Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas ENSINAR CEDO A GUIAR, BEM CEDO – Autoentusiastas

Não é à toa que desde novinhas as crianças começam a ir para a escola. A cabecinha delas é uma esponja ávida em absorver conhecimentos. É sabido que essa facilidade para o aprendizado vai perdendo eficácia com o passar dos anos; os jovens têm maior capacidade de aprendizado que os velhos. Aprender outras línguas é um exemplo. Aprendidas desde cedo são mais fácil e profundamente assimiladas.

E é por essas e outras que, para que nossas crianças futuramente sejam bons motoristas, preconizo que desde cedo as ensinemos a guiar, isso, claro, se conseguirmos criar condições de fazê-lo com segurança. Por sinal, a noção da segurança e da responsabilidade de quem dirige devem ser os primeiros ensinamentos.

Também sou plenamente a favor — e digo isso não só baseado na teoria, mas também na prática —, de que, se a nossa criança, ou o nosso jovem, tem atração por aventuras, como, por exemplo, gostar de velocidade, de escalar montanhas, de surfar, ou de seja lá qual outra atividade for que envolve risco, que tratemos de fazer essas pequenas loucuras junto com elas. Isso porque se nós não o fizermos ele procurará outros que o façam, e esses outros com certeza não serão mais protetores nem melhores professores do que nós no que concerne à sua segurança. Se não soubermos nada sobre a atividade com a qual ele cismou, que tratemos de aprender juntos ou pelo menos os acompanhemos no possível.

 

Um menino com essa idade já pode, sim, começar (Foto: dailymail.com)

Um menino com essa idade já pode, sim, começar (Foto: dailymail.com)

E, na verdade, se formos pensar bem, a atividade que mais nos expõe a riscos é o simples rodar de carro por aí, seja dirigindo ou de carona. Não que rodar por aí seja uma atividade mais arriscada que as outras. É que além dela ser a mais corriqueira, ela nos expõe a atitudes que não dependem de nós, mas de outros, e dentre esses outros há muitos malucos e/ou incompetentes. Experimente o caro leitor autoentusiasta rememorar os inúmeros incômodos pelos quais passou ao ir de carona com um ou outro conhecido. Eu, pelo menos, calculo que sofri com pelo menos um terço dos motoristas com os quais fui ao lado. Você está vendo o perigo e o sujeito não, ou vê e não reage, ou reage errado. Ou corre demais onde não deve, ou corre de menos onde deveria, ou é desatento, ou fica nervoso à toa, e por aí vai. Vixe! Que aflição!

 

O tonto se acha o bacana (Foto: kidstraveldoc.com)

O imbecil se acha o bacana (Foto: kidstraveldoc.com)

E olhe que estou falando de gente meio como a gente; gente considerada razoável, então imagine como deve ser torturante ir de carona com alguém que faça parte da parcela maluca da população, esses caras em cujos carros você não entra nem debaixo de porrete porque já dá para prever que será uma gelada. Horrível, não é?

Pois então. Todos esses maus motoristas citados e com os quais você tem ou teria arrepios de andar de carona estão rodando por aí, indo ao lado do seu carro ou vindo ao seu encontro. Temos, portanto, que guiar por nós e por eles; temos que estar preparados para escapar de inimagináveis asneiras dos outros, se quisermos dar o máximo de segurança a quem está sob nossa responsabilidade.

Para que os nossos jovens alunos aprendam a dirigir direito, portanto, além de ensiná-los a ter pleno domínio da máquina, temos que ensiná-los a ter o controle de seus ímpetos — para que só extravasem, corram e se divirtam, onde é seguro —, e temos que também conscientizá-los para que sejam muito cuidadosos com as possíveis burrices dos outros. Há limites para a inteligência, mas não para a burrice. Dirigir com segurança, portanto, é prever e se precaver.

 

Minicarros dão bom começo, foi assim com o primo PK

Não sei pilotar avião e muito menos helicóptero, portanto, não vou me meter a pilotá-los. Caso resolva fazê-lo, farei os devidos cursos. Ao final, não me bastará o instrutor dizer que estou habilitado para que eu saia voando por aí. Terei que me sentir seguro, com pleno domínio da máquina e pronto a encarar não só um céu de brigadeiro, mas também pronto a imediatamente saber o que fazer em caso de mau tempo ou imprevistos. Certo? Certo! Mas não é assim que pensam a respeito dos motoristas de automóvel. Qualquer desabilitado tira sua CNH. E basta ter sua posse que ele já se acha um craque, apesar de não fazer a mínima idéia do que está acontecendo. Basta observar que basta uma chuvinha de nada, à noite, para que muitos se arrastem pela pista, sinal que não enxergam, ou, se enxergam, estão perto do pânico por não saberem o que fazer.

