Isso foi em 1979, num mês de agosto, em pleno inverno na Patagônia argentina.

Havia três anos que eu cantava meus pais para irmos para San Martin de Los Andes, uma pequena cidade que eu conhecera por acaso, após a indicação de uma amiga argentina. Estávamos em Buenos Aires, ela falou que lá era legal, peguei o primeiro trem e fui. Fica nas cercanias de Bariloche. Adorei, uma porque aprendi a esquiar na neve, e outra porque aquela região nos proporciona visões de horizontes longínquos como eles só.

Meus pais estavam cansados e insisti com eles que aqueles ares do Sul lhes fariam bem. Fomos os cinco. Meus pais, minha irmã, meu irmão e eu. Voamos direto para Bariloche e após um dia ou dois meus pais e minha irmã pegaram cedo um ônibus para San Martin de Los Andes, enquanto meu irmão e eu pegamos um Renault 12 alugado, o enchemos com malas no porta-malas e banco traseiro, tudo entupido, mais os esquis no bagageiro da capota, e tocamos também para lá. O “Renô Doce”, como os argentinos dizem, era vermelho, tinha pneus para neve na dianteira e, felizmente, tinha um farto ar-quente que aconchegava a cabine. Foi arriado.

Para quem não o conhece, basta que imagine algo parecido com um Ford Corcel I, mas só que feio, bem feio mesmo, com quatro portas também, e esse é o Renô Doce. A mecânica e o comportamento são praticamente os mesmos. É praticamente o mesmo carro, mas com carroceria diferente. O projeto é da Renault em parceria com a Willys-Overland, mas quando a Ford assumiu o controle da Willys-Overland brasileira em 1967 o projeto de um carro médio executado pela Renault, com modificações no estilo, já estava adiantado, não tinha como ser sustado. Isso mais o fato de a Ford querer mesmo um carro daquele porte, que ainda não tinha. Assumiu o projeto, deu-lhe o nome de Corcel e colocou o emblema da Ford. O nome Corcel I nunca existiu. Era só Corcel, acho que para meter em nossas cabeças-moles que aquele carro tinha alguma coisa a ver com o estiloso e potente Ford Mustang. Passaram, informalmente, a chamá-lo de Corcel I só quando chegou o Corcel II em 1977. Na Argentina a Renault o fabricou como era na Europa: Renault 12, vulgo Renô Doce. E que foi lançado depois do Corcel.

 

Interior renault 12

Interior do Doce era bem diferente daquele do Corcel

Fui guiando, claro. Tudo meio desértico ao redor. Uma imensidão seca tipo filme de cowboy. E diante de nós aquela estrada que sumia lá longe no horizonte. Carro alugado é como se fosse meu: lenha. Sua 4ª e última marcha era curta, assim como é a do Corcel I, então naquelas gostosíssimas estradas asfaltadas e desertas da Patagônia, com longas retas e curvas abertas, ele ia o tempo todo próximo à sua velocidade máxima numa gritaria danada de motor, coisa de uns 140 km/h. Esse motor é mais próprio para jipes: bom em baixa, mas que não se dá bem em alta, não tem fôlego. É estrepitoso em alta. Azar o dele. Que reclame. Lenha.

 

Um Renault 12 de ral (foto: flickr.com)

Um Renault 12 de rali (foto: flickr.com)

San Martin fica ao norte de Bariloche. A idéia inicial era seguirmos o caminho-padrão, que é ir para o norte pela estrada de asfalto que vai a Buenos Aires, tendo a Cordilheira dos Andes à nossa esquerda, e depois de uns 180 quilômetros viraríamos à esquerda, pegando outra estrada asfaltada, para irmos em direção à cordilheira. E assim, já nos princípios da cordilheira, passaríamos por Junín de Los Andes — município famoso por oferecer excelente pesca da truta — e com mais um pouco chegaríamos a San Martin, já nas entranhas das montanhas. Essa viagem, linda, dá uns 250 quilômetros. Por ela seguiram meus pais e irmã no ônibus do Expresso Koko, que apesar do nome até que não era nenhum dejeto e muito menos ruim…

 

Mapa da região (foto: 1000millas.com.ar)

Mapa da região (foto: 1000millas.com.ar)

