Em uma recente viagem à Europa me deparei com um contratempo que me fez  cancelar o vôo direto que tinha reservado e não haviam outros que me permitissem manter a agenda inalterada. As opções que me sobravam para cobrir uma agenda programada de trabalhos eram alguns vôos entre essas duas cidades com escalas, que totalizavam cinco até 23 horas, ou percorrer seis horas e meia dirigindo, segundo me indicava o Google Maps.

Logo que me vi nesse dilema, entre percorrer de avião ou de carro um trecho de ida e volta de Turim a Stuttgart, acionei meus amigos escribas do AE por sugestões.

 

opções de última hora do trecho aéreo, nenhuma ganhou

opções de última hora do trecho aéreo, nenhuma ganhou

Pergunte você a um autoentusiasta se ele prefere viajar 600 km de avião ou de carro e a resposta será logicamente a segunda alternativa. Se o tempo de viagem for parecido então, a pergunta soará ridícula e mais ainda se fosse o meu caso, onde o aéreo envolvia longas horas de espera nas escalas. Mas eu tinha somente reservado um Fiat Panda diesel! Treze horas ida-e-volta me pareciam um martírio naquele pequeno urbano e trafegar com ele nas Autobahnen eu teria de fazer pelo acostamento, pois até os caminhões me expulsariam da faixa da direita.

Então a consulta sobre alternativa de transporte mais conveniente não ficou tão óbvia assim e eles e vieram com recomendações de alugar um auto premium. Havia um porém, minha empresa não permite essa regalia e eu teria de arcar com o valor do aluguel, pesquisei no site da Hemingway e preços e o mais legal que minha autoindulgência me permitiria contratar era o novíssimo Maserati Ghibli, 750 euros pelos três dias de aluguel. Eem dinheiros de junho de 2014 isso me significava desembolsar algo em torno de R$ 2.300 reais. Nada mau.

 

alugar pelo site Hemingway, sem carros como alternativa ao contratado

Alugar pelo site Hemingway, sem carros como alternativa ao contratado

Fui tentar dormir com essa idéia na cabeça, 410 cv extraídos de um V-6 turbo de 3 litros, caixa automática de oito marchas, o carro é estonteantemente bonito e  tem o DNA da marca. Na manhã seguinte fiz a reserva pela internet e confirmei por telefone. Só não me disseram a cor externa nem do interior, o que não fazia grande diferença. Eu tampouco tinha provado 400 cv e usar todos eles por horas a fio na Autobahn estava me parecendo bom demais para ser verdade.

E acabou não sendo. Enquanto passava horas numa reunião no dia anterior à viagem a Stuttgart, a empresa de locação tentou entrar em contato comigo e quando conseguiu, já era quase noite, deu-me a notícia, não teria o Maserati disponível para a manhã seguinte, pois ele não fora devolvido pelo outro usuário no horário agendado. Diferentemente das grandes empresas de aluguel multinacionais que conhecemos, como Hertz, Avis, Sixt, que têm disponíveis dezenas de veículos para cada classe de locação, esta pequena empresa não dispunha de outro modelo similar. Propus me concedessem um outro e responderam tinham um Porsche 911 Carrera4 disponível, mas a quase 5 mil reais pelos mesmos três dias, mais que o dobro do Maserati.

Acostumado às grandes empresas americanas de locação, mal acostumado acho, se eles não têm o veículo contratado no momento, imediatamente te oferecem um free upgrade, acompanhado de um pedido de desculpas, em outras palavras, o cliente recebe um auto de categoria superior sem adicional de preço. Não é à toa que os EUA é o lugar de melhores serviços do mundo. Essa primeira experiência de aluguel de autos premium na Itália me ensinou a melhores pesquisas e buscas por reputação.

Não estava somente frustrado e sim, também lascado, era suposto devolver o Fiat Panda alugado para usar exclusivamente na Itália naquela noite e não teria como ir para Stuttgart, uma reunião agendada com semanas de antecedência, como os alemães costumam fazer. Liguei para a locadora e solicitei me concedessem um outro carro maior na devolução deste, mas era quase verão por lá, quando a demanda aumenta bastante e responderam não seria possível e ainda teria de devolver o meu… Depois de longa insistência, aceitaram em ficasse mais uns dias com o mesmo carro. Pronto, resolvido um dos problemas principais.

