Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas FÉRIAS, A REVISÃO DO DESLEIXADO – Autoentusiastas

Fim de ano, férias se aproximando. Com o objetivo de aumentar seu faturamento, várias oficinas começam a propagandear promoções de “revisões de férias”. Ultimamente, até seguradoras têm entrado nessa, oferecendo descontos e estimulando que seus segurados revisem seus carros antes das viagens das férias de fim de ano. A idéia pode ter uma boa intenção, mas ela esconde mais um dos muitos pontos de deseducação do motorista brasileiro.

Esta prática de revisão de férias é comum e arraigada. É só falar que vai viajar nas férias que amigos e parentes perguntam “revisou o carro para viajar”? Imagino que todos os leitores já tenham ouvido tal recomendação. Pois não deste que vos escreve. Revisão de férias é revisão para motorista desleixado. Quem precisa revisar seu carro para poder fazer uma viagem com segurança não está cuidando dele como deveria.

 

Fonte: Via Japan

(Fonte: Via Japan)

É notório que em alguns pontos dirigir na estrada é bem mais crítico do que dirigir na cidade. Em caso de acidente, a tendência é que sua gravidade seja muito maior, dada as maiores velocidades envolvidas. Alguns sistemas do carro são mais exigidos, o motor trabalha por um tempo mais longo e sob um regime de carga maior, por exemplo. Uma pane mecânica na estrada também pode tornar-se mais complicada, dada a maior distância a ser percorrida pelo socorro e, para piorar, a possibilidade dela ocorrer em uma região sem sinal de cobertura celular para pedir socorro. Já aconteceu comigo. Um cárter perfurado por uma pedra em uma estrada de terra e tive que andar três quilômetros para conseguir sinal para pedir socorro. Realmente inconveniente.

Para evitar estes dissabores, convencionou-se que deve ser feita a revisão de férias. Estando tudo “em dia”, a chance de algo dar errado diminui. Faz sentido. Porém, parte de um pressuposto incômodo: que se você precisa fazer uma revisão para deixar tudo “em dia”, é porque normalmente seu carro não anda “em dia”.

Existem três tipos de manutenção: preventiva, preditiva e corretiva. A manutenção preventiva prevê a troca de componentes de desgaste a prazos regulares, independente de verificação de sua condição. Ela acontece com componentes de difícil avaliação de seu estado ou que possam apresentar falha de uma vez sem prévio aviso. Desta forma, o componente é trocado por tempo ou por uso (km). Exemplos disso são óleo, filtros e fluido de freio. Troca-se ao passar um prazo ou km, sem verificar se o desgaste de fato ocorreu.

A manutenção preditiva é aquela que avalia o estado do componente para decidir se a troca é necessária. É indicada para componentes que apresentam desgaste gradual, sendo possível avaliar com um teste em que fase da vida útil estão. Exemplos disso são pastilhas de freio e amortecedores. Nas revisões, inspecionam-se estes componentes e só os substituem-se se houverem chegado ao final da vida útil.

A manutenção corretiva é trocar o componente que já apresentou falha. Obviamente é a menos desejável delas, pois, dependendo do que falhou, a parada do veículo já pode ter ocorrido. Além disso, há componentes que, quando falham, ocasionam a falha de outros, fazendo com que a reparação seja mais custosa. As manutenções preventiva e preditiva existem para evitar que sejam necessárias manutenções corretivas. Claro que há manutenções que sempre serão corretivas porque a falha não é previsível: um pneu furado, por exemplo. Não há manutenção que o evite.

 

fonte: www.soletecnica.com.br
fonte: www.soletecnica.com.br

Houve um tempo em que  revisão de férias fazia  sentido. Várias décadas atrás a manutenção era mais freqüente. Trocava-se óleo a cada 2.500 km, limpava-se velas a cada 5.000 km, regulava-se platinado e ponto de ignição a cada 10.000 km, limpava-se carburador nesta quilometragem também, havia componentes da suspensão que necessitavam ser engraxados, o dínamo tinha peças com vida útil limitada, a regulagem das lonas de freio era manual (hoje, nos carros que ainda possuem freio a tambor, ela é automática), enfim, havia muita coisa a ser ajustada em intervalos freqüentes, então fazia sentido “zerar” tudo antes de cair na estrada.

Hoje, graças ao desenvolvimento dos materiais e à eletrônica, a manutenção é muito mais infreqüente. É possível chegar aos 50.000 km em alguns carros trocando apenas óleo e filtros, coisa impensável na década de 1960, o carro deixaria o motorista “na mão” muito antes. Sendo assim, é muito fácil manter o carro sempre “em dia”.

