Carqueijo

Organizador de atividades fora-de-estrada desde 1998, já realizou diversos eventos e expedições pelo Brasil e pelo mundo. Atua como instrutor e organiza eventos de relacionamento, test-drive e lançamento de produtos para os principais fabricantes do mercado. Também foi responsável pela organização do I Passeio AUTOentusiastas. Já praticou aventuras fora-de-estrada em pelo menos um pedacinho dos cinco continentes do planeta e é um entusiasta da atividade fora-de-estrada como meio para conhecer, desbravar e explorar lugares distantes, inóspitos e de difícil acesso.

Publicações Relacionadas

  • Mr. Car

    Realmente, praticar off-road não combina comigo. Ficar coberto de lama, entre outros perrengues que a coisa exige, não é minha praia. Aliás, nem praia é minha praia. Prefiro uma bela piscina, de preferência com um banheiro limpinho por perto, uma área ao abrigo do sol, e uma geladeira cheinha de cervejas ao meu alcance. Faço mais o tipo intelectual, com óculos e tudo, como na música dos Paralamas do Sucesso, he, he! Mas por força das circunstâncias (fui incumbido de vender um Toyota Bandeirante de uns primos), fiquei com o carro por uns tempos, e frequentei alguns encontros de “jipeiros”. Nestes encontros, pude sentir o entusiasmo, a animação, e a camaradagem desta gente, os trilheiros. E também adorei o jipão, o barulho e a tremedeira do motor diesel, o respeito que impunha no trânsito, o jeitão bruto e espartano do bicho…de mais sofisticado, só tinha os bancos de couro e a direção hidráulica. O resultado desta experiência é que me tornei fã deste carro, e hoje tenho vontade de ter um, mesmo que seja para usar em caminhos bastante civilizados como usei, como as ruas de Brasília. Taí, gostei da brincadeira!
    Para pensar: “Mil probabilidades, não fazem uma certeza”. (Provérbio italiano)
    Para ouvir, já que falei neles:
    https://www.youtube.com/watch?v=zlT0ZGBmFCg
    PS: eu estava no meio desta multidão, com só 21 aninhos nas costas. Saudade, saudade, saudade!

    • Mr. Car,
      na questão da praia somos dois. E olhe que nasci e vivi até os 35 em cidade litorânea, o Rio!

      • Mr. Car

        Bob, eu moro a dois quarteirões da praia. Não piso na areia há pelo menos uns 30 anos. E quando pisava, não era pela praia em si, para torrar feito um jacaré sob o sol, mas para bater uma bolinha com uns amigos, he, he!

    • Eu gosto de várias praias!

  • Matheus Ulisses P.

    Suas matérias são demais, Carqueijo!
    Muito bom ver o AE engajado também com o off-road!
    Na minha atual condição de estudante, não posso me dar ao luxo de possuir um 4×4 pra brincar, mas em breve terei. Se Deus quiser!

    • Matheus, obrigado por sua mensagem. Fico feliz que você goste e acompanhe. Quando eu era estudante também não era possível. Mas, o tempo passa e aos poucos a gente vai conquistando as coisas. Então, quando chegar a hora de ter o seu 4×4 na garagem, não deixe de avisar.

  • Ontem, visitei a Suspentécnica, para fazer alinhamento e balanceamento do meu carro (aliás, obrigado #AE, pela dica!). Enquanto estava aguardando, chega um rapaz com um Wrangler, “mais sujo que pau de galinheiro”… Pneus enormes, mud-terrain (acabei de aprender aí em cima, Luís!). Fiquei olhando aquele carro e pensando que, se ele estivesse limpo, não estaria tão lindo… E pensei, cá com meus botões: qualquer hora, ainda arrumo um troço desses e “me embrenho nessas matas, desse Brasilzão de Meu Deus”…

    • CorsarioViajante

      Suspentécnica é excelente mesmo né? É muito caro para carros “normais”?

    • Ricardo, vocês descreveu exatamente como um belo jipe fica mais bonito: sujo… E apenas porque é dessa forma que ele demonstra para o que serve e a diversão que proporcionou. É um ganho de imagem. E fica longe de ser um carro sujo… rsrs… Quando arrumar o “troço”, por favor, não deixa de avisar. Segue foto minha e do meu Wrangler pequeno na Praia de Castelhanos em Ilhabela, caminho adequado apenas para um veículo 4×4.

