Depois que o último Fusca fabricado em Puebla, no México, em 2003, deixou a linha de montagem, uma lenda passou para a história em grande estilo. Mas, será que as múltiplas despedidas do Fusca de todos os locais onde foi montado ou fabricado foram assim? Entre saber das histórias das muitas despedidas e colher dados para elaborar um artigo, a distância foi grande. Foram necessários muitos contatos e muito tempo passou até que o material foi finalmente reunido. Alguns dos documentos são muito raros e serão de interesse para quem segue a trajetória do Fusca no mundo.

O carro foi montado e produzido em vários países e, geralmente, a sua trajetória começava com a importação de veículos prontos, depois totalmente desmontados (CKD, completely knocked down) e montados localmente, para finalmente serem fabricados, conforme mostra o mapa-múndi abaixo. Em muitos casos as montagens locais foram iniciadas devido a questões fiscais, com vários países impondo pesadas taxações à importação de carros e/ou concedendo benefícios fiscais para produção local.

 

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Mapa-Múndi com a indicação das localidades onde o Fusca foi montado, produzido, ou ambas as alternativas não necessariamente nesta ordem (fonte do mapa-múndi: livro ‘Der Käfer I – Eine Dokumentation de Etzold”)

Heinrich Nordhoff, ao assumir a direção da Volkswagen em janeiro de 1948, logo se preocupou com a disseminação do besouro pelo mundo de maneira ampliar ao máximo produção e vendas. Isso porque a fábrica estava prevista para ser desmantelada após a II Guerra Mundial, dentro das metas de desnazificação da Alemanha impostas pelos vencedores aliados, e o sucesso do besouro — e, por conseguinte, do seu novo trabalho — era crucial para que fábrica permanecesse autorizada a continuar operando.

O desmantelamento vinha sendo protelado graças principalmente ao empenho do Major Ivan Hirst e do Coronel Charles Radclyffe, das forças de ocupação inglesas, que puseram a fábrica para produzir ainda em 1945, embora precariamente, por as instalações terem sido seriamente danificadas pelos bombardeios dos aliados no final de 1944. O empenho dos oficiais se baseou numa Alemanha derrotada na guerra e alemães sem muitos meios de comprar carros, vislumbrando aí um promissor mercado. Mas os altíssimos custos para recuperar a fábrica ainda estavam em aberto — sem esquecer que o seu projeto original ainda não tinha sido concluído. O dinheiro necessário poderia vir das vendas do Fusca no exterior.

Sendo assim, o esforço expansionista de Nordhoff permitiu que, já a partir de 1953, o Fusca fosse fabricado ou montado na África do Sul, Austrália, Bélgica, Brasil, Irlanda, México, Nigéria e Nova Zelândia. Valia tudo, vendas diretas ou vendas de kits de montagem e cobrança de royalties. Seguiram-se vários outros países, dentre eles o vizinho Uruguai.

Vamos ver os resultados de nossa pesquisa, que ainda tem espaço para novas descobertas. A busca continua!

 

Costa Rica

Conforme Álvaro Lopez, presidente do Vocho Club da Costa Rica, o Fusca foi montado em seu país a partir de CKD’s mexicanos, entre 1971 e 1975, inicialmente pela empresa Auto Técnica e depois pela Coopesa. Uma lei que limitou os motores de carros populares a 1.200 cm³ encerrou silenciosamente a montagem de Fuscas por lá.

África do Sul

O Fusca chegou à África do Sul em 1951, na cidade de Uitenhague, como reportou John Lemon, autor do livro Classic Car Africa. Uma fábrica pertencente à South African Motor Assemblers começou a montar os carros juntamente com os de outras marcas. Líder de mercado por 11 dos 28 anos de montagem e fabricação, o Fusca saiu de linha no dia 18 de janeiro de 1979 numa singela cerimônia

 

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Último Fusca da África do Sul em Uitenhague, 18 de janeiro de 1979

Este carro está preservado no AutoPavillion, que é o museu da fábrica local, conforme mostram as fotos enviadas por seu diretor Johan Wagner. O John fez um resumo da trajetória do Fusca na África do Sul para a revista Autodealer, exemplar de 30 de outubro de 2012. O material, em inglês, pode ser acessado aqui.

 

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Foto atual do último Fusca sul-africano no AutoPavilion, onde estão outros modelos históricos da Volkswagen da África do Sul; a África do Sul tem o seu pequeno Museu VW, por aqui continuamos na espera…

Austrália

Na Austrália o Fusca chegou no fim de 1953 e começou a ser vendido no início de 1954. Para usufruir de incentivos fiscais para produção local, a montagem de Fuscas foi iniciada em junho de 1954 pela Regent Motors, de Melbourne. Em 1957 foi fundada a Volkswagen Austrália, que passou a fabricar carros em 1960. Para ir aumentando o conteúdo de fabricação local, empresas alemãs como a Bosch, Hella e VDO abriram fábricas lá. Depois de ter atingido 100% de nacionalização, a produção foi terminada em 1968, voltando dolorosamente à montagem de CKDs. Isto porque, depois de ter decuplicado a área da fábrica, gasto milhões de dólares e ampliado o parque de máquinas a um grande grau de sofisticação, chegou-se à conclusão que a fábrica não tinha como acompanhar as custosas atualizações feitas por Wolfsburg — o tamanho do mercado não justificava todo este investimento. A moderna fábrica acabou sendo desmantelada!

Michael Rochfort, do Volkswagen Classic and Vintage Club of Australia, conta que a despedida de 1968 foi dramática: a produção fora encerrada na véspera do Natal de 1967 e não havia clima para uma foto do último Fusca 100% fabricado na Austrália, pois muitos dos operários receberam o aviso de sua demissão naquele dia. Os poucos carros que ficaram pendentes na inspeção acabaram de ser montados em fevereiro de 1968.

A montagem de Fuscas a partir de CKDs alemães seguiu até a década de 70 — outros modelos também faziam parte da linha de produtos, mas o foco era o Fusca. Já estávamos na era da convivência entre os modelos standard e os Super Beetle e os improvisos na montadora da Volkswagen na Austrália continuavam a todo o vapor, pois os carros de lá eram únicos, diferentes tanto dos modelos alemães quanto daqueles para o mercado americano ou de qualquer outro país — o pessoal fazia o que era possível fazer. O Superbug L foi descontinuado em novembro de 1975, com o encerramento da produção deste modelo na Alemanha e o conseqüente término do fornecimento destes CKDs. Em 1976 o modelo de Fusca que continuou a ser fabricado era chamado de 1600 Beetle e era um legítimo “modelo Frankenstein”. Foi também a primeira (e única) vez que um Fusca foi vendido na Austrália oficialmente com o nome Beetle.

 

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Foto de propaganda de um 1600 Beetle australiano ano 1976

Este carro era basicamente uma versão atualizada da carroceria do Fusca 1300 do ano anterior, equipado com sobras de peças mecânicas do Superbug. Tinha na frente a tradicional suspensão com barras de torção e freios a disco. Enquanto a traseira era composta pelo motor com cabeçote de dupla entrada do “falecido” Superbug 1600, com alternador e suspensão traseira por braço semiarrastado com barra de torção. Tinha pára-choques cromados com piscas embutidos e guarnição de borracha. Os braços do limpador de pára-brisa eram pretos. As lanternas traseiras gigantes eram tipo “elefante”. Pela primeira vez não havia nenhum emblema ou logotipo VW em qualquer lugar sobre o carro, à exceção das calotas.

Neste caso temos a foto do último Fusca “montado” na Austrália (na verdade uma colcha de retalhos). O dia foi 15 de julho de 1976, imediatamente depois do anúncio de que a fábrica tinha sido vendida para a japonesa Nissan. Neste dia triste o antigo time de gerência da Volkswagen da Austrália se reuniu pela última vez.

Na foto, no sentido horário da esquerda para a direita: Howard Kimber (gerente de produção e planejamento), Jim Isles (gerente de normas e controle da produção), Alan Jobson (engenharia da fábrica), Jim Bray (coordenador do departamento do produção), Jim Edwards (gerente da montagem de carroçarias), Steve Turner (gerente da montagem de veículos), Jack Larkins (gerente da pintura), Brian Ashcroft (superintendente de manutenção), Ted Haddon (superintendente de almoxarifado), Derek Jolly (superintendente de controle de qualidade), Ernst Ruff (gerente da montagem final de veículos), Erwin Lange (secretário de companhia, departamento de custos e financeiro) e John Daly (suprimentos). Os semblantes graves mostram a consternação de todos naquele momento.

