Vai passar um tsunami pelos cofres da Volkswagen. Quebrar ela não vai, pois o governo alemão não deixa. Mas seus acionistas…

A GM não quebrou: quando chegou à beira do abismo, o governo americano veio em seu socorro. A Chrysler também não: empresas desse porte, se quebram, vira comoção social. E a Volkswagen? O rombo no cofre com a maracutaia do diesel é incalculável:

1 – Ela está sujeita a multas pesadíssimas dos governos de diversos países, pelos danos ambientais causados por 11 milhões de carros com motores diesel preparados para trapacear nos testes de emissões. Só nos EUA, onde vendeu 480 mil deles, as multa pode chegar a US$ 18 bilhões (US$ 37.500 por automóvel). A Suíça já ameaçou não renovar a licença destes carros em 2016.

2 –Vai ter que tirar do cofre mais algumas dezenas de bilhões de dólares para indenizar todos os consumidores que entrarem na justiça contra a empresa. Advogados americanos e europeus já mandaram cartinhas para os donos e garantem levar pelo menos U$ 5.000 por automóvel em ações de perdas e danos. Basta alegar o “mico” na garage, o carro que perdeu valor de mercado e se tornou quase invendável. Sem contar que muitos dos proprietários recusarão o recall, pois não concordam em ter a potência reduzida e consumo aumentado, única forma de reduzir as emissões de um motor diesel. A conta poderá chegar a US$ 55 bi (US$ 5.000 x 11 milhões).

3 – Outra encrenca judicial a ser enfrentada por Wolfsburg são as milhares de empresas que adquiriram seus carros a diesel. Optaram pela marca para respeitar o código de ética da própria companhia, que proíbe incorporar à frota automóveis com elevado índice de emissões. Podem processar a fábrica que os induziu a burlar seu próprio regulamento interno. Entre os frotistas, governos de vários países também foram iludidos ao comprar automóveis supostamente “limpos”.

Fora todo este imbróglio judicial, não será baixo o custo para reparar estes automóveis. A engenharia da Volkswagen pesquisa soluções há quase dois meses, mas ainda não descobriu como resolver o problema de forma simples, rápida e barata. Soluções existem, mas nenhuma terá custo inferior a US$ 1.000 que, em 11 milhões de carros, levam a conta para além dos US$ 10 bi.

Não se sabe também o tamanho do rombo para ressarcir os prejuízos sofridos pelas centenas de concessionários com milhares de automóveis invendáveis nos pátios. E dos fornecedores que tiveram seus pedidos de peças e componentes cancelados na última hora.

Tudo somado, um tsunami que poderá superar US$ 100 bilhões, valor que abala as finanças de qualquer empresa, até da poderosa Volkswagen, pois os números se aproximam de seu valor de mercado.

Quebrar ela não vai, mas seus acionistas estão temerosos com o progressivo derretimento de suas ações à medida que o buraco vai ficando mais lá embaixo. De março deste ano, quando chegou ao seu valor máximo, até a semana passada, elas despencaram para menos da metade. Se o cofre esvaziar, o governo alemão fará gigantescos aportes para salvá-la e, depois de alguns anos, com a situação estabilizada, uma oferta de novas ações (IPO) ao mercado. Ao contrário da GM e Chrysler que quebraram por incompetência de gestão sem prejuízo de seu produto ou imagem, a Volkswagen foi flagrada trapaceando o consumidor e o meio ambiente. Dois dos mais execráveis crimes da atualidade e que podem interferir, mais cedo ou mais tarde, em sua imagem corporativa.

BF

Foto de abertura: Fábrica VW em Wolfsburg (en.wikipedia.org)
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

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  • Viajante das orbitais

    Maldita histeria carbônica. Próximo carro vai ser VW em suporte à marca.

    • Mingo

      Ai meu Deus… Esse não pensa antes de escrever as coisas…

    • Viajante das orbitais
      Maldita seja!

    • Franklin Weise

      Uma coisa é ser contra a histeria carbônica.
      Outra coisa é defender a atitude da VW, que usou a “baixa” emissão de CO2 como argumento de vendas – na verdade, eles foram beneficiários da histeria.

      • Domingos

        Precisamente. Isso tudo foi um grande esquema entre fabricantes européias (VW em especial), União Européia e globalismo que veio a cair agora. Não tem mesmo por que defender a VW, dado que foi uma das maiores incentivadoras disso.

