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A última semana de janeiro passado foi bem agitada no mundo da informática. Na terça-feira a Ford lançou seu sistema SYNC 3 na Campus Party 2016, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, e eu estive lá.

No dia seguinte, a notícia que tomou Wall Street de surpresa: a toda-poderosa Apple anunciou que as vendas do iPhone estagnou e previu que haverá diminuição do lucro no próximo trimestre. Muita discussão a respeito. Seria um fenômeno previsível ou não? Na quinta-feira, era a vez da Samsung se manifestar, avisando que 2016 seria um ano péssimo para o setor de smartphones.

Veio a sexta-feira e mais notícias ruins: a Microsoft revela que sua divisão de smartphones Lumia vendeu em 2015 menos da metade dos aparelhos vendidos em 2014, e a Sony também revelou desaceleração de vendas dos seus smartphones.

Pode não parecer, mas estas notícias e outras estão todas interligadas. Não estamos falando apenas de smartphones conectando ao painel do carro para atendermos ligações telefônicas ou ouvir música em MP3. Há muito mais coisas em jogo.

Mas vamos começar devagar.

 

Ford lança o SYNC 3 na Campus Party

A Campus Party é uma grande festa, mas diferente das demais. É uma festa onde tecnologia e diversão se juntam, com muita cultura hacker e nerd se misturando com os eventos de grandes fabricantes da área de TI (Tecnologia da Informação), regados por uma conexão de internet dos sonhos. Ali é onde muitas empresas aproveitam para fazerem seus lançamentos. E foi o que fez a Ford ao lançar o SYNC 3, sendo a única fabricante de automóveis no evento.

Não vou nem mencionar aqui os repetitivos press releases já bastante comentados.
Para isso, deixo a apresentação do SYNC 3 nas palavras da própria Ford:

A apresentação disfarça muitos detalhes. A novidade do SYNC 3 ser compatível com os sistemas Car Play da Apple e Android Auto do Google é provavelmente a menos importante. É apenas a tomada de tecnologias que em breve estarão nos painéis de carros de todos os fabricantes.

Também é pouco importante o que já é óbvio. Smartphones se conectando por Bluetooth ao painel do carro, oferecendo serviços de mapas online, telefone viva-voz, rádios online e música, todo mundo já tem. Não precisaria essa atualização para oferecer essas facilidades. A verdadeira importância do lançamento do SYNC 3 para a Ford foi mencionada muito sutilmente na apresentação: a integração à chamada “Internet das Coisas”, um novo mundo que promete unir o mundo físico ao digital.

 

A Internet das Coisas

A ideia de conectar objetos não é nova. Um bom exemplo disso é o JAVA, uma mistura de linguagem de programação e máquina virtual que é das mais importantes hoje na internet. Em sua origem há mais de 20 anos, o JAVA não pretendia criar aplicativos para a internet, mas promover a criação de programas de automação para objetos e até interconectá-los, independente das arquiteturas usadas.

A chamada “Internet das Coisas” é uma revolução silenciosa que vem ocorrendo por enquanto dentro de grandes laboratórios de pesquisa e que promete em breve chegar ao mercado. Ela é baseada em dois pilares principais:

– Todos os objetos receberão um chip dedicado, conferindo inteligência a esses objetos e permitindo que eles se comuniquem livremente entre si;
– Muitos objetos se comunicarão entre si e com o ambiente via dispositivos RFID (sigla em inglês de Identificação por Radiofrequência). Além responder com uma identificação única no planeta inteiro, cada dispositivo RFID pode ser equipado com dezenas de tipos de sensor e informar a leitura dele ao dispositivo que o está “interrogando”.


Em resumo, podemos pensar que a Internet das Coisas é uma forma de todas as coisas se comunicarem com todas as outras coisas.

Vamos pensar no seguinte cenário: Você toma seu café da manhã, e retorna para a geladeira a caixinha de leite pela metade e vai trabalhar. No final do expediente, você volta para seu carro e ele se conecta ao seu smartphone. O conjunto automóvel e smartphone usa a internet para se comunicar com os dispositivos na sua casa e verificar se está tudo bem. Ao conversar com sua geladeira, ela informa que a caixinha de leite está pela metade e que outros alimentos estão quase fora da validade. E como a geladeira sabe isso? A caixinha de leite e as embalagens possuem chips RFID que identificam o tipo do produto, o fabricante, as datas de fabricação e validade, e no caso da caixinha de leite, o dispositivo RFID possui um sensor de nível para saber quanto leite tem dentro dela. A prateleira da despensa também possui um computador que lê tudo que está guardado lá, de alimentos a remédios. A despensa também informa que alimentos estão perto da data de validade.

Tudo isso é informado por um assistente pessoal baseado em inteligência artificial  por meio de voz  enquanto você dirige. Esse assistente pode então propor algumas receitas para você aproveitar os ingredientes que estão para vencer. Entretanto, a receita que você escolheu possui ingredientes que não estão presentes, mas de qualquer forma, o estoque de leite na dispensa está baixo e você precisa realmente passar no supermercado. O assistente então sugere um supermercado habitual no caminho de volta para casa, e já altera a rota prevista no GPS do carro para ir ao supermercado.

Dentro do supermercado, seu smartphone já vem com uma lista de compras que seu assistente pessoal montou, e não precisa esperar em filas nos caixas, pois totens  na saída automaticamente reconhecem todo conteúdo do seu carrinho, consultam seu smartphone, liberam a compra pelo cartão de crédito e imprimem o cupom fiscal.

Ao sair do supermercado, seu assistente pessoal pode preparar a banheira para seu banho, e quando você chega em casa, o portão é automaticamente aberto e a luz da garagem é acesa. Você não precisa de chaves para entrar em casa porque o sistema de segurança tem vários sinais da sua presença na casa (seu smartphone, seu carro), mas ainda assim, uma câmera de vigilância reconhece seu rosto e destranca automaticamente sua porta.

Após o banho previamente preparado, você põe as compras na despensa e na geladeira, que reconhecem automaticamente o novo conteúdo ao varrer os dispositivos RFID presentes. Quando você olha para a tela da geladeira, lá já está a receita que você combinou com seu assistente.

Tudo isso é feito porque cada componente com que a pessoa se relaciona, desde os mais óbvios como o smartphone e o carro, até os mais inesperados, como o portão automático e a lâmpada da garagem, estão integrados e se comunicam livremente pela internet.

O nome “Internet das Coisas” vem exatamente desta realidade. Os pesquisadores perceberam que a internet hoje é uma internet de pessoas. O tráfego de dados existe essencialmente de máquinas que conversam entre si atendendo processos humanos. O tráfego de dados da Internet das Coisas será essencialmente de máquinas fazendo pedidos para outras máquinas de forma automática, sem intervenção humana no processo. Entretanto este é um fato que ainda não foi bem explicado ao público.

 

A Internet das Coisas é uma grande revolução social

Muitos cientistas hoje começam a pensar na vida do planeta sob uma nova escala. Biólogos começam a entender formigueiros não mais como um agrupamento organizado de formigas, mas como um organismo vivo inteligente. Demorou anos para que o conceito de entidade viva evoluísse do conceito de ser individualizado para um de um ser esparso, amorfo e sem conexão mecânica entre seus elementos. Este conceito levou ao surgimento da Teoria Gaia, proposta pelo cientista britânico James Lovelock em 1969, onde toda biosfera e toda geologia do planeta se juntam para formar um grande ser vivo.

Estas teorias influenciaram a forma como a paleontologia, a arqueologia e a sociologia encaram o fenômeno da sociedade humana. Hoje as sociedades humanas em todos os tempos são compreendidas como seres vivos e com comportamento inteligente. Porém as sociedades humanas possuem um diferencial quanto às demais sociedades: nós criamos ferramentas, e estas ferramentas não só são internalizadas à estrutura social, como a transforma. Foi assim com o machado de pedra, o domínio do fogo e a invenção da roda.

São vistos desta forma a evolução dos grandes meios de transporte, como os navios, trens e mais recentemente aviões e automóveis.

Um automóvel por si só não é uma entidade viva, mas quando dentro de um contexto humano, ele faz parte e transforma o tecido social, assim como o cálcio, uma verdadeiro mineral, forma nossos ossos e dependemos dele para viver.

É aqui onde a Internet das Coisas pode revolucionar a sociedade humana. Todos os objetos, do mais sofisticado avião à mais simples lâmpada elétrica, a introdução de elementos de automação é capaz de trazer algum nível de inteligência para objetos anteriormente passivos e sem vida. Com a Internet das Coisas, muitas das transformações do mundo real que hoje dependem exclusivamente da vontade humana passarão a ocorrer pela interação direta entre as máquinas. Isso irá transformar muitas das formas com que podemos nos relacionar com o mundo num futuro muito próximo.

Uma das melhores definições do que é a Internet das Coisas é dada pela Technopedia:

A Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) é um conceito de computação que descreve um futuro em que os objetos físicos todos os dias estarão conectados à Internet e serão capazes de identificar-se junto a outros dispositivos. O termo está intimamente identificado com RFID como o método de comunicação, embora também poderia incluir outras tecnologias de sensores, outras tecnologias sem fio, os códigos QR, etc..

Internet das Coisas é importante porque um objeto que pode representar a si mesmo torna-se digitalmente algo maior do que quando o objeto existe por si só. Não é mais o objeto se relacionando apenas com você , mas agora ele está conectado aos objetos ao seu redor, os dados de um banco de dados , etc. Quando muitos objetos agem em uníssono, eles são referidos como tendo inteligência ambiente.

Como vemos, esta definição abarca a hipótese da inteligência coletiva promovida pela Internet das Coisas.

