Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas A INAUGURAÇÃO DA FÁBRICA ANCHIETA DA VOLKSWAGEN – Autoentusiastas

Pois é, a Fábrica Anchieta da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, região da Grande São Paulo, começou a ser construída em 1956 e suas áreas foram sendo utilizadas à medida que as obras progrediam. Uma construção de 10.200 m²  num terreno de 1,852 km².

 

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Construção da primeira ala da fábrica, que era uma “mini-fábrica” que depois foi sendo ampliada em alas dedicadas às diversas tarefas de fabricação. Hoje ela é a Ala II.

Este projeto foi impulsionado pelos planos inicialmente traçados pelo presidente Getúlio Vargas, mentor dos planos de instalação de uma indústria automobilística brasileira; sua participação neste plano foi interrompida por seu suicídio em agosto de 1954. Ele tinha estabelecido as indústrias de base como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) — que foi desmontada nos EUA e montada em Volta Redonda — e a Refinaria Duque de Caxias. Com isto as chapas de aço e o combustível foram assegurados.

No dia 30 de outubro de 1953, Getúlio Vargas, tendo o então capitão de mar-e-guerra Lúcio Meira, membro da Comissão de Desenvolvimento Industrial da Presidência da República, a seu lado, visitaram o galpão da rua do Manifesto, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, onde a Volkswagen do Brasil se estabelecera no país em 23 de março de 1953. Ambos observaram atentamente automóveis Volkswagen que serviriam de modelo para a indústria nacional. É interessante notar que um dos carros expostos tinha teto solar de lona, versão que não foi montada ou fabricada no Brasil.

 

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Na foto, Getúlio Vargas olhando para o interior do carro; parado, ao lado da porta do Fusca, atrás dele, o alemão Friedrich Wilhelm Schultz-Wenk, presidente da Volkswagen do Brasil; à sua direita Lúcio Meira e ao lado dele quem parece ser o investidor Olavo Egydio de Souza Aranha Júnior, do Grupo Monteiro Aranha, que tinha 20% de participação na VW brasileira

Juscelino Kubitschek de Oliveira, empossado presidente da República em 31 de janeiro de 1956, tocou estes planos para frente com redobrado vigor ao criar em 16 de junho daquele ano o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia).  Ele teve a visão de nomear presidente do Geia o agora almirante Lúcio Meira, seu ministro da Viação e Obras Públicas. Caberia ao Geia acelerar o processo de implantação da indústria automobilística com a concessão de financiamentos e incentivos, bem como as metas de nacionalização, valendo-se do seu poder executivo e supraministerial.

Em alguns meses a Volkswagen estava montando o Fusca e também a Kombi, algo que a Companhia Distribuidora Geral Brasmotor, que desde 1949 detinha os direitos de importação e depois de montagem dos veículos VW no Brasil, não havia feito — as Kombis vinham praticamente prontas de Wolfsburg.

 

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Linha de montagem de veículos na rua do Manifesto, no Ipiranga. Na foto uma Kombi Pick-up, que levou tempo para ser fabricada no Brasil, só em 1967

 

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Detalhe dos gabaritos para a armação das carrocerias

Em 1956, a linha de montagem foi transferida para uma área pronta de uma ala da nova fábrica, construída em tempo recorde.

 

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A montagem de Fuscas na Fábrica Anchieta da Volkswagen do Brasil assumiu uma proporção bem maior do que na rua do Manifesto

 

Fuscas deixam linha

Em 1957, Fuscas de vidro traseiro oval, ainda montados a partir de CKDs, descem a rampa do viaduto da Ala II que era a saída dos carros prontos; esta foto tem sido usada erroneamente, inclusive pela Volkswagen do Brasil, como sendo a dos primeiros Fuscas nacionais, que já tinham vidro traseiro retangular

E as máquinas estavam se aquecendo para o lançamento do primeiro Volkswagen brasileiro, que foi uma Kombi, no dia 2 de setembro de 1957.

 

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Kombi 00001, uma foto que marcou época

Em termos de marcos históricos da trajetória da Fábrica Anchieta, seguiu-se a fabricação do primeiro “Volkswagen de Passageiros”, como o carro era chamado na época, no dia 3 de janeiro de 1959. A produção de Fuscas e Kombis corria em paralelo então. Infelizmente não se tem registro fotográfico deste primeiro Fusca nacional.

 

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Fabricação de carrocerias de Fusca e de monoblocos de Kombi na fábrica VW da via Anchieta

Mas a fábrica, apesar de pronta, não havia sido inaugurada… Só depois de resolvidos os problemas de agenda do presidente mundial da Volkswagen, Heinrich Nordhoff, e das autoridades brasileiras, chegou o dia da inauguração: 18 de novembro de 1959. O evento contou com a presença de personalidades ilustres, dentre outros o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, o governador de São Paulo Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto e, do lado da Volkswagen, Nordhoff e o presidente da Volkswagen do Brasil Friedrich Wilhelm Schultz-Wenk.

 

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No dia da inauguração, no banco de trás Juscelino Kubitschek — “JK” — e Carvalho Pinto; na frente, Schultz-Wenk dirigindo e ao seu lado Nordhoff, presidente mundial da marca

 

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Um segundo cabriolé participou da inauguração; no total foram usados quatro Fuscas conversíveis nesta cerimônia

A inauguração oficial da fábrica ocorreu três anos depois da “inauguração de fato”, que ocorreu em 1956 com a transferência da linha de montagem da rua do Manifesto para a fábrica. Com isto a fábrica VW perdeu três anos na contabilização de sua idade real.

