Brasileiro não se preocupa com equipamentos de segurança, pois acha (ou tem certeza?) de que acidente só acontece com os outros. Como não os exige, a maioria dos nossos automóveis é equipada apenas com os dispositivos de segurança ativa ou passiva exigidos pela legislação.

Segurança ativa? É o conjunto de dispositivos que evitam o acidente. Tornam o carro mais estável ou reduzem o espaço da freada, entre outros. Sistema de freios ABS é um bom exemplo. Segurança passiva? É a que reduz as conseqüências do acidente. Airbag, por exemplo.

Sabe qual dispositivo foi considerado por técnicos e autoridades em segurança como o mais importante já desenvolvido para o automóvel, depois do cinto de segurança? Nem airbag, nem ABS: é o controle eletrônico de estabilidade (ESP, da Bosch ou ESC, genérico). Tanto que, numa recente conferência internacional de segurança veicular (Brasília, novembro último), a entidade inglesa GlobalNCAP sugeriu que o Brasil torne obrigatório o ESC. É o sistema que atua nos freios seletivamente assim que sensores detectam o início de uma derrapagem lateral e trazem o carro de volta para a trajetória correta. Estas derrapagens podem ser provocadas por excesso de velocidade em curvas ou por um golpe do motorista no volante para desviar de um obstáculo, como um cachorro atravessando a pista. Elas são responsáveis por um considerável número de graves acidentes, pois o carro dá um cavalo-de-pau ou sai da pista. O ESC é equipamento de série em todos os automóveis de Primeiro Mundo. Será obrigatório na Argentina a partir de 2018. No Brasil, o Contran decidiu, na semana passada, torná-lo obrigatório. Mas só em 2022, quatro anos depois da Argentina, pois o governo não tem pressa para exigir um dispositivo que já poderia evitar milhares de acidentes, mortos e feridos a partir de 2018, como decidido pelos “hermanos”.

Desde janeiro de 2014, ABS e airbag equipam todos os automóveis comercializados no Brasil, mas só mesmo porque se tornaram obrigatórios, pois eram raros os motoristas que os exigiam. Sua preferência sempre foi por rodas de liga leve, ar-condicionado, som da pesada e revestimento em couro. É tamanha a ignorância em relação à segurança que a maioria dos passageiros no banco traseiro considera desnecessário afivelar cintos. Com a conivência do motorista.

No Brasil, vários modelos médios e alguns compactos já contam com o ESC. Mas está enganado quem pensa que ele equipa todos os nossos modelos mais sofisticados: o dispositivo não existe nem como opcional, por exemplo, no “top-of-line” Corolla Altis, que custa mais de R$ 100 mil. Culpa da Toyota? Parte dela, parte do consumidor que não exige, pois nem sabe do que se trata; parte da imprensa que não esclarece o motorista; das concessionárias, que também o desconhecem e não incentivam o cliente a exigi-lo; e do governo, que demorou uma eternidade para torná-lo obrigatório.

O ESP não custa, como muitos pensam, milhares de dólares: não chega a R$ 1.000 desde o carro já tenha o ABS. Muito pouco, diante de sua importância para evitar acidentes e reduzir o número de feridos e mortos nessa nossa carnificina rodoviária.

Segurança é tema de faz-de-conta no Brasil. Governo, indústria, parlamentares, todos fazem de conta se preocuparem com o assunto. Mas só tomam qualquer decisão diante da pressão de lobistas defendendo as empresas interessadas no faturamento.

Até que o dispositivo seja tornado obrigatório, em 2022, motoristas deveriam se preocupar, ao comprar um automóvel, de conferir se ele é dotado do ESC. Para resguardar a sua integridade e da sua família.

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

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  • Boris,
    O custo maior não é o do componente em si, mas o da calibração correta por uma equipe de engenharia que tenha a correlação clara de causa/efeito em termos de dinâmica veicular. Obviamente cada veículo é um veículo, em termos de hardware disponível.
    Abraço do amigo Meccia

    • Domingos

      Meccia, fica a sugestão(acho que muitos iriam gostar também!) de fazer uma postagem sobre calibração mecânica e eletrônica dos carros. Hoje parece ser algo ainda mais essencial, já que um sistema eletrônico simplesmente não funciona direito sem bastante programação/calibração e quase tudo depende disso num carro moderno – desde o funcionamento dos comandos até a operação dos câmbios, quando automáticos.

