Não apareceu por quê? Ocupado para trazer vento estocado, pedais, tailleur vermelho mais apertadinho, mandioca, metas dobradas?

Papai Noel: em 2015, esperei até o último dia, mas você não deu as caras. Será que você não existe mesmo, ou esteve muito ocupado com pedido de gente importante? Se virou para trazer vento estocado, pedais, um tailleur vermelho mais apertadinho, mandioca, metas dobradas?

Não cansei de esperar Godot nem vou desanimar com você: lhe dou outra chance e repito em 2016 a mesma listinha do ano passado. Não vá me decepcionar outra vez, ok, Papai Noel? Vê se dá uma mãozinha para ajeitar:

Recall – Fábricas, Detrans e Renavam vão se entender e cumprir a determinação de registrar no documento do carro que ele não foi levado ao recall? Para que o novo dono pelo menos tenha noção do risco que está correndo?

Cadeirinha – São tão eficientes e já evitaram tantas mortes de crianças em automóveis! Por que tanta incompetência para torná-las obrigatórias em táxis, vans e ônibus?

Aditivação – Não ficou estabelecido que toda nossa gasolina seria aditivada a partir de julho de 2015? Será que a ANP precisava mesmo ter prorrogado a exigência por dois anos?

Lombadas – Quem gosta delas é assaltante, posto de combustíveis e oficinas mecânicas. Deveriam ser proibidas, mas, já que existem, ninguém vai exigir pelo menos que respeitem as dimensões determinadas pela legislação? E que sejam minimamente sinalizadas?

Estepe – Já que os utilitários esportivos são inevitáveis, não tem jeito de tornar obrigatório que o parachoque deles seja posicionado atrás do famigerado estepe na tampa, de forma a proteger o capô do carro estacionado atrás?

PT – Este sim é um terrível mal que assola o país… Será que nem Papai Noel é capaz de por um ponto final neste absurdo de se ter os automóveis acidentados, classificados como Perda Total, reparados mal e porcamente em qualquer fundo de quintal e colocados novamente para circular?

Insulfilm – Verdadeiro atentado à segurança veicular, até quando estas películas (sacos de lixo…) vão continuar aplicadas nos vidros sem respeitar os limites de transparência, pois a polícia não conta com o aparelho específico (luxímetro) para fiscalizá-los?

Combustível – A ANP não tem fiscais suficientes para fechar postos que adulteram combustíveis. Estabeleceu então convênios com laboratórios e institutos técnicos para analisar as amostras. Que venceram e não foram renovados, num total desrespeito aos direitos mínimos do consumidor.

Isofix – Este sistema de engate das cadeirinhas é muito mais seguro e utilizado há tempos no Primeiro Mundo. No Brasil, o Inmetro levou anos para tomar conhecimento dele e estabelecer critérios para sua certificação. Por enquanto, só as cadeirinhas de eficiência duvidosa que se dependuram no cinto.

Diesel – Será que o governo brasileiro acha mesmo estar certo e todos os outros redondamente enganados? Alguém já contou para os gênios de Brasília que o nosso país é o único do mundo a proibir o diesel nos automóveis?

DPVAT – Este seguro é uma verdadeira maracutaia que continua arrecadando anualmente quase sete bilhões de reais. Verbas milionárias são desviadas e se paga até corretagem para a venda de um seguro… obrigatório! O “poder” das seguradoras consegue dobrar a tudo, a todos e a manter esta pouca-vergonha enfiando impunemente a mão no bolso do brasileiro.

Uber – A agressividade dos taxistas contra este aplicativo é o melhor argumento a seu favor. É óbvio que chegou para prestar um serviço melhor e mais barato.

Crash-tests – Segurança veicular no Brasil é puro faz-de-conta. Dá para acreditar que o governo brasileiro certifica nossos automóveis a partir dos resultados de testes de impacto realizados por entidades de outros países?

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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