 

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Foto do último 1600 Beetle em sua despedida forçada das linhas de montagem, depois que 260.055 Fuscas foram produzidos na Austrália (fonte livro “Volkswagen in Australia: The forgotten story”m de Rod Davies & Lloyd Davies)

Uruguai

No Uruguai. a operação de montagem começou em 1962 pela firma Julio Cesar Lestido S.A., localizada na zona franca de Nueva Palmira. Desta feita o regime era semidesmontado (SKD, Semi Knocked Down), com carroceria completa e chassi com motor vindos separados da Alemanha e depois juntados no Uruguai. Em 1970 passou a CKD, operação que se estendeu até 1992. Infelizmente não foi possível achar registro fotográfico do último carro montado lá.

Três casos de destaque

Das demais despedidas do Fusca pelo mundo, os casos da Alemanha, Brasil e México merecem destaque.

Alemanha

Na Alemanha, o Fusca foi montado em Wolfsburg, Emden, Hannover, Ingolstadt e Osnabrück. O mais emblemático local de montagem foi Wolfsburg, berço da Volkswagen e de onde o Fusca partiu para conquistar o mundo. O Fusca se despediu de Wolfsburg às 11h49 do dia 1° de julho de 1974 de maneira burocrática. A raríssima foto deste dia foi enviada pelo Dr. Manfred Grieger, do Arquivo Central da Volkswagen AG.

 

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Último Fusca produzido em Wolfsburg em 1º de julho de 1974

Até aquele dia haviam sido produzidos 16.255.500 Fuscas na Alemanha. A Volkswagen considera que o último Fusca alemão foi produzido em Emden no dia 19 de janeiro de 1978 conforme registra uma das fotos enviada pela amiga Christine Neefe do AutoMuseum (hoje já aposentada). A partir daí, só o Brasil e o México continuaram fabricando o Fusca sedã.

 

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Último Fusca sedã alemão produzido na cidade portuária de Emden, em 19 de janeiro de 1978

Alarmados com a notícia da parada de produção do Fusca na Alemanha, os amantes americanos do conversível inundaram as concessionárias de pedidos. Com isso a produção na fábrica da Karmann, onde o cabriolé era feito, em Osnabrück, se prolongou até o dia 10 de janeiro de 1980, depois de terem sido produzidas 331.847 unidades.

Na foto enviada há algum tempo por Karin Schlesiger, do arquivo histórico da Karmann GmbH, pode ser visto sobre o carro um cartaz escrito à mão que diz: “Depois de 30 anos, não dá nem para acreditar, mas você quer hoje nos deixar. Já tens idade, mas ficarás eternamente em nossas lembranças”.

 

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Último Fusca cabriolé produzido pela Karmann em Osnabrück no dia 10 de janeiro de 1980

Com o declínio das vendas dos Fuscas que continuavam a ser exportados do México para a Europa, o destino do Fusca já estava selado em 1984. Conforme a contagem da Volkswagen, o Fusca completaria 50 anos em 1985 e o presidente mundial da empresa, Carl  H. Hahn, cujo passado na empresa estava intimamente ligado ao sucesso do Fusca nos Estados Unidos, aproveitou esta efeméride para homenagear o seu carro querido.

Foi definido que as importações de Vochos mexicanos para a Europa seriam encerradas em 1985, em grande estilo. Para esta despedida foi feita uma série especial o Jubiläums Käfer (Fusca Jubileu).

 

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O Jubiläums Käfer,  lote especial de carros feitos no México para comemorar os 50 anos do Fusca; estes carros vinham com um distintivo comemorativo na tampa do motor

Na foto abaixo, a produção em Puebla, México, do último lote de 3.150 Fuscas para a Europa, dos quais 2400 foram destinados para a Alemanha. Quase todos os carros já estavam vendidos a colecionadores. A faixa diz: “O último Fusca (Käfer) produzido no México para a Alemanha – Do México com amor”

 

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Funcionários da Volkswagen de Puebla se despedem do último Vocho produzido para a Alemanha

No transporte destes carros para a Alemanha uma grande tempestade atingiu o navio, danificando quase todos. Os reparos foram feitos em Hannover.

A grande festa de despedida oficial da Volkswagen para o Fusca, realizada em Wolfsburg no dia 17 de outubro, foi a única que contou com a presença de seu presidente mundial. Hahn recepcionou 500 convidados de todo o mundo.

Figuras emblemáticas participaram desta festa, como o Major Ivan Hirst, o britânico a quem se credita merecidamente o ressurgimento da fábrica dos escombros da Segunda Guerra Mundial, bem como o filho de Ferdinand Porsche, Ferry. O Jubiläums Käfer que está no AutoMuseum ostenta assinaturas destes visitantes ilustres.

 

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O presidente da Volkswagen, Carl Horst Hahn, na festa oficial de despedida para o Fusca em 17 de outubro de 1985

Brasil

No Brasil, o destino do Fusca também estava selado desde 1984. Em 1985 a Volkswagen anunciou para o ano seguinte o fim de sua produção em São Bernardo do Campo. A despedida foi marcada por um anúncio da Volkswagen veiculado em agosto daquele ano, cuja finalidade era defender a sua posição de mercado, mas o resultado foi um verdadeiro demérito ao carro, justamente aquele que havia sido a origem do próprio Grupo Volkswagen.

A comparação entre este anúncio de despedida da Volkswagen do Brasil, um da Volkswagen México e outro da Volkswagen alemã, deixa clara a falta de respeito da filial brasileira da Volkswagen ao carro:

 

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Anúncio do término da produção do Fusca no Brasil, publicado em 1985:  desrespeito

O anúncio da Volkswagen alemã colocado em jornal de Wolfsburg, no domingo 3/08/2003, foi baseado no famoso anúncio Think small (pense pequeno) com diagramação antiga e diz: “Valeu, Grande”. O título em alemão Mach’s gut, Großer! foi tomado para título do artigo.

 

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Volkswagen alemã, anúncio “Valeu, Grande”, o título em alemão Mach’s gut, Großer! publicado em 2003

O carinhoso e respeitoso texto da propaganda Mach’s gut, Großer!, diz:
Tu fostes pequeno — e isto não só em tuas dimensões. Pequenas contas de oficina, custos de seguro baixos, baixo consumo de gasolina. Foi grande — o amor, que nós todos te demos como contrapartida desde o início. Quem te conhece como “Volkswagen Tipo 1”? Tu te chamas Käfer (Fusca)! E como Käfer tu fostes montado 21.529.464 vezes. Sobre teus bancos aprendemos a dirigir e sobre teus eixos descobrimos o mundo. No dia 30 de julho tu saíste pela última vez da linha de montagem. Tão triste como isto nos parece, em um ponto estamos seguros: caso exista um paraíso para automóveis, então lá existe uma vaga de estacionamento para ti. 

 

México  MACH'S GUT, GROßER! (VALEU, GRANDE) M  xico

Volkswagen México, anúncio de despedida do Última Edición publicado em meados de 2003: “É incrível que um automóvel tão pequeno deixe um vazio tão grande”

No Brasil, foi produzido um lote de 850 carros “Última Série”, reservada às concessionárias que tinham que ficar com os carros no seu “ativo imobilizado” por seis meses antes de poderem comercializá-los, caracterizando uma despedida mais para o público interno da organização. Componentes de Fusca continuaram a ser fabricados até 1989 para alimentar a montagem de carros em Lagos, na Nigéria.

Sete anos depois, o presidente Itamar Franco decidiu implantar o carro popular no Brasil e sugeriu que o Fusca voltasse. Os planos foram pré-definidos, a quantidade de carros prevista era 50 mil de 1993 a 1996, porém esse total acabou ficando em cerca de 47 mil. Chegou o momento de uma segunda despedida, desta vez melancólica.

Temendo nova repercussão negativa por parte do público, a fábrica cancelou toda e qualquer cerimônia de despedida. Até o livro elaborado para esta oportunidade para ser entregue a cada comprador de um Fusca Série Ouro, “A História de um Símbolo”, ficou guardado por algum tempo.

Mesmo assim foram fabricados 1.500 carros da “Série Ouro” que, ao contrário dos da “Última Série”, foram colocados à venda para o público em geral. Numa cerimônia interna, para a qual eu fui convidado, realizada no dia 25 de junho de 1996, foram feitas algumas fotos de despedida, mas não chegaram a ser divulgadas.