Meus primeiros seis dias de Fiat Panda, usado para deslocamentos entre Milão, Turim e Bolonha, não vinham sendo dos mais agradáveis. O pequeno Fiat até que vai bem na cidade, seu problema maior é nas autoestradas.

 

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Porta-mala, no singular, mas suficiente para um viajante

Numa dessas viagens, depois de hora e pouco, comecei a sentir estranha dor nos omoplatas, era um cansaço parecido ao quando pilotamos kart e ele vem do constante e pouco usual esforço com o volante de direção. No Panda não era bem um esforço e sim um constante trabalho para mantê-lo em trajetória reta. Bingo, o Fiat não era bom de reta, sua altura pouco usual e configuração não o mantinham firme na trajetória e as correções eram constantes e permanentes, a certo momento testei algumas mudanças em minha postura, como apoiar os ombros no encosto e trabalhar somente os antebraços, mas resultou em nada. A parada para descanso teve de ser mais freqüente e intervalar a viagem a cada duas horas foi o paliativo encontrado.

 

Porta-copos, 12V, interior simples e bem resolvido

Porta-copos, 12V, acionadores dos vidros dianteiros, interior simples e bem-resolvido

 

Quem não tem cão…

O Panda atual é a terceira geração de um modelo criado em 1980 com várias e substanciais mudanças em relação à segunda, porém longe de ser um projeto novo. Sua proposta passou a ser de eminentemente urbana para um carro “essencial” que pode servir como único veículo da família. Pouco menor que o Uno, que teve suas linhas inspiradas nele, tem 3,65 m de comprimento, 2,30 m de entre-eixos e 930 kg (em ordem de marcha), um porta-mala no singular mesmo, o modelo alugado era propelido pelo conhecido 1,3-L Multijet, diesel 75 cv e câmbio manual de cinco marchas, a última bem longa. Uma surpresa agradável e que desfez de cara minhas expectativas de desempenho contido foi essa motorização, velocidade máxima superava 170 km/h (no GPS cheguei a atingir 180), ruído na cabine aceitável o que teoricamente lhe permitiria um cruzeiro longo como esse até Stuttgart acompanhando o tráfego das Autobahnen, mas a estabilidade direcional era um fator negativo. A concorrência se mexeu, ande num VW up!, por exemplo, e verá o quanto esse VW urbano é bom de estrada, de estabilidade direcional, comportamento, enfim, esses dois projetos parecem distantes em bem mais de dez anos.

Curiosamente, o Fiat é um best-seller não só na Itália, seus números de venda no mercado europeu superam 111 mil unidades até agosto deste ano o que o fazem líder do segmento ‘citycar’. Adorado pelo público feminino, elogiam sua posição elevada de banco, direção bastante dócil e leve e alavanca do câmbio saindo do painel. Justamente duas dessas qualidades se convertiam em pontos negativos em estrada. A direção eletroidráulica tem dois modos, assim como em alguns Fiat aqui, o modo CITY parece calibrado para esforço mosca, tal a leveza para manobrar.

 

Rádio CD multimídia, simples e funcional

Rádio CD multimídia, simples e funcional

As autoestradas na Itália têm teoricamente limite de velocidade de 130 km/h, mas as autoridades são bastante tolerantes com isso, logo pude trafegar de pé embaixo em tempo integral, fazendo ótimas médias, interrompidas somente pela necessidade de breve descanso a cada duas horas e pouco.

Outro observação interessante foi o sistema de pedágios, além da opção por transponder (como o nosso aqui) você podia usar cartão de crédito e ainda pagando somente uma vez ao deixar a autopista, um rateio justo por km rodado dando bastante agilidade e conforto à viagem. São coisas de país evoluído que poderíamos tentar trazer ao Brasil.

