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É com prazer que relato ao leitor uma das mais significativas viagens que fiz como engenheiro de desenvolvimento da  Ford Motor Company do Brasil. E foi em abril de 2000 que fui à Venezuela  apresentar o Fiesta Street com motor Zetec  RoCam 1,6-L

A Ford Venezuela (FOV) com fábrica em Valencia, cidade vizinha a Caracas, produzia o Fiesta Street com motor Zetec-SE 1,25-L em regime de CKD e o programa de substituí-lo pelo Fiesta Street com motor RoCam 1,6-L, produzido em São Bernardo do Campo, foi que me levou a esta importante viagem.

O Fiesta venezuelano era basicamente o Fiesta europeu, inclusive com a mesma grade cromada em alguns modelos que cheguei a ver no trânsito de Caracas.

 

Fiesta MK4 europeu

Fiesta MK4 europeu, com sua grade cromada

A viagem já iniciou de maneira inusitada, pois na data prevista não consegui vôo direto de São Paulo a Caracas e tive que fazer escala em Miami nos Estados Unidos. E lá fui eu, São Paulo-Miami-Caracas.

Já sobrevoando Caracas, me chamou a atenção as favelas incrustadas nos morros, que mais pareciam um Rio de Janeiro piorado. Perguntei a comissária de bordo a respeito e ela me disse que as favelas venezuelanas eram chamadas de “barrios peligrosos” e que não paravam de crescer devido à deteriorante situação da economia no país. Vale notar que Hugo Chávez estava no poder há apenas 14  meses, o desastre mal estava começando.

 

favela caracas

Vista aérea de favelas nos morros de Caracas

Na saída do aeroporto um motorista já me esperava com uma reluzente Ford Explorer e lá fomos nós, de Caracas a Valencia, com ele dirigindo de pé em baixo. Perguntei ao motorista se as velocidades não eram regulamentadas e ele disse que sim, porém ninguém respeitava. No dia seguinte, o mesmo motorista me apanhou no hotel e me levou à fábrica da Ford.

 

800px-Valencia_(Venezuela)_Skyline

Cidade de Valencia, na Venezuela

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mapa caracas valencia

Mapa Caracas-Valencia

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planta ford valencia

Fábrica da Ford em Valencia, na Venezuela

O time da FOV, com seus representantes de marketing, peças e acessórios, compras, qualidade, manufatura e engenharia, estavam ansiosamente aguardando a minha apresentação a respeito do Fiesta Street brasileiro.  E no meu portunhol misturado com inglês, creio que fiz uma boa explanação técnica, comparando os dois produtos.

Na realidade as diferenças fundamentais entre o veículo venezuelano e o brasileiro eram os motores.

O Zetec-SE  1,25-L: 16 válvulas duplo-comando, com 75 cv a 5200 rpm e 11,2 m·kgf a 4.000 rpm e taxa de compressão de 10:1.

O Zetec RoCam 1,6-L brasileiro: 8 válvulas, monocomando, “torcudo” em baixas rotações e com taxa de compressão 9,5:1. Tinha 95 cv a 5.500 rpm e 14,1 m·kgf a 2.250 rpm. Com rotação de corte em torno de 6.250 rpm, não era tão elástico quanto o Zetec-SE, que cortava liso a 6.900 rpm.

O câmbios eram praticamente os mesmos exceto as relações de 2ª e 3ª marchas mais longas no Fiesta RoCam (5,4% e 3,0% respectivamente). A relação de diferencial era a mesma para os dois veículos e também a medida dos pneus, 165/70R13.

1ª 3,58 – 2ª 1,93 (2,04) – 3ª 1,28 (1,32) – 4ª 0,95 – 5ª 0,76:1 diferencial 4,06:1

As suspensões do Fiesta brasileiro privilegiavam o conforto, enquanto que o venezuelano mantinha as suspensões mais firmes, originais do veículo europeu.  Foi difícil convencer o time da FOV a respeito desta alteração do produto.

Terminada a apresentação formal, o pessoal da mão na massa já estava esperando para o inicio de uma viagem de avaliação, onde dois veículos, um venezuelano e outro brasileiro, seriam comparados lado a lado, dentro das características de mercado da região andina.

E saímos de Valencia rumo à cidade de Santo Domingo onde ficou patente a força do petróleo na Venezuela. As estradas eram bem asfaltadas, inclusive as vicinais externas e internas às inúmeras fazendas que presenciei pelo caminho.

O Fiesta brasileiro se mostrou mais confortável em termos de suspensões, porém com mais presença de ruído do motor.  O RoCam 1,6-L dava conta do recado, mantendo um bom compromisso de dirigibilidade e desempenho de maneira geral. Já o Fiesta venezuelano, embora mais áspero em rodagem, parecia um kart em estabilidade, sendo agradável de dirigir com sua marcante característica “fun to drive”. O motor 1,25-L Zetec SE era muito elástico e com corte a 6.900 rpm , dava gosto de esticar as marchas.