Mas acontece que após meu irmão e eu rodarmos uns 30 ou 40 quilômetros dessa estrada, vimos à esquerda uma pequena placa balançando ao vento: San Martin de Los Andes. Era uma estrada perpendicular à que estávamos e reta feito uma régua, com piso de rípio — pedregulhos bem socados na terra —, que apontava direto para os Andes. Aquilo, claro, nos atraiu. Sguííínch! Freada no asfalto e nem precisei parar o Renô Doce para decidir que era por ela que iríamos. Jovens irmãos aventureiros agem assim. Velhos irmãos aventureiros, também. Entrei com tudo, a pedregulhada voou para todo lado, e a gente que decidisse depois de entrar nela. Não foi preciso mais que poucos metros para decidirmos que era por ali mesmo.

Pegar uma estrada deserta que vai direto para uma imensa e escura cordilheira é uma coisa que atrai o sujeito. Desperta uma tremenda curiosidade. Uma curiosidade que lembra a sexual, porque essa visão de você estar numa reta tendo os horizontes laterais se afunilando para um ambiente escuro e convidativo é sexo puro. Bom, naquela idade — eu ainda não tinha 23 anos — tudo nos leva a pensar em sexo. Não tenho mais aquela idade, mas continuo a ter essa impressão, portanto aquilo inquestionavelmente despertava atração sexual mesmo.

 

Foto do autor feita na região

(Foto do autor)

Curiosidade traz ansiedade. A ansiedade nos pesa no pé direito. E lenha no Renô Doce. A pedregulhada voava e aquilo estalava na lataria feito rajada constante de metralhadora. Vieram curvas de alta à beira do Lago Nahuel Huapi, que nessas ficava à nossa esquerda. Esse imenso lago tem Bariloche em sua margem sul. Nós lhe déramos a volta pelo lado leste e estávamos em sua margem norte. Lenha. Se nas retas voava pedregulho, nas curvas de alta voava mais. Bom carrinho, o coitado do Doce. Mesmo arriado de malas aceitava o castigo e de lambuja ia macio e quentinho. Bons bancos, tipo o do Corcel I. Encaixava a gente legal e eram macios. Regulagem só de distância, claro, mas sua posição era perfeita.

Volante grande e sem assistência, porque naquele tempo fazer um pouquinho de força não incomodava ninguém. Naquele tempo, para que alguém reclamasse o volante tinha que ser pesado mesmo, tipo o da Veraneio ou o da Rural. Tinha que ser daqueles em que o sujeito lhe dá aquela juntada e nele se pendura de um lado, bufando na hora de manobrar na vaga. Se o cara não bufasse estava tudo bem. Sendo assim, nada a reclamar do volante do Renô Doce. Não tinha regulagem de altura e nem de distância, claro! E tudo bem, claro! Estava em boa posição de guiada. Bastava deixar as pernas um pouco encolhidas para poder alcançar todo o volante, mas tudo bem, porque não tinha console central invasivo nos restringindo as pernas. A alavanca de câmbio era igual à do Corcel I, um varão comprido espetado no assoalho. Bons engates, que podiam ser feitos com as pontas dos dedos. E lenha.

Entramos por um vilarejo, que hoje já é uma bela cidadezinha turística, com pista de esqui no Cerro Bayo, chamado Villa La Angostura, que fica à beira do lago. Tudo rípio. Nada de asfalto, acho que nem no vilarejo. A estradinha se bifurcava à frente. San Martin à direita, informava uma placa, Camino de Los 7 Lagos. Abaixo dela, outra, pequena, vermelha com letras brancas, que informava: ENCLAUSURADA.

Entrei com tudo. Reduzi para a 3ª e pau. Nem aí com o que dizia a placa.

— Naldo. Você viu a porcaria da placa? — meu irmão me perguntou.
— Vi mais ou menos. Tá fechada, né? E daí? Quer voltar? Já fomos longe demais — respondi, enquanto controlava a escorregada na curva.

— Tem razão. Se voltarmos vai demorar, e a mamãe vai ficar preocupada. Eles vão chegar e a gente não estará lá. Mande a lenha aí — ele, mais velho que eu, ordenou, me dando uma justificativa razoável — nossa pobre mãezinha chorando desesperada etc — para tocar a lenha daquele jeito maluco tipo rali.