 

O automóvel na Internet das Coisas

Dentro do universo que é a Internet das Coisas, o automóvel é um microcosmo em si mesmo, se relacionando com os dispositivos a bordo assim como diversos dispositivos que o circundam. Em princípio, a definição de carro conectado é bastante ampla, já que mesmo um carro com um rádio com Bluetooth que permita ouvir multimídia ou ligações telefônicas pode ser considerado como conectado. Entretanto, o conceito vai muito além.

Um carro moderno, por si só já possui uma rede embarcada que faz todos os subsistemas funcionarem. Esta rede controla e mantém conectados o motor, o câmbio, os sistemas de segurança como ABS, o controle de tração e de estabilidade, todo sistema de multimídia, entre outras coisas.

Por ali passam muitos dados de importância apenas imediata e que logo são esquecidos dentro do conceito fechado de automóvel. Entretanto, estes dados podem assumir diferentes aspectos quando são transportados para o mundo exterior.

Imagine quantas vezes você não parou em um cruzamento vazio porque o sinal estava fechado. Pensando de uma forma lógica, isso é uma idiotice. Puro desperdício de tempo e dinheiro, mas era a única forma de funcionar, dada a falta de interação entre o seu automóvel e o sinal à frente.

Mas num carro conectado não tem de ser assim. O carro pode se comunicar com o sinal à frente, e caso não venha ninguém, o sinal é mantido aberto para que você possa atravessá-lo com segurança e sem ter de parar inutilmente. Entretanto, se outro carro estiver se aproximando do cruzamento pela via transversal, o sinal pode ponderar a prioridade de cada carro, e caso o outro tenha a prioridade, você será avisado que deve parar antes de cruzar. Mas basta o outro carro atravessar o cruzamento, o sinal é liberado para você. Economia com segurança.

Outro exemplo mostra como informações aparentemente muito simples podem gerar informações muito sólidas. Vamos pensar em um limpador de para-brisa. É um dispositivo bem simples do automóvel. Um automóvel com um limpador ligado não quer dizer muita coisa, mas quando os carros próximos estão todos com limpadores ligados, isso é sinal de chuva. Parece uma ideia boba, mas é possível medir a fronteira que separa o tempo seco da chuva, e a velocidade do limpador é uma indicação da intensidade da chuva.

No caso de um carro convencional, o limpador de para-brisa apenas tem um motor que é comandado por um interruptor elétrico, mas num carro moderno o acionamento é feito pela eletrônica embarcada e, portanto, a informação de acionamento do motor do limpador é um dado disponível dentro da rede intraveicular, e que em um carro conectado pode ser informado externamente.

Se a operadora de uma rodovia recebe sinal de dezenas de carros ligando seus limpadores a partir de determinado ponto da rodovia, e medir as velocidades de acionamento deles, não só ela pode expedir um aviso de alerta para os motoristas que ainda não chegaram naquele ponto sobre a chuva e sua intensidade, como ela pode dinamicamente mudar as placas de velocidade da via para velocidades seguras, mais baixas, e ainda reforçar as informações para o serviço de meteorologia.

Se os carros começam a ter problemas de aderência, o acionamento do ABS e dos controles de tração e estabilidade podem indicar pontos escorregadios e novo alerta é expedido aos motoristas antes daquele ponto. Entretanto, um carro que esteja acionando em demasia os sistemas de segurança em relação aos demais pode receber um alerta de anormalidade para o motorista enquanto as autoridades na via podem ficar de olho nele.

Havendo um acidente, o sinal da bolsa inflável pode chamar automaticamente a equipe de resgate da operadora, e outro aviso pode ser enviado para os motoristas.

A conectividade promove alertas antecipados aos demais motoristas e ações pela operadora da via

A conectividade promove alertas antecipados aos demais motoristas e ações pela operadora da via

Caso haja o risco de inundação em um ponto, antes mesmo da chuva chegar, através de serviços de meteorologia, os motoristas podem ser alertados deste risco para que não passem pelo local e recriando rotas seguras nos seus GPS, evitando que fiquem presos e passem por uma situação de risco de morte.

O potencial da Internet das Coisas no automóvel é virtualmente ilimitado, mas ele pode ser muito mal compreendido. O consumidor está habituado com sistemas de informação e entretenimento no painel, sendo que estas aplicações já estão bem desenvolvidas. O verdadeiro potencial da Internet das Coisas nos automóveis não está em aplicações para o prazer do motorista e passageiros, mas na interação do automóvel com o ambiente que o cerca.

Por outro lado, o veículo deixa um rastro fácil de seguir, indicando todos os percursos feitos. Um risco para à privacidade das pessoas promovida pela Internet das Coisas.

 

O Efeito Videocassete

O entusiasmo da indústria de componentes eletrônicos com a Internet das Coisas é enorme. Especula-se um volume de negócios da ordem de 45 trilhões de dólares nos próximos anos relacionados com esta tecnologia. Da mesma forma, há enorme entusiasmo nas demais indústrias pelo uso desta ferramenta tecnológica.

O que alguns especialistas citam, entretanto, é a falta de vontade da indústria em explicar essa tecnologia para os consumidores. Não vemos muitas explicações a respeito, mas apenas casos isolados, como a de tarjetas para cobrança automatizada de pedágio.

Cobrança automática de pedágio é mostrada como ação isolada e não como parte de um projeto maior

Mas os consumidores/usuários também são vistos como um dos grandes desafios dessa tecnologia. Cada consumidor tem um modo de vida diferente, e as coisas que ele possui tem de atender às necessidades da sua rotina. Para que isso ocorra, muitos comportamentos dos dispositivos inteligentes precisam ser programados.

Voltando ao nosso exemplo anterior, quando o automóvel chegou à frente da casa, o portão automático se abriu e a lâmpada da garagem se acendeu para que os ocupantes do carro não entrassem na casa no escuro. Mas as lâmpadas são todas iguais no ponto de venda e não tem aplicação específica. A mesma lâmpada que serve a garagem pode servir a um quarto, à cozinha ou a um banheiro, mas o comportamento de cada uma será diferente quando estiver em seu lugar. Da mesma forma, a lâmpada da garagem de uma pessoa reage de forma diferente da de outra pessoa.

Essa diferenciação é feita através da programação dos dispositivos. Alguém tem de programar a rede da casa de forma que quando o carro for detectado chegando no portão de entrada, a lâmpada da garagem receba uma ordem para acender.

Para uma pessoa pode ser mais interessante que sua geladeira faça uma lista de compras e a pessoa seja redirecionada ao supermercado na saída do trabalho, como no nosso exemplo, mas para outra pode ser mais interessante que a geladeira faça o pedido diretamente ao supermercado e agende a entrega na hora que ela estiver em casa. Tudo isso tem de ser programado de alguma forma para que as coisas possam funcionar com perfeição.

Fala-se muito na indústria no potencial de serviços que podem ser gerados para pequenas empresas que façam estas programações, mas a realidade não é tão boa assim.  Quanto um consumidor estaria disposto a pagar para um bom programador desenvolver todas as rotinas de automação de sua casa? E para estes profissionais trabalharem por uma fração do valor da geladeira conectada desse consumidor não compensa.

Um passo mais próximo da realidade está na busca de interfaces de programação dos dispositivos que sejam tão simples de usar para que a programação possa ser feita por usuários leigos. Bonito de dizer, mas difícil de implementar, principalmente por causa do “Efeito Videocassete”.

O Efeito Videocassete tem esse nome graças à primeira manifestação dele em larga escala pelos consumidores. Durante a década de 1980, programar um vídeo cassete era uma função bastante elementar, mas a maioria dos usuários só sabia usar as funções básicas do aparelho. Recursos avançados, como a gravação de um canal de TV num horário pré-programado, nada difícil de ser feito, nunca foi usado na imensa maioria dos aparelhos, pelo menos pelos adultos, por questão de medo de lidar com a tecnologia e até mesmo por preguiça ou comodismo. As crianças, mais ativas, curiosas e menos medrosas, lidavam com primazia a programação destes aparelhos.

O Efeito Vídeocassete é a soma de dois comportamentos dos usuários, que por um lado têm certa preguiça e falta de curiosidade e pelo outro, um certo receio de manusear uma tecnologia que eles não compreendem, que à guisa da Esfinge para Édipo os desafia.

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– Decifra-me ou te devoro!

Hoje o Efeito Videocassete é bastante presente, mas está mais disfarçado.
– Pergunte às pessoas que tem carros modernos com computadores de bordo avançados o quanto elas sabem mexer nas funções desses dispositivos. A maioria só sabe o básico mais elementar.
– A maioria das TVs LCD possuem inúmeras funcionalidades, mas a maioria das pessoas só sabem trocar de canal e aumentar ou diminuir o som.
– Olhe o que a maioria das pessoas tem de aplicativos em seus smartphones. São os aplicativos mais básicos, geralmente relacionados com redes sociais. Muitos usuários de smartphones pediram para um amigo para instalarem e configurarem os aplicativos para eles, porque eles mesmo nem sabem mexer.

 


Um efeito colateral do Efeito Videocassete é observado nos computadores pessoais, indo dos desktop’s a até os smartphones. Trata-se da interface gráfica. As primeiras interfaces gráficas a chegarem ao grande público vieram em computadores Machintosh e depois PCs com Windows há mais de 30 anos. O que se observa ao longo desse tempo é que, quanto mais as interfaces gráficas avançam para tornar o uso do computador mais fácil, os usuários se acomodam ainda mais e exigem ainda mais facilidades para a próxima versão.

Outros usuários, ao contrário, se mostram refratários à mudança para uma nova versão de interface “desconhecida” porque não querem passar por um novo processo de aprendizagem. Esta constante acomodação do usuário leva a indústria a um ciclo constante de evolução para as pessoas continuarem fazendo o mesmo que faziam há 10 ou 20 anos. E as interfaces gráficas nunca são consideradas 100% efetivas.

