Meu nome é Mauro César e gostaria de compartilhar com vocês amigos-leitores do Ae a minha história automobilística. Desde quando começou o “Histórias dos Leitores” eu pensava em escrever minha história, porém sempre ia postergando, até que agora decidi escrevê-la. Sempre fui um daqueles leitores tímidos, que quase nunca comenta, mas leio todos os textos e comentários.

Tudo começa no ano de 1995. O local é minha querida Belo Horizonte, ou BH para os mais íntimos. Eu tinha 25 aninhos, fazia Ciências Contábeis, já estava no 2º ano do curso. Trabalhava o dia todo num escritório de advocacia e estudava à noite. Rotina maçante de “faz-tudo” no escritório, somado ao curso, estava me cansando. Decidi que compraria um carro, assim pelo menos teria algum conforto e fugiria do estressante transporte público.

Desde novo sempre trabalhei, ora na pequena mercearia dos meus pais, ora fazendo estágios em escritórios. Com isso juntei uma grana legal e fui à caça do carro perfeito para mim. Folheava as páginas dos classificados atrás de uma “mosca branca dos olhos azuis”. Certo dia fui à feira de veículos no Mineirão e de cara comprei o carro. Era um Gol 1,6 AP 1988 de cor preta. Era de um senhor que o comprou 0-km e só usou para pequenos trajetos. O carro estava visual e mecanicamente impecável com pouco mais de 20.000 km. E o melhor era o preço atraente, pois o senhor já não conseguia mais dirigi-lo e queria se desfazer daquele “peso morto” na garagem.

 

Gol 1996 web  GOL À MODA PARAGUAIA – POR MAURO CÉSAR REIS E LIMA – 25/10/15 Gol 1996 web

Numa estrada de terra a caminho do sítio dos meus pais

Passados algumas semanas, ainda vivia a euforia da compra! Nos finais de semana sempre saía com o carro e ia exibi-lo na região dos Seis Pistas/Belvedere, onde a galera jovem aparecia aos domingos à tarde para ficar fazendo manobras e pegas… Era um festival de XR3, Gols GTi, BMW, Opala e Dodge Dart nervosos, enfim uma frota completa, preferida dos playboys da época… Confesso que queimei muito pneu nesses tempos (rsrs)…

 

Gol 1995 (2) web red  GOL À MODA PARAGUAIA – POR MAURO CÉSAR REIS E LIMA – 25/10/15 Gol 1995 2 web red

Primeira ida à praia com o Gol preto

Mas a vida dá voltas. Um dia, no horário de almoço, saí do escritório e fui pegar um livro que havia deixado no porta-luvas do Gol. Desci e fui até a outra rua onde estava estacionado. No lugar do Gol tinha outro carro. Fui percorrendo todo o quarteirão, pois talvez tivesse confundido o lugar onde tinha parado. Liguei para casa para saber se o carro estava na garagem. Não, não estava. Minha mãe confirmou que eu havia saído com ele pela manhã.

Lembro-me de ter ficado uma meia-hora sentado no passeio em estado de choque. Não queria acreditar que tinham roubado meu carro! Depois de passado o choque, foi a hora dos trâmites legais: fazer B.O., informar BH inteira de que um Gol preto 88 havia sido roubado… Perguntaram-me de seguro. Claro que não tinha seguro. Era jovem e essas coisas só acontecem com o vizinho, nunca conosco.

Passados uns dois meses, já estava até passando o luto pelo Gol, recebo uma carta do Detran-PR. Era uma notificação de infração de trânsito por avanço de sinal na cidade de Foz do Iguaçu. A data da infração era de três dias após o roubo do carro. Mostrei a carta para meu tio Olavo, que era escrivão da Polícia Civil. Após confirmar com alguns colegas de serviço, ele me disse o óbvio: meu carro tinha sido roubado e levado para o Paraguai, coisa muito comum nos anos 80 e 90. Roubava-se no Brasil e trocava o veículo por drogas ou muambarias em geral.

Meu sangue ferveu: ser roubado já é digno de revolta, agora ser roubado e ter um paraguaio usando seu carro que você custou a comprar, enquanto você anda em ônibus lotado, é mais revoltante ainda. Na hora me bateu a idéia mais maluca de todas: resgatar o Gol das mãos paraguaias!