    • Comentarista

      Aí meu caro, já é outro assunto. Se temos normas mundiais sobre restrições de emissões, estas devem ser cumpridas. Seu comentário deveria ser em uma reportagem sobre essas normas e não no fato da VW querer burlar. Todos envolvidos não têm nenhuma moral, pois por dinheiro criaram formas para tentar enganar o consumidor e os órgãos dos governos. Ética? Muito menos, pois pelo que se sabe, há muitos funcionários, de média a alta gerência, que sabiam e deixaram acontecer, podendo até mesmo sido feito a partir de ordens desses gestores.
      Não acho que é histeria carbônica. Você deve ser novinho, mas antigamente quando passava um carro perto de você, vinha aquele cheiro de gasolina queimada. Hoje andamos nas ruas e não sentimos nada. Imagina uma grande cidade com carros sem catalisadores, gasolinas com chumbo, emitindo 10 vezes mais CO, CO2, NOx do que hoje?

      • Comentarista,
        O cheiro que se sentia era de hidrocarbonetos, ou seja, gasolina, não queimada. O CO, CO2 e NOx são inodoros. Mas de modo algum se justifica o que a VW fez.

    • Domingos

      Se a VW não estivesse envolvida justamente nessa histeria, assim como quase toda a indústria automobilistica européia, eu concordaria com você. Estão todos na mesma “parte”, são todos o mesmo problema.

      Os motores chatos da F-1 de hoje foram pressão dos fabricantes, pela imagem “verde”, os mesmos que hoje choram porque para todos eles menos Ferrari e Mercedes foi um fracasso esse regulamento histérico.

    • Lucas Mendanha

      Enquanto isso o calor bate recordes..

      • Lucas Mendanha
        De todo o CO2 emitido pela atividade humana – transportes, indústria e moradia – ao primeiro só cabe 25%, sendo que os automóveis de passageiros só respondem por 10%. O metano (CH4) resultante da flatulência do gado vacum responde por praticamente metade do CO2 emitido anualmente. Portanto, é histeria carbônica no mais alto grau, combinada com hipocrisias como vagas reservadas para carros “verdes”. E basta um vulcâozinho qualquer ficar de mau humor que o CO2 emitido é maior do que o de todas as outras fontes juntas. E não só o calor que bate recordes, o oposto também.

        • Costa

          Bob, concordo com alguns pontos, mas discordo de outros, o que está mais próximo de ser possível fazer para ajudar? Fazer as vacas pararem de arrotar, pois 70% vem pelo arroto, tampar um vulcão para ele não entrar em erupção, tampar os buracos no fundo dos oceanos de onde estão saindo toneladas de metano ou tentar fazer uma política para redução das emissões onde é possível fazer mudanças e tentar amenizar as coisas?
          Tem que se pensar em todos os pontos, não apenas nos piores, atacar alguns deles, principalmente os que podem ser atacados.
          Muito do que está acontecendo no clima da terra, acredito eu, conforme algumas palestras de climatologistas que já vi, estão relacionadas ao próprio ciclo de vida do planeta e conforme você mesmo disse, alguns lugares mais quentes, outros mais frios.
          Um variação de décimos de grau no eixo da terra já seria capaz de mudar drasticamente o clima na terra e essa é uma das dezenas de teorias que estão sendo levantadas sobre o problema.

          • Domingos

            O que fazer para ajudar com um problema que é um não-problema e que, cada dia mais que avançamos nesse ciclo tanto da história como do meio-ambiente, se mostra ao mesmo tempo irrelevante e algo que se fosse sério mesmo não teria solução?

            Nada. Mentira se ignora. Segundo as previsões pessimistas deveríamos estar nesse ano de 2015 já com tudo descongelado, o mar invadindo as cidades de praia etc. O Al Gore, de esquerda, que fez todo esse escândalo para tentar se eleger – perceba como se cria uma inutilidade para vender a sua solução – comprou logo depois do seu famoso documentário uma casa na praia muito próxima de onde a maré chegava.

            Uma casa cara. Para um cara que “sabia tudo” sobre o assunto. Ele faria isso porque, porque gosta de perder dinheiro?

            Os problemas do homem são sempre do tamanho do homem. Invasões intergaláticas, extra-terrestres, teorias catastróficas sobre o clima são irrelevantes ou, quando relevantes, simplesmente fogem do nosso controle.