Hoje essa estrada está quase toda asfaltada. De Villa La Angostura a San Martin de Los Andes dá uns 100 quilômetros. Hoje tem uns 70 de asfalto e uns 30 de rípio, sendo que esse trecho de rípio já é a base para o asfalto, ou seja, já aterrado, nivelado, bem socado etc., quase só faltando botar asfalto em cima. Mas naquele tempo esses 100 quilômetros eram por uma antiga estradinha rural cheíssima de curvas, uma estradinha que desviava de tudo quanto era acidente geográfico, porque havia sido feita na base da picareta, enxadão e carrocinha de mula. Hoje, com os aterros e pontes, tem cerca de 100 quilômetros, mas naquele tempo, com esse monte de curvas, com sobe e desce, na certa tinha bem mais. Então, lenha.

 

Um dia inesquecível (foto: youtube.com)

Um dia inesquecível (foto: youtube.com)

E que estradinha linda! Linda de tirar o fôlego! A gente ia encoberto na sombra dos úmidos bosques de pinheiros e de repente se descortinava um lago daqueles de cartão postal; lago plácido, montanhas nevadas, pastos, carneiros, vacas, cachorros peludos, cavalos. As rústicas pontes eram de madeira. Quando subíamos pegávamos neve.  Quando descíamos pegávamos riachos estourando de água.

Não era moleza. Em alguns trechos de neve pegávamos rastros de pneus de trator, que formavam profundos sulcos longitudinais, então o jeito era encaixar o sulco no meio do carro e mandar a bota, passar no embalo lutando para não cair no sulco, e assim fomos sem encravar nenhuma vez.

A água dos riachos era de congelar. Para atravessá-los, meu irmão, coitado, arregaçava as calças e ia à frente com uma vara para ver onde dava para o carro passar. Daí, depois que passávamos, voltava para o carro, enxugava as pernas e pés e tocava ar quente neles em meio a palavrões brutais.

E assim fomos, até que um pinheiro de razoável tamanho estava caído no meio da estrada. Nesse trecho a estradinha foi formada por um corte transversal no barranco da montanha, então era um barranco íngreme acima e outro abaixo. A base do pinheiro, sua raiz, estava no barranco acima e seu tronco com galhada caíra sobre a estrada. Sobrou um triângulo por onde daria para passar, desde que agíssemos com a minha cabeça e os músculos do meu irmão. Fazendo uma força danada conseguimos quebrar alguns galhos. Tiramos os esquis do bagageiro, meu irmão deitou de costas no bagageiro e fui devagarinho em direção à árvore. A frente passava, mas o teto, não. Por sorte meu irmão era um animal de forte e ele conseguiu erguer o tal do pinheiro com os pés. Aquilo deve ter correspondido a um agachamento invertido de uns 150 kg ou mais. Não sei quem gemia mais, se o bagageiro, as molas do Doce, o pinheiro ou meu irmão. Só sei que depois de uma gemedeira danada, passamos. O bagageiro ficou um U e o meu irmão saiu corcunda e todo molhado com a água que o pinheiro lhe derramou. Toalha e ar quente nele. Ele não é desses tontos que nem eu que se divertem entrando em roubadas, ele é mais tranqüilex, então ele fica bravo e xinga. Isso ele faz bem.

 

A estrada hoje (foto do autor)

A estrada hoje (foto do autor)

Lenha! Lenha porque a mamãe já deve estar descabelada de preocupação com seus menininhos. Meu pai nem aí, ao menos fazendo pinta que nem aí, dizendo que a rapaziada era assim mesmo etc., mas já bolando como seria a bronca pra cima da gente.

Lenha. Freada. Sguíínch! Brrrup! E agora! Uma ponte de madeira desabou. De novo estávamos num corte transversal, com um barranco íngreme acima e outro abaixo, e essa antiga ponte de madeira na certa fora feita para cobrir o espaço de estrada que sumira com um desbarrancamento. Paramos, descemos e fomos olhar. Estávamos literalmente numa fria. Fim de mundo. Fim do mundo. Cadê a minha mãezinha?