 

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Foto de uma cerimônia interna da última despedida tirada no dia 25 de junho de 1996 junto com a diretoria da Volkswagen do Brasil

 

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É curioso observar que para a Volkswagen alemã o último Fusca brasileiro é o 1986. É como se a série do Fusca “Itamar” não tivesse existido sob o ponto de vista histórico. Tanto é assim que o amigo Marcus Valério Lins Barroso, de Jundiaí (SP), recebeu do Kai Egmond Clever, na época curador do AutoMuseum Volkswagen de Wolfsburg, a informação que os Fuscas ‘Itamar’ “não passaram de uma série especial”. Não foi enviado nenhum Fusca Série Ouro para lá. Na frente do Última Série de 1986 está uma placa que diz: “O último Fusca produzido no Brasil”.

México

A sorte do Vocho mexicano deveria ter sido semelhante à do Fusca brasileiro. Em 1989 foram fabricadas 33.000 unidades, mas este número quase quadruplicou em 1991. Este aumento se explica por um decreto do governo mexicano que declarou ser o Vocho o carro popular mexicano e reduziu seus impostos em 20%, o que levou o carro a ser o mais barato do mercado e a dar-lhe um novo alento.

O lançamento do Última Edición, do qual foram fabricadas 3.000 unidades, foi um festivo evento que contou com a presença de várias autoridades mexicanas e de representantes da Volkswagen AG, como Jens Neumann, membro do conselho executivo mundial.

No dia 30 de julho de 2003 o Fusca encerrou sua brilhante trajetória mundial com uma grande e respeitosa despedida, acompanhada pelo pessoal de chão de fábrica e de vários executivos, como o presidente Reinhard Jung.

 

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O fim definitivo do Fusca em nível mundial foi no dia 30 de julho de 2003; em Puebla, México, os operários e executivos se despedem do Vocho

A grande diferença foi o carinhoso e respeitoso tratamento que foi dada à despedida do Vocho. Emocionantes anúncios em toda a mídia ressaltaram o carro e o fato de nenhum outro carro ser capaz de ocupar o seu lugar, como a frase: Es increíble que un auto tan pequeño deje un vacío tan grande (É incrível que um automóvel tão pequeno deixe um vazio tão grande).

Veja a cerimônia de despedida mundial que foi feita em Puebla neste vídeo de uma transmissão ao vivo de um canal de TV alemão, que eu legendei para facilitar o entendimento de todos:

 

Agora compare o anúncio do encerramento de fabricação do Fusca no Brasil em 1985, mostrado mais acima,  com o breve vídeo de despedida feito pela Volkswagen de México e tire suas conclusões:

 

AGr

 

Post Scriptum

Para complementar algumas informações desta matéria, apresento o seguinte material adicional:

– Detalhes do Jubiläums Käfer, carro que encerrou a importação de Vochos mexicanos para a Alemanha, se bem que, por demanda do público, algumas empresas continuaram a importar Vochos e a oferecê-los até em catálogos:

 

– Propaganda do Jubiläums Käfer, mais uma demonstração de respeito da Volkswagen AG pelo carro que foi a sua origem:

 

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Apresentação do último Käfer importado oficialmente pela Volkswagen para a Europa (fonte da foto: livro Die Käfer-Chronik – Die Geschichte einer Autolegende de Bernd Wiersch)

 

Tradução do texto desta propaganda:

Der letzte Käfer – O último Käfer.

Nenhum carro no mundo é tão conhecido como o Käfer. Ele não conhece diferenças de classe, ele não é um símbolo de status. Por 50 anos, o Käfer parece inequivocamente um Käfer. Ele foi construído por meio século, e comprado por quase 21 milhões de vezes. Recordes mundiais únicos na história do automóvel.
Agora há um final feliz. O Käfer diz adeus a seu público de milhões. Com os últimos 2.400 exemplares de seu tipo. Características exclusivas e desportivo, como você pode ler aqui.
De fato, o Käfer vai desaparecer de nossas brochuras Volkswagen e do showrooms dos parceiros da VAG. Mas ele continuará a rodar nas nossas estradas. Ainda por um bom tempo.

– Anúncio Think Small cujo layout inspirou o anúncio Mach’s gut, Großer! Este anúncio foi eleito como o melhor anúncio jamais feito:

 

AG-11-Foto-25  MACH'S GUT, GROßER! (VALEU, GRANDE) AG 11 Foto 251

Think Small o anúncio campeão de todos os tempos!

Tradução do texto deste anúncio emblemático, mais uma lição de como se faz uma boa propaganda:

Think Small – Pense pequeno.

Nosso carro pequeno não é mais aquela novidade. Umas duas dúzias de jovens universitários não tentam se espremer dentro dele mais. O frentista no posto de gasolina não pergunta mais onde a gasolina vai. Ninguém sequer olha para a nossa forma. Na verdade, algumas pessoas que dirigem o nosso pequeno carro barato não pensam mesmo que 32 milhas por galão (13,6 km/l) é algo excepcional. Ou usando cinco pints de óleo (2,84 litros) em vez de cinco quarts (4,73 litros). Ou nunca precisar de anticongelante. Ou bombásticas 40.000 milhas (64.000 km) com um jogo de pneus. Isso porque uma vez que você se acostume com algumas das nossas economias, você não precisa nem pensar mais nelas. Exceto quando você se espremer em uma pequena vaga num estacionamento. Ou renovar o seu barato seguro. Ou pagar uma pequena conta de reparos. Ou trocar o seu VW velho por um novo.

 Nota do Autor: este material foi originalmente publicado na minha coluna “Volkswagen World”, do Portal Maxicar (www.maxicar.com.br), e esta publicação ocorre de comum acordo com o meu amigo Fernando Barenco, gestor do MAXICAR, companheiro de muitos anos de trabalho em prol da preservação dos veículos VW históricos e de sua interessante história. O conteúdo foi revisado, ampliado e atualizado. O seu conteúdo é de interesse histórico e representa uma pesquisa bastante aprofundada do assunto. Pesquisas complementares na internet. Ilustrações: pesquisa na internet e colaborações conforme indicado no texto. Agradeço em especial ao amigo Marcus Valério Lins Barroso pelo incentivo. Também agradeço ao amigo Maris Rozleja, da Austrália.
A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

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  • Carlos Spindula

    Maravilhosa reportagem !

    E que acabamento primoroso no “Jubiläums Käfer” alemão ! Todo acarpetado excelente material !

    Só não gostei da lanterna traseira do Fusca sul-africano, uma espécie de Fafá anabolizado, muito desproporcional !
    Como disseram, o carro iria desaparecer dos catálogos mas permanecer nos nossos corações e rodando aos milhões !

  • Paulo Roberto de Miguel

    Bela roda de aço da penúltima foto!

    • Maycon Correia

      Gosto do volante, o meu 1984 tinha um desse 4 bolas

  • AlexandreZamariolli

    Bonito, esse Jubiläums Käfer. Gosto muito dos Fuscas de janelas grandes – se eles houvessem sido produzidos aqui, a sobrevida do nosso Fusquinha poderia ser estendida em alguns anos.

  • AlexandreZamariolli

    Outro detalhe curioso é que as rodas dele mantêm a furação 5×205 mm dos nossos primeiros Fuscas (a partir de 1975, com exceção da Kombi, a VW padronizou a furação das rodas em 4×130 mm).

    • Maycon Correia

      Em 1968 essa furação veio nos 1600 4p sendo adotada posteriormente na linha VW Apenas a Kombi 1982/ que era 5×112 e Variant II que era 4×100. O restante toda linha leve VW nacional a ar de motor traseiro teve esse arranjo de rodas.

  • Caro Carlos Spindula,
    Grato pelo comentário! Mas o “Jubiläums Käfer” é um Vocho mexicano fabricado em 1985 para exportação, não é alemão. A fabricação na Alemanha já tinha sido encerrada em 1978. Por favor confira o texto para se certificar da cronologia dos fatos.
    Também acho aquela hiper-lanterna traseira muito feia, mas o Super-Beetle também tinha algo parecido.
    Você chegou a ver os vídeos? No vídeo da TV alemã o interessante é observar a cantoria dos mariachis que é um longo poema para o Fusca. Já o spot de propaganda de despedida do Vocho é uma emoção só…

    • Alexander,
      Esse vídeo da despedida do Fusca pelos mexicanos é de uma beleza ímpar. Me emocionei ao vê-lo, ao mesmo tempo em me veio um sentimento de revolta pela frieza da filial brasileira diante de momento tão importante e triste. Vale assinalar que a exibição deste vídeo no Ae coincide com este Dia de Finados.

      • Mr. Car

        Que coincidência, Bob! Caiu um cisco nos seus olhos aí também, justamente na hora em que assistia o vídeo? E para tornar ainda mais arrasador, o tema me parece ser (ou ter no mínimo forte inspiração nela) a belíssima (e tristíssima) canção de Ennio Morricone para o filme “Era Uma Vez No Oeste”.