            O mundo, aliás, nunca foi feito para durar para sempre e nem vai durar. Nossa existência física nesse mundo é de tempo limitado e nisso concordam cientistas e religiosos. Viver numa espécie de “tribo sustentável” é simplesmente melhor não viver.

    • Mauro Luz

      Perfeita colocação. Uma histeria dos ecochatos.

  • Guto Souza

    Eu, sinceramente acho isso um reflexo daquilo estamos reféns a partir de agora. Teremos que ser totalmente “politicamente corretos”(tudo fica com o custo elevado), quer seja nos nossos reais desejos como também no que demonstramos publicamente. Um mundo de chatice sem fim. E depois seremos taxados de saldosistas babacas que so pensam no próprio umbigo quando sairmos com nossos clássicos carburados com escape full. Ou quando eu sair com meu filho no colo ao dirigir assim como meu avô fez diversas vezes comigo. Casando Mode On.

  • Guilherme Lemos Do Vale Souza

    Infelizmente a VW está tentando de tudo que é forma sair desse buraco. Mas ela está cada vez mais se afundando na própria lama.

    Só consigo imaginar como tudo isso ocorreu de fato. Como foi que os diretores, engenheiros, desenvolvedores e etc não perceberam que tudo isso viria à tona uma hora ou outra. E como não veio a mente de todos eles que todo aquele plano de ser líder mundial até 201e alguma coisa não poderia dar certo.

    É lamentável ver eles afundando dessa forma. Tirando o fato que para se reerguer vai demorar muitos e muitos anos (posso até estar errado). Pois todos os consumidores vão se sentir traídos, ou de certa forma, lesados. E o pior é que isso também pode atingir não só a VW, mas suas empresas orbitais (se é que esse termo existe). Como a Audi, que acho já foi atingida, só que de menor forma. Porsche e também a pequena Seat.

    Agora é esperar o desenrolar dessa história, e ver que fim ou recomeço a VW vai criar para eles mesmos.

  • Edison Guerra

    Fiquei estupefato com a dimensão do problema. Não havia pensado com tanta profundidade. Resta ver como o Grupo VW vai lidar para não arranhar a imagem para o futuro.

  • A VW ficou tempo demais em terras brasileiras, se viciou no infame “jeitinho” e na “lei de Gérson”

    • Franklin Weise

      Os problemas da VW no Brasil, pelo que sabemos até aqui, são conseqüência apenas da má administração, o que não denota nenhuma ilegalidade – bem diferente dos problemas que eles enfrentam nos EUA e na Europa.

  • Comentarista

    Tem um blog por aí, onde tem um doente orelhudo que vomita muita baboseira, dizendo que esse problema dos motores diesel não fez e nem vai fazer cócegas na conta da VW e que a VW não vai precisar gastar nem 1 decimo dos 7 bilhões reservados para atenuar o escândalo. Depois que lemos o texto do AE é que vimos a profundidade do buraco!

    • Vinicius

      Rapaz, esse blog que mencionastes é absurdo. Beira à loucura. rs;

      • Bruno Passos

        Esse blog é uma vergonha. Tenho pena de quem acredita nas asneiras lá ditas.

      • caique313131

        Qual blog?

    • V12 for life

      É por isso que aquele blog não é respeitado, não passa dos sonhos de alguém que se quer da o trabalho de fazer uma pesquisa para saber oque é ou não verdade, a pessoa dorme e acorda acreditando que é verdade.

    • Stark

      O fanatismo desse blog mencionado é doentio, ao ponto do dono ter um fake para denegrir os próprios comentaristas, além de apagar os comentários contrários. Desisti de comentar por lá.

      Desde que as bobagens fiquem por lá, menos mal, pior é quando os mesmos tentam rebaixar o nível dos comentários de sites respeitados. Ainda bem que aqui no AE a política é rigorosa e transparente.

      Mas falando sobre o que interessa: bom texto do Boris, que andou pisando na bola algumas vezes, mas costuma apresentar opiniões pertinentes.

      Não posso deixar de mencionar que estou curtindo esse novo formato do AE, ficou mais fácil de achar os textos, que passam a conter os assuntos da coluna no título. A versão mobile também ficou muito melhor. Parabéns à toda equipe por proporcionar textos ricos em detalhes, com linguagem adequada e realizar avaliações diferenciadas. Claro, nem sempre concordo com as opiniões sobre determinado fato, mas faz parte, provoca a reflexão.