 

Presidio Ospedaliero Beilaria Maggiore - rendendo um tributo ao nosso campeão

Presidio Ospedaliero Beilaria Maggiore – rendendo um tributo ao nosso campeão

Como experiência negativa em Bolonha, tive um contratempo interessante. Passava perto do Hospital Maggiore, aquele no qual Ayrton Senna foi levado após seu acidente fatal em Ímola em 1994, quando decidi render-lhe um tributo. Encostei o carro num posto de gasolina abandonado a 100 metros da portaria, desci para meia dúzia de fotos e ao retornar, um guincho tentava levar meu carro. Uma enorme discussão entre dois sujeitos que falavam idiomas diferentes se seguiu, estava disposto a não deixa-lo levar meu carro e engrossava com ele, abusando de meus 1,90m, 85 kg e cara de mau, nem assim, pediu-me 50 euros para deixar por isso mesmo.

O guincho não parecia oficial da prefeitura, mas o motorista estava uniformizado como tal, coisas de países latinos. Bem negociado, o tributo ao nosso campeão acabou me custando 30 euros e uma enorme bronca dos italianos corruptos, sem hotel nem roupas para pernoitar sem carro, deixá-lo levar o Panda nunca foi opção, mas seguramente uma delegacia por agressão ao incauto me seria bem pior. Não havia placas de proibido estacionar naquele posto e havia outros vários veículos parados no mesmo terreno. Creio ele percebeu o Panda era de aluguel e tentou tirar algum proveito. Em contrapartida, no pequeno restaurante que almocei, música brasileira de fundo e o dono puxou longa conversa, endosso o que muitos jornalistas que foram para lá já escreveram, os italianos gostam de nós, brasileiros.

 

Tempos modernos, o garçom apanha seu smartphone e lhe mostra o atum que comprou de manhã

Tempos modernos: o garçom apanha seu smartphone e lhe mostra a foto do atum Mediterrâneo que comprou de manhã, escolha como o deseja saborear

 

alternativa 1: por Suíça e Áustria

Alternativa 1: por Suíça e Áustria

Rota escolhida

Há um ano eu sequer havia ouvido falar do aplicativo Waze, para navegar contei com o GPS clássico e o Google Maps no tablet, das alternativas de trajeto, optei pelo que indicava menor tempo, cruzaria também a Suíça e parte da Áustria.

Teria de redobrar cuidados com a polícia suíça, saindo da festa italiana que são as suas autoestradas, onde os 130 km/h são só para constar, a fiscalização quase inexistente e quando há, eles não o perturbam com o seu ritmo. Já os suíços são bastante rigorosos, no trajeto vi policiais observando tráfego com binóculos e vez ou outra avistei-os parando viajantes. Eles multam para valer, os valores são padrão europeu.

Não contava, no entanto com um verdadeiro trânsito paulistano, se pudesse, chamava o nosso prefeito da capital para ensiná-los que tráfego com excesso de veículos se resolve reduzindo o espaço a eles com ciclofaixas e faixas de ônibus, como ainda não pensaram nisso antes eu não sei. E caso o pacato cidadão suíço se indignasse, bastaria chamar uma legião de internautas contratados pelo erário público para combater os reclamões por redes sociais, coxinha na parte alemã da Basiléia diz-se “kleine Schenkel”. No dia 12 de junho o Brasil estreava na Copa do Mundo e tinha combinado de assistir ao jogo inaugural na casa de um amigo. Não poderiam aqueles carros todos estarem saindo mais cedo do trabalho para ver o Brasil jogar.

 

Trânsito paulistano em Monteceneri - Rivera

Trânsito paulistano em Monte Ceneri–Rivera

 

A beleza da paisagem, acabou compensando o tempo adicional.

 

Sisikon, uma comuna na Suíça à beira do lago em meu caminho

Sisikon, uma comuna na Suíça à beira do lago em meu caminho

 

Flaesch - encravada no Cantão de Grisões na Suíça, caminho de volta

Flaesch, encravada no Cantão de Grisões na Suíça, caminho de volta

Os quilômetros suíços me custaram uma hora e vinte minutos a mais do tempo estimado de viagem, i.e., se esperava cruzar o pequeno país em pouco mais de uma hora, o fiz em quase três, ainda bem o território deles é pequeno.

