Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas JAC T6 REVISITADO – Autoentusiastas

O JAC T6 foi exibido no último Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro/novembro de 2014 — o Salão é bienal —, e chamou a atenção minha, do PK e do BS, havíamos ido juntos. O que logo notamos e comentamos entre nós é que era o primeiro JAC que não tinha jeito e visual de carro chinês, mostrava linhas muito agradáveis. Demorou para termos um de teste, o que só ocorreria em abril, e foi o BS quem testou o T6 (leia o teste). O Bob passou lá em casa para eu dar uma volta nele, mas foi rápida, e por isso fiquei pensando que deveria andar mais com este chinês, e foi o que aconteceu agora, uma revisita.

Estilo nitidamente ocidental

O T6 é, de fato, um suve bonito e espaçoso. Oferece boa posição de dirigir, em que os pés não ficam muito desnivelados em relação ao assento, parece estar-se dirigindo um automóvel normal, um sedã. Sempre foi assim no Toyota SW4, por exemplo, um ponto “H” distante do solo mas não do assoalho. O volante está bem posicionado, tem regulagem de altura, dá boa pegada e a direção com assistência elétrica relacionada à velocidade tem bom peso. O comando do câmbio de cinco marchas é primoroso, dos melhores. Os pedais estão bem posicionados e é facílimo fazer o punta-tacco, algo que não vem sendo tão cuidado ultimamente, por exemplo, no VW up!.

O freio, a disco nas quatro rodas,  é bom de dosar, suave, nada abrupto, e mostra boa potência.  Já a mola do pedal do acelerador deveria ser  mais forte. É muito fraca. Além disso, a curva da atuação do acelerador merece ser revista. Pelo menos para mim, requer adaptação ao se pretender sair devagar, por exemplo.

Boa posição para guiar.

Boa posição para guiar

O Bob havia achado a suspensão algo dura; de fato é.  Rodar no asfalto paulistano que mais parece pista de tortura em campos de prova, incomoda um pouco. Em compensação sobre pisos “Europa” vai muito bem. A suspensão dianteira McPherson com subchassi e barra estabilizadora, e a traseira independente sem braço transversal superior, portanto geometria McPherson, bem poderia conciliar melhor estabilidade-conforto de marcha. É mesmo bom de curva o T6 é.

Além da estabilidade direcional correta, andando rápido mostra uma tendência a sair de frente apenas leve, o que inspira confiança a qualquer motorista. Os pneus — Giti CityComfort 225/60R17 — é que são ruins. Não são duplo-propósito, só para asfalto. No seco, sem problema, agarram bem, porém em asfalto rugoso emitem ruído de rolagem a ponto de incomodar. Na chuva deixaram a desejar, pois com pouca lâmina d’água já aquaplanavam, apesar de  só estarem com 12.000 km, ainda com boa profundidade de sulco.

O motor de quatro cilindros 2-litros, duplo-comando de 4 válvulas por cilindro  desenvolve 155/160 cv a 6.000 rpm e 20/20,6 m·kgf a 4.000 rpm (gasolina/álcool). O comando é variável na admissão, mas mesmo assim a elasticidade do motor não compensa de todo o peso em ordem de marcha de 1.460 kg (1.505 kg informado antes), requerendo uso do câmbio para retomadas de velocidade rápidas. O corte de rotação (sujo) ocorre a 6.000 rpm, exatamente no regime de potência máxima. Esse corte poderia e deveria estar em rotação mais elevada, pelo menos 500 rpm acima.  Com curso dos pistões de 88 mm, 6.500 rpm ainda seria uma rotação segura para o motor.

A aceleração 0-100 km/h declarada é 11,8 segundos (número revisto pela JAC, era 12,2 segundos); a velocidade máxima continua 186 km/h.  Como a v/1000 em 5ª é 35,8 km/h,  a esse velocidade o motor está a 5.200 rpm, longe da rotação de potência máxima.  A 120 km/h reais em 5ª correspondem 3.350 rpm.