O Corcel GT de minha mãe “dava” 145 km/h. O Opala 3800 do meu pai, com câmbio universal de 3 marchas na coluna de direção, dava quase 170 km/h. O Dart dele, também com 3 marchas na coluna, dava quase 180 km/h. Meu Jaguar XK 120 dava pouco mais de 200 km/h. A fazenda é cortada por uma estrada de asfalto que era novinha na década de 1970, com bom piso, praticamente deserta e com uma longa reta de mais de 6 quilômetros. Tão ideal era que muitos fabricantes a usavam para testar seus veículos. E era nela que eu — adolescente, com meus 14, 15 e 16 anos — também “testava” os carros da família, sendo que o teste mais legal era medir, pelo velocímetro, “o quanto o carro dava”. Inventava uma desculpa de que precisava ver uma vaca doente, ou sei lá qual outro esfarrapo de desculpa, e pegava o carro e ia para a estrada.

Como meus pais não eram ligados a carros e muito menos atraídos pela velocidade, nem lhes passava pela cabeça que este seu filhinho bem comportado fosse fazer o que fazia. Todo carro que me sobrasse nas mãos, uma hora ou outra, tinha que chegar ao máximo. Ao menos eu só fazia isso quando estava sozinho; essa era a minha regra. Além do mais, na hora do racha, sozinho é mais gostoso. Nunca consegui baixar a lenha de verdade tendo alguém ao lado.

Eu estava preparado para isso? Não. Não estava mesmo, tanto que hoje, com a minha experiência, não o faria. Não o faria porque fora o pobre Corcel, que tinha 4ª e última marcha curta, todos esses outros citados flutuavam uma barbaridade quando chegavam perto de suas velocidades máximas. Pneus diagonais, aerodinâmica descompromissada com a dirigibilidade, suspensão quase que só compromissada com o conforto, esses fatores lhes comprometiam a segurança em alta. O meu XK 120, um bom esportivo fabricado em 1952, estava com pneus radiais Cinturato, da Pirelli, e ia bem até uns 180 km/h, mas daí em diante a situação ficava delicada, instável. Mas eu achava que se o carro dava eu tinha que ir.

 

Não dê mau exemplo para as crianças (foto: harrishurtline.com)

Não dê mau exemplo para as crianças (foto: harrishurtline.com)

Corri perigo, sim, e meus pais nem imaginavam. Daí que quando minhas filhas passaram a dirigir direitinho, já adolescentes, nessa mesma idade em que eu fazia essas besteiras passei a ir com cada uma para a mesma estrada e ali, sob condições de estrada absolutamente vazia etc, as mandava acelerar o quanto quisessem. Logo vi que nenhuma delas tinha aqueles ímpetos que me incitavam, aquela paixão meio maluca pela velocidade. Elas ficavam com medo e não tinham a gana de querer vencê-lo. Simplesmente não estavam a fim. Por mim, tudo bem. Vi que não iriam fazer às escondidas as maluquices que fiz.

Se eu visse que elas tinham a mesma gana, o jeito seria tratar de ensiná-las a como e onde correr, porque seria certeza que o fariam com ou sem mim. Então, se é para correr, que corram conosco ao lado para aprenderem a fazê-lo como se deve.

Quando elas tiraram a CNH, passei para o banco do carona. Por questão de segurança, enquanto elas ainda não estavam dirigindo perfeitamente bem, eu continuava a dirigir quando toda a família estava a bordo, mas se estivéssemos em dois, uma delas e eu, eram elas que dirigiam, seja na cidade ou estrada. Sem essa de “passa o volante pra cá porque você não sabe guiar!”. Não adianta só mostrar como se faz. É preciso lhes dar a direção e ensiná-los a fazer, a pensar, a se concentrar, a sentir o carro, a prever o comportamento do carro e se antecipar, além de, como já disse, esperar as mais idiotas atitudes dos outros e se posicionar de modo a, caso elas venham a acontecer, escapar delas.

A hora de ensinar é essa: desde cedo e sempre, sempre estar ensinando. Não deixe para depois, se quiser que os seus sejam bons motoristas. Se quiser ter tranqüilidade no futuro, trate de ensiná-los direito e na idade certa, que seguramente não é essa dos 18 anos; é bem antes disso.

