Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas O MEUPRIMEIRO CARRO MAIS DE UMA VEZ – POR FERNANDO MARSON – Autoentusiastas

O MEUPRIMEIRO CARRO MAIS DE UMA VEZ – POR FERNANDO MARSON

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Quando alguém diz “primeiro carro” geralmente se refere ao primeiro carro que comprou, certo? Se nós formos ver por outra perspectiva, tem outras formas também: o primeiro em que andou ou dirigiu também contam.

O primeiro carro em que andei, ao sair da maternidade, foi um Chevette SL 1983 branco, que o meu avô Rubens comprou novo no ano em que se aposentou (forçadamente, para dar emprego a um jovem, como queria o sindicato). Um sedã, com motor 1,6-L a álcool, com ignição eletrônica de série e câmbio de 4 marchas.

 

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O primeiro “meu” nossa casa em Santo André, SP

Cresci ao lado dele, aprendendo com o meu avô (e principal professor) a como usar ferramentas, conceitos de elétrica e mecânica, na oficina que ele tinha no quintal de casa o que alguns pais considerariam até perigoso para uma criança. Apesar das chaves, alicates, serras, torno, compressor, furadeira de bancada… não me lembro de ter me machucado, mas aprendi a usar todas elas, e começar as manutenções nos carros também.

 

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Sempre às voltas com o Chevette

Enquanto não podia dirigir carros em escala 1:1, treinava com meu Jeep a pedal (na foto, com a capota homemade, afinal garoava). Mas bem que ensaiava no volante de verdade.

Cuidar da lataria também fazia parte.

 

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O Chevette não rodava tanto assim, e era sempre considerado o “carro 0-km” da casa. Para usar mais regularmente havia sempre outro carro pronto para as tarefas rotineiras — foram Corcel, Fusca e Marajó. Mas de vez em quando participava de algumas viagens, como esta a Paraty, no Estado do Rio de Janeiro.

 

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Quando estava aprendendo a dirigir, a ferramenta do meu aprendizado foi também o Chevette. Embora muito diferente do que veria nas aulas práticas e exame, os conceitos são aplicados da mesma forma.

E ele acabou se tornando o meu primeiro carro, quando após o falecimento do meu avô os familiares entenderam que eu gostava do Chevette  e o que ele representava para mim— e eu para ele! E alguma porção em lembranças também.

Além de tudo o que ele fez em família nos 25 anos até então, ele estava pouco rodado e foi o meu passo para ir para à faculdade e ao estágio. Foram alguns anos assim, sem nenhum acidente ou incidente. Tem marcas do tempo sim, mas com orgulho. Restauração nenhuma desfaz o que o tempo fez de bom, mesmo que com isso trouxesse algumas mossas ou pequenos riscos; a pintura original comprova isso. E até que não o usei tanto, a quilometragem continua sendo baixa até para um seminovo.

Desta forma, o acompanhei por muitos anos na família, mesmo ele sendo mais velho que eu. Hoje ele aparenta ser o mais novo de nós.

FCM



Sobre o Autor

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  • Comentarista

    Grande Chevettão! Em casa já tivemos dois comprados novos. Um branco 81 SL e outro 84 cinza escuro SL/E. Esse 84 lembro de quando fomos à concessionária comprá-lo e quando fomos buscá lo. Tinha 6 anos! Meu pai dando a primeira partida com afogador puxado e esperando esquentar um pouco para arrancar. Boas recordações.

    • Fernando

      Obrigado Comentarista!

  • Domingos

    Lembrei da garagem do meu avô e do carro da minha tia, também um Chevette nessa época, um pouco depois na verdade, já no começo dos anos 90 – porém era o Júnior, que logo foi trocado por ser considerado muito fraco. Meu tio reclamava do baixo desempenho até deixar as pessoas dentro do carro nervosas.

    Já minha tia gostava do carro mesmo assim e aí acabava brigando com meu tio. Logo o carro foi vendido.

  • Carlos A.

    Fernando, muito legal sua história de vida ligada ao Chevette, vale com certeza conservá-lo sem dúvida! Seu valor sentimental não tem preço!

    • Fernando

      Obrigado Carlos!

