É um óvni? É um trio elétrico? Não, só um aproveitador

 

Young woman driving car

 

O Brasil deve ser o país que mais leis tem no mundo. Tem lei para tudo — mas poucas são respeitadas. E menos ainda entram em vigor se não são regulamentadas. Mas, peraí, como “regulamentar” uma lei? Lei não é lei? Veja bem…

Aqui se faz uma lei, mas depois ela depende de tanta coisa que é como se ela não existisse. Então, na prática, ela não existe até que sejam cumpridos vários ritos. E isso, claro, pode levar anos. E muitos ficam no meio do caminho e nunca são terminados. E aí ficamos com leis capengas, que não servem ou servem mais ou menos. É como uma mulher “mais ou menos grávida”. Ou uma jabuticaba. Ou a tomada de três pinos. Coisas que só existem por estas paragens.

Enquanto a Constituição de alguns países tem apenas um par de páginas, como a da Argentina e a dos Estados Unidos, por exemplo, e se deixa o resto para leis específicas, a do Brasil inclui até proteção às baleias. Ora, na Carta Magna? Claro que isso permite que se incluam coisas que nem deveriam fazer parte dela e fiquem de fora da legislação aquilo que realmente deveria ser considerado. Em compensação, descemos a detalhes que seriam desnecessários em legislação e esquecemos do óbvio.

Faz pouco tempo voltei a me irritar na estrada quando, às vésperas de um feriado prolongado, estava junto com todo mundo quase parada no trânsito e apareceu um fofíssimo cidadão com aquele monte de luzinhas vermelhas na grade dianteira do carro e no pára-brisas piscando incessantemente. Carro de passeio, diga-se de passagem, sem nenhuma identificação oficial, adesivo, nem placa oficial, nadica de nada. O sujeito ora vinha pelo acostamento, ora entrando na pista, cortando todo mundo, passando por cima das faixas zebradas. Como sempre nestes casos, Insulfilm que não permitia que se visse coisíssima nenhuma dentro do veículo — inclusive no pára-brisa, juro!. Alguns motoristas davam passagem, mas de fato foram pouquíssimos. O mais estranho foi que ao chegar perto do posto da Polícia Rodoviária o sujeito se escafedeu para ao lado de um bitrem de forma a passar exatamente encoberto pelo veículo gigantesco. Pouco mais adiante, voltou ao acostamento.

Muitas vezes vi carro de polícia (ou ambulâncias) pedirem passagem no meio do trânsito com giroflex (completo, no teto, não parecendo árvore de Natal como este cidadão) e sirene e quando alguém não dá passagem o carona, devidamente uniformizado, coloca o corpo para fora e grita. As vezes o policial até bate com a mão na porta do próprio carro para chamar a atenção de algum motorista mais desatento. Desta vez, como sempre que é um carro deste tipo, nada. O motorista nem abre o vidro. Será que ele realmente não tem pressa? Ou não quer ser visto?

 

giroflex1

Os kits vem com explicação de montagem (foto www.aliexpress.com)

Várias vezes vi questionamentos sobre como proceder nestes casos. Tecnicamente, a resolução 268 do Contran de 15 de fevereiro de 2008 especifica quais são os veículos que podem usar luzes para pedir passagem de emergência – ambulâncias, bombeiros, polícia, fiscalização de trânsito e veículos oficiais. O Código de Trânsito Brasileiro diz no artigo 229 que é infração grave dirigir com equipamento do sistema de iluminação e de sinalização alterado, sujeito a retenção do veículo. Mas a Polícia diz que como a venda dessas luzes é livre assim como das sirenes, não tem como fiscalizar. Parece incrível. E é. Ou seja, temos leis para o uso mas não para a venda. Cheguei a ouvir o conselho de policiais em programas de televisão que, como não há como impedir que particulares comprem os equipamentos e os usem (como assim? Se a lei prevê até multa e retenção do veículo?) “na dúvida, dê passagem”. Ora, isto posto, eu não dou passagem já que não tenho dúvida de que não é carro oficial nem está em serviço. Se tiver dúvida, darei passagem, sim senhor. Mas sempre que não tiver dúvida, não dou. E ser porventura for um carro de polícia à paisana, ele poderá me encaminhar à delegacia. Se tudo for verdadeiro, giroflex e policial, a delegacia também será, não?