      • CorsarioViajante

        Ótima sugestão!

  • Luciano Gonzalez

    Boris, concordo em partes com você… Acredito que um veículo bem projetado (excluímos logo de cara SUV’s) com motoristas mais bem treinados seriam mais efetivos do que o ESC…

    • Diney

      Me desculpe a sinceridade, com todo respeito à sua opinião e sem querer polemizar, mas me dá arrepio no espigão quando ainda leio um comentário destes.

      • Luciano Gonzalez

        Diney, sem problemas meu amigo, apenas pontos de vista diferentes!
        Forte abraço!

    • Luiz Otávio Rujner Guimarães

      Meu caro Luciano, por mais prudente e habilidoso que seja o motorista, poderão ocorrer situações em que o controle de estabilidade, ou qualquer outro acessório que aumente a segurança do veículo, determinará a diferença entre um acidente ou um grande susto. Por via das dúvidas é melhor tê-los do que confiar apenas na destreza ao volante. Que venham mais e mais aparatos tecnológicos para nos proteger das fatalidades da vida. Abraço.

    • CorsarioViajante

      Faz teeeeeeeeempo que SUV deixou de ser um veículo “mal projetado” ou perigoso. Lógico que sempre terá dinâmica inferior que carro similar mais baixo, mas nenhum perigo especialmente em uso normal. Isso acabou faz tempo.

  • André Castan

    Ótimo texto Boris, mas tema faz de conta nesse “país” é a educação e lugar onde o povo é ignorante, acontecem todos esses absurdos citados no texto e outros mais. Invista-se em educação e o povo saberá se é mais importante uma roda bonita ou ESC.

  • Francis R

    Pelo menos, espero que os veículos produzidos na Argentina e importados pelo Brasil (Focus ainda é importado?) não sejam capados e retirado o ESP deles…

    • Elizandro Rarvor

      O C4 Tendance THP, teve o ESP retirado, inacreditável, o que o torna fora da minha lista de sedãs zero-km.

  • CorsarioViajante

    Ótimo texto do Bóris. Realmente é lamentável tanto o pouco-caso do governo como a apatia do consumidor com o tema segurança. QUando ABS + airbag não era obrigatório, era comum ouvir gente falando que queria mas que “era muito caro”, e gastava mais do que o dobro em um som ou rodas. Hoje isso ainda acontece na escolha, por exemplo, da cadeirinha infantil, onde compram a mais baratinha e, assim como o cinto de segurança, muitas vezes nem usam porque “dá trabalho” colocar, é “aqui do lado”, etc.
    Quanto ao governo, o jogo dele é claro: tudo é culpa do que pode ser multado. Não pode multar carro por não ter ESP, então não adianta levantar esta lebre, melhor falar que tudo é culpa da velocidade ou similares e arrecadar com apoio do gado.

  • Gabrownx

    Outra coisa absurda e completamente jurássica é o fato de que ainda hoje há cinto de dois pontos nos bancos traseiros. Isso é horrível. O carro daqui de casa tem 3 pontos para todos os ocupantes mas se não tivesse eu faria questão de não levar ninguém nos assentos onde possuem apenas 2 pontos. Já vi acidentes com esse tipo de cinto que as consequências foram gravíssimas.

  • Daniel S. de Araujo

    Vai ser interessante: carros de primeiro mundo dirigidos por motoristas de quinto mundo dirigindo em estradas assemelhadas a superfície lunar. Mas tudo bem, se o airbag, o ABS, o ESP e o EBD está com a gente, quem poderá estar contra nós…

    (Não sou contra a eletrônica embarcada muito menos a segurança ativa/passiva. Sou contra a demagogia de como o trânsito é tratado no Brasil por engenheiros, técnicos, imprensa em geral e políticos)

  • Renato Mendes Afonso

    Boris, respeito sua opinião porém não acredito que a obrigatoriedade seja uma solução adequada, nem de longe. Como você mesmo falou, o ESP traz o carro para a trajetória correta quando o carro derrapa lateralmente, o que é algo de fato fantástico e isso acho que ninguém discorda. Porém, isso atua apenas no efeito do problema. Hoje tenho em mente que, como o BS falou, não existe carro ruim e, partindo desse princípio, se um carro começa uma derrapagem lateral, não vejo como sendo um problema do carro.