Os dois veículos estavam com os mesmos pneus 165/70R13, inclusive da mesma marca Pirelli, venezuelanos, para que a comparação fosse feita nas mesmas bases de rodagem.

E foi na “Carretera Transandina” que o Fiesta brasileiro mostrou suas garras. Seu torque em baixas rotações dava segurança em ultrapassagens sem a necessidade de trocas de marcha constantes. Tocada simples e fácil para qualquer motorista.

 

carretera transandina ysmael quero

Carretera Transandina (foto ysmael quero)

A subida com 15% de gradiente média na Cordilheira dos Andes, entre as cidades de Barinitas e Santo Domingo, foi realmente emocionante. Foram  43 quilômetros  com curvas acentuadas  e paisagens inesquecíveis. Subimos da altitude de 300 m até 2.800 m, em 50 minutos aproximadamente. Na realidade a cordilheira é tão gigantesca que chega a oprimir os nossos sentimentos.

 

barinitas sto domingo

Barinitas–Sto Domingo

E após 447 km em 8,5 horas, chegamos ao  hotel  Los Frailes, onde para comemorar o final do primeiro trecho da viagem, brindamos com um vinho branco geladinho que quase me matou. Devido à altitude em torno de 3.000 m, a minha pressão interna que já estava desequilibrada, com o vinho então, subiu ainda mais. Nem jantei, dormi sentado na cama tomando aspirina para baixar a pressão. No dia seguinte, graças a Deus, acordei novo em folha, o meu corpo reagiu bem e após um excelente café matinal, partimos para a segunda etapa da viagem.

 

hotel los frailes foto Edwin Mora

Hotel Los Frailes – foto Edwin Mora

No trecho de Santo Domingo à cidade de Valera, já descendo a cordilheira, que o Fiesta brasileiro mostrou uma qualidade fundamental para a região andina. O Zetec  Rocam  apresentava excelente freio-motor, ajudando a não ocorrer fading dos freios. O Zetec-SE , em contrapartida, tinha pouco freio-motor devido as suas características de tempo em que as válvulas de admissão e escape ficavam abertas simultaneamente.  Motor “girador” porém com pouca capacidade de desaceleração.

 

timotes

Cidade de Timotes entre Sto Domingo e Valera

A rota incluiu também trechos litorâneos entre as cidades de San Felipe e Morón, chegando a Valencia após 8 horas e 538 km de viagem.

A rota completa, incluindo os dois trechos, foi feita em 16,5 horas, perfazendo 985 km (média de 59,7 km/h).

Os dois veículos praticamente empataram em termos de consumo de combustível, fazendo média de 10 km/l aproximadamente, com a boa gasolina venezuelana.

E com orgulho que ouvimos o pessoal da FOV reconhecendo o potencial do Fiesta Street  Zetec Rocam 1,6-L brasileiro, sendo considerado mais adequado aos mercados andinos que o Fiesta venezuelano.

Finalmente, missão cumprida!

Encerro este post com uma homenagem ao querido amigo e engenheiro E. Batelli, que com maestria liderou o desenvolvimento da calibração dos motores Zetec RoCam 1,6-L gasolina, para o mercado venezuelano.

CM

Créditos: wikipedia – imagens google – ford motor company do brasil – acervo do autor – google map


Sobre o Autor

Carlos Meccia

Engenheiro mecânico formado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) em 1970, trabalhou 40 anos na Ford brasileira até se aposentar. Trabalhou no campo de provas em Tatuí, SP e por último na fábrica em São Bernardo do Campo. Dono de amplo conhecimento de automóveis, se dispôs a se juntar ao time de editores do AUTOentusiastas após sugestão do editor Roberto Nasser.

  • Lorenzo Frigerio

    There is no replacement for displacement. Gasolina boa, consumo semelhante.

    • Milton Evaristo

      Sobrealimençāo acabou com isso, faz tempo.

      • Lorenzo Frigerio

        A comparação é entre dois motores aspirados.

    • Domingos

      Tem aí uma diferença de desenvolvimento. O Rocam é um motor muito mais recente e com comandos roletados, além de bem desenvolvido.

      Um Zetec 16v em mesmas condições seria provavelmente muito empatado com o 1,6 Rocam, ainda que sendo apenas um 1,25.

      Aliás, com melhorias esse 1,25 segue sendo usado na Europa até hoje.

      • Lorenzo Frigerio

        Não sei a que se referem os roletes, mas normalmente buchas lubrificadas pelo óleo funcionam melhor que rolamentos. No caso dos tuchos, permitem comandos mais radicais, mas não vejo isso em motores feitos para carros econômicos. A Ford é cheia dessas expressões-xaveco, desde os tempos do CHT.