Normalmente um empreendimento é inaugurado o mais rápido possível, mas aqui vemos um exemplo contrário, onde não houve pressa alguma para a inauguração.

O vídeo que se segue faz parte da minha palestra O Fusca no Brasil e mostra imagens da festa de inauguração. Uma grande quantidade de funcionários da fábrica teve a oportunidade de acompanhar a parte formal da inauguração. Alguns aspectos são muito interessantes, como o helicóptero Sikorsky H5 da Força Aérea Brasileira que trouxe JK para a inauguração e o Fusca cabriolé que já estava perto do ponto de pouso esperando o presidente. Nordhoff foi até o helicóptero para recepcionar o Presidente da República.

 

 

A Fábrica Anchieta conheceu dias de glória no auge da produção de Fuscas quando milhares de carros eram produzidos diariamente antes do advento dos robôs de produção.

 

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Em 1970 a linha de montagem do Fusca já tinha alcançado proporções significativas

Hoje em dia a Fábrica Anchieta está altamente automatizada e tem ótimas perspectivas de futuro dado aos planos que o Grupo Volkswagen tem para esta unidade. Desde seu início esta foi quebrando barreiras, como a produção do milionésimo Fusca em 1970; em 1979, um Fusca atingiu a contagem de cinco milhões de carros VW fabricados e em 1983 a cada 70 segundos um veículo saía das linhas de montagem!

 

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Em 1982 uma foto da avenida Vinte e Três de Maio em São Paulo mostra que a maioria dos carros que aparecem era Volkswagen, produzidos na Fábrica Anchieta

 

Reader’s Corner

da Coluna Falando de Fusca

Recebi do Volkswagenmaniaco Rogério Caldas de Oliveira uma crônica que conta a sua experiência, ainda como adolescente, na Fábrica Anchieta da Volkswagen do Brasil. Ele conta como viu e descobriu a Fábrica Anchieta montado numa bicicleta nos idos de 1986. A cinqüentenária fábrica vista através dos olhos de um jovem de 14 anos, algo diferente que o Rogério brinda aos amantes da Volkswagen:

A cidade Volkswagen Anchieta

Sou Rogério, eletricitário, tenho 43 anos e resido em São Paulo, Capital. Sobrinho de cinco tios que trabalharam na fábrica Anchieta da VW, conhecida como Fábrica I, sendo que um destes tios conseguiu intermediar um trabalho em uma empresa terceirizada que prestava serviços nesta unidade!

 

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Em 2011 o Rogério com o seu sobrinho e afilhado, Igor, com o “uniforme” de Herbie — o menino o adora

Começo minha história em 10/11/1986, quando iniciei meu primeiro trabalho na VW, como contínuo, no setor 1367, denominado Departamento de Obras e Manutenção, onde esta Gerência também respondia pela Manutenção Predial, Zeladoria e Jardinagem. Fui apresentado à secretária de origem alemã, muito eficiente (naquela época, a secretária já tinha um papel muito além do que fazer cartas e atender ao telefone, seria hoje uma assistente de gerência). Isto eu posso dizer que funcionava por toda a fábrica, nos diversos setores.
A fábrica era composta por 22 Alas, sendo que todas eram indicadas por algarismos romanos, onde os prédios, em regra , eram construídos em forma retangular. Já os prédios mais novos seguiam uma arquitetura mais atual. Os mais antigos seguiam um padrão de época, originário da VW alemã! Para aprender a localização dos setores, existia um padrão, ou seja, cada setor era indicado na Ala, e as faces correspondentes da Ala eram denominados através de pontos cardeais, com nomes da região, que o lado direcionava. Exemplo: Norte, São Paulo; Sul, Santos. Oeste, Santo Amaro. Leste, Anchieta. Fui descobrindo isto ao caminhar na Cidade VW! As ruas eram pavimentadas, com calçadas e demarcação para pedestres, e em pontos críticos existiam até semáforos! Muito bem sinalizadas, tanto para os pedestres como para os veículos que lá circulavam!

 

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Fábrica Volkswagen Anchieta tempos atrás: cruzamento da Ala III, à esquerda e Ala IV, à direita, controlado por semáforo manual, local por onde o Rogério costumava passar