  • Mineirim

    LFC,
    Admiro muito essa paixão por off-road. Confesso que prefiro asfalto, mas, em mais de 40 anos de direção, já pratiquei off-road involuntário… rsrs
    Em janeiro, por exemplo, fui a uma propriedade rural em Baependi, MG. Sabia que tinha estrada de terra. Só que não me avisaram que eram 25 km, com os últimos 5 km, na verdade, estrada de carroça! Tomei muito cuidado nos facões e nos barrancos. Fui e voltei bem, com meu Focus chegando inteiro em São Paulo.
    Em resumo: essa situação não serve nem pra aperitivo perto do que você experimenta.
    Abraço

    • Mineirim, fico grato por sua mensagem e fico feliz que você esteja acompanhando as matérias. Se eu tivesse um Focus morreria de pena de ter passado isso com ele. Já, num 4×4 qualquer seria pura diversão… rsrs. Hoje em dia, nas poucas vezes que tenho que andar na terra em carros de passeio comuns, me sinto um verdadeiro “Zé Mané”, pois, a todo momento me parece que ele vai bater por baixo (e em algumas bate mesmo), qualquer subida me dá a impressão de que ele não vai conseguir vencer (e às vezes ele não vence na primeira mesmo). Então, para o Off-Road poder ser divertido você tem que estar com o carro ADEQUADO mesmo. E o termo adequado aqui não se aplica à tôa. Muitas vezes, um carro de passeio será capaz de passar por várias situações no fora-de-estrada, mas nunca será o carro adequado para isso. E quando a gente pensa em “diversão” e “aproveitar”, nada melhor do que estar com o equipamento certo. Se um dia der vontade de ter um 4×4, me avisa.

  • Lemming®

    Muito legal! Como se sai o Freelander 2 naquela estradinha para o sítio na roça? (se tiver como responder…).

    • Lemming, o Freelander 2 é um ótimo veículo para uso em off-road leve. Principalmente, pela altura do solo que não é das maiores. Mas, na capacidade de tração, devido à disponibilidade de recursos avançados, ele é bem capaz. Resumindo, divirta-se bastante com ele.

      • Lemming®

        Grato pela resposta. Gosto muito do desenho do Freelander 2 e por enquanto só na prospecção…rsrs

  • Fórmula Finesse

    Eu gostava bastante, mas em duas rodas:

    • Muito legal isso!!!! Aventura sempre é bacana!
      Parou?

      • Fórmula Finesse

        Sim, meu caro! Tive um grande acidente que tirou-me das trilhas…o casamento!! – rsrsrsrsrs
        Na verdade eu sempre tive alguma dificuldade em dominar a aderência do pneu dianteiro das motos nas trilhas; nossa região é muito encardida e a galera nunca dá refresco em subidas e descidas – eu não tinha a paixão necessária para enfrentar longas jornadas dentro do mato escaldante, escalando sulcos embarrados em inclinações absurdas – os tombos eram sempre doídos e não dava para torcer o cabo como se não existisse amanhã sob o risco de acertar aquela planta que está onde você não quer. Eu até me diverti, mas não tinha habilidade para lidar com motos fortes como as especiais dois tempos…quando abandonei essas motos, passei a andar de trail pelas estradas rurais, que é bem mais divertido pela diversidade de paisagens e pelo fato de tu teres um extrato de modo de pilotar mais diversificado. Atualmente – na verdade há muito tempo – estou curtindo as bicicletas pelo desafio físico e mental que elas propõem….(desafios de longa distância etc)

        • Realmente o casamento nos acalma um pouco se a companheira não é aventureira. Pelo visto você respeitou bem seus limites e encontrou outras maneiras de satisfação. O bom é não ficar paradão!

    • Finesse, foi em duas rodas que comecei também… acabei me apaixonando ainda mais andando nos 4×4, basicamente, pelo motivo de que para o jipe tudo é mais difícil, mais complicado. A velocidade da moto é empolgante também. Recentemente, juntei um pouco disso tudo andando de UTV, que está virando outra paixão também.

  • Leonardo Gomes Cardoso

    Ótimo texto….eu passei pelo mesmo “problema”. Mesmo sendo criança de cidade grande, via os jipeiros/jipes passarem sujos e ficava enlouquecido com aquilo. Depois de adulto, meu primeiro carro foi um JPX que inicialmente foi meu único carro e hoje é usado só em trilhas (mesmo não fazendo-as com frequência)…..e a botar um carro na trilha é exatamente como vc disse: Como se estivessemos brincando com nossos carrinhos de brinquedo.

  • Caros leitores, quem tiver um carro 4X4, ou amigo que tenha, e se interessar por um possível passeio 4X4 do AE coordenado pelo Luis Fernando, por favor responda o questionário do link: https://pt.surveymonkey.com/r/2WGYFT5
    Obrigado

  • Luis, olha o meu!

  • Eu adoro carro baixo e com pegada esportiva. Mas sempre me pego pensando que a perda é não poder descobrir e desbravar trilhas por aí. Não me vejo andando de suve pra lá e pra cá, mas adoro a capacidade off-road de algumas delas.