Mantenho meu carro assim: faço manutenção preventiva e tudo que apresenta desgaste ou defeito é imediatamente reparado. Se, a qualquer tempo, eu precisar fazer uma viagem de 1.000 km na urgência, meu carro está em plenas condições para isso, talvez no máximo trocando óleo e filtro de óleo se estes estiverem perto de vencer.

Isto reduz também o custo de manutenção: uma peça trabalhando fora de suas especificações pode sobrecarregar outras que trabalham em conjunto com ela e, se for esperar quebrar de vez para repará-la, o conserto sairá mais caro, fora o dissabor de ficar na rua esperando o guincho, muitas vezes em situações para lá de inconvenientes.

Considero vergonhoso voltar para casa de guincho, um atestado de desleixo, exceto, claro, se for por uma causa que não tinha como ser prevista. Mas se poderia ser evitado por manutenção… Vergonha! Prova de desleixo.

Enguiçar na estrada: muito inconveniente (fonte: www.autoeletricajair.com.br)

Enguiçar na estrada: muito inconveniente (fonte: www.autoeletricajair.com.br)

Neste ponto digo que a revisão de férias é a revisão do desleixado. Se o motorista não tem condições de colocar seu carro na estrada a qualquer tempo, é porque vem negligenciando e empurrando com a barriga a manutenção dele. Anda com o carro sem manutenção na cidade porque os riscos envolvidos são menores, aí vai “empurrando com a barriga” a manutenção. Já vi carro com a bateria em fim de vida, com grande dificuldade de girar o arranque, aí eu disse à dona: tem que trocar essa bateria urgente, ela está avisando que vai te deixar na rua. A pessoa respondeu: deixa “virar o cartão” que eu troco (virar o cartão – fechar a fatura para a despesa cair no outro mês). No que repliquei: legal, vamos fazer uma aposta então? O que acontece primeiro, seu cartão virar ou você ficar na rua sem bateria? Foi o suficiente para convencê-la da urgência da troca. Detalhe: já era a segunda vez que o carro quase não ligava. Tem gente que realmente adia até a coisa ser totalmente inadiável.

Bem, e o que é deixar a manutenção do carro em dia? É checar e/ou substituir vários itens de desgaste do carro para evitar que estes venham a falhar. À exceção do óleo, que para a saúde do motor eu gosto de trocar a cada 5.000 km se o uso for severo (atenção, anda e pára é uso severo!!!), uma revisão de vários itens a cada 10.000 km já previne muitos problemas. Fiz uma lista, não é exaustiva, mas tentei que fosse genérica para servir para o maior número possível de casos.

Pneu furado: não há como evitar. fonte: www.moreira.com.br

Pneu furado: não há como evitar. fonte: www.moreira.com.br

Óleo: se o uso for severo (baixas velocidades, percursos curtos, trânsito intenso), trocar a cada 5.000 km ou 6 meses. Se o uso predominante for em estrada em velocidade de cruzeiro entre 100 e 120 km/h, dá para esticar para 10.000 km. Mas os 6 meses continuam. Troque sempre o óleo e seu filtro, são itens muito mais baratos do que uma retífica de motor.

Freio a disco: A cada 10.000 km é bom olhar o estado das pastilhas. Se estiverem do meio da vida para baixo, troque. Conferir também a espessura do disco, se estiver abaixo da recomendada pelo fabricante, troque junto com as pastilhas.

Freio a tambor: Hoje quase esquecido, principalmente depois do advento da regulagem automática. E, como só é usado na traseira, gasta muito pouco mesmo. Mas a cada 40.000 km é bom abrir os tambores e checar como andam as coisas lá dentro. Lonas abaixo de meia vida pedem troca. Checar os cilindros de roda quanto a vazamentos, se não estiverem úmidos não precisa mexer. Feche tudo e só abra de novo dali a mais 40.000 km.

Fluido de freio: Com o tempo, absorve água e abaixa o ponto de ebulição, podendo vir a ferver em uma situação extrema, como uma descida de serra. Trocar o fluido e fazer sangria do sistema para eliminar todo o ar a cada dois anos. Esse é por tempo, não por quilometragem.

 

Velas gastas (esq.): desempenho prejudicado e consumo maior (fonte: sosautomovel.blogspot.com)

Velas gastas (esq.): desempenho prejudicado e consumo maior (fonte: sosautomovel.blogspot.com)

Velas: Esqueça o que alguns fabricantes dizem de durar 40.000 km. Hoje as velas “duram” mais porque as bobinas ficaram mais fortes e agüentam mais desaforo, as antigas “abriam o bico” mais cedo. Só que uma vela desgastada faz a bobina trabalhar em voltagens maiores, o que acelera seu desgaste, além de aumentar as chances de “misfiring” (falha de queima) quando o motor é exigido em alta carga, prejudicando consumo, emissões e podendo encurtar a vida do catalisador. Velas comuns, com eletrodo central de cobre, devem ser retiradas com 10.000 km para acerto da folga e substituídas com 20.000 km. Bobina e catalisador agradecem. Ao mexer nas velas, checar os cabos. Se houver sinais de zinabre em seus contatos, é bom trocá-los.