      • Obrigado Bob Sharp,
        Tanto pelo comentário com o qual concordo plenamente, como pelo apoio a este meu trabalho aqui nos AUTOentusiastas.
        Estou me esforçando…

    • Carlos Spindula

      É mesmo, Alexander !

      Essa edição é mexicana e super caprichada !
      Vi os vídeos e a cronologia , que emocionante despedida !
      O Fusca tem um lugar carinhoso em minha memória, pois meu pai teve vários e viajamos várias vezes ainda criança de Goiânia a Maceió de Fusca, três dias de viagem na década de 70 e era uma aventura (e uma festa pra nós) e tanto, mas o bichinho nunca nos deixou na mão.

      • Depois conta sobre esta viagem, e se tiver fotos melhor ainda. Hoje um fato destes já tem um carinhoso valor histórico!!!

  • Sem dúvida AlexandreZamariolli,
    Mas as decisões de modernização não contemplaram o Brasil, cuja carroçaria ficou na situação evolutiva do Fusca 1963 aleão, e isto até o Fusca Itamar.
    Acredito que o México fazia parte dos planos da Alemanha para a exportação de carros para a Europa depois do encerramento da fabricação na Alemanha, visto que o transporte do México para a Europa é bem mais barato…
    Sem esquecer que o consumidor brasileiro de Fusca não tinha parâmetros de comparação com o que ocorria nos demais países e comprava achando que aquele é o “state of de art” daquele modelo, e isto não foi só com o Fusca não…

  • Fernando

    Com certeza foi um fato histórico, do raro tipo que tem mais de uma data por todo o mundo.

    Sobre o Última Série, o dono de uma concessionária(a Savol) nunca quis vender o seu, e recusou muitas propostas. Justo.

    • Mário César Buzian

      Já tive a oportunidade de entrar dentro desses exemplar, coisa linda!!
      E bacana a atitude de Seu Otmar da cidade de Estrela – RS, que também mantém não só o seu “Última Série” no showroom, como também toda a concessionária, como se ela tivesse sido “congelada no tempo”…

      • Fernando

        Detalhe que repare que entre esses dois há a exata diferença de 100 unidades! rs

        • Realmente, fotos “sincronizadas”…

          • Maycon Correia

            Interessante essa diferença entre eles, e o 001 será que foi para a Brasilwagen ou para a Sabrico?

          • Dennys Araújo

            Também vi “instantaneamente” essa coincidência.

      • Visitar esta concessionária congelada no tempo, caro Mário César Buzian, deve ter sido um experiência e tanto!
        Em tempo, agradeço ao compartilhamento do anúncio desta matéria que você fez no Facebook, valeu!!!

        • Maycon Correia

          Pior que já vi carros zero com anos de idade sendo vendidos, porém entrar em auto peças antigas esquecidas é uma volta ao tempo! Entrei em umas 6 dessas e consegui alguma coisa empoeirada e nova. Como tampa do porta-luvas do fusca, caixas de vidro de farol etc! Era surreal, pena que não existam mais, os especuladores tomaram conta e revenderam tudo.

      • Maycon Correia

        Estive lá perto, porém não consegui visitar pois estava voltando do Uruguai. Planejo ir lá ano que vem. Tomara que ainda consiga a tempo.

        E o Galaxie que era do meu amigo Solon, ainda o possui?
        Eu guardei comigo o Fusca que foi dele

    • Quem viveu a era do Fusca como revendedor, caro Fernando, certamente ficou “comprometido” com o carro e muitos acabaram deixando o veículo no ativo imobilizado da empresa, como em seus primeiros 6 meses depois da chegada à concessionária. Eu acho que isto é uma homenagem ao Fusca e uma forma de agradecimento.

    • lightness RS

      Poxa, queria que a concessionária daqui tivesse essa consideração, tem um showroom lindo, com um antigo ficaria melhor ainda! Ele só tem uma Kombi Last Edition encalhada que dorme no pátio

      • Maycon Correia

        A Vox aqui perto ainda tinha uma até junho, venderam por 55 mil

    • Maycon Correia

      Meu pai quase comprou um desse em 2000. A Koesa tinha um igual, a álcool, 27 mil km rodados e que chegamos 10 minutos tarde para comprar ele. Meu primo era mecânico lá desde 1992 e falou que estavam fechando e liquidando tudo. O Fusca Última Série foi vendido por 2.500 reais, e um zero 1986 comum, azul sólido a gasolina com 18 km. foi vendido por 5.000 reais. O pai ia comprar os dois. Aí outro chegou mais cedo e levou os carros para a loja de usados que mantinham perto da minha casa, o azul foi para um colecionador de São Paulo por 5.500 reais e o Última Série foi vendido por 3 mil, o cidadão tem ele ainda até hoje, porém em estado lastimável. Não pagaria 200 reais, pois nada ali tem salvação!

  • vstrabello

    Quando criança vi aquela propaganda da VW do Brasil, é como se fosse uma desfeita a própria galinha que rendeu vários ovos (de ouro) a própria fábrica. O primeiro carro que tivemos na família foi um Fusca, ano 1983, verde Álamo, que tinha um Bosch Torino PLL. E sensacional a propaganda da VW México para a despedida!

    • Concordo plenamente, caro vstrabello,
      Foi exatamente isto que aconteceu de uma maneira desnecessária e gratuita…
      Que somzão tinha o seu 83, hein???

      • vstrabello

        Não lembro de muuuuita coisa do som, mas reconheço o Torino por causa do som que um tio meu ainda tem em um Gol CL, 88, um Bosch San Marino, acho que 150 W. No meu 147 fiz questão de pôr um equalizador, um EB-180. Faz uma orquestra dentro do carro. Só preciso achar um outro rádio, pois o xingling retrô que tenho tá dando arrego hehe

  • Mr. Car

    Este pequeno/grande tem história, he, he! E tendo sido feito por tanto tempo e em tantos lugares, apesar de basicamente igual, tem muitas diferenças entre seus milhões de exemplares, fazendo com que mesmo feito aos montes, possa ser considerado raro em suas edições comemorativas, edições especiais…Qual será por exemplo, o mais raro Fusca brasileiro? Será o GL? Será aquele que ficou conhecido por “bizorrão”? Sempre haverá um Fusca que a gente nunca viu igual, como este belo Jubiläuns Käfer. Ando namorando Fuscas na internet, gostaria de ter um, mas infelizmente ainda não tenho espaço, a única coisa que me impede de ter uns dois ou três carrinhos antigos, problema que será resolvido se conseguir sucesso no meu plano de voltar a morar no interior de São Paulo, em uma casa com uma boa garagem só minha, ao invés de um apartamento com uma só vaga, como vivo agora. Torçam por mim, he, he!
    Para pensar: “O poeta que se esforça por mais pensar do que sentir, torna-se um poeta detestável, e jamais consegue tornar-se um pensador admirável”. (José Maria Vargas Vila)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=digwn8_Dbv0

    • O Fusca teve muitas faces mesmo, caro Mr. Car,
      Veja este última séria australiano, que coisa mais maluca!
      As séries especiais são um caso à parte. Aqui no Brasil eu acho que a série Love foi muito especial mesmo…
      Já na era do Super Beetle, nos EUA, as séries especiais se sucederam, e houve várias incríveis, como o Sun Bug, cuja versão conversível foi a mais espetacular na minha opinião.
      Eu também sofro com a falta de espaço e acabei tendo que comprar uma vaga a mais no meu prédio para poder guardar o Fusca. Mas hoje temos o Box 54, na Castello Branco que oferece vagas para carros antigos, com vários tipos de serviços… Aliás os AUTOentusiastas vão se encontrar lá no dia 5 de dezembro, será uma boa oportunidade de socialização dos leitores com os colunistas e editores deste Site… Ai vai dar para avaliar as condições de “moradia” de seu antigo por lá.

      • Lemming®

        Acabei lembrando de uma coisa…
        Teoricamente estes Super Beetles podem ser importados legalmente se tiverem mais de 30 anos correto?

    • Sandoval Quaresma

      Somos dois, Mr Car. empenhando toda minha energia para conseguir comprar uma garagem grande, coberta, para no mínimo três carros, que tenha também uma casa anexa. e assim vamos realizar o sonho de ter um belo Fusquinha.

    • Ricardo kobus

      Tomara que dê tudo certo em sua mudança.
      Eu estou seriamente pensando em morar na chácara da minha família no interior da nossa cidade, daí dá pra inventar muitas coisas, espaço tem de sobra hehe.