    Não sou contra qualquer tipo de auxílio eletrônico, acho até interessante toda essa tecnologia a disposição dos compradores, porém vejo como a formação deficiente das pessoas (seja como condutores ou mesmo para com a sociedade) como mandatório para o trânsito caótico e, consequentemente, os acidentes de trânsito. Não precisa ser um piloto profissional para ter uma noção básica do comportamento dinâmico de um veículo, como conduzir de forma correta e, por que não, ter a reação mais adequada em condições de risco. Apenas uma boa educação e de preferência, como o AK falou no post anterior, desde cedo, algo que, nem de longe, é a preocupação dos atuais “representantes o povo”.

  • Elizandro Rarvor

    Donos de Corolla, conhecem o que é ESC ??? E mais uma vez um texto muito bom que dá um tapa na cara dos “anarcocapitalista”.

    “a maioria dos nossos automóveis é equipada apenas com os dispositivos de segurança ativa ou passiva exigidos pela legislação.”

    Consumidores do sedã médio mais vendido, o Corolla, não estão nem ai para o tal controle de estabilidade, logo, jamais o terão a não ser se a Toyota for obrigada ou o dispositivo tiver um bom desconto do fornecedor.

    • TDA

      É o que eu sempre digo, o consumidor médio brasileiro não liga para o que não é visto. Airbag de cortinas e de joelhos, ESC, controle de tração, carroceria mais rígida, motores e câmbios modernos… nada disso importa pois não são vistos pelo vizinho. Mas roda de liga leve, farol e lanternas de led, bancos em couro, central multimídia etc… para isso paga-se muito inclusive em pacotes cheios de outras firulas talvez inúteis.
      Infelizmente nossos governantes que poderiam ajudar implantando leis que realmente beneficiem a população não o fazem e aí ficamos nesse faz de conta eterno.

  • Zé Brasileiro,
    Se importa em nos contar o que aconteceu exatamente? Falta de controle de tração não ocasiona o que você relatou.

  • Milton Evaristo

    Com todo respeito, o problema aí não era falta de equipamentos, mas falta básica sua.
    Carro 5 estrelas ou repleto de equipamentos não trouxe acidente-zero nos outros mercados. O motorista ainda é importante.

    • Fernando

      Escapei de algumas situações assim com algumas escolhas que muitas vezes não são fáceis ou óbvias, mas duvido muito que teria escapado delas somente graças ao aparato citado, se ao invés disso, confiasse nela para me salvar e acabasse por eu mesmo baixar a guarda.

      Mas acho especialmente importante em carros com câmbio automático, em que por vezes a tração não é de uma forma esperada ou proporcional como em um com câmbio manual em que a proporcionalidade de rotação e o pedal a mais se traduzem em muitas possibilidades a mais – em um automático, um leve alívio no pé poderia fazer uma troca de marcha, uma aceleração causaria uma redução, isso em uma condição de baixa tração e/ou curva alteram muito o controle e daí a eu achar que há tempos isso já deveria ser obrigatório em carros com este tipo de câmbio, ainda mais com tração traseira.

  • Mr. Car

    Aí é que está, Matheus. Não faz sentido obrigatoriedade, se puder ser desabilitado. Se for para tornar obrigatório, então que não possa ser desabilitado.

    • Matheus Ulisses P.

      Considerando as características do nosso mercado, dificilmente esse seria um opcional que estaria disponível em todos os veículos se não for obrigatório. Aliás, até pode existir como opcional, mas dificilmente poderia ser escolhido sozinho sem estar atrelado a outros itens num pacote.
      Os carros americanos possuem uma chave seletora para desativar ou não o airbag do passageiro. Mesmo que o dono decida desativá-lo, ele estará lá presente.
      Defendo que a decisão do dono em ativar ou não deve ser soberana, mas outras pessoas que utilizam do veículo ou eventuais futuros proprietários poderiam sem o menor problema usá-lo caso estivesse disponível.

  • AU GI

    Entendo a sua revolta, mas espero que compreenda que uma coisa não exclui a outra.

  • Thales Sobral

    A via estava com óleo?