Velas de irídio realmente duram 50.000 km sem mexer. Velas de irídio e platina (“Laser Iridium”) são feitas para durar 100.000 km. São velas mais caras, mas é um ponto a menos para olhar. De quebra, por terem eletrodo mais fino, proporcionam uma faísca mais precisa, diminuindo as chances de “misfiring”. Eu uso e recomendo. A diferença prática da “Laser Iridium” para a Iridium comum é só a durabilidade mesmo.

Sistema de alimentação: Verificar a cada 20.000 km, checando pressão e vazão da bomba de combustível. Trocar o filtro de combustível a cada 20.000 km. O filtro de ar pode ser limpo com leves batidinhas e LEVE jato de ar no sentido contrário do fluxo com 10.000 km, substituindo-se aos 20.000 km. Não colocar jato de ar forte porque destrói as fibras. Há uma controvérsia em relação à limpeza de válvulas (“bicos”) injetoras, mas eu particularmente recomendo a verificação da equalização e da estanqueidade a cada 40.000 km. Se houver diferença nos volumes (bicos desequalizados), pode-se tentar uma limpeza para equalizá-los. Como o sistema de injeção de auto-ajusta, mais importante que o valor absoluto injetado é a equalização das válvulas injetoras. Não há ajuste que resista a um bico injetando diferente do outro. Se estiverem estanques e equalizados, é só colocar de volta, não é necessário fazer limpeza preventiva. Não se limpa o que não está sujo… Nesta desmontagem a cada 40.000 km para medir os bicos, aproveitar para limpar o corpo de borboleta.

 

Manutenção, a melhor forma de evitar imprevistos. fonte: www.perkons.com

Manutenção, a melhor forma de evitar imprevistos. fonte: www.perkons.com

Suspensão: Conferir o alinhamento a cada 10.000 km, se estiver dentro do intervalo especificado não precisa nem mexer. Faça em oficina de confiança, está cheio de empurroterapeuta querendo vender “cambagem” desnecessária. Olhando por baixo do carro, checar estado do escapamento e dos outros componentes da suspensão, além das coifas das juntas homocinéticas. Só trocar o que estiver ruim, nada ali se troca por quilometragem, só troca quando apresenta desgaste mesmo. Esta regra também vale para os amortecedores: não existe essa de “troque os amortecedores a cada 30.000 km”, isto foi uma campanha de marketing de uma empresa de autopeças para aumentar suas vendas. Amortecedores, como os outros componentes da suspensão, se testam e se trocam apenas quando estiverem desgastados.

Iluminação: Uma vez por mês, acender todas as lâmpadas e checar se tem alguma queimada. E só. Uma vez a cada seis meses confira a regulagem de altura dos faróis. Esta é uma coisa que eu faço também antes de pegar estrada se vou dirigir muito à noite. Não custa e os faróis bem regulados são essenciais para a sua visão e para não ofuscar quem vem em sentido contrário. E quando for viajar levar uma lâmpada reserva de cada tipo das usadas em faróis, lanternas, luz de freio e pisca-pisca. Lâmpada não tem validade, mas não escolhe hora para queimar.

Pneus: Calibragem a cada duas semanas, sempre com o pneu frio. Antes de viajar, colocar 3 lb/pol² a mais de pressão. Calibrar junto o estepe, sempre com a maior pressão colocada nos outros pneus. Em relação a desgaste: as marcas de desgaste (TWI – Tread Wear Indicator – Indicador de Desgaste da Banda) indicam que os sulcos chegaram a 1,6 mm (2/32″). Este é o limite permitido pela legislação. Pneus com sulcos menores que 1,6 mm estão legalmente “carecas” e podem fazer com que o policial retenha o carro até a regularização (ou seja, troca dos pneus). Só que este é o limite LEGAL. Com 1,6 mm, os pneus já estão demasiadamente gastos e têm sua capacidade de escoamento de água severamente comprometida. Um vídeo feito pelo site americano Tire Rack comparou o desempenho de frenagem em pista molhada de pneus novos (10/32″ – 8 mm), usados (4/32″ – 3,2 mm) e em fim de vida útil legal (2/32″ – 1,6 mm). Quanto menor a profundidade do sulco, maior a a distância necessária para frenagem. Portanto, não é conveniente, em termos de segurança, esperar que os pneus cheguem ao limite legal para substituí-los. Quando a profundidade de seus sulcos atingir 3,2 mm, é conveniente providenciar a troca, pois o desempenho em pista molhada fica muito comprometido a partir deste ponto.