  • Mr. Car

    Fala, FCM! Eu já conhecia a sua história e a do Chevette, de outro site no qual somos assíduos, he, he! Tenho em comum com você, que um carro de nossos avós tenha sido o estopim para nossas paixões por essas máquinas de quatro rodas. No meu caso, o “culpado” por fazer nascer este amor, foi um Simca Chambord. Mas você deu mais sorte: o carro permaneceu na família mesmo após a morte do seu avô, e acabou, com toda justiça, nas suas mãos. Já o “meu” Simca foi-se bem antes do meu avô, e só restaram lembranças (dos dois). Quem me dera que aquele Simca tivesse parado nas minhas mãos! Ele era exatamente como o deste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dsQG7Lb8bWI
    Abraço.
    Para pensar: “A estupidez humana é a única coisa que nos pode dar a noção do infinito”. (Joseph Ernest Renan)
    Para ouvir (esta vai para a Dilma): https://www.youtube.com/watch?v=sRPYV6vLKdM

  • CorsarioViajante

    História legal, parabéns!
    Já meus avós pegaram o tempo do Monza, curiosamente tanto avós de pai como de mão compraram monzas que foram ficando infinitamente nas garagens. Quando meu avô paterno morreu vendemos o dele, à álcool 1,8 L. Já o de minha avó, 2,0 L a gasolina, 2 portas e vinho, continua lá, quase sempre parado, pelo menos até minha avó falecer.

    • Fernando

      Corsario, felizmente muitos Monza restaram por esse motivo, além da boa construção! Sei de alguns com história parecida também, inclusive dois brancos 2 portas SL/E 1988 2-L, um está hoje com o filho e outro com o sobrinho.

  • Mr. Car

    Em tempo, FCM: também convivi com o Chevette, já que meu pai teve três. Um standard 78, um L 80, e um hatch standard 82. Até hoje o câmbio mais macio que conheci, he, he!

  • Rochaid Rocha

    Muito legal a história. Lembrei do meu segundo carro, um Chevette SL 84. O primeiro foi uma Brasília 1978. Eu adorava o câmbio do Chevette, sempre lembro dele. Aquela alavanca que para mim parecia ser mais alta que a dos outros. Os engates suaves, para mim, eu achava isso,rs.

    • Fernando

      Obrigado! Realmente a alavanca é alta, ao mesmo tempo uma pluma.

  • RoadV8Runner

    Que história bacana! Esse Chevette não tem preço por tudo o que ele representa. E saiba que antigos não restaurados, mesmo com sinais de uso (a pátina), são mais respeitados do que um modelo bem restaurado.
    Em casa tem um Chevette 1989 já há 17 anos na “família”. Passou por mim, meu saudoso pai e tudo indica que irá para meu sobrinho.

    • Fernando

      Obrigado! Com certeza prezo pelo que é original e tento manter como o vi a vida inteira. É a minha resposta sempre que me perguntam porque não alterar isso ou aquilo, e embora eu respeite a opinião de quem sugere, digo que tem muitos da forma como sugerem já hehe.

      Sobre os sinais, também partilho da opinião, e inclusive provam a idade do carro, e que não precisa ser perfeito(a uma perfeição em peças novas, porque se fosse assim dava para emplacar lojas de peças também hehe). Sigo alguns parâmetros de toda peça original, de a usar enquanto estiver boa, funcional e com aspecto somente levemente desgastado, continuo usando. Exemplo: os emblemas traseiros perderam parte da tinta prata, o que faz muita gente desconfiar ou achar que o carro é muito usado, porque dizem que um emblema é barato e dá visual de mais novo. As lanternas é outra coisa, pois tem aqueles trincadinhos de sol mínimos, e os piscas são amarelos, o que às vezes acham que estão desgastadas. Para os admiradores dos antigos GM, provavelmente sabem que essas peças são meio raras, afinal o Opala, Chevette e Monza usavam lanternas amarelas ao invés de laranjas bem no comecinho da década de 80, e no caso deste modelo do Chevette, isso foi exclusivo dos modelos 1983! Sendo que os piscas e lanternas traseiros dos 84-86 são iguais, somente trocando o tom de amarelo por laranja!

      Parabéns pelo seu na família também, e que continue nela!

  • Valmir Chicarolli

    Grande Fernando! Muito legal ler sua história! Mais legal ainda é presenciar este Chevette ao vivo! Parabéns!

    • Fernando

      Obrigado amigo “Varmi”! Abraços

  • Bronza

    Fernando, meu amigo de tantos anos, tua história com o Chevette é inspiradora. Ele, que te acompanhou desde o nascimento, vai continuar silenciosamente testemunhando a próxima geração que vem por aí. Só espero que daqui 50 anos ainda haja álcool combustível para abastece-lo. Abração!