Só que olhando bem vimos que junto à montanha restava uma réstia de terra, uma réstia de terra com largura que parecia dar para o Doce passar. O galho é que a base dessa réstia de terra era em formato de arco de ponte, porque por ali corria uma cascatinha. Ela tinha uns dez ou quinze metros de comprimento. Não era muito seguro passar por ali. Nem um pouco seguro. Na verdade seria uma loucura passar por ali. Aquilo podia desabar a qualquer momento, seja com ou sem o peso de um Doce em cima.

Mas a nossa situação era que nem a das tropas do Cortez. Havíamos queimado os nossos navios e não tinha mais volta. Meu irmão atravessou a “ponte” de terra e ficou do lado de lá para me orientar, já que usando galhos como régua para medir a “ponte” e as bitolas do Doce calculamos que dava para passar. Na verdade, não é que passava na boa. Só dava para passar raspando, raspandinho.

Lembro do meu irmão lá do outro lado da “ponte”, em terra firme (que ele não é trouxa), com cara de preocupado, tipo imaginando o que iria dizer para a nossa desalentada mãezinha, “o Naldo, coitadinho, rolou com carro e tudo barranco abaixo”. Ou pensando, “se esse chato rodar, será que largo ele aí pros urubus comerem ou terei que ir buscar o corpo?”, “taí a minha chance de o orientar errado e me livrar desse pentelho”, essas coisas que irmão mais velho pensa a respeito do mais novo.

Situação tensa. O Doce indo devagarinho, ora eu olhando para as orientações atrapalhadas do meu irmão, ora olhando para o vazio que se abria ao lado, imaginando que aquela “ponte” não ia agüentar, ia ruir, e lá iria eu rolando despenhadeiro abaixo; até que a aflição foi demais e não deu para agüentar, e seja o que Deus quiser! Acelerei, meu irmão pulou de lado, e vupt!, passei.

— Ufa! — exclamei ao chegar do outro lado.
— Ufa? Ufa digo eu! Você tá maluco, cara? Vem cá ver o rastro dos pneus do carro! Olha aqui, imbecil! – meu irmão se expressando num momento carinhoso.

Fui ver. Pois é. Tinha só um ou dois centímetros de terra sobrando para cada lado dos rastros dos pneus.

E lenha para San Martin!

 

A estrada continua belíssima (foto do autor)

A estrada continua belíssima (foto do autor)

Chegamos um pouco atrasados. Meus pais e minha irmã já haviam chegado, mas estavam ainda na fase de maravilhamento com aquela cidadezinha, na época ainda rural, na beira do Lago Lacar, e ainda não estavam preocupados.

E aí meu irmão disse o único elogio que me fez na vida: “Cara, se não fosse você a gente não passava!”.

Estranhei o inusitado dele me elogiar. Sorri, orgulhoso, mas fiquei quieto. Se não fosse ele se metendo nas águas geladas, se não fosse ele erguendo árvore no muque das pernas, dentre outras coisas, a gente também não teria passado.

E se não fosse um bom carro, como aquele Renô Doce, a gente estaria lascado.

Um carro valente conquista a gente, e que se dane que seja feio e que isso e que aquilo.

AK



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Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

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  • Marcelo Druck

    Baita história.
    Vi muito desses na Coréia do Norte, quando fui em 2012, mas na versão Dacia. Cheios de massa e meio tortos, mas pareciam valentes.

    • Domingos

      Acabou de ganhar da façanha do AK. Coréia do Norte??

      • Domingos, acho melhor nem perguntar para o Marcelo que raios ele foi fazer lá… É melhor a gente ficar quieto.

        • Marcelo Druck

          Fui passar férias, antes que acabe, para ver como era. E aproveitei para ver tudo que tinha de carro estranho lá.

  • m.n.a.

    “…mas só que feio, bem feio mesmo…”

    gosto não se discute….acho o design atual de carros, em geral, horrível !

  • RMC

    AK
    Conheço a região mas nunca tive chance de fazer aventuras deste tipo! Descrição fantástica! Quanto ao R12, realmente um carro muito legal. Tenho carinhosas lembranças da Belina 77 que tivemos em casa. Não era nenhum azougue, mas o motorzinho 1.4 dava conta do recado. Viajamos muito com ela cheia e gastando pouco, no maior conforto. Chato ela o barulho da corrente do comando de válvulas quando o tensionador afrouxa e a mania do motor Cléon de queimar juntas de cabeçote. O resto, muito legal.