    • Ze Brasileiro

      Ocorreu em maio de 2010 enquanto trafegava pela BR 230 (deixando João Pessoa) no meu civic 2008. Estava a 100kmh em aceleração numa reta em descida (pista apenas molhada – não chovia) quando perdi a frente do civic que de repente apontou para a direita sentido acostamento. De súbito cometi o maior dos erros e, em vez de frear, (e rezar para que ninguém viesse atrás), resolvi puxar o volante para que a frente voltasse para a pista. Por conta da manobra o carro rodopiou e eu atravessei a pista contrária capotando. Escapei com ferimentos leves e dei nota 10 para o habitáculo do civic que suportou bem as pancadas (interior do carro ficou intacto). Um patrulheiro sugeriu óleo na pista e nós encontramos uma grande poça exatamente no ponto onde perdi o controle do carro. Para mim ficou claro: carro tracionando + óleo na pista + ausência de controle de tração. Havia feito revisão do civic 1 semana antes (40.000) e os pneus bridgestone estavam em bom estado.

      • Zé Brasileiro
        Não ter controle de tração não influenciou nesse desvio para o acostamento. O mais provável é a roda direita ter encontrado uma poça d’água e o carro desviado para a direita. Óleo na pista não causaria problema numa reta, só em curva. O controle de tração atua em velocidades baixas sob forte aceleração ou para arrancar da imobilidade em pisos de baixa aderência. O resto, como você mesmo disse, deveu-se a uma manobra errada e possivelmente o controle de estabilidade evitasse a rodada.

        • Bruno Hoelz

          Bob, o sistema VSA da Honda não é um controle de estabilidade, certo? A informação do manual do proprietário não me esclareceu bem, mas parece que é controle de tração apenas. O meu Civic 2010 tem e pode ser desabilitado por um botão no painel, mas acho que é exclusividade da versão topo de linha.

          • Bruno Hoelz
            É sim, com outro nome, Vehicle Stability Assist. Há alguns anos controle de estabilidade e de tração são associados, com poucas exceções. Pode ser que o VSA seja restrito à versão topo de linha, mas não tenho certeza.
            .

  • Paulo

    Quando lançaram o Corolla um executivo disse que não precisava do controle de estabilidade pois o carro já era bem equilibrado, só esqueceu de dizer que nos EUA é de série desde a versão de entrada. Fico feliz que meu Fox já têm o equipamento.

    • Eduardo Edu

      Já vi Corolla 10 rodar e bater com a traseira num barranco. Talvez a Toyota deva rever esse conceito.

  • Rafael Pigozzi Hessel

    Tenho muito – mas muito mesmo – receio dos “mautoristas” brasileiros em um carro com este tipo de tecnologia. Já ouvi muita besteira referente ao ABS e ESC. Tenho convicção que respeito, educação e consciência substituiriam as tais das siglas com mais eficiência.

  • Claudio Fischgold

    Concordo com seu comentário, mas acho que está faltando algo mais nas razões do descaso, se é que podemos chamar assim. Me refiro às notícias atuais sobre propina nas medidas provisórias que beneficiaram (é o que dizem) as fabricantes. Obviamente que este motivo não exclui os demais.
    Como a memória falhou mas não pifou de vez, me lembro de uma época, (se não me engano década de 80) quando a Parati, fabricada aqui pela Volkswagen era exportada para os Estados Unidos e a mesma sofria mais de 40 modificações para atender à legislação de lá.

    • Cláudio Fischgold
      As modificações não foram só de segurança, mas principalmente de adequação ao mercado, como injeção de combustível Bosch K-Jetronic e até pedais mais espaçados devido às grandes botas de neve que usam lá.

  • braulio

    Temos que ver qual o interesse da GlobalNCAP. Minha experiência anterior diz que podemos nos precaver melhor e até tirar algum proveito das instituições quando fica evidente o que ela está pretendendo ganhar (dinheiro, influência, fama) com suas ações. Como empresa europeia, talvez ela esteja mais interessada em amortizar os custos de produção dos sistemas de segurança lá que exatamente em salvar vidas que, além de estarem em outro hemisfério, ainda o próprio ser vivente dá pouco valor.
    A questão de “primeiro mundo” também é algo a sempre ser questionado: Falamos de Austrália ou de Suécia? Estados Unidos ou Japão? Cada local do mundo tem lá suas peculiaridades, e, mesmo que houvesse uma certa homogeneidade entre esses países, nada garante que uma boa solução para eles (no caso, uma solução estudada ao longo de anos, com ampla campanha de conscientização, etc.) tenha o mesmo bom resultado por aqui.
    Talvez hajam prioridades maiores que o equipamento nesse momento. Não digo que ele não será instalado, com um custo muito maior que teria se fosse opcional. Qualquer fábrica com um mínimo de bom-senso usaria essa desculpa para elevar o preço de seus carros. Talvez até ajude (duvido um pouco, porque, apesar de tudo, as leis da Física continuarão valendo e contra elas não há “jeitinho”), mas há problemas tão sérios e profundos na formação do cidadão em geral e do motorista especificamente, que não duvidaria que a pessoa começasse a achar que seu carro novo, com ESC, ABS, zonas de deformação programável, direção inteligente, GPS, etc, pode ser equipado com películas totalmente opacas e transitar à noite numa saída de escola a 200km/h com faróis apagados sem que isso represente risco para qualquer pessoa.