    • Maycon Correia

      Não seria o 1300GL nem bizorrão, nem 1500 bravo de 1973, nem Série Prata 1980.
      O mais raro é o 1986 branco luxuoso com volante dos Fox de exportação, que foram feitos com tudo diferente, luxuoso e melhor acabado. Era o mesmo volante do Itamar grupo 1 e 2, e Gol GLl, porém onde haveria o símbolo VW havia o brasão de Wolfsburg, ele tinha revestimentos de Santana e tudo que pudesse ter de melhor. Reza a lenda que foram feitos 10 e distribuídos a diretoria, e a cor era branca por ser a mesma do primeiro 1959 fabricado no Brasil. Já sabiam que iria sair de linha e então fizeram uns caprichados e aproveitaram para se livrar das peças opcionais!

      Isso tem um fundo de verdade. Pois toda “série especial” VW é seguida por uma atualização ou fim de linha.

      • Mário César Buzian

        Maycon, então eu conheci um deles, achei que fosse “acessoriado” em concessionária, mas pelo visto vinha asim mesmo, de fábrica. Estava com um parente de ex-funcionário da VWB e ele sempre disse que o carro era da frota da empresa.

  • BlueGopher

    Realmente é chocante a frieza com que a VW brasileira se despediu do Fusca. Típico “Rei morto, rei posto. Viva o novo rei!”.
    E como contrasta com a emocionante a despedida mexicana, um verdadeiro tributo ao carro que tanto fez pela empresa e pelo público.

    PS: Não sei se é verdade, mas li em algum lugar que no final da guerra as instalações da VW em Wolfsburg foram oferecidas à Ford, que declinou por as ter considerou irrecuperáveis.

    • É mesmo, caro BlueGhopher foi chocante sim,
      E olhe que aqui mesmo tem gente insensível a isto…
      De fato, a história que você reportou envolvendo Henry Ford é verdade. Numa reunião a este respeito um dos assessores do Ford afirmou que “it’s not worth a dime” – não vale um centavo. Anos depois em suas memórias Ford escreveu que este foi um de seus maiores erros…

      • Ricardo kobus

        Sorte nossa que Henry Ford não aceitou a fábrica!

        • Maycon Correia

          Sim, muita sorte, pois hoje não teríamos algo em comum para conversar e até fazer amigos.
          Pois a Ford iria acabar com o VW e fazer aqueles Anglia ou Prefect no lugar dos KdF-Wagen.

      • Maycon Correia

        Olha um Anglia ou Prefect de 1949 ou 1950 e olha o Fusca split-window. Era algo infinitamente mais simples e melhor em todos os sentidos!

        Há um ditado antigo que diz “Chevrolet ronca, Ford ronca e quebra!” E é algo assim que funciona.

        Azar o deles e sorte nossa. Graças a isso seguimos fazendo uma legião de amigos ao redor do Fusca e da fábrica que não vale um centavo nas palavras do Ford…

  • Cafe Racer

    A.Gromow
    Achei lindo e de extremo bom gosto essa última série produzida no México (Jubiläums Käfer).
    Fiquei em dúvida … Ele se parece (tem as mesmas rodas) mas acho que não é um 1302/1303 com todas suas melhorias como área envidraçada, painel, suspensão McPherson etc. Estou certo ?
    Cheguei a ver muitos Fuscas na Cidade do México e por uma vez andei em um, como táxi. Pelo que me lembro os Fuscas no México não tinham a evolução dos alemães 1303 …

    • Você está certo Cafe Racer,
      Os Super Beetles, com suspensão McPherson foram fabricados somente na Alemanha, em Wolfsburg e Emden, e depois na Iugoslávia.

      Em 1972, a Volkswagenwerk AG em conjunto com o seu importador UNIS – Associated Metal Industry Sarajevo, configurou uma joint venture com a TAS Tvornica Automobila Sarajevo nos tempos da antiga Iugoslávia, hoje Bósnia e
      Herzegovina, com sede em Vogosca. A TAS começou fabricando tanto peças de reposição como componentes para as linhas de fabricação para Volkswagen. Depois de um período de um ano, em 10 de novembro de 1973, começou montagem do modelo 1303 na nova fábrica.

      Os demais Super Beetles feitos fora destes dois países foram montados à partir de CKD’s.

      No México a fabricação se restringiu aos carros com a carroceria do Fusca standard Alemão de 1978, mas receberam depois motor com injeção direta titpo Digifant da Bosh. – Eram verdadeiros aviões!

      • Maycon Correia

        Em cada país que o Fusca foi montado ele era único.
        Olha o mexicano, que tem vidros grandes do alemão 65/ e suspensões comuns igual os nacionais. Ganhou a injeção em 1993 e é basicamente o mesmo sistema da Kombi 1997 a 2005.
        O sul-africano que tinha pára-brisa de 1303 e suspensões comuns até com fixação de rodas grande de cinco parafusos.
        Esse nosso nacional, o vidro “grande” da traseira do 66 2ª série em diante já existiria no alemão 59 2ª série. Nossas maçanetas de botão são de 1959 2ª série as de 1960 lá na Alemanha, nossa coluna de direção colapsível da linha 1977 já existia na Alemanha desde 1965.
        Agora, carro único é o Fusca 1500 de julho de 1970 a dez de 1972. Eles são únicos no mundo. você olha por trás acha que é um 1302 e se engana; olha a dianteira, acha que é um pré-1969 ou modelinho 1970 atualizado e também se engana, pois saíram uns 300 mil fuscas 1300 e 1500 nesse período de 2 anos e meio! Acho que foi a parte boa de não acompanharem as atualizações mundiais.
        Outro serviço feito pela metade, o motor 1500 existe desde 1962 na Europa e equipou o Fusca desde 1965, porém não contava com o carburador 30 PIC ou 30 PCIS (nada mais que o giclê de rápida maior) e sim com um belo 31 PDSIT automático e que dava um fôlego bem maior ao potencial do carro, carburador esse que veríamos aqui em 1984 nos motores 1600 modernos a gasolina até 1986.

  • Mário César Buzian

    Carro carismático é assim mesmo. Apaixonante, para dizer pouco. Uma pena que a VWB nunca percebeu sinceramente o poder encantador desses Sedans ao longo das décadas…
    Poderia ter capitalizado muito melhor as suas atitudes.

    • Pois é, caro Mário César Buzian,
      Eles também desperdiçam, e até desprezam, solenemente o grande amor que muitos têm por este carismático carro. Tenho certeza que eles faturariam muito, com um baixo investimento, se aproveitassem de forma inteligente esta multidão de amantes do Fusca!!!

      • CorsarioViajante

        Me parece até que desperdiçaram inclusive nunca trazendo melhorias ao nosso Fusca, melhorias que praticamente todos os outros receberam.
        História parecida ocorreu com o Golf, que era amado e foi muito maltratado pela VW.

        • Maycon Correia

          Sim, todas as mudanças lá fora, por o Fusca ser o carro-chefe da VW aqui, teriam sido muito bem-vindas. Era algo como renovar para mostrar que era capaz. Porém o fator custo falou mais alto!
          Nos anos 1980, em que tinham o Fusca com motor moderno e altíssima oferta de preparação, quem escolheram para fazer rali? O Gol. Era simplesmente pôr uma suspensão de braço semiarrastado atrás, a mesma da Kombi e Variant II, pôr uns Weber duplos e fazer algo do tipo Salzburg Beetle, ou o papa-campeonatos. Se um Fusca andava na frente de Alpine A110, por que aqui não iria humilhar Chevette?

          Adoro o carro por tudo que ele me significa, mais à marca não dou muita bola não.

    • Luciano Gonzalez

      O série especial da foto acima, o da direita, verde Cristal, na minha opinião, foi o Fusca nacional mais bonito de todos os tempos… a mãe de um amigo teve um 0-km.

    • Leonardo Mendes

      Uma das coisas que mais sinto falta dos carros dessa época são os sobrearos das rodas.
      Uma das 5 Caravans que minha mãe teve – uma Comodoro 82, prata – tinha esse acessório… dava um belo realce no carro.

    • Maycon Correia

      Por causa das atitudes incompetentes que eles perdem q liderança de mercado e que estão da forma atual, tiveram que matar a Kombi por jamais quererem ter investido nela.

      Nunca se tocaram que o modo que trabalham está errado, bem errado por sinal!