    • Renato

      Por favor, dê-me o nome ou ao menos uma dica de qual blog é este.

      • Comentarista

        Rindo!

  • João Carlos

    A que ponto chegamos, isso ser crime execrável, e os mortos e feridos com as bolsas da Takata apenas uma bobagem passageira, um mal necessário.

    Tiveram até uns fazendo contas de quantos morreram com a “poluição” dos carros, com um gás que não polui.

    Pela diferença de tratamento de ambas as questões fica fácil entender as entrelinhas: na cabeça dos NCAPeiros e ecochatos, é inaceitável um carro emitir mais, e aceitável uma bolsa inflável que te mate.

    Parece aquela velha piada. Se for pego por um policial numa caçada, mate o policial que dá menos repercussão e é mais fácil se livrar da cadeia.

    • Fernando

      Também acho que a questão do air bag em ordem de importância é muito maior e que deveria ser dado maior atenção por todos.

    • gpalms

      Apenas relembro uma grande diferença entre os escândalos: o dolo.
      A VW se articulou, planejou e decidiu mentir, burlar.

  • Luiz Goltz

    A VW tem um belo histórico de trapaças, desde a criação da empresa pelo governo nacional-socialista. Até esta fraude nos motores o maior escândalo tinha sido o roubo de segredos industriais da GM praticado pelo executivo José Ignácio Lopez de Arriourtua. Agora, pelo tamanho da fraude e por envolver consumidores em países onde o consumidor é respeitado e a justiça funciona (vide caso FIFA) com certeza vão pagar caro, muito caro…

  • V12 for life

    Realmente quebrar um grupo desse porte é quase impossível, mas a venda de muitas de suas marcas eu já achava provável, agora depois de ver a real dimensão do problema passo a achar inevitável.

  • Ilbirs

    Como já disse anteriormente, algo como o Dieselgate tem altas características de obra psicopática, uma vez que olharam para as regras não como alguma coisa que orienta e que pode ter brechas a serem exploradas, mas sim uma coisa para deliberadamente ser burlada de uma forma que aparentemente não quebra essas regras e que só se vai descobrir o problema quando ele está grande, gerando aí um prejuízo dos grandes.
    É obra psicopática se considerarmos também estar inserido naquela sensação de grandiosidade que psicopatas têm e atrás da qual correrão a qualquer custo. Psicopatas em empresas costumam gerar resultados impressionantes no curto prazo e têm uma preferência por fazer coisas de vulto para demonstrarem poder. Que se veja aqui a tal frenética compra de marcas e o orgulho de se apresentar como grupo composto por 12 divisões, mesmo que algumas delas na prática redundem entre si. Mas aqui fica a propaganda superficial mesmo (assim como Clean Diesel o era).

    Psicopatas também não possuem empatia e veem as pessoas não como indivíduos possuidores de desejos e vontades, mas meras ferramentas para seus propósitos. No caso, considerou-se o consumidor em geral como a tal ferramenta para conseguir fazer a marca ascender em vez de pessoas que compram um carro por valorizarem aquilo que faz uma marca ser preferida em relação a outras.
    Psicopatas em posição de comando também geram uma multidão de histéricos, que acreditam não naquilo que veem mas naquilo que lhes é dito. Aqui não é muito diferente daqueles inocentes úteis que defendem governos totalitários e as figuras psicopáticas que assumem tal tipo de poder, chegando até mesmo a brigar com quem não caiu nesse canto de sereia, a ponto de brigar com amigos, parentes e conhecidos por causa de gente que sequer sabe que esses defensores existem, mas que muito contentes ficam pelo fato de esses a quem desconhecem chegarem a entreveros com outras pessoas. Na internet, chamaríamos no âmbito político essas pessoas de MAVs, mas no caso do Dieselgate eu estou chamando de MAVWs, ainda mais considerando que a mecânica é igualzinha (aquilo de ir na base do “não li o que você escreveu, não quero saber do que você escreveu, discordo daquilo que você diz e você é um feio, bobo e cara de melão por não adorar aquilo em que creio”). Muitos desses histéricos por vezes fizeram grandes investimentos (aqui indo para além do simples dinheiro e considerando também tempo), a ponto de terem se associado bastante a determinada coisa e, se dela se dissociarem, não mais terem a posição que outrora tinham.

