Quem me conhece sabe que gosto de tecnologia, mas até a página 3. Acho prático e uso diversas geringonças, mas tenho uma relação nem sempre pacífica com os aparelhos e, principalmente, com aplicativos (como os vários da foto  aí em cima). Aliás, para os que acompanham minha saga tecnológica, já sincronizei meu celular com o Bluetooth do carro…

Nada contra, só não acho que tudo pode ser substituído por modernidades. Como notívaga que sou claro que acho prático mandar um e-mail de madrugada para que a pessoa o leia quando bem entender. Não seria educado da minha parte telefonar para alguém às 2 horas da manhã apenas porque eu durmo pouquíssimo. E me refreio com o WhatsApp pois tem gente que deixa com aviso sonoro. O meu está sempre no silencioso pois participo de vários grupos e o verifico constantemente, mas como nem todos são assim, mando mensagem mais ou menos no horário comercial – ou fora dele apenas para outros conhecidos notívagos.

Por isso minha participação em redes sociais é deveras seletiva. Uso muitíssimo alguns aplicativos e redes profissionalmente, mas ninguém jamais saberá onde estou jantando ou com quem. Talvez porque não me interessa saber onde ou com quem meus amigos estão é que acho que eles também não se interessam por saber onde ou com quem estou. Mas se vou a um restaurante legal, ou fico hospedada num hotel que vale a pena, faço resenha e coloco em redes específicas porque acho que isso pode servir a outras pessoas. Aliás, o mesmo se tenho problemas, mas é sempre meio anônimo. E nada em tempo real. Quando entro no Facebook dos meus amigos é mais para trocar informações sobre atualidades e links de notícias – a maioria deles coloca coisas que vale a pena. Claro que vários já brigaram entre si por tempo indeterminado por divergências políticas, mas não deixa de ser interessante participar das discussões. Mas saber que Fulano está chegando no restaurante Tal? Bom pra você, meu caro. Desculpem, mas minha curiosidade por esse tipo de coisa é igual a zero.

Mas tem gente que é muito sem noção mesmo. Semana passada vi na televisão a notícia de um acidente de carro no Rio Grande do Sul ou no Paraná no qual um dos feridos conseguiu ligar do celular para um parente e pedir socorro. Até aí, perfeito. A tecnologia é sempre bem-vinda quando ajuda. Mas a segunda parte é que me deixou pasma: quem recebeu a ligação teria postado a notícia em “redes sociais” pedindo ajuda para os acidentados. Vejam bem, a pessoa não teria telefonado para o número de emergência, mas teria “postado” a solicitação. Coloco tudo no condicional pois apesar de ter visto na TV não consegui mais detalhes sobre o fato em si, mas, sinceramente, não acho nada impossível.

Pensando logicamente, também entendo que a acidentada tenha ligado para alguém conhecido e não diretamente para a Emergência. Talvez quisesse ter certeza de que alguém acompanharia o caso, insistiria com o pessoal do Resgate… Minha estupefação diz respeito à segunda parte da comunicação.

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Por que não telefonar para acionar o socorro? (foto jornaldebrasilia.com.br)

Muita gente acha que “postando” fez seu trabalho. Não, não e não. Já cansei de discutir sobre isso. Para mim isso é apenas terceirizar uma responsabilidade que se assumiu voluntariamente. Se eu sei de um acidente porque alguém me telefona pedindo ajuda minha responsabilidade é comunicá-lo às autoridades pertinentes rápida e eficientemente. Se eu “postar” a informação, estarei empurrando essa responsabilidade para outrem. Alguém terá de ligar para a Polícia, o Resgate, os Bombeiros… Ou eles terão de ficar sabendo ao navegar pelas redes sociais. Peraí, como assim? Já escutei muito “eu fiz a minha parte”. Não, você não fez, você fingiu que fez, respondo. Mas cada um fazer sua parte, de verdade, dá trabalho.