Na Áustria apanhei autoestradas vazias, seria um trecho bem curto, de poucos quilômetros apenas até cruzar novamente a fronteira, na verdade você só percebe que ainda não chegou na Alemanha por que no território austríaco o seu GPS indica limites de velocidade no cantinho da tela e esse limite desaparece na Alemanha, há enorme semelhança visual entre esses dois países, depois disso seriam menos de três horas de pé embaixo até Stuttgart, se possível evitando mais paradas para descansar os ombros.

 

Médias horárias impensáveis num compacto 1,3L

O útil computador de bordo apontando médias horárias impensáveis num compacto 1,3L

Na Autobahn A8 não aliviei o pé nem para piscar, há trechos com limite de velocidade e nenhuma fiscalização, tirei uns dez minutos do tempo estimado de chegada do GPS.

Abasteci e medi o consumo, quase 13 km/l de diesel, parece bom, mas não é, o motor já não é dos mais econômicos e meu modo de dirigir só contribuiu para enriquecer os donos de postos de gasolina.

 

Leitura do GPS, canto inferior direito, limite de velocidade local, ao lado, a velocidade instantânea

Leitura do GPS, canto inferior direito, limite de velocidade local, ao lado, a velocidade instantânea

Cheguei a tempo de assistir o jogo do Brasil, meu amigo é casado com uma croata, torci contidamente e curti pizza quadrada com boa cerveja local.

Para voltar, depois de cumprida a agenda em Reutlingen, apanhei o trajeto que passava por Ulm e um trecho da Suíça, cruzando Liechtenstein, mas também superou sete horas de viagem. Mais habituado ao carro e tráfego, abusei horas de pé embaixo, lembrei da revista Motor 3, quando o saudoso José Luiz Vieira moeu um motor de Panda, deixando as bielas al dente. Trinta e poucos anos depois, a indústria faz carros mais confiáveis, já não quebram com abuso e também são mais ecléticos. No meu companheiro de viagem italiano consegui obter médias horárias superiores a 160 km/h antes das paradas para ombros e combustível e, considerando estes, 125 km/h, impensável aqui no Brasil, menos ainda num carro pequeno como o valente Panda.

O sonho de Maserati ficou adiado. Arriverderci.

MAS



  • AlexandreZamariolli

    A primeira coisa que me veio à cabeça, já no começo da leitura, foi justamente a lembrança do mestre JLV e seu Panda frito. Bons tempos da Motor 3…

    • Fórmula Finesse

      Sim, ainda me lembro dessa edição em particular que consegui em um sebo.

  • História bacana!! Viajar de carro é uma delícia!

    Eu sofro pra fazer 90~95km/h de média entre Maringá e Riacho Grande… 🙁

    Agora, gostoso mesmo é o trecho entre Lavras e Viçosa, MG. A média lá, (se tiver pouca carreta de mineração) vai nos 55~60km/h

    • VeeDub

      Estuda em Viçosa ?

  • carlosvr6

    Dirigi um Panda desse modelo em 2013 e tive a mesma impressão. Você precisa “dirigir” o carro nas retas para manter a trajetória. Em compensação, o achei muito melhor acabado e equipado que o fiat uno brasileiro, que seria o “concorrente” do Panda por essas bandas.

  • Fórmula Finesse

    “já era quase noite, deu-me a notícia, não teria o Maserati disponível para a manhã seguinte, pois ele não fora devolvido pelo outro usuário no horário agendado.”
    rsrsrsrsr – quase senti a dor física e psíquica de ouvir uma péssima notícias dessas (quem é entusiasta, sabe bem como é!); dureza – é nessas horas que apelamos para o mantra sagrado de todo curtidor de carros que se preze: “Quem faz o carro, é o motorista!”, baixamos a viseira, pousamos as mãos no volante e bola pra frente (e roda pra trás)!
    Belíssima matéria e obrigado por dividir a viagem conosco!

  • David Diniz

    Esse panda novo é o primo (irmão) rico do Uno aqui no Brasil… Eu tive a MESMA dor estranha no ombro quando aluguei um Uno Vivace por 1 semana lá em recife.

