Continuando com “causos” do meu segundo livro, aí vai um causo que pode ter ocorrido com muitos, sempre com um final surpreendente. O interessante nestes causos é a possibilidade que leitores se identifiquem com o que está sendo descrito. Recebi muitos testemunhos de leitores do meu Livro II contando como suas experiências coincidiram com este ou aquele causo.
No Reader’s Corner uma história de vida girando em torno de uma “Velha Senhora”…

Leopoldo

Sérgio Albuquerque Brandão

AG-27-Foto-01  "LEOPOLDO, EU VOU COM ELE" AG 27 Foto 01

Ilustração original deste causo no livro feita por Elifas Alves

Meu amigo Fábio, à época também estudante de arquitetura, era o dono do “Leopoldo”. O “Leo”, para os mais íntimos, era um Fusca 70 branco, original de rodas e quase todo o resto, mas com um belo kit 1600 “cabeça plana” no motor.
Para os padrões da época, andava uma barbaridade. Para nós, os amigos, era simplesmente o Fusca do Fábio, mas para ele era sempre o “Leopoldo”.
Uma bela tarde de sábado, no Rio de Janeiro, o Fábio liga para uma amiga, convidando-a para sair com ele. Papo vai papo vem e ela pergunta se alguém mais vai com eles.
Desligado como sempre, e achando que o mundo todo sabia quem (ou o quê) era o Leopoldo, o nosso amigo responde do seu jeito habitual: “Ora, vamos eu você e o Leopoldo…”
Na hora marcada ele chega à casa da garota, sendo recebido pela empregada, que lhe pede que aguarde ali na sala. Sua patroa já vem.
Na sala, Fábio encontra outra garota que ele não conhecia, arrumadíssima, pronta para a noite. Sua amiga aparece quase ao mesmo tempo, faz as apresentações e já se dirige para a porta, quando o Fábio, sem entender a presença da terceira pessoa pergunta:  “E ela… vai sair com quem? Conosco?” e sua amiga responde: “Ué… ela vai com o Leopoldo…”
Agora, caro leitor, imagine a situação do meu desligado amigo, que teve que explicar para a outra garota que ela havia se embonecado toda, em grande estilo, para sair com um Fusquinha 70…

E a foto do Léo?
Depois de muita procura o Sérgio Albuquerque Brandão encontrou uma foto do “Leopoldo” um “velho” companheiro de peripécias da juventude, perpetradas junto com o amigo Fábio que aparece na foto com uma amiga comum a Marta. Esta foto é inédita, pois ela não tinha sido achada a tempo para participar do livro, mas agora ela completa esta publicação.

“Leopoldo”, nascido em 1970 e registrado no Rio de Janeiro como EC-2804, era o terror dos carros ditos mais “modernos”. Graças a um kit 1600 “cabeçudo” e ao diferencial 8:35 original do 1300, era o terror dos moderninhos, especialmente nas arrancadas. O Sérgio guiou muito este carro, junto com seu amigo Fábio, que era o dono do carro, eles fizeram a Rio-Vitória com tempos e médias horárias que só a juventude dos vinte e poucos explica e que eles eram loucos o bastante para fazer. Depois da colocação do kit 1600 vieram vários instrumentos auxiliares, dentre os quais um conta-giros, raro naqueles dias, se destacava como a cereja do bolo. Alargadores nas rodas traseiras aumentavam a estabilidade do carro.

AG-27-Foto-02  "LEOPOLDO, EU VOU COM ELE" AG 27 Foto 02

O “Leopoldo”, “Leo” para os íntimos, com seu dono Fábio e a amiga Marta numa aprazível praia capixaba em meados dos anos setenta

 

Reader’s Corner

AG-27-Foto-03  "LEOPOLDO, EU VOU COM ELE" AG 27 Foto 03

Luiz Eduardo Costa

da Coluna Falando de Fusca

O causo que se segue foi enviado pelo amigo de Facebook Luiz Eduardo Costa. Ele conta como uma Velha Senhora fez parte de sua vida, acompanhando momentos de alegria e de dificuldade. O seu amor pela Kombi que seu pai teve foi marcante e isto fica claro neste texto.  Certamente este causo terá seu lugar reservado num próximo livro de causos para o qual estou coletando material.