Ensine-os a pensar. Por exemplo, numa pista simples, uma besta que está à sua frente parte para uma ultrapassagem imprudente. Nesse caso, o negócio é tratar de diminuir a velocidade para se distanciar de uma possível, ou melhor, provável, confusão, para ter tempo dela escapar. Parece óbvio isso, mas se observarmos não é isso o que mais se vê fazendo. Muitos se “aproveitam” disso e aceleram para colar no veículo que está sendo ultrapassado pelo outro tonto. Mostre isso. Explique por que você freou e se distanciou.

 

Também não precisa exagerar (foto:okinawahai.com)

Também não precisa exagerar (foto:okinawahai.com)

Outra coisa, hoje, com todos os carros mais novos tendo bolsas infláveis, ainda se vê gente no banco do carona apoiando os pés sobre o painel. E na maioria são crianças. Crianças adoram isso, tiram os tênis fedorentos e metem os pés no painel. Será que não passa pela cabeça dos pais que basta uma batidinha para que a bolsa infle numa explosão e com isso a criança se quebre fechando feito uma concha?

Gente que gruda GPS no meio do pára-brisa. Atrapalha a visão. Gente que pendura tudo quanto é besteira no retrovisor interno. Atrapalha a visão. Gente que tapa todos os vidros com lâminas de plástico absurdamente escuro. Atrapalha a visão. Haja burrice!

Precisamos, desde cedo, ensinar nossos jovens a entender que a segurança de todos no veículo depende primordialmente do motorista e não dos cuidados do fabricante. Controle de tração, controle de estabilidade, controle de frenagem, bolsa inflável, cinto de segurança, estrutura, tudo isso é secundário, porque acidente é que nem briga: a gente sabe como começa, mas nunca sabe como vai terminar. O negócio é saber evitá-los, e na grande maioria das vezes dá, sim, para evitá-los. É só levar a sério a função de dirigir.

 

Para aí que vou descer! (foto: cantechletter.com)

Para aí que vou descer! (foto: cantechletter.com)

E não se esqueça de ensiná-los a dizer firme: “Pare aí que vou descer! Me passe o volante ou eu desço!”

AK

Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

  • CorsarioViajante

    Só pelo título já saquei que era texto do AK! rs
    Acho que o mais importante é mesmo dar o exemplo, é incrível como as pessoas não se importam em agir de forma irresponsável, errada e ilegal na frente dos filhos. Convivo com muitas pessoas que costumam dirigir completamente bêbadas com suas famílias, tiram racha, dirigem agressivamente, falam (ou digitam!!!) ao celular… E as crianças lá no banco de trás “aprendendo” tudo. Lamentável.

  • Mr. Car

    Exceto por uma esporádica voltinha aqui outra ali com um adulto ao meu lado, nunca tive quem me ensinasse desde cedo, de verdade. O resultado disto é que depois das burocráticas e inócuas aulinhas da auto-escola, dava alguns sustos em quem estivesse comigo, e tive que aprender mesmo foi na vida real, no campo de batalha de ruas e estradas. A sorte é que a experiência que faltava no começo, sempre foi compensada por prudência, juízo, e responsabilidade. Nunca fui dado a explorar os limites dos carros, e sempre tive consciência dos meus próprios limites. Parece que a receita deu certo. São 32 anos de CNH, muita rua, muita estrada, nenhum acidente. Posso não ser (e sei que não sou) um ás do volante, mas também sei que não sou um asno do volante. Acredito piamente na parte “a segurança de todos no veículo depende primordialmente do motorista e não dos cuidados do fabricante”. Não que não reconheça
    o valor das sopas de letrinhas e que não deseje ter em meus futuros carros, mas mesmo não tendo até hoje, nunca entrei em meus carros com o pensamento “estou em um carro inseguro”. A maior parte da segurança do meu carro, quem faz sou eu. Não vou cair na paranóia de “meu carro não tem 5 estrelas, eu morrer nele é uma questão de tempo!”. Não mesmo.

    • David Diniz

      Nossos pais,avós e tios tiveram Fusca e outros carros que para muitos hoje em dia é uma arma de destruição em massa e estão vivos ou morreram de causas naturais mesmo. Tambem detesto esse monte de sopa de letrinha que tem nos carros. Eu sou o motorista e sou responsável pela minha segurança a dos passageiros e de terceiros. Não preciso de porcarias eletrônicas de ESP,BAS, ABS e nem um saco de ar para me sentir seguro.