Outra peculiaridade destes indivíduos é que eles surgem sempre nos congestionamentos, mas somem quando passam perto de um comando ou posto de polícia, tudo em apenas alguns minutos. No caso que mencionei, assim como em vários outros que presenciei, os motoristas se escondem ou mesmo desligam as luzes quando passam por um comando ou posto de polícia. Ao contrário, quando me deparei com viaturas devidamente identificadas, não é raro elas buzinarem ou acenarem para seus pares. Estranha essa diferença, não? Mas porque esses carros nunca são parados e multados, se não por usarem esses equipamentos — que na minha opinião não poderiam ter venda livre, pois é como vender farda, armas ou outro equipamento privativo do Exército — pelo menos por andarem no acostamento, ultrapassarem pela direita, usarem Insulfilm irregular, e até mesmo pelo uso de luzes irregulares? Se o giroflex “de mentirinha” pode ser vendido livremente (mas não utilizado) sobra regulamentação para todas as outras violações, não? Ah, e a estrada em questão é cheia de câmeras. Será que nenhuma flagrou a fofurinha que andou assim durante pelo menos 10 quilômetros?

 

giroflex2

Tem luz de tudo quanto é cor e padrão (Foto www.aliexpress.com)

Já vi isso em outros Estados e mesmo em ruas de São Paulo e certamente proliferam na medida em que aumentam os congestionamentos e há leniência do poder público em coibir esses abusos. Mas também vejo que cada vez menos pessoas dão passagem a esses veículos. O problema é que, assim como a fábula de Prokofieff de Pedro e o Lobo, quando Pedro chamava os caçadores para que o ajudassem contra o Lobo que na verdade nunca o atacava eles se cansaram — e quando Pedro os chamou por um ataque verdadeiro, eles não o acudiram.

Mudando de assunto: OK que Lewis Hamilton fez por merecer o tricampeonato de F-1. Correu bem o ano todo e Nico Rosberg, além de azarado, cometeu vários erros a temporada inteira. Mas no lindo circuito de Austin parece que baixaram Prost e Senna ao mesmo tempo no inglês. Jogou o carro em cima do companheiro na primeira curva no estilo do brasileiro, se beneficiou do melhor lugar para largar apesar de ser segundo (no melhor estilo Balestre), lucrou com um tardio safety car virtual (por que demorou tanto?) e ainda viu o companheiro se lascar com um safety car verdadeiro que lhe garfou os 11 segundos que tinha de vantagem. Claro que Rosberg bobeou derrapando a sete voltas do final, mas resistiu a ser o Dick Vigarista que talvez outros tivessem sido e não permitiu que Vettel o ultrapassasse, o que teria prejudicado Hamilton. Por tudo isso, não merecia a humilhação de que lhe jogassem o boné de número 2. Menos, Hamilton, menos.

NG

Foto de abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


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  • Marco Antonio

    É Nora é o País do descaso do poder público, eu detesto Insulfilm, não uso. Belo texto!

  • Lemming®

    Esqueceu daquele detalhe Nora…Dá um traaaabaaalhoooo apreender esses veículos…
    Faz tempo que não vejo destes espertalhões por aqui mas se tenho certeza faço o mesmo. Não dou passagem e que se vire…

  • CorsarioViajante

    Curiosamente, ontem estive em SP e vi um desses veículos. Realmente faz tempo que existe abuso por parte dos espertinhos, mas a Polícia prefere fingir que não vê a abordar o sujeito e levar um tiro.
    E faz tempo que já ficou claro que as tais “câmeras de vigilância” nas estradas não servem para nada mesmo, como neste caso.

  • Roberto

    Em Porto Alegre, já vi um veículo deste tipo (um fiesta rocam) várias vezes circulando pelos corredores de ônibus. Se ainda não pegaram foi por falta de vontade da fiscalização de trânsito mesmo, ainda mais considerando que sempre circula no mesmo horário (próximo das 9h), em uma avenida cheia de câmeras (Protásio Alves) e onde há sempre fiscais circulando.

    Pior que é fácil mesmo achar este tipo de “acessório” na internet. É só pesquisar por “kit giroflex” ou “kit strobo” e se acham as pencas; infelizmente.

  • CCN-1410

    Em 05 de outubro de 1988 o Brasil poderia ter caprichado na Constituição e tê-la feito menor, talvez até uma cópia da Americana, mas muitos meteram o bedelho para fazê-la perfeita e deu no que deu.
    Mas o pior mesmo é que nossas leis servem apenas para alguns.