        • Domingos

          Lorenzo, os roletes são os comandos com acionamento das válvulas via balancins. Nesse arranjo não existe bem um tucho ou algo com a sua função, sendo uma alavanca roletada a peça que aciona as válvulas.

          Isso reduz o atrito enormemente e é uma solução muito provada, sendo inclusive usada nos motores com comando no bloco de alguns anos – bons anos, aliás, – para cá.

          A diferença em atrito é grande o bastante para compensar a diferença de desempenho que daria um arranjo multi-válvulas contra um de apenas 1 válvula de escape e 1 de admissão.

          Vide os GM 2,0, que com essa configuração ficaram muito bons.

  • Leister Carneiro

    Fico feliz que um produto adaptado à condição brasileira tenha se dado melhor nos Andes que um europeu

  • Rodrigo Neves

    Excelente! Consigo apreciar os dois tipos de motor.

  • Carlos Eduardo

    Grande Meccia!
    Carrinho honesto, prazeroso e valente. Teria um ainda nos dias de hoje, embora a invejosa área do cérebro que guarda as lembranças do meu Ka Black 1,6 tenha reclamado.

    Infelizmente brasileiro só olha a “cara”, porque, de coração, cada qual ao seu tempo e considerando os avanços da engenharia, acho este Fiesta superior ao que o sucedeu.

  • Leister Carneiro,
    Tive a oportunidade de dirigir esse 1,25-L no sul da França e fiquei impressionado, especialmente com a potência em baixa rotação. Tanto que quando foi lançado aqui o 1,4-L Zetec duplo-comando 16v de 88 cv, pouco depois, a diferença de desempenho era imperceptível.

    • Domingos

      A gasolina ruim nossa atrapalha muito conseguir um motor “cheio”. Já notei vários carros de motor mais elaborado que mostram aqui uma fraqueza em baixas rotações que não é sequer comentada fora do Brasil.

      Acredito que se calibrar o carro para uma performance similar, ou gasta muito ou teria problemas como detonação ou contaminação exagerada do óleo. Nossa gasolina é de brinquedo, é a obrigação de comprar um trambique com preço de coisa normal.

    • César

      Não sei Bob, já dirigi alguns veículos (alugados, logicamente) no sul da França e me pareceu que o combustível e as condições das estradas de lá favorecem o desempenho e o consumo. Nossas condições são bem diferentes…

  • João Schmitt

    Como sempre, os posts do CM muito interessantes e gostosos de ler. Aproveitando o assunto, estive no Peru dias atrás e nesta região atingimos altitudes extremas em pouquíssimo tempo. Vi-me em 3.800 m num momento e fiquei em dúvida de qual seria o limite para um carro nosso flex rodar, com essas taxas de compressão altas demais para gasolina. Com 1% de perda de potência a cada 100 m, imagino como meu Mille ia se arrastar para subir os Andes.

    • Thiago Teixeira

      Meu Corsa Wind tem 60cv. No Rio de Janeiro é suficiente para a proposta do carro. Boa economia e desempenho modesto. Por exemplo, numa retomada em rampa leve não preciso desligar o ar.
      Já em Brasília, nas mesmas condições, tenho que trabalhar mais as marchas e muitas vezes desligar o ar condicionado. São uns 8 cv a menos que fazem muita falta.

      Já fiz Rio-Brasília num Fiesta 1,4 16v, tem uns anos. Não tem esforço para manter 140~150 km/h e é excelente a estabilidade.

  • Luciano Ferreira Lima

    Ficou com gostinho de “quero mais”, vai ter parte 2 e 3? Nunca tive Festa mas o com cara de tristonho me atrai. Meccia, reparei que no Ka Supercharger o módulo fica muito próximo do farol acumulando facilmente zinabre. Respeitosamente grande mestre, o que aconteceu para ele ter sido colocado ali?

  • Carlos A.

    Muito legal e curioso o texto Carlos Meccia, aqui vem uma curiosidade minha sobre o combustível. Mesmo o Fiesta Brasileiro empatanto no consumo de gasolina, foi necessária alguma recalibração no mapeamento da injeção eletrônica para esse teste usando gasolina daquele País?

    • Carlos A.
      O Fiesta venezuelano foi calibrado para gasolina pura.