Existiam algumas árvores, e acho que algumas foram preservadas desde a construção da fábrica! Agora, os jardins eram um exemplo de paisagismo! Em pouco tempo eu andava por todos os lados da fábrica! Logo, para ganhar mais agilidade, recebi uma bicicleta! Facilitou muito minha vida, pois entregava as CIs — Comunicações Internas, que eram datilografadas, pois os computadores eram aplicados somente em serviços restritos, como CPD — nos setores! Faço analogia ao mensageiro de guerra! Já o Gromow fez uma analogia que não tinha passado por minha cabeça, ou seja, eu era o que hoje chamamos de e-mail!!!
Entre uma correspondência e outra, também ia ao banco (Banco Nacional, o qual ajudou muito na carreira do Ayrton Senna), tirava cópias, pois naquela época havia uma central de cópias em cada Ala com um número significativo de escritórios! Também levava solicitações de impressos gráficos, pois  existia também uma gráfica na fábrica, porém sediada em um endereço único, Ala XIII, lado Santos!
Na Cidade Anchieta, assim se pode dizer, existiam em pontos determinados pequenas lanchonetes. Todas tinham o mesmo padrão de vendas de mercadorias, sendo os melhores fornecedores do mercado! Estas lanchonetes eram vinculadas ao setor de Alimentação, que também gerenciava os restaurantes, distribuídos em locais estratégicos pela fábrica! Falando de restaurantes, as refeições eram uma delícia, refrigerante de máquina à vontade e os pãezinhos da padaria própria! Não existia melhor em lugar algum! O que também chamava a atenção era o uniforme dos funcionários deste setor, todos branquinhos, como uma farda médica militar, com o logo VW estampado no bolso! Um sonho!!!
Outro local que me chamou muita atenção foi o Centro de Formação para Menores, onde se aplicava instrução de mecânica e elétrica para autos, semelhante ao que podemos chamar de Senai. Sempre passava pelos treinandos, observando sua aplicação e dedicação ao curso, sempre acompanhados por um instrutor muito bem capacitado!
Andando pelas ruas e alas, passava pela Ala XIV, onde existia a montagem final, que era outro sonho! Linha da Kombi, Santana, onde admirava toda aquela aplicação e concentração dos montadores, sempre atentos na montagem dos veículos! Nesta Ala, os veículos, após os testes finais, saíam diretamente para o pátio! Passava um bloco de veículos, por exemplo, Santanas e, logo atrás, uma Kombi! Esta trazia os motoristas de volta para a Ala, para recomeçar todo o processo de envio de veículos para o pátio, processo esse que era executado por vários comboios. Para um jovem de 14 anos isto era o máximo!
Por falar em Kombi, este era o VW que mais se via pelas ruas internas da fábrica, sendo o modelo para Passageiros, o Furgão ou Pick-up. Elas executavam todo tipo de transporte interno e a maioria dos modelos não eram licenciados. Estas Kombis possuíam uma placa com o nome e número do setor correspondente ao veículo! Já a Segurança Patrimonial e Corpo de Bombeiros tinham os veículos emplacados e sistema de segurança semelhante ao que temos no lado de fora da fábrica, ou seja, patrulhamento das ruas e atendimento às ocorrências nos setores, de qualquer origem, que atendiam, o que não podia ser diferente. Estavam sempre atentos, monitorando todo o complexo. Lembro-me perfeitamente de uma Kombi com escada tipo Magirus, nas proporções do veículo, do Corpo de Bombeiros. Na época a sua origem não me chamou a atenção, mas hoje, com o conhecimento que vamos adquirindo, acredito que esta Kombi era da Alemanha, pois vi modelos semelhantes em livros com fotos dos anos 1980 referentes à VW alemã! Também havia uma Kombi, com a carroceria à frente da cabine, sendo a cabine acima do motor! Muito legal e chamava a atenção de qualquer visitante! Hoje, através do Gromow, pude descobrir o verdadeiro nome desta Kombi, que em alemão chama-se Pritschen Wagen! Uma raridade!
Como a Kombi era soberana nas ruas da VW, o que não poderia deixar de ser, outro modelo comum pelas ruas da fábrica era o Santana e o Santana Quantum, modelos exclusivos para gerentes e diretores, sua maioria modelos completos como o CD e subseqüente GLS!
Agora, outro veículo que algumas vezes transitava pelas ruas era o Fox, versão do Voyage destinado aos mercados americano e canadense. Este veículo me chamou a atenção pela primeira vez, pois existia uma luz no vidro traseiro que até aquele momento nunca havia visto em outro veículo, que hoje, chamamos de brake light, tão comum nos veículos atuais!
Esses Voyages eram usados em teste pela engenharia da fábrica e quando algum engenheiro utilizava um modelo pelas ruas internas, não só eu, mas os funcionários em geral, paravam para ver as diferenças do modelo americano para o brasileiro. Visualmente eram percebidas mudanças nas calotas, faróis, indicadores luminosos nas laterais dianteiras e traseiras, brake light, emblema Fox e um adesivo no vidro traseiro, acima dos filamentos térmicos do desembaçador do vidro, com a frase: MADE IN BRAZIL! Também existia uma versão que poucos devem conhecer: era a Fox Wagon, que nada mais era que a nossa famosa Parati. Mas vale lembrar que estes dois veículos possuíam mais de 100 itens de diferença em relação ao modelo brasileiro para atender o padrão de exigência dos Estados Unidos e Canadá!

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Capa do folheto de vendas dos acessórios do VW Fox 1987 “Made in Brazil” impresso pela VW do Canadá que valia para os EUA também