    Enfim, como já disse em outras ocasiões, a VW pode ter tido seus primórdios como obra de um psicopata (um certo Adolfinho de triste memória), mas foi “despsicopatizada” com o passar dos anos por gente séria, como Heinrich Nordhoff, que deixou legado positivo de como conduzir a coisa e manter o respeito do público. Quando quiseram sair disso, ainda mais se considerarmos todo o esforço de sair da situação de uma marca que nasceu desacreditada e conquistou ótima posição do público, a queda fica muito grande e as consequências da psicopatia no arranhamento da imagem, maiores ainda. Digo que pode ser um ponto de virada na condução corporativa em geral, justamente para se combater os psicopatas em posição de comando que em outros tempos chegaram até a ser bem vistos por causa de suas características de charme superficial e resultados em curto prazo.

    • Lemming®

      Toda corporação tem vies de psicopatas ou sociopatas então achar que a VW é a única só comprova a histeria gerada.
      Tem na área das comidas industrializadas.
      Tem na área de químicos e venenos.
      Tem e muito na área financeira.
      Estão chamando a VW para pagar o pato e o resto limpando as provas de que fizeram a mesma coisa ou pior.
      Então não sejamos inocentes e se for para crucificar que sejam todas elas.

  • Ilbirs

    Como também disse, pode o Dieselgate ser o escândalo necessário que surgisse, mas ai daqueles pelos quais vem o escândalo. Vejo a VW de hoje em situação muito parecida com aquela da “velha GM” (General Motors Corporation. A “nova GM” é General Motors Company e pessoa jurídica diferente, para a qual foram transferidos os ativos saudáveis da velha). São muitas divisões com redundâncias propositivas entre si e em um ponto maior que o da antiga encarnação do fabricante americano que mencionei: 12 divisões, contra as oito que aquele teve quando atingiu o fundo do poço.

    Nessa, ainda mais considerando o tanto de multas geradas pelo escândalo, não duvido que algumas delas terão de ser passadas nos cobres para gerar caixa. Vejo como as duas divisões mais fáceis de serem vendidas a Ducati e a Scania, justamente por elas não compartilharem componentes com o resto do grupo e serem bastante autônomas em suas conduções quando comparadas às outras dez. Também podemos considerar divisões bastante vendáveis.

    Poderia aqui haver também fechamento de pelo menos uma divisão e considero a SEAT a mais forte candidata a tal se pensarmos que ela está sendo uma “Saturn” da VW nos dias atuais. Feriria susceptibilidades como feriu o fechamento da Saturn (que era orgulho do pessoal de Spring Hill, e por extensão do Tennessee, além de uma das marcas com maior fidelidade do comprador), mas aqui caímos na escolha entre o pior e o menos pior. No caso da GM, a fábrica de Spring Hill acabou sendo usada pelo resto do grupo e alguns restos mortais serviram para reerguer os produtos das divisões sobreviventes (como a reestilização do GMC Arcadia, que usou painéis estampados que originalmente eram do Outlook).
    Outras divisões que compartilham mais com o resto do grupo poderiam ser vendidas mais ou menos como a Ford vendeu a Jaguar-Land Rover, em que por algum tempo tecnologias da marca do oval azul foram usadas pelo novo comprador até que ele desenvolvesse suas próprias (vide o uso de motores Ford até a hora em que a Tata passou a projetar os próprios). Uma Lamborghini é perfeitamente vendável e a VW não deixaria de ter superesportivos que servissem de vitrine tecnológica (a Porsche está aí para isso), assim como vendável é a Bentley. A Bugatti, devido a sua pequena produção, não creio que seja exatamente caso de pôr um anúncio nos classificados.

    Também consigo imaginar algumas marcas sendo vendidas em parte. É o caso da MAN, que poderia ter uma porcentagem que não de controle ficando na mão de alguém interessado. Por questões de proteção de negócio, poderíamos pensar na volta da VW Caminhões e Ônibus para a marca da qual surgiu, aqui também podendo haver um retorno à fórmula original de veículos que são “cozidões” de peças de prateleira aplicadas a um chassi de projeto próprio. Ninguém acha ruim motores Cummins, transmissões Eaton e eixos Meritor, só para ficarmos naquela formulinha básica de caminhão VW pré-aquisição pela MAN. No caso específico da operação brasileira, os veículos pesados acabaram por se tornar fontes de lucros importantes aqui no Brasil e não creio que a marca-mãe gostaria que alguém tivesse uma parte que fosse dos direitos intelectuais de algo que surgiu de seu próprio ventre.
    Acho que dá para a marca se manter bem enquanto VW, Audi, Skoda e Porsche, justamente por essas quatro marcas na prática estarem sendo o sustentáculo do grupo. OK, falei da Bugatti e essa poderia continuar no leque de Wolfsburg, talvez diversificando sua produção para mais um modelo além do Chiron que em breve vem aí.