Vejo muitas “denúncias” de possíveis focos de dengue. Conhecidos postam fotos de piscinas e garrafas com água e acham que com isso estão denunciando. Já discuti muito, mas se não se levam essas denúncias aos verdadeiros responsáveis, nada acontecerá. Dependendo do caso pode ser o proprietário do imóvel, o síndico, a Prefeitura, a Defesa Civil, a Vigilância Sanitária ou outros. Mas por mais genial que ache o Mark Zuckenberg ele não tem nada com isso e nem conseguirá debelar o mosquito aedes aegypti. E imaginem quanto tempo perderiam as autoridades navegando pelas redes sociais? Fazer isso para monitorar assuntos específicos, OK, como tráfico, terrorismo, ou outros, tudo bem, mas para registrar denúncias que deveriam ser encaminhadas diretamente a eles?

O Partido Democrata nos Estados Unidos foi extremamente eficiente na eleição e na reeleição de Barack Obama no uso das redes sociais. Acompanhei bastante a estratégia deles e foi brilhante. Mas, como os próprios organizadores disseram, tudo isso só funcionou porque as pessoas saíram de casa e foram votar em Obama. O ativismo de sofá não serve a ninguém. Por mais que um norte-americano apoiasse seu candidato ficar repassando e-mail, WhatsApp ou postando coisas no Facebook não se traduz em nada prático se não se une ao mundo real. Não adiantava nada ter um zilhão de curtidas para um discurso político se isso não se traduzia em votos. E isso significa contato com o mundo real.

Pessoalmente, se eu sofrer um acidente como o que vi na televisão e ligar para alguém e essa pessoa “postar” o pedido em vez de telefonar para a Emergência, sairei das ferragens no melhor estilo “Homem de Ferro” apenas para olhar na cara da pessoa e dizer: imagine se fosse com você! Bom, essa é a versão educada e publicável do que eu diria. A outra não conto nem para meu travesseiro.

Evidentemente vídeos e informações nas redes sociais podem ser muito úteis, embora alguns sejam apenas mórbidos. No caso de acidentes com veículos podem ser usadas para ajudar a esclarecer as causas deles, mas certamente no caso de pedidos de resgate não ajudam e menos ainda aceleram o processo. Aliás, essa é uma das coisas que me intrigam. Depois de postada a mensagem, quem o fez parece que se desobriga totalmente de qualquer coisa. Parece até ser acometido por uma amnésia instantânea. Passou o bastão para outro e, pronto, “fiz minha parte”.

O mesmo acontece o tempo todo com buracos de rua, reclamação de percurso de ônibus… De quê adianta o grupo da mães da escola ficar sabendo disso se a Prefeitura, que é quem deve tomar providências, não toma conhecimento? A não ser que a esposa do alcaide faça parte do grupo… e mesmo assim, não é ela quem tem de repassar as queixas. E certamente esse não é o canal correto.

Mudando de assunto: ainda na linha “sagas da Nora”, atualização para quem acompanhou os perrengues a que somos submetidos na minha rua. Depois de vários meses de dois acidentes sérios e outros nem tanto, a Prefeitura indeferiu novamente o pedido do síndico de providências para deixar o trânsito mais seguro – ele especificamente pediu lombadas físicas ou eletrônicas. As autoridades pintaram uma linha contínua entre as duas faixas (oba, agora os bêbados e os barbeiros não vão fazer mais zigue-zagues!), colocaram uns olhos de gato em uns 40 metros de rua e uma placa de 40 km/h. E a uns 500 metros antes de tudo isto, em lugar totalmente plano, de faixa única e simples e cheio de obras de cuja eficiência duvido muito, instalaram duas lombadas gigantes com faixa de pedestres. O asfalto da minha rua têm os mesmos buracos do ano passado mais vários novos, o traçado continua jogando o carro para fora da curva, mas agora temos duas lombadas onde não são absolutamente necessárias e nada onde deveriam ser feitas obras de melhoria. Até entendo o síndico pedir lombadas, embora por princípio seja contra elas.

NG

A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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