 

LEMBRANÇAS DE UMA VELHA SENHORA

Por Luiz Eduardo Costa

Eu me lembro como se fosse hoje: Foi em julho de 1977. Ela chegou garbosa, limpinha para o evento importante. Eu já sabia que meu pai iria trazê-la, fiquei esperando em cima do muro em nossa casa no bairro da Pedra Branca em São Paulo. Naquela época ela ainda era um neném. Tinha só um ano de uso.
Estou me referindo a uma Kombi ano 1976, standard. As primeiras T2. O veículo era da empresa em que ele trabalhava na época. Pediu emprestado para levar minha tia, irmã de minha mãe, meus quatro primos, meu tio e toda a bagagem para o Aeroporto de Congonhas, embarcar para os EUA. Para eles as coisas não estavam boas por aqui.
Tentaram a vida lá fora e se deram bem. Nunca mais voltaram a morar aqui. Coubemos eu e minha irmã na frente com meu pai.
Fiquei triste, mas a emoção de andar de Kombi foi mais legal. Imaginem, eu com nove anos, ali do lado do meu pai, já sonhando em dirigir. Coisa de menino…
Depois disso vi a Velha Senhora poucas vezes. Coisa rápida. Meu pai tinha uma Variant 1972 vermelha (outra paixão!!) que quando levava para abastecer no mesmo posto em que a empresa tinha conta, eu a via lá para lavar; ia até ela e dizia “oi”. Parece coisa de louco tratar um carro como gente.
No final de 1979, a empresa passou por uma reestruturação e meu pai foi demitido. Com 45 anos iria arranjar emprego onde? Vendeu a Variant para pagar as prestações da casa, o dinheiro acabou, cortaram nossa luz, nossa água. 1980 foi um ano péssimo para nós. A economia ainda estava bem.
A indústria vendeu mais de 1 milhão de veículos. Mas essa fartura não bateu em nossa porta.
Já estávamos na região do ABC há quase dois anos, ali ao lado da Mercedes e da Ford.
Passamos necessidades. Comida só o que sobrava da merenda da escola, que eu e minha irmã levávamos vasilhas plásticas para guardar. Tempos difíceis…
Veio 1981. A indústria tomou uma derrocada vendendo metade do que vendeu em 1980. Greves de metalúrgicos, demissões em massa e nada de emprego para meu pai, que sempre gostou de trabalhar e já se encontrava depressivo com isso. Minha mãe conseguiu trabalho de faxineira numa transportadora, minha irmã, então com 15 anos, de caixa de supermercado de bairro. Eu embora procurasse não tinha achado nada para fazer.
Quando meu pai conseguiu trabalho no bairro da Lapa em São Paulo numa empresa de nome se não me engano Siderúrgica FIEL a antiga empregadora o chamou de volta. Ficou meio receoso, mas aceitou. Iria tirar a empresa do “vermelho”. Um funcionário do departamento de cobrança estava (não sei como) recebendo as duplicatas dos clientes.
Comprou carros e casas para renda. Meu pai quis um carro para trabalhar, pois iria assumir dois serviços: entregar peças para as fabricantes e receber as duplicatas. Mas com a crise, a empresa não podia comprar um outro veículo.
Solução: colocar a Velha Senhora para andar de novo; ela estava com o motor travado no pátio da empresa.
E assim foi feito. Naquela noite meu pai chegou radiante em casa. De Kombi, só para uso dele até nos fins de semana. Que bom ter um carro em casa de novo! Mas ela não estava exatamente como tinha visto da última vez. A ferrugem corria solta por portas, caixas, longarina dianteira e para-lamas. Estava abandonada e suja.
Com alguns trocados que ganhava aos domingos trabalhando na lanchonete da igreja, comprei alguns produtos de limpeza para deixá-la bonita novamente. Cera, massa de polir, para-ferrugem, pretinho… E ainda um belo banho por dentro, pois a Kombi é dos poucos carros que se pode lavar dentro. Tudo para convencer meu pai a deixar-me guiá-la, nem que fosse um pouco. Eu já com 14 anos, corpinho de criança de 10 anos.