      • Mr. Car

        David, eu não disse que detesto, e nem que não sejam importantes aliados em algumas situações, especialmente para motoristas menos experientes, mas sim que dirigir com cuidado é ainda um excelente método de evitar acidentes, talvez o principal, e a falta destes equipamentos não me faz sentir em perigo nem paranóico simplesmente por não existirem em meu carro, he, he!

  • H_Oliveira

    Não tive quem me ensinasse, mas assim que tirei minha habilitação, procurei ir cada vez mais distante para, aos poucos ir me acostumando, aprendendo… Acho importante também ler, pois apesar de não ser a mesma coisa da prática, mas ler sobre a distribuição de peso nas frenagens, nas curvas, subesterço, sobreesterço… Acaba que você tem uma base para saber o que não deve fazer, como o carro possivelmente vai reagir etc… Excelente, AK!

  • Marcos Alvarenga

    Mais um ode à racionalidade e à lucidez. Tão necessário em tempos como o que estamos vivendo: produção em massa de imbecis travestida de consciência verde e de atitudes politicamente corretas.

  • Newton (ArkAngel)

    Posso estar errado, mas a impressão que tenho é que atualmente as pessoas parecem ter dificuldades de analisar vários fatores separadamente para depois uni-los formando um panorama, creio que isso é importante para podermos nos deslocar com segurança e defensivamente. Notei isso hoje, quando estava em uma rua de mão dupla atrás de um ônibus; quando o mesmo parou em um ponto para embarcar passageiros, logicamente parei também para aguardar, porém um idiota que vinha atrás de mim mal esperou o ônibus se imobilizar e já apontou para a esquerda e ultrapassou pisando fundo mesmo. Um pouco mais à frente um outro carro estava saindo de uma garagem e freou bruscamente ao perceber a anta vindo pela contramão, enquanto o tal estúpido nem deu mostras de perceber o que estava acontecendo ao seu redor.
    Das duas uma: ou o cara age mesmo de má fé, ou então é um mentecapto com dificuldade de raciocínio. O pior é que situações assim eu vejo cada vez com mais freqüência.

    • CorsarioViajante

      Gérsons! Gérsons everywhere!!!

      • Mr. Car

        Off-topic só para constar, pois é uma estória interessante, e talvez os mais novos não saibam sua origem. Todos nós utilizamos o termo “Lei de Gérson”, e o pobre do Gérson paga até hoje por uma interpretação deturpada da frase “gosto de levar vantagem em tudo, certo?”, que ele dizia no famoso comercial dos cigarros Vila Rica. Em nenhum momento, o comercial associa este “levar vantagem em tudo” ao sentido de passar os outros para trás, como usado corriqueiramente pela população. No comercial, tinha o sentido de comparar entre as marcas de cigarros, e escolher aquela de melhor custo/benefício, ou seja, a mais barata, mais suave, de melhor sabor, etc…Enfim, pura comparação mesmo, e escolha daquela que lhe oferecesse mais por menos. Aí vai o comercial:

    • Domingos

      Chama-se construtivismo, que na verdade é o desconstrutivismo, essa incapacidade de juntar as partes das coisas e se chegar no óbvio. É o que somos lavados cerebralmente a fazer e é o que todo ensino público e a maioria dos privados também nos têm ensinado nos últimos 30 ou 40 anos.

      Isso não só no Brasil. Por isso mesmo essa geração nova toda, antes do milagre, serve só para ficar vendo besteira no smartphone mesmo. E servindo de massa, claro.

  • Mineirim

    AK,
    Muito bom artigo. Aprendi a dirigir com meu pai aos 15 anos. Sempre observava o jeito dele dirigir e de outros motoristas. No ônibus, costumava ficar bem na frente para observar o trabalho do motorista.
    Talvez por isso, na primeira vez, sentei no volante do Fuscão, pisei na embreagem e fui passando as marchas naturalmente. A palavra que mais ouvia meu pai falar era “cuidaaaado!”. Não que eu fizesse muita barbeiragem. Só que ele não gostava de correr riscos desnecessários no trânsito, nem queria que engatasse a quarta marcha (“o carro fica muito solto”).
    Na verdade, ele não gostava de dirigir, mas me ensinou a prestar muita atenção em tudo à minha volta, a dirigir por mim e pelos outros. Aposentou-se do volante há uns 20 anos sem qualquer acidente grave.
    Por outro lado, Arnaldo, os tempos mudaram. Hoje é muito difícil encontrar vias tranquilas para aprender a dirigir nas grandes cidades. Outra coisa: os jovens em geral se desinteressaram pelos carros. Estou generalizando, claro, mas estão mais ligados no espertofone do que na graxa.