  • Mr. Car

    Pois é, Meccia, deixei de ter um destes Rocam 1,6 em um Fiesta (só que modelo 2009) em boa parte (os outros motivos foram a garantia de três anos e o espaço bem maior do concorrente que acabei escolhendo, o Logan Privilège 1,6 que tenho até hoje) por culpa da política de revisões semestrais da Ford, que acho um saco, além de ficarem mais caras. De qualquer modo, não duvido que ficasse tão satisfeito com o Ford quanto estou com o Renault, ou “Dacia”, como os haters fazem questão de dizer, numa tentativa boba, infantil mesmo, de depreciar o carro, he, he! Quanto à Venezuela, só posso dizer: Fuerza hermanos de Venezuela!!! Abajo Maduro!!! Tanto lá quanto aqui, estamos precisando nos livrar das desgraças que estão no poder.
    Abraço.
    Para pensar: “O homem nasceu mais para a dor do que para a alegria. Os nossos olhos poderão perder a faculdade de ver a luz, mas jamais perderão a de chorar”. (Victor Marie Hugo)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=i6d3yVq1Xtw

    • Marcelo

      Haters também adoram depreciar chamando-os de Samsung. Como se não fosse umrRenault legitimo, coisa de pensamento tupiniquim burro.

    • André Andrews

      Aproveitando que você colocou uma música – e parafraseando o Meccia – vou homenagear a Venezuela com a música homônima, que tem uma letra bonita. E foi usada como tema do carro da Verinauto, o Centauro – um Peugeot 405 – que no começo vinha com o ótimo TU5JP4.

    • Domingos

      Força mesmo. Eles estão há anos se mobilizando ainda mais forte que nós para se livrarem dessa doença. É um povo com potencial e que passa pelos mesmos problemas que nós.

      Basta a grana daqui acabar que se resolve o problema por lá também.

    • CharlesAle

      E acredite Mr. Car, o Fiesta RoCam é denegrido só pela rapaziada(ou criançada) hater que muitas vezes sequer entrou no carro. Trabalhei como encarregado de manutenção de frota locada, e lidei muito com Fiesta e Courier, e realmente são muito resistentes..Tanto que sempre opinei para deixá-los(Fiesta) com o clientes de escolta armada,os que mais esmerilhavam carros! Gol g4, Palio, Uno, chegavam em frangalhos, os que mais resistiam eram Celta e Fiesta!
      O maior problema dos RoCam era o liquido de arrefecimento, que durava muito pouco(falha Ford, não culpa do motor), logo perdia efeito e enferrujava rapidamente, causando danos na termostática elétrica..Problema que resolvi, me lembro bem, padronizando com outro aditivo(Radiex azul) barato e que funcionava muito bem! Também dava problema na bobina, mas sempre depois de bem rodados! Problema crônico dos Celtas também..
      Sem exageros, o motor Zetec RoCam foi um dos mais resistentes motores que se tem conhecimento..Tanto de durabilidade, como de baixíssimos defeitos..

      • CharlesAle,
        Ainda tenho um Fiesta Street 2007, o último que foi produzido e posso garantir que ele é bem resistente

    • Mr.Car,
      Música inesquecível

  • RoadV8Runner

    Mais uma história bacana! Isso que é gostoso no trabalho algumas vezes, ter prazer mesmo estando a serviço. Essa estradinha dos Andes venezuelanos parece extremamente entusiasta. Eu gosto muito dos motores RoCam 8-válvulas. Embora não girem alto, não reclamam até o corte de giro.

  • BlueGopher

    Por que será que abaixo do equador os governos (geralmente populistas) sempre conseguem bagunçar com tudo?
    O país tem tudo para se tornar uma potência mas só anda para trás.
    Vide como está hoje a Venezuela, com todo seu petróleo e pertinho dos EUA.
    Este ano, de janeiro até setembro, a Ford (quarta colocada no ranking) só vendeu lá 1.767 carros de todos os modelos.
    No começo da década de 2000 ela vendia este volume de Fiestas por mês!
    E viva o glorioso Mercosul, afinal a seu favor abrimos mão de acordos com a União Européia e EUA.
    Será que isto é que é trabalhar a favor da população?

    • pkorn

      Acho que a linha imaginária não tem culpa. A Venezuela está acima da linha do equador e a Austrália está inteiramente abaixo da linha do equador.

    • BlueGopher,
      A Venezuela era como o México de hoje, para os Estados Unidos. Até a cultura era americanizada, com basebol, futebol americano e as músicas também.

  • Daniel S. de Araujo

    Os motores RoCam sempre me impressionaram pela excelente pega, lembrando motores de maior cilindrada e o ruído que de leve lembra o CHT (aliás, ambos tem as mesmas medidas!).

    Foi o Ford Ka 1L que me fez perder o preconceito contra os “1000”: Até então, só experimentando Uno, Gol CHT e Corsa, achei que seria impossível ver graça em um 1-L. O Ka RoCam me mostrou o contrário!

  • Fernando

    Muito legal o post, Meccia, obrigado!

    Bem interessante o Zetec-SE, inclusive é de reparar que foi substituído por um de cilindrada bem maior. Será que comparativamente em desempenho x consumo se a comparação fosse o de 1,4-L ocorreriam as mesmas diferenças(ou seja, como foi aqui na visão dos testes?)

