Uma polêmica que beira o ridículo está na ordem do dia nos Estados Unidos.  A EPA, agência de proteção ambiental, disse que nunca foi permitido remover equipamentos antipoluição de veículos usados em competição.

Numa proposta de 629 páginas que visa regular as emissões de CO2 em caminhões médios e pesados e que entra em vigor em julho próximo, foi incluída a emenda sobre veículos de competição, algo no mínimo estranho.

O texto afirma que veículos e motores certificados para venda nos EUA devem permanecer na condição de certificação mesmo que eles sejam utilizados apenas em competições ou se tornem veículos que não rodem em vias públicas.

A SEMA — associação de comercialização de equipamentos especiais, disse que se aprovada, a resolução irá afetar uma indústria de US$ 36 bilhões anuais, e significar o fechamento de várias empresas e perda de empregos.

O executivo-chefe da SEMA, Chris Kersting, disse que o Congresso não tenciona estender o Clean Air Act (conjunto de leis federais para controle da poluição em todos setores) para veículos modificados para competições, e que renovou esse intento em mais de uma ocasião. Afirma também que a EPA está passando do limite de sua alçada.

A porta-voz da EPA, Laura Allen disse que os veículos certificados pela agência podem ser usados em competições, mas que em nenhum lugar está escrito que os sistemas de controle de emissões podem ser removidos ou desativados. Apenas os veículos que não trafegam em vias podem sofrer alterações que afetem emissões de poluentes, como snowmobiles (motos para neve), motos de trilha, etc. A multa para os infratores é de US$ 37.500.

A SEMA tem uma petição aberta no site da Casa Branca com mais de 121.000 assinaturas, onde se solicita que a EPA cancele a inclusão de veículos de competição, explicando que o Clean Air Act proíbe a EPA de regulamentar carros de corrida. A petição, que pode ser assinada mesmo de fora dos EUA, está nesse link.

https://petitions.whitehouse.gov/petition/tell-epa-withdraw-its-proposal-prohibit-conversion-vehicles-racecars-0

JJ

 

Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

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  • André Castan

    Assinada!!! A poluição causada por estes carros é uma gota no oceano. Até lá nos EUA existem ignorantes que não entendem nada sobre carros.

  • Daniel S. de Araujo

    É…parece que o Barack Obama está implantando a burrice nos Estados Unidos.

    Mas também, o cara chamou um certo presidente de uma certa nação sul-americana de “This is the Guy”…não pode esperar muita coisa do “Guy” deles.

  • Acho que o problema não são exatamente os carros de corrida, mas os carros modificados (especialmente os tuning) abraçados pela SEMA.

    A EPA deve ter pensado em regular esses carros modificados, mas abrir a brecha para carros de corrida seria abrir para muitos outros carros pretensamente como de corrida, como os de muitas categorias de arrancada ou de provas amadoras.

    O mercado de carros exclusivamente de corrida é pequeno, mas o mercado de carros modificados que circulam nas ruas é enorme. Carros de corrida tem pequeno impacto no ambiente, mas carros modificados podem poluir centenas de vezes mais que um carro original. Se a frota desses carros é significativa, o estrago também é significativo e precisa ser regulado.

    Vejam que o Boris Feldmann, em sua coluna aqui mesmo no AE, disse que quis comprar um chip para seu Passat na Europa e a concessionária só liberava o chip para instalação em oficina certificada para o serviço. Na Europa, o chip pode ser repotenciado, mas tem de manter niveis legais de emissões. É coisa séria lá e ninguém reclama. Mas os carros de corrida estão livres.

    Tudo é questão de cultura e legislação.
    Na Europa o costume é fazer tudo certinho, mas nos EUA a legislação ambiental era frouxa antes do Obama, mas no governo dele as regras foram sendo apertadas pouco a pouco.
    Como costume, é muito tradicional o americano entusiasta mandar o ambiente às favas e no melhor estilo “Dukes of Hazard”, preparam seus próprios “General Lee”.