Se pensarmos em termos de Efeito Videocassete, será que um consumidor trocaria sua geladeira atual, simples, confiável e que ele entende, por outra, “smart” e conectada, pronta para a Internet das Coisas, sabendo que, ou ele paga para alguém fazer a programação, ou ele se mete a programá-la, ou que sem a programação ela vira um elefante branco no meio da cozinha?

E por outro lado, será que ele aceitará que seu assistente pessoal, falando através da geladeira conectada, o repreenda por escolher comer aquele pedaço de pizza em vez de uma saladinha saudável porque a balança do banheiro informou que ele está acima do peso?

A gana do consumidor pela grande novidade da Internet das Coisas é uma das grandes incógnitas da indústria, e esse é um dos motivos dela estar começando tão devagar.

 

A Babel digital

A maior dificuldade enfrentada hoje pela Internet das Coisas não é de ordem técnica. Tecnologia é, em muitos casos, mais do que suficiente para cumprir seu papel. A maior dificuldade é de padronização de protocolos. Antes de explicar o problema, vamos entender o mecanismo do protocolo através de um exemplo.

Imagine você conversando com outra pessoa através do telefone. Você nunca viu aquela pessoa, mas pode conversar facilmente com ela porque os dois falam o mesmo idioma, o português, por exemplo. A língua é para os humanos um protocolo de comunicação.

O protocolo nivela diferenças. Uma vez que duas pessoas se entendem pelo telefone, torna-se pouco importante outros elementos estruturais dessas pessoas, como sexo, cor da pele ou idade. Você pode conversar com uma pessoa por anos a fio e conhecê-la apenas recentemente e descobrir que ela é fisicamente bem diferente de como você a imaginava.

Mas imagine que você ligue para alguém e essa pessoa fale mandarim. Você não fala mandarim e ela não fala português. Isso torna a comunicação impossível entre as partes. É por isso que o inglês se tornou a língua universal no presente. Mesmo com línguas-mãe diferentes, pessoas que aprendem o inglês provavelmente poderão se comunicar com pessoas de outras origens.

O mesmo ocorre entre computadores e dispositivos. Para se comunicarem, é importante que eles dialoguem usando os mesmos protocolos.Mas da mesma forma como o inglês foi universalmente como língua de referência, para a internet o World Wide Web Consortium (W3C) é um organismo internacional responsável pelo estabelecimento de todos os padrões que mantém a internet unificada, incluindo a padronização de protocolos.

Entretanto, como a Internet das Coisas ainda é coisa de laboratório mas promete ser uma grande fonte de recursos, ela logo chamou o interesse de grandes grupos que logo propuseram quatro padrões de   protocolos para comunicações entre objetos. Três dessas propostas são abertas, livres de royalties e direitos de patente, envolvendo não apenas protocolos digitais, mas também de sinais de rádio ou outras mídias. Em grupos diferentes vemos empresas como Google, Intel, Qualcomm, Samsung e outras gigantes.

Correndo por fora, a Apple propõe um quarto protocolo, mas de acesso bem mais restrito, visando essencialmente a funcionalidade de seu próprio ecossistema. O W3C vem lutando ativamente para unificar todos estes protocolos em um padrão único, de forma a torná-lo equivalente à web para os computadores pessoais.

Analistas vem avisando que quatro protocolos diferentes é intolerável, pois levará a Internet das Coisas à fragmentação e a criação de ilhas da fantasia funcional, onde nem todas as coisas conversarão livremente entre si. Isto seria o golpe de misericórdia em um negócio que pode ser bom para todos. Mas muitos enxergam o termo “interoperabilidade” como um palavrão, e acreditam ser melhor insistir em seu próprio protocolo por motivos mais imediatistas.

Esta briga, alimentada por muitos interesses particulares, é o principal entrave para a adoção em larga escala da Internet das Coisas.

 

A Internet das Coisas e o mercado de smartphones.

Os smartphones são peças centrais nas estratégias da Internet das Coisas. É por meio dele que as pessoas são identificadas, se conectam à internet e comandam todas as coisas. Eles são o terminal de controle pessoal de todo sistema. Entretanto, como vimos na introdução desta matéria, os grandes fabricantes de smartphones atingiram no final de 2015 um patamar de vendas, e esperam vendas em declínio em 2016. Os bons dias de vendas sempre crescentes ficaram para trás.

Muitos analistas culpam a atual crise econômica nos países emergentes como o Brasil para a crise dos smartphones. São as análises mais imediatistas e que passam a impressão que assim que a crise econômica passar, a antiga bonança do crescimento infinito retornará. Esta é provavelmente a análise mais errada que possa ser feita no momento.

Vamos recuar no tempo para entendermos melhor o problema. Os computadores PC desktop gozaram de uma longa curva de adoção que durou mais de 30 anos, e que atingiu um pico em 2010. Após isso, as vendas começaram a decrescer em ritmo cada vez mais acelerado. Os analistas mais imediatos previram que o problema era que o crescimento do mercado de notebooks estava canibalizando o mercado de desktops. Era uma forma de mercado de substituição, onde um notebook era comprado para substituir um PC desktop antigo. E todos aceitaram essa explicação.

Tempos depois foi a vez dos notebooks sentirem o mesmo decaimento de vendas, e os mesmos analistas apontaram como a causa desse decaimento ao lançamento dos tablets. Houve até a previsão de que os tablets substituiriam quase que por completo os notebooks, previsão apressada tendo em vista as severas limitações de interface dos tablets para produtividade. Mas novamente essas explicações foram aceitas.

Mas, para surpresa de todos, os tablets seguiram rapidamente o decaimento de vendas dos desktops e notebooks, e novamente apontaram para um culpado: os smartphones de tela grande, que inicialmente até ficaram conhecidos por “phablets” (mistura de smartphones e tablets).

Agora é a vez dos smartphones darem sinais desse decaimento das vendas, e o bode expiatório é a crise econômica dos países emergentes.

Porque essas análises não são coerentes? Se o declínio das vendas de PCs e desktops ocorreu em função do crescimento das vendas de notebooks, então quando as vendas de notebooks caíram, o crescimento de desktops deveria ter retomado o rumo, mas isso não aconteceu. O mesmo pode ser dito dos notebooks com os tablets. O problema não é esse.

A causa dos sucessivos decaimentos de vendas dos diferentes dispositivos é que todos essencialmente possuem a mesma natureza básica: são terminais de acesso à internet e assistentes digitais pessoais. O que os diferencia de forma significativa é sua mobilidade. O que observamos é uma saturação do mercado da grande categoria que junta todos esses dispositivos, e o decaimento por su-categoria seguiu uma ordem crescente de mobilidade. Esta visão mais integrada de crise de uma grande categoria comum ajuda a entender porque outra subcategoria recente do mesmo grupo, a das Smart TVs, não teve a aceitação esperada.

As pessoas começaram a acessar a internet por meio de desktops e mais raramente por notebooks. Conforme a tecnologia de mobilidade foi avançando e os preços caindo, as pessoas foram substituindo desktops por notebooks, notebooks por tablets e tablets por smartphones de tela grande, deixando as opções mais antigas para aplicações mais específicas.

Mas a evolução tecnológica não se resumiu a isso. Muitos dispositivos já idosos, são ainda bons o suficiente para uma boa experiência na internet e para o trabalho convencional. Na falta de inovação real no setor, as pessoas não veem necessidade de trocar de dispositivo por um novo. Isso gera a saturação e o amadurecimento dos mercados. Muitos computadores rodando sistema operacional Windows XP, muitos com oito ou dez anos de fabricação, continuam úteis e ainda representam a terceira plataforma de desktops da internet.

Os picos de vendas ocorrem quando as vendas vão progressivamente reduzindo seu crescimento até que ele tem crescimento zero e as vendas nivelam. Não é incomum que o crescimento se torne negativo após o pico, ou seja, que haja retração nas vendas.
Muitos analistas pintam cores otimistas mesmo quando a desaceleração do crescimento é evidente. Ao invés de mencionar a desaceleração e previsão de pico futuro, persistem na análise de que as vendas continuamente estão batendo recordes, dando a entender que elas nunca vão parar de crescer.

Entretanto, como alertou outro analista, “um foguete continua subindo mesmo quando o combustível acaba. Ele segue cada vez mais alto, mas em algum instante ele alcança a altura máxima e passa a cair a partir de então.” A ideia otimista de que o mercado sempre está continuamente batendo recordes cria uma ilusão para investidores e consumidores. Ela pode ser útil para uma oscilação natural do mercado e evitar alarmismos, mas a longo prazo, se mantida, em algum instante a verdade terá de ser dita. E esse momento nunca é agradável.

Mas essa crise poderia ser prevista? Vejamos o gráfico a seguir, com dados do IDC sobre o crescimento das vendas de PCs desktops:

Crescimento de embarques de PC's novos

Crescimento de embarques de PCs novos

Neste gráfico vemos nitidamente que o crescimento das vendas de PCs passa a negativo em um ponto por volta de 2011. Percebemos também que os valores positivos não ultrapassam os 15% e os  negativos não ultrapassam os -10%.

Agora vejamos o gráfico de crescimento de vendas de smartphones, também com dados o IDC:

Crescimento do mercado de smartphones (fonte: IDC)

Crescimento do mercado de smartphones (fonte: IDC)

A primeira coisa que notamos é que o pico  dos smartphones ocorreu no terceiro quadrimestre de 2010, portanto muito próximo do mesmo pico dos PCs desktop, o que reforça a tese de correlação entre eles, explicada por ambos pertencerem a uma mesma macro categoria de produtos.

Outro detalhe é observar que o pico dos smartphones ocorreu com uma taxa de crescimento de mais de 90% ou mais de 6 vezes o pico dos PC’ desktops. Esta diferença é que fez com que os desktops tenham atingido o pico de vendas (crescimento zero) seguido de decaimento muito mais cedo que os smartphones.