  • Diogo

    A Itália e o Brasil são muito parecidos, se vai do céu ao inferno em minutos, e vice-versa. É tudo muito instável, você se depara com pessoas ótimas e outras mau-caráter a todo momento. Tivemos algumas experiências nesse sentido, em 2012 fizemos uma viagem em família pela Europa e fizemos um enorme roteiro de “buzão” por vários países, uns 5.000 km de Volvo, uma loucura. Estávamos em um ônibus de uma empresa espanhola, motorista e guia idem. No trajeto entre a Áustria e a Itália, já em território italiano, o ônibus parou em um posto de combustíveis e estacionou num pátio reservado para automóveis, em vez de parar no local reservado para caminhões – não havia local específico para ônibus, e havia pessoas com dificuldade de mobilidade no grupo. Em segundos surgiu do nada uma viatura dos carabinieri e os policiais disseram que o motorista seria multado por parar no local destinado a automóveis. O motorista era um espanhol bastante rústico, e a discussão em espanhol e italiano esquentou. Por fim chegou a guia e disse para aplicarem logo a multa, o que foi feito. Não sei se por princípio ou por ordem da empresa, eles não pagavam propina. O motorista ficou maluco, eu disse que achei tudo muito esquisito já que até onde eu soubesse o posto era uma propriedade privada, e que no Brasil (no nosso Brasilzão, com todos seus problemas) isso dificilmente ocorreria. Houve outros incidentes parecidos, inclusive outra multa por outro motivo. Para compensar, as paisagens, assim como em muitas regiões, do Brasil, são de tirar o fôlego.

    • Marco Aurélio Strassen Murillo

      Dipgo,
      Que coisa, não?
      O posto de combustíveis desativado deveria ser propriedade privada, vários carros estacionados, estranho uma pessoa da prefeitura enfiar um caminhão guincho para remover veículos, foi questão de minutos e quase arruinou a última parte da viagem.

      • Lorenzo Frigerio

        Não devia ser da prefeitura. Provavelmente era um guincho privado a serviço do dono do posto – obviamente, mancomunado. Na Europa e EUA tem muito disso, inclusive os famosos “wheel clamps”. Aqui no Brasil, seria tudo ilegal – de que eu saiba, só órgãos oficiais podem guinchar..

  • Diney

    Sentiu um grande desconforto rodando em boas estradas e pouco preocupado com o velocímetro, já pensou se fosse aqui na terra abençoada por Deus (tenho dúvidas quanto a isso) com suas crateras e máquinas arrecadatórias espalhadas pela estradas e ruas? Bela história para ler neste final de dia.

  • Jefferson Regis

    MAS,

    Eu tenho a lembrança de um post antigo aqui do AE, em que você foi um dos que avaliou o Fiat 500 à quatro mãos (junto com o Bob e mais duas pessoas que não me recordo agora), onde a avaliação do carro foi muito positiva lembra? Não pensou em a princípio locar um 500 lá na Itália? Talvez você não sofresse tanto em termos de ergonomia e estabilidade como sofreu com o Panda.

  • Uber

    O Panda é o primo rico do Novo Uno, pode ver que só muda alguns detalhes, a carroceria é praticamente a mesma.

    • Marco Aurélio Strassen Murillo

      Uber,
      São bem distintos, em todas dimensões inclusive, um lembra o outro e tem propostas parecidas.

      • Uber

        Dei uma conferida e é mesmo!
        Só comparava fotos separadas e dava essa impressão, achava que só a vigia da coluna C realmente diferenciava um do outro.
        Então, é só o formato que é copiado!
        Aprendi mais uma aqui!