Conversei com esse meu tio e expliquei todo meu plano mirabolante para ele. Iria ao Paraguai e buscaria meu carro de volta, ou seja, faria o inverso do bandido: roubaria o carro no Paraguai e o traria de volta ao Brasil. Super simples. SQN (só que não), como diriam os mais jovens. O importante é que meu tio e seu fiel 38 topou. Foi mais para me proteger do que ajudar.

Como sou um gênio da investigação (ironia), fui numa dessas excursões de sacoleiros ao Paraguai. Assim poderia rodar livremente em Ciudad del Este e seria visto como sacoleiro. Saí de casa levando apenas uma mochila com um novo par de placas, os documentos do carro, as chaves originais e as reservas e alguns dólares. Bons tempos do dólar 1:1!

A viagem começou na sexta, 12h00, entrou madrugada adentro e chegamos a Ciudad del Este no sábado de manhã. O grupo ficou em um hotelzinho e eu e tio fomos para o centro em busca de informações. Não tínhamos tempo a perder. Para facilitar as buscas, decidimos conversar com comerciantes e vendedores de peças. Visitamos várias casas na região e nada. Paramos em uma loja de autopeças/ferro-velho que ficava mais afastada do centrão de compras. Nos apresentamos como vendedores de veículos de São Paulo e perguntei ao camarada se ele sabia de alguém que estava vendendo um Gol “quadrado” e que somente cor preta me interessava. Disse que tinha uma encomenda e que pagaria bem pelo carro além de uma boa gorjeta ao vendedor. Para convencê-lo, soltei uma nota de US$50,00 no balcão. O olho gordo do vendedor cresceu na hora e ele começou a fazer várias ligações.

Confesso que nessa hora achei que ele tinha desconfiado de alguma coisa e que chamaria reforços. Mas não, passado um tempo ele me entregou um papel com três telefones de negociadores de carros. Me disse que estes tinham Gol preto à disposição. Liguei para o primeiro e marcamos um encontro numa praça famosa pelo comércio de veículos. Lembro-me de ver vários carros em bom/ótimo estado por preços irrisórios. Uma D20 novinha foi me ofertada por US$ 4 mil. Obviamente recusei. Encontrei com o negociador e logo veio a decepção porque o Gol não era o meu. Tratava-se de um GTi azul Mônaco.

Telefonei para o segundo. Marquei o encontro num depósito de material de construção onde o carro estava guardado. Meu coração “pulava pra fora” tamanha a adrenalina. Peguei um táxi e fui até o local. Cheguei lá e, surpresa: era meu carro! Estava com placas paraguaias, porém o adesivo do Galo (Atlético Mineiro) no vidro (tiraram o adesivo, mas ficou aquela sombra) e a plaqueta da concessionária Carbel onde o carro foi tirado, entregaram a origem. Além disso, reconheci um amassadinho na porta bem característico.

Para disfarçar desdenhei do carro e disse que não havia me agradado. Mesmo assim pedi para dar uma volta e ver como rodava. Estrategicamente, parei o Gol do outro lado da rua, em frente a uma loja de eletrônicos. Despedi-me do carro e do “vendedor” e entrei na loja de eletrônicos. O carro continuou parado lá. Aí começou o plano.

Passei a chave-reserva para meu tio e disse que iria ao depósito distrair o vendedor. Enquanto isso, meu tio roubava meu próprio carro. Combinamos de nos encontrar no estacionamento do hotel da excursão. E assim foi feito. Meu tio saiu com o carro sem muitos alardes enquanto eu ficava conversando amenidades com o “dono” do carro.

Rodei por todo o centro de Ciudad para não dar bandeira da minha participação no roubo, caso fosse seguido. Já estava entardecendo quando voltei ao hotel. Corri ao estacionamento e vi meu tio e o Gol. Mas não havia tempo para matar a saudade ali. Apenas conferi os números de chassi para ver se não foram adulterados e substitui as placas paraguaias por brasileiras. Fechei a conta no hotel e saímos disparados rumo à Ponte da Amizade. Somente quando parei no posto da PRF, em solo brasileiro, é que eu consegui me acalmar e respirar um pouco.

