Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas PRESSA INIMIGA DA PERFEIÇÃO – Autoentusiastas

No primeiro mês de 2016 as notícias sobre o mercado são piores do que se esperava. A queda de quase 40% sobre janeiro de 2015 fez recuar as 153.000 unidades vendidas a números de nove anos trás. Explicações são várias: antecipação de compras para aproveitar oportunidades, utilização do 13º salário aumentou o valor da entrada e assim para pagar menos juros, além de disputa entre os fabricantes no fechamento do exercício anual com novos bônus e descontos extras.

Fenabrave, associação nacional das concessionárias, lembrou que em janeiro de 2015 ainda havia automóveis faturados com IPI reduzido. “Os resultados de janeiro não devem ser balizadores para as projeções de 2016. Mês é atípico historicamente e carrega aspectos negativos que não se repetem ao longo do ano.”

Bem, esses são argumentos tangíveis, juntamente com a falta de confiança dos compradores e as crises política e econômica. Mas o que preocupa de verdade são fatores intangíveis. A região da grande São Paulo responde por cerca de 22% das vendas de todo o País. Proprietários de carros estão apavorados em guiar na maior cidade do Brasil. Existe um cerco e uma atribuição de culpa do automóvel completamente irracional e estressante que vão desde criação de faixas de ônibus à direita sem critérios (diferente dos poucos e racionais corredores à esquerda) ou ciclovias que levam do nada a lugar nenhum sempre em detrimentos de faixas de circulação de veículos ou de estacionamento. Há outros:

  • Companhia de Engenharia de Tráfego antecipou para outubro de 2015, com óbvio viés político, a estatística apontando a velocidade média menor na cidade ter diminuído as mortes nos trânsito em 30,7%. Só que o consumo de combustível caiu em 15% e, portanto, retirou carros das ruas.
  • São Paulo não é Manhattan, em Nova York, onde as pessoas fervilham em torno dos carros e a velocidade foi reduzida para 40 km/h em parte da cidade. Ciclovias lá são pouco usadas.
  • Prefeitura instalou contadores de bicicleta na mais segura e racional ciclovia da cidade. Nas inúteis, nem pensar.
  • Faixas de ônibus à direita em São Paulo têm sinalização do solo entrecortada por onde carros podem sair à direita ou acessar essas as vias em grande parte improvisadas ou inúteis em custo-benefício na fluidez geral do trânsito. E há inúmeras saídas de garagens, estacionamentos e comércios no meio da quadra que sujeitam o motorista a multa máxima de sete pontos (antes de cinco pontos). Essas faixas de ônibus entrecortadas estão se apagando e não são repintadas, além de haver em muitas delas horários em que os carros podem circular, mais para confundir do que ajudar.
  • Vias de 50 km/h são de repente diminuídas para 40 km com apenas uma placa e um radar 20 metros depois.

Em São Paulo há algumas frases educativas em uns poucos painéis de avisos de trânsito. Uma delas muda o conhecido dito popular “pressa é inimiga da perfeição” por “pressa é inimiga da direção”. Se for só frase de efeito, melhor “pressa é inimiga da inteligente ação”.

Se possuir carro quase se tornou crime na maior cidade do País por que o motorista vai trocar por um modelo novo ou pouco usado, mais seguro e menos poluidor?

 

RODA VIVA

 

FONTES desta coluna indicaram atraso do terceiro produto da fábrica FCA, em Goiana (PE). O projeto Jeep 551 será um SUV com base na picape Fiat Toro. Produção pode começar só em 2017, de acordo com recente declaração de Sergio Marchionne, presidente mundial da FCA, sem citar diretamente o adiamento ao falar sobre planos no Brasil.

JETTA é primeiro carro não premium parcialmente montado no Brasil (versão intermediária, 60% das vendas, sai de São Bernardo do Campo) em que todos têm motor turbo de 1,4 L ou 2 litros. Pelo elevado torque de 25,5 kgfm a partir de apenas 1.500 rpm, o motor menor anda mais e bebe menos que o 2-litros aspirado anterior. Ainda não é flex pela arquitetura diferente da do Golf.

SEGUNDA geração do Audi Q7, além de mais sofisticada e 325 kg a menos de massa, lança novos recursos de segurança e conforto. Acionamento da terceira fileira de banco para dois passageiros (opcional) é elétrico. Parte de R$ 399.990 e chega a R$ 489.490. Esterçamento das rodas traseiras ajuda em baixa velocidade, nas mudanças de direção e em curvas ao se andar mais rápido.

BOM SINAL: Cesvi indica crescimento de 22,3%, em 2015 sobre 2014, do sistema de controle de estabilidade (ESC, em inglês), de série, em modelos de veículos leves no Brasil, nacionais e importados (no caso estes são maioria). Análise é qualitativa não quantitativa: carros mais baratos, aplicação bem menor.

ENTRE os cuidados na compra de carros usados está o histórico legal sobre adulterações de chassi, alertas de roubo, alienações, multas e débitos, participações do veículo em leilões e também no caso de sinistros com perda total (no jargão, PT). No site www.boavistaservicos.com.br/servicos/certocar informações podem ser obtidas por R$ 19,00. Há versão mobile também.

FC

fernando@calmon.jor.br
A coluna “Alta roda” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
  • Fernando

    Argumentos diretos e verdadeiros, mereciam estar em um banner na frente da prefeitura de SP.

  • Roberto Neves

    Bom dia, Fernando. Estranhei esta frase: “…o consumo de combustível caiu em 15% e, portanto, retirou carros das ruas”. Se a velocidade média diminuiu o consumo não deveria aumentar e, assim, inibir o uso do automóvel?