  • Evandro

    Essa dos falsos carros oficiais eu já vi dizerem que pode ser alguma viatura da Polícia Civil, que anda geralmente disfarçada, mas eu não acredito.

    Por aqui, ainda não vi nenhum tipo como este, espero continuar a não ver.

    Sobre a venda ser permitida, mesma coisa se aplica para as películas “saco de lixo” e os faróis azuis ou Xenon, que me emputecem ao ver tanta gente discutir a instalação e uso deles grupos de carros em redes sociais.

    Me parece que o povo é besta e faz questão de continuar sendo, mesmo sabendo que está errado, e depois ainda tem a cara de pau de culpar o governo (seja ele de que esfera for), exclusivamente, por todos os males do país.

    Um amigo PRF sempre disse temer pela cidade caso eu me tornasse agente de trânsito. =D

  • joao

    Inacreditável. Sem mais palavras.

  • Eduardo Silva

    Olha, esses carros são ofensivos ao cidadão correto, mas quer saber? Eu dou passagem. Em muitos casos o motorista não está em serviço, mas é um policial civil ou militar que compra essas coisas e coloca no carro particular para estender seu mini poder aos momentos em que está de folga ou em trânsito para o quartel ou delegacia. Infelizmente, não são conhecidos por serem educados e compreensivos. E se não for esse o caso, é um arrogante que se sente melhor que nós, babacas presos no trânsito respeitando a fila. E esse tipo de pessoa eu quero que passe e suma o mais rápido possível.

    • Bruno Bertha

      Brasileiro é portador crônico da Síndrome do Pequeno Poder, aquela em que o sujeito tem um orgasmo sempre que pode dizer não.

    • Roberto

      Eu na dúvida também dou passagem. Vai saber se o motorista não está armado, até porque se a pessoa se presta colocar luzes só para levar vantagem, já dá para ter uma ideia que boa índole não tem. Entretanto, se eu ver mais a frente o mesmo veículo acidentado sozinho, pode ter certeza que não vou parar para ajudar. Não vou colocar minha vida em risco e da minha família por conta de um “esperto” desses…

    • Christian Bernert

      Também dou passagem. Vai que um desequilibrado desses ainda por cima está armado? Não preciso de mais este problema.

  • Thiago Teixeira

    Nora, existem carros oficiais com “segunda placa” para serviços de inteligência ou que necessitam “camuflagem”, usam placa cinza. Eles tem a sirene/lights, mas ainda assim, como qualquer outro carro oficial de urgência/emergência/policia, só pode ser usado em casos de urgência propriamente dita. Ex.: Uma ambulância levando um acidentado. Se não tiver uma vitima o motorista não pode fazer uso dos sistemas sonoro e de luz. Manda a lei. Particularmente, acho que todo veiculo desse tipo, de emergência ou policial, tem que ter sempre as prerrogativas de vantagens no transito. Eles podem entrar em emergência a qualquer momento. Há uns anos meu pai se acidentou. Levei ele no meu carro para um hospital e de lá foi necessário remoção para um hospital especializado. Ficamos um tempo aguardando uma ambulância disponível, que estava presa no transito. Veja que nesse momento ela estava sem paciente, mas precisava de urgência no deslocamento.
    – Não dar passagem a um carro de policia não vai te levar pra delegacia, mas pode render multa. Há regulamentação nesse sentido.
    – Usar esses equipamentos proibidos configura crime de usurpação da função pública, mas é um crime tão “inexpressivo” que a policia acaba por não proceder. E essa inexpressão chega aos tribunais, que muitas vezes inocentam o réu.
    Mudando de assunto (ou não): Baixe o aplicativo Sinesp Cidadão. Quando avistar um desses carros consulte a placa. Se não retornar informação sobre o carro é bem provável ser um desses reservados!

    • Nora Gonzalez

      Thiago Teixeira, o estranho é que quando cruzam com um comando policial desligam toda a parafernália de luzes. Se não fizessem isso, acreditaria que estão numa emergência. Não me importo em tomar uma multa ao dar passagem para um veículo em emergência, ao contrário, faço questão. Mas por quê esses carros começam a mudar de faixa ao ver um policial, sempre para bem longe?