      Havia sim maneiras de atualizar o Fusca da mesma forma como foi feita na Alemanha, está certo que toda e qualquer importação de maquinário era extremamente dispendioso, havia a burrocracia envolvida, havia também a parte de querer promover outros veículos deixando o pobre Fusca para trás.
      Alegaram que a suspensão McPherson não iria ter a resistência necessária, aí três anos depois lançam em uma Variant bem mais pesada!

      Em 1980 viram que ao fazer aquele Fusca série prata houve maior procura que a demanda. E tanto que fizeram o 1300 GL pouco depois, o Love em 1984, o cristalino em 1985 e em 1986 todos eram luxuosos…
      Tanto que se encontra muito mais Itamar grupo 1 e 2 que os Itamar secos.

  • Leonardo Mendes

    Acho que só eu não viu demérito algum no anúncio de despedida do Fusca brasileiro, muito pelo contrário… até hoje uso a frase que dá título ao anúncio em conversas do gênero.
    Já a despedida do VW mexicano merece um prêmio – se já não ganhou – pela simplicidade com que passou a mensagem. Foto, legenda, descrição da versão, nome e mais nada… e mesmo assim pega fundo nos corações.

    Pensar que em 2001 eu perdi a oportunidade de comprar um Itamar 94 com 5000 km rodados por R$ 5.000,00… intacto de tudo, e ainda com CD Player original VW.
    Fiquei de pensar, acabei torrando a grana em besteira e fiquei sem o carro.

    • Caro Leonardo Mendes,
      Sem querer entrar em polêmica, pois cada um tem o direito de ter a sua opinião, mas você acha ser um mérito (já que você não vê demérito) uma propaganda onde gratuitamente se chama o Fusca de anacrônico (a fábrica que descende deste carro dizendo isto – cuspindo no prato) e colocando um tosco perfil do carro dando a ideia que a foto foi arrancada de lá???
      Então o que seria um demérito ao carro???

      • Leonardo Mendes

        Demérito seria simplesmente encerrar a produção sem uma cerimônia ou, ao menos, uma foto da efeméride… assim, como quem desliga uma luz ao sair de um ambiente.
        Entendo que a VW tinha que se posicionar acerca do fim de seu produto mais emblemático, e assim o fez… talvez a maneira como se referiu ao carro e seus aspectos técnicos tenha sido algo bruta, porém verdadeira.

        Interessante mesmo é que seis anos depois a VW mandou tudo às favas e ressuscitou o Fusca.

        • Acho, caro Leonardo Mendes, que é necessário colocar as coisas em perspectiva de tempo e conceito para comentar o que você escreveu.

          O que eu comentei é sobre a impropriedade da propaganda emitida pela VW do Brasil em 1985. Isto é um fato isolado e não tem nada a ver com qualquer tipo de atividades feitas depois – em 1986, tais como cerimônias, Fusca Série Ouro, etc…

          Mesmo não tendo nada a ver com o famigerado anúncio, a tal fotografia de despedida que coloquei nesta matéria JAMAIS foi publicada oficialmente pela VW do Brasil na imprensa. O que eu publiquei no arquivo e em meu primeiro livro o foi feito por iniciativa minha, repito, não da VW do Brasil.

          Na sua opinião “talvez a maneira como se referiu ao carro e seus aspectos técnicos tenha sido algo bruta, porém verdadeira”, e no que isto ajudou à memória do mito Fusca? No que isto ajudou à VW do Brasil? No que sei, e acompanhei, ocorreu uma grande revolta entre os amantes do Fusca e, que, inconformados, em alguns casos, deixara até de comprar veículos da marca.

          Reitero que, se não foi algo de mérito ao carro, como definitivamente não o foi, foi um demérito. E isto não é um mero jogo de palavras não, é conceito. E. repito, estou falando focadamente sobre o anúncio!

    • CorsarioViajante

      Eu também nunca tinha visto desta forma, mas entendo o ponto do Gromow. Acho que a despedida daqui teve um viés, digamos, objetivo, técnico e mercadológico, enquanto nas demais teve fortíssimo cunho emocional.

    • Maycon Correia

      Em 2003 foi minha vez de deixar um Itamar grupo 2 bege Urano 1996 a álcool com uns 45 mil km ir embora por 4.300… Queria que me entregasse na sexta e ele quis usar o carro no carnaval, na mesma data, o amigo do alheio faz uma visita a minha casa e leva vários dinheiros. Causando uma ré de uns 2 anos!
      Bom que consegui comprar na mesma época meu fusca 1500 dos primeiros que saíram, e que hoje é mais especial que o Itamar.
      Ainda tem o fato deu que eu não teria andado com aquele só os 51 mil km que andei com o meu em quase 13 anos hoje já teria andado mais de 200 mil km

  • Paulo Roberto de Miguel
    De fato, bela roda.

  • Mr. Car,
    Pois é, cisco danado esse…A canção é essa mesma, com um belo arranjo. O Morricone tem canções incríveis, como o tema de “Cinema Paradiso”.

  • Elizandro Rarvor

    Tenho sentimentos tão opostos com o Fusca, tenho um modelo 1968, sou o segundo dono dele, fiz um procedimento de secagem do motor, cárter, tanque e guardei-o.

    Cresci viajando com meu pai em um Fusca, mas tive tantos outros problemas e uma tragédia familiar envolvendo o Fusca que hoje eu amo e odeio ele.

    Resolvi deixar o meu guardado, fiz isso para não vendê-lo e me arrepender depois.

    • Maycon Correia

      Olha, não acredito que seja bom ao motor ficar sem óleo dentro. A não ser que algo mantenha uma película lubrificada em todas as partes móveis. Mesmo serve para tanque e tudo que tem contato com combustíveis. Sob pena de um dia ao ressuscitar, necessitar de gastos nada agradáveis.

      • Elizandro Rarvor

        Foi utilizado um produto específico para isso, mas tem que renovar a cada 5 anos, mas compensa.

  • Luciano Gonzalez

    Muito bacana foi a campanha de deslançamento da Kombi, àquele vídeo é de marejar os olhos de qualquer entusiasta! Foi para se redimir da despedida do Fusca!

    • Sim, da Kombi resfriada a água sim, caro Luciano Gonzalez. mas a despedida do motor arrefecido a ar foi a mesma catástrofe que foi com o Fusca em 1986, usaram inclusive praticamente o mesmo texto, isto apesar de uma campanha internacional que fiz por uma despedida respeitosa desse motor, veja detalhes nesta página:
      http://www.gromow.com/vwengine/Boxer-POR.htm
      A protagonistas desta repetida barbaridade foi Júnia Nogueira de Sá, naquele tempo a vice-presidente de Assuntos Corporativos, que nem se dignou a responder muitas cartas recebidas de todo o mundo pleiteando por uma despedida respeitosa…
      Uma pena.

  • Eduardo Sérgio

    Em junho de 1996 comprei um Fusca zero-km, cor verde Nice, perolizada, igual ao da foto abaixo. Foi um dos últimos fabricados no Brasil. Um Fusca com cheiro de carro novo era algo surreal e impressionava quem entrava dentro dele. A pintura reluzente, então, chamava a atenção por onde passava.

    Infelizmente a presença do Fusca no mercado há muito não se justificava, e seu legado histórico do “think small”, no Brasil, foi preenchido pelo Fiat Uno e será ocupado, num futuro próximo, pelo VW up!, acredito eu.

    • E que fim o seu lindo Fusca levou, caro Eduardo Sérgio?
      Realmente um carro especial… Um Série Ouro!!!

      • Eduardo Sérgio

        Em 2001 meu Fusca entrou como parte do pagamento de um Gol G3 zero-km Plus, quatro portas, com ar-condicionado e direção hidráulica, pois eu buscava conforto e modernidade. A vendedora depois me contou que, antes mesmo de eu entregar o Fusca na loja, ele já tinha sido negociado para outra pessoa.

        O Fusca 1996 que tive não era o Série Ouro. A foto foi apenas ilustrativa. Se na época eu tivesse condições financeiras de ter dois carros provavelmente aquele belo Fusca verde perolizado ainda estivesse intacto na garagem de casa, inclusive com os plásticos sobre os bancos.

  • Sergio

    Tentaram roubar o Fusca 1962 da Mariana Godoy. Acho que não conseguiram ligar, abandonaram em outra rua do bairro. https://instagram.com/p/9kBkVXJ19e/
    Aqui uma foto melhor: https://twitter.com/mariana_godoy/status/660925073507942404

    • Leonardo Mendes

      Rapaz, eu nem lembrava mais dessa moça.. tive que ir ao Google pra refrescar a memória.