Finalizando, gostaria de fazer um pequeno comentário sobre a VW Caminhões que se situava na av. Dr. José Fornari, paralela à Via Anchieta, sentido São Paulo! Está fábrica, que utilizava as antigas instalações da Dogde Caminhões em um terreno que pertenceu à antiga Brasmotor, crescia a cada dia, mantendo um paralelo à VW automóveis, mas quero comentar uma curiosidade sobre estas duas fábricas! Como uma fica paralela à outra, porém divididas pela minha amada Via Anchieta, foi feito um túnel para pedestres sob a rodovia ligando as duas fábricas, porém fora da divisa de portões, ou seja, público! Hoje, como a VW Caminhões se mudou para Resende, RJ e no local existe outro grande complexo, sem vínculos com a VW, este túnel ficou praticamente abandonado! O mais curioso é que os milhares de motoristas que passam por esta rodovia não imaginam que transpõem este túnel, e o legal é que em janeiro de 2009 fui revisitá-lo e até que ele está em pleno funcionamento, porém sem a utilização que ele proporcionava aos funcionários da VW nos anos dourados!
Em 1988, o contrato da empresa que eu trabalhava não foi renovado e tive que me despedir da Fábrica Anchieta! Foi muito triste, pois eu amava tudo aquilo! Mas não me revoltei e entendi que era um funcionário terceirizado e não um funcionário VW e prometi que a paixão pela VW não ia acabar e não acabou! Desde meu primeiro veículo, até hoje, só possuí VWs! Possuo um acervo de revistas e livros que considero bastante rico e importante sobre a história da VW! Tenho uma respeitável coleção de miniaturas de VW e Porsche, em várias escalas! Possuo o Azulão, um VW Sedã 1969 que simboliza toda a paixão que tenho pela VW do Brasil e pela Unidade Anchieta! No dia 23 de dezembro de 2009 o Azulão fez 40 anos de vida e leve-o até à Portaria  Anchieta da VW e tirei uma foto comemorativa, juntamente com os 50 anos da VW Anchieta! Ele merece este presente! A VW merece este presente!

 

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O Azulão, Fusca 1969 do Rogério, comemorando os 50 anos de inauguração da Fábrica Anchieta em 2009

VW Anchieta! Fábrica I! Parabéns pelos seus 56 anos de vida e tenho o máximo orgulho de ter-lhe conhecido, respeitado como um grande local de trabalho e de ter construído o melhor carro do mundo! Vocês, equipe VW, fizeram aqui no Brasil a concretização da missão para o qual o Käfer foi construído!!! Colocar o povo brasileiro sobre rodas, iguais às que transportaram o povo alemão!

 

AGr

Nota do Autor: este material foi originalmente publicado na minha coluna “Volkswagen World”, do Portal Maxicar (www.maxicar.com.br) e esta publicação ocorre de comum acordo com o meu amigo Fernando Barenco, gestor do MAXICAR, companheiro de muitos anos de trabalho em prol da preservação dos veículos VW históricos e de sua interessante história. O conteúdo foi revisado, ampliado e atualizado. O seu conteúdo é de interesse histórico e representa uma pesquisa bastante aprofundada do assunto. Pesquisas complementares na internet. Ilustrações: pesquisa na internet, acervo próprio, do Museu da República e do acervo de Waldecir Arrais e de Edivaldo Hidalgo Fernandez, a quem agradeço. Agradeço especialmente ao depoimento, também atualizado, do amigo Rogério Caldas de Oliveira que participou desta primeira edição do “Reader’s Corner” (Canto do Leitor) aqui na coluna Falando de Fusca no AUTOentusiatas e que trará contribuições de meus leitores.
A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

  • Leonardo Mendes

    Meu pai, em 89, comprou um Santana e uma Quantum GLS, ambos automáticos… e depois de uns 2 anos de uso o câmbio dessa Quantum apresentou problemas.
    Só sei que fomos buscar a Quantum nessa fábrica… um funcionário (presumo ser um engenheiro ou algo semelhante) trouxe o carro e conversou com meu pai a respeito… e eu só olhando pro tamanho da fábrica, nunca o termo “cidade” fez tanto sentido pra mim como naquele dia.

    Meu pai contou que no começo dos anos 70 houve um incêndio de grandes proporções nessa fábrica, que chegou a afetar a produção de alguns carros.

    • Caro Leonardo Mendes,
      Os câmbios automáticos naquela época não eram consertados no Brasil, eram simplesmente trocados por novos e isto era feito na Ala 0 (zero) da Fábrica Anchieta; eu me lembro ter visto estantes mais estantes com câmbios automáticos por lá. Era uma cidade sim e para milhares de funcionários; o grau de automação era pequeno. Mas a CUT deu um incentivo extra ara acelerar a automatização da fábrica…

      Sim houve uma grande incêndio…
      O incêndio na Ala 13 começou à 8h00 da manhã do dia 18 de dezembro de 1970 e foi considerado debelado dois dias depois.
      A Ala 13 era um prédio de 3 andares que abrigava em seu primeiro andar estoque de insumos para tapeçaria, tais como espuma, borrachas, etc.
      No segundo andar estava a parte de pintura por eletroforese (tinta deposta eletrostaticamente sobre o metal) usada nas camadas de tinta fundo; e um estoque de pneus.
      No terceiro andar estavam as cabines de pintura de acabamento. No total esta Ala tinha aproximadamente 30 mil metros quadrados.
      Foi uma catástrofe para a fábrica que amargou pesadas perdas em seu sistema produtivo e contabilizou um morto e dois feridos graves.
      Na foto abaixo (baixada da internet) se pode ver a área da Ala 13 destruída pelo incêndio:

      • Rafael Ramalho

        Sr. Alexander, a CUT? Central única dos trabalhadores? Poderia dizer como ajudaram? Obrigado.

        • Quando falei que a CUT ajudou no grande esforço de acelerar a automatização da Fábrica Anchieta, caro Rafael Ramalho, por favor entenda o sarcasmo que usei…
          Sim, pois computador e robô não fazem greve, e trabalham com grande precisão e de modo incansável. Ficou mais claro?
          Sobrou dúvida é só falar…

  • Daniel S. de Araujo

    Alexander, fiquei emocionado com seu post de hoje porque meu avô, João Prosperi de Araujo, foi o Engenheiro e Empreiteiro que ergueu os primeiros 50 mil metros da fábrica da Anchieta. Meu pai tem, inclusive, o atestado da obra onde a Volkswagen declara que meu avô foi o responsável pela construção, com sua empresa.