Meu pai até foi legal comigo, deixou-me guiar a Kombi algumas vezes. Sai-me bem. Mas iria durar pouco.
Certo dia ele foi fazer umas cobranças no Rio de Janeiro. A empresa deu dinheiro para ele ir e voltar de avião. Mas ele para economizar foi de ônibus à noite, e voltaria de avião no começo da tarde.
Vi a Kombi muito suja na garagem e quis fazer-lhe uma surpresa. Abaixei o freio de mão até perto do portão e dei um bom banho nela. Mas errei tremendamente por falta de experiência em colocá-la para frente com os chinelos molhados. Meu pé esquerdo escorregou e eu fui de encontro com a parede. E o que é pior: com as portas abertas. Não amassou muito, apenas o para-choque, mas as portas saíram do lugar. Desci imediatamente, me sentia um criminoso. Minha mãe veio lá da cozinha já com a sentença de morte: — Tenho pena da sua alma hoje!!
Nem quero estar aqui quando seu pai chegar!
E não é que passados uns 15 minutos encosta um táxi na porta e era ele! Voltou de avião para chegar mais cedo. Ao ver que algo estava errado, nem precisou perguntar, pois minha mãe destramelou a matraca como advogada de acusação. Ele xingou, falou, falou a tarde toda. Muito. Coisas horríveis. Não o recriminava, pois ele estava certo. A Velha Senhora era nosso ganha-pão.
Eu não sabia, mas ele a havia comprado da empresa e pagava aos poucos com serviço. Um funileiro do bairro colocou tudo no lugar no mesmo dia.
Mesmo assim não me convenci de que, como meu pai dizia em seus discursos, eu nunca iria dirigir. Passaram-se uns três meses e eu meio com medo pedi novamente para que ele me ensinasse. Receoso, deixou, mas numa longa descida e em porto morto num horário de pouco movimento.
Durante algum tempo se resumia a isso. Nunca abandonei a Velha Senhora com o asseio. Todos os domingos ela tomava um bom banho com acabamento, mas sem as chaves. Tudo bem, estava por perto dela o que já me deixava feliz.
Certo domingo de manhã cedo, acordamos para ir a missa e para minha surpresa, no caminho ele ofereceu para que eu guiasse. Quando chegamos perto do ponto em que eu parava para devolver-lhe o carro ele me disse: -“Hoje vamos em frente, põe terceira ai e vamos embora! ”
Meu coração pulou de felicidade!!! Terceira e depois quarta… 60 km/h!
Que felicidade!!! Meu pai me tranquilizou:  “Me enganei a seu respeito. Você guia bem!!!
Como são as coisas!
Passados alguns dias ele caiu na rua, dentro de um bueiro mal fechado ocasionando a quebra da clavícula. E agora?  Como fazer para trabalhar? Foi aí que veio o convite:  “Vamos trabalhar juntos? ”
Você vai guiando e eu vou do lado. — De que jeito? Podemos ser pegos pela polícia! — disse eu.
Mas o velho sempre deu um jeito, ninguém reparava isso na rua. Nem polícia passava e percebia. Era outra época.
E assim São Paulo ficou pequena para mim. Rodávamos o dia inteiro. Meu pai melhorou e passou a confiar em mim. Sempre fui muito responsável ao volante. A coisa tomou vulto, pois em 1990 tive que abandonar minha faculdade de arquitetura, troquei de emprego da área administrativa para operacional, abracei a profissão de motorista.
Foi o ano em que a Velha Senhora foi-se embora por um motivo bem nobre: ajudar nas despesas médicas do meu pai que teve uma séria queda, ocasionando fratura exposta na casa em que estava construindo em Jaguariúna, SP. Foi triste, mas por uma boa causa.
Graças a Deus nestes 26 anos de profissão, cresci na profissão, hoje trabalho com um ônibus de 23 metros.
Nunca matei ninguém, nem cachorro. Apenas dois acidentes com pequenos danos materiais.
Os anos se passaram, e devido ao acidente meu pai não pode mais dirigir Kombis. Adotou um bom e velho Fusca 1300 1976. Em 2013, ele já fraco do coração, teve que vendê-lo, pois não conseguia mais dirigi-lo.