Também é digno de nota que o segundo gráfico possui uma curva muito bem comportada, e que até uma criança poderia ao longo de 6 anos fazer a projeção que o pico de vendas ocorreria por volta do começo de 2016, fato que realmente ocorreu. E basta continuar as projeções para perceber que o futuro imediato não é nada bom, com decaimento significativo das vendas.

Estes gráficos também contradizem muitos analistas de último instante que preveem que as vendas se estabilizarão no pico, uma típica previsão reconfortante de curto prazo. Para que as vendas de smatphones se estabilize, a curva descendente teria que dar uma guinada, algo que não foi feito pelos fabricantes em 6 anos e que não ocorreu com os outros tipos de dispositivos da mesma grande categoria. Difícil acreditar nessa mudança de tendência agora. Nem os próprios fabricantes espelham essa esperança em seus relatórios.

De todos os fabricantes de smartphones, a empresa mais prejudicada com a desaceleração do setor certamente é a Apple. Ela detém mais de 90% dos lucros do setor de smartphones, sendo que 61% dos lucros da empresa derivam diretamente das vendas de aparelhos iPhone e todo o resto do portfólio de produtos e serviços depende de alguma maneira do iPphone. Segundo o balanço da empresa divulgado recentemente, outros produtos como Apple TV, Apple Music e Watch oferecem lucros apenas marginais e dificilmente conseguirão crescer o suficiente para compensar qualquer diminuição da lucratividade vinda do iPhone.

Outro problema que afeta a empresa é que ela não investiu na diversificação de produtos e serviços em plataformas concorrentes ou outros mercados, como faz a Microsoft e a Samsung, se fechando dentro do próprio ecossistema. Algo que afete esse ecossistema afeta a empresa como um todo, sem que a empresa tenha um plano “B” para manter a lucratividade. Certamente a desaceleração e retração de vendas do setor de smartphones afetará a Apple como nenhuma outra companhia.

Sendo um gigante do setor de tecnologia da informação, uma previsão ruim para a Apple é uma previsão ruim para todo o setor, incluindo a Internet das Coisas.

 

As incertezas do carro conectado

A ideia do carro conectado é natural e vem sendo desenvolvida de forma competente. Ela possui certas características de infância da tecnologia, algo que percebemos nitidamente quando comparamos a primeira geração de smartphones e os modelos atuais. Mas isso é natural. Entretanto, os sistemas de conectividade nos automóveis estão sob várias ameaças.

Para começar, a crise dos smartphones tendem a contaminar as iniciativas de conectividade dos automóveis. O computador no painel do carro é um dispositivo que pertence à mesma macro categoria a que pertencem PCs desktops e smartphones. Sendo uma crise de demanda dessa macro categoria, é bem provável que a iniciativa de conectar os carros seja afetada por ela também.

Há também o desafio de como os usuários irão encarar os novos sistemas. Muitos consumidores leigos já possuem carros com conexão via Bluetooth para ouvir música e atender ligações telefônicas. Outros já possuem telas coloridas com funções de mapas e controle do ar-condicionado. Os novos sistemas de conectividade podem receber uma percepção limitada pelo usuário, que o imagina como apenas um aprimoramento dos sistemas que ele está acostumado. O Efeito Vídeo Cassete pode amplificar esse engano. Seguindo essas premissas, as pessoas possivelmente continuarão comprando carros apesar do computador conectado e não por causa dele.

A faceta da atualização tecnológica também é um grande desafio. Para usuários de smartphones, a atualização constante de versões do sistema operacional é ponto chave. Muitos usuários do sistema Android reclamam com razão da demora para os fabricantes lançarem atualizações, fundamentais na correção de bugs e de falhas de segurança.

Esta falha por parte dos fabricantes de automóveis em atualizar constantemente os softwares dos veículos, mesmo os modelos mais antigos testará a paciência dos donos dos automóveis, e pode influenciar nas decisões futuras de trocas de carros pela marca atual ou da do concorrente, não só dele, mas de muitos à volta dele.

A constante atualização tecnológica é importante em outras facetas:

– Depois que foi demonstrado num Jeep Cherokee que carros conectados podiam sofrer invasões por hackers e comandados remotamente, sem o desejo do motorista, os consumidores ficaram assustados com o risco que isso representa. Manter o sistema constantemente atualizado é um fator que gera uma sensação de segurança pelo usuário, algo que os fabricantes não podem desprezar.
– Uma coisa é um smartphone de R$ 1.500,00 ficar obsoleto em dois ou três anos e precisar ser trocado. Outra coisa completamente diferente é um carro feito para durar mais de 10 anos ter o computador do painel obsoleto em dois ou três anos. A atualização tecnológica é fundamental para que a obsolescência da eletrônica do carro não seja severa.
– Os sistemas de conectividade lançados hoje precisam prever as necessidades futuras em cinco  ou seis anos pelo menos, e muito disso depende do projeto de hardware, algo que não pode ser atualizado através de um simples download, e mesmo as atualizações de software futuras não podem deixar o sistema lento.

O futuro do carro conectado passa pelo entendimento pleno do que ele é e do que ele é capaz de fazer pelo motorista e pelos ocupantes do carro. A grande ideia do carro conectado não é a de promover diversão e distrações ao motorista, mas a de integrá-lo a um mundo muito maior através da interação entre máquinas sem interferência humana.

Mas tudo isso tem de ser bem explicado para o motorista e mostrado como se usa, e não apenas dizer “que o carro agora está conectado e compatível com os sistemas X e Y”. A falha em comunicar ao usuário para que serve a nova tecnologia levará à compreensão errada do que ele significa e o projeto não alcançará os objetivos pretendidos.

Carros conectados são considerados tanto uma evolução natural do automóvel como também um fator de estímulo à compra de novos veículos, uma esperança para fabricantes de automóveis e de chips. Entretanto, o desaquecimento dos mercados de dispositivos conectados, de desktops a smartphones, os atrasos na oferta e as dificuldades de adoção da Internet das Coisas, e a possibilidade dos novos computadores de painel conectados serem confundidos com meros rádios evoluídos, podem anular estes esforços.

Não é uma questão de dizer que os fabricantes de carros estejam errados em persistir no carro conectado. Essa evolução é natural e está de acordo com a realidade técnica, e os fabricantes tem feito o seu melhor. O grande desafio é que a indústria começa a lançar seus primeiros modelos dentro de um quadro desafiador que pode consumir quase todo o esforço para alavancagem de vendas dos carros conectados, o que pode frustrar expectativas.

A grande questão passa não só pelos fabricantes de automóveis, mas de todos os dispositivos, que precisam lentamente preparar o consumidor para o futuro que estão planejando para todos nós.

AAD

Fontes das imagens:

http://www.appdevelopersalliance.org/internet-of-things/auto/
https://www.artstation.com/artwork/BXdgm
http://www.digikey.com/en/articles/techzone/2014/jul/what-engineers-need-to-know-when-selecting-an-automotive-qualified-mcu-for-vehicle-applications
http://www.auto-medienportal.net/artikel/detail/25729
http://www.autonews.com/article/20150301/OEM06/303029948/volvo-to-unleash-self-driving-cars-on-swedish-roads
http://www.15min.lt/gazas/naujiena/naujoves/2020-metais-jau-turesime-automobilius-kuriems-nereikes-vairuotojo-anot-general-motors-219-175310
https://www.linkedin.com/in/anthony-tony-brown-6b96615a
The Internet of Things – or the emperor’s new wearables?
http://www.minyanville.com/special-features/from-the-buzz-banter/articles/The-Tech-Twilight-Zone-Tablets-Are/6/13/2014/id/55293
https://theoverspill.wordpress.com/tag/microsoft/
http://beyondmena.com/category/observations/technology-observations/
http://www.vidadesuporte.com.br

Sobre o Autor

André Dantas

Engenheiro Mecânico / Mecatrônico formado pela USP/São Carlos e técnico eletrotécnico pela Escola Técnica Federal de São Paulo. É um tipo de Professor Pardal e editor de tecnologia do AUTOentusiastas. Também acumula mais de 20 anos de experiência em projeto, montagem, ajuste e manutenção de máquinas e equipamentos pesados com sistemas de automação além uma empresa de Engenharia Pericial com foco no ramo automobilístico.

  • Alexander NotTheKing

    Espero estar morto no dia que for obrigado a ir ao supermercado lembrado pela minha própria geladeira. Sempre achei a ideia esdrúxula, cheia de falhas, para tudo dar certo só mesmo uma pessoa ultra-organizada, cheia de TOCs.

    Viver livremente sem ter a intromissão de dispositivos tentando te lembrar de algo é maravilhoso, imagina esta parafernália toda te inundando de propaganda. Ou alguém acha que toda esta informação será usada como? Com o único objetivo, fazer você gastar, gastar, gastar, de preferência com algo inútil.

    Hoje no meu email já recebo mais de 100 spams por dia, vez ou outra dou uma olhadinha na caixa de spam para ver as empresas que estão me enviando enganações, digo, promoções.

    Fora os spam tem as tentativas de pishing, dúzias diárias, o 171 no Brasil é a fonte de renda de metade da população.

    • Battousayx

      Onde é o caixa para fechar o texto?..
      Perfeitamente comentado.
      Trabalho na área desde os 15 anos (por amor) e hj tenho 31, não tenho facebook, não tenho instagram, twiter e uso Whatsapp por força maior. Gosto ainda de ver os rostos das pessoas e falar com elas isso é iteração de verdade pra mim. Com tudo isso vamos acabar ficando que nem aquelas pessoas do filme Wall-e que na nave espacial por estarem trocentos anos sem andar viraram pedaços de carne que falam. A tecnologia melhora a vida das pessoas, torna ela mais segura, sim. Mas nunca como antes visto, ela tem escravizado as pessoas e tornando elas cada vez menos sociáveis e cada vez mais individualistas. Muitos acham que por estarem atrás de um teclado se acham invulneráveis imortais ou conhecedoras e entendedoras de tudo. HJ em dia já é quase um nojo navegar na internet por causa das propagandas que invadem a sua privacidade, imagina quanto estiver no seu relógio, geladeira… não gosto nem de pensar. As melhores invenções para mim e insubstituíveis são: o carro, o telefone, o condicionador de ar, geladeira e a bicicleta… tem outras coisas mas que na sua essência são ótimas invenções.