  • fabio

    O pior é que nem sempre dá para saber se é um espertalhão ou realmente uma viatura descaracterizada, das polícias civil, militar e federal. Existem destas viaturas aos montes, e a maioria com insulfilm muito escuro, inclusive no parabrisa. Os policiais, que, diga-se, deveriam ser os primeiros a seguir a lei, não querem ser vistos, sob a justificativa de não serem alvos fáceis dos marginais.

  • Mr. Car

    Nora, nunca topei com um infeliz destes, ou se topei, nem percebi a malandragem. Quanto às nossas leis…temos leis demais, leis que “pegam”, que não “pegam”, leis que divergem entre si, leis com brechas, leis ridículas, leis ultrapassadas, leis esperando regulamentação, leis inúteis, leis brandas, e até leis que favorecem o infrator. Temos também a tomada, a jabuticaba, mas em um ponto, você foi injusta com o Brasil: nem aqui, terra de muitos absurdos e particularidades, se encontra as tais mulheres “mais ou menos grávidas”, he, he, he!
    Abraço.
    Para pensar: “Liberdade é o direito de fazer tudo que as leis permitem”. (Charles-Louis de Secondat = Montesquieu)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=DxeldOb5mzM

  • marcus lahoz

    Nunca encontrei com este tipo de gente na rodovia. Mas se encontrar, denuncio para a polícia, ligo no telefone da policia rodoviária (certa vez denunciei um cidadão que fumava maconha e dirigia) e mando ver, placa e modelo do carro. Sobre os sinais luminosos, eles são de livre comércio pois são muito utilizados em veículos de manutenção, mas neste caso deve ser utilizada apenas a luz ambar.

  • Luciano Ferreira Lima

    Fui carreteiro durante 12 anos, posso dizer com alguma autoridade que tenho experiência na estrada e, também posso dizer com riqueza de detalhes que quando vejo os “ixpertos” fazerem besteira e olha que não são poucos, desrespeitando o seu próximo e muitas vezes debaixo dos olhos da ineficiente PRF que ao contrário são muito eficientes em achaques a caminhoneiros que por muitas vezes tem o dinheiro contado somente para o almoço e conserto do pneu. Ja vi tanta coisa ruim que acho que desenvolvi pânico de rodovias. É uma utopia achar que vai mudar, brasileiro não gosta de respeitar e viver debaixo de lei e também é bíblico que o mundo irá de mal a pior. Então o melhor a se fazer é evitar ao máximo colocar o carro na rua e , se colocar se muna de uma boa câmera automotiva, a minha ja me livrou de muitas enrascadas financeiras, a última de 9 mil em que uma Hillux propositalmente brecou na frente de minha carreta, não pensei duas vezes, arrastei o dono da rua por trinta metros até chegar a guarita da PRF no trevo de Três Rios RJ BR 393 com a BR 040. O inspetor riu muito e disse que ele vai pensar duas vezes antes de frear na frente de uma carreta.

  • Félix

    Nunca vi, mas pequenas e grandes malandragens se vê aos montes… e é difícil ser excluído dessa lista de malandros que somos, infelizmente. Sobre a regulamentação das leis, às vezes é necessária. Talvez a demora do processo legislativo seja o problema! Sobre nossa Constituição, já fui mais crítico, mas hoje até admiro que muitas coisas boas tenham sido escritas por congressistas! Se é longa é porque temos o hábito de só mudar quando a lei exige (vide o caso dos itens de segurança, como capacete, cinto, air-bag etc etc)

  • Taylor

    Fui visitar um distribuidor de produtos da minha área de atuação e, ele, ao me apresentar a empresa, passa ao lado de uma kombi com vidros escurecidos e pintura nas laterais informando “Disque Pizza”.
    Ao questioná-lo veio a resposta: Você já viu algum veiculo desse tipo ser parado pela fiscalização?
    E não parou por aí: Próxima aquisição uma ambulância para agilizar a entrega, disse ele.
    Estamos todos ferrados!

  • János Márkus

    Aqui em Brasília tem alguns que usam essas luzes para trafegar em faixas exclusivas para ônibus. É só acender essas luzes e seguir sem ser incomodado. Outro problema são as escoltas particulares, que acham que são policiais. Se aparece algum desses dentro do fluxo de trânsito é encrenca na certa porque quem estiver próximo será devidamente empurrado para outra faixa, sem cerimônia. São abusos cometidos por pessoas que simulam serem uma autoridade. Também, nesses tempos tá tudo invertido… o certo está errado e o errado é o certo.