Na noite de 9 de novembro de 2013, ele nos deixou. Menos de um mês depois a Velha Senhora se despediu da linha de montagem. Foi e ainda é muito duro para mim. Estranho como possa parecer, foram quase juntos embora.
Deixaram um legado de boas lembranças e boas virtudes que meu filho Henrique ama e cultiva: o avô, o Fusca e a Kombi…

AG

A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do seu compilador e dos autores dos causos e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

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  • Mr. Car,
    era, de longe, o melhor cachorro-quente que havia. Uma história, bem coisa de carioca que somos, o porquê do nome “Geneal”. Uns diziam ser acrônimo dos nomes dos sócios, Genésio e Alberto; outros juravam tratar-se acrônimo das patentes militares de seus donos, um general e um almirante. Nunca descobri qual o certo… (rsrsrs)

  • Cris Dorneles

    Parabéns pela distinção dada à empresa de seu avô.

  • Luciano Ferreira Lima

    E como era caro aquele cachorro-quente, mas era delicioso. Íamos de Variant 1971 bege, toda enferrujada, mas meu pai virava um herói quando guiando ela.

  • Maycon Correia

    Alexander, histórias como essas que nos acrescentam conhecimento e nos remetem a nosso passado são memoráveis!
    Ano 1974 meu avô paterno compra um Fusca branco Lotus 1968 semelhante a esse da foto, porém sem veneno, mis com alargadores e os faróis Rossi Sealed Beam, que era de único dono e possuía alguns 20 mil km. Consta que foi oferecido esses faróis na revenda como de melhor luminosidade em viagens noturnas, porém o senhor dono jamais as fez! E guardou os originais em caixas, assim entregando junto do carro. E logo foram substituídos. Meu pai já dirigia esse carro desde 1975 aos 13 anos, porém uma bela noite fura um pneu traseiro na chuva. Quem disse que ele consegue acertar os furos do alargador! Pegou 5 parafusos comuns dentro da caixa de ferramentas. Guardou tudo no porta-malas e foi embora ensopado. No outro dia vendeu os alargadores! Isso ele conta que foi em 1978, e passados 30 anos encontramos um 1970 branco segundo dono (esse infelizmente pintado de branco e por baixo vermelho) com os mesmos adaptadores e os mesmos faróis Rossi! O que ele fez? Deu sumiço nos “acessórios” na mesma hora. Pena que meu avô havia falecido um ano antes e não viu esse Fusca.
    Quanto à Kombi, possuímos uma 1976 também standard branca que tem história em Bauru, era da loja Casa Cecy e fez poucos trabalhos entre 1976 e os anos 90. Hoje com pintura refeita, ela e um belo exemplar de apenas 46.700 km. E será bem cuidada!
    Abraços

    • Pois é Maycon Correia,
      Trabalhar com alargador requeria ter o “parafuso guia” que vinha com o conjunto. Era um parafuso sem cabeça, mas com uma fenda para encaixar uma chave de fenda grande. Ao tirar o primeiro parafuso prolongado já se inseria o parafuso guia e isto ajudava todas a manobras, tinha gente que tinha dois destes parafusos guia, o que facilitava mais ainda o trabalho…
      Posso entender o sufoco que seu pai passou com chuva e sem o tal parafuso guia…
      Já os faróis “Tremendão” com sealed beam eram mais fortes mesmo, mas requeriam um relé adicional e fusíveis separados, com tomada de corrente direto da bateria… Pouca gente fazia a instalação correta…
      Grato por seu comentário

  • Roberto Eduardo Santonini Ceco

    Belissimas histórias, Alexander!
    A do Fusca é de rir gostoso e da Kombi de se emocionar bastante!