  • A popularização do ESP começou quando a Mercedes teve que equipar toda a lina Classe A depois do incidente com o teste do alce no final dos anos 90. Realmente deveria ser obrigatório em todos os automóveis.

  • Marcio

    Um tempo atrás saiu uma notícia de dois acidentes de final de madrugada na mesma alça de saída de um viaduto, acho que era um Jetta e um Cruze, e o que testemunhas relataram é que ambos estavam rápido demais e não conseguiram fazer a curva. O que acho que isso quer dizer? Que se o carro tem ESP, mas o motorista não tem cérebro, vai achar que por causa dessa sigla consegue fazer qualquer curva em altíssima velocidade. Não que eu seja contra esse tipo de obrigação, mas a impressão que tenho é que se resolve um problema para se criar outro (de achar que os limites dinâmicos do carro foram ampliados).

  • robson santos

    Com todo o respeito Boris, você não lembrou de nenhum estado para melhorar ou corrigir o que este próprio ente deve fazer com nossos impostos e multas.. acho absurdo exigir que algo secundário se torne obrigatório, e a negligência nas questões primárias está aí a maior vergonha para todos verem: educação, manutenção, falta de estrutura, rigor e punição, com isso de nada adianta lamentar a existência de lobby quando na verdade eles se beneficiam deste tipo de oportunidade, pois na minha visão o texto soa alarmista, e é sempre mais fácil continuar chamando o “papai estado”..

    Se você acha que é melhor EXIGIR ter ESP/ESC e o que mais for de eletrônica embarcada alegando o fator segurança em EVENTUAIS MOMENTOS DE IMPERÍCIA, acho melhor pensarmos em tudo menos voltar a dirigir no chão, porque está se tornando cada vez mais uma relação de hipocrisia ter que ficar pagando pelos erros e comodismos dos outros que vão acabar contando com isso como recurso de assistência de direção, dado a imprudência, a negligência, a da existência de muitos “pilotos” que vemos por aí nas ruas e nas estradas..

    Por mim esse placar aí pode ir pra 10 x 1 se continuar desse jeito, pois exigir algo que não é essencial ??? Já não basta enfiarem goela abaixo o uso obrigatório de cinto de segurança, cadeirinhas, airbags, a história dos extintores.. é pouco então vamos pedir do estado a obrigatoriedade de seta automática, de sensor crepuscular, sensor de estacionamento, pneus run flat etc porque tudo é segurança ativa/passiva, só nos automóveis, é incrível o risco que estarei correndo, e o estado imputando em mim o risco sobre os outros, advindo da falta de uso disto tudo acima só de andar meros quarteirões..

    São sempre os mesmos motivos: lobbies, retorno em impostos, multas por “desobediência”..

    • Eduardo Edu

      Se todos pensassem dessa forma, teriam-se Trabants como opção de venda em “vosso” país.

      • robson santos

        Exagero. Quer dizer que você está pensando exclusivamente em segurança?
        Vamos proibir motos então, que tal, cidadão, ainda faz sentido sua obrigação?
        Eu cito liberdade na escolha das tecnologias que não são essenciais e você cita um exemplo medíocre de décadas atrás, de um regime então socialista, dando a impressão de que se tudo num automóvel fosse desde sempre opcional a indústria CAPITALISTA não conseguiria produzir carros de qualidade preocupada com a demanda, você unicamente tem a certeza disso???
        Isso tudo envolve muitos custos cidadão, peças, montagem, calibração, marketing, venda, seguradoras que vão se aproveitar para aumentar preços em cima de quem não tem.
        Se uma pessoa acha que a falta disso torna meu carro menos seguro ou perde uma “estrelinha” (nossa, por causa de um ESP??? ), então a mesma decide se quer entrar no meu carro!
        Na verdade defendo que eu tenha a liberdade de agir em prol disso ou não, independente de me sentir prejudicado ou não, e você defende a obrigatoriedade para algo que não é essencial, ponto.
        Aí vem Proteste, NCAPs, OMS, recomendarem obrigação nisso, é muita sujeira.

