Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Célula “idiota”? – Autoentusiastas

 

Qual energia elétrica vingará no automóvel do futuro: virá da bateria ou da célula a combustível?

 

Que o carro do futuro será elétrico, não há dúvida. Ao híbrido, sucesso que já vendeu cerca de sete milhões de unidades no mundo, cabe entrar para a história como tecnologia de transição entre a era do motor a combustão e do elétrico. Como utiliza ambos, seu custo é muito elevado e o inviabiliza a longo prazo.

Se o martelo está batido em relação à eletricidade como fonte de energia, resta definir de onde ela virá para movimentar os motores elétricos. Há duas tendências: a que defende a tese da bateria e a que prefere as células (pilhas, na verdade) a combustível (fuel cell).

Quem está com a bateria (e não abre…) é Elon Musk, um sul-africano de 44 anos que ficou milionário ao criar (e depois vender) o sistema Pay Pal. Foi um dos fundadores da fábrica de automóveis Tesla (2004) na Califórnia, hoje é seu presidente e detém 22% de participação acionária. O primeiro modelo, um roadster (conversível de dois lugares) foi fabricado entre 2006 e 2011. Produz atualmente um sedã de quatro portas (Model S) lançado em 2012 que custa U$ 75 mil dólares e suas baterias permitem rodar até 480 km sem recarga. A Tesla já iniciou a produção e começa a vender em 2016 o Model X, um SUV com portas que se abrem para cima, como o Mercedes-Benz “Asa de Gaivota”. A produção da fábrica este ano é de 55 mil unidades, mas tem objetivo de atingir 500 mil em 2020. E baixar gradualmente o preço de seus modelos: o compacto Model 3 (que chega em 2017) deverá custar apenas US$ 35 mil (o consumidor pagaria apenas US$ 27.500 com o subsídio do governo de US$ 7.500).

Além de produzir automóveis, Musk constrói uma fábrica de baterias (de íons de lítio) no deserto de Nevada, que ele diz ser a maior do mundo. Além de fornecer para seus próprios veículos e outras fábricas de automóveis, ele produzirá também armazenadores de energia para casas (Powerwall) e empresas (Powerpack). Afirma que o elevado volume de produção (não revela a capacidade) vai reduzir substancialmente o custo das baterias.

Quando lançou o primeiro Tesla movido por baterias há quase dez anos, a autonomia de outros elétricos não chegavam a 200 quilômetros. E as grandes fábricas insistiam nos híbridos. Hoje, marcas famosas aderiram ao automóvel elétrico e lançam modelos de olho nos carros da Tesla. GM, Porsche, Audi e Toyota entre elas. Em todo o mundo existem pesquisas para se desenvolver baterias mais eficientes que as de íon de lítio, mas Musk continua acreditando nelas, as mesmas do tipo instaladas em celulares, laptops etc. A Tesla terá a Panasonic e outras empresas de aparelhos eletrônicos como sócias em sua fábrica. E tem parcerias também com a Toyota e Daimler. Além de baterias e automóveis, Elon Musk sonha mais alto com seu projeto Space X: uma fabricante de foguetes que tem contratos com a Nasa e o Pentágono…

E a fuel cell? Muitos continuam apostando no automóvel elétrico que dispensa as complicadas baterias, pois gera energia elétrica numa célula a combustível a partir de uma reação química do hidrogênio (armazenado num tanque) com o oxigênio.

Muitas fábricas investiram nos automóveis com as pilhas a combustível e centenas deles rodam experimentalmente — exceto o Toyota Mirai (foto acima), já em produção seriada desde o começo deste ano —, enfrentando porém, o problema da falta de uma rede de postos com hidrogênio. Mas a bateria também é problemática, por seu elevado custo, volume, peso e tempo de recarga.

Elon Musk não acredita na fuel cell e debocha dela publicamente. Em suas palestras e entrevistas, ele a chama de fool cell. Em inglês, “célula idiota”…

BF

Foto: dailytech.com

Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

 

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

  • Daniel S. de Araujo

    Enquanto houver petróleo, o carro elétrico (de baterias de descarte complicado, do ponto de vista ambiental) vai ser apenas um sonho dos “engajados” e de palestrante ganhando muito dinheiro vendendo idéias.

    Outra pergunta que não quer calar: Haverá energia elétrica para tudo? A única solução rápida será a expansão da energia via usinas nucleares.

    • Domingos

      Bingo.

      O petróleo é o combustível divino. Uma dádiva. Fácil de extrair, polui pouco no final da cadeia se comparado ao necessário para outras formas de energia (aí que enganam com esse papo do elétrico, mostrando apenas as emissões locais), tem quantidades enormes de energia por baixo preço e… não é perfeito.

      Talvez um dia acabe, talvez não, lidar com ele em termos de “máxima eficiência” é meio complicado.

      Como tudo aqui na terra que é bom, foi nos dado e tem seus problemas. A perfeição não será aqui.

      Todo o resto dos combustíveis e soluções que miram numa espécie de “vida eterna” da Terra, renovabilidade infinita, eficiência total etc. são sempre enganações intrínsecas de quem até percebeu que a gente não está aqui para sempre, mas nega isso e acaba falhando miseravelmente por bater de frente com a maior verdade que existe.

      Todos os outros modelos possuem problemas no final muito maiores.

      Carros com bateria seriam tão descartáveis e com um processo de produção tão poluente e consumidor de recursos raros que é capaz que inviabilizariam a própria produção industrial em pouco tempo.

    • Paulo César_PCB

      É isso, enquanto existir o ouro negro, dificilmente a tecnologia “a explosão” será descartada. E as petrolíferas e todos os envolvidos no processo ? Todos já tem um pé na energia elétrica ? Ninguém larga o osso enquanto tiver o caldo. Quanto de demanda elétrica será necessária para mover a frota ?

      • Domingos

        Exato. Se o petróleo fosse mesmo uma emergência, você jamais encheria 50 litros com pouco mais de uma centena de Reais.

        Tente encher um tanque com 50 litros de ouro e pagar o mesmo…

        O problema é que sempre existe um jogo de vaidades e de enganações. No fim as questões que importam, as morais, ninguém quer mexer.

        Jogar picuinhas irrelevantes, por sua vez, é conveniente como tática de distração e ao mesmo tempo acaba emplacando entre as pessoas, que podem então se declararem salvadoras do mundo.

        É igual o diabo imitando Cristo. A história se repete infinitamente.

  • jr

    Como na gíria, o Musk cheirou muito… musk. Seu desdenho pelas células de combustível expressa apenas seu interesse comercial. Há muitos físicos e engenheiros altamente qualificados lidando com estas questões. Até onde sei o processo de produção de células de combustível é imensamente menos poluente que a produção de baterias, e o único resíduo no dia-a-dia é água, contra baterias que precisam ser recicladas, processo sujo, contaminante. Fora a questão da eficiência para a geração da energia em ambos os casos.
    Enfim, este jogo ainda está em andamento.
    No momento em que este dificílimo problema for resolvido, os motores à combustão vão desaparecer. Logo, não há poucos interesses em jogo.

  • Leister Carneiro

    Apesar de ser fã da desta que faz um avanço monstruoso nos sistemas de bateria e controle vetorial de seus motores. Célula idiota é na cabeça do Elon Musk

  • Rodolfo Feijó

    Qual é o percentual do valor das baterias em relação ao valor de um carro elétrico. E qual é a vida útil de uma bateria dessas?

    • Domingos

      Falavam em coisa de 3 a 5 mil dólares na bateria de um Prius, que é hibrido e não completamente elétrico.

      Isso é caixa preta, ninguém quer falar. Preferem nesse momento de marketing arcarem com os custos das baterias, pois caso contrário ficaria claro que são carros descartáveis ou inacessíveis.

