Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas CITROËN C4 PICASSO INTENSIVE – 4ª E ÚLTIMA SEMANA – Autoentusiastas
Roberto Agresti recomenda:

A derradeira semana do Teste de 30 dias do AE com o Citroën C4 Picasso Intensive foi cumprida rodando a totalidade do tempo em cidade, o que deu oportunidade para definitivamente comprovar aquilo que desde o começo pareceu ser uma das maiores qualidades do modelo: a economia de combustível. Para um observador mais apressado esta afirmação pode não soar coerente ao conferir a média de consumo final do teste, de 8,11 km/l em 1.993 km rodados. A cifra parece apenas razoável, não excepcional. Porém, e como sempre nesta avaliação de 30 dias, é importante lembrar que a quase totalidade dos percursos urbanos é feita na zona oeste da capital paulista, região montanhosa, onde uma via plana é algo raro.

Outro aspecto é que nesta época do ano, verão, o ar-condicionado raras vezes é desligado, o que sempre contribui para um maior consumo. E para piorar há a predominância de trajetos curtos, de menos de 5~6 km, invariavelmente intercalados por longos períodos de parada. Este tipo de utilização não facilita em nada a vida do motor, que como se sabe ofereceria seu melhor rendimento se utilizado dentro de uma temperatura de exercício estável. Relativamente volumoso, com grande área frontal e pesar quase 1,5 tonelada em ordem de marcha são outros itens que não ajudam na parcimônia com o combustível que contém mais de ¼ de álcool em sua composição. E por causa disso a afirmação de que a economia é um ponto alto do modelo merece mesmo ser destacada.

Espaço, modernidade e eficiência

Espaço, modernidade e eficiência

No que mais ele se destacou? Em conforto e silêncio de marcha, em praticidade na condução e em versatilidade de uso. Quem viaja no Picasso viaja bem, quem dirige o Picasso o faz feliz. A resposta dinâmica do modelo é bem superior ao antecessor seja pela maior “pegada” do motor, como por conta do câmbio de seis marchas, e certamente essa minivan merece estar na lista de quem procura um carro espaçoso, moderno e eficiente em diversos aspectos. Como tudo o que é bom, ele se faz pagar, custando nesta versão-topo cerca de R$ 140 mil. Os que não fizerem questão de muitos dos “adereços” presentes no C4 Picasso usado neste teste pode pagar algo como R$ 111 mil e ter certeza de que, na essência, estará ainda comprando um carro bem seguro, competente, sem alguns itens nada fundamentais, opcionais sobre os quais já falei nos textos anteriores.

Como é usual no Teste de 30 dias do AE, a semana derradeira teve a participação de Alberto Trivellato, o “capo” da oficina paulistana Suspentécnica que contribui analisando o C4 Picasso do ponto de vista técnico. Alberto não faz parte dos que se deixam seduzir por soluções técnicas contracorrente, inovadoras ou vanguardistas, como queiram. Homem de oficina, para ele a boa solução é a prática, simples e eficiente e por isso há alguns anos ele festejou algumas escolhas da marca francesa que apesar do mote — Créative Technologie —, resolveu simplificar a vida de usuários (e de quem faz manutenção) dos Citroën. Uma delas, marcante, foi tornar as suspensões Hydractive exclusividade de modelos de alta gama, C5 e C6 por exemplo, deixando aos Xsara, Xsara Picasso, C3, C4 e C4 Pallas soluções mais feijão-com-arroz ou seja, McPherson na dianteira e eixo de torção atrás.

Levantando no elevador esse C4 Picasso de nova geração, o que se vê é exatamente o que agrada a Alberto, o feijão-com-arroz bem feito. Sim, poderia haver uma suspensão multibraço na traseira? Claro, mas qual a razão disso em uma minivan familiar sem pretensões esportivas? É este o ponto defendido por Trivellato, reservar a sofisticação técnica onde ela é necessária.

