A eterna rivalidade entre otimistas e pessimistas sobre o que ocorrerá este ano com o mercado interno de veículos atingiu seu ápice nas últimas semanas. Stefan Ketter, presidente da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) para a América Latina e principal executivo do grupo no Brasil, primeiro a se manifestar a uma pergunta direta deste colunista, não fez previsões diferentes da Anfavea, que ainda acredita em um segundo semestre de reação e um resultado final de menos 7,5% (2016 x 2015) ou algo em torno de 2,38 milhões de veículos leves e pesados

Ele acrescentou: “O brasileiro é extremamente crítico quando fala de si, o que não faz sentido. É preciso acreditar mais no seu talento, acreditar mais em nosso povo.” Uma posição surpreendente talvez porque a Fiat, líder de mercado, tenha dois produtos novos este ano (picape Toro já lançada e subcompacto Mobi no próximo mês). A outra marca da FCA, Jeep, também vai bem com uma fábrica inteiramente nova em Pernambuco.

Quatro dias depois, Dan Ammann, presidente mundial da GM, veio ao Brasil e manifestou enorme preocupação com os rumos da economia e política brasileiras. “Teremos que reavaliar os investimentos de R$ 6,5 bilhões no Brasil, se a situação não se alterar até meados de 2017”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo. Acrescentou que o país não é competitivo de um modo geral, inclusive para exportar automóveis, nem que o dólar suba para R$ 4,50. Ele prevê que este ano se vendam no máximo dois milhões de unidades, um recuo expressivo de 22% que se juntando aos 27% de 2015 contra 2014, chega a 55%.

O presidente da Volkswagen do Brasil, David Powels, dois dias depois da Ammann, reconheceu plenamente as dificuldades da indústria automobilística, mas não falou em diminuição de investimentos e adiamento de planos. Centrou-se na marca, que sofre desgaste de imagem com os problemas dos motores diesel, e preferiu falar sobre os esforços para aumentar produtividade e qualidade nas suas quatro fábricas com muito treinamento. “Continuaremos a incrementar nossas exportações”, acrescentou.

Passaram-se mais quatro dias e o presidente da JAC Motors, Sérgio Habib, considerado mestre das estatísticas, comparou o que acontece hoje no Brasil com outros países que tiveram quedas bastante expressivas nos anos recentes: EUA, Espanha, Itália e Portugal. “Nada indica que somos diferentes dos outros. Este ano teremos nova queda superior a 20% e será difícil chegar a dois milhões de veículos vendidos (incluídos os pesados). Regredimos para o ano de 2006”. Quanto ao futuro foi ainda mais ácido: só entre 2022 e 2023 voltaremos ao patamar já atingido em 2013.

O balanço entre as afirmações de quatro executivos tendem nitidamente para um tempo de suor e lágrimas. Desemprego em alta, inflação fora da meta e desajustes fiscais de fato desanimam. William Ward, teólogo católico inglês (1812-1882), cunhou a frase: “O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.” O grande problema do Brasil é saber como e quem vai ajustar as velas. Se os políticos deixarem.

 

RODA VIVA

 

Entre os quatro produtos de uma nova arquitetura de compactos até 2018, tudo indica a transformação do Fox num crossover para atender o mercado de SUVs compactos em que a VW está ausente (CrossFox é paliativo). Mudanças devem ser mais profundas que no Honda WR-V, na realidade uma evolução no Fit Twist com a tradicional criatividade brasileira.

JAC T5 é um SUV compacto que demonstra a evolução chinesa principalmente em relação ao estilo em parceria com casas italianas de desenho. Interior muito espaçoso, boa posição ao volante e porta-malas grande (600 litros, mas aqui há exagero no método de medição). Suspensão passa sensação de firmeza e segurança, apesar da altura típica desses modelos.

MOTOR de 1,5 L/127 cv (etanol) do T5 junta-se a câmbio manual de seis marchas para reduzir consumo (automático CVT disponível em agosto). Lista de equipamentos do T5 é generosa. Sistema multimídia com tela de 8 pol. (só encontrável em veículos de maior porte) permite espelhar telefones Android e aplicativo Waze. Preços são bem competitivos: R$ 59.990 a R$ 68.990.