    Compradores possíveis para esse pregão que hipotetizo?

    Scania: de repente poderia ser a Toyota, caso esta quisesse uma marca com mais repercussão que a Hino em mercados importantes. Poderia ser a GM, se considerarmos já haver dentro dela intenções de retorno ao mercado de caminhões maiores, vide recente acordo feito para que em 2018 a Navistar fabrique para ela caminhões bicudos de porte médio e semipesado que na prática serão Internationals com logotipo Chevrolet (havendo aqui até especulação de que a GM poderia no longo prazo comprar a Navistar). De repente poderia interessar também a Scania se pensarmos em caminhões feitos segundo a regra europeia;

    Ducati: com certeza há quem queira a tecnologia de motores desmodrômicos. De repente à Harley-Davidson interesse se considerarmos que sua atividade-fim (motos) passaria a ter uma marca de superesportivas bem mais conhecida que a extinta Buell;

    Lamborghini: poderia interessar a algum fabricante asiático que não tenha uma vitrine tecnológica com tamanha reputação;

    Bentley: mesma situação da Lambo e aqui poderia até mesmo haver a possibilidade de venda em conjunto com os italianos;

    Parte da MAN: aqui também poderia ser algum fabricante asiático. A mesma Toyota para quem hipotetizei a possibilidade de uma marca mais conhecida que a Hino em alguns lugares poderia se interessar por parte desse fabricante alemão, aqui também considerando-se os laços históricos entre VW e Toyota (vide fabricação da Hilux em Hannover e criação de uma versão dela com a marca VW e o nome Taro). Poderia também haver interesse da Mahindra (que cresceu no passar dos anos e adquiriu a parte que era da Navistar na antiga Mahindra Navistar), de algum fabricante chinês ou, vai saber, de uma Isuzu da vida.

    Enfim, como podem ver, uma “nova VW” creio que teria mais agilidade e menos gastos de divulgação de divisões que conflitam de algum modo entre si, além de um conjunto propositivo geral mais claro e atenção mais concentrada.

  • Mr. Car

    Sinceramente? Não desconfio mais da VW do que desconfio de qualquer outro fabricante. Todos devem ter seus podres, e se bobear, até o mesmo podre da alemã. A diferença é que o da VW foi descoberto. E ainda que estes carros poluam mais do que oficialmente deveriam poluir, não vai ser isto que vai arruinar o planeta. Está cheio de carros (e ônibus, e caminhões, e tratores, etc…) cada um poluindo dez vezes mais que vários destes VW “assassinos da atmosfera” juntos, e mesmo assim rodando sossegados todos os dias nas barbas dos órgãos que deveriam fiscalizar isso. Fora outras tantas e tantas fontes de poluição atmosférica por substâncias infinitamente mais danosas. A Volks errou, mas estão fazendo estardalhaço demais por conta disto, como se o mundo fosse acabar. Para mim, a coisa está beirando histeria, sim. E não vou ser eu que vou deixar de comprar um VW. Ao menos não por causa disto.
    Para pensar: “Quando embarco e só vejo céu e água, espanta-me a imensa e líquida planície que me circunda, como se me visse obrigado a bebê-la toda ao naufragar, esquecido de que bastam três goles de água para me afogar. Do mesmo modo, ao menor tremor de terra, imagino que vai cair sobre mim a cidade inteira, quando bem sei que é suficiente uma telha para despedaçar-me o crânio. Ah, pobre escravo que sou da imaginação!”. (Epiteto)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=Vt2YIpZWBqA

    • Costa

      Mr. Car.
      Se não existissem leis e quem as fizesse cumprir, então o mundo já estaria um total caos(maior do que já está).
      Se existindo leis duras em países de primeiro mundo, como Alemanha, EUA, etc as empresas já arrumam um jeito de passar as pessoas para trás, imagina se tivesse perdão para tudo que um ou outro acha que não é cabível de punição.
      Sem comentários a mais!