  • Marco

    Itália é um país sensacional, mas é uma bela bagunça e corrupto..haha. Não é assim tão evoluído não…

    Para onde se olha, “surgem” Pandas e Cinquecentos…

    Estive por lá em 2014 e aluguei um Fiat 500 pela Hertz. Queria um carro pequeno e mesmo esse é ruim de estacionar em muitos lugares. Fui na estação Termini de Roma buscar o carro e havia um grupo de japoneses na minha frente. O atendente dizia não ter mais nenhum carro disponível, que o veículo não havia sido entregue pelo locatário anterior, que se eles quisessem poderiam ir até o aeroporto buscar um carro (Fica longe pra burro…). Quando fomos atendidos, o carro que havia reservado estava lá. O outro grupo viu a chave no balcão e começou a encher o funcionário de perguntas. Ele deu uma desculpa esfarrapada qualquer. Aí, em italiano, disse que o grupo havia reservado por 4 dias e como apareceu alguém lá solicitando carro por uma semana, ele alugou, mas não era para falar nada para os amigos japoneses!

    Interessa é que o “meu” carro estava lá. Fiat 500 1,2 a gasolina. Era bem fraquinho de saída. Não podia parar na rampa do hotel em Milão. Tinha de colocar o cartão para liberar a cancela, descer de ré e depois subir de uma vez…haha

    Mas na estrada, a 110 km/h fazia 22 km/l. Numa velocidade maior, ficava muito gastador.

    Sobre as autoestradas italianas, são muito boas e dá praa andar bem rápido mesmo, mas é preciso ficar esperto que algumas delas tem radares que multam pela velocidade média. Não sei qual a tolerância –se é que há – do equipamento. Evidentemente que não adotam velocidades forçosamente baixas como aqui.

    Sobre outras locadoras, os EUA podem até ser o melhor lugar de serviços, mas fora do território, não são.

    Explico: Em 2011 reservei, pela internet, um Golf pela Dollar, para retirá-lo no aeroporto de Frankfurt.

    Era bem mais barato que outras locadoras, como Hertz e Europcar. Na reserva, optei pelo seguro mais simples, como sempre fiz. O sistema aceitou e tudo ok.

    Quando cheguei ao balcão da locadora, o preço mais que dobrou. Explicação do atendente: fora dos EUA, a Dollar somente aluga veículos para cidadãos que não sejam norte-americanos (estadunidenses e canadenses. Mexicanos estão excluídos) mediante a contratação de seguro completo. Aí está o detalhe: essa informação consta somente após efetuada a reserva. Ou seja, são picaretas mesmo. Aceitam a reserva, mas lhe informam dos detalhes APÓS a conclusão e confirmação do pedido, em letras miúdas no site.

    Como não haviam carros em nenhuma outra locadora, pedi o mais barato que eles tinham no momento, pois não iria pagar uma fortuna pelo aluguel. Acabei pegando um Golf Plus Diesel simplão, bastante sem graça…

    • Domingos

      Está tendo muito desses radares de média por lá. São brochantes e muito chatos, você tem que controlar a velocidade o tempo todo mesmo se a idéia for respeitar o limite. Existir tolerância deve existir, mas com certeza pequena.

      O pior lugar para isso no entanto é a Inglaterra. Trechos de 50 quilômetros ou mais com esses radares somados aos de velocidade instantânea. Um inferno de George Orwell mesmo.

      Mas enfim, ruim é o cidadão comum andando com o seu carro. Bom é o cara que eles importam sob a alcunha da “tolerância” que explode você num jogo…

      A União Européia tem que cair como vai cair o PT. Sobre corrupção de autoridade: deu vergonha de ler, felizmente apesar de toda malandragem de lá eu nunca me deparei com isso. Mas já tentaram me passar a perna em restaurante cobrando por couvert – que o restaurante não serviu – quando perceberam que eu não era de lá mesmo falando italiano. E olha que foi mulher (mulher italiana é meio bruxa, faz picaretagem pior que homem na sua cara e finge que nada está errado).

      É coisa do espírito do povo mesmo. Sempre. O golpinho deve dar pro cara quase nada e turista não aparece tanto assim para tornar a coisa rentável, tirando os lugares típicos de turista é claro, mas e a vontade de ser ladra ou ladrão?

  • Mr. Car

    Se dependesse de mim, o Novo Uno teria exatamente o mesmo design do Panda. Por dentro então, o Panda simplesmente estraçalha o Novo Uno.

    • Mr MR8

      Pelo menos a Fiat brazuka poderia copiar a traseira do Panda, pq a do Uno tá ridícula, mata o carrinho!