    Aproveitando, por saber que o senhor é um dos maiores conhecedores da história da Volkswagen no mundo e defensor do Fusca “Itamar” à época de seu lançamento, gostaria de entrar em contato com o senhor para conversar sobre um assunto que preocupa a mim e outros donos de Fusca “Itamar”: estamos a 7 anos do primeiro exemplar apto a placa preta.
    Temos um grupo dentro do Forum Fusca Brasil e por Whatsapp que tratamos sobre os nossos carros e temas relacionados a eles e nesses últimos dias, surgiu essa preocupação, visto que existem muitas reclamações sobre um certo sentimento “desprezo” vindo do Fusca Clube do Brasil no que se refere a esse modelo e temos muitas dúvidas de que no FCB exista alguém habilitado a avaliar os nossos veículos, além de muitas dúvidas quanto a itens a serem avaliados.
    Estamos pensando em algumas opções para que possamos tratar com respeito a história desse que em nossa opinião foi um dos melhores modelos do Fusca em sua história no país e que alegrou e alegra a vida de muitas pessoas que sonharam em ter um Fusca e na década de 90 tiveram o prazer de adquirir um exemplar 0km e que hoje exibem com orgulho seus veículos e gostaríamos de contar com sua ajuda, caso seja possível.

    Caso prefira, posso enviar esse questionamento para outro canal que o senhor indicar e me coloco a disposição para maiores esclarecimentos.
    Forte abraço!

    • Caro Roberto Eduardo Santonini Caco,
      Grato por seu comentário sobre a coluna desta semana.

      Mas o outro assunto, o FCB e o Fusca Itamar, que saia justa heim camarada???
      Mas vamos lá, já que você colocou sua pergunta num canal aberto não há como não responder da mesma forma e passar para um canal fechado (aliás não me parece ter sido a sua intenção inicial tratar disto de forma mais discreta – pois se assim fosse você teria usado o tal canal fechado de cara).

      Vamos por partes como dizia Jack the Ripper:
      a) Ser pesquisador da história da Volkswagen, em especial do Fusca não me transforma em julgador do que ocorre ou não num clube do qual sai, e não sou mais sócio, desde o dia 20 de janeiro de 1988, o que pela matemática moderna dá 29 anos – se fosse um carro faltava pouco para a placa preta…
      b) Defendi não só o Fusca Itamar, mas em especial o Fusca que estava sendo massacrado pela imprensa ignara e imbecil que, ao invés de virar as suas armas contra os políticos que estavam fomentando a volta do Fusca, acabaram atacando o MITO FUSCA!!! Faltou respeito ao tratar do Fusca, e isto de uma maneira generalizada – imprensa falada, escrita e televisionada (aliás nesta última há a entrevista na falecida TV Jovem Pan que ilustra o mau-caratismo deste tipo de imprensa). A VW do Brasil se omitiu, mormente depois daquela ridícula e desrespeitosa propaganda falando que “Às vezes o avanço tecnológico de uma empresa não está no que ela faz, mas no que ela deixa de fazer. ” Sobrou para mim assumir esta bandeira da defesa como, na época, Presidente do FC do Brasil – só que eu não fugi da raia, como é público e notório
      c) Para nosso “azar” o Fusca Itamar não é considerado pela VW da Alemanha, tanto que não há nem um Fusca Itamar (ainda?) no AutoMuseum Volkswagen de Wolfsburg. Aliás a volta do Fusca às linhas de fabricação é realmente um capítulo à parte que carece de um estudo cuidadoso.
      d) Placa preta pelo FC do Brasil. Um assunto que já foi muito complicado e muito mal falado há uns anos atrás, quando o então presidente dava, ou talvez vendia (com algum ágio “especial”), placas pretas até para “carrinho de pipoca rebaixado” se fosse o caso (carro saia e blusa com placa preta, Fusca de duas janelinhas com mecânica de Brasília e cor fora do padrão – prateado no caso – também e por aí vai). Nesta época eu me servi do Auto Union DKW Club do Brasil para tramitar a placa preta de meu carro.
      Acredito que estes tempos nefastos já passaram e que a seriedade voltou a reinar (mas não cabe a mim avalizar isto), se bem que em qualquer lugar que seja, o assunto placa preta pode conviver com polêmicas; estão aí as “placas tretas” que são motivo de tantas discussões. Conheço outros clubes dedicados ao Fusca onde até hoje não foram registrados problemas com a emissão de laudos para placa preta…
      e) Fusca Clube do Brasil com prevenção contra o Fusca Itamar? Obviamente que não tenho condição alguma de opinar sobre isto, pois estou fora do clube. Mas o presidente atual, Ervin Moretti, é uma pessoa conhecida e reconhecida no meio Antogomobilista, que eu saiba ele é aberto a contatos e, pelo que consta, tem alguns assessores comprometidos com uma gestão aberta.
      O que eu faria no seu lugar Roberto Eduardo? Eu marcaria uma reunião com o Ervin e falaria abertamente sobre a situação de seus Fuscas Itamar, acho que a franqueza e o contato direto é o melhor caminho.
      Depois desta reunião vocês certamente terão subsídios para tomar a sua decisão e avaliar a direção que este clube está a seguir agora; e, lembrem-se, há mais de um clube a dar placas pretas neste país continental…. Resta ver onde vocês desenvolverão confiança para processar esta placa pare seus carros de coleção.