  • João Lock

    Meu filho de 5 anos e meio já sabe dirigir. Porém aprendeu na minha velha e confiável Toyota Fielder AT. Logicamente sabe dirigir indoor sem nenhuma maluco maior de 18 anos habilitado para cortar a proa dele.

  • David Diniz

    Ótima matéria e concordo que sim deve se ensinar desde cedo para não se fazer “porcaria” quando estiver com a CNH em mãos. Pena que o mundo está muito chato e fazer isso está cada vez mais difícil em vias públicas.

  • Domingos

    Muito bom. Compare isso a nova tática dos países “avançados” (que dos últimos 20 anos para cá só fizeram foi se nivelar com países do baixo espírito, com o potencial corrosivo do dinheiro fácil e da coordenação perfeita de causas) que é proibir absolutamente tudo, criminalizar o carro e o motorista, e depois na hora da habilitação meramente dificultam ao máximo todo o processo – incluindo testes esdrúxulos que perguntam a um novato se um semi-eixo faz parte da frenagem – e aí para que “evitem” que os recém-habilitados sem experiência NENHUMA com carros façam besteira, colocam um prazo de 1 ano onde podem dirigir apenas carros de baixíssima potência e com outras restrições.

    Tudo gnóstico, tudo com base em estatísticas. Como se após esse período de 1 ano, o motorista padrão que não pode gostar de carro, não pode gostar de dirigir, não pode aprender a dirigir, não pode sequer na prática dirigir carro algum durante 1 ano após a habilitação, não fosse ser um motorista péssimo e sem experiência alguma como que por uma mágica pagã onde a pessoa com 1 ano de habilitação seria capaz e hábil apenas com o mudar da data.

    Valeria lembrar as coisas mais rurais da Europa, onde em alguns países se tem permissão para esse aprendizado já desde os 14 anos. Bem o oposto disso, dessa ruindade e falta de sentido, falta de verdade, e na linha do que escreve o texto.

    Claro, menor de idade não deve dirigir. Mas banirem o aprendizado junto com um maior e mecanizá-lo nessa “mágica” (bruxaria) gnóstica dos testes governamentais e da auto-escola indoutrinadora e niveladora de todo mundo – por baixo, claro – é só um dos crimes de base que foram feitos com o ocidente.

  • Lucas dos Santos

    Ótima abordagem, Arnaldo. Concordo plenamente que quem começar a guiar cedo precisa de alguém que lhe oriente da melhor forma possível. Pois, quando mais jovens, é natural termos potencial para “fazer besteira”. A nossa mentalidade é outra e daí a necessidade de alguém que nos oriente e, como você disse, nos ensine a pensar.

    Eu aprendi a dirigir tarde: aos 24 anos de idade – isto é, quatro anos atrás. Na minha família ninguém tinha carro, ninguém dirigia e ninguém se interessava por isso. Eu também, após completar dezoito anos, sabia que ter um carro ainda era um sonho distante – ainda não tenho, mas agora já não está mais tão distante assim. Tirei a carteira por razões profissionais apenas e foi só aí que passei a gostar de verdade de carros e ter apreço por técnicas de direção.

    Mas, demorar tudo isso foi até bom. Quando eu era mais jovem eu pensava de uma maneira completamente diferente – e irresponsável! Aos 16 anos conheci os jogos eletrônicos de corrida. Foi onde eu comecei a ver uma noção de como um carro se comporta, mas foi também o que me fez ter uma idéia errada da coisa. Os jogos de corridas ilegais de rua me faziam achar “lindo” andar feito um louco pelas ruas! Se tivesse um carro à minha disposição na época, eu certamente faria nas ruas o mesmo que eu fazia os jogos! Eu tinha muita vontade de viver aquilo na vida real! Foi um pensamento que durou até os meus 20 anos, mais ou menos.

    Mas aí chega uma hora que a gente cresce mentalmente e se dá conta que na vida real não é assim que a coisa funciona. Quando fui tirar a minha CNH, aos 24 anos, tive a sorte de ter excelentes instrutores na auto escola, especialmente nas aulas teóricas. Aprendi a importância de se colocar a segurança em primeiro lugar e hoje dirijo de uma maneira bastante tranquila e sempre com cuidado, totalmente o oposto do que eu idealizava antigamente.