TWI: os indicadores de desgaste dos pneus. quando o desgaste da banda chega neles, o carro pode ser apreendido

TWI: os indicadores de desgaste dos pneus. quando o desgaste da banda chega neles, o carro pode ser apreendido

Preparando o motorista

Em vez de pensar em preparar o carro para as férias, é mais produtivo pensar em preparar o motorista para a estrada. Primeiro, planejamento. Dirigir por horas a fio é cansativo e o cansaço é um fator crítico para a segurança. Hoje em dia o corpo não é mais muito exigido, exceto por permanecer muito tempo em uma posição. Já vão longe os dias de direção “queixo duro” (sem assistência hidráulica ou elétrica) e freios “a feijão” (sem servofreio). Porém, o cérebro é muito exigido por ter que permanecer em constante estado de atenção e, muitas vezes, de tensão, como em uma estrada pista simples cheia de caminhões. O excesso de cansaço é um inimigo perigosíssimo, pois reduz a atenção e pode fazer o motorista dormir sem perceber. Ao primeiro sinal de sono, deve-se parar na primeira cidade e procurar um hotel para dormir. Nada de bancar o herói e enfrentar o sono, pois ele é um adversário forte e traiçoeiro que sempre vence no fim.

Sendo assim, é recomendável planejar horários de saída e de chegada, evitando dirigir mais do que 8 horas em um dia, sem contar as paradas. Paradas, aliás, que devem ser feitas a cada duas horas, para “esticar as pernas” e assim diminuir os efeitos do corpo estar sempre na mesma posição. Exercícios de alongamento nas paradas são bem-vindos. Se possível, dividir o volante com alguém, com este revezamento dá para dirigir 12 horas em um dia, seis horas cada um. Contando as paradas, dá umas 14 a 15 horas, número que não deve ser ultrapassado por conta do perigo do sono.

Para planejar distâncias e prováveis locais de parada para dormir, é conveniente contar com uma velocidade média de 80 km/h. Parece baixo, mas haverá paradas, trechos atrás de caminhões procurando um ponto de ultrapassagem, trechos cruzando cidades com lombadas, etc. Das minhas experiências, 80 km/h é uma média bem realista para uma velocidade de cruzeiro de 110 km/h.

Por conta do sono também se deve tomar cuidado com a alimentação: comidas pesadas dão sono, portanto, nas paradas, deve-se dar preferência a comidas leves. Evitar também o excesso de comida, que também dá sono. Falando em comida, não se pode esquecer das bebidas. Ao viajar por horas, é muito fácil desidratar. Por isso, é conveniente levar garrafas com água para ir bebendo durante o trajeto, evitando a desidratação.

 

Ferramentas, sempre bom levá-las para uma eventualidade

Ferramentas, sempre bom levá-las para uma eventualidade

Além de tudo isso, é bom sempre levar uma maleta de ferramentas, mesmo que não se saiba usá-las. É improvável que haja uma pane na estrada, mas nada pior do que, caso houver, um bom samaritano que entenda de mecânica não conseguir consertar por falta de um alicate ou de uma chave de fenda.

Outro item importante é levar sempre uma lanterna. Estradas não têm iluminação e os faróis iluminam apenas à frente do carro. Imagine trocar um pneu sem conseguir enxergar o pneu, os parafusos e a chave de roda. A lanterna salva a pátria nestas horas. Sei que hoje os celulares têm lanternas, mas onde apoiá-lo se as duas mãos estão sendo usadas? Uma lanterna simples, de 12V, que liga no acendedor de cigarro ou na bateria é muito mais útil, pois emite luz em todas as direções, é fácil deixá-la apoiada no asfalto iluminando tudo à sua volta.

Com o carro sempre em dia, não haverá preocupação quando se for cair na estrada. Cuidando sempre da manutenção, o custo total desta diminuirá, o consumo será mantido em níveis menores e o carro será mais confiável, com menos probabilidade de panes e de acidentes. Além disso, um carro bem cuidado sempre é mais fácil de ser comercializado e será mais valorizado quando da hora da troca. Não há motivo para não se fazer a manutenção do carro, só há vantagens nisso. E é uma situação em que se leva vantagem sem ser Gérson.

