Temporada da Stock Car termina com novo campeão e equipes se organizando para dialogar com promotor e construtor da categoria. Carlos Col foi contratado para comandar a Abesc, a Associação Brasileira das Equipes de Stock Car.

Os custos sempre crescentes de manter uma estrutura de competição são o maior problema para um chefe de equipe que quer o melhor para o seu time; igualmente, a falta de união entre os líderes da categoria de profissionais igualmente é o maior obstáculo para que todos acelerem na mesma direção e contribuam para que o circo fique mais forte e coeso. no final da temporada de 2015, uma negociação iniciada há três meses e até agora um segredo guardado quase sob sete chaves pode mudar essa situação: as 17 escuderias que compõem o grid da Stock Car contrataram ninguém menos que Carlos Col para cuidar dos seus interesses junto à Time 4 Fun — a promotora  da categoria —, e aos principais fornecedores, leia-se JL e Pirelli. Col é o principal executivo da Abesc, a Associação Brasileira das Equipes de Stock Car.

 

Carlos Col: volta a Stock Car, agora como representante das equipes (foto Carros e Corridas)

Carlos Col: volta a Stock Car, agora como representante das equipes (foto Carros e Corridas)

Col foi campeão da extinta classe B da Stock e posteriormente assumiu o papel de líder da categoria, na qual foi o agente que a consolidou como a mais importante do país. Após longos anos à frente do projeto ele decidiu reestruturar sua carreira profissional e preparou um sucessor, Maurício Slaviero, para seu lugar. “Há três anos eu vendi a Vicar para a Time 4 Fun e me afastei do negócio, mas me senti moralmente obrigado a aceitar um pedido pelos 17 chefes de equipe da Stock para desenvolver um trabalho focado na saúde e na longevidade dessas equipes, algo muito importante em épocas como a de hoje”, explica o líder da Abesc com seu conhecido falar pausado e a famosa voz grave.

 

Mesma direção: todos os chefes de equipes foram buscar Col (foto T4F/Fabio Davini)

Mesma direção: todos os chefes de equipes foram buscar Col (foto T4F/Fabio Davini)

A negociação começou em meados de setembro e o acordo foi firmado um mês depois, decisão que trouxe benefícios imediatos para o belo trabalho do Instituto Ingo Hoffmann: os honorários que seriam pagos a Col são creditados diretamente na conta dessa entidade, que dá apoio a famílias cujos filhos pequenos vão fazer tratamento de câncer em Campinas.

Se isso aumenta o conforto de gente que passa por dificuldades e precisa de apoio, o trabalho de Col causou um impacto inverso junto à Time 4 Fun e aos principais fornecedores da categoria. “Algo normal quando se mexe na zona de conforto das pessoas”, explica o empresário que hoje tem negócios nos ramos imobiliários e da construção civil. Há indícios de que as primeiras reuniões com os dois outros pilares da categoria — promotor e fornecedores —, foram tensas. Col comenta que “isso era esperado, pois ninguém estava a par dos nossos propósitos e da nossa disposição de somar. Mas consegui fazê-los ver que miro na saúde da categoria e com isso essa resistência foi vencida.”

 

andreas

Andreas Mattheis: a idéia é somar e não combater (foto T4F/Fabio Davini)

Andreas Mattheis, um dos líderes para a criação da Abesc e do movimento pela contratação de Col explica que “a nossa ideia é somar, não combater, queremos trabalhar ao lado e proativamente com o sistema”. O ex-piloto e líder de algumas das principais equipes da Stock Car descarta também que as equipes estariam visando assumir o controle da categoria em função de suposto interesse da Time 4 Fun em encerrar seu departamento voltado para o automobilismo.