      • José Cristófalo

        No fim é isso mesmo. Comunicação é algo muito bom, mas seu excesso leva a isso.

        Uma overdose de comunicação onde as pessoas pessoalmente são inexistentes, como zumbis. É como se nem existissem fora do mundo virtual.

      • Newton (ArkAngel)

        Hehehe, eu chamo essas redes sociais de “redes anti-sociais”.

        A maioria perdeu a noção do significado da linguagem, fora a distorção proposital no sentido de muitas palavras para atender determinadas ambições de determinadas instituições, se é que me entendem…

    • José Cristófalo

      Na mosca. Isso é coisa que atende a quem tem TOC, a quem quer ficar com um exibicionismo tecnológico inútil ou atender a manias insalubres.

      Ninguém precisa ser lembrado de tantas coisas em tantos detalhes, temos cérebro. O que existe é a necessidade de ter cada passo seu registrado para fins de controle e comércio.

  • Käfer,
    o Windows XP, o que uso no meu PC de trabalho, melhor ainda! Tenho o W7 no netbook que levo em viagem e, francamente, como o XP é melhor. Agora, a Caixa Econômica Federal não é um banco destinado mais ao povo? Pois bem, o internet Banking agora bloqueia o XP, só de W7 para cima. Enquanto isso, o privado Itaú aceita o XP normalmente. Então a CEF (o governo) quer que o pobre compre W7~W10 e em muitos casos precise mudar de máquina. Essa raça (petista) não vale mesmo o que defeca.

    • F A

      Uso 2 micros com frequência. Um com XP e outro W10. Não consigo mais gerar NF-e em nenhum. A Receita não aceita mais o XP e ainda não está preparada pro W10. E o usuário que se ferra.

      • FA,
        nota fiscal municipal ou estadual? No meu XP extraio a municipal sem problema. A estadual não sei, não emito há bastante tempo.

  • Lemming®

    O problema não é, do meu ponto de vista, essa conexão extrema mas sim como será usada e melhor ainda em como será garantida a segurança de tanta informação.
    Como seguro saúde ou de qualquer outra coisa será garantido ou negado baseado nos hábitos deste indivíduo.
    E conhecendo a terrinha do patropi que mal e porcamente fornece acesso a Internet em como isso irá sobrecarregar a precária infraestrutura que temos.

  • Lemming,
    comecei a usar o internet banking em 2004 e nunca sumiu um centavo de real das minhas contas. De qualquer modo, foi um abuso da CEF. Se eu quiser segurança, eu a peço, não preciso que “zelem” por mim. Esse patrulhamento me incomoda. Mesma coisa o “essa mensagem será gravada para sua segurança.”. Eu a pedi?

  • Lucas,
    claro, mas não há como roubarem minha senha. Ela não está no computador.

    • Lucas

      Mesmo assim, ainda pode haver problemas. Sistemas operacionais saem com vulnerabilidades de segurança que vão sendo corrigidos a medida que vão sendo descobertos. Um bug desses que não é corrigido fica como uma potencial brecha de segurança em aberto, que pode ser explorada por alguém mal intencionado. Dependendo da vulnerabilidade, é possível roubar a sessão do navegador em que o banking está em execução, sem necessidade da senha, ou até assumir o controle total do computador. Não tenho certeza se o XP ainda recebe atualizações de segurança. Enfim, sei que isso que estou falando não é novidade para ti, mas fica a dica para os demais.

      • Lucas,
        foi amplamente divulgado pela própria Microsoft, o XP parou de ser atualizado em abril de 2014. Mas vou tocando com ele. Obrigado pelas informações.

      • José Cristófalo

        Não existe sistema operacional sem bugs.

        Em termos de arquitetura, sistemas com chaves de permissão como todo Windows depois do NT, XP por exemplo, além de Windows e MacOS de vários anos para cá, explorar um bug geralmente exige que o usuário autorize a instalação de um programa mal intencionado.

        Se você não instalar o bug não consegue ser explorado. Isso aí é para vender produto. Por muito tempo a guerra dos browsers se fundamentou no número de bugs e correções de segurança que um ou outro tinha.

        No fim era o sujo falando do mal lavado e quando um navegador passava a ser o mais popular, logo ele virava o maior alvo de hackers e ele virava o com maior número de bugs conhecidos.

        Na prática não conheço ninguém que tenha perdido dinheiro com qualquer navegador ou sistema operacional modernos. Se perdeu é porque instalou programas maliciosos e contra isso nenhuma arquitetura pode fazer nada.

        • Lucas

          “Se você não instalar o bug não consegue ser explorado”. Não é bem assim. Bugs são descobertos a todo momento, e temos que lembrar que computador não é só sistema operacional. O que defendo é a atualização constante dos sistemas para a eliminação dos bugs. Desse jeito sim, a exploração de um bug vai depender do OK do usuário. Mas vulnerabilidades conhecidas não podem ser deixadas sem correção.

    • Silvio

      Bob, e o efeito Video K7. Quase beta max.

      As tecnologias normalmente aparecem para facilitar a vida e melhorar a experiência de usá-la. A Microsoft segue o padrão uma no cravo uma na ferradura. 3.11; 95; 98; Me; XP; Vista; W7; W8; W10. Cada geração apresenta novas funções e novos conceitos, e muitos geram problemas com os usuários. E a vida segue dois passos pra frente, um passo pra trás. Esse é o modelo da MS.

      O XP é sem dúvida um sistema operacional magnífico, foi comercializado por mais de 10 anos. Suas versões iniciais eram sofríveis, em especial em equipamentos não desenvolvidos para seu uso. Acontece que conforme o tempo foi passando os problemas foram sendo corrigidos e os hardwares ficando mais avançados, com o isso o XP ficou “leve” para esse novo ambiente. Mas a realidade, em especial no tocante à segurança nos dias de hoje não é mais suportada por este Sistema Operacional.

      Então fazendo uma analogia com a indústria automobilística, é como um carro que foi vendido por 10 anos, e então saiu de linha, para dar lugar a um novo modelo mais econômico, ou mais sofisticado, moderno, leve, seguro, etc… A montadora mantém um estoque de peças nas revendas autorizadas por um tempo, e segue fornecendo peças “originais”, mas uma hora isso acaba. Hoje é quase impossível comprar uma peça para um carro que saiu de linha 10 anos atrás em uma concessionária. Seja pela falta de estoque, ou pelo preço.

      Pois bem, a MS seguiu atualizando o XP pelo período de 5 anos após o término das vendas, isso aliás é regra da indústria de Softwares, e consta em contrato (aquele que ninguém lê, e aceita).

      Por outro lado a CEF está te prestando um serviço, que existe um risco. Então fazendo nova analogia ao mundo automotivo, falemos de seguros. Algumas seguradoras simplesmente não aceitam mais novas apólices para veículos com mais de 10 ou 15 anos. Os motivos são vários, entre eles o custo de reparação elevado em alguns modelos. Voltando ao tema, a CEF está mitigando riscos, que você não pediu para que eles façam, mas eles precisam fazer, pois o nome deles está em jogo, falhas de segurança em aplicativos desatualizados são o maior vetor de ataques. Quer ter carro “velho” (eu amo carros antigos, então o velho aqui é no entendimento deles) não vai ter seguro. Quer usar XP então não vai usar Internet Banking. Essa é a lógica.

      Então do mesmo jeito que o governo nos obriga a ter carros mais seguros com airbags, ABS, etc. Os bancos te obrigam a ter Sistemas Operacionais atualizados, e softwares que possam suportar adoção de novas tecnologias. No fundo nem um nem outro está preocupado com seu bem estar, mas estão preocupados com o $$$ nos cofres deles.

      PS: Escrevendo sobre o motivo que me fez comentar, sim em uma máquina desatualizada (numa atualizada também, mas o risco é menor) eles podem roubar a sua senha, de diversas maneiras. O XP em abril fará um ano sem suporte, e o IE em breve ficará sem updates da mesma forma.

      PS2: Sugestão, tente ao menos utilizar um navegador atualizado, sugiro o Firefox, e manter os plugins igualmente em dia (em especial Java e Flash). E claro um bom antivírus igualmente atualizado diariamente (sugiro Avast para uso doméstico).

      • Sílvio,
        agradeço a paciência de me explicar tudo isso. Uso o Firefox há anos. IE, nem pensar.

  • F A

    Justo agora que a VIvo quer colocar limite de dados mensal. No Brasil é só involução.

    • FA,
      não recebi esse aviso. Desde quando?

  • André K

    É interessante pensar até que ponto as pessoas que ainda tem percepção do que está ocorrendo (as não idiotizadas) tem poder de decisão sobre o rumo que as coisas tomarão. De cabeça (não será tão preciso) me lembro que Domenico De Masi escreveu em “A Sociedade Pós Industrial” que nesta etapa em que estamos (e, já não é de hoje) as decisões estratégicas são tomadas muito distantes de nós e, pior, em geral, muito antes.

    • André, percebo isso muito bem quando eu falo para alguém insatisfeito experimentar o Linux. Ninguém quer pensar ou se incomodar em aprender um novo sistema.

      Quando eu falo do obssessivo envio de dados da máquina para um endereço da Microsoft pelo Windows 10, muita gente acha ridícula essa minha preocupação.

      Quero só ver o dia que o sujeito começar a perceber que o banco começou a cobrar juros exorbitantes, crédito é recusado, que o emprego que o amigo arranjou pra ele não vingou e só depois ele descobre que tem alguma doença e que todo mundo sabia disso antes dele. Aí quero ver se o rastreamento cerrado vai ter pouca importância para ele ou não.