    • Salve Daniel S. de Araujo,
      Uma informação preciosa esta sua, e acho que podemos nos aprofundar neste assunnto.
      De acordo com as primeiras placas de identificação da construção da Fábrica Anchieta a empresa de Engenharia e Construções Freitas, Jank & Cia. Ltda, foi indicada como responsável pelo projeto e construção dos edifícios e as instalações ficaram a cargo da Henrique Momo & Filho. Mas com a sua informação seria muito interessante encaixar a empresa de seu avô no esquema que construiu esta fábrica e de completar as informações sobre quem participou da construção deste empreendimento gigante.
      Esta carta de referência ainda existe? Ela é um documento de época interessantíssimo e preciso…

      • Daniel S. de Araujo

        Alexander, essa carta existe sim. Pedirei a meu pai para localizar e encaminharei a você.

        • Muito bacana a perspectiva de ver esta carta de referência e de resgatar mais uma parte da história, caro Daniel S. de Araujo.

  • Aldo Jr.

    Circulei muitos anos por estas instalações, mas como fornecedor. Tinha até autorização para entrar com meu carro, de tanto que estava por lá. A organização e a limpeza eram impressionantes, totalmente diferente de tantas outras empresas que visitava; assim como o profissionalismo, competência e engajamento de seus funcionários. Quando assistia a ocorrência de uma greve, (das tantas que houveram, na época), ficava me perguntando o que mais aquele povo podia almejar, em face da realidade bastante diferente que o trabalhador enfrentava fora dali. Pena que o perfil fabril tenha mudado tanto, e que unidades grandiosas como essa jamais voltarão a existir. Bela matéria! Abraços;

    • Grato pelo interessante depoimento, caro Aldo Jr.
      Mas você, como era um visitante assíduo desta fábrica, deve saber muito bem que organização, a saber a CUT, e que pessoa, insuflaram tantas greves, e muitas contra os próprios funcionários, visto que muitos acabaram sendo dispensados em função de greves…
      Não é a toa que as fábricas foram se expandindo fora de São Bernardo co Campo.

    • Franklin Weise

      Também visitei lá como fornecedor, há mais de 15 anos. O que destoava do restante era o departamento de compras, instalado numa casa de madeira bem precária que, pelo que entendi, era uma estrutura provisória da época da construção dos galpões que foi mantida como definitiva.

  • Mr. Car

    Aula de história by Prof. Alexander Gromow, he, he! Muito interessante também a narrativa do Rogério Caldas. Pela primeira vez tenho notícia da existência do Fox Wagon, para o qual, ao contrário do Fox, não me lembro de ter havido divulgação à época. Me recordo que nas conversas que tinha com outros doidos por carros, todos ficavam impressionados com as “mais de cem” diferenças do Fox em relação ao Voyage, para se adequar às exigências americanas. Cheguei a ver o Fox em um filme ou seriado americano, não me lembro. Há algum no Brasil? Seria bem curiosa uma matéria esmiuçando este carro (com fartas fotos, he, he!), uma vez que mesmo quem sabe de sua existência, o desconhece em maiores detalhes. Outra coisa: adorei a foto de 1982, tempos de trânsito colorido. Mesmo sendo pequena e não dando para identificar claramente, embora haja carros escuros, parece não haver sequer unzinho carro preto, cor (ou ausência de cor, como queiram) que domina e monotoniza (essa palavra existe?) as imagens do trânsito capturadas em foto, vídeo, e claro, também em retina, hoje em dia. Coisa chata. Muito chata!
    Abraço.
    Para pensar: “Deus fez a mulher como anjo incumbido de zelar pela nossa alma. A nós, deu a força, e a elas, deu as lágrimas, para que pudessem arcar com metade das nossas dores”. (Dumas Davy de La Pailleterie = Alexandre Dumas, pai)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=Z9NAWnYOABI

    • Maycon Correia

      Mr.car,
      A UFSC tinha uma Fox Wagon dessa, não lembro a placa para saber se ainda existe, mais era algo entre 1987 e 1990. E era muito inteira, inclusive o pessoal do departamento de jornalismo andava com ela sempre de vidros fechados. Ultima vez que a vi foi em 2011.

      • Agora, caro Maycon Correia, uma foto deste carro seria super interessante, não é mesmo???
        Um exemplo de arquivo:

        • Maycon Correia

          Ilustre Alexander,
          Ela era branca, inteiramente original, com essa frente ainda, tinha a o limpador traseiro recuado no canto de cima, não tinha rack no teto.
          Não tenho foto dela pois o celular de trabalho era sem câmera. Mais vou descobrir se ela existe ainda, tenho um conhecido que ainda não se aposentou lá na UFSC

        • Celio_Jr

          Algo curioso do Voyage/Fox 4 portas, é a supressão do quebra-vento. Medida adotada apenas nesta configuração, até onde sei.

    • Leonardo Mendes

      Quando eu era garoto eu dizia que Kleiton & Kledir eram o “Alfa Romeo” da música nos anos 80, tão diferente e sofisticado era o som que faziam.
      E são da terra natal de minha mãe, Porto Alegre.

      Minha favorita deles é Fonte da saudade.

      • Mr. Car

        Muito bem lembrado, também é das minhas preferidas.