    RMC

    • agent008

      Me surgiu uma dúvida… o motor em questão não é o que originou o CHT? Sempre achei que ele tivesse comando no bloco e acionamento de válvulas com varetas… Então o comando, mesmo estando no bloco, é acionado por corrente?

      • agen008
        Sim, é o próprio. Saiba que as varetas se movimentam para abrir as válvulas partir dos ressaltos do comando e este tem que receber movimento do virabrequim, que pode ser por corrente, engrenagem e, num caso único que conheço, de um carro que já existiu chamado FSO Polonez, de comando no bloco.

        • agent008

          Obrigado Bob pela pronta resposta, eu imaginava que o comando desse motor era por engrenagem!

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Que seja decretada a obrigatoriedade do AK escrever textos do tipo mensalmente, sob pena de, não o fazendo, “dobrarmos a meta”!

    • Hahahah!
      Rafael, a gente ri, mas ela acabou de dobrar uma meta para este ano, a do déficit público.
      Como diria Voltaire: “Rio para evitar enlouquecer”.

  • Thiago A.B.

    Arnaldo!!
    Que bela aventura hein!! Carro resistente e feito para durar!! Esse Renault 12 usava o mesmo motor de 1,3/1,4 litros do nosso Corcel I? Deve ser daí que veio sua admiração pelas Belinas que teve….rs. No caso do motor 1,4l nacional, era ruim de alto giro também? Vibrava muito ou era só ruído mesmo?( já que alguns textos dizem que esses motores do Corcel de primeira geração eram suaves de funcionamento e subiam de giro rápido, ao passo que algumas avaliações já falavam em muito ruído originado pelo excesso de vibrações). Abraço

  • Mr. Car

    Isto dava uma bela história de leitor. Pensando bem… deu, he, he! Será que esse negócio de “carro valente conquista a gente, e que se dane que seja feio e que isso e que aquilo” vale para o meu “Dacia” Logan? Segundo relatos que tenho lido, e depoimentos que tenho ouvido ao vivo de motoristas de táxi, sim, o bicho é um tanque. Sempre pergunto para os taxistas pois o meu não serve de parâmetro para testar resistência e durabilidade de um carro: primeiro, que não maltrato, segundo, que o “Pierre” (mas podia ter batizado de “Vlad”, he, he!) faz sete aninhos agora em Dezembro com enxutos 26.000Km.
    Abraço.
    Para pensar: “Quem é capaz de descobrir o segredo dos olhos verdes, abismos de sedução onde cantam sereias”? (Henrique Maximiniano Coelho Neto) nota minha: E bota sedução nisso. Tenho até medo. Essa coisa enfeitiça!
    Para ouvir: https://youtube.com/watch?v=SgMR91MIO_8

  • AK, belo texto!
    Ah, o nome da empresa de ônibus é Koko. Tenho uma foto aqui em algum lugar…rsrsrs

    • Uno, é isso mesmo, Koko. É que na hora de escrever só usei a memória olfativa do nome. Vou mudar, obrigado.

  • Diney

    Seria interessante fazer um passeio AUTOentusiastas por essa região, deve ser magnífico.

    • Diney, se fosse possível, sim, seria magnífico! Mas não é por isso que você vai ficar esperando, não é? Planeje a sua para lá. A Christiñita está indo pro beleléu e logo a Argentina estará muito melhor, assim como o Paraguai, que ao se livrar do reprodutor de batina já cresceu 14% ano passado e vai crescer uns 10% este ano.

  • Fabio Toledo

    Que baita aventura AK! Obrigado por compartilhar com tamanha riqueza de detalhes, sensacional! E ainda tem gente que não entende nossa loucura por carros… Vai entender esse povo!

    • Fabio, carro é uma fantástica ferramenta multiuso. Só não vê quem não quer. Tem muito espírito de porco solto e falando besteira por aí, e outros tantos para acreditar nos nonsense que dizem.

    • Domingos

      Não gostar de carro é que nem não gostar de cachorro, gato ou de mulher – mesmo com todos os problemas que isso tem.