      Eu comecei a mexer no Linux em Janeiro de 1999, quando se fazia realmente muita coisa no sistema “no braço”. Hoje acho que instalar e usar o Linux é tão fácil quanto o Windows.
      Tem lugares onde eu comento isso e o pessoal dá até risada.

      • José Cristófalo

        Hoje o maior espião de dados do mundo é o Linux, que serve de base ao sistema Android. O sistema Android nada mais é que um jeito do Google conseguir relacionar e indexar cada passo dos seus dados e da sua utilização da internet.

        Linux é bom para quem quer vender suporte ou ideologia. Vendedores de ideologia hoje nos governam e o resultado está aí.

        O debate tecnológico interessa tanto quanto o do motorista de Fusca. Os comandos e funções são todos mais ou menos os mesmos, o que interessa é a verdade por trás, o modelo por trás.

        Se ele não trás uma diferença além da tecnológica, é como trocar uma central multimídia pela outra. Nada muda.

  • Mr.FND

    Cláudio Abreu, nós ainda temos escolha! Ninguém é obrigado a usar um smartphone, ninguém é obrigado a usar a internet. Em relação ao contato olho no olho também é uma questão de escolha, e cabe aos pais (digo isso por experiência própria) educar os filhos para que não se isolem em um mundo virtual. Nós estamos vivendo em uma sociedade completamente individualista e cabe a nós, a cada um de nós, tentar mudar isso. Por outro lado, a facilidade de acesso à informação nos dá oportunidade de não sermos manipulados. O problema é que ninguém quer ir a fundo buscar as informações. É tudo correndo, superficial, na velocidade da banda larga e do Wi Fi. Abraço.

    • CorsarioViajante

      Concordo. O difícil é isso, se policiar para não ir com a manada. Eu não tenho mais o FB no celular, e mesmo no computador só entro no perfil da empresa. Melhor coisa que fiz.

  • FA,
    uso a Receita todos os meses para pagar esse novo INSS das empregadas e o carnê-leão.

  • Lemmimg.
    o W XP não tem nada de obsoleto, funciona perfeito e não deixa a máquina lenta. O que houve foi uma safadeza inominável da Microsoft em cessar atualização, coisa típica de”dá um trabalho danado.” Inclusive o app de e-mail Outlook Express, residente do XP, é insubstituível. Essa caso tem tudo a ver com matéria de ontem do André Dantas sobre a Internet das Coisas.

  • F A, isso é para quem tem acesso via ADSL (linha de telefone). Fibra continua livre, por enquanto.

    Fibra tem outro golpe, e é praticado assim no mundo todo.

    Pensa numa casa que tem rede interna de 100 Mbps e um link de internet de 1 Mbps. Qual seria a velocidade medida entre computadores rodando dentro da rede interna? 100 Mbps. Mas e se o ponto medido estivesse na internet? 1 Mbps.
    O golpe da fibra é exatamente esse.

    Quando você adquire um plano em fibra ótica, a conexão de fibra não vai direto para os roteadores da internet aberta como era no ADSL, mas para uma “rede local” (ou “ilha da fantasia”, se preferir) chamada PTT. Muita coisa você acessa do PTT, mas o que você tiver de buscar fora do PTT tem que passar pelo link da operadora.
    É aí que está o golpe.

    Lembra que nos planos ADSL as operadoras só garantiam 10% da velocidade contratada? Isso era por causa de uma limitação técnica que ainda existe em liberar 100% de tráfego simultâneo para todos os usuários.
    Só que isso gerou reclamações de usuários no mundo todo e bateu nos direitos do consumidor. Aí criaram o golpe.
    O golpe consiste que a garantia de velocidade do plano é garantida na conexão entre a casa do usuário e o PTT e não com a internet aberta. Isso é padrão no mundo todo, inclusive no Brasil com aval da ANATEL.

    No PTT você pode ter links diretos para vários provedores de conteúto (Google, Facebook, UOL, etc.). Esses conteúdos você acessa na velocidade do PTT. Mas o que não estiver ligado diretamente no PTT, você vai depender da conexão da operadora.

    Imagine que você queira assinar a Apple TV, e esse serviço não tenha conexão direta com o PTT.
    Antes de contratar o serviço, faça o seguinte teste:
    – Faça um teste com o speedtest.net. Ele vai te propor o “melhor servidor” e vai medir a velocidade e confirmar a velocidade contratada. Você vai ficar feliz. Só que o servidor mais próximo do serviço vai estar conectado no PTT ou “ilha da fantasia”. Não é uma medição real.
    – Refaça o teste, mas desta vez escolha um servidor na California, onde ficam os servidores da Apple TV e que provavelmente usará a mesma rota de tráfego de dados. Você vai tomar um susto com a velocidade. Isso acontece porque agora o tráfego está saindo do PTT pelo link da sua operadora, e ela limita bastante a sua banda.

    Você ia contratar a Apple TV para assistir filmes em 4K simultaneamente em 2 aparelhos na sua casa, mas não tem banda nem pra assistir em Full HD em um dos aparelhos.

    Quer piorar a conversa? Já passei essa dica pra muita gente, e os valores que obtive no meu link de 50 Mbps em servidores da Flórida (onde sai um cabo submarino com um backbone do Brasil com a internet mundial) é semelhante ao de quem anda assinando planos de 200 Mbps.
    Esses planos supercaros são pura ilusão.

    Na fibra ninguém vai falar em cortar a conexão porque isso pega mal pros negócios. O tráfego dentro do PTT tem custo mínimo pra eles e não compensa regular, mas eles podem estrangular a conexão entre o PTT e a internet aberta o quanto quiserem na hora que quiserem, com plano novo ou antigo.

    Planos supercaros como os de 200 Mbps só tem uma boa razão para serem adquiridos. É a situação de uma empresa com uma matriz e uma filial que assinam o mesmo provedor (garantindo estarem sob o mesmo PTT) e se interligarem via uma VPN.

    De resto, assine um plano de fibra o mais barato que puder, assista vídeos em resolução HD e seja feliz.

  • Corsario, depende do que você faz.

    Eu estou trabalhando com perícia, e lá 99% dos documentos são do Word ou PDF.
    Ano passado, quando eu trabalhava para um perito judicial, fazia tudo no Libre Office, salvava em formato do Word e mandava. Nunca deu problema.

    Problema deu no começo. Me passaram cópias de outros processos e mandavam eu reescrever sobre esses documentos. O problema é que o Word esconde muitas marcas de formatação que ficam invisíveis.
    O que eu fiz? Refiz todos os documentos do zero e não deu mais dor de cabeça.

    PDF era outra briga no escritório. Sempre dava pau com os outros peritos. Cada um usava um programa para transformar o arquivo Word em PDF para mandar para o cartório virtual e lá o documento era recusado repetidas vezes até que acertavam. Trabalhão danado.
    Eu li o manual do cartório virtual, ajustei o filtro de criação de PDF nativo do Libre Office e as meninas do escritório me perguntaram que mágica que eu fazia que meus PDF nunca enroscavam.

    Em termos de aplicações triviais, Linux hoje roda quase tudo que se roda em Windows. Só não pode ter medo de substituir o programa.

    Jogos ainda é deficitário, mas com a Valve empurrando o Steam pra Linux já ajudou bastante, e agora está para sair uma API universal para games, chamada Vulkan que vai rodar no Windows.
    Aí é bem capaz que Linux vire máquina de games, porque é bem mais leve que o Windows pra rodar o mesmo game.

    Como não jogo muito, então games não me fazem falta.

    • José Cristófalo

      O problema do Linux é re-inventar a roda. Nada segue um padrão e existem milhares de opções para fazer uma mesma coisa, com nenhuma delas atingindo o nível necessário.

      Os documentos do tal formato livre também não seguem padrão rígido nenhum, apesar da propaganda. Tanto que é necessário ajustar e depois trabalhar com um só programa, tanto quanto num programa fechado.

      É também marca registrada do Linux prometer melhor desempenho há décadas e entregar menos. O mesmo jogo do Steam roda 2 vezes mais rápido no Windows que no Linux, mesmo sendo código nativo.

      Considero o Linux o mesmo paradigma do carro conectado e das centrais multimídia. Uma solução igual para problemas que ninguém tinha, com interesses bons aos seus mentores e não aos seus usuários.

      Para quem presta suporte é um bom sistema, a ser defendido com unhas e dentes. Não existe padrão de configuração numa máquina Linux, logo vira-se dependente de técnicos especializados.

      Mac e Windows é tudo no mesmo lugar, tudo acertadinho. O próprio usuário mexe no que precisa, além de todo mundo conhecer. Aí não tem margem pra lucro.

      Muita gente caiu no conto dessas soluções no começo dos anos 2000. Vai ser a mesma coisa com os tais produtos conectados, vendendo utilidades que ninguém precisa, para problemas que ninguém tem e criando novos problemas que exigem alguém especializado.

      • Lucas

        O Linux sofre com um desdobramento daquilo que é sua principal bandeira: ser livre. Sendo livre ele possibilita que qualquer um que queira desenvolva sua própria distribuição, desde que a mantenha livre. Isso possibilitou o surgimento de todo um universo de distribuições, o que assusta muitos usuários. Umas são bem estruturadas, enquanto outras são pessimamente estruturadas.
        Sobre compatibilidade de documentos te afirmo por experiência que o pacote MS Office dá mais problemas manipulando arquivos odf do que o LibreOffice manipulando os arquivos doc, xls, ppt e etc. O que é incrível. Isso mostra como essas “deficiências” são inseridas propositalmente para desestimular os usuários.

        Sobre virar dependente de técnicos especializados, isso não é verdade. Conheço várias pessoas que se viram suficientemente bem com Linux sozinhas. Pedem ajuda para situações que, mesmo no Windows, também pediriam.
        Mac e Windows é tudo no mesmo lugar? Vai dizer isso pra aqueles usuários que “perderam” o botão Iniciar na mudança do W7 pro W8….