O profissional apontou itens importantes nas entranhas do C4 Picasso, como a robustez das bandejas da suspensão dianteira, o bom isolamento do sistema de escapamento e a aparência ordenada da parte inferior. Mas também estranhou a peça plástica que serve de proteção ao conjunto motor-câmbio parecendo ter sido cortada. Segundo Alberto, essa pode ser uma característica exclusiva do C4 Picasso vendido no Brasil, onde o clima mais quente exigiria que o compartimento recebesse maior ventilação apesar do prejuízo aerodinâmico que, como se sabe, é muito importante inclusive na parte inferior dos veículos. Sob este ponto de vista, o C4 Picasso mostra pertencer a uma geração moderna, com poucos pontos geradores de arrasto indevido, coisa que fica evidente especialmente olhando para como o para-choque traseiro está unido a um acabamento plástico para evitar o efeito “paraquedas”.

Citroen C4 Picasso - 61

O Alberto examinando a C4

A observação da carroceria — pontos de solda, junção de chapas e a uniformidade das frestas entre as portas — mostra que o C4 Picasso tem uma montagem cuidadosa, de qualidade, coisa que segundo Trivellato também está presente no interior, com plásticos e forração de boa aparência. Todavia, neste ambiente interno o colaborador fez duas observações: a grande quantidade de texturas diferentes e o fato dos bancos serem revestidos parte em couro, parte em tecido. Não é deselegante, não há mau gosto, mas sim grande quantidade de informação visual. Há que goste, há quem se incomode.

Em um breve giro por ruas e avenidas do entorno da oficina, o silêncio de marcha foi perturbado por um suave rangido na suspensão dianteira, algo que foi definido como sendo um detalhe exclusivo da unidade e não comum a todos os Picasso. Porém, a batida seca da suspensão traseira ao encarar buracos ou irregularidades que mencionamos na primeira semana de uso é uma consequência do projeto, segundo Alberto. Para ele, a escolha por um ajuste de suspensão que privilegia conforto e maciez tem seu preço. A tal batida será confundida com um fim de curso de suspensão, mas não é. Trata-se da opção dos técnicos em ancorar o eixo de torção ao monobloco por intermédio de elementos elásticos que cedem a ponto de causar um “estalo” no limite. Na Europa, mercado preferencial deste Citroën, ouvir esse incômodo será raro em função da pavimentação melhor. Já aqui… Para anular este ruído, a especificação das borrachas deveria ser diferente, o que acabaria reduzindo o elogiado conforto de marcha. Não se trata, portanto, de um problema ou defeito, mas de uma característica que só se manifesta ao transpor irregularidades muito pronunciadas.

Um elogio mereceu a escolha da medida de rodas e pneus, sem exageros nem em largura de pneus nem em perfil excessivamente baixo (205/55R17), segundo Trivellato. No dia de sol forte colaborador notou o reflexo das bocas de saída de ar do para-brisa refletidas no vidro, o que é incomodo mas é consequência do para-brisa tão inclinado e amplo que é impossível eliminar totalmente este tipo de inconveniente.

Bem caprichada também por baixo

Bem caprichada também por baixo

Alberto Trivellato finalizou sua análise perguntando sobre o comportamento em estrada, em velocidades acima dos 100~120 km/h de lei, e se o ajuste macio da suspensão não implicava em um excessivo balanço nas mudanças rápidas de trajetória. Ante a resposta negativa, mencionou como parceiro para minimizar tal sensação o bom desenho dos bancos, capazes de compensar a natural tendência de um carro de suspensões macias no qual o condutor se senta a uma distância do solo maior do que em carros normais. Os efeitos negativos deste alto centro de gravidade são compensados por uma eletrônica eficaz.

Acabada a visita a oficina e a observação do profissional, a reflexão sobre estes 30 dias de convívio é amplamente positiva. Comparado ao C4 anterior, esse atual preserva o que era bom e acrescenta melhoras fundamentais, especialmente no aspecto dinâmico, obra e graça do motor mais moderno, potente, “torcudo”, e do câmbio com seis marchas. A passagem do 2-litros aspirado de 143 cv ao 1,6-litro turbo de 165 cv deu mais fôlego a esta minivan, resultando em melhores acelerações e significativa economia, coisa que, como já dito, tem a não indiferente colaboração de um câmbio que passou de quatro para seis marchas.