  • BBW

    Nora, não concordo quando cita a posição de largada do Hamilton como sendo melhor, apesar de segundo. Em condições normais, de pista seca, o Rosberg estaria largando do lado emborrachado da pista, onde o pole deve largar sempre, enquanto o Hamilton estaria do lado sujo. O grid foi montado corretamente. O Hamilton só deu sorte da pista estar molhada, que anula um pouco essa vantagem do pole. Nada de “Balestre” aí.
    Quanto ao boné, lamentável. O Hamilton não se portou bem nessa situação, poderia ter apenas ido comemorar seu título, sem provocar ninguém.

  • Lorenzo Frigerio

    Já vi isso bastante. Mais recentemente na faixa de ônibus da av. 9 de Julho, naquele trecho que você leva mais de uma hora para percorrer, perto do antigo Colégio Sacré Coeur (atual FESP). Mas dessa vez havia também viaturas verdadeiras, e se não me engano também o carro de uma “otoridade”, com aquelas placas de bronze. Então a gente nunca sabe quando é uma viatura descaracterizada, quando é um folgado.

  • Lorenzo Frigerio

    Aqui na Raposo, rola direto.

  • Lorenzo Frigerio

    Uma vez uma ambulância se acidentou fazendo barbaridades em SP. Abriram a porta traseira para ver como estava o doente… eram sacos de cimento.

    • Nora Gonzalez

      Lorenzo Frigerio, e eles passavam bem? 😉

  • Lorenzo Frigerio

    A Síndrome do Pequeno Poder é irmã da Síndrome de Criar Dificuldades Para Vender Facilidades.

  • Marco

    É muito comum ver carros com tais equipamentos trafegando em corredores exclusivos de ônibus.

    “Outra peculiaridade destes indivíduos é que eles surgem sempre nos congestionamentos…”

    Mas nesse caso, com muitas viaturas verdadeiras acontece o mesmo. A “d. Autoridade” vem acompanhado o tráfego, numa boa. Aí, de repente, o trânsito pára. O que ela faz? Liga o giroflex, vai passando, se espremendo aqui, subindo uma guia ali e vai embora. Deixado o tráfego para trás, desliga a sirene e vai embora seguindo o seu caminho, normalmente para casa, almoço, bate papo, etc.

  • Eduardo Silva

    Preconceito isso aí hein!

  • Leonardo Mendes

    Aqui em Santos até um tempo atrás era useiro e vezeiro um Civic preto com insulfilm BEM escuro e essas luzes na grade andando feito doido na avenida da praia no horário das 8 da manhã (incrível, até cronograma de malandragem o cara tinha)… por uns dois meses ele fez o que quis no trânsito, depois sumiu.

    Certa feita eu segurei um malandro desses, azucrinando a paciência num Gol Geração II e se achando o Nicolas Cage em 60 Segundos… pois segurei o cidadão até onde deu, chegando na Praça das Bandeiras abri passagem, abri o vidro e gritei: “POLÍCIA FALSIFICADA“.
    O cara deu um risinho amarelo, tipo criança pega roubando brigadeiro em festa antes do parabéns, e foi embora depois de apagar as luzes.

    • Acyr Junior

      Nicolas Cage em 60s foi cruel … rsrs

    • Domingos

      Ser pego roubando brigadeiro é uma boa analogia. Dá uma vergonha desgraçada, embora isso seja inocente e engraçado – já o cara se fingir de policial deveria dar uns bons anos de cadeia.

  • Thiago Teixeira

    Sim.. tem muito gaiato também.

  • Renato

    Se não me engano, nos Estados Unidos era permitida a venda dos detectores de radar, mas, não seu uso.

  • Acyr Junior

    Brasil: muito cacique para pouco índio !!!

  • Lucas dos Santos

    Nora,

    Nunca me deparei com essas “falsas viaturas”, mas, no país do “jeitinho” não é de surpreender.