        • José Cristófalo

          No que de fato a bandeira do ser livre difere da bandeira da segurança, da conectividade, do carro conectado?

          Em nada. É uma bandeira de utilidade marginal com a verdade sendo interesses de quem está por trás delas, no lugar de um interesse natural de seus usuários.

          Qual a utilidade de tantas distribuições? Qual a liberdade em mexer em algo que ninguém se interessa a mexer e que no fundo apenas programadores podem mexer?

          É a mesma utilidade da geladeira te avisando o que comprar.

          Não que seja errado um sistema assim. Errado é a bandeira de que você precisa de um sistema assim tanto quanto “precisa” que seu carro seja conectado.

          A falta de padrão faz com que, em ambientes empresariais, mão de obra cara, exclusiva e especializada seja necessária. Cada distribuição é de um jeito na hora de mudar configurações e não há tempo para ficar pesquisando soluções.

          O botão do iniciar não é nada perto disso. Ninguém se perdeu por isso e o recurso infelizmente acabou sendo imitado também pelo Linux.

          Em ambiente doméstico também é muito menos necessário ajuda profissional, embora hoje uma pessoa esforçada consiga se virar bem no Linux. Bem entendido, se usar uma distribuição mais famosa com muito suporte e mais bem feita.

          Os padrões abertos também são cheios de bandeiras e sardinhas puxadas. O HTML é e sempre foi ditado pelo navegador mais dominante em seu tempo.

          Porque você acha que o Chrome mantém uma performance inigualável? Tanto mérito do Google quanto por ser quem de fato dita o padrão “aberto” da internet há vários anos.

          • José Cristofalo, vai com calma. Sua visão é muito pré-concebida sobre software livre e está cheia de enganos.

            Eu tive empresa de software corporativo por 12 anos e não conheço modelo mais eficiente de desenvolvimento que o software livre.
            É um modelo caótico? É. Bem ao contrário do modelo bonitinho, estruturado das grandes corporações e por isso parece pior. Mas a natureza é caótica e olha pra você, resultado de um processo evolutivo totalmente caótico.

            Quer ver onde isso reflete?
            – Procure a lista dos Top 500, os 500 computadores mais rápidos do mundo. Apenas 98% deles usam Linux.
            Tente achar algum deles rodando Windows ou Mac OS. Zero.
            – Procure uma estatística sobre servidores de internet. Só 96% (segundo o Gartner) dos servidores de internet usam Linux.
            – Você tem uma TV LCD ou de plasma na sua casa?
            Pois ela é um computador que roda… Linux!!!
            – Já ouviu falar num serviço da Microsoft chamado Azure? E se eu te contar que uma boa parte da plataforma desse serviço nas nuvens é feito em cima do Linux?
            – E se eu te disser que o Skype roda inteiro do lado servidor em cima de uma plataforma 100% Linux?

            Nada disso se explica com o que você diz.

            Linux nunca chegaria até aí se fosse um monte de remendos porque todo mundo mexe, ou porque é inseguro ou qualquer coisa ruim que você possa pensar.
            Existe uma ordem muito forte nesse caos.

            Voltemos ao exemplo dos Top 500.
            Hoje os computadores no topo dessa lista estão na China. Esses computadores precisam de um sistema operacional especial pra rodar. A Microsoft vai abrir o fonte dela para os chineses? E a Apple?
            Sobra o que? Linux!
            Só que é interessante devolver para a comunidade as modificações feitas no Linux. Sempre tem alguém que vai avaliar as modificações e pode melhorar.
            O código aberto pode alcançar um batalhão de programadores centenas de vezes maior que aquele que pode ser reunido por uma única empresa. Com uma boa coordenação, se obtém um bom código.

            Você falou de jogos. Ok.
            Se quiser, te mostro alguns programas “mastigadores de números” escritos em linguagem C padrão que desenvolvi nos tempos de faculdade. A versão do Linux roda muito mais rápido que no Windows na mesma máquina.
            O problema do Linux com jogos não é esse. É problema com a placa gráfica. Nem AMD nem NVidia desenvolvem drivers bons para Linux. Aí o Linux fica capenga realmente.

            Mas aguarde, porque tem novidades nesse sentido.

            Tudo isso que estou falando não é teoria da conspiração. É só procurar e você vai encontrar.

            Volto a insistir. Devagar com essas idéias.

            Recomendo a você o livro “A Catedral e o Bazar” de Erik Reymond, que compara o jeito corporativo e o jeito aberto de desenvolvimento de software. Vai mudar bastante a sua forma de pensar.

          • José Cristófalo

            O que vejo é uma apresentação de curiosidades Linux com mitos padrão dos anos 90 e 2000, como forma de propor o ideologismo do software livre como solução dos problemas e como algo bom contra o suposto mal das empresas que programam por dinheiro.

            Todas essas curiosidades se resumem no seguinte fato comercial e com fim lucrativo: para grandes empresas, com gigantescos setores de TI, vale a pena gastar com o suporte técnico mais complicado do Linux no lugar de gastar com milhares ou mesmo milhões de licenças de um sistema operacional pago.

            É uma mera questão de dinheiro. O software aberto não mudou nada nisso.

            Aliás, a internet falha bastante com os erros do Apache, software aberto que geralmente roda em Linux.

            Encerro a discussão apresentando a seguinte curiosidade: a central multimídia do seu carro não parece um computador? Ela provavelmente roda Linux, e te espiona.

            Nada disso solucionará a situação. Mas é bom para vender inutilidades.

  • Corsario, o pessoal que usa Apple “acha” mais fácil. Isso é o que conta.
    É uma interface cheia dos mimos (eu chamo iOS de “Meu Querido iPhonei” por conta do visual e da frescura da interface) e ela é limitada de propósito e os não nerds adoram porque eles “entendem” o sistema.

    Tem entusiasta que diz na maior certeza que não consegue se dar com a interface do Android.
    Isso não é motivo na minha opinião.

    Meu tio, motorista profissional com mais de 40 anos dirigindo todo tipo de veículo, me ensinou de pequeno que todo carro tem os mesmos comandos básicos: volante, acelerador, freio, embreagem, alavanca de marcha e freio de máo. Se você aprender o básico direito, você passa de um carro a outro com facilidade. Sempre vai ter de se adaptar, mas o apredizado genérico é universal e o que se aprende num carro se usa em outro.

    Ele tirava um sarro dos “motoristas de fusca”.
    Tinha gente que dizia nos anos 1960 e 1970 que só sabia dirigir Fusca e não dirigia outro tipo de carro.

    Se você estudar um pouco da história dos computadores, vai ver que a base das interfaces modernas é a mesma do sistema gráfico original criado pela XEROX e copiado descaradamente pela Apple e pela Microsoft.
    Ninguém criou nada novo.

    É o espelho da questão do carro. Os controles básicos são os mesmos. O que você aprende com o Windows, usa no Linux, no Android, no iOS…

    Quando alguém diz que não consegue usar o Android por causa da interface, diz que Linux é muito difícil e coisas assim, bem, acho que você já entendeu. São “motoristas de Fusca digital”.

  • José Cristófalo

    Much ado for nothing. Uma coisa que nem interessa, vendendo gelo na antártica para esquimós com essas facilidades já existentes. A única utilidade é servir como ponto de vendas a pessoas que não estão interessadas em automóveis.

    Além de claro servir como coleta de dados em massa. Por mim nem se tocava nesse assunto, quanto menos destaque a coisas que servem só a atrapalhar, melhor.

  • José Cristófalo

    Linux sempre segue as firulas das novas versões do Mac e Windows. É como aquele filho caçula que quer se dizer melhor que o irmão mais velho mas sempre o imita.

    Existem versões sem firulas, porém de suporte inexistente e zero de coerência e polimento. São feitos por pequenos times de maneira amadora.

    O certo mesmo não é o debate tecnológico, conforme insisto. O certo era simplesmente parerem com essa mania de atualizações intermináveis, no que o Linux tem grande culpa ao ter lançado o modelo de releases rolling.

    Agora todo navegador e sistema operacional copiou isso e novas versões saem mensalmente.

  • José Cristófalo

    O mito da segurança é outra facilidade vendida que você não precisa, tal como não precisa de um carro com nota total em crash tests.

    Todo sistema operacional nos últimos 10 anos é seguro o suficiente para qualquer utilização doméstica.

    A segurança vende. O Vista foi um fracasso, mas o argumento para a sua utilização e compra era a segurança. O Linux há 10 anos atrás era um sistema caricato, feito por bufões ideológicos ainda mais caricatos, mas usava-se do argumento da segurança para arrebanhar usuários.

    O sistema MacOS é outro. Por um tempo nada rodava nele, era caro e lento, mas se você usasse Windows perderia toda sua conta bancária e sua família seria morta por agentes secretos.

    Na prática da coisa qualquer máquina com Windows XP usada corretamente não vai dar problema.

    Sou usuário dos mais variados serviços online desde que surgiram no Brasil. Nunca tive uma conta invadida e até mesmo os vírus e spywares, que eram outra indústria da segurança, me deram quase nenhum problema.

    Só não recomendo hoje usar sistemas arcaicos, como Windows 98. De resto, esqueça essa falação de nerd. Ninguém vai roubar sua conta porque você usa Windows XP ou porque não usa a última versão de algum browser.

  • Newton (ArkAngel)

    Espero sinceramente que a evolução moral do ser humano esteja à altura dessas tecnologias. Senão, ai de quem viver nessa época.

    • Newton, esse é o problema. A evolução técnica é rápida, mas a evolução moral não acompanha esse ritmo.

      Ainda outro dia eu estava me lembrando de uma antiga notícia que pode voltar a ser realidade. Uma realidade assustadora.