        • Lemming®

          concordo em gênero, número e grau. +1

    • Lemming®

      opinião bem fundamentada. +1

  • Zé Brasileiro
    Bem, se não havia poça d’água o carro foi para o acostamento por pura distração sua, devido ao óleo é que não foi (acontece, passei por isso uma vez quando bem jovem). Voltar para pista de rolamento sem diminuir velocidade, jamais. Tenha o carro ABS ou não, freia-se com suavidade numa situação dessas, espera-se a velocidade cair bastante e só depois se volta. Inclusive, se houver degrau do acostamento para a pista, não há ESC que resolve, especialmente com piso molhado..

  • braulio

    Mas a consciência de que pode haver um carro quebrado, um animal ou qualquer outro objeto já faz a pessoa dirigir de modo que o carro não perca o controle na necessidade de um desvio abrupto…
    O fato desse aparelho existir apenas mostra que é mais fácil equipar os veículos que treinar os motoristas para que eles saibam como agir em caso de emergência (em qualquer lugar do mundo, não só aqui!). É bom? Melhor do que ver gente morrendo, é. Mas o ideal ainda é o motorista saber fazer a parte que lhe cabe. Vai que queima um fusível por aí…

  • Cesar

    Ainda assim são mais importantes que qualquer parafernália eletrônica.

  • braulio

    Já que estamos falando que o certo seria o motorista ser mais bem formado, mas que o controle de estabilidade pode ajudar, fica o vídeo e as perguntas abaixo:

    1 – Se o carro tivesse ESC, Daniel teria seguido viagem?

    2 – Se você estivesse no lugar de Daniel, o que faria após a palavra “interlagos” para voltar de carro para a casa?

  • Braulio
    Obrigado!

  • Eduardo Edu

    Concordo em gênero e grau com a orbrigatoriedade de qualquer dispositivo de segurança ativa para evitar o uso dos passivos. Afinal o motorista pode decidir o grau de segurança que quer para si, mas não para os ocupantes ou os outros cidadãos ao redor. Se for possível salvar uma única vida que seja, já terá valido a pena. A desculpa das fabricantes para o atraso foi que existirá uma nova geração desse dispositivo e será esse o adotado. Talvez seja muito importante a adoção na Argentina por que os argentinos não respeitam nada em termos de velocidade. Aqui ainda temos o medo das multas.

  • Domingos,
    Me desculpe e quem concorde com você, mas não há nada errado com a suspensão do Corolla. Essa é mais uma lenda urbana.

    • Domingos

      Bob, tirando a 10ª geração, o Corolla se não era ruim nisso sempre foi abaixo da média da categoria nesse aspecto.

      Errado o carro não é, tal como nenhum carro (talvez os chineses sejam exceção?) da última década é. Não tem mais carro assassino ou com limite muito baixo. Poderia apontar alguns errinhos bestas, porém incômodos, de alguns modelos do Corolla, mas o que incomoda e fica claro é que esse ponto dele é onde ele realmente fica devendo para a concorrência.

      Se fosse por conforto, outros modelos alcançam o mesmo passando bem mais confiança. Se for por limites, também a categoria inteira se destaca por cima dele.

      • Domingos,
        Não, não e não. Dirigi todos os Corollas do mercado até hoje e nenhum mostrou qualquer imprecisão ou deficiência de suspensão. Francamente, não entendo tanta crítica.

        • kravmaga

          Eu tive um Corolla XEi 2,0 AT (de 4 marchas) da geração anterior, comprado 0-km e, como referencial de comparação anterior, tive um Astra 2,0 (dos primeiros, com 116 cv).