      Da mesma forma nenhum vendedor da Toyota sabe responder se o que o Prius economiza em combustível compensa os maiores gastos de material e emissões na sua produção.

      É bem provável que um elétrico seja perda total após seus 5 anos de uso, com a bateria falhando como a de um notebook e a reposição custando 50% de um modelo novo e quase o valor de mercado do carro usado.

      Existem Teslas com baterias inutilizadas por falta de uso e o reparo, que significa troca delas, custa entre 30 e 40 mil Dólares.

  • Boris, escrevi para o Ae um artigo já bem antigo sobre o hidrogênio combustível:
    http://autoentusiastas.com.br/2009/04/hidrogenio-uma-conta-que-nao-fecha/
    Lendo o artigo dá para ver que o hidrogênio não fecha as contas como matriz energética. Você precisa de outra fonte de energia para gerar hidrogênio, e o rendimento é muito baixo e a conta não fecha.
    Além disso temos a célula de combustível que tem preço assustador devido aos materiais empregados.

    A insistência na célula de combustível tem endereço certo de origem: as companhias de petróleo.
    Um carro a hidrogênio seria tão dependente de um posto de abastecimento quanto os carros atuais a gasolina. O hidrogênio seria conveniente na preservação do modelo de negócio das companhias petrolíferas.

    Um carro a bateria você carrega na tomada. Além de poder abastecer em qualquer lugar com uma fonte de energia mais limpa e barata, seria possível instalar um grande painel solar no telhado da casa captando energia do sol e armazenando em baterias estáticas durante o dia para usra na casa e carregar o carro durante a noite, O dono do carro roda, roda, roda, e não dá um centavo nem para a companhia de petróleo e nem paga um centavo de imposto para o Estado.
    Sob muitos aspectos da economia estabelecida, o carro elétrico é muito inconveniente.

    Outro inconveniente do carro elétrico assusta a indústria automobilística.
    Não há mais mistérios na fabricação de motores elétricos nem de inversores eletrônicos que os alimenta. E os motores elétricos dispensam complexas caixas de transmissão. Um carro elétrico é tecnológicamente muito simples de ser produzido e está ao alcance de muitas empresas fora do mercado automobilístico na atualidade.
    É a partir desta possibilidade que vemos o sucesso da Tesla e possiblidades como o carro elétrico autônomo pesquisado pela Apple.

    Em contraposíção, um motor a combustão interna possui milhares de componentes internos, cada qual com especificações de engenharia e de materiais bastante precisas, o que cria uma barreira de entrada a novas companhias no ramo.
    A célula de combustível é uma tecnologia complexa tanto quanto a dos motores e das caixas de transmissão modernas, e são vistas como barreira de entrada a concorrentes.

    O que vemos então são duas corridas:
    De um lado vemos a economia do hidrogênio, impulsionada pelas companhias de petróleo que não querem ver um ataque ao seu modelo de negocio e de muitos fabricantes de carros que vêem na célula de combustível uma barreira de entrada a concorrentes não tradicionais.

    Do outro lado, vemos um incentivo ao desenvolvimento das baterias, em grande parte por fabricantes de fora do setor automobilístico e que gostariam de entrar forte neles, e de alguns fabricantes, como a Nissan, que acreditam mais na viabilidade das baterias do que nas células de combustível.

    Bom, se o caso fosse uma partida de futebol, eu estaria assistindo de camarote, e meu time do coração, por motivos lógicos seria o time das baterias.

    • Mineirim

      André,
      Acabei de ler seu detalhado artigo. Confirma o que eu intuía.
      Extrapolando um pouco, tenho a mesma percepção sobre o álcool/etanol. A quantidade de energia, recursos naturais e o baixo rendimento do combustível fazem a conta não fechar.

      • robson santos

        Idem, pelo menos no cenário atual acho que essa é a percepção mesmo.

    • BlueGopher

      Também acho que por enquanto a célula de combustível ainda não é viável, mas li recentemente que novos métodos de obtenção de hidrogênio bem interessantes estão sendo desenvolvidos.
      Não sei se serão viáveis, mas é algo interessante:

      1) O desenvolvimento de um catalisador de carbono permitiria obter hidrogênio da água e sucata (interessante para navios?)
      Veja em:
      http://beforeitsnews.com/international/2015/08/new-hydrogen-production-invention-2487522.html

      2) Métodos biológicos usando resíduos orgânicos
      Veja em:
      http://phys.org/news/2015-04-discovery-breakthrough-hydrogen-cars.html

      • BlueGopher, prometer eu ouço promessas há mais de 20 anos, quando o Mercedes Classe A foi usado como protótipo do projeto NECAR.
        Era tecnologia “para breve”.
        https://youtu.be/zANuVkYV8lA

        É a história da cenoura na varinha na frente do burro.

        • Domingos

          Todas essas tecnologias são “para breve” porque são marketeiras e, no fim, desnecessárias.

          É que nem a computação de 64 bits. Existe há 20 anos, todo mundo achava que iria ser a revolução (todo mundo leia-se quem queria vender a inutilidade), fez-se um enorme marketing quando a mesma se tornou disponível ao consumidor final e no fim apenas 15 anos depois de sua disponibilidade ela de fato se firmou.

          E se firmou mais por conveniência, já que é melhor unificar o desenvolvimento por ela do que pela computação de 32 bits.

          No final não fez a menor diferença.

          Quando e se realmente for necessário a adoção, simplesmente as alternativas serão desenfornadas.

          • ochateador

            E olha que só estão saindo da computação 32 bits e indo para a 64 bits pois aplicações 32 bits só trabalham com um máximo de 4 GB de ram.

            Dureza vai ser converter muito programa antigo 32 bits e que roda perfeitamente, mas ninguém sabe como converter para 64 bits (COBOL é um exemplo).

          • Domingos

            Sim. E pior que tem programa que roda MELHOR em 32 bits que em 64, muitos navegadores são um exemplo.

            Porém a questão da memória tem mesmo sido o divisor de águas final. Muita coisa passa fácil dos “gigas” de RAM numa única instância, assim simplesmente é melhor passar a desenvolver tudo em 64 bits de uma vez.

          • Ainda tem muita coisa que roda em COBOL e em Fortran. COBOL ainda é muito usado por bancos e Fortran ainda tem muitos aplicativos importantes, especialmente para engenharia mecânica e elétrica.

            Há 25 anos, quando eu estava na faculdade, diziam que essas duas linguagens eram jurássicas a caminho da extinção. E estavam mesmo.
            Aí surgiram as teorias de otimização de compiladores, e programas nessas linguagens passaram a rodar muito rápido.

            Hoje existem até algumas facilidades. Basta criar um plugin que um compilador C padrão pode compilar qualquer linguagem, incluindo COBOL ou Fortran. É graças a isso que essas linguagens estão de pé até hoje.

            A questão de 16, 32 ou 64 bits para a imensa maioria dos programas é muito mais problema para o compilador do que para o código fonte.

    • walterjundiai

      André, então pode apostar todas as suas fichas e “ações” na bolsa de valores nos carros a hidrogênio. Ou vc acha que o poderoso lobby da indústria automobilística e de petróleo vai deixar que os carros 100% elétricos se tornem uma realidade? O mundo é assim infelizmente……

      • walter, leia isso:
        http://www.mpoweruk.com/hydrogen_fuel.htm

        Tudo complicado, gasta energia para manter hidrogênio armazenado, ninguém diz de onde vem a energia preliminarmente…

        Célula de combustível é o que eu descrevi: uma forma de manter o status quo com o fim do uso do hidrogênio.

        Baterias são muito mais simples, já existem, funcionam, não precisam de sistemas complexos de reabastecimento, não precisam gastar energia para manter a energia estocada, tem alto rendimento… Só falta serem melhoradas. E aceitam energia elétrica diretamente.