 

Ponte amizade  GOL À MODA PARAGUAIA – POR MAURO CÉSAR REIS E LIMA – 25/10/15 Ponte amizade

Depois de atravessar a Ponte Internacional da Amizade o Gol preto estava finalmente de volta à sua pátria, o Brasil (foto novafm103.com.br)

Expliquei toda a situação pros policiais que me trataram como verdadeiro maluco. Conferiram os documentos e revistaram todo o carro comprovando-o que era realmente o meu e que não havia de ilegal escondido. Fui liberado, mas antes tive que quitar a multa por avanço de sinal. Coisas de Brasil.

Creio que no trajeto Foz –BH tenha atingido a velocidade da luz e ultrapassado a barreira do som tamanha a velocidade média que fiz. A mistura de adrenalina e medo de ser perseguido por bandidos paraguaios me fez dirigir sem parar (somente para abastecer) até chegar ao estado de São Paulo. Enfim em SP pude parar pra descansar, comer e dormir. Meu tio como bom policial, ligou para os colegas alertando-os que recuperamos o carro e que estávamos voltando para BH.

A chegada em BH foi decepcionantemente feliz. Feliz por estar em casa e o Gol na garagem. Decepcionante, pois achava que meus pais iriam ficar felizes, mas não. Estavam tão preocupados comigo que não esboçaram qualquer reação positiva. Acho que só nesse fato acrescentei uns 30% de cabelos brancos à minha mãe e feito meu pai perder um bocado de cabelos também.

Finalizando a história, continuei com o Gol como carro diário por mais uns três anos. Depois o carro foi para o interior de Minas Gerais, passando a fazer parte da pequena frota do sítio do meu pai. O Sr. Valter, nosso caseiro, usava o Gol paraguaio diariamente na roça e aos domingos ia passear na cidade com a família. Mantive contato com o carro por todo esse período quando ia ao sítio. Porém em 2009, após anos de labuta na roça, e já apresentando sinais de cansaço e em triste estado de conservação, o Golzinho foi vendido para um trabalhador das redondezas e perdi o contato visual com o valente carrinho.

 

Gol em 2009  GOL À MODA PARAGUAIA – POR MAURO CÉSAR REIS E LIMA – 25/10/15 Gol 2009 2 web

O Gol preto em 2009, hora de vendê-lo

Analisando friamente o caso, penso que tive muita sorte em recuperar o carro. Primeiro, porque recebi essa multa que me indicou para onde tinham levado o carro. Depois, porque já tinham se passado dois meses e o carro ficou rodando somente em Ciudad del Este e não foi levado para o interior do Paraguai ou da Bolívia como de costume, o que facilitou a procura. O “roubo” também foi fácil e não houve resistência por parte de algum paraguaio, o que era meu maior medo.

Antes que alguém pergunte, não penso em ir atrás do carrinho (de novo). Creio que entre ele e eu houve uma história e que essa história já acabou. Que ele possa fazer outra pessoa feliz assim como ele me fez feliz no tempo que estivemos juntos.

MCRL

ooooo

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  • V_T_G

    Incrível!!!

  • Diney

    História hilaria e perigosa, infelizmente ainda é comum o envio para o Paraguai de carros, caminhoes, motos, trator e outras cositas roubados no Brasil. Moro na região de fronteira e constantemente as polícias apreendem algum tipo de veiculo quase todo santo dia. Parabéns pelo sucesso, mas nunca mais faça isso. Abraço.

  • Alessandro Peres

    Puxa vida!
    Muito emocionante sua história, confesso que foi um ato heroico e engraçado (roubar dos ladrões).
    Meus parabéns e obrigado por compartilhar sua esperiência

  • Vinicius

    A melhor história que li aqui. Sem desmerecer as outras, mas digna de filme! uhuaauh

  • Davi Reis

    Na hora que eu vi que era uma história de um Gol quadrado, e também daqui de BH ainda por cima, não podia deixar de ler (risos)! Não me arrependi, e que aventura hein?! Coisa de outros tempos mesmo. Hoje a chance de recuperar o carro seria bem menor e de voltar com problemas seria bem maior. Os “causos” da nossa cidade são sempre os mais malucos mesmo (risos)!

    • Domingos

      Fora que talvez sequer ele poderia ir até lá armado, pois arma só pode ter para ladrão, não é?