CMF

Sobre o Autor

Carlos Maurício Farjoun

Formado em Administração de Empresas, atualmente trabalha como servidor público na área tributária. Apaixonado por carros, mecânica e história dos automóveis desde a infância, conhece bem a área de marketing e comportamento do consumidor, gostos que costuma trazer para posts que às vezes acabam gerando polêmica.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Excelente matéria! É exatamente o que penso do meu carro, tem que estar pronto para rodar o tempo todo! Adotei a manutenção preventiva de forma “religiosa”, chato mesmo. Os carros lá de casa dão uma despesa irrisória em termos de manutenção justamente por isso, além do fato de que eu escolho os mesmos muito em função de sua reputação entre mecânicos e proprietários. Por coincidência, hoje cedo troquei um par de pneus que dificilmente alguém trocaria, mas esse item eu dou especial atenção. E não é que um deles, aparentemente com “muito chão pela frente”, estava rachado por dentro? Fazendo a manutenção como descrito no texto, elimina-se mais de 90% (chute meu mesmo..) das possíveis panes, quebras e acidentes por má conservação.

  • Ruarc

    Excelente.

  • CorsarioViajante

    Ótimo texto, realmente o brasileiro é um povo de extremos, vejo muita gente que roda sem nenhuma manutenção e também o outro exagero, da galera que troca tudo exageradamente.
    Já para o motorista, a melhor dica é lembrar que está de férias, portanto vá tranquilo, sem pressa (isso não quer dizer “vá devagar na esquerda” ok?). Se precisar ficar dez segundos atrás de um caminhão para ultrapassar com segurança ou respeitar outra pessoa que está numa sinuca, não haja como um idiota colando, dando farol, seta, empurrando ela e criando situações perigosas. É mais respeitoso com os outros, evita acidentes e você chegará mais descansado – sem contar que as outras pessoas no carro viajarão sem aquela sensação horrível de doido ao volante. Eu mudei minha forma de dirigir neste aspecto e quando muito chego cinco minutos depois mas relaxado e com um ótimo ambiente a bordo.
    Essa da lanterna é osso, já passei por isso, ter que trocar pneu no escuro (e o primeiro pneu que troquei…) e passei a carregar sempre uma lanterna no carro depois.

  • Piero Lourenço

    Muito bom…. já sofri um acidente na Dutra (infelizmente PT) e o que me salvou foi uma lanterna de LED que levava… o celular ? Quedrou na batida… uma dica: Celular no bolso… pois na batida ele vai quebrar e sumir no carro!

  • Felipe Lima

    CMF, excelente artigo! Parabéns.

    Acredito que no AE os leitores já seguem essa lista de olhos fechados!

    Estou a procura de um novo carro (semi novo). Fui ver um há umas duas semanas, ano 2013, no anuncio marcando apenas 20mil km, pelas fotos, me pareceu perfeito. Marquei com o proprietário, cheguei um pouco mais cedo, quando o proprietário parou do meu lado, já reparei que os pneus dianteiros haviam sido substituídos (marcas diferentes do traseiro) e de marca de supermercado. Olhando a lataria atrás, percebi que tinha um reparo de funilaria entre o para-choque e o para-lamas e a lanterna traseira com aspecto mais novo. Perguntei se havia batido e segundo ele, a esposa tinha dado ré na coluna do prédio. Até aí tudo bem, o carro parecia ter os 20 mil km mesmo, chegou a hora de abrir o cofre do motor, logo vi o reservatório do líquido de arrefecimento e quase confundi com o reservatório do fluido de freio…….tamanha sujeira. Ali entregou a idade do carro, por mais “lambão” que o dono seja, impossível um líquido de arrefecimento ficar dessa cor com “apenas 20mil km”. Sentei ao volante pra dar uma volta, embreagem muito dura, já indicando o final da vida útil e o encanto das fotos acabou. Apertei a mão do vendedor, agradeci e falei que o carro não me interessou. Continuo com o meu já beirando os 110 mil km rodados, com muita saúde e disposição apenas com manutenção preventiva.

    • CorsarioViajante

      É incrível como tem picareta no mercado de usados.

      • Felipe Lima

        Corsário, até um certo tempo atrás isso era exclusividade de revendedores, adulterando tudo no carro para passar o aspecto de “carro novo”, “zerado”, “carro de mulher”, “carro de um médico que só ia ao supermercado” entre outras bizarrices.

        Percebo hoje em dia que os particulares também entraram nessa onda.

        • César

          Confesso que nunca sei o que querem dizer com “carro de mulher”…

    • Caio Azevedo

      Mas então, quem tem medo de carro com mais de 100 mil km?

      • ochateador

        Quem não faz manutenção adequada do veículo tem medo de qualquer um com mais de 50 mil KM…

        • Felipe Lima

          Caio e ochateador, eu tenho medo é do dono anterior…Esse carro que fui ver, tem os sinais claros do dono desleixado do post.

