Qual energia elétrica vingará no automóvel do futuro: virá da bateria ou da célula a combustível?

 

Que o carro do futuro será elétrico, não há dúvida. Ao híbrido, sucesso que já vendeu cerca de sete milhões de unidades no mundo, cabe entrar para a história como tecnologia de transição entre a era do motor a combustão e do elétrico. Como utiliza ambos, seu custo é muito elevado e o inviabiliza a longo prazo.

Se o martelo está batido em relação à eletricidade como fonte de energia, resta definir de onde ela virá para movimentar os motores elétricos. Há duas tendências: a que defende a tese da bateria e a que prefere as células (pilhas, na verdade) a combustível (fuel cell).

Quem está com a bateria (e não abre…) é Elon Musk, um sul-africano de 44 anos que ficou milionário ao criar (e depois vender) o sistema Pay Pal. Foi um dos fundadores da fábrica de automóveis Tesla (2004) na Califórnia, hoje é seu presidente e detém 22% de participação acionária. O primeiro modelo, um roadster (conversível de dois lugares) foi fabricado entre 2006 e 2011. Produz atualmente um sedã de quatro portas (Model S) lançado em 2012 que custa U$ 75 mil dólares e suas baterias permitem rodar até 480 km sem recarga. A Tesla já iniciou a produção e começa a vender em 2016 o Model X, um SUV com portas que se abrem para cima, como o Mercedes-Benz “Asa de Gaivota”. A produção da fábrica este ano é de 55 mil unidades, mas tem objetivo de atingir 500 mil em 2020. E baixar gradualmente o preço de seus modelos: o compacto Model 3 (que chega em 2017) deverá custar apenas US$ 35 mil (o consumidor pagaria apenas US$ 27.500 com o subsídio do governo de US$ 7.500).

Além de produzir automóveis, Musk constrói uma fábrica de baterias (de íons de lítio) no deserto de Nevada, que ele diz ser a maior do mundo. Além de fornecer para seus próprios veículos e outras fábricas de automóveis, ele produzirá também armazenadores de energia para casas (Powerwall) e empresas (Powerpack). Afirma que o elevado volume de produção (não revela a capacidade) vai reduzir substancialmente o custo das baterias.

Quando lançou o primeiro Tesla movido por baterias há quase dez anos, a autonomia de outros elétricos não chegavam a 200 quilômetros. E as grandes fábricas insistiam nos híbridos. Hoje, marcas famosas aderiram ao automóvel elétrico e lançam modelos de olho nos carros da Tesla. GM, Porsche, Audi e Toyota entre elas. Em todo o mundo existem pesquisas para se desenvolver baterias mais eficientes que as de íon de lítio, mas Musk continua acreditando nelas, as mesmas do tipo instaladas em celulares, laptops etc. A Tesla terá a Panasonic e outras empresas de aparelhos eletrônicos como sócias em sua fábrica. E tem parcerias também com a Toyota e Daimler. Além de baterias e automóveis, Elon Musk sonha mais alto com seu projeto Space X: uma fabricante de foguetes que tem contratos com a Nasa e o Pentágono…

E a fuel cell? Muitos continuam apostando no automóvel elétrico que dispensa as complicadas baterias, pois gera energia elétrica numa célula a combustível a partir de uma reação química do hidrogênio (armazenado num tanque) com o oxigênio.

Muitas fábricas investiram nos automóveis com as pilhas a combustível e centenas deles rodam experimentalmente — exceto o Toyota Mirai (foto acima), já em produção seriada desde o começo deste ano —, enfrentando porém, o problema da falta de uma rede de postos com hidrogênio. Mas a bateria também é problemática, por seu elevado custo, volume, peso e tempo de recarga.

Elon Musk não acredita na fuel cell e debocha dela publicamente. Em suas palestras e entrevistas, ele a chama de fool cell. Em inglês, “célula idiota”…

BF

Foto: dailytech.com

Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

 

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