        • Domingos

          Baterias são coisas odiáveis.

          Estou a ponto de perder meu segundo notebook com menos de 2 anos de uso porque a bateria já está caducando e sua reposição custa muito caro perto do que vale um aparelho dessa idade.

          Marca boa, sempre bem cuidado, usado com cuidado e sem uso intenso.

          Celular é a mesma coisa. O aparelho ainda poderia ser usado por muito tempo, mas a bateria vai embora.

          Isso em coisas que usam o estado da arte em baterias, devido a serem de baixo consumo e poderem então usar essas tecnologias sem custo proibitivo.

          O status quo não vai se alterar em nada. O mundo não é o filme Matrix ou a trama do Star Wars.

          O problema do mundo NÃO É tecnológico. Nem de “status quo”.

          O único status quo que existe e interessa é a constante escolha do homem por aceitar a verdade ou tentar negá-la.

          Se o hidrogênio permite ao carro uma utilização normal, sem controle, somada a uma durabilidade aceitável – leia-se: não quero pagar o valor do carro cada 2 anos em bateria – que se mantenha o “status quo”.

          Quem lucra vai continuar lucrando, quem mente vai continuar mentindo, o mundo vai continuar rodando e a batalha nossa de cada dia vai continuar… a mesma. Desde sempre.

      • Domingos

        Complementando minha resposta anterior: o que falei de burrice não foi orientado ao Walter e sim no sentido geral da burrice estabelecida hoje, envolvendo entre tantas coisas essa questão do ecologismo ou de uma suposta briga entre bem e mal na questão petróleo versus energia elétrica.

        A questão está muito acima disso.

    • Domingos

      Ou seja, o carro elétrico é chato e sem alma (tudo igual, genérico, movido exclusivamente a “eficiência” e termos gnósticos) e falacioso também.

      Com os descontos em impostos dados aos elétricos, não existe essa história de “medo”. E uma Apple da vida iria ser aquelas histórias onde o “novo homem científico” dá com a cara na água lindamente.

      Rapidamente um monte de arrivista iria fazer o carro “mais eficiente” e, como tão comum nos dias gnósticos de hoje, terminar com mais uma montanha de números bonitos que não deu certo.

      Estima-se também que a eficiência de algumas usinas européias seja de 45% em média, mais especificamente as de carvão.

      Se o hidrogênio se aproximar disso, porque a conta dele não fecha e a do elétrico misteriosamente sim?

      Ademais, boa sorte em carregar um carro com um mero painel solar no seu quintal.

    • KzR

      Realmente… tem sempre algo obscuro por detrás da célula de combustível a hidrogênio. Só vi uma vez, num documentário, um sistema a hidrogênio que parecia pertinente: um engenheiro possuía enormes tanques em seu quintal para estocar hidrogênio. Esse era obtido pela eletrólise da água, alimentada por sistema fotovoltaico. Daí ele podia usar as “pilhas de hidrogênio” para fornecer energia à casa e ao seu carro elétrico (a bateria). Muito bonito na tela; o investimento era inviável para a grande maioria das pessoas.

  • Mineirim

    Eu, leigo em engenharia, acho essa idéia da pilha de combustível muito complicada e pouco eficiente para substituir os motores a combustão e os elétricos.

  • Roger Pellegrini

    Ele está debochando de uma tecnologia que um dia pode sim vingar, por que não? Sua empresa leva o sobrenome do grande cientista Nikola Tesla que, ironicamente, também foi debochado e enganado por Thomas Edison, durante a Batalha das Correntes.

    • Domingos

      Não sei qual é a birra com Thomas Edison, deve ser a mentalidade de “luta de classes”.

      Se alguém acha que iam mesmo dar energia de graça, comece a se perguntar porque raios você tem que pagar até mesmo pela água.

      • Roger Pellegrini

        Prezado,
        Não há birra alguma com relação à T. Edison, onde você leu isso?? E quem citou “luta de classes”?? Não deturpe!
        A disputa entre os dois grandes cientistas foi citada apenas para contextualizar a questão do deboche em relação a uma tecnologia, tal como aconteceu entre Edison e Tesla. É quase uma reedição de algo parecido outrora ocorrido. Simples assim.

        • Domingos

          Roger, no caso não falo em específico de você.

          Apenas é algo recorrente nessa discussão sobre energia, com o Thomas Edison freqüentemente sendo colocado como “o malvado que deu um jeito de cobrarem pela energia”. O Tesla seria o “escudeiro contra o mal”, numa re-edição pela milésima vez de um discurso de classes no fim das contas.

          Na verdade o cara viabilizou a transmissão a longa distância e ainda viabilizou a única lâmpada que funcionou por quase 1 século.

  • braulio

    Bom, parte do sucesso do automóvel elétrico depende da demonização do automóvel. Se todo proprietário de automóvel mudasse para o elétrico, não apenas haveria um colapso na indústria petroquímica, com consequências em produtos como o asfalto, os lubrificantes, as tintas, os polímeros, alguns alimentos, etc. (ou não, já que seriam necessárias diversas usinas extra para gerar a energia necessária para manter a frota rodando…), como recursos minerais limitados como o cobre e o lítio se esgotariam mais rápido que as atuais reservas de petróleo. Mas o horizonte está um pouco mais sombrio que isso:
    Com propulsão elétrica, os carros deveriam ter uma redução na potência nominal: Não faz sentido dispor baterias e motores pesados que suportem 300cv quando na verdade o usuário precisará de 30. Com uma enorme margem de segurança, um elétrico de 80cv faria tudo que um convencional de 160cv faz hoje, com exceção da velocidade máxima… Que, como os carros serão autônomos, você nunca teria permissão de testar mesmo!
    O futuro, de repente, não parece um lugar em que eu gostaria de viver. Esperemos que os ecologistas mais radicais estejam certos e o aquecimento global leve a humanidade à extinção antes dessas chatices dominarem as ruas.

    • Domingos

      Precisamente. O carro elétrico é um instrumento de CONTROLE.

      É o passo definitivo para que o automóvel perca seu sentido, já que o governo poderá escolher o quanto e como você usa o carro e até quando pode “abastecê-lo”.

      Querer se preocupar tanto com o ambiente (o que fazemos de forma individual é quase sempre um peido) e abrir mão disso é a mesma coisa que abrir mão de comer em nome de ser alimentado eletricamente.

      O governo escolheria até a hora que você iria morrer.

      • Domingos, carro elétrico é o mesmo caso do computador como descrevo na série de artigos “mundo estranho”.

        Sabendo usar, ele vira instrumento de liberdade.

        Um carro elétrico a bateria pode ser recarregado em casa com energia captada diretamente do sol, energia esta que se não tiver esta destinação será desperdiçada.

        Aí o dono roda, roda, roda e não deve um centavo para ninguém, nem para o fabricante do carro, nem para a companhia de petróleo e nem para o governo.

        Isto é rebeilão, revolução, anarquia no melhor sentido da palavra.

        • Domingos

          Anarquia é, curiosamente, um dos braços do aprisionamento socialista…

          Coisas revolucionárias são enganações. As verdadeiras restaurações do bem, as verdadeiras liberdades, surgem de coisas normais ou de tentativas de torná-las novamente normais.

          Tudo que mexe com a normalidade é falsamente bom. É revolucionário. É algo que te promete andar de carro de graça mas que no fim vai fazer do carro um brinquedo para ricos que o governo vai controlar onde e como você usa.

          Cabe aqui argumentar que a normalidade não é “fazer tudo igual” e que coisas “diferentes” não são contra a normalidade.

          Carregar um carro elétrico com painel solar, até onde eu li, seria algo bem demorado. Essa história que será algo “de graça” ou de baixo custo é lorota.