      • Davi Reis

        Mais ou menos por aí mesmo…

  • Mr. Car

    Pelo risco envolvido, esta é a história de leitor mais doida já publicada, he, he! Devia vir acompanhada daquela advertência que vemos em alguns programas de TV que mostram pessoas fazendo coisas perigosas, o famoso conselho “não tente fazer isto em casa”. No caso. “não tente fazer isto no Paraguai” Espero que agora você já tenha condições de bancar um seguro, e não precise reviver a aventura. Melhor: espero que nunca mais te roubem um carro, he, he!
    Abraço.
    Para pensar: “Há mais prazer em construir castelos no ar do que na terra”. (Edward Gibbon)
    Para ouvir (tinha que ser uma linda guarânia, he, he!): https://www.youtube.com/watch?v=LojL4SYWnok

  • Jonas Jorge

    Ali no Paraguai o que tem mais na rua é moto chinesa e carro frio. É impressionante quando ia direto lá. Sempre que eu ia, tinha um vendedor de meias que eu comprava com ele para cuidar do meu carro. Falando em tomar o que é da própria pessoa, lembro de, há alguns anos, um amigo meu teve sua queria Caloi Mobylette tomada pela polícia, por estar sem a lâmpada na luz traseira (na verdade foi uma desculpa para o policial levar, já que ele estava junto com um outro arruaceiro). Os piás fazendo planos mirabolantes para tirarem a Mobylette de dentro do pátio, pulando para dentro e jogando por cima do muro, mas acabaram não fazendo nada, e o piá foi atrás de outra Mobylete…

    • Rubem Luiz

      Na Bolívia, seguindo daqui de MT pra dentro, também não faltam carros brasileiros usados, coisa tipo Gol G3, misteriosamente sem placas.

      Ou tem veículo/moto incomum no brasil e com placas, ou é carro que tem no brasil, mas sem placas ou sem alguma delas.

      Na cidades maiores não sei, mas nos vilarejos perto da fronteira (Indo de San Matias pra San Juan, por exemplo) tem moto velha dos anos 70, charrete a cavalo, e na mesma garagem uma Hillux meio nova sem placas ou com placa cinza brasileira, é de se desconfiar.

  • DPSF

    Coragem sua e de seu tio. Já estive em Ciudad del Leste e lá é terra de ninguém… mas ficou a historia para ser contada. Tenho um tio, que teve duas D20 roubadas… uma foi recuperada no Paraguai e da outra nunca mais se teve noticias.

    • Mauro César

      DPSF, esse seu tio recuperou a D20 roubando ela também? Depois de escrever a história, fui olhar no google e encontrei vários casos de pessoas que vão ao Paraguai e Bolívia para recuperar seus veículos .Tem inclusive empresas especializadas em recuperação de veículos no Paraguai. Fiquei impressionado com isso. Como disse alguém nos comentários, lá é uma terra-sem-lei, não confiaria nem nas autoridades.

  • H_Oliveira

    Maluquice! História sensacional… Mas, desculpa a pequena crítica, depois de uma aventura dessa eu não me separaria desse carro NUNCA mais! kkk Brincadeira, tudo acaba, né?

  • Rafael Alx

    O Paraguai é um país tão picareta, que ainda permite que emplaquem carros roubados com a placa deles… Na Bolívia parece que tem também até lei para “regularizar” a situação de carros que foram roubados no Brasil.

    • Diney

      Me desculpe, mas o paisinho que nós vivemos, é tão ou mais picareta que o vizinho

      • Domingos

        Parece que o Brasil até mesmo AFROUXOU para a Bolívia nessa questão das placas em carros brasileiros claramente roubados. Somos os trouxas da América Latina.

      • Rafael Alx

        Sim, com certeza também é. Mas aí já foge um pouco da história do post.

        Mas aqui se adultera chassi, desmonta todo o carro e vende em pedaços. E quem é receptador disso é picareta também, independente de ser brasileiro ou paraguaio.

        Mas é muita cara de pau o país vizinho permitir o emplacamento do carro, sem documento de transferência, com o número do chassi original aqui do Brasil e tudo.

        • Domingos

          Desrespeito mesmo. E espírito de ladrão. Por isso estão onde estão.