      Quando a web ainda engatinhava, criaram um jogo online de simulação de uma empresa. Nada muito sofisticado. Quase tudo em modo texto e mais alguns gráficos tipo Excel.
      As pessoas entravam no jogo e colaboravam na gestão da empresa e iam ganhando ou perdendo pontos conforme seu desempenho. Conforme a pontuação, as pessoas subiam para um nível mais difícil.
      Era um jogo gratuito, então logo fez sucesso numa época que havia pouca interatividade. Se administrava tudo dentro da empresa: investimentos, compra de matérias primas, contratação e demissão de pessoal, etc..

      O que fez a notícia desse jogo não foi o fato de ser um dos primeiros online, mas uma briga entre o contratante e o programador, que acabou contando tudo para a imprensa.
      O jogo era realmente um jogo até o penúltimo nível. Mas no último nível, o jogo era integrado com o sistema ERP da empresa do contratante. Os jogadores não estavam jogando, mas administrando uma empresa real, inclusive decidindo o futuro de funcionários reais sem um pingo de condescendência.

      O contratante tinha feito as contas de quanto custaria selecionar e juntar uma equipe de gestão 100% profissional constantemente focada, e saía muito mais barato desenvolver o jogo e fazer o pessoal trabalhar de graça que pagar salários e impostos referentes a essa mão de obra.
      Parecendo ser um jogo, as pessoas tomariam decisões friamente, voltadas apenas para atingir objetivos, sem se importar com sentimentalismos humanitários.

      Foi um escândalo, a empresa foi processada e o site do jogo foi fechado.

      Isso tem algo em torno de 20 anos.

      Lembrei disso há alguns dias, depois de ter assistido uma animação curta-metragem onde a história era parecida. Pessoas jogando de matar ET’s, formando um exército no mundo virtual, mas na realidade controlavam robôs reais massacrando civis em outro canto do mundo.

      Esse é um cenário que não é mais de ficção científica, e a internet das coisas pode ajudar a recriar um ambiente virtual ligado a um mundo real, de tal sorte que as pessoas pensam que estão jogando um jogo, mas estão agindo na realidade.

  • Ricardo kobus

    Eu também parei no w7, não me adaptei ao 8 e nem instalei o 10, mas claro ainda tenho um desktop com o bom e velho XP.

    • Ricardo kobus,
      o mais engraçado é que o site da CEF é de lua, às vezes entro, às vezes não.

  • CorsarioViajante

    Ainda existe este mundo, vá viver no interiorzão remoto. Mas quem topa? Ninguém.

  • David Diniz

    Ué.. Até aonde sei a telefônica teve que vender a participação da tim para poder comprar a GVT….

  • José Cristófalo

    Isso é uma verdade, mas quanto menos destaque, melhor. Se a novidade é recebida com indiferença, menos chances de ser forçada em todos os modelos futuramente.

    • José Cristófalo, a ignorância das massas sempre foi a chave da dominação das elites. É assim desde que o mundo é mundo.
      Essa é uma tecnologia que logo estará em nossas vidas em larga escala. Ela precisa ser discutida.

      Apoiar a não discussão é apoiar a ignorância que leva à dominação.
      É isso que você quer?

  • José Cristófalo

    Não, não ganho nada com isso. Na verdade, a diferença entre um usuário normal e um de bandeiras é essa. Um quer ganhar alguma coisa, outro simplesmente é um usuário.

    A bandeira do Linux sempre foi uma perseguição pueril com privacidade, logo é irônico como serviu para base do maior espião do mundo.

    Sobre cracks, só usa isso quem pirateia. Como todo o resto, é mito de interesses comerciais ou ideológicos. Não formato uma máquina Windows há anos. Registro é muito melhor que as configurações espalhadas em pastas do Unix e Linux, sem padrão nenhum.

    Sobre a liberdade, quantas vezes você trocou o gerenciador de janelas ou o kernel no Ubuntu? Isso é inútil.

    • Lucas

      Serviu de base porque ele é um canivete suíço, serve para tudo. Qualquer telefone voip, impressora, ou o que seja roda um Linux (Unix) bem enxugadinho, otimizadinho dentro. E ele só é assim porque é livre, qualquer um pega ele e tira ou coloca o que quiser.
      Sobre piratear, é claro que eu não pago para usar windows (a menos q ele venha pré-instalado no PC no momento da compra) tanto é que deixei de usá-lo pelo motivos que expus acima.

      Sobre as configurações do Linux espalhadas, bom, vá se informar melhor….
      Sobre gerenciador de janelas e kernel, não é porque uma opção esteja disponível que eu seja obrigado a usá-la. Mas quem quer, pode. E no Windows?
      Por fim, vc não formata windows a anos, imagino a carroça que vc está usando neste momento…. rsrsrs

  • José Cristófalo

    AD aí está meu ponto. Tecnologia não significa nada. Discursos sobre corporações ou conspirações o inimigo também faz. A verdade que interessa.

    O código ser aberto ou não, não muda nada. A espionagem acontece no lado dos fornecedores de serviço como dito ou escondida em alguma linha. Duvido que exista uma única pessoa que tenha lido o código fonte inteiro do Android.

    Isso é uma fábula tão grande quanto achar que o carro conectado solucionará o trânsito. Ninguém tem tempo disponível para analisar milhões de caracteres num código fonte que muda a cada semana, ninguém jamais fez isso e jamais fará. É mentira.

    Do mesmo jeito o carro conectado promete a solução de problemas que não são problemas para um interesse ruim.

    Qual era o problema dos sistemas operacionais normais? Dar lucro? Isso não é um problema, jamais foi. Idolatrar bandeiras que faziam essa acusação pueril acabou por levar a indústria a mudar o foco para os telefones, que continuam dando lucro apesar de serem sistemas gratuitos. Ainda por cima, a privacidade despencou.

    Qual o problema do carro não conectado à internet? O trânsito? O trânsito deve ser resolvido com tecnologias aplicadas nas ruas, como a rede de semáforos inteligentes.

    Será outro ponto que nada quer dizer e que vai agir ao contrário, nos prejudicando.

    Mesma coisa com o Linux que era um sistema que falava a exaustão sobre privacidade. Porque permitiu ser usado comercialmente por um sistema espião?

    Porque estava interessado na bandeira de ser o sistema mais usado, tirando o domínio das maldosas corporações que cometiam o crime de fazer software por lucro.

    Os fins errados e interesses errados interessam mais que o discurso. Discurso todo mundo tem.

    O Linux está confortável em ser usado para a espionagem enquanto assim conseguiu finalmente ser o sistema mais usado.

    Aí que prefiro uma empresa que fale abertamente que faz algo por lucro que uma empresa ou uma bandeira que finja querer revolucionar as coisas, porém que no fim tem interesses por trás que não são revelados.

    Quanto ao Windows, todas as opções de privacidade podem ser desativadas. Uso o sistema, não me custou nada o upgrade, é rápido e estável como nenhum Linux.

    Não poderia ser mais elogioso à Microsoft. O interesse dela é que eu pague no software. Paguei, recebi um bom serviço e tenho a opção de desativar qualquer função espiã.

    Tente fazer isso no Android. É impossível usar o sistema sem o Google Play, que registra cada utilização dos seus aplicativos…

  • vstrabello

    Sim!!

  • Daniel Mietto

    Está com dias contados o Plugin de maquina virtual Java, a própria criadora (Oracle) já disse isso. Sistemas que utilizam tal plugin, ou atualizam-se, ou fiquem sem suporte nenhum.

  • tadeu augusto de oliveira

    Bom dia a todos! Excelente texto André Dantas. E o melhor é que não acabou no texto acima. Li quase todos os comentários abaixo e, tanto você como os demais que comentaram, deram um show de informação e qualidade no que se refere ao tema abordado. Sou fã do AE. Que outra página trata de maneira tão direta e inteligente um assunto que tanto gostamos e que vai além de falar de botões no painel e discutir design ou firulas??
    Abraço,

    • Tadeu, se reparar, o AE foi provavelmente o órgão de imprensa que foi no lançamento do SYNC 3 que falou dele por último.
      Não acredito em ficar liberando press-releases, ainda mais quando o assunto é profundo e não vejo ninguém interessado em aprofundar o que interessa.

      Grato pelos elogios e continue nos prestigiando.

  • Triste ler suas palavras.

    Tive 12 anos de trabalho dentro da ABES no grupo de anti-pirataria, junto com representantes dos gigantes.
    Muitas das coisas que eu ouvi da boca desses representantes é exatamente o contrário daquilo que você diz. Sou testemunha ocular de uma realidade de bastidores que você nem imagina existir.

    Enfim, cada um é livre para pensar o que quiser, mas sempre alerto que o único dono da verdade é o tempo. O mundo é o que é e não liga nem um pouco para o que cada um pensa.

    Se agarrar a uma convicção irreal é viver uma ilusão. Mais cedo ou mais tarde, essa ilusão vira pesadelo e acordar dele e cair na realidade é sempre traumático. Por isso o melhor é não tentar viver um sonho mas ter os pés bem fincados na realidade.

    Essa ideia vale para mim e para você.

    Então, boa sorte com o que você acredita.

  • Ricardo Kobus

    AD, concordo plenamente, quando li a notícia de que a microsoft estava licenciando copias piratas do W10 fiquei com os dois pés atrás.
    Me diz uma coisa, soube uma vez que o Bill Gates financiava desenvolvedores do Linux para aproveitar suas idéias no Windows, será que procede isso?

  • Newton (ArkAngel)

    Moral não evolui? Pode até ser, mas eu prefiro viver nos dias atuais do que no tempo de Moisés…

  • Delfim, não duvide disso. Mas se acontecer, as pessoas irão migrar em peso para o carro autônomo. Se o carro infringir alguma lei de trânsito, culpa do fabricante. O carro seguiu erroneamente uma automação que não foi programada pelos ocupantes.