    Sempre notei isso do freio-motor do RoCam, após estar acostumado com outros carros quando o dirigi notava que tirar o pé do acelerador era quase uma freada hehe. O motor Renault K7M acho bastante parecido com o RoCam 1,6-L no comportamento em geral.

    • Fernando, realmente, dirigir com freio-motor é bem prático

  • Milton Evaristo

    No conceito, esse RoCam é que seria elástico, o outro mais girador.

    • Milton Evaristo,
      A faixa entre o torque máximo e a potência máxima é que determina a elasticidade do motor. No Zetec 1,25-L não existia muita queda de potência até o corte do motor, resultando então nesta característica.

  • Marcelo

    Nenhum Ford hoje pruduzido por aqui chega na qualidade de acabamento deste Fiesta!

    • Leonardo

      Amigo, tenho um Street MK5 (que não passa de um MK4 reestilizado) e posso dizer que o acabamento, apesar de agradável aos olhos quando novo, é bem frágil, após alguns anos os forros de porta de desmancham e a qualidade dos tecidos e carpete também não é lá grande coisa.
      Fora isso é um bom carro, mais agradável de dirigir que os outros populares de sua época.

      • DPSF

        Tive um Fiesta 1-L ano 98. Em acabamento era superior a qualquer popular da época. Muito gostoso de dirigir. Tinha uns problemas crônicos como o sensor de temperatura que travava (termostática), um outro sensor de vácuo que costumava a dar defeito, coxins dianteiros que também teimavam em estragar e uma facilidade em dar ferrugem na lateral da caixa de ar e de fusíveis, pegava tanta ferrugem, que furava e caía água nos dois lados dos passageiros da frente…. mas o carro agüentou longos quatrp anos em minhas mãos, nunca me deixando na pista. Aquele painel com recuo da parte do passageiro dianteiro era bem bonito. Sempre achei que faltava uma grade cromada na dianteira daquele carro, pois era meio sem graça (coisas da Ford Brasil). Quanto ao problema dos forros das portas que esfarelavam com o tempo, era mais fácil de perceber nas versões que receberam o motor RoCam, nas versões que receberam o motor Endura, o acabamento era mais primoroso. Acho que até o Meccia irá concordar que o acabamento do Endura estava alguns degraus acima do acabamento do RoCam, sem contar que na reestilização, passaram a usar um volante de diâmetro maior (acho que era o do Escort Zetec). Na época do meu Fiestinha tristonho, mandei pintar os pára-choques no estilo europeu, com a parte de baixo deles (onde havia um pequeno ressalto) na cor preta… ficava muito mais estiloso do que o pára-choque totalmente pintado que a Ford costumava fazer como pintura original.

  • Danniel

    Meccia, seria possível um artigo sobre o dimensionamento do sistema de arrefecimento? No clube que participo frequentemente ouço que o sistema do Omega é insuficiente para o calor brasileiro, o que tendo a discordar imaginando que seja utilizado critérios bem mais extremos do que enfrentamos na rua..

  • Caio Azevedo
  • Fat Jack

    Interessante seu comentário a respeito da similaridade dos motores, coincidentemente tenho um Street Hatch 1.0 e um Logan K7M e concordo, inclusive pela disponibilidade de torque a baixas rotações, o que permite que se guie ambos de forma econômica aproveitando-o.
    Quanto ao freio motor sinto-o bem mais presente no Fiesta, possivelmente em virtude de sua cilindrada e relação de marchas mais curta.

  • Fat Jack

    Os motores Zetec (RoCam ou não) se mostravam modernos quando dos lançamentos das respectivas gerações do Fiesta nacional (1996/2000). Outra característica que me impressiona é a capacidade de manterem boa potência e torque mesmo com uma quilometragem razoavelmente elevada (acima dos 130k km por exemplo).
    A meu ver foi um grande erro o lançamento da primeira geração com os motores Endura (1-L e 1,3-L) pois já eram motores antiquados e pouco potentes, sendo o modelo 1,4 CLX considerado do até hoje como prazeroso de se guiar.
    Tive um “Endurinha” 1998, e posso atestar que fora a falta de motor era um carro irretocável sob todos os aspectos, e no quesito estabilidade superior até aos RoCam (alguma leve questão de acerto, mas perceptível).
    Quanto a superioridade do 1,6-L 8v frente ao 1,25-L 16v, para mim dadas a devida geografia (andina) da avaliação, a meu ver o resultado só poderia ser este: mais potência, maior torque (sendo este numa rotação bem mais baixa), se traduz em maior comodidade ao uso proposto.
    Agora, me permite uma pergunta CM:
    É verdade que um alto executivo da Ford teria argumentado a alguns jornalistas quando da apresentação dos RoCam, referindo-se ao salto entre as versões (1-L e 1,6), que o consumidor brasileiro não gostava de cilindradas intermediárias como 1,3 e 1,4 litro?
    (Para mim, na verdade o consumidor não gostava é de versões 1,3 ou 1,4 com potência, torque e desempenho similar ou inferior ao dos 1-L mais modernos)