  • Mr. Car

    Carqueijo, já andei vendo os Jeeps do Barone em encontros de carros antigos. Ainda sobre Paralamas: um dia destes recebi uma foto de um primo que mora em Boston, ao lado do Herbert Vianna. Fiquei sabendo então que foram vizinhos de porta em Brasília quando moleques, e brincavam juntos. A banda foi fazer um show em Boston, meu primo o procurou nos camarins após o show, e tiraram a foto, he, he! De resto, é isto mesmo: não preciso fazer trilhas pesadas. Posso usar meu Bandeirante para ir até as muitas cachoeiras na região de Pirenópolis (GO), por exemplo, um lugarzinho que eu adoro. Cidadezinha histórica, rota de tropeiros no passado, e ponto turístico hoje, com sua arquitetura colonial, as cachoeiras, a comida típica, artesanato, barzinhos com shows ao vivo…Estive lá em Dezembro, com este primo de Boston e o irmão dele, vimos um ótimo cover da Legião Urbana e… tomamos um porre daqueles históricos! Estes primos são como irmãos meus, e é difícil estarmos os três juntos. Não deu para deixar passar este encontro sem mamar muita cerveja e caipirinha, he, he!
    Abraço.

  • H_Oliveira

    Sou bem cético quanto a MUITAS coisas, mas com relação à vida em geral, acredito que ela acaba nos encaminhando ao nosso “destino”.

    Quem curte carros e não curte um bom 4×4 em um off-road, precisa rever os conceitos. Eu prefiro o asfalto, mas não há como negar que o off-road é legal demais! Já comentei sobre o meu sonho de ter um Defender, mas na verdade, poderia ser até um Niva. Um dia resolvo isso! kkk

    Sobre a minha experiência com off-road, vou tentar resumir uma história que podia ir até para o Histórias dos Leitores: No carnaval de 2013 resolvi ir a São Paulo ver a exposição 45 anos de Design Italiano, no Museu da Casa Brasileira. De lá iria VER se conseguia esticar até Santa Catarina para conhecer a Serra do Rio do Rastro. Cheguei em São Paulo de manha, fui à exposição, sai de São Paulo próximo do horário do almoço, mas não me preparei direito: A Serra do Rio do Rastro é próxima da cidade de Bom Jardim da Serra, mas somente quando eu passei por Curitiba, já anoitecendo, é que eu fui pesquisar no GPS para ONDE EU ESTAVA INDO! Achei uma cidade com nome parecido e assumi que era onde eu queria chegar: JARAGUÁ DO SUL. Além de ir para o lugar errado, como eu não pesquisei direito e estava confiando totalmente no GPS, ele calculou o caminho mais curto e me mandou para um monte de estradas de terra na divisa entre PR e SC. Isso tudo à noite, com chuva (fraca, mas chuva) e pilotando UM CELTA! Prova de que Deus existe é o fato de eu ter chegado em Jaraguá do Sul, com o Celta com meio quilo de barro, mas inteiro! Fui para um hotel, descobri que Jaraguá do Sul é BEM DISTANTE de Bom Jardim da Serra e decidi voltar para casa, mas como consolação, no caminho de volta resolvi descer a Serra da Graciosa até Morretes. Apesar de toda a maluquice foi de longe o Carnaval mais legal que já passei, já que eu não sou muito fã da festa!

    • H_Oliveira,
      às vezes os programas imprevistos são os melhores! E você acabou descendo a Graciosa, que é um show em si mesma!

      • H_Oliveira

        Com certeza Bob. As vezes planejar demais acaba estragando a aventura! O único problema é que até hoje não fui até a Serra do Rio do Rastro. Está na lista.

    • H_Oliveira, obrigado por sua mensagem e pelo relato, muito engraçado e interessante. Começo fazendo um “comentário” a todos: não confiem “cegamente” nas informações de GPS. Eles são ótimos, mas sempre é importante checar o itinerário traçado. Um simples “erro” na composição do mapa, por exemplo, faz o GPS desviar de uma rodovia para uma vicinal de forma totalmente estranha. E não estou me referindo ao fato de você ter escolhido a cidade errada, mas ao caminho que ele sugeriu até Jaraguá do Sul. Embora a Graciosa seja, com o Bob e você descreveram, maravilhosa, não deixe de ir conhecer (se ainda não foi) a Serra do Rio do Rastro. E, se estiver de 4×4, some a esse roteiro a Serra do Corvo Branco, a ligação entre São Joaquim e São José dos Ausentes (RS) e no caminho a Serra da Rocinha. Essa região de cânions e montanhas do Brasil é, simplesmente, maravilhosa de conhecer. E quando você “resolver” a questão do 4×4, não deixe de avisar. Segue foto da região de São José dos Ausentes. O “tapete” branco são as nuvens fechando o cânion e criando um visual de tirar o fôlego.