  • Antonio Pacheco

    Morei em Foz do Iguaçu por um tempo, e meu pai teve o seu Gol a álcool roubado. Mas, mesmo morando na fronteira, não nos aventuramos em procurar o carro no outro lado da Fronteira. Como disseram, ali é terra de ninguém, e o risco (que no seu caso valeu) não vale a pena, na maioria das vezes. De qualquer forma, é uma bela história para se contar…

  • Christian Bernert

    Leitor tímido?? Mauro César sua história é sensacional! Sou Paranaense e conheço bem o outro lado da ponte. Fico aqui pensando se você fosse ousado…

  • Daniel S. de Araujo

    Que história!!!! A sensação de ter o carro roubado é bem essa daí. Revolta.

    • Mauro César

      Daniel, realmente. Chegar na rua e não achar seu carro é um choque mesmo. Mas hoje várias outras coisas me revoltam muito mais que um roubo de carro. Corrupção (em todas as esferas) por exemplo acaba com minha paciência.

  • Domingos

    Que história incrível! Mas é isso aí, Deus ajuda os homens de bem!

    Que a justiça seja sempre feita! Com certeza você precisava do carro e o merecia.

    • Mauro César

      Obrigado, Domingos. Confiança em Deus acima de tudo!

  • Viajante das orbitais

    Essa história merece o selo AK de macheza.

    • CignusRJ

      Ele foi um herói 🙂

  • Rafael Ramalho

    Excelente história! Esse é o tipo de tio que todo homem deve ter.

    • Mauro César

      Sim, o Tio Olavo foi um verdadeiro cão de guarda da família. Hoje, é aposentado e leva uma vida pacata, mas nos tempos de Pol. Civil botou o terror na bandidagem mineira.

  • Roubar o próprio carro! Surreal!
    Parabéns pela coragem! Lamento pelo Gol não ter ficado para contar história.

    • Mauro César

      Uno Conversível, como disse no texto, acho que minha história com o Gol foi muito legal mas já passou. É como um relacionamento que foi feliz mas já acabou. Não adianta mais ficar juntos que você não está mais satisfeito com a relação. Hoje “namoro” Meriva Joy, um patinho feio, mas que me quebra um “galhão”, principalmente por conta das minhas filhas pequenas.

  • Leonardo Mendes

    Ainda bem que ele deixou a timidez de lado e nos brindou com essa empolgante história.
    Empolgante e, por que não dizer, meio doida também… é o tipo da aventura movida por um único combustível, a juventude.

    Ainda bem que tudo deu certo.

    • Mauro César

      Obrigado Leonardo Mendes, agradeço o elogio. Sim, essa história só ocorreu pela mistura de juventude + inconsequência. Naquela época, eu acho que como qualquer adolescente, estava sempre em busca de adrenalina e confusão… Hoje, casado e pai de duas garotinhas lindas, já estou mais ajuizado, kkkkk.

  • Bacana, mas um pouco menos estressante seria comprar o próprio carro de volta, já que custam barato por lá. Menos perigoso também.

    • Mauro César

      Ewser-X, recomprar meu carro nem se passava pela minha cabeça. JAMAIS daria dinheiro a bandidos. Preferiria ficar sem o carro e voltar à pé do Paraguai do que entrar nesses esquemas.

      • Muitos já fizeram isso, menos risco de levar uns tiros (porte de arma é liberado por lá). E o paraguaio que estava com ele não foi o mesmo cara que roubou teu carro. Então, cada um, cada um.

        • RoadV8Runner

          Pode não ter sido quem roubou, mas com toda certeza participava das maracutaias.

  • Cadu

    Arrepiei ao ler sua história!
    Um conterrâneo corajoso e de boa escrita. Sensacional, melhor história do HL!!!

    • Mauro César

      Obrigado Cadu, agradeço os elogios e fico feliz que gostou de minha aventura em terras paraguaias.

  • guest

    Pena que não recuperou o adesivo do Galo…rs

    • Mauro César

      Guest, podem tirar milhões de adesivos do Galo no vidro mas serei eternamente Galo Forte vingador!!!

  • Bruno L. Albrecht

    Muito legal a história! Parabéns!

  • Rids

    Um dos motivos para cessar o envio de carros roubados para o Paraguai foi o aumento de importação e financiamento de carros usados japoneses. Um taxista em Assunção me disse que comprou um Corolla 2013 por US$ 3mil financiado 4 anos, já incluída a inversão do lado do volante/pedais, que ficou perfeito, diga-se.

    • Wagner Bonfim

      Agora temos é que ficar de olhos abertos com bolivianos.

