Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas A VOLTA – POR EDUARDO S. DUARTE – Autoentusiastas

Há exatamente vinte anos ele chegava em casa, em Guarulhos, região da Grande São Paulo. Já fazia muito tempo que o antigo amigo tinha partido deixando saudades num garotinho de nove anos, ele nunca esqueceu a cena do querido “Volks” sair da garagem com seus olhos acesos, essa seria a última vez que ele o veria, foi duro e o garotinho não conteve as lágrimas na despedida.

Esse garoto foi crescendo e conhecendo a vida, mas, nunca esqueceu do seu antigo amigo, a saudade de passear ao colo do pai nas estradinhas de terra ainda estava presente na sua lembrança.

Passou o tempo e esse garotinho cresceu, estudou muito, andou muito por estradas de terra ou lama e toda vez que saia da escola lembrava de quanto valor tinha aquele amigo que o ajudara a não pisar na lama e raramente o deixava na mão.

O garoto agora moço com sua carteira de trabalho assinada e com uma profissão aprendida com muito custo em uma escola profissionalizante se orgulhava de ser auxiliar técnico.

Com o comprometimento com o trabalho e muito esforço juntou na poupança uma pequena quantia em dinheiro. Queria criar asas, afinal um moço só se torna homem quando aprende a dirigir, ou melhor, quando pratica aquilo que teoricamente já está na sua mente, pois seu velho amigo já havia explicado teoricamente como as coisas funcionavam, foi assim de tanto observar seu pai e o antigo amigo “Volks”, ele tinha certeza que sabia como fazer.

Certo dia da vida o moço conheceu um senhor chamado Hélio, um pedreiro de mão cheia que acabara de fazer uma pequena reforma numa casa, que como pagamento recebeu um “Volks” um tanto surrado pelo tempo. Como seu Hélio não gostava de carro pequeno, logo ou colocou à venda e o destino encarregou de colocar o querido carrinho na trilha do moço que queria virar homem. Fecharam negócio com uma quantia em dinheiro e um videocassete usado.

Chegou o grande dia do garoto encontrar um velho novo amigo “Volks”, ele se lembra como fosse hoje. Pediu para seu Hélio o tirar da garagem e deixá-lo na rua. Entrou no carro, sentou-se, ajeitou o banco e sorriu, o cheiro era o mesmo de sempre, os olhos encheram-se de lágrimas, respirou fundo , ajeitou os espelhos, conferiu se estava no ponto-morto e deu a partida. Estava lá o velho som do motor, engatou a primeira, baixou o freio de mão e saiu sem sustos ou engasgo. Pura felicidade dele e do “Volks” surrado que encontrava um novo amigo, o “Volks” agora chamado de Amarelinho.

Nunca o decepcionou e ambos desenvolveram uma grande amizade. Já passaram vinte anos juntos e felizes, o moço agora um jovem senhor e o “Volks” rejuvenescido e feliz por encontrar um grande amigo.

ESD



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  • Aldo Jr.

    Parabéns pela bela história e pelo belo Fusca! E parabéns duplo por estar praticamente original. Fico penalizados em ver belos exemplares de antigos rebaixados, ou com rodas 17″, com pneus faixa branca em modelos da década de 70, “sacos de lixo”, cores fora de padrão e tantas outras barbaridades. Tenho alguns e sei como é difícil manter tudo completamente original, mas o que é for possível deve ser mantido assim. Abraços.

  • Bera Silva

    Texto emocionante! Por curiosidade, se puder dizer o ano e uma fotinho do interior do “Amarelinho” eu fico grato.

  • Fat Jack

    Os Fuscas…, eles sempre deixam uma grande sensação de saudade quando eles deixam nossas vidas…

  • cedujor

    Muito bonito o Amarelinho!

    • Eduardo Duarte

      Muito obrigado

  • Coêlho

    Dessas histórias que nos lembram o porquê de sermos Auto Entusiastas. Comovente.

  • Fat Jack

    Excelente relato…, sei bem que é este sentimento: eu já era “grandinho” quando por necessidades financeiras tive de me despedir do meu querido Fusca 67 (com o raro acabamento interior “marfim”) com o qual fiquei (e rodei praticamente diariamente) por cerca de 5 anos, sendo quem em várias oportunidades de viagem eu dispensava a família para irem com o “carro moderno” só pra poder ir com ele (digo e acredito de fato que, pra sorte do comprador foi minha esposa quem foi entregar o carro, porque se fosse eu, possivelmente teria desistido e voltado com ele pra casa), a venda faz cerca de 15 anos, e ainda não desisti de reencontrá-lo, só sei que ele ainda está com situação “ok” e licenciado… mas eu não desisto, continuo procurando…, “vai qui” né?

    • Pietro

      Meu avô tinha um Alfa 2300 e me contou várias vezes a história de um amigo dele que tinha outro que teve que vender na época do Collor no Rio, mas conseguiu comprar o mesmo carro dez anos depois no Mato Grosso do Sul. Infelizmente meu avô já se foi, mas a última vez que conversamos sobre isto ele falou que o carro ainda gerava muita alegria ao amigo dele… rsrsrs… segue com esta procura que você vai acabar achando o seu Fusca. Boa sorte!!!

  • Lucas CRF

    Lindo Fusca, Eduardo! parabéns!

    Abraço

    Lucas CRF