    Ainda no assunto “privilégios indevidos no trânsito”, já reparou na quantidade de “vagas exclusivas” de estacionamento que não deveriam ser exclusivas que tem por aí? É vaga para “veículos oficiais”, imprensa, clientes… tudo em via pública. Foi este artigo do Julyver de Araújo, do CTB digital que chamou a minha atenção para isso:

    http://www.ctbdigital.com.br/?p=InfosArtigos&Registro=400&campo_busca=&artigo=1

    E em minha cidade, ano passado, foi criada uma lei municipal que estabelece vagas de estacionamento “exclusivas para gestantes”!

    http://s04.video.glbimg.com/180×108/3483467.jpg

    Óbvio que ninguém atentou para o fato que somente a União pode legislar sobre o trânsito e, como esse tipo de vaga não está previsto no CTB, ninguém sabe como fiscalizar! Ou seja, conseguiram a proeza de fazer um projeto inconstitucional ser protocolado, passar pelas comissões da Câmara, ir para votação em plenário, ser aprovado e sancionado pelo prefeito! É só aqui mesmo que acontece essas coisas.

    • Nora Gonzalez

      Lucas dos Santos, acho que vi algo parecido no interior de São Paulo. Ótima sugestão para minha coluna. Vou pesquisar e volto ao assunto. Valeu!

  • RoadV8Runner

    Já vi algumas dessas falsas viaturas, em geral com sacos de lixo inclusive no pára-brisa. Não dou passagem mesmo, pois se for um veículo oficial, depois de algum tempo à frente, alguém vai gritar, berrar, fazer aquele escândalo. Certa vez, no meio do trânsito intenso, um tonto desses começou até a usar uma sirene para ver se eu arredava o pé do caminho. Fiquei na minha e o cara desistiu, foi aporrinhar o vizinho ao lado para ver se conseguia algo.
    A fiscalização é muito simples, pois como você mesmo citou no texto, a maioria das estradas tem câmeras em profusão. Basta colocar um cabra de olho na telona para informar à polícia que tem um espertalhão zanzando pela rodovia. O mesmo vale para quem transita pelo acostamento: um policial de olho na telona vai bater recorde de autuação dos espertinhos que transitam pelo acostamento em congestionamentos. E ainda com a vantagem de que se o “gérson-motorista” reclamar, manda-se um vídeo bacaninha do nó cego fazendo bobagem… Já comentei antes e volto a repetir: para mim, transitar pelo acostamento sem autorização deveria dar multa de uns R$ 5000,00, mais suspensão da CNH por 1 ano e necessidade de curso de reciclagem. Reincidente? Cassação em definitivo da CNH. Simples assim.

    • Nora Gonzalez

      RoadV8Runner, coincidência ou não, nunca me deparei com um com sirene nem com placas que não fossem as brancas, normais. E sempre são veículos de passeio, sequer de serviço que pudessem ser confundidos com ambulâncias ou de socorro, o que me faz crer que realmente não são carros “legítimos”, em verdadeiras emergências.

  • Henrique Luiz

    Leis em nosso país, são feitas apenas para arrecadar mais e mais dinheiro. Tipo Kit de primeiros socorros era obrigatório, todos se desesperaram para comprar, passou o tempo e deixou de ser obrigatório. Reboque traseiro, grade frontal para as picapes, e o mais recente extintor ABC. O brasileiro sempre sendo prejudicado.

  • Christian Govastki

    Nora, e o que dizer dos policiais que andam no passo da minhoca com caimbra e giroflex aceso e aquelas malditas luzes amarelas piscando na traseira da viatura bem na sua cara?

    Ou que passam com o giroflex ligado e correndo para ir ao restaurante almoçar?

    Ou que fazem transporte de presos entre o tribunal e o presídio da Papuda (parte do meu trajeto diário) bem na hora do rush com o trânsito todo parado e trafegando a mil pelo acostamento? Será que não podiam esperar um pouco e ir uma hora mais tarde quando o trânsito reduz?

    Por este motivo quando estão realmente a serviço os motoristas não dão passagem.

    Outro dia que vi o motorista de uma viatura dos bombeiros em atendimento descer e dar uma mega bronca no motorista de um carro que simplesmente parou de vez na frente da viatura por causa do farol amarelo e esta por milímetros não destruiu o carro.

    Neste ponto os bombeiros são mais sérios, quando retornam ao quartel não usam o giroflex nem a sirene.

  • Christian Govastki

    Em Brasília tem vaga para idoso, deficiente, grávidas, carros oficiais, carros flex (dentro do Wal-mart) e a melhor de todas – para advogados nos estacionamentos perto dos tribunais.

    • Lucas dos Santos

      Sem problemas com vagas para idosos e deficientes, pois são amparadas pela lei. Outras exclusividades, porém, já é “privatizar o espaço público”.

      O pior é que se alguém for multado por estacionar “indevidamente” nessas vagas e recorrer da multa, provavelmente terá o recurso indeferido!