  • César

    Totalmente off-topic, e totalmente longe de denegrir vossa conclusão, mas… Nada mais natural que um produto brasileiro fosse considerado mais adequado para um mercado de terceiro mundo. Afinal, logicamente tudo o que é “adequado” para o terceiro mundo é de qualidade inferior ao que é adequado para a Europa. Nunca nós, brasileiros, podemos ter o privilégio de ter à disposição um produto igual aio que é oferecido lá fora, seja automóvel, moto, eletrodoméstico, roupa, alimento ou qualquer outra coisa.
    Quanto ao Fiesta desta geração, o melhor que tivemos. Pena que faltou a grade cromada).

    • Lucas Vieira

      Nem sempre, César, devido as nossas condições de rodagem mais “pesadas” nossos carros costumam ser melhores em vários aspectos, inclusive, os caminhões brasileiros são referência no mundo inteiro, de tanto que são exigidos, seja em condições de estrada, carga e motoristas.

      • Lucas Vieira
        Principalmente os amortecedores são super reforçados em termos de selagem e também na parte estrutural, diâmetro de haste etc.

    • César, a grade cromada realmente deu uma melhorada na frente tristonha embora eu não goste.

  • Lucas Sant’Ana

    Meio Off: Meccia, teria como você dar alguns detalhes sobre a tentativa da Ford de colocar um compressor no motor RoCam 1.6L, tipo pressão de trabalho, taxa de compressão, tamanho do compressor, torque e potência?
    Outra coisa, noto que os braços da suspensão do Fiesta RoCam não estão na horizontal, será que ele foi erguido para rodar nas “condições brasileiras”? Como rebaixar ele para rodar em condições de primeiro mundo?

    • Lucas Sant’ana
      O Fiesta Street foi erguido 15 mm para as condições brasileiras.

  • RoadV8Runner

    Essa de chamar de Samsung mostra que esses “haters” não entendem nada de nada, pois os produtos Samsung são muito bons. E vejo com certa freqüência Logan rodando aqui na França. Só não prestei atenção se são vendidos como Renault ou Dacia.

    • Domingos

      Sandero Stepway tem em bom número pela Europa ocidental também!

    • Ricardo Carlini

      São vendidos como Dacia, há muitos aqui no oeste francês. Contudo, cabe frisar que as concessionárias são sempre integradas.

      • RoadV8Runner

        Verdade, vi hoje um Duster no estacionamento da fábrica e tinha logotipo Dacia.

  • RoadV8Runner

    Isso que eu não entendo desses governantes populistas burros e imbecis. Que vantagem existe em ter um país dominado, mas totalmente quebrado e ridicularizado mundo a fora?

    • Lemming®

      Eu acho até muito fácil de responder…
      Governo populista se baseia em corrupção e consequentemente quem está no comando leva todo o dinheiro e vive como rei. Quem vai querer saber do que falam ou dos 99% da população dominada??
      Basta ver a ilha particular do Fidel e a vida suntuosa de sua família…

      • RoadV8Runner

        Pior que você tem razão, para esses cabecinhas de meleca, o que vale é o luxo para si e dane-se o resto, desde que o luxo deles não seja afetado.

  • RoadV8Runner

    Que coincidência, foi justamente o Ka com motor RoCam 1-litro que me fez ver os motores 1-litro modernos com outros olhos.

  • Arno moura cavalcanti

    o RoCam tem bloco derivado do Endura? Se não tem, por que fazer outro motor quando tinha o Sigma pronto?

    • Arno,
      Não tem, é parecido porém é bloco específico. Sua outra pergunta é realmente difícil de responder

  • Alisson Vechi

    Excelente matéria, mas não consigo entender por que chamar o Festa Mk5 de Street. Street foi uma versão do Mk5 no Brasil, quando acabaram o GL e GLX e entrou o Mk6 no mercado. Então chamar de Mk5 é o correto.
    Achei estranho essa relação do 1,25, já que o 1,4 utilizava diferencial 4,25 .

  • Bera Silva

    No Rocam, os cames giram sobre roletes colocados nos balancins:
    https://i.ytimg.com/vi/iOvZPTzNpOA/hqdefault.jpg

  • Matéria legal! Aliás não é surpresa que o pessoal da Venezuela gostou do 1.6: lá comum ver V-8 americano dos anos 1970 e o 1,6 cai bem melhor que o 1,25 16V naquelas situações.

  • Lucas Sant’Ana

    E sobre o RoCam 1,6 com supercharger, tem como dar detalhes?