    • Salve Mr.Car,
      Grato por seu post. Acho que existiram alguns Fox por aqui, o Maycon Correia relatou sobre uma versão perua que pertencia à UFSC.
      Concordo com você plenamente sobre as cores dos carros que eram muito mais alegres, e eu até fiquei meio chateado quando do lançamento do novo UNO em cuja propaganda descaradamente tentou assumir a hegemonia do usos de várias cores. as cores dos veículos VW eram muito bacanas e isto há muito tempo.
      Fico contente com o sucesso que a narrativa do amigo Rogério Caldas está fazendo, isto mostra que o “Reader’s Corner” pode ser uma complementação interessante para minhas matérias.

  • Maycon Correia

    Alexander,
    Cada segunda-feira a felicidade de poder conhecer um pouco mais sobre os Volkswagens nacionais!
    Fabuloso esse pedaço da história da fábrica. Foi interessante também a ajuda das outras fábricas à Volkswagen após o grande incêndio do dia 18/12/1970! Vários foram pintados na Toyota e na Chrysler.
    Meu carro passou por ali uns dias antes. Etiqueta de ok da pintura tinha data de 13/11 e 16/11/1970. Ele foi vendido em 03/12/1970… Diziam que os de 1971 não prestavam por não ter o mesmo tratamento anti ferrugem e não ter padrão de pintura VW. Infelizmente esse acidente causou a morte de algumas pessoas e a retirada da linha VW1600 de 4 portas. Prejuízos talvez, pois o seguro tinha cobertura por lucros cessantes. E eu acredito que os únicos prejuízos para nós antigomobilistas foram perdas de reposições para tecidos de bancos.

    • Carlos A.

      Olá Maycon Correia, interessante suas informações com as datas referente ao seu carro e demais detalhes de época. Eu sabia apenas que havia ocorrido esse incêndio na década de 70 mas não as demais informações.

    • Pois é Maycon Correia, este incêndio na Ala 13 foi catastrófico mesmo, mas os registros oficiais falam de um morto e dois feridos graves. O pior é, e que poucas pessoas sabem, que a linha de pintura eletroforética tinha um sistema de combate a incêndio por CO2 que “andava” desligado! A qualidade da proteção anti-ferrugem dos carros fabricados durante o tempo de reconstrução da Ala 13 foi realmente muito prejudicada pela falta da aplicação do fundo na pintura eletroforética, e, aliada a uma queda temporária de qualidade das chapas, levou alguns carros a condições péssimas de qualidade, como o Karmann Ghia TC, algumas unidades já chegavam enferrujadas nas concessionárias…

      • Maycon Correia

        Alexander,
        Ao andava desligada foi o tiro de misericórdia!
        Um senhor que trabalhava trazendo chapas de aço virgens falou que as chapas eram descartadas pela Volkswagen por estar iniciando processo de ferrugem, atravessavam a Via Anchieta e eram prontamente compradas pela Chrysler!
        Já esse processo de proteção recém inaugurado, vejo meu carro sem problemas de ferrugem corriqueiros de outros Fuscas, a pintura dele original era bonita e ficava brilhando apenas em esfregar estopa suja de polidor! Porém ele já estava rajado de bege e fundo branco, onde pintamos ele em 23 de setembro de 2005. Aí ele voltou a ser bege claro e não bege rajado!
        Os outros carros de pouco tempo depois conheço um bege semelhante porém com bancos pretos, está com algo perto de 35 mil km originais e é segundo dono! Foi fabricado em fevereiro de 1971 e não tem aquele brilho que o meu desbotado tinha, não era aquela casquinha de laranja que brilha até na luz da lua, mais parecia um Duco bem feito em estufa e polido as 6 da tarde de sexta!
        Após isso tinha um 1972 na linda cor laranja Monza, que esse sim era perfeito e reluzente igual o meu foi!
        Hoje o meu é bem bonito e bem pintado (pintura muito bem feita sem estufa) mais ele ganha outro banho de P.U ano que vem!

  • Davi Reis

    Que história fascinante! Essa fábrica da Anchieta é mesmo um marco na nossa história automobilística, cenário da imaginação de muita gente: protótipos nunca oficializados, carros de competição e maternidade de milhões de carros que rodaram ou ainda rodam por aí. Acho que não existiria ninguém melhor do que você, Alexander, para nos brindar com mais esse belíssimo texto!

    • Caro Davi Reis, obrigado por seu comentário!
      Sim há muitas histórias sobre as fábricas da Volkswagen, e isto se aplica à Fábrica Anchieta que foi a maior fábrica da Volkswagen fora da Alemanha. Fica ai aberto o canal para quem tiver coisas que gostaria de contar, como o Rogério Caldas fez. Testemunhos sobre as fábricas são documentos que valem à pena serem registrados para que depois fiquem à disposição das geração futuras que se interessarem sobre a história da indústria automobilística brasileira.
      Só fico triste com o tanto de causos e histórias que estão a se perder sem o devido registro, mas você pode ter certeza que o que eu consigo “farejar” corro atrás e tento registrar.

  • BlueGopher

    Será que hoje vislumbraríamos no horizonte governamental a capacidade de desenvolver um projeto com a seriedade do Geia, dirigido por uma pessoa competente como o almirante Lúcio Meira?
    Não foi fácil estabelecer naquela época toda uma indústria automobilística, atrair e desenvolver uma cadeia de fornecedores, limitar interesses de empresas (ex: Ford e GM não foram autorizadas a produzir automóveis, apenas caminhões), e assim por diante.