  • CorsarioViajante

    Outra coisa é pesquisar a mania das prefeituras de querer escrever coisa na rua. Fui pro Guarujá e agora escrevem na faixa de pedestres “faixa viva”. Não dá para entender.

    • Lucas dos Santos

      Seu comentário me fez lembrar de algo semelhante que fizeram em minha cidade.

      No final dos anos 90, pintaram, no meio das faixas de pedestre um desenho do principal ponto turístico da cidade! Nem lembrava mais disso! Sempre achei sem sentido “interromper” a faixa de pedestres para colocar desenho inútil no meio dela. Felizmente, não durou muito tempo.

  • Cadu

    Além destas luzes, digamos, oficiais, tem as luzes obrigatórias que são ‘tunadas’. E virou um festival: leds chineses de baixa qualidade que mal iluminam a placa, piscas de cores diferentes (brancos, azuis), faroletes azuis que causam até vertigem, leds que modificam a frequência de piscar da seta (por consumirem menos, disparam o relé mais rapidamente)

    Caminhões com luzes das mais diversas cores na boléia ofuscando quem vem no sentido contrário. E não são faróis, não. São luzes “penduradas”, de “enfeite”.

  • Vc devia ter anotado a placa e parado no Posto Policial, avisando a PRF. Eles logo iam achar o “colega” e bater um papo animado com ele.

  • Rafael Ramalho

    Estou surpreso com o post e com os diversos comentários ignorantes abaixo.

    Primeiro ponto: Devemos lembra que não é competência do cidadão, verificar ou não se é uma urgência/emergência, devemos simplesmente ceder passagem. É surreal vocês generalizarem que estes carros, são “falsos”. É o tipo de crime, que nenhum animal correria o risco de fazer apenas para andar no trânsito, dado o risco de exposição. Um ínfimo número pode até ser verdade, mas o criminoso que “cria” algo assim, geralmente é para a pratica de roubo à cargas e a artimanha é usada somente no momento do delito. Dica: A caracterização é sempre no estilo saco de lixo em todos os vidros, e geralmente as viaturas acompanham os modelos ou marcas das viaturas oficiais da região. Outro ponto é a placa, jogue no Sinesp Cidadão, se retornar como veículo inexistente é viatura. Existem casos, onde retorna comumente o veículo, este já é um ponto para iniciar sua desconfiança, acione o 190 e relate para o operador a situação. Outra dica importantíssima! Quando ligar, seja breve e direto, não inicie sua comunicação assim: ” Ah eu quero denunciar um louco aqui, ele tá cortando todo mundo, quase atropelou uma mulher grávida de 3 meses, vocês tem que prender ele e etc!”. Informe ao operador apenas a situação e a placa do veículo, tenha absoluta certeza que sendo um criminoso, ele será caçado. OBS: Apenas no Paraná, existem portarias que regulamentam o uso de viaturas descaracterizadas, sendo proibido por lá o uso de viaturas com placas reservadas para tais fins.

    Segundo ponto: Muitas dessas viaturas são compradas pelo governo sem equipamentos de iluminação, sendo instalado posteriormente pelos próprios policiais, não seguindo um padrão estabelecido. Alguns disseram que são carros particulares dos próprios policiais. Com exceção do RJ, que é um estado atípico, todas as policias possuem regulamentos internos bastante rigorosos, o policial que fizer isso irá responder uma bronca na corregedoria.

    Terceiro ponto: Os recursos do estado para segurança são poucos, imaginem todos estes policiais presos no trânsito, geralmente cumprindo alguma missão burocrática. Isso não existe. Outro ponto é a segurança, geralmente sozinhos, se abordados por criminosos, a chance de serem sumariamente executados é altíssima, por isso toda essa tensão em não ficar parado. Ontem em BH, um Policial Civil em uma diligência com uma viatura descaracterizada, foi abordado por um marginal e levou um tiro no rosto. São inúmeras histórias assim.

    Finalizando, sou um cidadão comum, auto entusiasta e ciente que se existem espertos que cometem tal delito, é um número ínfimo comparado aos verdadeiros. Não cabe a mim ser o justiceiro do volante, não abrindo passagem ou questionando a real emergência/urgência da viatura ou o trabalho do policial.