          O Corolla anda bem em retas obviamente pelo seu motor forte e moderno, mas a suspensão macia demais, que faz com que incline bastante em curvas fechadas e rápidas, aliada à direção pouco direta e leve demais em altas velocidades, me transmitia medo na hora de fazer curvas mais fortes e acabava reduzindo a velocidade nelas. Sempre fiz muitas viagens Rio-Juiz de Fora pela BR-040, passando pela serra de Petrópolis (cheia de curvas e estrada estreita) e levava um pouco mais de tempo com o Corolla do que com o Astra anterior por causa desse receio na hora de fazer as curvas. O câmbio AT de apenas 4 marchas tinha indecisão e buracos nesse tipo de viagem de serra, que ajudava a diminuir o ritmo da viagem. O Astra anterior era manual.

          Depois troquei por uma Captiva 2,4 AT de 6 marchas que, apesar de ser um SUV e bem mais pesada, se comportava muito melhor nesse mesmo tipo de percurso. A suspensão era mais firme e o câmbio não tinha buracos.

          Hoje ando de Jetta TSI, que simplesmente devora esse mesmo percurso, com sua suspensão mais firme, pneus de perfil mais baixo, direção com assistência elétrica bem direta, motor com mais torque e câmbio mais rápido.

  • Zé Brasileiro,
    O mais importante nesse evento é você saber o porquê da guinada, de modo que lhe sirva de base no futuro para evitar outras. Carros não dão guinadas sem causa, do nada.

  • Elizandro Rarvor

    Cara, mas ai você se enquadra naquele grupo que não liga e não entende o que é o ESP e nunca viu ou sentiu ele em ação.

    Eu dirigi o Corolla e não vi nada de anormal, achei muito bom, como sou um motorista e não piloto, prefiro ter o Controle de Estabilidade ali de prontidão em um eventual problema.

  • Domingos

    Ewser, concordo, não existe perda de controle numa direção correta. Porém em caso de perda de aderência total, como óleo ou gelo, é a mesma coisa que ter uma quebra no sistema de direção subitamente por exemplo.

  • Elizandro Rarvor

    Entendo, piloto então, legal, ainda bem que você não é legislador, não é?
    Se fosse engenheiro, esquece emprego na Volvo também.

    • Domingos

      Por isso mesmo que também vejo a coisa pelo motorista comum. Não é necessário ser piloto para “inutilizar” o ESP, porém de fato é raro que alguém com menos prática nisso acerte sempre o quanto e quando corrigir o carro. Nesse sentido, como falei, o ESP é muito útil sim. Talvez mais que o ABS.

      Mas ainda acho polêmico a obrigação de certos itens. Ainda não temos, por exemplo, um resultado mínimo aceitável nos novos crash tests, pois obrigamos airbag e ABS mas o teste legal ainda é aquele jurássico teste contra muro.

      E é de sempre se pesar bem essas questões, já que se você for escalando isso termina é proibindo de vez quase qualquer carro, além de ir aumentando custos até que fiquem inacessíveis à maioria das pessoas – o que muita gente quer, convenhamos.

      No caso da Volvo, aí é filosofia de marca. Não tem nenhum problema, pelo contrário, é uma demonstração de liberdade e variedade espontânea de diversas formas de se conceber um carro. Eu mesmo gosto da marca.

  • Renan Becker

    Tive a sorte de aprender a dirigir lá pelos meus 12 anos, todo final de semana andando cada vez mais e assim se passaram os anos, sem sustos, sem acidentes e com segurança.

  • Antônio do Sul

    A Toyota não deve usar o controle de estabilidade no Corolla em razão do próprio perfil do comprador desse tipo de carro: uma pessoa de meia idade, com família formada, mais ajuizada e com experiência ao volante. Embora nunca tenha dirigido um Corolla em rodovias, imagino que o seu comportamento dinâmico, ainda que não seja tão afiado como o de Golf ou Focus, esteja um pouco acima da média, o que o deixa longe de ser inseguro. Para mim, a justificativa deve ser algo simples assim.

  • Domingos

    O black ice, verglas em alguns lugares, é realmente assassino. Alguns carros até avisam o motorista sobre a possível presença dele (pelo termômetro externo, já que ele se forma numa faixa de temperatura bem específica).

    Pegou ele é controle zero. Como se você estivesse flutuando. Por isso dá nesses acidentes medonhos que vemos na época de inverno por lá.

