Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas ÁGUA DO “PROF. PARDAL”… – Autoentusiastas

Água como combustível é coisa de “professor Pardal”. Mas ela já foi e poderá voltar a ser utilizada para tornar os motores mais eficientes.

Volta e meia aparece na tevê um “professor pardal” que põe um motor para funcionar com água. E prova por a+b que encontrou a solução definitiva para a substituição do combustível fóssil. Nos dias seguintes, não param de pipocar comentários e a questão de sempre: “Por que a indústria automobilística não adota esta solução? Por pressão das empresas de petróleo?”

Se a água fosse mesmo capaz de movimentar um motor, estaria resolvido um dos maiores problemas do planeta. Aliás, basta reparar em sua fórmula para se constatar que a solução está por perto: H20 é uma composição de hidrogênio com oxigênio. E o H2 tem de fato a energia necessária para movimentar um veículo. Poderia (e já foi) utilizado diretamente como combustível no motor a combustão ou para produzir energia elétrica numa célula a combustível (fuel cell). Mas obter o hidrogênio é uma operação de custo tão elevado que inviabiliza sua aplicação em escala industrial. Este ainda é um empecilho ao automóvel elétrico movimentado pelo hidrogênio: sua obtenção, distribuição e armazenamento.

Entretanto, o uso da água no motor a combustão interna não está descartado. Ela já foi utilizada diversas vezes no passado, não como combustível, mas como elemento auxiliar para aumentar a eficiência da combustão da gasolina. No século passado, o sistema de injeção de água foi utilizado em motores de tratores, aviões e carros de competição. Na década de 60, um automóvel da GM (Oldsmobile F-85) teve injeção de álcool/água no coletor de admissão de seu motor turbo. Chrysler e Saab também realizaram experiências semelhantes.

Mas a idéia não foi abandonada: a Bosch apresentou este ano, num simpósio sobre motores em Viena, um novo desenvolvimento do sistema. A idéia básica está na absorção de calor quando a água se transforma em gotículas. No motor turbo, o ar que chega ao coletor de admissão já resfriado pelo intercooler (radiador) tem sua temperatura novamente reduzida em cerca de 25 ºC com a injeção de água, aumentando ainda mais a densidade do oxigênio. Além disso, a água é injetada também dentro dos cilindros, o que reduz a temperatura de pico da mistura em cerca de 70 ºC, aumenta a eficiência e permite aumentar a taxa de compressão, pois reduz a possibilidade de detonação.

Segundo os estudos da Bosch, a injeção de água (numa proporção que pode variar de 25 a 30% do combustível) pode aumentar a potência do motor (ou reduzir o consumo, em função dos objetivos do fabricante) em cerca de 10%. Além do acréscimo de eficiência, há também uma redução nas emissões de CO2 e NOx.

O sistema ainda não existe comercialmente, mas a BMW já o aplica num motor 1,5-L de três cilindros, obtendo potência acima de 200 cv e uma considerável redução de emissões. Os custos adicionais ainda não foram estabelecidos mas não serão baixos, pois será necessário instalar injetores de alta pressão nos coletores e nos cilindros . E um reservatório de água para o sistema (cerca de cinco litros). A BMW teve uma idéia interessante para reduzir as dimensões deste tanque: direcionou para ele a mangueira de água do ar-condicionado que, funcionando em condições normais, produz cerca de um litro por hora.

O sistema ainda está em desenvolvimento, mas a Bosch acredita que sua produção em série será iniciada dentro de dois a três anos.

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

  • joao vicente da costa

    Meu Ford Corcel II da Estrela já era movido a água e pilhas.. Isso lá nos anos 80… Hehehe. Mas falando sério, tomara que essa tecnologia evolua o suficiente a ponto de se tornar comercialmente viável.

  • Cristiano Reis

    Boris,

    Outro dia ouvi na CBN o Sr. comparando o up! Tsi ao Fiat Uno 1,4, não seria melhor ter comparado com o Ka? Esse motorzinho da Fiat é bem bebarrão…

    • boris feldman

      Oi Cristiano,
      Talvez tenha mencionado os dois modelos para destacar a diferença de potência entre um antigo motor 1.4 (Uno) diante dos vários cavalinhos a mais de um novo motor 1.0 (up!).

  • Comentarista

    Quero ver os que reclamam que quando compram álcool estão pondo água no tanque. Como sabemos, a maior potência quando usamos etanol, em torno de 5%, considerando a mesma tx de compressão, advém da água presente no álcool anidro.

  • Rubem Luiz

    Não é bem igual, mas já tem motor diesel da New Holland e sistema da Magneti Marelli europeia usando um sistema de redução catalítica seletiva pra reduzir poluição, que é basicamente ureia com água. Chamam de EcoBlue ou AdBlue mas o líquido é a base de água mesmo. Só que é na saída.

    A New Holland diz que essa redução de temperatura na entrada com água aumenta a produção de material particulado na saída, o que exigiria filtros de alguns micra pra reter isso.

    E eu particularmente concordo com essa preocupação na saída. Não é porque temos catalisadores que tudo é lindo, ao menos aqui na roça o que 60% dos catalisadores viram é resto em lixão, porque o normal pra quem tem pouco dinheiro é quebrar a colmeia e ir usando, ao invés de substituir a parte. Aí tudo que foi salvo do ar via catalisação, está retido nos restos da colmeia que o mecânico de fundo de quintal quebrou pra desobstruir a passagem dos gases, e esses restos vão pro lixo comum.