      Esse pessoal é doente mesmo. Pior é que, como todo bom doente, não se contentam em estarem sozinhos e querem arrastar todo mundo para isso.

  • Jorge Diehl

    Lembrei da minha infância que meu pai pegava seu possante Corcel Belina 70 e fazia 750 km de estrada de chão e pedra entre SC e RS pela serra. Nas subidas íngremes e escorregadias, ele mandava todo mundo descer e subia de ré…

  • Fabio Toledo

    Mr. Car já passou da hora de colocar esse carro na estrada heim… Até o carrinho da minha mãe, que fez 6 anos em setembro, está agora com 62000. E acabou de passar por revisão, tá zerado!

    • Mr. Car

      Não passou, não, Toledo. Destes 26.000Km, creio que cerca de 95% foram em estrada, he, he! Agora mesmo estou numa dúvida cruel entre ir para Brasília de carro, ou de avião. Vontade mesmo é ir de carro, mas de avião fica muito mais barato.

      • Domingos

        Se você usa tão pouco, vale a pena fazer essa viagem de carro. Se o vender, ao menos terá feito uma grande viagem, já que pela quilometragem o carro deve ter feito só percursos próximos todo esse tempo!

        PS: Seu Logan tem rodas do Megane???

        • Mr. Car

          Foram duas viagens de 1.800 km ida/volta, e o resto um monte de viagens de 600 km ida/volta. As rodas são as originais de ferro, com calotas. Ia colocar outras que acho bonitas originais da linha Logan/Sandero, mas o tempo foi passando e ficaram as que vieram com ele, com calotas. Não sei se vou para Brasília de carro (2.400 km ida/volta), mas já tenho planos para outra de 1.800 km (interior de São Paulo).

  • Acyr Junior

    Que texto fantástico, Arnaldo. Cacetíssimo !!!

  • Anderson Monteiro

    Sensacional história AK!
    Recentemente passei nessa região da Patagônia com amigos e vi muitos “Renô Doce” dos moradores, me lembrou muito os Corcel, mas não sabia dessa situação de mesmo carro com carroceria diferente. E da mesma forma que fez com as aventuras com o Renô, fiz também, mas com um um Clio Mio, o pequeno foi valente e enfrentou neve como não imaginei, sem contar que foi da mesma maneira que disse no início da matéria “Carro alugado é como se fosse meu: lenha.” hahahaha
    Me vi na mesma situação de estradas de rípio, mas de um trajeto entre o parque nacional para o Cerro Catedral, não havia espaço para que passasse mais nem uma agulha sequer e o Renô foi corajoso.
    Da forma que escreveu, me fez estar lá novamente, simplesmente sensacional!

    • Legal, Anderson, muito legal o que fizeram! Quem faz o carro é o motorista. Um motorista bração não conseguiria passar por onde vocês e nós passamos mesmo se estivesse com um jipe 4×4. Não é?

      • Anderson Monteiro

        Exatamente AK, quem faz o carro é o motorista, e emoções que passamos no volante fazem as viagens serem mais emocionantes!
        Havia momentos que de tanta neve e de tão fundo estavam os sulcos que as caminhonetes 4×4 fizeram, que pensávamos que íamos atolar.
        Nesse dia da foto com neve, estávamos no topo do Cerro Otto e nem os funcionários do parque acreditaram quando viram o cliozinho chegando e brigando para não atolar.
        Imagino que da mesma sensação que tive de fazer o possível para não atolar, foi a mesma em que você e seu irmão passaram ao atravessar a “ponte” rs.

        • Anderson, e ele estava com pneus para neve?

          • Anderson Monteiro

            AK, se não me engano não rs
            O Clio estava com os pneus originais, Fate Sentiva de aro 13.
            Achei ótimos e seguros, mesmo não sendo pra neve.

        • RoadV8Runner

          Rapaz, só de ver a foto dá frio na espinha…

        • Domingos

          Vidro bem verde. Sinal que foi feito para lugar onde não tacam filme em qualquer carro, de forma que quem não usa filme não é prejudicado.

  • Domingos

    Gostei da história mas até agora não consegui achar o Renault 12 feio – muito menos por dentro, onde dava um show no nosso Corcel!