  • Roberto Neves

    Em 2014 segui um primo de 83 anos, com seu BMW, de Lisboa a Pedrógão Grande (Portugal). Eu dirigia um Corsa Opel delicioso. Quando olhei no velocímetro, estávamos a 160 km/h e eu nem sentia! Estradas e carros formidáveis!

  • Eduardo Palandi

    MAS,

    dirigi um Panda em Portugal em julho do ano passado, durante três dias, e tive impressões parecidas. O carro se comporta muito bem na cidade, mas, na estrada, falta fôlego. Mas não tive problemas de estabilidade direcional em autopista, onde cheguei a 177 km/h (de velocímetro) a caminho de Fátima – a política portuguesa de velocidade em estradas se parece com a italiana e, não raro, BMWs a mais de 200 km/h me ultrapassavam.

    Quanto ao tamanho do porta-malas, faço coro às suas críticas. Só coube uma mala, e nem a retirada da tampa do bagageiro resolveu esse problema.

  • cepereira2006

    “A concorrência se mexeu, ande num VW up!, por exemplo, e verá o quanto esse VW urbano é bom de estrada, de estabilidade direcional, comportamento, enfim, esses dois projetos parecem distantes em bem mais de dez anos.”
    É a mais pura verdade. O Up brasileiro ainda ganha em espaço de porta malas. A ergonomia também é superior. Mas a qualidade percebida do interior do habitáculo me pareceu melhor no Panda.

  • Domingos

    De fato a Itália parece um negócio à parte da Europa, visualmente inclusive. A primeira visita é sempre bem decepcionante. De fato tem lugar bem melhor para visitar, mas fugindo das partes turísticas é um local bom sim – inclusive para dirigir, pelas estradas SS cheias de curvas e sempre em bom estado de asfalto. A sinalização é feia mas é boa também.

    Mas tem coisa bem pior por lá. O italiano ao menos ainda tem grandes reservas de espírito e de coisas boas, é possível passar um dia legal por lá ou simplesmente viver o dia-a-dia de forma agradável. Escandinávia, Holanda (com raras e honrosas exceções de cidades bem afastadas dos centros) e muitos dos centrões da Inglaterra têm a “carinha bonita” da Europa, mas também tudo que há de ruim por lá.

    A qualidade de serviço na Escandinávia é revoltante pelo preço que cobram. Supermercados horríveis com produtos meia-boca caríssimos, parece o Brasil do PT – e é isso.

    Hotéis com serviço menefreghista das pessoas e preços igualmente assustadores. Não te atendem direito, mal te olham na cara, se sentem ofendidos quando você questiona preços, mandam você se virar quando você pede informações, te perseguem se você usa carro e ainda te dão coisa vencida para comer e sequer se mobilizam quando você relata isso ao gerente ou ao responsável.

    Me parecem lugares bem do hedonismo sustentado por muito imposto, com quem não é “do time” pós-modernista sendo tratado meio que como um lixo.

    Outros grandes centros pela Inglaterra, Holanda e Bélgica são do tipo “tire suas fotos, é tudo isso que tem de bom aqui”, combinados com muita violência e babaquice.

    Na verdade a Europa está bem ruim, ficou bem um centro do que é ruim mesmo. Por isso recomendo mais um lugar não-turístico na Itália, que foge mais disso tudo, que certos países e cidades. No geral deve-se visitar os países de lá e as cidades de lá que não são metrópoles ou áreas de turista. Ainda se encontra muita coisa extremamente legal por aí, o resto é mais para dizer que foi…

  • Domingos

    O português de fato é de bom convívio. Mas o italiano tem uma grosseria muito melhor que a do espanhol, é uma grosseria mais sincera. De fato se espera ver polidez ou algo mais calmo, não é o lugar certo. Mas dá para simpatizar com a Itália por essa grosseria sincera, que muitas vezes é o trunfo do povo de lá (não por acaso a Itália se mantém à frente da Espanha, a sinceridade é mais construtiva que uma espécie de grosseria contida ao engano ou a polidez que esconde as coisas).