          Meu antigo carro um Corsa Classic adquirido 0km em 2007, vendi (em 2013) aos 185 mil km rodados apenas com a manutenção descrita pelo CMF. Vendi pelo preço de tabela na mesma semana em que anunciei. O novo proprietário falou que tinha visto um igual ao meu marcando “apenas 60 mil km” mas ele não quis, pois o carro estava acabado. Entreguei todo o histórico de manutenção desde 0km ele saiu feliz e agradeceu que eu não havia baixado a km pra vender!

          • Caio Azevedo

            Eu me referi ao seu carro com mais de 100 mil, amigo. Carro dos outros, nem que tenha 10 mil. Tô fora.

  • Lucas

    Alguns não me compreendem por eu não deixar qualquer coisinha para trás. Aqueles que acham que carro que dá manutenção é para ser “mandado pra frente”… Ao menor sinal de algo errado estou eu lá indo ver o que é. Se não arrumo, mas pelo menos eu sei o que está acontecendo. Mas não arrumar é muito difícil. Meu carro está sempre em dia. Precisou, é só abastecer e cair na estrada.

  • Mineirim

    No meu Focus também é assim. Acho mais interessante trocar o filtro do que trocar a bomba de combustível. A peça é barata e o serviço é simples.
    Na última vez que fiz o serviço, junto da troca de óleo, o mecânico esvaziou o filtro numa lata e me mostrou a água que estava dentro dele…

  • guest

    Aí o sujeito sai do “centro automotivo” onde fez a revisão de férias (e deixou uns R$ 3.000, divididos em 10x no cartão) e enche o tanque com o combustível mais barato e mais duvidoso que encontra…

  • Alex Ctba

    Muito Bom, Parabéns pelo post!

  • Carlos A.

    Caro Carlos Mauricio Farjoun, sem dúvida um assunto sempre importante de ser tratado. Gostaria de contribuir com a sugestão de mais uma ferramenta muito útil aos carros ‘modernos’ e cheio de eletrônica embarcada: o multímetro, é um equipamento muito importante que pode ajudar bastante. Não é de difícil operação e existem no mercado modelos bem baratos e eficientes para esse uso. Com ele podemos testar desde um fusível até a o alternador se está carregando a bateria!

  • Bruno

    Meu irmão trocou o dele (Focus) e cobraram R$50 e algo no filtro durante a revisão. Segundo o funcionária, entre o baixo custo da troca contra a chance de haver um problema mais sério graças a nossa “gasolina”, a Ford preferiu não arriscar.

  • Antonio Pacheco

    Também sou da opinião de que carro tem que estar com a manutenção em dia. Os meus estão sempre prontos para fazer qualquer tipo de viagem, seja qual for a distância.

  • Arruda

    Muito bom o artigo, embora na questão da troca do óleo eu esteja com o Bob: aos seis meses sem atingir a quilometragem recomendada é um exagero.
    Já o citado teste de frenagem no molhado da Tire Rack é excelente e destrói aquela difundida tese de que pneus novos se colocam atrás e passa-se os velhos para frente.
    Na frenagem a 70mph, com os pneus no limite legal o BMW passou a 55/mph pelo ponto onde parou com os pneus novos.

    • m.n.a.

      Pneu traseiro é mais importante para não perder o controle, pneu dianteiro é mais importante para a frenagem. Controle e frenagem, sempre importantes.

      Conclusão: todos os pneus são importantes, melhor colocar 4 novos sempre.

      • Arruda

        Nos carros de tração dianteira o pneus da frente são SEMPRE mais importantes. Embora, óbvio, pneu ruim não vá bem em eixo nenhum.

      • Roberto Neves

        Essa discussão sobre pneus dianteiros ou traseiros já rendeu discussão feia aqui. Quase saiu morte, hehehe…

  • CorsarioViajante

    E é engraçado que os demais serviços são a cada ano ou 10.000km, mas apenas este a cada seis meses. Realmente acho que é por causa da total falta de fiscalização em cima dos combustíveis.

  • Outra coisa muito importante é verificar o nível dos fluidos (óleo, água e fluido de freio) uma vez por semana e também antes de pegar estrada.

  • Também uso somente gasolina aditivada… comum nunca mais.

  • CorsarioViajante

    Sempre pode acontecer de perder pneus por causa de bolas / bolhas / rasgos etc. Mas serem pneus diferentes entre si denota, sem dúvida nenhuma, desleixo.

    • Danniel

      Considerando que o proprietário tenha feito a troca do pneu com bolha. O que mais vejo por aí são pneus com verdadeiros abcessos na lateral.

  • CorsarioViajante

    Por curiosidade Domingos, que modelo raro era esse que você tanto queria?

    • Domingos

      Civic Coupé do último modelo a vir para o Brasil, o EJ6. Achei na época um preto único dono de uma senhora japonesa, infelizmente ao vivo o carro tinha muito detalhe e muita coisa a ser feita.