Col endossa as palavras de Mattheis e diz não ter “informação ou indícios de que possa haver essa descontinuidade, portanto considero essa chance remota.” O que não é remoto é o seu trabalho: ontem (segunda, 14), ele passou o dia em São Paulo conversando com os chefes de equipe e patrocinadores explicando alguns pontos do seu plano de trabalho que será focado em duas áreas: a relação custo-benefício entre as equipes e os fornecedores e a reestruturação tributária entre patrocinadores e escuderias. Além disso, ele quer fazer um trabalho de fidelização entre equipes e patrocinadores. “Chega de ficar só reclamando, quem sabe possamos trabalhar juntos e somar”.

 

Marcos Gomes campeão

 

Marcos Gomes: 30 anos, 8 temporadas, primeiro título e muita emoção (Foto T4F/Fernanda Freixos)

Marcos Gomes: 30 anos, 8 temporadas, primeiro título e muita emoção (Foto T4F/Fernanda Freixos)

Mesmo sem marcar pontos na última etapa, disputada domingo, em Interlagos, o paulista de Ribeirão Preto Marcos Gomes garantiu o título de campeão da Stock Car em 2015. O vencedor da prova foi o sorocabano Átila Abreu, que se despediu com autoridade de sua equipe atual, a Mobil: no ano que vem ele substituirá o paraibano Valdeno Brito e fará dupla com Ricardo Zonta (PR) na equipe Shell, uma das três comandadas por Andreas Mattheis. O calendário de 2016 terá novamente 16 etapas, a primeira delas em Curitiba (16 de março) e a prova inaugural do Circuito dos Cristais em Curvelo (MG), dia  20 de novembro. Interlagos recebe duas etapas: a Corrida do Milhão (11/9) e a prova final (11/9).

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


  • Leandro Amparo

    A única coisa que me entristece muito é o fato de o nosso querido prefeito, aqui do Rio, ter acabado com nosso autódromo. Fui às duas ultimas corridas da Stock aqui, sem contar as inúmeras etapas de arrancada que fui, e confesso que o autódromo, realmente, estava largado às traças, uma pena, pois para mim era um dos mais históricos do Brasil. Triste não ter mais um autódromo por perto onde possamos curtir nosso automobilismo! Principalmente a Stock, que para mim não há igual.

    • Robertom

      Ele não acabou com o autódromo, em conluio com dirigentes esportivos, empresários da construção civil e outros políticos ele aproveitou a oportunidade “olímpica” e ROUBOU o patrimônio público…

    • Wagner Gonzalez

      Leandro,

      Sem dúvida quem devia e podia liderar um movimento roncou alto mas engasopou na largada: nem a CBA, tamouco a Faerj, tiveram a coragem de peitar essa briga.

  • Elizandro Rarvor

    Confesso que não gosto de categorias com duas corridas, excesso de regras coisa e tal.

    A Stock quer parecer uma DTM, mas não é, aqueles reabastecimentos são patéticos com um cara com um galão nas costas, pilotos trocando apenas UM pneu, coisas deste tipo, só para tentar embaralhar as corridas.

    Mas não é de jogar fora, tem emoção mesmo que artificial, porém, a Stock suga toda atenção para ela, junto com a Truck, o que inviabiliza outras categorias, eu gosto muito mais de assistir o FIA GT a Porsche CUP, mas são pouco transmitidas.

    • Ilbirs

      A Truck deveria ser olhada com mais carinho, justamente por ter um regulamento que na prática permite ser a única categoria realmente multimarca de nosso automobilismo e também deixar parelhos caminhões de diferentes tipos, com a organização deixando bem claro que basta os fabricantes apresentarem o produto que querem pôr nas pistas e a organização diz como é que ele deve ser enquadrado do jeito que é, em vez de forçar situações como veríamos em outras categorias. Como bem sabemos, na Truck os caminhões com menos de 10 l de cilindrada conseguem sem problemas ser parelhos com os que vão para lá de 11 ou 12 l, com cada tipo tendo vantagens interessantes, como os de menor cilindrada tendendo a se dar melhor em circuitos travados, enquanto os de motores maiores se dão bem nos autódromos de longas retas.
      Se a Truck consegue sugar atenção para ela, é justamente por ser tocada com competência. Cheguei a ler que há a intenção de fazer uma “Truck Light”, com os caminhões de menor porte (Delivery, Carguinho, Agrale Série A, Foton Aumark etc.), o que a meu ver apenas ampliaria a influência que essa categoria já possui em nosso automobilismo. Por que não vemos as categorias de turismo copiando o que dá certo e introduzindo regulamentos desse tipo em sua organização?