    • Leonardo Mendes

      A caracterização é sempre no estilo saco de lixo em todos os vidros, e geralmente as viaturas acompanham os modelos ou marcas das viaturas oficiais da região

      Há uns 15 anos atrás a Civil daqui tinha um Santana prata exatamente nessa configuração… e indo mais atrás no tempo, meados de 1992, era um Galaxie 500 preto, um tanto surrado, que fazia esse papel.

    • Nora Gonzalez

      Rafael Ramalho, ao contrário do que você diz, muitos preferem levar vantagem num congestionamento.Tanto é que de acordo com o Detran de São Paulo em 2012 foram feitas 4.462 autuações em veículos com sistema de iluminação e sinalizadores alterados em todo o estado e apenas nos três primeiros meses de 2013 (último ano que achei disponível) foram 1.138 registros – e as autoridades reconhecem que é uma infração pouquíssimo fiscalizada. Tudo isso seria roubo de carga? E apenas durante o delito? Eu também disse que os veículos com os quais deparei tinham “sacos de lixo” em todos os vidros e que nenhum deles insistiu em conseguir passagem, o que reforça a idéia de que não estavam realmente em emergência. Nenhum dos carros que encontrei seguia o padrão de viaturas, eram carros, digamos, simples – Gol, Voyage, etc. mas não mencionei isso porque não acho que venha ao caso. E um ponto importante: se eram policiais, ainda que fora de serviço, porque desligariam as luzes ou se esconderiam atrás de caminhões ao passar por um comando? E somente ao passar pelo comando é que voltam para a faixa de rolamento e não andam mais pelo acostamento ou pela faixa zebrada. Se estivessem em emergência, poderiam fazê-lo sem problemas. Ainda, nenhum deles tinha sirene, nem ligada nem desligada, provavelmente porque é mais ostensivo e não há como negar quando é irregular porque fica externa ao veículo. Nada disso lhe parece estranho?

      • Rafael Ramalho

        Nora, entendo que muitos preferem levar vantagens, mas uma coisa é cometer infrações de trânsito para isso, outra muito diferente é cometer um crime apenas para essa finalidade. O volume das multas informados, incluem diversas outras infrações, tais como faróis de xenônio, leds e etc. Devemos lembrar sempre que a cor vermelha é a única oficial usada por agentes da lei. (A Azul também tem sido utilizada, mas não existe regulamentação). Vamos criar 3 situações, em ambas o trânsito esta parado e o condutor tráfega pelo acostamento: 1ª: Giroflex laranja, sem sirene. Punição: Multa e retenção para regularização. 2ª: Giroflex laranja, com sirene. Punição: Multa e remoção do veículo e documentos. 3ª: Giroflex Vermelho, sirene ligada ou não. Punição: Crime, condução para DP. A mesma situação vale para os strobos e highlights, não é crime. Sobre a questão de não forçar passagem: Quando o agente conduz o veículo em uma situação onde não está em ocorrência, ele é responsável pelos danos, então ele vai conduzir com cautela. Seria o famoso se colar, colou. Pode ter certeza que se fosse realmente uma situação de risco, você iria saber, fariam uso intenso da sirene e buzina. Sobe desligar ao passar pelo comando, se ele não está em emergência/urgência e tráfega pelo acostamento, está sujeito à todas penalidades previstas no CTB, então porque se sujeitar a ter problemas, basta voltar para a faixa de rolamento. Veja bem, não estou defendendo, entendo sua revolta e é a minha também. O ponto de vista que eu quis levantar é que o volume de pessoas que fazem isso para escapar do trânsito, é ínfimo. E que não cabe à nós, julgar se o agente está ou não em serviço, em urgência/emergência, nossa obrigação é sempre ceder passagem. Se desconfiarmos de algo, acionamos o 190.

        • Felipe Franchin

          Pergunta: precisa dar passagem só por estar com o giroflex ligado? Ou teria que estar usando a sirene junto, ou inexistente, o uso de buzina a fim de informar a necessidade de passagem?

          Pela forma que está no texto, a pessoa estava usufruindo do aparato só para ganhar vantagem em cima dos demais parados no trânsito

  • Felipe Franchin,
    É obrigado dar passagem, conforme CTB, Art. 29, Inciso VII, alínea a. Pelo Art. 189 é infração gravíssima deixar de fazê-lo, multa de R$ 191,54 e 7 pontos na CNH. Mas eu não dou passagem a esses vivaldinos bastardos e conclamo-o e todos os leitores a fazerem o mesmo.Não dêem passagem.