  • Hemi Enthusiast

    Tenho conseguido um milagre em São Paulo. A mais de 3 anos não levo uma multa (e acredito essa ser a melhor forma de quebrar essa indústria, cortando sua fonte). Em compensação vejo que vou sofrer ameaça de morte a qualquer momento por estar andando a 50 km/h nas principais avenidas de São Paulo.
    Queria descer mais, ao limite mínimo de 25 km/h, apenas para provar o quão abusrdo são esses limites. Infelizmente temo por minha segurança.

    • CorsarioViajante

      Somos dois. Felizmente não moro em SP, mas vou bastante para a cidade, e sigo os limites. É realmente incrível como eles são desproporcionais, especialmente em horários alternativos. É dureza porque a gente vê que claramente está agindo contra tudo que o bom senso diz.

  • Hemi Enthusiast

    Aliás, quando o prefeito Maldad disse que iria privilegiar o transporte público, pensei em boas soluções para esse modal de transporte, como corredores, terminais e linhas de ônibus cumprindo horários e em deslocamentos em tempos aceitáveis, sem super-lotação.

    Não sabia que ele iria tornar o uso do carro impraticável empurrando todo mundo ao uso de um transporte público caro e ineficiente…

    Colocou o bode na sala e quem reclamar do cheiro é multado.

  • Daniel S. de Araujo

    Muito bom mesmo o texto de hoje.

    Em São Paulo, o politicamente correto criou corredores de ônibus estranhos, ciclovias que levam do nada ao lugar algum e os cicloativistas bisonhos saem para trabalhar de Moema para a Vila Nova Conceição. Queria ver se tivessem que ir de Santana até a Av. Paulista, ou da Granja Julieta até a Consolação “de bike” todos os dias se a coragem seria a mesma.

  • Robertom

    Espero que o povo tenha um mínimo de juízo, para que este imbecil mal intencionado e sua corja sejam varridos da Prefeitura.
    Os demais candidatos também são ruins, mas pior que esse, impossível.

  • Juvenal Jorge

    Calmon,
    cada um puxa a sardinha para seu lado. O PT lá de Brasília quer que compremos mais carros, pois aí eles faturam muito com os impostos, mas o PT daqui de São Paulo prefere ganhar menos, mas com frequência maior, leia-se multas.
    Não se sabe quem é mais maligno ou idiota, o de lá ou o de cá. O que sei é que essa doença chamada PT precisa acabar.
    Será o começo da melhora em todos os setores.

  • CorsarioViajante

    A campanha, como quase tudo feito pela prefeitura, pega uma idéia legítima e boa (evitar dirigir com pressa) e dá roupagem maniqueísta e vitimista. Em suma, troca a engenharia pela ideologia.
    Porém não acho que a queda de vendas tenha qualquer relação com isso, acho que num contexto maior as pessoas estão ou com as barbas de molho ou sem dinheiro ou sem crédito. Na situação de SP em particular muita gente descobriu que é melhor pagar mais caro para morar mais perto do trabalho, estação de metrô ou corredor de ônibus do que gastar dinheiro infinito com carro e sua manutenção.

  • Hemi Enthusiast

    Que baixem para 1 km/h. vou passar a 0,5 km/h. Se todo mundo fizesse isso, os radares sumiriam em 1 ano.
    Nota: O custo de atualização dos radares e placas foram na ordem de 400 milhões.

  • Hemi Enthusiast

    Acho que não é esse problema. Eu não tenho mais saco de ficar brincando de pegadinha com a prefeitura. Brincadeira que eu quase sempre perco. Prefiro tomar ônibus.

  • João Carlos

    Dá até desgosto guiar em São Paulo, e ainda há idiotas que andam 10 a 20 km/h a menos que o limite.

    Nas estradas, menos pior, mas não deixa de ser ruim. Limites irreais, armadilhas, locais sem cruzamento em nível com velocidade 40% menor do que seria possível. Como alguns trechos de 80 km/h na Fernão Dias em São Paulo, só porque tem curvas!. Ou é sanha arrecadatória, ou as autoridades não tem noção de dirigibilidade e precisam de uma babá para fazer uma curvinha. Guiar despreocupado com o velocímetro, com base nas referencias visuais, com prazer de dirigir, acabou faz tempo.

  • André Andrews

    E agora nem adianta mais ter GPS que avisa câmera de velocidade fixa, a onda agora são os móveis. Meu GPS da TomTom já tem essa função que alerta Possíveis Locais de Radares Móveis, é o fim do mundo! Como se dirigir mal resumi-se a trafegar 10 km/h acima do limite, o resto não vale nada, pior é que é isso que está sendo incutido na cabeça dos motoristas mais jovens: respeitando o limite o resto vale tudo.

    Sobre essa da parada de tráfego, é igual o que ocorre na Fernão Dias no trecho de serra em São Paulo, em que o João Carlos citou o limite com câmera fotográfica. E teve gente que ficou como último da fila, bem após a curva, e, adivinha? Foi abalroado, algumas vidas já se perderam assim, outras ficaram aleijadas ou perderam membros de sua família. O Bob Sharp, na época do BCWS recebeu uma correspondência de uma pessoa que aconteceu exatamente isso.

    Esse video mostra bem o que apenas um motorista tranca-rua faz: https://www.youtube.com/watch?v=7wm-pZp_mi0

  • Eduardo Sérgio

    “A pressa é inimiga da reeleição”