      • Boas dicas, LFC.
        O GPS já me pregou algumas peças, por isso sempre fico esperto e checo o mapa antes de sair de casa
        No fim de 2014, eu e meus pais fomos conhecer a região dos cânions no RS, passando antes pela Serra do Rio do Rastro, a bordo de uma humilde, mas valente Ecosport 2005.
        A intenção era passar pela Serra da Rocinha, mas seguindo as dicas de alguns conhecidos resolvemos deixar para depois.
        Foi uma viagem e tanto, muitas paisagens espetaculares.

  • Muito legal!!!!!

  • Daniel, bela comparação entre a Ranger e a F-1000 4×4. Está bem correto. A distribuição de peso com maior proporção na frente é “terrível” para o off-road, principalmente, em travessia de atoleiros e lama pesada, pois, tende a fazer o veículo atolar “embicado”. E aí, meu amigo, isso dá “muito” trabalho para resgatar… rsrs. E quando voltar ao mundo do 4×4 nos avise.

    • Daniel S. de Araujo

      LFC, já que tocou no assunto “embicar”…esse foi um dos locais mais traiçoeiros que estive. Era uma antiga plantação de arroz (soube depois), transformada em pastagem. Só que a braquiária cobria tudo, inclusive os antigos canais de água e acabei “descobrindo” um.

      Só saiu arrastada por um Valmet 118 4×4. Um Massey 290 junto com um Valmet 685 juntos, ambos 4×2, não deram conta de arrastar

  • Victor, de fato, os comboios longos e que reúnam mais do que 15 carros sempre tendem a ser mais morosos, principalmente, quando temos obstáculos mais travados e, portanto, lentos de vencer. Naquela foto, no entanto, o evento era de comemoração, com foco ambiental e social e reunir muitos carros era um dos objetivos. Mas, como tudo na vida, sempre temos vantagens e desvantagens. O final desse evento era uma Festa Junina dentro do Horto Florestal em Campos do Jordão, em confraternização com os funcionários do parque. E com tanta gente assim essa festa ficou pra lá de bacana. Obrigado pela mensagem.

  • Léo Dalzochio

    Minha pequena contribuição. Moro no meio do mato, na serra gaúcha, trabalho na área madeireira, então esse “esporte” para mim é quase uma necessidade diária. Esse Explorer 4×4 2,5 diesel vendi ano passado. Um entusiasta do off-road veio buscá-lo de Piumhi-MG e voltou rodando. Hoje estou me virando com um ML 320 ano 99. Pouco curso de suspensão, mas muito robusto, sólido, e a eletrônica se vira muito bem nas situações críticas.

    • Léo, vou aproveitar o “gancho” do seu comentário sobre o fato de o Off-Road ser “quase” uma necessidade para o seu trabalho para citar que, sim, essa é também uma grande realidade. Ainda mais num país como o nosso, já que não temos nem 15% das estradas com pavimentação. E sobre o ML você citou bem o que a eletrônica e tecnologia embarcada consegue fazer para resolver “certas” deficiências.

  • Robson Carvalho,
    não tem como renomear.

  • Lucas

    Já que estão falando aqui de aventura e de meter o pé na lama, certa vez precisei ir a uma cidade próxima a minha e cujo trajeto que escolhi, pra encurtar caminho, metade dele envolvia estrada de terra. O detalhe é que fui justamente numa época em que já chovia fazia uma semana praticamente sem parar. Na época eu tinha um Fusca, e me atirava dentro de cada poça d’água que achava pelo caminho. Podia tá lá na do outro lado que eu ia nela, só pra ver aquela lama voando no para-brisa. Pura diversão! Ao final, quando voltei pra casa, parei o Fusca na calçada em frente a garagem e comecei a tirar o barro preso nele. Depois, o barro da calçada tive que tirar de pá! A foto abaixo mostra como cheguei em casa. Grande dia! Saudades desse Fusca.

  • Felipe Lima

    LFC, bela coluna, rica em conhecimento e entusiasmo!

    Eu sempre achei 4×4 um hobby caro. Mas lendo essa sua coluna, percebo que ele chega a ser acessível pra maioria das pessoas (considerando os preços dos usados). É um sonho distante que agora fica mais perto, não sei. Bateu uma vontade de andar no meio do mato…rs

  • H_Oliveira

    Valeu Victor! Quando eu for por esses lados vou levar todas essas dicas em consideração.

  • Ricardo kobus

    Ótimo texto, gosto muito da diversidade de assuntos aqui no AE, e você está aqui agregando mais qualidade ao site, parabéns.