    Para as limitações da época, era um desenho bonito, diferente e criativo. Mas realmente divide opiniões: uns acham bonito e muito melhor que o Corcel e outros acham horrendo.

    Entretanto, nessa aventura o carro foi completamente secundário. Teria sido legal com qualquer carro.

  • Juvenal Jorge

    Bela estória Arnaldo, como sempre das suas, com toques cômicos.
    O 12 e seus derivados estão pelo mundo todo, carro valente, como um Corcel.
    Abraço

  • Mesmo motor. Olhe, Thiago, uma coisa é a gente avaliar pelos padrões atuais e outra é fazê-lo pelos padrões da época. Pelos atuais, vibrador e barulhento quando em alta. Pelos da época, nem tanto.

  • Bela história Arnaldo… Tens razão: Carro bom é aquele que te serve e tu o respeitas… O doze assim como o Corcel I É um renôzinho…Mas que renôzinho! Em 68, quando conheci e algums anos depois quando o dirigi pela primeira vez também aprendi a respeitá-lo.

  • Fabricio Franco

    Mr. Car, sempre lembrando que o Logan foi precedido na Romênia pelo Dacia 1300, que nada mais é do que um Renault 12! Portanto, Logan, Renault 12, Dacia 1300 e Corcel são todos parentes. Ótimos carros, sedutores não pela beleza, mas pelo conjunto da obra.

  • Outro dia eu e o primo estávamos juntos no carro quando por alguma razão eu falei algo sobre o Corcel Bala. Ele começou a contar essa história. Antes dele terminar eu disse para contá-la aqui. Valeu a pena!
    Esses causos do primo são meus textos preferidos dele!

  • Lemming®

    Verdadeira façanha. Imagino o que diriam os politicamente corretos…rsrs
    Rachando de rir com os impropérios…hehe

  • RoadV8Runner

    Que aventura! Depois dessa, minha descida a Parati por Cunha, depois da chuva da noite e a bordo do meu valente Focus 2002, é um simples cafezinho… Como não via a hora de terminar a travessia, não tirei fotos, do que me arrependo bastante.. Mas foi nessa viagem que passei a admirar o Focus ainda mais, voltou inteiro, nem sequer o alinhamento de direção foi alterado.
    Faço coro aos demais, conte mais essas aventuras.
    Abraço!

    • Cafe Racer

      V8Runner
      Meio que sem querer peguei essa estradinha que leva à Parati, passando por Cunha.
      Era dia e tempo bom, mas achei terrível… minha esposa chegou a passar mal nessa descida da serra, muitas curvas que mais pareciam esquinas.

      • RoadV8Runner

        No meu caso, foi uma “pegadinha” do GPS. Levei quase 2 horas para percorrer os 7 km…

  • Humberto

    Veja o motor. Basicamente é o mesmo. Inclusive o ronco dele.
    Abs

    Humberto “Jaspion”.

    • RoadV8Runner

      Ronco igualzinho ao do Corcel 1975 que meu pai teve!

  • Guilherme

    História sensacional! Faz a gente se sentir como se estivesse junto dentro do carro. A pouco descobri o Autoentusiastas e agora não deixo de acompanhar um dia sequer! Parabéns pelo excelente trabalho!

  • Fernando

    Que legal AK!

    Acho muito curiosos os carros dos anos 60/70, tinham mesmo um ponto em comum(como hoje se fala no design parecido dos carros atuais) nas aventuras e topar qualquer uma, até as mais off-road.

    Eu nem acho esses Renault mais antigos tão feios, é algo estranho para nós (e falar isso depois de tantos anos do Corcel, dá uma amenizada) mas totalmente conceitual dos franceses. Os Citroën e Peugeot no mesmo barco, ou mais!

    Os “doce” não são raros, mas em uma viagem que fiz há pouco para os hermanos reparei como sumiram os Renault 4 e os 2CV, somente vi 1 de cada um! E também um Fiat 124 (lembranças, Lada!).

  • “di Lazio” Mazini

    Maravilhosa história!!!!!!!

  • agent008

    AK, que história fantástica! Só em dois amigos ou irmãos pra fazer uma dessas mesmo… Com minha noiva é difícil passar em qualquer laminha sem ela se desesperar!

  • Vagnerclp

    Que história legal.

  • Rafael Schelb

    Excelente história!