Dentro da admirável linha temática criada pelo Marco Antônio Oliveira (MAO), elegi não os dez, mas os 12 tipos de motoristas mais detestáveis, aquele que tornam o nosso dirigir desagradável, muitas vezes um martírio.

Eles estão em toda parte, não importa ano ou preço do carro, tampouco condição social. É deles, faz parte da sua personalidade. A ordem desses 12 mais é aleatória.

1) O DJ – Frustrado, diga-se. Acha que todo mundo tem que ouvir o som — não música, som — que ele está ouvindo. Para piorar a situação, o Mr. Murphy joga contra nós: por mais que nos desvencilhemos do DJ, o carro dele acaba ficando perto do nosso no trânsito engarrafado ou no próximo sinal fechado.

 

 

2) O Sombra – Para esse tipo detestável, a sombra é o lugar da Terra que exerce uma atração irresistível sobre ele. É ele encontrar uma sombra e parar nela. O espaço à frente dele é um detalhe meramente secundário. Se é um desperdício de espaço, que já não sobra muito nos nossos dias, o problema não é dele. Já peguei um Sombra na av. República do Líbano, em São Paulo, que parou — não estou exagerando — na última faixa da esquerda a 50 metros do único carro à sua frente, parado num sinal. Tive que alertá-lo da burrice e se tocou, tirou o carro daquela posição perigosíssima.

 

sombra

Foto apenas para ilustrar que o Sombra faz se encontrar uma sombra: pára longe do carro da frente sem a menor cerimônia (foto blogdociclista.com.br)

3) O Seteiro – Esse já é bem conhecido aqui no AE, de tanto que falo dele. Sua cabeça deve funcionar da seguinte forma: “Comprei meu carro, paguei um bom dinheiro por ele e tenho o direito de usar tudo o que ele me oferece, e adoro ver e ouvir essa luzinha piscando no quadro de instrumentos. Ficar parado num sinal antes entrar à esquerda, única possibilidade, é entediante, assim ligo a luzinha mesmo parado. Me distrai. Se incomoda quem está atrás não é problema meu”. Além disso, quando o Seteiro resolve ir “costurando” entre as várias faixa de rolamento, o faz dando seta freneticamente, achando que está certo, que é um grande motorista. É que o Seteiro acha que a seta é autorização, como ao mudar de faixa, em que dá seta rigorosamente ao mesmo tempo em que sai da sua. Se acontecer alguma coisa ele tem o notável argumento na ponta da língua: “Mas eu dei seta…”

Esse vídeo russo correu na internet alguns meses atrás e mostra um bom exemplo de seteiro que dá seta e sai ao mesmo tempo, o vídeo deixa isso bem claro:

 

 

4) O Tô-nem-aí – O sujeito está procurando uma vaga ou o número de um prédio, dentro de todo o direito, e para isso precisa seguir em velocidade relativamente baixa, nada mais correto. Só que quem está atrás não sabe por que ele segue devagar — saberia, se ele se dignasse  ligar o equipamento destinado a sinalizar intenção  chamado seta.

5) O Catarata – Para o Catarata, o mundo através do pára-brisa é um nevoeiro permanente, assim ele precisa ligar os faróis de neblina sempre, de dia ou de noite, com chuva ou sol. Nessa, ele, que desconhece os comandos e sistemas do seu carro, acaba ligando a luz traseira de neblina junto. Mas para o Catarata é uma felicidade ter a deficiência visual, pois com os faróis de neblina ligados o carro dele fica lindão, tipo “o meu tem, o seu não tem.”

 

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O Catarata não deve estar enxergando nada, mas o carro ficou “lindão”…(fotonovounoclube.com.br)

6) O Morcego – Não usa a visão para dirigir à noite, pois ele faz isso por instrumentos de navegação, como os pilotos dos aviões quando em regra de vôo por instrumentos. Portanto, o Morcegão não liga faróis à noite. Além disso, o Morcego acha que está pilotando um Stealth, o avião invisível nos radares, por isso acha que as luzes traseiras desligadas não causam problema algum.