          Até porque, na terra, não vai ter nada perfeito assim não. E tudo o que tentou ser, se provou mentira e falhou.

          Coisas que são confirmação que algo vai dar errado: se no final não vai exigir trabalho, se no final vai permitir uma espécie de vida idílica ou hedonista, se no final sai tudo “de graça”, é porque alguma coisa está errada ou sendo escondida.

          Se tem uma coisa que com certeza não vai acontecer é andar de carro sem pagar nada pelo abastecimento/recarga.

        • Domingos

          Complementando da questão da computação: é obviamente uma ferramenta abençoada, apesar de tender extremamente ao gnosticismo.

          A visão dela como solução em si (justamente a atração pelo gnóstico), no entanto, tem levado a um retardo que seria melhor nem tê-la. Fora um nível de controle que nem o maior tirano teria sonhado anos atrás…

  • Mr. Car

    Nos meus devaneios futurísticos, os carros seriam movidos por algum tipo de diminuta bateria nuclear com grande capacidade de armazenamento de energia, e com autonomia para cerca de cinco anos, quando então, seria substituída por uma nova. Acho que não vai rolar, he, he!
    Para pensar: “Tenho saudade do tempo em que não sabia ter saudades” (Benedito Cardoso)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=Qm5-nNdse-Q

  • Alfredo Massaranduba

    Tem um capixaba que causou furor nas redes sociais, repercutida pela TV Tribuna/SBT. O falsário diz, na maior cara de pau, que seu carro, movido a água, roda 2.000km (DOIS MIL), com apenas 1 litro de água.

    https://youtu.be/d5D0NshfDv4

    • Alfredo, há pouco tempo teve outro que inventou uma moto movida a água:
      http://noticias.uol.com.br/ciencia/album/2015/06/25/moto-que-anda-ate-com-agua-do-tiete-faz-500-km-por-litro.htm#fotoNav=1

      http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2015/06/25/moto-que-anda-ate-com-agua-do-tiete-faz-500-km-por-litro.htm

      http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2015/06/25/leitores-questionam-veracidade-de-moto-movida-a-agua.htm

      Nesta última matéria, olhe a minha opinião:


      Gryphon

      4 meses atrás

      Prezado
      Eduardo Schiavoni, meu nome é André Dantas e sou editor de tecnologia do site AUTOentusiastas, e engenheiro mecânico e mecatrônico pela USP de São Carlos há mais de 20 anos e entusiasta dos sistemas de tração elétrica.

      Proponho ao UOL uma solução salomônica: um teste real conjunto com a motocilceta, em dinamômetro e em circulação por ruas e estradas.
      Acredito que se o sr. Ricardo Azevedo não irá se recusar a um teste público aberto, onde suas afirmações poderão ser atestadas e aferidas adequadamente.

      Permita-me antes esclarecer que sou completamente cético quanto ao afirmado.
      Há um século inventores aparecem com essa exata solução, e nenhuma delas se mostrou real.
      Que a moto consegue funcionar com o hidrogênio, não tenho dúvidas. Mas daí a ter uma autonomia de 500 km a conversa muda bastante. Também nada se falou da potência do motor e do desempenho geral do veículo. Tudo isso precisa ser medido.

      O tal inventor fugiu de mim feito diabo na cruz.

      Talvez seja a hora de mandar um e-mail ao capixaba também…

      • Domingos

        Uma vez um vendedor de um troço mágico que “aumentava a potência” só de colocar uma espécie de “X” na entrada de ar fez o mesmo quando questionei se poderíamos testar o produto com um dinamômetro ou com um cronômetro para comparações.

        Lembro que propomos que inclusive o produto seria elogiado e anunciado com destaque se desse certo.

        O vendedor sumiu. Acabaram por deletar o anuncio inicial dele.

  • Diogo

    Se as baterias fossem padronizadas entre todas as marcas, e encaixassem no carro como uma espécie de Lego, a atual rede de postos poderia manter baterias carregadas e o dono do carro faria a troca (com ajuda de algum equipamento, pois devem pesar muito) como se estivesse colocando gasolina. Me lembro de um experimento da Renault de alguns anos atrás, em parceria com uma rede de postos em Israel, que funcionava dessa forma. Mas a questão não é tão simples, pois o descarte das baterias é altamente poluente e a energia em muitos países é gerada a partir de combustíveis “sujos” (petróleo, carvão, etc), de modo que não faria muito sentido ter uma frota toda elétrica que no fundo é abastecida por petróleo.

    • Domingos

      Isso precisa de mais organização para funcionar. Uma bateria nova vale incomparavelmente mais que uma velha e, a rigor, qualquer um poderia pegar uma bateria nova e trocar por uma velha e vice-versa.

      Teria que ser pago uma espécie de serviço de baterias em adição ao preço da recarga elétrica.

      No fim é inutilidade. O mundo tem muito mais coisas importantes para se preocupar, mas de tempos em tempos sempre jogam um falso desafio/falsa ameaça como se fosse a grande questão dos tempos…

      • Domingos, há um engano sobre as baterias causado pelo nosso estilo de vida. Nós costumeiramente jogamos as baterias fora, no lixo, onde causa impacto ambiental.

        Não é para ser assim.
        Veja o caso das baterias convencionais dos carros. Por lei, elas devem ser trocadas em casas autorizadas para haver a reciclagem.

        Baterias são fáceis de reciclar. O material ativo das baterias é de altíssima pureza, facilitando obetr material novo a partir dele sem precisar ir buscar mais na naturesza.
        Seus gadgets eletrônicos são muito piores de serem reciclados do que as baterias.
        Experimente reciclar o fósforo e o flúor presentes nas telas dos smartphones para você ver o que é difícil reciclar.

        • Domingos

          AAD, na própria Europa onde existe toda uma estrutura de “desmantelamento seletivo” dos eletrônicos, muita coisa ainda vai para o lixo normal mesmo.

          No resto do mundo pode colocar décadas e décadas para isso acontecer.

          O problema das baterias nem é tanto no descarte e sim na fabricação.

          A última conta que fizeram de um Prius, era algo escabroso o quanto ele tinha que economizar para meramente se igualar em impacto a um carro normal a gasolina.

          Da reciclagem, do que li, parece que realmente procede. Ainda assim, muita bateria vai ter que ser fabricada antes de atingirem o número necessário delas e, como visto, fabricá-las compensa muito pouco.

          Se o elétrico for dar certo vai ser sem bateria. Ou apenas quando essa evoluir muito, mas muito mesmo.

          Em questão de resistência ao tempo e ao uso, a tendência tem sido piorar.

          Isso é um buraco sem fundo. O carro elétrico, na verdade, será “viabilizado” às pressas e, quando todo mundo tiver caído no conto, mostrará a que veio (que é justamente inviabilizar o carro para o cidadão comum).

    • Diogo, no setor elétrico padronização é a palavra chave. Motores, contatores, tudo é padronizado. Se você não acha um motor ou um contator de um fabricante, basta comprar de outro com a mesma padronização. Vai encaixar no lugar e vai funcionar da mesma forma.

      Essa padronização vai permitir que você monte seu carro elétrico em casa, escolhendo especificações do mesmo jeito como se montam computadores desktop’s hoje em dia.
      E você vai poder comprar de fornecedores que atualmente não são do setor, mas são grandes marcas mundiais.

      Isso é uma coisa que assusta muito a indústria automobilística: diminuição da dependência tecnológica.

  • epires250

    Concordo com você.
    O que era realmente simples, que poderia ser recarregado em qualquer lugar, totalmente reciclável, etc, etc e etc seria o hybrid-air da Peugeot; só o Carlos Tavares mandou parar o projeto quando entrou, falando que o Mercado quer o mesmo o “carro elétrico”.
    Eu, particularmente achei sensacional o hybrid-air quando li pela primeira vez, achei infitamente mais lógico e simples que o elétrico ou fuel-cell.