    • Wagner Gonzalez

      Elizandro,

      Bem vindo à bordo!

      O formato das corridas agrega a gregos ou a troianos. Certamente menos regras e mais simplicidade seriam igualmente bem-vindas…

  • guest

    Quando li “nova frente”, pensei que a bolha do Peugeot 408 seria re-estilizada, sem contar o Sonic, indisponível em todos os concessionários Chevrolet…

    • Wagner Gonzalez

      Dear guest,

      Peugeot ou Sonic, ambos não passam de uma bolha…

  • O que eu já vi de gente criticando o Carlos Col e a Vicar, não é brincadeira. Criticando e batendo, mesmo… Mas a sua coluna de hoje, Wagner, vai totalmente ao oposto disso. Sinceramente, eu quero mesmo acreditar que ele vem pra ajudar e pra fazer a categoria prosperar (ainda mais). Vamos torcer pra dar certo…

    • Wagner Gonzalez

      Sem dúvida ele veio para ajudar as equipes. Resta saber se os atuais promotores saberão lidar com equipes unidas e estruturadas comercialmente.

  • TDA

    Alguma coisa tem de ser feita com as transmissões da Stock, urgentemente. A rede plim-plim está acabando com a categoria. Muitas corridas sequer são transmitidas e várias outras são VTs ridículos onde o locutor e comentaristas fazem questão de errar mesmo em algo já gravado.

  • Milton Pecegueiro Rubinho

    Problema é: não ficou quieto. Só que, além de serem poucos e não terem muito poder e influência, não foram ouvidos. As suas vozes foram abafadas por “Rio 2016″…

    • Lemming®

      Políticos e mídia vendida é soda…

    • Leandro Amparo

      Exatamente! Não pudemos fazer nada, simplismente aceitar. Inclusive já vi reportagens de uma galera que corria nas arrancadas aqui no Rio que foram correr em São Paulo.
      Sem contar as promessas de um novo autódromo que seria construido aqui e até hoje só tem mina no local, área militar… piada, não é?

  • Chico

    Na minha opinião a Stock Car deveria ser uma disputa de carros de estoque como o nome diz, e não estes trambolhos horríveis.
    Uma disputa entre Civic, Corolla, Focus, Cruze, Jetta etc., rigorosamente originais e sem estes adornos carnavalescos, sem dúvida seria uma categoria muito mais interessante .

  • Chico

    Pois é Wagner, por isto que as corridas estão cada vez mais chatas .
    Abraço.

  • TDA

    Uma categoria que ainda mantém um pouco da diferença entre as marcas é a Formula Truck. Nos últimos anos alguns caminhões de mesma equipe tem se saído um pouco melhor, mas ainda podemos ver Mercedes (motor maior, só que mais pesados) dividindo curva com VW (motor menor que o Mercedes e peso médio) e também os Ford Cargo (motor menos potente de todos, mas o mais leve).
    Acredito que uma boa categoria de stock possa ser competitiva mesmo com equipamentos quase idênticos. Por exemplo, a V8 Supercars australiana. Os Holden Commodore, Ford Falcon/Fusion, Nissan, Volvo e Mercedes são quase os mesmos e sempre vi muita emoção nas corridas, além de uma organização e marketing exemplares. Uma etapa da V8 Supercars é um evento enorme para cada localidade australiana, um verdadeiro show e não somente uma corrida de 40 minutos.