  • ALEX s

    Ótima leitura, esse Fiesta é um carro quase inquebrável, só que teve e tem sabe como é gostoso esse carro dentro da sua categoria.

  • Dieki

    Nossas motos também são (pelo menos as que são desenvolvidas aqui). Acho que isso foi comentado aqui mesmo, que a nossa Titan é “overengineered”, sendo muito mais robusta que qualquer outra concorrente no mercado mundial. O que é bom.

  • Dieki

    O Fluence (Samsung SM5) é um excelente carro, a despeito do powertrain relativamente fraco e beberrão. O queridinho Cruze é um Daewoo (descendência direta dos Espero e Nubira). Projetos globais. Haters querem carros europeus mas não os compram e quando os tem reclamam das características européias que aqui viram defeitos (lembrar sempre do câmbio DSG ou de carros grandes com motores pequenos).

    • Marcelo

      Eu nao acho o Fluence fraco nao!

  • Alex Ctba

    Muito legal o texto, CM, Parabéns! Acho que o modelo tristonho que ilustra o texto tem tudo para virar um clássico daqui a alguns anos.

  • Christian Govastki

    Eu queria muito ter tido um Fiesta Endura, mas as concessionárias Ford de Brasília me fizeram o favor de não conseguir vender o carro e tive que comprar um Corsa.

    Seria um verde Jamaica com os pára-choques pintados… Acabei indo de Corsa Super.

    Ford zero, só quando cheguei na concessionária e falei para a vendedora se ater a tirar a nota do meu Focus Ghia, senão ela ia acabar me mandando para a Toyota.

  • Carlos A.

    Correto Carlos Meccia, obrigado pela atenção!

  • Lorenzo Frigerio

    Não existe muita redução de atrito em motores cujo comando gira mergulhado em óleo. Isso entretanto beneficiou os motores americanos OHV, pois a lubrificação na cabeça do tucho é apenas “suficiente”. Basicamente, V8s fabricados a partir de 1987 usam tuchos roletados. Não existe aquela paúra de mau assentamento e desgaste na primeira ligada de um motor, e naturalmente comandos roletados podem ter um perfil de subida mais rápida, não necessariamente para gerar potência, mas para aprimorar as características, embora o uso de comandos radicais é geralmente a maior intenção no aftermarket.
    Agora, mesmo nos V8 não roletados, o sistema tradicional já é muito bom, pois o tucho gira em seu eixo enquanto é empurrado pelo comando, e imagino que os 4 cilindros OHC com “bucket tappets” (copinho e pastilha) também façam isso; eles apenas devem ser mais barulhentos.

    • Domingos

      De fato existe todo um debate se o acionamento via balancins com rolete é realmente benéfico em redução de atrito em relação a um sistema acionado diretamente via tucho.

      Porsche e Peugeot apostam nessa linha. Outras fabricantes anunciam uma redução de 30% nas perdas mecânicas do acionamento via balancins contra o direto via tucho.

      O que daria por sua vez 10% a mais de torque e potência, com o extra de permitir desenhos de comando ao mesmo tempo mais agressivos e sem comprometer a força em baixa rotação.

      O próprio GM 2,0 ganhou quase exatamente 10% de potência com a conversão para acionamento via balancins.

      Na F-1 não usam o sistema, sendo acionamento direto com molas pneumáticas. Provavelmente o sistema pneumático traga uma redução de esforço mecânico tão grande quanto o sistema por balancins, porém de forma muito mais compacta e leve – com menor número de peças também.

      O que é certo é que todo motor que dirigi com acionamento das válvulas via arranjo de balancins e roletes era BEM mais suave que um motor equivalente sem o sistema.

      • Paulo_Lustosa

        Na vdd o F2 GM sempre usou balancins devido ao formato da câmara de combustão hemisférica, a diferença é só que o 2.0 de 2009 até 2011 usam comandos e tuchos roletados e os anteriores à esse ano usam comando tradicional.

  • RoadV8Runner

    O primeiro Ka da patroa (2009) deu problema na bobina depois de pouco mais de um ano de uso. Segundo o mecânico que conserta meus carros, houve um lote de bobinas que apresentavam defeito rápido. A bobina nova estava com quase quatro anos quando trocamos o carro e ainda em perfeitas condições. O carro foi trocado por outro Ka (2013), da última fornada e, passados praticamente dois anos, a bobina continua perfeita, mesmo o carro atual tendo rodado nesse tempo quase o mesmo que o primeiro Ka rodou em cinco anos.

  • Leonardo Mendes

    Não sei por que razão eu sempre achei que a grade cromada mostrada no modelo da foto era de material plástico transparente.

    Gostava muito do arranjo dos faróis de milha desse modelo, bem criativo e integrado ao design do carro.