    De qualquer forma, é uma lástima.

    O que eu questiono é:
    Se a EPA diz que nunca foi permitido remover equipamentos antipoluição de veículos usados em competição, que equipamentos são esses?
    Isso se refere apenas ao catalizador, ou é extensivo à ECU, com sonda lambda e mapeamento original, conjunto este que é certificado pela EPA?
    Se a ECU com mapa original entrar, a preparação do motor dançou…

  • marcus lahoz

    Que coisa de maluco, ou melhor dos ecochatos.

  • Viajante das orbitais

    Eu vejo isso como mais um sinal de uma era ruim no futuro do mundo.

    • Viajante das orbitais,
      acompanho-o nesse pensamento.

  • Antônio do Sul

    Daqui a pouco vão querer regulamentar até o que comemos, pois dependendo da combinação de alimentos, poderão ser produzidos gases nocivos ao meio ambiente….

    • marcus lahoz

      Senão me engano em Vitória no ES não pode colocar sal em cima da mesa. Em Nova York não pode vender refrigerante com mais de 400 ml….

      • marcus lahóz,
        é fato, é lei estadual no Espírito Santo não poder haver sal na mesa, só mesmo um bando de imbecis que vivem às nossas custas para aprovar uma lei dessas. Essa de Nova York eu não sabia, outra imbecilidade. Esse patrulhamento está passando dos limites.

  • Arno Moura,
    criatividade não é exatamente a palavra, mas desespero. Dava pena ver os mecânicos tentando acertar a carburação. Só em meados dos anos 1990 é que o governo permitiu correr com gasolina novamente.

    • Aldo Jr.

      Vivi essa fase. Horas perdidas acertando tudo para, no dia seguinte, aquilo já não funcionar mais. Foram muitos treinos, muitos carburadores, muitos coletores, muitos distribuidores e milhares de litros de álcool para se conseguir um desempenho apenas razoável! Aprendemos muito com tudo aquilo. Abraços a todos;

  • Rubem Luiz,
    só que os automóveis não poluem mais. Hoje ficar trancado numa garagem com motor ligado, acaba a gasolina e o sujeito não morre. A “poluição” de hoje se chama dióxido de carbono (CO2). que não é um gás tóxico, é exatamente o ar que exalamos na respiração.

    • Lorenzo Frigerio

      Exatamente por isso que não podemos ficar numa garagem com um carro ligado. Morre-se por falta de oxigênio, da mesma maneira.

  • Macro

    Mas a poluição de um carro modificado é ordens de magnitude maior que a de um carro original? Pergunto pois mesmo sendo modificado um carro pode conservar elementos vitais pra diminuição da poluição em carros modernos como o catalisador e a Injeção eletrônica. Mas do mesmo jeito que meu post anterior, Isso não passa de suposição minha.

  • Lorenzo Frigerio

    Burocratas… burocratas… burocratas. Aqui no Brasil tinha o gen. Oziel de Almeida Costa, presidente do CNP, que quase conseguiu proibir as corridas e tentou prender o Bob.

  • Lorenzo Frigerio

    Cara, eu odeio essa aceleradinha que os donos de motos potentes fazem nas mudanças, obviamente com escapamentos “esportivos”. Ou aquelas Harley-Davidson com escapamento aberto e cinquentões dirigindo. O inferno são os outros.
    Sempre me lembro de um editorial do BCWS, sobre “a diferença entre possuir e pertencer”. Genial.
    http://bestcars.uol.com.br/bc/informe-se/colunas/marcas-mercado/418-comunidades-a-diferenca-entre-possuir-e-pertencer/

  • Pablo Nascimento,
    que gente mais idiota! O Brasil cada vez mais luta contra ele mesmo. Se eu fosse aí levaria para a mesa um saleiro enorme, para ficar bem visível! E sairia oferecendo para os frequentadores!