    • Domingos

      O elétrico tem apelo da mentira do “zero poluente” e ao mesmo tempo tem um monte de legislador “salvador do mundo” dando descontos enormes de impostos a eles.

      É mais que clara a decisão. Um corte de impostos junto com incentivos jogam a conta tão a favor dos elétricos para as fabricantes que nem compensa estudarem outras coisas.

  • Andre Romao Leao

    Resumindo Itens relevantes:
    1º O carro: por hidrogênio ele tem eficiência de:
    -Hidrogênio através da eletricidade – rendimento de 50%
    -Compressão, transporte e armazenamento – rendimento de 90% (?)
    -Célula a combustível e agregados – rendimento de 50%
    -Tração elétrica – rendimento de 80%
    -Total – 18% de rendimento. (100*0,5*0,9*0,5*0,8 = 18)
    2º fonte energia: Sistema inteligente aproveita as noites para armazenar a energia das eólicas e nucleares. A hidráulica será reserva a térmica para suprir os picos intensos.
    Se a energia a ser desperdiçada for eólica não vejo problema de baixa eficiência.
    Mas eu quero mesmo é carro elétrico alimentado pela rede de energia nas ruas tipo os trólebus (um bom projeto de hoje claro). Eu tenho algumas ideias.
    Ate as baterias melhorem bastante estão descartadas pelo tempo de vida útil, custo e impacto ambiental.

    • André, o rendimento de compressão é baixíssimo. Experimente ver o quanto um compressor de ar comum gera de calor para comprimir ar a apenas 7 atmosferas de pressão. Essa energia vira calor que é jogada no ambiente em refrigeração e é perdida.

      Hidrogênio armazenado sob pressão exige 700 atmosferas. Imagine o tanto de energia jogada fora.

      Depois, hidrogênio exige um tanque com 3 vezes o peso do hidrogênio que precisa conter, e ainda assim a molécula do hidrogênio é tão fina que ela vaza através do metal. Você enche um tanque e em duas semanas estocado não resta mais nada lá dentro.

      • Domingos

        AAD, a questão é que parece hoje melhor que bateria. A mera questão de não precisar pagar o valor do carro cada 2 ou 3 anos de uso, como se faria com a substituição de baterias, já seria decisório.

        No fim, como sempre, o hidrogênio na verdade não mostra também um grande ganho em economia/emissões no final das contas.

        Porém seria um jeito de ter emissões zero – no local apenas, claro – sem baterias e sem o problema da autonomia/recarga.

        Se o problema for poluição pura e simplesmente, ele seria a alternativa melhorzinha aparentemente.

    • Domingos

      A alimentação direta, via transmissão ou como num trólebus seria mesmo a melhor solução ao menos hoje.

      Mas também será a primeira a ser inviabilizada. É muito investimento por parte das fornecedoras de energia e dos governos para pouco controle da cobrança e consumo, além do risco de controle ser 8 ou 80.

      No caso, ou o governo daria liberdade total ao uso da rede e dos carros – o que é indesejado – ou então faria uma restrição quase total ao poder simplesmente desligar a rede quando/onde bem entendesse.

  • Nicolas Zorzi Lima

    Espero que estes bizarros carros com motores sem graça e sem ruído, feitos para quem se locomove, não para quem dirige, demorem muito a chegar.

    Ainda tenho esperança que do mesmo jeito que em 1900, os motores a combustão e a indústria petroleira matem o carro elétrico.

    Caso contrário, melhor começar a pensar em guardar alguns antigos…. plantar cana e ter uma micro usina em algum lugar…..

    Sou a favor que os transportes em massa (ônibus e caminhões por exemplo) utilizem a energia elétrica, vinda de uma combinação de placas solares (visto que há bastante área para tal), baterias (para recarga enquanto estacionados) e pequenos motores de combustão para recarga adicional em movimento.

    Sem falar que espaço para as baterias não seria problema.

    • Nicolas, tração elétrica veio pra ficar. Ela é muito superior à tração convencional. O motor a combustão afastou a tração elerica por um tempo, mas nunca a matou de forma definitiva. Se ela está ressusrgindo é porque o motor a combustão não está mais oferecendo uma vantagem competitiva suficiente para manter a opção elétrica afastada.

      Há uma coisa que os entusiastas precisam entender. Uma coisa é a aplicação e outra completamente diferente é a tecnologia de plataforma.

      Um carro da Tesla não é menos carro que um convencional só porque não tem um motor a combustão assim como a moderna TV LCD que todos temos nas nossas salas não é menos TV só porque não tem válvulas a vácuo.

      Eu já lidei com as duas tecnologias e sei do que cada uma é capaz.
      Te digo que o dia que você pegar um carro de tração elétrica bem feito, você vai se divertir.

      • Domingos

        Os elétricos estão voltando por causa de um câncer chamado dinheiro do governo. Isso vai dar problema…

        A questão maior é que a TV de LCD não te dá restrições de liberdade, manutenção e custos em comparação a uma TV de tubo.

        Um elétrico custa caro mesmo com basicamente isenção de impostos, tem manutenção de longo prazo inviabilizante e para ser bem feito se precisa mirar num flagship como o Tesla – que é um carro para ricos em qualquer lugar que não os EUA e alguns países da Europa.

    • Boris Feldman

      Nicolas,

      O Andre Dantas tem razão.
      Carro com motor a combustão pode ser sem graça, como o Motomachine do nosso grande amigo João Gurgel.
      Mas pode ser uma coisa encantadora. Eu dirigi, por exemplo, o Mercedes SLS elétrico no circuito de Paul Ricard. Um motor em cada roda com um inacreditável controle eletrônico para segurar os 750 cv e 102 m·kgf. Zero a 100 km/h em 3,9 segundos.

  • Rodolfo Feijó

    Vixe!

  • Domingos, essas tosqueiras vingam porque as pessoas querem acreditar.

    Eu tinha um amigo de faculdade que tinha um Passat com uns 10 anos de uso, com o velho EA 827. Ele teimava comigo que o carro não tinha potência.
    Um dia apareceu um “prepara-a-dor” em São Carlos alegando fazer milagres com um “coletor de escapamento dimenisonado”.
    Era a coisa mais tosca que já vi: tinha 4 tubos curtos saindo do cabeçote e logo em seguida juntavam num toco de tubo horizontal com as pontas fechadas, e do meio do tubo para baixo havia a saída para o escapamento.

    Xinguei horrores, mas meu colega dizia que “agora o carro está gostoso”.

    Ele usou esse coletor por mais ou menos um ano. Por baixo o consumo ficou elevadíssimo, mas ele insistia que o carro estava “forte”.

    Não lembro porque, mas ele teve de retornar para o coletor de escape original. O motor ficou “solto” mas meu colega não deu o braço a torcer.

    Pouco tempo depois, o motor fumou. Meu colega abriu e os cilindros 2 e 3 estavam completamente ovalizados. Adivinha em cima de quem meu colega jogou a culpa. Claro, no escape original…

    O detalhe é que ele era meu colega de engenharia mecânica, fazendo curso de motores na época. Não faltou professor comentando o caso pra ele e ele não se convenceu.

    Já vi isso muitas vezes, ainda mais na época que virou moda os AP turbo.
    Como se diz na bíblia, o pior cego é o que não quer ver.

    • Domingos

      No meio do AP tem cada lenda enorme. Às vezes atribuo isso não à má fé, mas sim a uma certa falta de conhecimento/multiplicidade de caminhos que vão se juntando e no fim vão criando os mitos ou as crendices mesmo – como você mesmo presenciou.

      Há um tempo atrás os “preparadores”, baseando-se nos GM com alta taxa, começaram a achar que bom mesmo era TAXAR o carro antes de turbinar.