    • Leonardo,
      Era realmente de plástico transparente com cromado reverso

  • Ozirlei

    Carlos Meccia, vi num dos comentários que a alteração de altura em relação ao modelo europeu foi de 1,5 cm. Parece que já vi outras matérias comparando o brasileiro e o importado e geralmente ficam nessa média, entre 1 a 2 cm o produto “tropicalizado”.
    Se souber, poderia dar detalhes de como geralmente é feita essa alteração? Mexendo na altura do prato do amortecedor, número de espiras na mola, ponta de eixo diferente (deslocada).
    Minha pergunta é a pergunta de muitos, principalmente dos que têm carros antigos… É inegável que um carro de 20 anos atrás não precisa mais dessas características em centros urbanos bem cuidados. Assim como nossa gasolina “melhorou” e não precisa mais daquelas taxas de 8:1 e esses carros antigos podem fazer upgrade pra uns 9:1~9,5:1 hoje sem maiores conseqüências, penso que a suspensão também pode ir por esse caminho.
    Meu carro original tinha uns 11 cm entre o pneu e pára-lama, e amortecedores hidráulicos, com mola de constante fixa. Coloquei molas esportivas importadas de constante variável e amortecedores a gás (de modelo esportivo que servia, e esse já vem com o prato deslocado em 1 cm), baixando para uns 8 cm do pára-lama ao pneu (arrastadores não curtirão esse comentário). Para efeito de comparação, deixou de ser um Del Rey para virar um Gol GTS. Passo em lombadas sem pegar e as curvas ficaram muito mais seguras. Foram “apenas” 4 cm, que fazem um absurdo de diferença. Então, voltando, qual a melhor maneira de fazer uma alteração segura, com altura de rodagem que fique condizente, trazendo as características do projeto original?

    • Ozirlei,
      Normalmente é revista a altura sobre carga da mola para a atitude desejada, sem alterar o “rate”. Deve-se alterar somente a altura livre da mola, mantendo todas as outras características.

      • Ozirlei

        Obrigado, Carlos. Então o melhor caminho pra todos é usar as molas esportivas, cortar elos aumenta o rate. Foi o caminho que eu segui pra tentar ficar o mais proximo de algo original, pois as molas esportivas que eu comprei são fabricadas ‘encolhidas’, com mesma quantidade de elos… (tem umas perigosas por ai, que são feitas esquentando os elos! )

  • KzR

    Se certa vez já achei esse modelo de Fiesta bem plantado, acho que ficaria surpreso com a sensação do Fiesta venezuelano. Gostei de ver o RoCam 1,6 fazendo bonito no sobe-desce da cordilheira andina e com boa média de consumo.

  • Lucas Sant’Ana

    Meccia tem como você comentar da tentativa da Ford em fazer um fiesta rocam 1.6 com supercharger?

  • marcus lahoz

    Este motor rocan 1.6 é muito bom, tive um fiesta 1.6 e gostei muito. Belo texto.

  • Lucas Sant’Ana,
    Foi feito um protótipo, nada mais que isso.

  • felipe fernandes

    Aqui em casa temos e já tivemos vários carros 1.6. Carburados,à álcool,hatch, picape,perua e sedan. Os atuais são Fiesta Rocam só a gasolina (2004) e Corsa Sedan 1.6 (já tivemos também o Corsa Hatch 1.6, mas esse é um caso a parte). O motor Ford inegavelmente possui um torque maior, perfeito pra subidas e viagens com o carro lotado. Ele simplesmente não sente o peso extra e mantém seu bom desempenho. O Fiesta 2004 tem na maior cabine (inclusive acomoda melhor os passageiros que o New Fiesta) seu aliado no quesito espaço porém pesa no quesito velocidade. O carro simplesmente não ultrapassa 170kmh em reta, não sei se atribuímos isso ao peso extra ou a relação e marchas. Outro ponto não muito agradável é o consumo e combustível que insiste em não passar de 10 kml na cidade. Em comparação com os motores GM, considero os Rocam superior,exceto em consumo. Como os Corsas Sedan ainda visavam mais conforto (suspensão e caixa de cambio eram diferentes no Hatch) o cambio é longo. Ótimo para o consumo (principalmente em estradas onde já se registrou médias acima de 15 kml) porém irritante quando se lotava o veículo, pois suspensão mais macia,câmbio longo e motor de baixo torque, faziam as ultrapassagens do carro parecidas com as de um bom 1.0 vazio. Outros 1.6 aqui de casa foram o Fiorino LX 1.6 (bom desempenho mas beberrão) e a Marajó SLE 1.6 álcool (zero à esquerda) e tenho a curiosidade de ter um VW 1.6 EA, se não me engano os utilizados no Polo e Golf , pois creio que sejam um dos melhores 1.6 8V nacionais.