    • Fernando

      Obrigado meu amigo! As pequenas histórias que temos sempre nos ajudam seguir adiante, tanto nos princípios que usamos por toda a vida e não esquecemos como na vontade de manter um pouco de nós naquele tempo ainda, esperamos o melhor para o futuro! rs Abraços

  • Carlos Cesar Kempis

    Fernando, que história bacana, me remeteu à minha infância quando eu esperava no portão meu avô voltar do trabalho, e após abrir o portão e com o carro já alinhado, descíamos a rampa, eu no volante e meu avô ao lado até a garagem (que era uma mini oficina, pois o avô era mecânico). Não esquecendo que fui o feliz proprietário de dois Chevettes, o primeiro um cinza 1984 L e o segundo um preto 1988 SL ambos a álcool. Saudades do meu avô e do meu pai que de maneiras distintas me iniciaram neste mundo autoentusiasta.
    Carlos Cesar Kempis

    • Fernando

      Obrigado Carlos! Legal compartilhar conosco também essas suas lembranças, são tantas coisas que acontecem na nossa vida que acho importante não deixar as doces lembranças de lado.

  • Carlos Cesar Kempis

    P.S.: No meu comentário o e mail estava incompleto, desculpem
    abs
    Carlos

  • Rafael Ribeiro

    Bela história! Meus avós não tinham carro, e meu pai não era lá muito entusiasta, assim minha paixão pela máquina veio de forma espontânea mesmo, lendo revistas (principalmente Motor 3). Minha experiência com Chevettes se resume às três Marajós que tivemos nos primórdios da pequena empresa familiar de meus pais, que usávamos para fazer entregas, ir ao banco, carregar matéria prima, “pau para toda obra” como se diz. Usávamos bastante e as trocávamos por outra mais nova. A última foi uma 1983, que usamos até o final daquela década. Carros simples, fáceis de dirigir (eu adorava provocar saídas controladas de traseira…) e de se manter. Depois delas, passamos a usar Fiat Fiorino, mais adequadas ao serviço, mas bem menos interessantes de guiar.

    • Fernando

      Obrigado Rafael!

      Como no texto, tivemos uma Marajó também! A história foi de salvação e perda: o meu pai vendeu um Corcel II preto e compramos uma Marajó SL 1981 se não me engano da primeira dona. Após uns 9 anos com ela, estávamos para comprar um Voyage, e então precisando vendê-la o meu avô a comprou. Então na verdade andei muito mais nela! Me lembro de voltar do mercado no porta-malas, revirando com as sacolas.

      Mas quando o meu avô nos deixou somente o Chevette foi salvo, e a Marajó foi vendida para um parente, e depois a outra pessoa com que perdemos o contato. Só encontrei essa foto, que está meio ruim, mas dá para ver os dois irmãos juntos!

      https://uploads.disquscdn.com/images/0fea61eac2f611132fd51ad890a66f6f546f00f3035b252f497a2dda2670c07c.jpg

      • KzR

        Uma bela foto. E duas gerações ‘diferentes’. O Pontiac e o Monzinha.

  • Domingos

    É muito mais legal o pisca amarelo. Eu nunca entendi porque só alguns Chevettes tinham e outros não, pensava ser diferença de fabricante ou coisa de idade mesmo.

    Agora sei!

    • Fernando

      E no Chevette é mais discrepante, pois as traseiras também são assim.

      No Opala e Monza, as lanternas traseiras nessa época tinham o indicador de direção em vermelho, então só tinha diferença nos dianteiros.

      O pior é hoje encontrar uma peça dessas, pois além de ser um fato quase desconhecido(o que faz algumas serem vendidas e o dono de um mais novo ficar até bravo com uma lanterna nova “desbotada”) para complicar os encaixes dos faróis e piscas Cibié e Arteb são diferentes! Haja paciência! rs

      • Domingos

        O Monza com lanterna vermelha era outro que pensava ser peça paralela, até ter visto há alguns anos que os modelos de lançamento eram todos assim – hatch e sedan.

        De fato, era um arranjo interessante. E essa dos encaixes não era exclusividade no mercado nacional, os Gols chegaram a ter 2 fiações diferentes para exatamente o mesmo desenho de lanterna.