      Era uma questão do cara confundir o natural funcionamento mais liso de um motor taxado contra um destaxado, além da confusão causada por ninguém de fato acertar um carro turbo na época – se mantinha a injeção com os parâmetros originais, que obviamente preferia a taxa original ou mais alta que a taxa baixa.

      No fim é uma pilha de mitos e confusões por gente que não quer/não sabe fazer o serviço por completo. Aí começa-se a somar “jeitinhos” a tal ponto que se perde a noção das coisas.

      E tem também muito pilantra, claro.

  • Domingos, você já andou em carro elétrico? Provavelmente não.

    Olha isso:
    https://youtu.be/RWQ-dnpplaA

    Você não imagina como eu adoraria ter um caro chato desses na garagem.

    • Domingos

      Já e foi horrível e bom ao mesmo tempo. Foi num Nissan Leaf.

      O carro não tem nada de “torque instantâneo” ou “força descomunal”, no final o gerenciamento de bateria necessário a dar autonomia ao carro faz ele surpreendentemente parecido com um carro a combustão na dirigibilidade.

      O ar condicionado não podia ser usado, pois como o carro era usado repetidas vezes num percurso, usar o ar faria as baterias descarregarem muito rápido.

      A dinâmica era UM LIXO. O carro era pesado e, em saídas de curvas, patinava as rodas com qualquer quantidade de “abertura” do acelerador, me parecendo um problema de programação ou de transmissão.

      Dizem que o problema é de transmissão mesmo, pois os elétricos exigem dentes e disposições bastante rústicas – caso contrário quebram diferenciais e engrenagens.

      Ao mesmo tempo que, no final, foi parecido com um carro normal, foi também uma bela porcaria.

      Não achei vantagem alguma e o preço, sem desconto de impostos, seria altíssimo para um carro que é um hatch médio.

      Não sei como é o Tesla, mas me parece ser um caso também que não me importa como ele é…

      Ademais, pelo preço que ele tem, ser bom é uma obrigação. E se para ter um carro controlável em curvas e com boa autonomia é necessário pagar tanto quanto um Tesla, o carro elétrico é tão acessível quanto um avião.

      • Domingos, tudo que você descreve do Leaf em termos de capacidade de tração não é culpa do motor elétrico. Motor elétrico de 30 cv automobilístico espanca feio V8 de Corvette. O que você descreve é outra coisa: software.

        Uma vez fui convidado para dirigir o Audi R8 V10.
        Curiosamente eu tinha feito o trajeto de teste com meu carro por um erro do GPS e isso me deu base de comparação.
        Que desepero! Com um carro daqueles na mão e eu afundava o pé e o carro acelerava fraco como um carro de 1 litro.
        Uma hora não aguentei e perguntei para o responsável da Audi que ia ao meu lado e ele abriu o jogo. O carro foi “amansado” para jornalista não fazer besteira.

  • Domingos, vamos deixar a questão verde de lado por enquanto.

    Qual o rendimento energético de um carro com motor a combustão dentro da cidade?
    Considerando que o motor é subutilizado e ainda trabalha longos tempos em marcha lenta por conta dos sinais e trânsito congestinado, 10% é um valor ate otimista.

    Pegue essa gasolina que a frota de São Paulo queima ineficientemente, joga numa turbina a gás para gerar eletricidade a 60% de rendimento. Com as perdas pequenas ao longo do sistema de distribuição elétrica e o armazenamento em baterias, precisaríamos de 1/3 desse combustível para mover a cidade.

    Voltando à questão do verde, nada tão chato quanto um ecochato quanto um autochato.
    A questão ecológica é importante sim, mas não pode ser conversada de forma dogmática e radical da mesma forma que ela também não pode ser ridicularizada e excluída na mesma medida.

    Vou te contar um pouquinho da minha realidade.
    Eu moro muito próximo tanto da Marginal Tietê e da Via Dutra, na Zona Norte de São Paulo.
    Meu carro não fica limpo por mais que 2 dias de tantas partículas finas de escapamentos, em especial de diesel, que se depositam.
    Cada vez que tenho de limpar minha estante de livros, a TV, meu computador que estão no meu quarto, saio mais sujo que quando arrumo meu carro.

    Aqui tenho duas pessoas idosas com problemas cardíacos e respiratórios e regularmente tenho que correr no médico por dificuldades de respiração delas.

    O problema de particulados é tão grande em casa que comecei a desenvolver uma solução caseira para manter o ar limpo dentro dos quartos, pelo menos para termos boas noites de sono.
    Fiz um filtro dinâmico e mesmo num protótipo pequeno de testes, a sujeira que ele acumula é assustadora. Quando limpo, a lama que sai da lavagem tinge de preto tudo que toca. O que fica no filtro é uma mostra do ar que eu respiro dentro de casa.

    Meu médico pediu para conhecer a peça quando estiver desenvolvida, porque o que ele atende de crianças com problemas respiratórios é de dar pena. É uma geração inteira com pulmões comprometidos.

    E o que justifica eu respirar tanta sujeira? O prazer entusástico de dirigir dos outros? Isso é doentio.
    Eu acredito que o meu direito começa onde termina o direito dos outros. O direito de dirigir dos outros não pode suplantar o meu direito à saúde e a um ar mais limpo.

    Se a gasolina e o diesel queimados em tantos carros e caminhões fossem
    queimados numa usina termoelétrica e abastecesse veículos elétricos, o
    ar que eu respiro seria muito mais limpo do que é hoje.

    Por essa e por muitas outras, desqualifico quem desconsidera completamente a questão ambiental tanto quanto o ecochato.

    • ochateador

      @andr_antonio_dantas:disqus
      Poderia postar um vídeo da limpeza desse filtro? (curiosidade de saber como é o ar aí em SP)

      • Domingos

        Longe das Marginais e certos trechos de enorme circulação o ar é surpreendentemente bom!

        Nos trechos de ligação onde passam também muitos ônibus e caminhões – principalmente esses – é insuportável, o cheiro logo te faz mal.

      • ochateador, esse protótipo ainda trabalha a seco e é muito pequeno e trabalhando a seco, então não está sujando tanto quanto deveria.
        Assim que montar o definitivo incluindo a via úmida de limpeza, aí eu posto.

    • Domingos

      AAD, também moro na Zona Norte. E conheço a situação das Marginais por já ter tido a experiência de passar por ali a pé em horário de pico.

      Também tenho esse pó na minha casa sabe quando (já que felizmente não moro perto da Marginal)?

      Durante períodos de obras! Elas são enormes poluentes, sendo inclusive apontadas como as principais poluentes urbanas na China.

      E não existe restrição NENHUMA para obras.

      Outro ponto que todo mundo esquece, especialmente com essa tara gnóstica e pagã da “eficiência”: material particulado é problema do DIESEL.

      Justamente por isso as Marginais são horríveis. O trânsito de caminhões é intenso.

      Os ecochatos confundem isso de propósito, de forma a quererem o controle total dos carros.

      Outra coisa que esquecem é que sob esse aspecto é melhor uma dezena de carros na rua do que um ônibus.

      E isso porque o Diesel é 10 a 20% mais eficiente!

      Na verdade a visão toda é uma confusão orquestrada.

      Comenta-se que muitos países sem uma matriz geradora de energia limpa, como o Brasil, estariam inclusive meramente deixando de jogar poluentes nas cidades para, com os elétricos, jogarem muito mais em outros locais.

      Locais, inclusive, com regulações mais fracas. E também deixando emissões e poluentes pesados nos locais de mineração necessários para fabricar as baterias.

      Considere também que as contas de eficiência sua não contam que o elétrico também desperdiçaria energia no anda e para do trânsito, tendo além das perdas de transmissão as perdas de recarga das baterias – nada desprezíveis, aliás.