    Fico imaginando se eu tivesse começado a dirigir mais cedo, com aquela mentalidade de outrora e sem alguém experiente ao meu lado para me orientar. E fico pensando na quantidade de jovens com a mesma mentalidade e sem orientação que dirigem por aí.

    Por isso achei o seu texto excelente, certeiro! Ensinar alguém a guiar bem, desde cedo é fundamental, é importante. Parabéns pelo seu texto. Peço desculpas pelo comentário longo, mas achei que deveria dar esse “depoimento” aqui.

  • Marco

    Mais um belo texto do Arnaldo.

    Antes dos 18, o máximo que meus pais permitiam era tirar o carro da garagem e estacioná-lo em frente de casa. Isso porque é uma rua sem saída. Dirigir mesmo somente após os 18. Mas desde criança sempre observei como meus pais dirigiam.

    Na auto escola, o instrutor também foi bem bacana. Não se limitou às voltinhas no quarteirão em segunda marcha.

    Então, quando tirei a CNH, até que não era tão braço duro. Evidentemente que em 14 anos melhorei bastante e, no único acidente – nada grave, diga-se – que me envolvi, eu estava de carona.

    Não sou contra ensinar a dirigir antes dos 18, mas que seja numa fazenda ou num desses loteamentos novos em que não há ninguém. Dirigir em vias públicas, ainda que pouco movimentadas, sou contra. Pode ocorrer algum imprevisto, aí a “caca” está feita.

    Mas o que tenho visto hoje em dia é que adolescentes têm se interessado cada vez menos por carros/motos. Quando tinha meus 15, 16 anos, a moda era as scooter 50. Atualmente, o pessoal quer Iphone de 5 paus e acha que carro é coisa de gente antiquada…

  • Mário César Buzian

    AK, mais uma vez eu concordo 200% contigo, sempre pensei exatamente do mesmo jeito, sempre observei muito o modo seguro e prudente de guiar do meu pai, e segui muitos dos seus ensinamentos. No ano em que completaria 18, ele me deu um dos maiores presentes da minha vida: um curso de pilotagem com o querido e saudoso Expedito Marazzi. Foi rodando com um Passat TS 1982 na pista do antigo traçado de Interlagos e as aulas teóricas na escola que eu finalmente aprendi como se faz – certo e com segurança.
    Se o Marazzi ainda estivesse vivo e na ativa, eu matricularia meus dois filhos com ele – como isso infelizmente não acontece, vou procurar ensinar a ambos o máximo que os meus dois “professores” me passou, e espero que consiga ao menos formar dois motoristas seguros e experientes com o trânsito antes de serem engolidos com ele.

  • Leonardo Mendes

    O aprendizado aqui em casa começou cedo e se converteu num desastre de proporções titânicas… simplesmente meu pai julgou mal a mim e a meu irmão e o pobre buggy comprado para ser usado em Araçariguama (SP) – e que depois se tornaria meu primeiro carro – foi a vítima.
    Uma apreensão e uma batida num Fusca decrépito foram o suficiente para decretar o fim da experiência.

    A verdade – e isso descobri anos e anos depois – é que, no fundo, eu não queria aprender a dirigir antes da maioridade… me deixei levar pela sedução do carro, pelos amigos e o resultado foi esse.

  • Elizandro Rarvor

    Com toda certeza, aprendizado é aprendizado em qualquer idade. Fosse diferente Max Verstappen não seria piloto de Fórmula 1 com apenas 17 anos.

    A idade é apenas um parâmetro social, necessário, mas há garotos e garotas com 15 ou 16 anos mais maduros que “homens” de 21, especialmente aqui na pelegolândia.

  • CorsarioViajante

    No interior e na periferia é irritantemente comum a mania de ensinar a dirigir em “ruas tranqüilas”, leia-se, no meio do bairro, justamente onde tem alto tráfego de pedestres, animais etc. Aqui em Campinas aos fim-de-semana vemos de monte este tipo. Acho completamente reprovável.

  • Eddie

    Lucas, quando saia com minha esposa pra “ensinar” sempre deixava minha mão esquerda sobre o freio-de-mão, foi isso que salvou o menino. Mas, é totalmente reprovável mesmo em fazendas e lugares ermos, tem que ser na autoescola com carros apropriados e instrutores registrados.