SEGUNDO o Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) a chave de ignição presencial, entre outras vantagens práticas como acionar o veículo sem necessidade de inserir a chave no painel ou coluna de direção, tem características adicionais interessantes. Ela dificulta a localização de antenas de curto alcance e equipamentos usados em furtos de automóveis.

SITE especializado em cotações de preços de seguros para automóveis – www.comparaonline.com.br/seguroauto – é boa ferramenta para quem quer economizar. Não inclui a totalidade das seguradoras, mas permite pesquisas abrangentes, em especial pelo valor da franquia, coberturas, benefícios e formas de pagamento. Tudo grátis, porém, pede dados pessoais.

FC

fernando@calmon.jor.br
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Sobre o Autor

Fernando Calmon
Coluna: Alta Roda

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  • Christian Bernert

    Acho que vai faltar vela.

  • Vabis

    Do jeito que está, o melhor é não comprar nada, mas aí é que a economia do país vai para o beleléu. Mas com o alto preço das mercadorias, inclusive carros, está cada vez mais difícil colaborar com o sistema. A solução seria baixar os impostos, mas a sede dos políticos é tanta que só farão isso quando tudo estiver acabado. Poxa, somos também um dos poucos países a pagar impostos sobre medicamentos, tudo isso por causa da roubalheira, que sempre existiu e que continua a passos largos.
    Pior é o perigo de ocorrer uma rebentona como a revolução comunista de 1917 na Rússia. E o motivo foi semelhante ao que passamos no momento. Muito para poucos (políticos) e pouco para o resto (povo).

  • Lemming®

    “O brasileiro é extremamente crítico quando fala de si, o que não faz
    sentido. É preciso acreditar mais no seu talento, acreditar mais em
    nosso povo.”
    Muito pelo contrário. O brasileiro acreditou até demais…
    Se realmente tivesse o mínimo de senso e crítica não teria caído na conversa fiada do crédito farto (a conta chegou), se tivesse senso não teria caído no “Minha casa, minha divida.” (que explodiu o preço de qualquer barraco), se tivesse senso não teria caído na conversa fiada de uma campanha que prometia o céu e agora entrega o inferno.
    E desde quando brasileiro sabe ajustar alguma vela? Afinal…nem de marola entende…

    • CorsarioViajante

      Também achei esta declaração com um gostinho de “fazer o jogo do contente”. Sempre que a bomba explode apelam para patriotismo, orgulho, etc etc. Não sei se foi a intenção, acho que não, mas ficou com cara de propaganda do governo. Pegou mal.

  • Daniel S. de Araujo

    As velas já estão sendo ajustadas: No momento que a mão grande do Governo deixou de atuar e abaixar artificialmente os juros ao consumidor, oferecer crédito indiscriminado (gerando inadimplência e…consequente alta de juros!) e os incentivos de IPI.

    Se o Governo quiser incentivar a indústria, a melhor coisa é não atrapalhar: Deixem Sindicatos e Fabricantes se acertarem nos problemas trabalhistas, coloque um preço realista na gasolina e no diesel, sem ficar vinculado ao álcool e desburocratize a propriedade de veículos, eliminando as absurdas taxas (R$1 mil para fazer o documento de um carro zero??????).

    Qualquer coisa fora disso é aquilo que o pessoal chama de “vôo de galinha”: Começa com ímpeto mas cai logo. E é isso que os executivos e ANFAVEA reclamam e fingem não ver.

    • CorsarioViajante

      Além disso, o próximo governo vai precisar resolver o nó tributário deste país, seja simplificando (o ICMS e a substituição tributária são um caos por exemplo), seja unificando num só imposto impostos como PIS e COFINS, seja mesmo extinguindo permamente um dinossauro como o IPI, mas principalmente repensando a tributação e parando de tributar na hora da produção, na hora do consumo e na hora de receber o pagamento. Não dá para usar dinheiro que foi tributado na fonte para comprar um produto que foi tributado na fábrica e que vai ser tributado de novo na hora da venda. Não à toa, tudo custa caro, o consumo fica reprimido, o PIB despenca e a arrecadação… Cai.
      Isso não é uma crítica só ao governo federal, vide o governo Estadual de SP que não libera mais os créditos da NF Paulista, além de diminuírem expressivamente a alíquota de cálcula.