      Um país que tem matriz geradora via carvão, como boa parte dos Europeus, provavelmente não vai ganhar NADA com os elétricos.

    • Domingos

      Complementando: já percebeu como em toda enganação a culpa é sempre jogada na vida normal dos indivíduos, enquanto os grandes mandantes dos esquemas saem como “salvadores da pátria” ao mesmo tempo que são os maiores poluidores?

      Seu carro precisa emitir basicamente zero material particulado. Os caminhões diesel, úteis aos frotistas, além dos ônibus (mantidos com dinheiro parcialmente público), podem emitir centenas de vezes mais.

      E a culpa continua sendo jogada no cidadão que meramente tem seu carrinho, coisa que com um elétrico logo ele se veria numa situação que ou ele é classe média alta/rico ou vai ficar à pé.

      Ficar à pé, aliás, é o que é desejado mesmo por quem está comandando isso.

  • Domingos, você tem que colocar algumas coisas nessas contas.

    Sim, hoje as baterias custam caro, mas volte nos tempos do EV1 e compare com o que temos hoje. O preço por kWh de energia acumulada vem caindo significativamente.
    Compara as baterias do Prius de primeira geração e a da geração atual.

    A tecnologia está evoluindo. E carros não são a única fonte de pressão para a evolução das baterias.
    Lembra dos primeiros celulares “tijolão”? A bateria nem durava o dia todo.
    Eu tenho um velho celular Nokia com bateria que dura 2 semanas sem recarga, mas meu smartphone vive ligado no carregador para que eu tenha carga máxima cada vez que saio com ele. Um smartphone com bateria para 2 semanas ou 1 mês é objeto dos sonhos.

    • Domingos

      AAD, o problema é a eterna promessa. Desde tanto tempo tem essa história que as baterias vão evoluir e bla bla bla, chegaram até a acusar um lobby que estaria impedindo o desenvolvimento delas.

      Depois vieram os eletrônicos portáteis em massa e continua a mesma coisa.

      Nenhuma delas também se provou ser minimamente boa ao ambiente.

      No fim, o elétrico me parece mais uma inutilidade útil e não é à toa que eles começam a serem levados a sério justo na hora que surgem os carros autônomos.

      Será o capítulo 3 e o final. O primeiro foi a aceitação da falácia do Estado laico. O segundo foi o desarmamento.

      Se aceitarem o fim do carro não autônomo/não-elétrico, o próximo capitulo vai ser o completo controle humano via localizadores.

      Aí na verdade já vai ser é o próprio julgamento e não uma vida normal.

  • André Castan

    Até acredito que no futuro só teremos elétricos, mas tem um probleminha aí. Não há matéria-prima para produzir baterias em alto escala e por anos a fio. Terão que descobrir uma outra maneira de armazenar ou transferir a energia paro os carros.

    • André, dê tempo ao tempo. A frota mundial não vai virar elétrica do dia para a noite. Além disso o carro elétrico é diferente do carro convencional. Hoje usamos o carro convencional para tudo, mas vamos descobrir que para certas coisas o elétrico é melhor e para outras, não.

      O que posso te dizer é que estamos na infância das baterias.
      Já ouviu falar em nano-tubos de carbono? E em grafeno? Materiais nano-estruturados prometem baterias revolucionárias com base no abundante carbono.

      Já ouviu falar em adenosina tri-fosfato, mais conhecida nos meios acadêmicos como ATP? É, nada mais, nada menos, que o combustível das células vivas. Pois ATP pode ser combinada numa célula de combustível relativamente simples, baseada em materiais orgânicos e que servem para gerar eletricidade, assim como o poraquê (peixe-elétrico) faz.
      Sim, esse seria um carro realmente verde.

      Mas é a tal coisa. As baterias ficaram esquecidas por mais de 80 anos, mas agora as pessoas querem resultados para ontem. Aí não dá.

      • Domingos

        Nos últimos 20 elas não estão nada esquecidas e continuam uma porcaria.

        Bateria é ruim pra caramba. E essa do grafeno, por exemplo, é outra história antiga que nunca saiu do papel.

        No fim o mundo é o mesmo, existe uma falsa percepção de progresso linear ou infinito, mas as pessoas esquecem que estruturalmente e nos fundamentos tanto um carro quanto um computador são os mesmos há décadas.

        Um 468 apenas colocou menos transístores no mesmo espaço de um Core i7. De resto é igual.

        Petróleo, por sua vez, desde que o mundo é mundo guarda energia pra caramba em pouco espaço e é fácil de lidar com ele.

        No fim as baterias têm suas promessas em coisas e materiais exóticos, o que nunca deu certo em coisas a serem usadas em massa.

        Se todo carro do mundo precisasse de forração térmica de ouro, como um foguete ou um F-1, seria uma solução de nicho.

        Baterias exóticas são a mesma coisa.

        Mas, enfim, não dá para afirmar também que alguma dessas soluções acabe dando certo.

        No final não me interessa também. Isso tudo será instrumento de controle, ainda que miraculosamente se resolvam todos os problemas que se repetem com os elétricos ano vai, ano vem.

        • KzR

          Entendo seu pensamento. Mas mesmo que a base que usamos seja a mesma de antigamente, a evolução nas extremidades é evidente e clara, tanto em termos de eficiência e custo. O progresso segue mais uma tendência exponencial que efetivamente um degrau em revolução.
          Contudo, concordo com você. O que não se pode deixar é que virem instrumento de controle.

      • KzR

        Perfeito André. O tempo que ficamos sem baterias querem que seja compensado com solução imediata. Há várias possibilidades a serem testadas como soluções para o futuro, basta dar tempo ao tempo.

        Há mais de 7 anos que já penso que podemos dividir tarefas entre convencionais e elétricos. Atualmente penso como é torturante para um motor a combustão ter de percorrer tão pouca distância diária e não ter tempo de atingir a temperatura ideal. Usaria um elétrico no lugar numa boa.

  • Domingos

    Assustaria como, num setor que já há uns 40 anos trabalha já com grandes fornecedores?

    Além disso, que coisa decrépita seria montar um carro como um computador, onde no final você escolhe para ter a mesmíssima coisa que outros bilhões de pessoas…

    Tira-se do carro qualquer característica de projeto, de espírito, dando a ele um caráter genérico que é bom num computador (são só números, no fim…) e horrível num carro.

    • Domingos, não sei quanto a você, mas eu nunca tive desktops de marca. Os meus sempre montei (e ainda monto com peças encostadas de amigos).
      Já tive empresa de software e sempre trabalhei com todo tipo de computadores, e sinceramente nenhum me deu mais prazer que os meus montados.
      Ainda me lembro de um 486 DX2-66 que montei com hardware de servidor que era mais rápido que os DX4-100 dos clientes, tudo porque a placa mãe que os clientes usavam eram baratas.

      Pergunte a um entusiasta em games que computador ele compra. Pergunta se ele compraria um computador “enlatado” de marca para jogar.

      E alguns gamers sabem que muitas vezes não adianta comprar um processador Intel Core i7 para overclock, porque o gargalo é a placa de vídeo e um Core i3 ou i5 empurra bem o computador. Não rpecisa gastar uma fortuna no que não vai usar.

      Carro a combustão você compra fechado. Não dá para escolher o motor, a transmissão, o tipo de suspensão, etc. Você compra o que as fábricas te empurram.

      Carro elétrico você monta ao seu gosto. Quer mais autonomia, compra mais bateria. Quer simplicidade, compra um motor central com diferencial. Quer controle vetorial de tração, compla sistemas duplos de inversor, motor e transmissão. E por aí vai.

      Esse carro dá mais prazer até porque foi você quem escolheu como ele seria.