      • CorsarioViajante

        Obrigado!

        • Domingos

          De nada!

  • Arruda

    Tivemos dois casos na família de pneus General Tyres, também fabricados pela Continental. Não aguentaram 10.000 km antes de esfarelar as bordas. No frigir dos ovos saiu mais caro que colocar um bom Michelin que dura 5 vezes mais.
    Atualmente não arrisco colocar pneu de segunda linha, embora já tenha usado quando mais jovem.
    Já o treadwear não é possível comparar entre marcas diferentes, pois não há uma norma padrão e cada fabricante tem sua própria metodologia. A comparação fica restrita entre pneus da mesma marca.

    • Otavio Marcondes

      Já no meu caso, com um Astra Advantage com rodas 16″ de fábrica os Goodyear Excellence não chegaram aos 20.000Km, coloquei um jogo de Potenza GIII fizeram 28.000Km, um jogo de ER300 durou 24.000Km, num jogo de Pirelli P7 perdi um par por rodar com óleo na pista (então foram 6 pneus) duraram cerca de 30.000Km e outro jogo durou 28000Km. Resolvi vender o carro e optei por utilizar um mais em conta e coloquei um jogo de Brillhance II da Barum, acabei não me desfazendo do carro e o pneu surpreendeu positivamente durando 30000Km e trabalhando muito bem.
      Mas confesso que arrisquei de uma maneira que não gosto.

    • Frank BassSinger

      Cara, meu carro tem pneus Michelin Energy XM2 e são os melhores que já tive! Sem comparação com Pirelli, Goodyear ou mesmo Continental que já usei no meu antigo Celtinha….

      • Arruda

        Meu carro veio com pneus Primacy Pilot 205/55 16 (já fora de linha), ótimos em grip e durabilidade, mas excessivamente ruidosos. Um deles chegava a parecer que o escape tinha furado de tão barulhento. O par dianteiro rodou 63 mil km, o traseiro 75.
        Os substitutos foram os XM2, excelentes e bem silenciosos. O par dianteiro tem 56 mil km.
        Justamente hoje comprei um par novo, a loja onde costumo comprar não trabalha mais com o XM2, então fui de Primacy 3. Planejo montar após a virada do ano. Troco de pneu, mas não troco de marca, rs.

  • Mr. Car

    Estava aonde, he, he? Viajou também?

    • ccn 1410

      Que nada… Primeiro eu tive problema com a rede e depois com o computador, aí novamente problema com a rede e novamente com o computador… Argh!

  • RoadV8Runner

    Eu tenho uma planilha em Excel onde anoto toda a manutenção e abastecimentos que faço nos meus carros. Fica incrivelmente fácil de acompanhar o período ideal para a nova verificação ou eventual substituição de componentes. E, apesar do grande erro que o controle de consumo tanque a tanque possui, dá para notar ao menos tendência a aumento de consumo em períodos maiores (mês a mês, por exemplo), bem como alguns postos espertalhões que vendem produto fora do especificado.

    • Renato Texeira

      Boa dica mesmo. Nunca tinha pensado em utilizar uma planilha para tentar identificar possíveis postos que vendem combustível adulterado. Obrigado.

  • Carlos Mauricio Farjoun

    Laser Iridium é uma marca da NGK para velas em que o eletrodo central é de irídio e o eletrodo de massa é revestido de platina. Não sei se existem outras marcas de velas com esta característica, mas pelo intervalo de troca recomendado, tudo leva a crer que são Laser Iridium sim. Tanto o irídio quanto a platina são materiais de pouco desgaste em velas. Duram 100.000 km sim. O Fusion usa Laser Iridium. Tirei as velas com 55.000 km e pareciam novas. Ia trocá-las, mas ao ver o estado das usadas, as coloquei de volta, nem a folga havia se alterado. Aliás, não se ajusta a folga de velas de irídio, só para deixar claro.

  • TDA

    Tem que retirar os bicos e colocar numa máquina específica para fazer a equalização, tipo essa:

  • TDA

    Qnd eu tinha meu Palio tbm só colocava o Selenia e tinha muita gente que me criticava pelo preço alto desse óleo. Como eu não tenho paciência pra explicar o bê-a-bá, ia a resposta padrão: é o que tá recomendado no manual!

  • ochateador

    Manual do proprietário do carro serve?

  • Domingos

    Dá muita diferença. Depois dos 5 anos eu confirmo que o pneu vai ficando cada vez pior a ponto de ficar perigoso mesmo.

    • Danniel

      Acredito ser o caso dos Yokohama C-Drive que vieram no 3.0. Ainda tem muita borracha, mas com pouca aderência. Como não sei se este modelo é duro ou macio, credito isso à idade do pneu, que foi fabricado em 2011.