      Finalizando: respondi às suas questões como é meu costume fazer, mas o modo que você escolheu para tratar de um assunto tão delicado, num fórum como é o AUTOentusiasta, dentro do sistema Disqus, jamais seria a minha escolha – até por respeito para com meu interlocutor, talvez seja melhor que você busque outra fonte para tratar deste tipo de assunto futuramente.

      • Roberto Eduardo Santonini Ceco

        Alexander, muitíssimo obrigado pelas respostas e orientações.
        Todas foram muito proveitosas. Até o “puxão de orelha”. Rs…
        Seguirei as orientações acima.
        Um grande abraço!

  • Caro Mr. Car,
    Esta foto é do Site Rio Antigo e você certamente vai encontrar muitas fotos antigas que irão alimentar as suas recordação do Rio tempos atrás.
    Mas o que você chamou de “uma Lambretta adaptada” era na verdade um veículo de três rodas fabricado com a finalidade de transportar mercadorias. Como o da foto abaixo, da marca Piaggio que fabrica a Vespa, que uma fábrica de sorvetes importou recentemente da Itália para seus postos de vendas em vários Shoppings (no caso a foto foi tirada no Shopping Villa Lobos em São Paulo). No oriente este veículo é fabricado por licença e deu origem aos Tuc-Tucs que depois foram feitos com componentes de motos. Aqui no Brasil havia a intenção de lançar estes veículos com a marca “Gurgel Motors” (um comerciante esperto notou que a marca estava vacante e a adquiriu por uma ninharia, uma pena eu tinha avisado a família do Dr. Gurgel da situação da marca, mas o pessoal acabou não se interessando, nem deu resposta – acabamos perdendo a chance de comprar a marca por um grupo de aficionados Gurgel – estávamos esperando a posição da família que não se pronunciou a tempo).
    O Veículo azul é um TA-01 que a “Gurgel Motors” pretende nacionalizar em 80% – com projeto chinês e alguns componentes importados de lá. Não tenho informações de como este projeto anda…
    Mas, em suma, os veículos que a “Geneal” usava podiam ser Lambretta, pois ambas as concorrentes italianas fabricavam seus triciclos, mas não eram adaptação, e sim produtos específicos.

  • Pois é caro Carlos A.,
    Quando posso, a saber tenho o material disponível, eu coloco o “Reader’s Corner” (este nome é uma brincadeira com o “Speakers Corner” do Hyde Park de Londres, onde qualquer cidadão pode dizer o que quiser sem ir preso – um tipo de “boca maldita” versão inglesa). Fica aberto o espaço para quem quiser sugerir material para a triagem…
    E você tem razão, neste caso específico são causos diferente, entre o alegre e o amargamente dramático…
    O material que vou recolhendo no “Reader’s Corner” poderá vir a formar um outro livro de causos, para que junto com os demais possa servir de referência no futuro, quando toda esta atmosfera ligada ao Fusca e a seus derivados já tiver se perdido no tempo…
    Grato por seu comentário!

