COPO é uma sigla mítica no mundo dos entusiastas de carros americanos, notadamente dos fãs da marca Chevrolet. Significa Central Office Production Order (Pedido de Produção do Escritório Central), e é um sistema destinado a compras de carros para frotas, que muitas vezes são diferentes dos normais de produção, excluindo, por exemplo, itens de luxo desnecessários em um carro de trabalho.

Pode parecer uma designação estranha, mas foi por esse tipo de pedido que o concessionário Don Yenko, da Pensilvânia, percebeu que poderia colocar pedidos para a GM de carros que não eram montados com as opções normais, via sistema RPO (Regular Production Option). Yenko acabou por passar à história especificando Camaros que se tornaram raros, lendários e muito valiosos. O mais potente de todos tinha a opção ZL1, que trazia um motor de 427 polegadas cúbicas (7 litros) quase todo em alumínio, com taxa de compressão de 12,25:1, isso em 1969.

Depois de muito tempo apenas na história, há cerca de quatro anos a divisão Chevrolet ressuscitou a sigla, e fez alguns Camaros com  fortes apelos para quem gosta de raridades e potência.

Para 2016, serão produzidos apenas 69 unidades COPO do Camaro, em alusão ao modelo ZL-1 de 1969, o mais icônico de todos. O problema é que são cerca de 5.500 intenções de compra ou reservas de clientes.

Esse COPO 2016 é um carro com muita coisa para arrancadas, nas classes Stock e Super Stock da NHRA, associação nacional que regulamenta as competições desse tipo. Por isso, não podem ser registrados e emplacados para uso em vias públicas.

Tem opções de motores de 5,7, outro de 6,2 e o maior, de 7 litros.  O carro da foto é o primeiro 2016, leiloado semana passada com fundos revertidos para uma ONG global, e foram pagos US$ 300 mil por ele.  Tem o motor menor, com compressor enorme, de 2,9 litros de volume e cerca de 540 cv de potência máxima, girando até 8.000 rpm.

A ficha técnica do modelo 2016 ainda não foi divulgada oficialmente, mas os dados de todos os modelos de 2012 a 2015 estão em https://www.chevrolet.com/performance/copo-camaro.html

A divisão Chevrolet não informa se o modelo dá lucro, mas Jim Campbell, vice-presidente de veículos de performance e automobilismo diz que faz sentido ter um carro assim à venda por muitos motivos.

Infelizmente não há previsão de que nenhuma das unidades seja vendido para fora dos EUA, assim, ficaremos apenas na vontade por aqui.

JJ

 

 

Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

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  • Vamos verificar!

  • PauloHCM

    Nem precisa reforçar que carros desse tipo nunca chegarão ao Brasil…

    • Fernando

      Se a GM mal nos traz opções de Camaro(não dá opção de câmbio manual) e Ford não traz o Mustang, já vemos que não se dá toda atenção que o mercado merece. Imagine então um carro que não pode ser licenciado.

      Mas também não duvidemos do que brasileiros com vontade podem fazer, tem muito carro aqui que é raro em outros países também, acaba não dependendo tanto de importação oficial.

  • Arno Moura Cavalcanti
    Vareteiro detectado!

    • Arno moura cavalcanti

      Sim e não. A maneira simples e barata de produzir potência dos V-8 americanos é que me encanta. Claro que falo em preço dos EUA.
      Veja esse motor. A arquitetura básica remonta a 1955, o famoso “small block” gm.
      E continua passando em emissões e gira tranquilo ate 6000 rpm.
      compare com um downsizing moderno e vera ao longo de sua vida útil como é caro mantê-lo.
      Receber um comentário seu é uma honra.
      Abraços!