  • Carlos Eduardo

    Morando em São Paulo não tive a oportunidade de aprender a dirigir de pequeno, porém meu pai me deixava manobrar na garagem o caminhão que ele tinha na época, um Mercedes 1214, lembro que nem tocava no acelerador, fazia tudo controlando só na embreagem e freio.
    Aguardei ansiosamente chegar aos 18 anos para poder dirigir, uns dias antes do meu aniversário fui á concessionária buscar o carro que ganhei do meu pai, depois foram 3 meses só olhando ele na garagem e ligando as vezes até concluir as aulas e a minha habilitação chegar.
    Dirijo ele há 5 anos já, mas sempre que saio com meu carro abro um grande sorriso, está aí algo que nunca vou enjoar de fazer.

  • Domingos

    Existe um porém aí. Os erros que um novato irá fazer, ele irá fazer também na autoescola e nos primeiros meses de habilitado.

    Alguém com contato com carros desde a infância não faria jamais esse erro de pisar no acelerador por exemplo, isso fica tão marcado na cabeça que simplesmente não acontece. Se acontece, como quando o sapato enrosca às vezes, a pessoa corrige isso com tempo de sobra.

    Esse é o problema de achar que apenas a autoescola é um ambiente seguro. Mesmo com o controle duplo, o volante não tem controle do instrutor e ainda existe esse risco de erros primários. Fora da autoescola igualmente o novato completo irá fazer esses erros sem os controles duplos.

    Os casos de batidas com não habilitados com certeza chamam atenção, mas quantos mais com recém-habilitados existem?

    No fim se cai no sistema de “soluções” pós-modernas, em que o motorista é levado a atrasar cada vez mais seu aprendizado e depois vai sendo ensinado e restringido com base em gnosticísmos – tal como as “mágicas” das instituições e das estatísticas.

    Levando isso a fundo, daqui a pouco essa geração que só pode ter contato com carros muito tarde na vida, e ainda assim de forma criminalizada, daqui a pouco proíbem a direção até os dois primeiros anos de carteira. E depois 3, 4… Tudo isso se baseando em estatísticas e confiando que a instituição autoescola irá resolver tudo num passe de mágica, quando na verdade a vontade mesmo é que ninguém dirija.

    Ficaria muito melhor se isso fosse regulamentado, mas enquanto não é, cabe o bom senso de quem acompanha o menor de idade nesses aprendizados.

    É um risco aos outros? Sim, é. Igual ao risco de passar na rua com um novato de poucos meses de carteira, que provavelmente não saberá frear ou vai se confundir no caso de uma emergência.

    Poderiam até mesmo permitir que as autoescolas dessem aulas a menores de idade, algo que não fazem por não se ter interesse comercial.

    A propósito, simuladores e afins só fazem mais do mesmo: quando o completo novato for dirigir sozinho num carro de verdade, cometerá os mesmos erros.

  • Domingos

    Exatamente! É mais uma das inversões de razão e de refutação da moralidade. O adolescente pode, e até “deve”, ser precoce com coisas absolutamente corrosivas e muito mais perigosas que bater um carro, mas aprender a dirigir só depois de velho, quando justamente por não saber e por ter sido criado um irresponsável cabeça de vento vai fazer coisas muito piores que ralar um pára-lama ou amassar um pára-choque.

  • Fernando

    Excelente post AK!

    Acredito bastante nesse aprendizado vir como algo de certa forma natural, para justamente não ser algo ligado tanto à idade mas sim às condições de cabeça de quem está aprendendo, pois justamente para aprender não vejo uma idade. Lógico que daí a passar a direção em ruas públicas, em meio ao trânsito e tudo mais não é o caminho, mas acho que justamente todos que tem alguém para ensinar, deve começar com conceitos, explicações e daí às primeiras sensações desse aprendiz estarem começando a serem exploradas, para que entenda bem tanto como a máquina funciona, como a relação dela com o ambiente, trânsito, pedestres, condições da via e etc.

  • Na cidade, não, Lucas. Isso, não.

  • Domingos,
    É a melhor descrição do papel dos simuladores de dirigir que vi até hoje. Parabéns! Sem a massa do carro a experiência de dirigir é mais falsa do que uma nota de 30 reais.

    • Domingos

      Bob, obrigado. De fato, até mesmo para diversão (a possibilidade de “andar rápido” com qualquer carro em qualquer lugar) os simuladores são decepcionantes se você não conhece de antemão o modelo desejado.

      Sem conhecer o carro usado no simulador ou jogo, e mesmo assim se conhecer, é necessária bastante imaginação para se divertir ou aprender algo com eles. Ainda assim, claro, como experiência a direção de qualquer carro costuma ser tanto mais divertida quanto mais ensinadora que qualquer simulador.