Citroen C4 Picasso - 64

Um belo e eficiente conjunto

Espaçoso, seguro e bonito — mais de um comentou sobre a evolução estética do modelo — este Citroën C4 Picasso tem contra ele a malvadeza do preço elevado em uma época em que as pessoas precisam pensar muito antes de gastar. Outro entrave a vermos mais C4 Picasso nas ruas do Brasil vem da moda, que parece ter nos suves a destacada preferência em nosso mercado. Comentários de quem se interessou pelo C4 Picasso apontam para dois “rivais”, o alemão Audi Q3 e o sul-coreano Hyundai ix35, que em algumas versões oferecem menor performance e sofisticação técnica que o C4 Picasso, mas compensam com uma aparência robusta e suposta maior capacidade de encarar terrenos ruins. Seja como for, uma coisa é certa: o C4 Picasso agradou muito e merece ser cogitado por quem precisa de espaço, valoriza segurança, tecnologia e ótimo desempenho global.

RA

Citroën C4 Picasso Intensive

Dias: 30
Quilometragem total: 1.993 km
Distância na cidade: 1.111 km (55,7%)
Distância na estrada: 882 km (44,3%)
Tempo ao volante: 76h57min
Velocidade média: 25,9 km/h
Consumo médio: 8,11 km/l
Melhor média: 15,9 km/l
Pior média: 4,7 km/l
Litros consumidos: 245,5
Custo: R$ 887,16 (média do litro R$ 3.61)
Custo do quilômetro rodado: R$ 0,44



Sobre o Autor

Roberto Agresti

Experiente jornalista especializado em veículos de duas rodas e editor e publisher da revista Moto! desde 1994. Além de editor do AE também tem a coluna semanal Dicas de Motos no G1 e é comentarista da rádio CBN no programa CBN Moto, aos domingos às 11h50.

  • CorsarioViajante

    Estava lendo atento até chegar na foto com o mustang preto. Daí perdi o foco e esqueci completamente a C4 Picasso! rs
    Falando sério, ótima avaliação, ver o carro por baixo é sempre bom, para mim é um dos lugares onde podemos avaliar até que ponto o fabricante investiu em “engenharia oculta”.

  • Matheus Ulisses P.

    Excelente avaliação, Agresti! Riquíssimos detalhes!
    Antes da avaliação esse carro já tinha despertado meu interesse pelo design, agora serei obrigado a fazer um test drive! Hehe…

  • Lemming®

    Excelente avaliação e melhor ainda essa finalização com o profissional da Suspentécnica!
    E como foi explicado algumas coisas são mesmo inerentes ao projeto como o estalo no final do curso da borracha da suspensão o que em uma autorizada seria muito mal explicado e jogaria contra em uma avaliação do veículo. Muito bom e muito claro!!
    Acho que tem muito veículo “apanhando” e levando má fama simplesmente porque não há profissionais competentes para dizer de forma clara o que há com eles.

  • Fat Jack

    As médias de consumo apuradas (mesmo com as explicações e justificativas apresentadas) deixaram o carro bastante longe do que eu classificaria de econômico para um motor 1,6l atual com turbo compressor, pra mim são valores mais próximos ao que se poderia esperar de um 2,0l de aspiração natural, ainda mais pelo mix cidade/estrada ter sido tão equilibrado.

  • João Lock

    Gostei muito deste teste. Como já comentei, tenho a versão anterior. Que para a minha surpresa, consome quase o mesmo que está versão na cidade.
    Agora, por esse valor, vc pode comprar uma DS5 que vem com tudo que tem direito. E tem o mesmo trem de força.

  • Marcelo Schwan

    Belo relato. Tão bom quanto os anteriores e os dos outros testes.

    E belo carro. Sempre gostei da C4 Picasso. Um amigo tem uma da geração anterior. Desagradava-me o conjunto motriz, especialmente o câmbio de 4 marchas que não conseguia extrair grande coisa do motor. Mas era excelente em conforto e espaço para os ocupantes.

    Essa troca do conjunto motriz foi realmente muito bem vinda. Elogiável também a adoção dos pneus perfil 55, bem mais adequados a um carro familiar sem pretensões esportivas e muito mais condizentes com nossas vias.

    Só uma dúvida, não deu vontade de ir embora da Suspentécnica naquele Mustang não? Acho que eu deixaria a C4 por lá…

    Um abraço,
    Marcelo Schwan