      Belo Fusca, ainda bem que os meliantes não tiveram sucesso no roubo.
      Ladrão que rouba Fusca tinha que passar o resto da vida na Sibéria enxugando gelo.

  • CorsarioViajante

    Que texto legal!
    Mas eu nunca tinha visto a campanha de despedida da VWB como desrespeitosa, mas sim como indicando que a fila anda. Mas também achei válida esta sua leitura. Sem dúvidas as campanhas alemãs e mexicanas foram muito mais passionais e menos objetivas.

  • Lemming®

    Não sabia que havia sido tão esculhambada a despedida de ambos…realmente uma pena e uma falta de respeito muito grande.
    Grato por compartilhar estes fatos e mais um texto excelente!

  • Fórmula Finesse

    Mais um capítulo épico; o último Fusca sul-africano lembrou-me de um Fusca 1968 que tivemos há muito tempo…pintado em uma estranha, fascinante e inusitada cor grená metalizada (ou não), nunca mais vi aquele misto de rosa/vermelho/vinho em outro carro, uma pena nos termos desfeito (sic) dele por outros Fuscas (inclusive um 1.600-cm³ s álcool que não combinava nada com o frio do inverno gaúcho)…

  • Ricardo kobus

    Bom dia!
    Como sempre ótimo texto Alexander.
    Outro veiculo da VW brasileira que teve um fim melancólico, na minha opinião, foi a Parati, ninguém sabia se era fabricada ou não, por tudo que ela representou no Brasil, não merecia isso.
    E o Gol está indo pelo mesmo caminho!
    E ainda não existe um museu da VW brasileira?

    • Outro exemplo incrível, caro Ricardo Kobus, foi o do VW Brasília, um carro que tinha tudo para ser continuado, inclusive porque foi efetivamente feito um protótipo com motor esfriado a água na dianteira com resultados incríveis. Mas como era um “filho enjeitado” sob o ponto de vista da Volkswagen AG (já que foi um projeto totalmente brasileiro) a ordem logo veio: -“cortem-lhe a cabeça”!!!
      E alguém sabe dizer como foi a despedida do VW Brasília???

  • Maycon Correia

    Saudações Alexander! Infelizmente desprezam todo e qualquer dono e admirador.
    Meu carro 1500 fabricado em 13 de novembro de 1970 e vendido em joinville na extinta Lepper veículos dia 3 de dezembro do mesmo 1970, foi emplacado desde novo como 1300. E desde 2003 eu tento arrumar isso, o incompetente DETRAN de florianopolis pede uma carta laudo da vw.
    Em abril de 2003 liguei, após 45 minutos no telefone me disseram não mais ter dados a mão sobre o carro. Apenas os microfilmes sem acesso assim não podendo fornecer a tal carta laudo. Em 2004 comprando umas peças na vw de florianopolis, um amigão tentou novamente essa referida carta. Nada nem resposta.
    Em 2006 tentei com um despachante, novamente nada. Aí realmente abandonei, pois é realmente algo sem necessidade, gastar dinheiro em algo que o DETRAN diz fusca ser tudo igual.

    Alguém menos burocrático e menos incompetente sabe que chassi BS é fusca 1500 de julho de 1970 a abril de 1975 e 1600 de abril de 1975 a dez de 1982.
    Mais uma vez aquela máquina de microfilme fazendo falta!
    Sou um que pagaria para ter essa certidão de nascimento, que faria um quadro para ter ela na parede!

    • Um horror, meu caro Maycon Correia,
      A VW do Brasil segue dando um testemunho de desprezo com a sua história através deste episódio dos microfilmes – uma VERGONHA!
      Aliás tem muitos projetos que começam com uma boa finalidade e acabam na praia e se perde o que foi investido. Uma grande pena; questões históricas tem uma característica institucional e deveria ter uma dotação definida e “inatingível” a cortes de orçamento do tipo: “ah, isto ai não dá lucro, vamos cortar…”
      Repito: estes microfilmes já não são só da VW do Brasil, ele pertencem ao patrimônio da história automobilistica brasileira!!!
      Talvez colecionadores tenham que se quotizar e forçar a VW a permitir que este material seja salvatado, restaurado e transcodificado para mídia eletrônica pesquisável.
      Tenho dito!

  • Maycon Correia

    Sibéria é pouco! É um crime triplamente qualificado. Deveria dar pena de morte!
    Mais infelizmente já gente diariamente alimentando esse comércio.

    Eu suspeito que algo que preciso, vem de procedência duvidosa, recuso a compra.

    • Leonardo Mendes

      Esse é um mal que acomete quase tudo… sempre há alguém querendo levar vantagem, o que fomenta esse comércio.

      Como eu sempre digo, vai chegar um dia que vou estacionar meu carro numa rua e achar os pneus dele pra vender dois quarteirões adiante.

  • Eduardo Zanetti

    Sabe, Alexander, existem carros que quando dirigidos ultrapassam o limite do deslocamento e vão diretamente ao coração do sujeito. Não é questão de recursos técnicos sofisticados, nem de números cavalares de desempenho ou de chamarem a atenção pela opulência. É bem como amar a sensação de vento no rosto pela pura sensação e não por estar sendo tocado por algo que não vê.

    Tem muito tempo que os bons recursos do Fusca me cativaram. A capacidade de tração, o modo como é obrigatório conduzi-lo para fazer curvas muito acima do limite, os freios sem assistência, a personalidade e a possibilidade de andar em marcha lenta caso assim deseje me mostraram que este era o carro intimamente ligado ao meu ser.

    Qualquer coisa mais veloz que eu tenha guiado, pelos arrepios que tenha sentido ou do compasso acelerado acontecido, não me proporcionaram as experiências sensoriais, de vivência e confiança que tenho no meu Fusca. É o meu quarto, na ordem: 1970, primeira série, 1300, verde folha, parafusos dos paralamas estanhados de fábrica; 1977, 1300L, amarelo java, com bancos em cordonê azul e preparação de época; 1972, 1500, vermelho montana, todo zero; e 1994, prata lunar, que está sendo feito com referência aos Salzburg.

    Se a despedida oficial não foi nada à altura do heróico Bezouro, o carinho que a imensa maioria dos seus donos sempre nutriu e os desaforos que só ele aguenta, já o colocam acima de qualquer homenagem de fábrica.

  • Maycon Correia

    Foi tirado de linha a meu ver por custos. Era o carro mais barato do pais, porém custava mais para fabricar que os outros, devido à mão de obra ser quase toda manual…

    Com certeza se ainda fosse fabricado na essência como era em 1986, ainda haveria mercado para ele. Pois ainda existem as mesmas péssimas estradas no interior. a Transamazônica já foi asfaltada, buracos não existem mais… Brincadeira! Mas existem muitas comunidades onde só Fusca chega, existe muita estrada de cascalho por aí e muito Fusca andando no interior…
    Após a retirada de linha, os Fuscas foram substituídos por Gol, que durava menos, que tinha manutenção maior, que não subia o mesmo morro coberto de barro, ou não tem aquela acústica para som.

    Troquei meu Fusca 1984 1600 e mais alguma coisa, a álcool por um Gol GL 1993 prata com ar também a álcool. Não era a mesma coisa… Não tinha mais a mesma graça puxar uma 3ªe ver o ponteiro chegar a 150 km/h, não tinha mais aquela luz do alternador piscando o tempo todo, mesmo com ele revisado… Nem a luz-espia do circuito duplo de freio que só apagava aos 10 segundos depois do carro ligado. Ou aquele boxer que após uma injetada de gasolina pegava no inverno frio e ficava trepidando e fazendo aquele tra tra tra. Característico. Sentia falta do Fusca mesmo com o ar do Gol ligado! A cada vez que tinha que pagar IPVA, ou mesmo cada dia quanto ele demorava a pegar… Carro a álcool e manhoso é complicado.

    Outra com os besouros foi que meu avô queira comprar um carro zero em 1996. Queriam comprar um Gol 1000 zero, mas por causa de alguém aqui ele quis um Itamar ultima série. Porém não realizaram a vontade do coitado, pois outro “esperto” fez um negócio vantajoso para si e ruim para o vovô trocando o Chevette em um Uno Mille 1993. Assim meu futuro Itamar único dono virou lenda antes de sair da revenda.