    • Carlos A.

      Sr. Alexander, acho interessante sim mais um livro relacionado ao Fusca, o assunto não tem ‘validade’. O livro Eu Amo Fusca está sempre por perto e não raro leio novamente algum capítulo, aprendi muito com ele. No futuro obras como seus livros continuarão mesmo servindo de referência. A propósito, ainda estou procurando o Eu Amo Fusca II na edição impressa.

  • Que eu saiba, caro Daniel S. de Araujo, a “Velha Senhora” não costuma deixar ninguém na mão!!!
    Mas me explique por favor o que você quis dizer com “detinham as operações da Vemag”, grato.

    • Daniel S. de Araujo

      Eram os fundadores e donos da Vemag no seu começo, no final dos anos 40. O Sr. José eu conheci pessoalmente (era meu tio-avô), faleceu com 100 anos. Já o Sr. Domingos sei pouco. Mas a viúva dele era viva (!), já bastante idosa até bem recentemente. Descobrirei maiores informações e compartilharei.

  • Carlos A.

    Boa dia Sr. Alexander. Mas vou tentar antes em sebos físicos em minha cidade, depois comento sobre as pesquisas. obrigado!

  • Me emocionou muito, a história da Kombi. Não sou religioso, mas essa história me me fez lembrar de algo: “(…) Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá (…)”. E eu tenho certeza que o Luiz Eduardo Costa fez e vem fazendo isso, desde sempre e o fará, para sempre… Parabéns, Luiz!

  • Fernando

    Belo post como sempre AGr!

    O segundo texto se sobressaiu pois creio que as dificuldades marcam muito e nos fazem mais sensíveis a tudo que nos afeta, principalmente no que podemos fazer de melhor, para nós e para os que nos cercam.

  • Rogério Oliveira

    Tudo bem GromoW! Á Exemplo do Leopoldo, me faço uma analogia ao Azulão! Todo antigomobilista tem um nome para seu clássico, muita vezes em referência á cor, modelo e alguma dificuldade enfrentadas juntos!
    Quanto ao Reader’s Corner, me lembro de uma situação bem semelhante acontecido comigo! Em uma manhã de Sábado ensolarado, eu com 11 anos (1983), peguei ás chaves de nossa VW Brasília, 77/78 para lavar em nossa garagem! Meu Pai Trabalhava aos Sábados, até ás 13:00 naquela época!
    Também soltei o freio de estacionamento afim de lavar á frente da Brasília! Concluído á lavagem, como observava meu Pai dirigir, me pus á estacionar á Brasola, na posição inicial, junta á parede do fundo da garagem! Resulstado! Bati á Brasola na parede! Minha Mãe quase infartou! Esperamos juntos na Sala, á chegada do meu Pai! Ao ver á Brasola fincada na parede, pegou á mesma e foi em uma loja do Bairro para vendê-lá! Só não vendeu pois foi avaliada muito abaixo da tabela, onde á batida influenciou á avaliação, mesmo sendo um veículo em estado de zero KM!
    Meu Pai efetuou os reparos com peças originas, sendo substituído o para-choque e o capô! Parece que os danos não foram piores, pois á Brasola possui um Santo Antonio atrás do Para-choque, fixado na suspensão, o que absorveu o impacto!
    Nunca mais tentei dirigir os carros d meu Pai! Ele também me falou que dirigir carro, somente com habilitação!
    E ele cumpriu o que falou! Em 1990, tirei minha habilitação e no primeiro Sábado após estar com á mesma em mãos, demos uma voltinha com seu Passat LS 1983 em estado excepcional (Aliás todos os carros de meu Pai, eram excepcionais! Falava que como não podia comprar um Zero Km, isto não era motivo para não cuidar de seus carros em média com 5 anos de uso! Acho que herdei isto dele, pois meus carros também são excepcionais nos dias de hoje)
    Voltando, demos uma voltinha e paramos em frente de nossa casa e ele falou! Agora que você esta habilitando, pode usar o carro como quiser! Desceu do Passat, entrou pelo portão e me deixou sozinho no Passat ligado!
    Que saudade daqueles tempos!!!!