 

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O Morcego rodando feliz da vida na noite (foto carros.uol.com.br)

7) O Pace Car – Se julga no direito de moderar a velocidade da corrente de tráfego, como o veiculo de mesmo nome (nos EUA, no resto do mundo é Safety Car). Mas ser o Pace Car só tem graça se for na última faixa da esquerda, e a velocidade imprimida é a que ele bem entender. Ultrapassá-lo? Ele dar passagem? Nem pensar, afinal quem determina o ritmo de viagem é ele, o Pace Car. Fora que ficar na faixa da esquerda lhe dá uma admirável sensação de poder.

Nesse vídeo, um carro da patrulha rodoviária “expulsa” um Pace Car de “seu” lugar, muito bem-bolado, bem que se poderia fazer o mesmo aqui. Não é só no Brasil que essa praga de motorista está nas estradas!

 

8) O Soneca – Como um dos sete anões de Walt Disney, o Soneca-motorista vive com sono. O sinal abre mas o carro dele não se move, só o faz depois de um tempo. E quando isso finalmente acontece, até o carro do Soneca parece estar com sono, tão lento que arranca. Com dois Sonecas à frente, não dá tempo de atravessar o cruzamento, o sinal muda para vermelho antes. Como isso irrita!

 

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Não, o Soneca do carro preto não vai arrancar logo, desista… (imagens.usp.com.br)

9) O Marcador – A referência aqui é o futebol, o jogador que marca outro, do time adversário. No nosso caso, o Marcador é o motorista que, como o nome diz, fica lhe marcando. Você não consegue se desvencilhar dele no trânsito porque quando você acelera para se adiantar um pouco tentando mudar de faixa, lá está ele lhe marcando, acelera um pouco também. E assim segue ele, sempre de marcação, às vezes por quilômetros.

 

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Está vendo o carro claro na faixa central, em primeiro plano? Se ele tentar acelerar para achar um buraco para ultrapassar o suve da penúltima faixa, este vai acelerar, ficando de marcação (foto exame.abril.com.br)

10) O Emergência – Tudo é motivo para o Emergência ligar o pisca-alerta — claro, parado no meio da rua obstruindo uma faixa de rolamento. Para ele o pisca-alerta é tudo o que  ele precisa para atrapalhar o trânsito com o salvo-conduto da impunidade.

 

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Pisca-alerta, salvo-conduto para a impunidade (foto jornaldototonho.com.br)

11) O Empata-lugar-no-posto – Há uma notável semelhança entre o Empata-lugar no posto e quem está à sua frente num restaurante de aut0-serviço por peso, o raciocínio “agora que chegou a minha vez, fico aqui o tempo que eu quiser para me servir”. É por isso que encerrei minha carreira de ir a esse tipo de restaurante, mas não dá para dispensar posto. Esse tipo é notório por depois de ter pago e se sentar ao volante, levar um tempo inexplicável para sair e deixar que o carro de trás possa reabastecer. Esse tipo é primo do empata-lugar no caixa do pedágio: pára, aí é que vai procurar o dinheiro, paga, recebe o troco e só reinicia a marcha depois arrumar direitinho a carteira de dinheiro. Haja paciência!

 

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Posto cheio e tem gente que não colabora, demorando a sair (foto diaadiaarapongas.com.br)

12) O Caminhoneiro – Esse tipo se julga dirigindo um caminhão quando se prepara para entrar numa garagem, como a de um prédio de apartamentos, pelo tanto que abre a curva para fazer a simples manobra. Nessa ele ocupa a faixa à esquerda dele, atrapalhando o fluxo de trânsito. Vê-se muito isso!

Como o dirigir — e o mundo — seria melhor sem esses tipos de motoristas, não?

BS

 

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Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

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