      • Mr. Car

        Alguém disse que não é cabível punição? Se disse, não fui eu.

    • Daniel Santos

      Mr Car, muito bem lembrado,o tempo todo topamos, por exemplo, com ônibus jogando fumaça preta por aí sem que os donos das empresas sejam incomodados. Todos sabemos que elas financiam inúmeras campanhas por aí. Noves fora, como a fiscalização de poluentes tem de ser feita em cima de alguém, sobra para os donos de carros, haja vista a demonização cada vez maior do automóvel.

    • Caio Ferrari

      Desconfiar eu desconfio. Mas como sei da fraude da VW, evitarei seus carros. Simples assim.
      Quando eu descobrir dos outros, irei boicotá-los também.

    • Davi Reis

      Não duvido que seja questão de tempo até que outras marcas sejam pegas “no pulo” com esses testes de emissão. Não duvido absolutamente nada. É o típico caso do “se os outros fazem, vamos fazer também”.

  • Luciano Gonzalez

    Well, vamos aos fatos: erraram? Erraram, e feio, mas mas não mataram ninguém… but, vou enumerar alguns acontecimentos muito mais graves:
    1 – Ford Pinto: investigações da época dizem que foi encontrado um documento interno da Ford dizendo que era mais barato indenizar as vítimas do que efetuar um recall… o carro pegava fogo em caso de colisão traseira… a que ponto chegamos…
    2 – Airbags da Takata: quantas pessoas podem ter morrido pela falha no equipamento?
    3 – Problema de defeito no sistema de ignição da General Motors: 121 vítimas contabilizadas
    4 – Tapetes da Toyota: outras tantas vítimas fatais
    5 – Cubos de roda traseiro do Fiat Stilo: vários acidentes com mortes, foi punida e obrigada a realizar um recall

    Acho que tem muita gente interessada mesmo é em tirar grana de Wolfsburg… dizem que tem mais gente (montadoras) graúda que usam artifícios parecidos em veículos à Diesel, vamos aguardar…

    • gpalms

      Já li algumas análises em sites estrangeiros que contabilizam algumas mortes prematuras por câncer ou doenças respiratórias por conta desse acréscimo na poluição “não contabilizada” dos VW. Coisas de advogados americanos e estatísticos, porém com embasamento.

  • Agnaldo Timóteo

    Ufa!

    Ainda bem que foi lá fora!

    Pois é certo que a VW nunca fará e jamais fez coisa parecida aqui no Brasil!

    Uma marca que preza pela lisura, qualidade e durabilidade de seus produtos, bem como transparência em seus dados técnicos.

    Aí eu acordei…

  • ochateador

    Será que no meio de tudo isso o neto do Porsche está rindo à toa, pois o trabalho dele de assumir todo o controle da Volkswagen foi facilitado?

  • Elizandro Rarvor

    Gostei do artigo e do novo visual do AE, só tem um problema não consigo dar zoom na página com o Chrome, quando aperto CTRL + Scroll do mouse não dá zoom.

    • Douglas Prado

      Utlize Ctrl e a tecla +.

    • Domingos

      Tem vários problemas de carregamento para quem está usando Chrome na nova interface do site. Lentidão para completar a página é uma delas.

  • Paulo César_PCB

    Certamente há várias “sujeiras” debaixo dos tapetes de fabricantes de qualquer coisa que dê $$$$$. No Brasil tivemos casos muito piores, como adulteração de leite no RGS, alimento básico para qualquer ser humano de qualquer classe social.

    O ponto não é maximizar o lucro, mas como é feito para se alcança-lo. Tudo começa nos princípios, valores, moral, respeito ao próximo e ética de cada um. Principalmente do que aprenderam e viram seus pais praticarem no simples dia a dia.

    Porque não há nada oculto, senão para ser revelado, e nada escondido senão para ser trazido à luz. Já disse JC a dois mil anos……….

  • Felipe Franchin

    Além dos motores a diesel, a VW confessou que fraudou dos carros a gasolina também, TSI e TFSI
    Só esperar por mais um rombo…

    • Felipe Franchim
      Foi um pouco diferente, informou consumo menor que no mundo real, o que dá um volume de emissões de CO2 em g/km menor. Mas foi errado assim mesmo.