Fez ao redor de 8 km/l de álcool na estrada, à velocidade constante de 120 km/h, e 7 km/l na cidade, com pouco trânsito. O tanque é de 60 litros.

Motor 2-litros que precisa de giro alto para mostrar potência

Motor 2-litros  é elástico, mas o peso do T6 joga contra

O computador de bordo é acionado por um pequeno pino inserido no  velocímetro, de difícil acesso. O descansa-braço está bem no caminho cotovelo quando se troca marcha. O interior oferece bom espaço para cinco adultos e os bancos têm boa espuma, mas não são tão envolventes. O porta-malas, por sua vez, é excelente, com seus 610 litros.

Resumindo,  é um suve agradável, espaçoso, mas pode melhorar em alguns pontos. O ponto mais positivo é ter desaparecido qualquer traço de “made in China”. Beleza em carro não é fundamental, mas ajuda.

Os preços começam em R$ 72.000, mas há dois níveis acima em termos de dotação de equipamentos, um de R$ 77.000 e outro de R$ 82.000.

Para ficha técnica e lista de equipamentos, ver o teste anterior.

AK



Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

  • Danilo Grespan,
    ainda há preconceito contra os produtos chineses, como havia nos anos 1980 com os japoneses e nos 1990 com o sul-coreanos. Lembre-se que a China tem programa aeroespacial, e não lançamento de busca-pés com temos no Brasil. Não se tem conhecimento de pouca durabilidade nos JAC.

    • Matuck

      Não é a JAC que tem um programa de disponibilizar carros usados da marca, bem rodados, que entraram como parte do pagamento por um novo, para jornalistas atestarem a qualidade de construção dos mesmos?

      • Matuck,
        isso mesmo, carros com quilometragem ao redor de 100.000 km.

  • Diogo, se tivesse o que você disse, imagine para quanto o preço teria que subir.

  • Corsário,
    o Calmon pegou um carro desses e chegou a comentar numa coluna dele.

  • Lipe Godoy

    Gostaria de saber por que VW, Fiat, Ford, Audi, Mercedes, BMW, etc ainda não fabricam na China e exportam para o mundo.
    Custos de logística? Será que são maiores que o custo Brasil, por exemplo?

    • Lipe Godoy,
      fabricam sim, China. A VW foi pioneira lá, com um Santana de entre-eixos 11 0 mm mais longo.

      • Daniel S. de Araujo

        Bem lembrado!!! Por sinal, o Santana chinês era muito bem aceito por lá e a saida de linha das duas versões (a versão quadrada conviveu junto com a mais nova) em 2012 teve direito até a filminho de despedida.

        Uma foto do AP chinês.

        • Davi Reis

          Impressão minha ou alguns componentes são mesmo superdimensionados?

    • Comentarista

      Fabricam sim. Sobre qualidade não há diferença, uma vez que os processos para garantir a qualidade são os mesmos das demais fábricas.

  • Thiago Teixeira2

    Preço… culpa da Dilma.

  • Welyton F. Cividini

    Lipe Godoy,
    O que o amigo disse em cima não foi que câmbio automático “é” marketing, mas que faltava ao carro câmbio automático “e” marketing.

    • Lipe Godoy

      Suspeitei desde o princípio

      Desculpas ao outro comentarista.

      É de tanto ver críticas às escolhas alheias pelos comentários…

      • Danilo Grespan

        rs… calma, não se revolte. Como o Welyton afirmou, eu quis dizer que aliado a um bom câmbio automático (que eu gosto e uso quase diariamente, inclusive, Aisin), a JAC não investe em mostrar o que tem para o público mais comum: aquele que só sabe sobre carro pelo intervalo da novela ou do Jornal Nacional.

        A propósito, tenho carro com câmbio mecânico também, gosto demais, sinto mais “no controle”, mas compreendo que o mercado hoje em dia pede pelo automático. E o anda e para do transito também.

  • FocusMan

    O problema é que os carros chineses não são baratos como achamos.

    • FocusMan,
      já foram mais baratos.