      • Domingos

        AAD, você deve saber então que um appliance faria uma função específica que o seu dektop faz por um preço menor, com hardware infinitamente inferior e performance/estabilidade infinitamente superiores.

        O caso dos carros está mais para um appliance. Montar Lego não faz carro bom. Basta mexer 20 quilos de uma dianteira, mudando um motor, para precisar refazer o acerto de suspensão inteira.

        Esse, inclusive, é basicamente o motivo do Linux no desktop ter penetração quase zero onde não há uma forte vantagem em custo.

        Para ter um sistema completamente modulável, você precisa fazê-lo desajeitado, confuso, desotimizado e muito pior do que poderia.

        Ademais, seria decrépito mesmo isso de desprezar completamente a arte/espírito do automóvel em nome de fazê-lo como uma mera escolha do “melhor número”.

        Sobre computadores: já tive montados e comprados. Numa aplicação que o comprado atenda suas exigências, não há comparação.

        Você paga menos, tudo já vem pronto e garantido, frequentemente o formato é otimizado, não há dor de cabeça ou gastos com software.

        Havendo necessidade específica, bom, aí sim um montado é melhor. E claro, nesse caso dá mais alegria montá-lo.

        Isso passa longe de um carro. Só alguém com equipamento especializado o montaria em casa e, a rigor, todo carro necessita ser otimizado para sua função/proposta.

        Uma das coisas que me causariam impotência seriam, inclusive, montar um carro no site da Apple e escolher se quero o painel em branco irritante ou dourado “pareço rico”.

  • Domingos, pare de pensar no hoje e pense em termos de futuro.
    Quanto custava um computador há 50 anos? De que tamanho ele era? Quanta capacidade ele tinha? Hoje você tem muito mais que isso numa calculadora comprada no camelô com dinheiro de pão.
    Carro elétrico custa caro hoje sim, mas pense quanto custaria hoje um automóvel se fosse algo que fosse lançamento recente. Também custaria caríssimo.
    É preciso dar um empurrão para o carro elétrico popularizar e baratear. O que o carro elétrico custa hoje não é âncora para justificar que será eternamente inviável.

    • Domingos

      Sim, AAD. A confusão é justamente essa: achar que o carro é como a informática, onde basicamente se faz um jogo ao infinito de mais números no mesmo lugar.

      Nossa geração, inclusive, acha que a vida é assim. É o gnosticismo e, nesse caso, a completa perdição.

      Um carro já passou por todo o ganho de escala que poderia e, por ser algo físico, não tem como “fazer caber mais coisas no mesmo lugar não gastando nada”.

      Igualmente será com as baterias.

      A vida não é software, é mais para hardware. Idem com os carros.

      Deve-se levar em conta que os elétricos não são novidade também e, nos últimos 10 a 20 anos, grande parte dos modelos já nascem com estudos ou até versões elétricas.

      A inacessibilidade não está só no preço de compra, aliás, e sim na manutenção. O carro elétrico basicamente te obriga a trocar o que seria parte do motor a cada tanto, isso nunca vai ser barato.

      • KzR

        Engraçado que esse pensamento também pode ser aplicado para um sistema de geração total (e estoque) de energia por painéis solares de uma residência. Enquanto se espera ‘pagar o investimento’ com a economia do dinheiro que seria pago a concessionária de energia, logo logo se gastará para renovar o estoque de bateria a preço bem maior. Não fecha a conta.

        • Domingos

          Por isso mesmo painel solar só funciona se for com aquele modo onde você vende energia para a distribuidora durante o dia e depois a compra de volta durante a noite.

          O detalhe é que, claro, onde isso funciona o controle é muito maior e o que acontece é que a energia vendida por você durante o dia vale pouco e a comprada de noite – no horário de mais uso e com menos alternativas de geração – vale muito.

          A indústria de painéis solares ganhou muito com essa promessa, chegando a fazer lobby com a União Européia para ser obrigatória sua utilização.

          Por lá existem enormes incentivos, que basicamente são desconto em impostos que alguém terá que pagar, e mesmo assim o número é baixo.

          Para realmente ter uma boa vantagem, seria necessário baterias (o que inviabilizam qualquer coisa) ou que te dessem a energia noturna pelo valor da diurna – o que já fizeram o esquemão para que não seja assim.

          No fim essa baboseira toda é para você economizar pelos outros, de forma que ganhem ainda mais dinheiro.

          Seria legal, no entanto, se a solução dos painéis solares fosse viabilizada. Essa, de fato, colaboraria tanto com o usuário como com uma diminuição de consumo.

  • Nicolas Zorzi Lima

    Boris,

    Eu me refiro ao cidadão normal. Que terá carros normais e possivelmente bem sem graça. Os superesportivos ainda podem ser diferentes visto o foco.

    Mas mesmo assim, no meu ponto de vista acho que a tração elétrica precisa de pelo menos 30 anos até ser algo utilizável.

    E mesmo assim acho que os motores ciclo otto irão pernanecer como alternativas, tal qual ocorre em todos os setores sejam industriais ou caseiros.

    Abs,

  • Domingos

    Interessante saber dessa do R8! Mas que deve ter dado um desespero e um corte no coração, deve…

    Porém, sinceramente, que erro feio de software então.

    O carro simplesmente era inutilizável em saídas de curva, você deveria esperar até a reta para poder retomar a aceleração.

    E a entrada também era ruim. O carro é pesadíssimo pelas baterias e ainda por cima era mole, pois deveria ser confortável (o que ele era). Nunca vi um carro tão ruim nisso que não fosse dos anos 80 para trás, pelo menos.

    E continuarei acreditando que é lorota o tal do torque instantâneo.

    O carro andava bem sim, porém só depois de um tempo. Na fase inicial de aceleração, a que gasta mais energia, o programa do carro broxa o motor de forma tanto a não patinar como a não acabar com as baterias.

    Aposto que dirigido esportivamente a carga não passa de uns 100 km, o que é pífio.

    Por mim a “perfeição” do elétrico pode continuar onde ela merece estar, que é no completo anonimato.

  • Domingos

    Legal que com 750 cavalos e um preço que deve ser exorbitante ele perca em 1,5 segundos no 0-100 para um Nissan GTR…

    O primeiro desafio do elétrico sera na verdade o peso. Depois as baterias. E então o preço.

    O que me preocupa é a intervenção dos governos. Enquanto a briga for na concorrência ou nas pistas, embora ache decrépito o elétrico, está valendo.

    Quando, no entanto, começarem a obrigar o uso de uma solução ou outra – como já estudam alguns países – que a coisa vai ficar perigosa…

    • KzR

      O grande problema é esse: quando quiserem ditar as opções e que as pessoas engulam goela abaixo.
      Tão difícil deixarem a cargo do próprio consumidor a escolha. Até parece que soluções diferentes coexistindo pacificamente é a visão do apocalipse!

  • KzR

    Ao Boris, parabéns pela abordagem da polêmica temática.
    Como falou o André Dantas, as tecnologias atuais tem muito a crescer para tornar o carro elétrico mais viável e mais atraente aos olhos das pessoas, ainda que barrado por diversidade de entraves ao seu pleno desenvolvimento.

    Recebi com tristeza a notícia do limite de uso do petróleo como combustível. Mesmo que o carro elétrico seja a figura politicamente correta do momento, o carro a combustão tem diversas qualidades. Ainda que pareça utópico, prefiro crer que ambos possam coexistir pacificamente no futuro. E que os entusiastas darão seu jeitinho para manter o auto-entusiasmo firme e forte até lá.

  • F A

    Não acredito em célula de combustível. E nem em elétrico com as baterias atuais. Só acredito num elétrico puro se algo mudar com novas baterias ou novos supercapacitores. Ou então em elétricos de autonomia estendida com um motor de combustão trabalhando em faixa fixa de rom.