    • BELEZA DE TEXTO caro Maycon Correia,
      Concordo plenamente com você quando você afirma que o Fusca ainda teria o seu lugar em várias partes do Brasil e do Mundo. Tanto foi assim que a Nigéria pediu a volta do fornecimento de CKD’s quando o Fusca voltou em 1993, mas isto não fazia parte dos planos e não foi feito. O Brasil é uma colcha de retalhos no que se refere às diferentes estruturas sócio econômicas e geográficas. Haja vista o cuidado com que muitos Fuscas são preservados em muitas cidades do interior, pois são os únicos que aguentam o tranco. Mas está ficando difícil mantê-los por carência de peças.
      O seu relato sobre a transição do Fusca para o GOL é didático e é uma pena que a própria VW não se abre a este tipo de depoimento – há diferenças entre Fuscas e GOL’s em termos de confiabilidade, custos de manutenção, sem falar de carisma…
      O mesmo aconteceu nos EUA, que estavam acostumados e mimados pelo bom e velho Beetle e acabaram ficando chocados com a troca pelo Rabbit (como o Golf foi chamado por lá) que diga-se de passagem enfrentou graves problemas técnicos e de conceito de dirigir. Por exemplo: na Alemanha, quando o Golf (com um volume de óleo no cárter menor possível dentro da filosofia alemã de economia) foi lançado, o povo estava treinado e era habito verificar o nível do óleo, que gastava dentro do esperado e era imediatamente reposto. Já as os grandes carros americanos tinham motores com cárteres gigantescos e ninguém se preocupava com a luzinha do óleo pois era difícil dar problema… Só que o pequeno cárter do motor do Rabbit e o gasto “normal”, aliado ao desprezo do americano à lâmpada de óleo levaram a uma epidemia de motores fundidos!!!
      Foi mais um post bacana seu Maycon, valeu!

  • Salve CorsarioViajante,
    Eu não consigo reconhecer “objetividade” na propaganda com a mensagem de saída do Fusca, feita pela ALMAP sob “mando específico” da VW do Brasil.
    Quando eu estive com o Alex Periscinoto para colher material para a minha palestra sobre a “Como a propaganda participou no sucesso do Fusca no mundo” eu dei meu primeiro livro para ele de presente. Neste livro eu coloco claramente a minha interpretação sobre este anúncio desastrado. Tempos depois eu recebi um telefonema dele me convidando para tomar um café em seu escritório no Itaim em Sampa; ele não declinou o assunto, disse que era para me ver.
    Mas eu já tinha a intuição do motivo daquele convite e fui muito bem preparado. Chagando lá, já no meio do cafezinho, ele tocou no assunto que o estava incomodando, e que era exatamente a minha posição quanto a esta propaganda. Pois bem, antes que ele entrasse no assunto em detalhes, armei meu computador e disparei um material contundente sobre o que foi feito na Alemanha e no México, com o vídeo “Adiós Vocho” que também o deixou muito emocionado; tanto que ele disse: -“é, poderíamos ter feito melhor”.
    Ai ele me confidenciou que tinha sido obrigado a fazer aquele estilo de propaganda, e que ele concorda que não foi o melhor que poderia ser feito naquela situação. Depois ele me pediu para “não bater muito forte nele, Periscinoto, e na ALMAP – coisa que eu nunca fiz, pois meu alvo sempre foi a VW do Brasil.
    Mas se o papa da propaganda VW no Brasil, que acabou trazendo os conceitos da DDB para cá, inicialmente por acaso (explico isto na minha palestra, aqui iria ficar muito longo), chegou a me “pedir desculpas” por esta propaganda, tenho que pontuar mais uma vez que “não vejo objetividade” nesta propaganda, somente desrespeito e falta de reconhecimento ao produto que originou a marca.
    Para concluir, eu, de sã consciência, não tenho como aceitar que uma personalidade do quilate do Alex Periscinoto tivesse que se curvar ante a uma verdadeira burrada da VW do Brasil no caso desta propaganda, ele teria, a meu ver, a ascendência suficiente para demonstrar o erros que se acabou cometendo com esta verdadeira porcaria desrespeitosa. portanto não tenho como tirar dele parcela de responsabilidade sobre este infeliz affair.

    • CorsarioViajante

      Obrigado pela resposta.
      Aqui parece aquele jogo, a agência empurra o “problema” para o cliente, que empurra para a agência… No fim ambos são responsáveis pelo anúncio e seu teor.
      QUando digo “objetividade”, quero dizer que o que o anúncio dizia não deixa de ser verdade, o fusca já era, para a maioria das realidades, um anacronismo, e deixar de ser fabricado era um sinal que a VW iria modernizar sua linha. Mas realmente as outras homenagens foram muito mais passionais e respeitosas, concordo com você.

  • E M O C I O N A N T E caro Eduardo Zanetti,
    O seu texto é uma jóia e uma ode de amor e respeito ao Fusca!
    Muito obrigado e parabéns. Guardarei este texto com muito carinho.
    Um grande abraço!!!

  • Leandro Ravelli

    Alexander, parabéns por mais um texto fora de série. Ler os seus textos é algo que faço com calma e tranquilidade, em um momento em que posso me concentrar totalmente. O mais engraçado é que hoje no trabalho, entrei e fuçei no Itamar 95 de um colega, xodó dele com 75mil rodados. É incrível como um carro desperta algo dentro de você no momento em que você senta nele. Mesmo com os bancos e volante do Gol, é impossível não reconhecer aqueles pedais diferentes, o câmbio de engates curtos e precisos, o parabrisa bem próximo da gente, que carro. Ainda não tive o meu, vivo de curtir o Fusca dos amigos e relembrar os que meu pai teve, mas no dia que comprar o meu, sei que a felicidade será completa.

    Um grande abraço, continue sempre nos brindando com estes textos fantásticos.

    • Que bacana o deu depoimento, caro Leandro Ravelli!
      Obrigado…
      Muito interessantes, também, os seu comentários sobre o seu “encontro” com o Fusca Itamar de seu amigo….

      • Dennys Araújo

        Leandro Ravelli: Tive um 94 que foi maldosamente furtado em julho/2016. E digo: o itamar é um misto do conhecido jeito do Fusca com uma sensação estranha de ele ter sido produzido nos anos 90′: painel em plástico, único escape, quase ausência de cromados no carro e pintura metalizada. Mas o carro é uma essência única, digamos que 90% (repetindo, a essência) dele é do mesmo jeito do modelo que foi enfim finalizado no projeto em 1938.
        Quem sabe novamente, agora escolho entre os modelos 1980 e 1986 (os modelos chamados de “Fafá”). Só Deus sabe.
        Além do mais, considero o modelo uma grande ferramenta: bom torque em subida, suspensão resistente (até demais), enfrenta muitos terrenos duvidosos e muitas situações de enchente, peças fáceis de encontrar e reparos e adaptações emergenciais mais fácil que a média.
        Abraços, fiquemos todos na paz de Deus.

  • Maycon Correia

    Mário, nunca vi nenhum desses, porém o Lemos do Fusca Clube do Brasil que postou fotos desse carro há muito tempo num fórum. Pelo que observei é condizente com peças de montagem dos Fox e Fox Wagon de exportação para os EUA, já reestilizados para modelo 1987 ainda em 1986! E o volante existia em Golf alemão desde 1982

    Gosto muito daqueles últimos 1984 a 1986 que mesmo comuns são na minha humilde opinião os melhores Fuscas!

    • Dennys Araújo

      Maycon Correia, concordo em muito com o que disse, os modelos a partir de 84 até 86 são muito bons, sendo de igual nível com os Itamares. A questão quando observado bem é que a série “Itamar” tem um nível de acabamento ainda menor que os últimos 80s, mesmo com o pacote de opcionais/acabamentos mais completos (Itamar). O da série Tork não tem os reforços adicionais na carroceria, o catalisador, o painel forrado em plástico (podia escolher no opcional) e alguns detalhes mínimos, mas em acabamento ainda acho o Tork ainda mais bem produzido, tenho essa sensação, ainda corroborada e analisada pelo que você disse meses atrás a mim sobre alguns pontos da história do Fusca.
      Abraços.

  • José Carlos Kloske

    Caro Gromow
    Mais uma excelente reportagem, na verdade uma aula sobre Fuscas! E já que o amigo Leandro citou o Itamar 95, eu também tenho um e o acho o máximo. Pena que a VW, pelo que diz o texto, não dá o devido valor a ele.
    Um grande abraço

    • Grato por seu comentário, caro José Carlos Kloske,
      O Fusca Itamar é um caso realmente especial na história automobilística mundial…

  • Sergio
  • Eduardo Duarte

    Meu carro preferido junto com seu irmão na garagem que ficaram lá enquanto eu existir.

  • Rogério Oliveira

    Gromow! Uma matéria completa, mas não tem como ficar triste ao lê-la! Mas precisamos ter este conhecimento difundido por você, para poder manter a chama do Fusca acessa entre nós!