    Uma solução com água e ureia é bem mais acessível pra manutenção, pode exigir mais horas na manutenção (E americanos e europeus odeiam isso) mas não usa material caro (O terceiro mundo adora isso, peças baratas, mesmo que leve horas pra troca o problema é o custo em peças e não o da mão-de-obra).

  • braulio

    E depois de tudo, a busca tecnológica atual é fazer um motor que funcione com vapor de água. Irônico…

  • V_T_G

    Penso nesta linha mas com outra abordagem. A injeção direta de água pressurizada na câmara de combustão de modo a obter um ciclo misto otto/vapor. A utilização da água desta forma possibilitaria as benesses já citadas e ainda iria atuar no ciclo motor com sua expansão para vapor.

  • RoadV8Runner

    Muito interessante essa volta do desenvolvimento de sistemas de injeção de água nos motores modernos. Na Segunda Guerra Mundial, grande parte dos motores dos aviões tinham esse recurso. Não sabia que a injeção de água permite redução nas emissões de NOx e CO2, o que é bem interessante.

  • Silvio

    Esse tipo de materia da um pouco de medo num país como o nosso. É capaz de o governo colocar 30% de agua na gasolina alem dos 30% de álcool. No álcool ja se sabe que é comum essa super hidratação nos postos por ai, sem resultados satisfatórios…

  • CorsarioViajante

    interessante.
    Pelo lado da piada, diria que solução melhor é mover os carros a vento, desde que soubéssemos como estocá-lo.
    Pelo lado da poesia, citaria a música de Itamar Assumpção, “movido a água”, que mostra outro lado desta questão https://www.youtube.com/watch?v=q2zuVoQuDQ0

    Pelo lado do realismo, diria que investir tanto em melhorias para motor a combustão me parece meio que enxugar gelo, por mais sofisticado que se tornem nunca serão suficientemente eficientes pelas imensas perdas do sistema como um todo. Sem contar que tanta sofisticação vai cobrar um preço cada vez mais alto em construção e manutenção.

  • Lucas Sant’Ana

    Achei esse pdf aqui que tem uns cálculos sobre combustão com água e etanol

    https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/75927/000891913.pdf?sequence=1

    Juntado esses cálculos e suando também o MAPV

    http://milenar.org/2015/02/14/mapv-motor-a-alcool-pre-vaporizado/

    e ainda junto com desativação de cilindros para aumentar a carga nos outros cilindros teremos uma economia tremenda no ciclo urbano, e se der, colocar o jake brake melhor ainda

    • V_T_G

      Muito legal a tese, vou ler com calma. Sobre o MAPV, eu tenho uma duvida. O combustível injetado é formado por gotículas minusculas (aspergido) que são liquidas. Uma vez que é a expansão dos gases que gera o trabalho, não seria mais vantajoso a expansão de liquido para gás ao invés de gás para gás?

      • Lucas Sant’Ana

        A meu ver o combustivel vaporizado permite uma queima mais rápida e mais completa, haverá menos CO e HCs nos produtos finais, ao se vaporizar o combustível você recupera o calor latente que seria perdido, você pode colocar o álcool vaporizado e água liquida pois o álcool se vaporiza a 78ºC e a água a 100ºC, mas para ter certeza terás que medir, construir gráficos e tirar conclusões, me interesso por motores a combustão interna e tenho até um TG sobre desativação de cilindros e sempre leio esses trabalhos na net e alguns vídeos na net como esse: https://www.youtube.com/watch?v=5hqnlPMGnjo

        A meu ver a melhor tentativa de fazer um motor multi combustível foi o polo trifuel http://bestcars.uol.com.br/tecprep/polo.htm
        o que eu faria para melhorá-lo seria, quando usando gasolina, atrasar o fechamento da válvula de admissão diminuindo a taxa de compressão para permitir maior pressão no turbo, Me interesso bastante por motores de combustão interna e um dia pretendo montar meu motor dos sonhos com todas as tecnologias que eu consegui juntar nele.

    • Renato Texeira

      Era justamente este trabalho que eu me referia na outra mensagem. Este grupo de pesquisa da UFRGS vem trabalhando forte com a parte de simulação de motores, tendo como uns dos parceiros a Fiat italiana. Pelo que eu sei, um dos objetivos é simular completamente em 3D os motores estudados (com combustão, movimento etc.), de forma a analisar todos os efeitos inerentes.

  • Renato Texeira

    Lembro de um colega meu de faculdade que fez um estudo de simulação de motores sobre este tema e chegou a resultados bem parecidos a estes apresentados. Na ocasião, ele usou um software para simulação unidimensional de motores (se eu não me engano foi o gt-power ou um similar).

  • Mais uma vez os visionários empresários brasileiros saem na frente, pois já colocam a água no nosso combustível, dispensando a injeção de água! Fantástico!

    (Fui sarcástico, caso não tenham percebido)

    • TSI

      Pensei o mesmo quando lia a matéria!!!!
      kkk

  • TSI

    E esta mistura com o óleo? Como eliminariam a água do óleo do motor/carter?
    A temperatura do motor não deixaria a água se liquefazer dentro do cilindro?