A Toyota decidiu assumir o controle total da Daihatsu, empresa da qual já possuía 51% das ações desde 1988. O acordo será totalmente efetivo a partir de 1º de agosto de 2016.

O objetivo é que o time da Daihatsu desenvolva todos os carros pequenos, trabalho que é a especialidade da empresa. No Brasil, já tivemos a importação de alguns modelos da marca, independente da Toyota. Modelos como o fora de estrada Feroza, o jipe urbano Terios e o Charade hatch e sedã já venderam por aqui, e hoje são quase desconhecidos dos não-iniciados.

Desde 1951 a Daihatsu constrói carros de tamanho pequeno, e continuará agora mais forte dentro do grupo Toyota. Haverá a continuação da marca, e uso das instalações de concessionários Daihatsu também pela Toyota, que irá dividir tecnologias que domina, com a Daihatsu.

De acordo com as informações fornecidas pelas empresas, as tecnologias e especialidades de cada uma serão compartilhadas, com o empacotamento de componentes (packaging) feito de forma eficiente — ocupando pouco espaço — sendo responsabilidade da Daihatsu, bem como a miniaturização de peças e eficiência de consumo de combustível, tudo isso levando muito em consideração o baixo custo. Já a Toyota ira comandar a parte ambiental, segurança, experiência do cliente e conforto.

Com todo o plano funcionando, ambas marcas deverão ter ainda maior valor de imagem e de produtos, e mais força para desenvolver novas tecnologias que consumirão muitos recursos financeiros de todos os fabricantes que sobreviverem.

Akio Toyoda e Masanori Mitsui, presidentes da Toyota e Daihatsu, declararam que focar nas competências principais de cada fabricante irá permiti-los crescer de forma segura nos próximos 100 anos das empresas.

Esperamos que os frutos positivos do acordo cheguem em breve ao Brasil.

JJ

 

Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

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  • Diogo

    Lembro também do Daihatsu Cuore. O Terios ainda sobrevive na China como um tal de Zotye T200, era um jipinho tão bem bolado que ainda hoje parece atual.

  • Silvio

    os Kei cars são muito interessantes, infelizmente acho que nunca “colariam” no mercado HueBR.

    Alguns são espetacularmente lindos e atraentes, como o Honda S660. Dia desses assistindo Karate Kid 2, aparecia um S800. Carrinho bem interessante.

    • Ilbirs

      Apenas o que sugeri foi que as soluções da Daihatsu para kei jidoshas são mais transferíveis para carros normais do que as soluções que os keis da Honda apresentam, que no máximo são transferíveis para um Fit ou City por estes serem construtivamente análogos à família N (tração dianteira, tanque embaixo dos bancos dianteiros e eixo de torção com travessa recuada). Como a Daihatsu conseguiu soluções no nível daquelas de um Fit ou Honda da linha N com o tanque em posição convencional (embaixo do banco traseiro), elas seriam mais facilmente transferíveis aos outros carros da Toyota. Imagine um Corolla ou um Etios com esse tipo de rebatimento de banco traseiro e já dá para imaginar o quão mais interessantes ficariam esses carros, que hoje estão mais para eletrodomésticos sobre rodas. Pense também em um Camry tendo esse grau de versatilidade, isso para não falar de RAV4 e outros modelos com forma mais utilitária.
      Outra especulação possível para a Daihatsu surge com o anúncio do fim da Scion na América do Norte. Daihatsus já foram vendidos oficialmente nos Estados Unidos e essa marca está mais fixada na mente dos americanos do que a Scion. Poderia aqui ser o que também apelidei de “Daciahatsu”, mas com a diferença de poder ir além de carros mais baratos que os Toyotas e se tornar também uma marca que abriga algumas propostas diferentes, como o Copen que tanto faz quem não mora no arquipélago ficar com vontade de ter um. Não seria muito diferente da Scion em si, uma vez que esta também começou sua vida com modelos originalmente JDM da Toyota com o volante mudado para a esquerda.