    • Domingos

      Nessa a UE já fechou um acordão no melhor estio brasileiro, às quietas. Já percebeu como a tal lama da Samarco é reportada como só da Samarco e não da Vale (estatal)? A imprensa de lá é igualmente coordenada.

      A notícia disso saiu em poucos sites especializados nos EUA. Até 2020 as emissões declaradas dessa outra enganação terão de ficar até no máximo alguns por cento acima do que deveriam ser. Se viu que quase todos os carros, em vida real, ficavam entre 20 e 400% acima do anunciado.

      • Christian Govastki

        Domingos, há um erro conceitual na sua afirmação que a Vale é uma empresa estatal, ela é uma empresa privada onde o Governo Federal é acionista mas não o controlador. Para ser estatal o controlador (e maior acionista) teria de ser o Governo.

        • mais sono ainda

          Em tese. Em tese. Mas nada publicam disto ( imprensa comprada como sempre) e só aparece nome da Samarco, sendo que a Samarco é da Vale E BHP e um dos acionistas da Vale é o governo. Vc encara? Afinal, aqui, É O ESTADO CONTRA O CIDADÃO! NAZISMO! Vai desafiar os políticos mais malditos do planeta, vai…

  • Lauro Agrizzi

    Não vamos esquecer que o problema atinge o grupo VW incluindo Audi, Porsche, Skoda e Seat.
    Não vamos tentar repartir a responsabilidade com as demais empresas. Parece tática dos ladrões do mensalão e do Petrolão que tentam se desculpar alegando que todo mundo rouba.Nada se viu no mundo empresarial do tipo que a VW fez. Não vamos comparar falha casual com dolo premeditado.
    Quem foi capaz de fazer isto deve ter feito muito pior. O tempo dirá.

  • FocusMan

    Todas as vezes que uma empresa clama publicamente pelo desejo de ser a maior empresa em seu setor e foca apenas em número de vendas, esse tipo de problema acontece. Vejam a GM e Toyota.

    • Domingos

      Bem reparado. No geral o gigantismo, se não for espontâneo, é um objetivo bem parco e de espírito pobre. Não é coincidência que costuma dar errado.

  • marco de yparraguirre

    Os carros dessa empresa,já não eram benquistos na Europa, imagina agora.
    Vi poucos carros dessa marca rodando por lá.

  • CorsarioViajante

    Realmente lamentável. Depõe muito contra a VW, e com certeza muita gente, eu incluído, passará a olhar a empresa de forma diferente.

  • Arruda

    Não acredito que a Volkswagen seja a única, não deve demorar para aparecerem mais casos.
    Outra “fraude” comum é com as estrelinhas dos crash tests. Não fraude no sentido literal, mas carros projetados especificamente para os parâmetros dos testes.

    Quando introduziram o small overlap test muito carro 5 estrelas deixou a desejar. Não estou condenando nem exaltando os testes, acho que são importantes na evolução dos veículos. O principal problema é o marketing das estrelinhas, o sujeito acaba acreditando que está 100% protegido sendo que nunca um acidente na vida real vai reproduzir os resultados do laboratório.

  • kutuka Onça

    Pura besteira este negócio de demonizar os automóveis como poluidores. Tá cheio de biba adorando este assunto. Tudo coisa do mercado, cada vez mais fresco e chato. Ja existem máquinas capazes de limpar todo o CO2 da terra em pouco tempo. Mas o que dá dinheiro é esta chatice ecológica em cima dos carros. Preocupados mesmo com o planeta ninguém está. Lembram da maracutaia do gás de geladeira e ar condicionado que era poluidor, atacava camada de ozônio, etc? pois é. Não era. A patente estava vencendo e trataram de mudar para outro gás. Deles também.? Mesma coisa esta implicancia com os carros. Nojento. Quanto a Volks…bem, a Volks é como outra qualquer. Vai olhar o lado dela. Dane-se o consumidor. Aliás ela sempre foi assim. Aqui então nem se fala. Mas que eu estou MUITO SURPRESO do Boss deixar passar esta matéria e também o título eu estou. Volksvagem, vc conhece vc desconfia. Quem diria. Se até o Boss evoluiu, talvez o mundo tenha mesmo esperanças….(Ô delícia cutucar a onça meu Deus….Esporte nacional…Rsss. Olha o palavrão na resposta hein….)