  • Mário César Buzian

    Sensacional história!!
    Aqui em casa também tivemos um Chevette SL 1983, mas o nosso era bege claro com interno monocromático marrom, motor 1,6 a álcool e caixa de 5 marchas, valente o carrinho !
    Essa foto foi feita em 1984, no camping em Ubatuba, com toda a “tralha” sobre o bagageiro de teto:

  • RFEL89

    Histórias como essa nunca podem ser compradas e nem vendidas ….

    Ainda mais como foi tão marcante ..

    Meus parabéns pelo carro e que continue preservando essa raridade !!!

  • Christian Sant Ana Santos

    Tivemos Chevette, casa de meus pais, de 1978 a 1988, 1.6/S. Certa vez, meu pai presenteou nossa irmã com um 86 a álcool, quase zero, foi de um médico amigo que tinha dois, um beje e um branco., nos vendeu o beje mas avisou que estava bebendo demais, na realidade, o tanque do Chevette sedã era vertical e a bóia, a meia altura, vazava bastante até chegar na metade…Minha filha mais velha saiu da maternidade nesse Chevette, já a caçula, que gosta de carro, saiu no meu 1.6R, 93 álcool…

  • Fat Jack

    Sensacional!
    Parabéns pela bela história e pelo belo Chevette…

  • Bera Silva

    História curta, mas cheia de sentimentos. Parabéns por ter conservado este carro do jeito que ele sempre foi. Eu não teria conseguido segurar o ímpeto de mudar alguma coisa. Eu gostaria de ter o Chevette 78 do meu avô, o Escort Guarujá do meu pai, e mais alguns outros carros que passaram pela família; não pelo ter, mas pelas lembranças que carregam, como se fosse uma fotografia em três (ou quatro, contando o cheiro) dimensões.
    PS.: Interessante esse modelo de espelho retrovisor com a articulação em baixo, só tinha visto aquele cuja articulaçào é do lado e os últimos que parecem um corpo só com o suporte.

    • KzR

      Nesse o ímpeto mais forte é de preservar a originalidade. Só de olhar o antes e o depois, nem se notam diferenças!

  • O automóvel é o melhor instrumento que eu conheço para interagir com os mais profundos sentimentos pessoais. Parabéns pela história

  • KzR

    Brilhante conclusão, FCM. E uma bela história também. O Chevette branco está um brinco de novo. Continua semi-novo após tanto tempo. Parabéns pelo zelo.
    Bate-me até uma tristeza por não ter intercedido antes no velho Chevette de meu avô. Hoje estaria mais apresentável e vívido.

  • Roberto Eduardo Santonini Ceco

    Bela história, FCM. Parabéns pelo Chevette.

    Aproveito o espaço para informar aos edutores que o email para envio da história dos leitores deve estar com a capacidade de armazenamento excedida. Enviei minha história e voltou com essa informação.

    • Roberto Eduardo,
      Os três e-mails de domínio @autoentusiastas.com.br — bobsharp, autoentusiastas e historialeitor — descarregam do servidor no meu cliente de correio Outlook Express a cada 7 minutos, sendo portanto impossível que a capacidade de armazenamento lote. Tem certeza de que digitou historialeitor@autoentusiastas.com.br?

      • Roberto Eduardo Santonini Ceco

        Juro que sim.
        De qualquer forma, vou tentar novamente.
        Obrigado pela atenção, Bob!

    • Roberto Eduardo,
      Fiz um teste e descobri o motivo da recusa. A capacidade de armazenamento é pequena, apenas 1 MB. E-mail acima disso recusa. Mandei um e-mail sem foto entrou na hora. Mandei outro com anexo de 5 MB, recusou. Vamos ter de aumentar a capacidade junto ao servidor. Enquanto isso, se você vir que a foto ou as fotos ultrapassam 1 MB, por favor divida-as em e-mails de até esse tamanho.

      • Roberto Eduardo Santonini Ceco

        Bob, assim que chegar em casa, diminuo o tamanho das fotos e envio novamente.
        Mais uma vez, obrigado pela atenção.

    • Fernando

      Obrigado Roberto!

  • Fernando

    Caso não consigam uma saída para o envio das fotos no e-mail, pode tentar hospedá-las em algum serviço gratuito(ex: imgur.com) e então passar o link no meio do texto.

  • Fernando

    Caio, eu não estudei na ETELG mas desde que comecei o estágio trabalho bem próximo dela.