    Dos controles: o ideal seriam bons motoristas com carros igualmente bons. Infelizmente o ideal às vezes não é possível…

  • Domingos,
    Definitivamente, o que se opina do Corolla, que é isso e aquilo, não tem nada a ver. Virou lenda urbana, como eu disse mais acima. Ele pode filtrar mais, questão das buchas, mas de maneira alguma isso o torna inferior em comportamento. O de 9ª geração, lançado em março de 2011 como modelo 2012, dirigi-o em ritmo muito rápido na SP-036 Piracaia-Joanópolis e achei-o perfeito, embora com suspensão controlada mais para desempenho do que para conforto. O título da matéria foi “Carro de corrida”, por aí você pode avaliar o quanto gostei do carro. O Corolla está sendo malhado impiedosa e injustamente no quesito comportamento.

  • Lorenzo,
    Já havia Voyage quatro-portas aqui, eu mesmo usei um na fábrica em março de 1984.

  • Domingos,
    Menos, menos. Nada ver, potência em baixa atrapalhar a dirigibilidade. O que há é carros menos acertados e carro mais acertados. O Renault Mégane R.S., de tração dianteira, é um bom exemplo. 265 cv/5.500 e 36,4 m·kgf 3.000~5.000. O carro é simplesmente perfeito e dócil de dirigir. Mesmo os carros de motores aspirados grandes, como o Audi RS 4 4-2-L, 450 cv/8.250 e 43,8 m·kgf/4.000~6.000, têm uma forte pegada em baixa, o objetivo de qualquer fabricante. Lembre-se, controle de tração, como já existia no Vectra II alemão, começava freando a roda que patinava, mas se não fosse suficiente intervinha no motor (providência essa suprimida nos fabricados no Brasil). Como controle de tração ligado nenhum motorista, por mais inexperiente que seja, se meterá em dificuldades ao acelerar forte numa saída de curva, independente das características do motor.

  • Roberto Mazza,
    Colunistas, como em qualquer órgão de imprensa, têm liberdade para se expressar e opinar. É por isso que no final de toda coluna é informado tratar-se de opinião do seu autor e ela não refletir necessariamente a opinião do AUTOentusiastas. Quanto ao segundo evento descrito, não tenho a certeza que você tem de que o ESP teria evitado a rodada. O dispositivo é um bom auxílio, mas milagre não faz.

  • boris feldman

    Muitos, alguns como equipamento standard, outros como opcional. Entre os compactos, Ford Fiesta e Ka, VW Fox. Maioria dos hatches médios modernos como Golf, Focus. E também em vários sedãs como o Civic e Audi A3. Toyota, em nenhum fabricado no Brasil: nem Etios nem Corolla.

  • gpalms

    É um sistema eletrônico mais evoluído, engloba o ABS e acrescenta mais.
    É como comparar um cinto abdominal com um de 3 ou 5 pontos.

  • gpalms

    “Já o ESP só age mesmo e só faz diferença mesmo em casos onde o motorista não sabe o que faz, assim pode muito bem ser opcional.”

    Discordo. Há diversas situações, principalmente em estrada, em que o ESP pode ser fundamental, mesmo para motoristas experientes. Nenhum motorista é capaz de fazer os milhares de cálculos que a eletrônica faz. Muito menos freiar uma única roda numa fração de segundo.
    Aquaplanagem, manobras evasivas súbitas, diferenças na aderência do piso por sujeira são exemplos de situações que fogem (em algum grau) do controle do motorista, mesmo prevenido e experiente.

  • Renato Texeira

    Acho que tão importante quanto exigir este e outros itens de segurança é fazer com que os donos façam manutenção adequada nos seus veículos. A meu ver, não adianta muito ter ESC, ABS etc. enquanto tivermos carros rodando com pneus carecas, películas escuras, carros rebaixados sem critério etc.

  • kravmaga

    E eu já dirigi por mais de 15 anos sem acidentes mesmo antes de ter o primeiro carro com ABS, mas não significa que o ABS e ESP não sejam importantes.

    O ABS já me salvou de bater na traseira de um carro (com ABS também) que freou forte porque um carro velho resolveu parar na pista da esquerda para fazer um retorno ilegal na frente da favela da Rocinha no Rio.

  • iCardeX

    Uma imagem vale mais que 1000 palavras.

    Cerca de 45 km/h + pedrinhas de reforma de asfalto carregadas pela chuva + pista molhada.

  • Wendel Cerutti, é por essas e outras que considero o airbag um item totalmente dispensável. É tão-somente um sistema de retenção suplementar. O que retém verdadeiramente é o cinto.