  • CorsarioViajante

    A meu ver quem falou a verdade aí foi a GM: o Brasil é um dinossauro, e só o dólar alto não vai resolver tudo. Ir embora dificilmente alguém vai, mas vamos voltar umas décadas no tempo, quando um carro ficava vinte anos em linha só mudando um farol, motores ficavam quarenta anos, e tudo isso por um preço inacessível para os consumidores.
    Sobre o Fox virar Crossover, mais um sinal que a “nova VW” vai rasgar a engenharia e adotar o marketing como guru.

    • Cris Dorneles

      Que engenharia? O Crossfox já é puro marketinhg.

  • marcus lahoz

    Como fornecedor de equipamentos mas expansão de linha montagem posso dizer: colocaram o pé no freio totalmente. Seja fabricante de automóvel ou de qualquer outro veículo. Inadimplência em alta e investimentos em baixa. A Fiat esta a mais otimista e tem razão para estar, a Toro tem até fila de espera e o Renegade vende igual pão quente. Agora os outros é só choradeira.

  • Alexandre Garcia

    A posição de ser otimista ou pessimista tem tudo a ver com os entes que se posicionam:
    A Fiat, que ao invés de se render covardemente e acabar vendida como submarca a alguém, de forma corajosa revive marcas póstumas, traz de volta coisas que entusiastas amam e vai à luta. Num momento difícil, compra uma operação enorme à beira da falência como a Chrysler e ao invés de ficar chorando dificuldades, faz acontecer, reconhece o peso que o Brasil sempre teve em seus resultados e nos brinda com uma moderna fábrica onde produz veículos padrão MUNDO, que podemos consumir aqui e podem ser exportados para mercados maduros e exigentes. Não perde o senso de nossa realidade enquanto continua fabricando carros populares, simples e baratos, mas definitivamente honestos.
    Já a GM, bom, mesmo sem querer descer a lenha, é difícil…trazem Camaro sem que possamos escolher qual versão realmente queremos, nem todas as cores chegam aqui, Corvette a despeito dos diversos importados independentemente da importação oficial que não existe, nem cogitam trazer e o resto da linha, só carros requentados com motores bem obsoletos que nem sei como ainda conseguem ser sucesso de vendas…triste isso. Acho que devem mesmo pegar essa grana e ver se se cuidam para não passar mais apertos lá na matriz, da próxima vez pode ser que a Fiat compre eles em concordata de novo.

  • CorsarioViajante

    Essa nova postura da VW parece que é mundial.
    Quanto à Dilma renunciar, pode esquecer. Preferem acabar com o Brasil e salvar o PT do que o contrário. A menos que, em vista do racha no partido, chegue uma hora em que a única salvação dela seja apontar o dedo para os dois grandes mandantes do partido: o “Brahma” e o “Zé”…

  • CorsarioViajante

    Boas palavras e boa análise, João. Tomara.

  • CorsarioViajante

    Exato! O problema não é só “do PT” mas de um modelo cultural de governar.

  • Ricardo kobus

    Aqui em SC só veículos fabricados antes de 1984 são isentos de IPVA, e também motos com cilindrada abaixo de 200 cm³, desde que não tenham multas no período de 1 ano.

  • Lemming®

    Não por isso. Eu reforcei porque sabemos como é atualizadíssima a linha de produtos desta fabricante por aqui….hehe

  • Lucas5ilva

    Ajustar velas? Em um barco “fazendo água” como o Brasil?? Temos é que primeiro consertar os rombos no casco, o rombo da política populista, da legislação tributária irracional e draconiana, fazer ajuste de velas em barco afundando é placebo, é autoengano!!