      • Domingos

        Provável que seja. Tive um carro pouco usado que ficou com um pneu por cerca de 6 anos. Apesar de acima do TWI por pouca coisa, troquei porque dependendo do dia a aderência simplesmente sumia de uma hora para outra, cheguei a traseirar ao dobrar esquina!

        E era tração dianteira! Isso começou vez ou outra, mas bem menos pronunciado, lá pelos 5 anos mesmo. Essa validade parece ser bem estudada.

  • Domingos

    É um bom lugar de fato. Melhor ainda se conseguir ficar dentro dos estojos de ferramenta.

  • Carlos Mauricio Farjoun

    A desmontagem dos bicos é um procedimento simples. É uma manutenção para ser feita a cada 40.000 km apenas, aproveitando-se a desmontagem para limpar o TBI. Mas uma coisa é certa: fuja de quem propuser limpeza de bicos sem desmontagem. O mais importante não é a limpeza (em que as oficinas focam), mas sim as verificações de equalização, estanqueidade e formato do jato de combustível aspergido. E isso não dá para fazer sem tirar os bicos do lugar. Limpeza se faz quando algum destes parâmetros não está ok como última tentativa de salvar o bico antes da troca. Limpeza não é procedimento rotineiro, mas sim tentativa de salvar um bico já alterado por acúmulo de sujeira.

    • Cadu

      Fácil, desde que não seja injeção direta!

  • Danniel

    Não sei se a edição foi salva, mas corrigindo, a primeira troca do fluido de arrefecimento foi aos 60.000km.

  • Felipe Lima

    Lahoz, eu penso igual. Se economiza no pneu, imagine o restante?

  • Cadu

    Euza o quê?

  • César

    Os Conti Power Contact, no meu Logan, duraram 41.633 Km, somente no eixo dianteiro, sem fazer rodízio, como recomendado no manual. O dianteiro direito ainda rodaria mais, mas tive que trocar o par devido a um desgaste irregular no dianteiro esquerdo devido a um problema na suspensão. Coloquei Dunlop Sport LM 704 para experimentar

    O par traseiro do Conti já está com 33.469 Km e longe do TWI.

    Um destaque do Continental é que ele tem um TWI para pisos molhados, quando o sulco atinge 3 mm, a partir do qual é considerado inseguro para pisos molhados.

    Detalhe: o preço tanto do Continehtal quanto do Dunlop são muito bons. Quando comprei o Dunlop, estava mais barato que o Altimax (do Extra), na mesma medida.

  • Cadu

    Pirelli Phantom é nível de xingling. Pior pneu que já tive!

  • Cadu

    Kumho é coreano!

  • Domingos

    Uma adulteração em cima de um carro bom que é o maior problema, porque aí passa batido.

  • Danniel

    Normalmente os aplicativos deixam os dados presos a eles, e gosto da flexibilidade da planilha para fazer a estatística que quiser..

  • robson santos

    Mike, legal sua confissão, e ainda 15W50 pra colocar a “cereja” no bolo rsrs..

    • Cara, eu não sei se esse óleo é bom ou ruim, rsrsrs!
      Mas é o indicado no manual do carro, então, não custa manter, não é?

      O pneu de estepe original do carro, Pirelli P6000 175/65R14, deu dó de verdade. Até os cabelinhos ele tem. Para não ter perigo de algum borracheiro safado vender o pneu para algum desavisado, levei pra casa dos meus pais, vou fazer um balanço para o filhote!

      • robson santos

        Beleza, Mike,
        já ouvi falar de casos com um range exagerado na especificação do óleo em manual do veículo, que ia de 10W40 a 20W50, não durou muito essa palhaçada de economia na Concessionária ou aquela historinha de “clima quente”, por que será… garanto que seu carro jamais saiu de fábrica com esse óleo, a palhaçada começa nas revisões..
        Seu carro é um Peugeot, meados dos anos 2000?
        Está há muito tempo usando este óleo?
        Se só trocou recentemente, substitua imediatamente, nunca mais use isso, vá de 5W40, melhor coisa que você vai fazer, desde a partida a frio até o funcionamento mais solto desse motor, melhora mais ainda a vida útil..
        Se o carro começou a “fumar”, encoste e mande revisar o motor, não permita que engrosse o óleo.

        • Rodrigo Justi

          Pode trocar sem medo? Já ouvi falar nisso, estou usando há anos o 15W40… Tenho medo de trocar e ferrar com a coisa toda… 206 1,0 16v 2005.

  • São de Adamantium!

  • Otavio Marcondes

    Acredito que irei optar por este modelo na próxima troca sim, porém agora com 4.000 km falta muito para me preocupar com isso.