    Infelizmente parece que atualmente a capacidade de planejamento e a análise dos verdadeiros interesses do país foram soterradas por egoísticos interesses pessoais e partidários.
    Exemplo típico da nossa época são projetos como a inconsequente, irresponsável e inacabada transposição de um rio sem água, onde imensas fortunas foram desperdiçadas, diversos sistemas de transporte público abandonados sem conclusão, e coisas do gênero.

    Que tristeza.

    • Caro BlueGopher, muito bacana este seu cometário desabafo, muito justo aliás e que eu apóio.
      Eu gostaria de reforçar aqui o conceito de reconhecimento pela importante contribuição do Getúlio Vargas à industria automobilística brasileira. Há uma parte da história que eu vou abordar em uma matéria futura, que talvez será um pouco árida, mas que irá tanger o caráter germanófilo do governo de Getúlio. No fim das contas ele, forçado pelos afundamentos de barcos mercantes brasileiros por submarinos alemães (se bem que é voz corrente entre muitos historiadores que aqueles submarinos especificamente eram americanos pintados com insígnias alemãs – especialmente para forçar a opinião pública brasiliera contra o Eixo) acabou dando um jeito e vender caro a participação do Brasil ao lado dos Aliados. Parte deste preço foram a CSN (que o GRANDE Lúcio Meira também dirigiu – no fim de sua carreira profissional) e a Refinaria Duque de Caxias. Uma parte da história que vale à pena estudar…

      • BlueGopher

        Aguardamos sua matéria!
        Foge-se do assunto Fusca, mas o início da industrialização brasileira é algo muito interessante, grandes empreendedores, a quem o país deve muito, estão hoje esquecidos, nem nas escolas são lembrados.
        Ensina-se a história formal do descobrimento do país, mas pouco se fala dos que realmente construíram o país.
        Ao contrário de outros países, por que desmerecemos os verdadeiros grandes vultos de nossa história?
        Abraço!

    • Antônio do Sul

      Os oficiais das Forças Armadas ligados às áreas técnicas e de planejamento prestaram grandes serviços ao país: graças a eles, tivemos a implantação da indústria automobilística no Brasil, a criação da Embraer, o desenvolvimento de uma tecnologia para enriquecimento de urânio, o desenvolvimento dos motores a álcool, o planejamento e implantação dos sistemas de geração e distribuição de energia elétrica, implantação dos correios e de um sistema de telefonia decente, dentre muitas coisas que devo ter esquecido de mencionar.

      • Antônio do Sul
        De acordo com tudo o que você disse, exceto o Proálcool. Esse foi o grande erro do governo Geisel, já falamos bastante sobre isso aqui. O álcool apenas substitui a gasolina, que na época (1975) já sobrava por conta do nosso perfil de consumo, em que o diesel era o combustível-mãe. Estaríamos bem melhor que álcool fosse apenas um oxidante (aditivo) da gasolina a 10%.

        • Concordo plenamente Bob, não querendo acordar os mortos, mas o engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, sempre se posicionou contrário ao uso como foi feito do álcool de cana de açúcar como combustível para veículos automotores. Se bem que, hoje em dia, tempos outras matérias primas para a produção de álcool, que não a cana de açúcar, que parecem ser muito promissoras. Eu, particularmente, não concordo com o álcool de cana de açúcar.
          By the way, no contexto de meu trabalho no Projeto Itaipu eu viajava muito para Assunção, no Paraguai. Em uma das viagens eu presenciei o lançamento, pelo então presidente Stroessner, do Proal… Plano paraguaio de álcool veicular; que se tornou necessário devido à quantidade de carros a álcool que atravessaram a fronteira ilicitamente (e eram “oficializados” facilmente) e que não tinham o combustível adequado…

        • Antônio do Sul

          Eu já imaginava, Bob. Para mim, o maior erro do regime militar foi não ter mudado gradualmente o modelo econômico de substituição das importações. Nos governos Geisel ou Figueiredo, já deveriam ser tomadas, de maneira gradual, as medidas de abertura das fronteiras e de diminuição da participação do Estado na economia. Na década de 1970, já éramos a oitava economia do mundo capitalista, não sendo mais necessário, então, que o governo atuasse como empresário. Já havia, nessa época, grandes grupos econômicos nacionais e estrangeiros que poderiam assumir a nossa indústria de base e mesmo atividades relacionadas à nossa infra-estrutura, como a operação de portos e aeroportos, por exemplo. A nossa indústria já tinha uma escala de produção que lhe garantia uma musculatura razoável, e a abertura gradual das fronteiras a teria preparado adequadamente à concorrência externa.

  • Fórmula Finesse

    Eu imagino os sentimentos (de toda a ordem), as lembranças, os ecos do passado congelados entre as paredes de uma fábrica que abrigou e abriga milhares de pessoas…um verdadeiro repositório de toda dor e alegria humana, de esforço, de empenho e de…orgulho!
    Uma cidade, uma verdadeira cidade com passado e presente – grandiosa demais para aquilatar em qualquer post…
    Ótimo texto Alexander!