      Isso para um novato é bem ruim. Quando você vê o carro visualmente saindo de frente ou de traseira, até mesmo travando as rodas, num simulador, isso na verdade já significaria que você está além do ponto e dirigindo errado há muito tempo. Aí que entra a parte inescapável de ser uma experiência física, com a sensação da massa te indicando bem antes o que vai acontecer.

      Se um novato for dirigir como num simulador na rua, irá se acidentar ou se confundir. E para quem tem experiência só é aproveitável mesmo imaginando a relação entre a parte visual e a parte física, já previamente sentida na realidade.

      • Lucas dos Santos

        Domingos,
        Por falar em “simuladores para lazer”, viu a mensagem que lhe mandei no post de Natal do AE (Coisas do Natal)? É sobre o Euro Truck Simulator 2, o qual você certa vez comentou ter interesse em adquirí-lo. Se não, dá uma olhada lá, pois acho que vai lhe interessar.

        Embora, como todo simulador, ele não reproduza fielmente todos os desafios de dirigir um veículo pesado – no que diz respeito à física – ao menos consegue reproduzir muito bem a parte visual, especialmente as estradas, e traz uma boa noção do que é dirigir um veículo grande pelas ruas. É bastante divertido, na minha opinião, e um ótimo passatempo. Se ainda tiver interesse, é uma boa oportunidade de conseguí-lo com um generoso desconto.

  • Lucas dos Santos

    Uma utilidade para o simulador seria ensinar os conceitos básicos para quem nunca teve contato com um automóvel. Demonstrar como funcionam os pedais, alavanca de câmbio, volante; ensinar a maneira correta de operá-los e, principalmente, exemplificar as consequências de sua utilização incorreta. As cinco aulas de simulador deveriam abordar apenas isso. Uma vez que o aluno domine tudo isso: rua! Pois, como você e o Bob comentaram, a verdadeira experiência de dirigir é na rua. O simulador seria apenas uma preparação.

    O que eu não concordo é tentar ensinar a um aluno totalmente “cru” todos os conceitos de uma só vez, incluindo aí a parte de direção em condições adversas. É muito conteúdo para o aluno absorver de uma vez só! O que poderia ser útil, acabaria se tornando uma perda de tempo.

    Aliás, essa parte de dirigir em condições adversas é outra utilidade dos simuladores, pois nem sempre é possível provocar essas condições na vida real, durante as aulas práticas. O simulador preencheria essa lacuna. Mas APENAS se isso fosse feito mais para o final das aulas, quando o aluno já estiver dominando as técnicas de direção na rua. Fazer isso no começo, como eu disse, é totalmente inútil.

    Vale ressaltar que o simulador JAMAIS poderá ser um substituto das aulas na rua, mas apenas um complemento. É por isso que lamento muito a forma como ele será utilizado a partir de agora nas autoescolas, pois desse jeito mais atrapalhará do que ajudará. O pior é que nem a experiência do instrutor poderá contornar as deficiências desse método, já que o aluno deverá seguir apenas as instruções pré programadas na maquina. Uma pena mesmo…

  • Rodrigo Toledo

    Belo texto! Tenho um garoto de 4 anos (acabou de fazer) e vejo o tanto que ele se espelha em mim, já conhece muitas marcas de carro e adora um pouco de velocidade, sempre pede para eu dar uma esticadinha (com a desculpa de ouvir o som do motor…), só faço quando sei que é possível e seguro, me preocupo com o exemplo e foi legal ler seu texto justamente por isso. Nós temos que tentar ser os melhores amigos dos nossos filhos.
    Abraço e ótimo 2016!

  • WSR

    Demorei a comentar porque demorei a encontrar uma edição do jornal Metro-Roma (19/05/2015) que guardo desde maio. A foto mostra bem o que penso: educação de trânsito desde a idade escolar infantil.

    Aliás, estive em Módena no início de dezembro e vi um professor com umas 20 crianças andando na calçada, ensinando o básico: sentidos de circulação *na calçada* (mão direita), sinais, faixas e tudo mais relativo ao trânsito. Fiquei realmente impressionado com a seriedade que as crianças encaravam o assunto. Meu sonho era ter alunos como aqueles, rs.

  • Guilherme Jun

    https://youtu.be/ZMDNDXpu86w
    Com 13 anos, o Kalle Rovanperä pilota profissionalmente! Filho do ex-piloto Harri Rovanperä.