    • Realmente, Fórmula Finesse, há um conflito de sentimentos enorme quando se acompanha uma fábrica como a Fábrica Anchieta. Eu a acompanho desde a década de 70 e vi muita coisa mudar, da metodologia muito intensiva em mão de obra até o estágio atual que é um exemplo de automação levada a um moderníssimo estágio da arte. O último suspiro “dos bons tempos” que vi, com muita tristeza, foi a fabricação da Kombi, isto numa visita histórica, algumas semanas antes do seu encerramento definitivo. Pena que não era permitido filmar ou fotografar… No fim da visita eu me surpreendi ao me ver abanando com os braços abertos e dizendo em voz alta “Adeus querida Kombi”, outros membros do grupo devem ter achado que eu estava pirando… E dai??? Era o que eu sentia naquele momento.
      Também testemunhei a despedida da linha de produção do Fusca Itamar e visitei a linha de fabricação do Fusca e da Kombi antes de 1986…
      Sim, posso dizer que sou testemunha ocular de tudo isto.

  • Carlos A.

    Senhor Alexander, muito legal toda a História da VW do Brasil. Quero assistir o vídeo com calma – farei isso a noite. Adoro toda história sobre os automóveis ainda mais quando o texto está ilustrado com fotos de época.
    Obrigado por compartilhar conosco todo esse conhecimento!!
    E ao Rogério Caldas de Oliveira, também vai um agradecimento especial pela forma detalhada como descreve toda a fábrica, parece que estou lá, vendo tudo que o Rogério descreveu.
    Por último, acho que o “Azulão” merece um texto na área do leitor, espero que o Rogério escreva sobre seu querido Fusca!!

    • Grato Carlos A.
      Há muito tempo que eu tenho por meta dividir o conhecimento que eu vou adquirindo. Dei aluas particulares (foi assim que eu consegui comprar o meu Fusca). Também dei aulas em vários níveis, da Admissão ao Ginásio, Ginásio, Madureza (alguém lembra o que era isto?) e finalmente na Universidade, onde fui até escolhido como professor homenageado…
      Agora o meu foco são meus livros, artigos e palestras.
      Fico contente que você está apreciando o material que eu estou colocando à disposição em meus artigos.
      O Rogério Caldas de Oliveira certamente vai ler seu comentário e em pouco tempo teremos o material que você “encomendou”.

      • Carlos A.

        Prezado Alexander, obrigado pela resposta! Muito interessante sua história e carreira, e o foco na compra do seu Fusca. Fico no aguardo de novos conhecimentos seus que serão transmitidos a nós leitores do Ae.
        Preciso arrumar um tempo para pesquisar, comprar e principalmente para ler seus livros pois também tenho Fusca e adoro em especial os assuntos ligados a esse carro.
        Continue dedicando-se então aos livros, artigos e palestas!
        Fico no aguardo do Rogério Caldas de Oliveira, tomara que ele nos brinde com mais uma história sobre Fusca.

  • Salve, caro petrafan,
    Fazer arqueologia automobilística por aqui nem sempre é uma tarefa fácil, há muita cosa cujos rastros e vestígios já desapareceram.
    Sim “aquilo lá” na Rua do Manifesto, hoje descaracterizado e usado como atacadão, é onde ficava o galpão que foi o primeiro endereço da VW no Brasil.
    Este era um dos endereços que eu achava ser predestinado para um museu ou centro histórico da VW no Brasil, teria sido muito bacana preservar a sua história desta maneira.
    Outro endereço que teria caído como uma luva, teria sido a antiga fábrica da Simca, logo ali, do outro lado da Achieta e acessível por uma passagem subterrânea. Ou seja era um próprio da VW, que tinha assumida a então Dodge, ficava fora do terreno da fábrica (que é de acesso controlado e complicado) e tinha um espaço fantástico para um museu e um centro cultural ligado ao automóvel que poderia até ser uma mini-Autostadt.
    Mas isto tudo não passam de sonhos de quem gostaria de ter estes espaços por aqui, a dura realidade é aue a VW do Brasil nem cogita em fazer algo parecido (ao passo que a VW da África do Sul, que é muito menos e menos significativa, tem um museu singelo – mas tem).
    lembro que falei sobre isto, museu da VW no Brasil, com o Pierre Alain de Smedt, que disse ter um grupo de trabalho estudando isto, na época. mas eram tempos da Autolatrina (eu escrevi latrina de propósito)…

  • Salve Fernando,
    Grato por seu post. Quanto à questão de um museu, já me posicionei no post acima, por favor, dê uma olhada lá.
    Muito bom, você aderiu a meu sarcasmo sobre a questão da influência da CUT em São Bernardo do Campo…

  • Alexsander Schuquel

    Mais uma vez uma excelente matéria amigo. Mesmo sendo fusqueiro ativo há quase 10 anos, descobri fatos que nunca imaginara. Novamente lhe parabenizo pela grande matéria, e fico muito feliz em poder divulgá-la em meu blog. Forte abraço e sucesso!

    • Grato pela divulgação da matéria, meu caro Alexsander Schuquel. com isto você também está divulgando os AUTOentusiastas com um todo!!!
      Valeu!

  • pkorn

    Alguém sabe o que foi feito da Kombi 00001?

  • Valeu caro Rogério Caldas,
    Vamos continuar trabalhando em prol do Fusca e de sua história, pois ainda há muito coisa para “descobrir” como é o caso da matéria que vai entrar on-line na segunda-feira…
    O canal está aberto no Reader’s Corner, para você e para quem quiser submeter algo pertinente com o meu trabalho que, depois da devida análise venha a ser aprovado para aproveitamento.
    Um abraço caro amigo!

  • Deveria ter sido resgatada para fazer parte do acervo da Fábrica e para um futuro museu…