  • Rafael Alx

    Pior que é mesmo. AFROUXOU nisso, e naquele lance das refinarias que foram expropriadas pelo Evo Morales, lembra? Vergonha….

    http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/02/01/petrobras-volta-investir-na-bolivia-sete-anos-apos-estatizacao.htm

    • Domingos

      Sim. E pelos comentários, parece até que deve existir uma espécie de desprezo total pelos carros roubados no Brasil por parte das autoridades – conseguindo rodar por lá até sem placa nenhuma.

      Enfim, também cada país com o que merece. Ao menos aqui a gente não parece que vive no paleolítico, como lá…

  • Wagner Bonfim

    Eu faria o mesmo que o atleticano …

  • Rubem Luiz

    Heheh… um amigo da familia nos anos 90 foi buscar no Paraguai um Corcel I vermelho que tinha sido roubado, nunca soube dos detalhes exatos mas acho que algo deu errado com a chave reserva porque lembro de um par de fios debaixo do painel darem a partida.

    E lembro de ir na PM colocar o lacre na placa amarela novinha, numa época que aqui na roça quem colocava lacre em placa era um dos 2 policiais militares da cidade (Se era legal isso não sei, mas Detran/Ciretran na época ficava a 400 ou 500 km daqui).

  • Mauro César

    Primeiramente, agradeço aos editores do Ae pela publicação e a todos os amigos-leitores que gostaram da minha história.

    Realmente é uma história maluca mesma, dessas que só ocorreram pela mistura louca de juventude e inconsequência. Se tal fato ocorresse hoje, já não teria a mesma coragem de antes. Casamento e filhos transformam a vida de um homem. O que antes era prioridade, hoje se torna secundário.
    O bom é que ficam as boas lembranças e as caras de espanto quando conto essa história aos amigos…

    • Mr MR8

      Seus pais estavam certíssimos em não achar graça nenhuma da sua façanha. Imagina se vocês fossem pegos em flagrante pelo polícia paraguaia, dois estrangeiros respondendo por crime de furto… como se dizia naquela época: é ruim, hein!!!

    • Mineirim

      Tenso! Mas depois que passa, tem mesmo é que contar a história. Você deu uma de 007 e tudo correu bem.
      Abraço

  • Mauro César

    Davi Reis, é verdade. Os “causos mineiros” são sempre os mais interessantes.

  • Fernando

    Que história curiosa, obrigado por compartilhar!

    O pior é que já ouvi muitas pessoas que fizeram parecido, geralmente do Paraguai mesmo. Reclamamos do que há de ruim aqui, mas os bandidos de lá podem dar as mãos (e o fazem mesmo…) com os daqui.

  • Francisco Assis Neves

    Legal ler a história fantástica de mais um mineirinho!

    Cara, você citou o Seis Pistas, você corria lá? Talvez você foi um dos meus heróis da infância e não saiba. Tinha sempre um primo meu mais velho que me levava lá para ver os cavalos-de-pau, os pegas, os carrões, era demais prum garotinho de 10 anos! Domingo à tarde lá fervia de gente!

    Dica para quem nunca viu, o ano aí é de 92, mas até uns 2000 e poucos ainda era assim: https://www.youtube.com/watch?v=E85HXHrXI2o

  • Lucas CRF

    Bom demais! Que história bacana! Tem um gosto especial para mim por também ser de BH. Parabéns!

    Abraço

    Lucas CRF

  • Valdomiro Junior

    Que aventura ! Meu segundo carro, um Opala 79, duas portas, que havia reformado, também foi roubado, nunca mais o encontrei. Só quem passa por essa situação entende o que você falou, chegar no local e achar o espaço vazio, ou com outro carro no lugar .

  • Leandro da Cruz

    Que coragem hein rapaz! Que aventura

  • Boa história!

  • RoadV8Runner

    Acho que foi um conhecido do meu pai, lá pelos anos 80, que fez algo parecido (eu era criança na época e não lembro direito dos detalhes), mas com apoio de um detetive particular e um “colaborador” dele. Quem deu a dica de que o carro provavelmente estaria no Paraguai foi o policial que fez o Boletim de Ocorrência, quem apresentou o detetive particular, inclusive. O carro era um Santana, creio que 1985, também sem seguro. Pelo que me lembro, não era comum fazer seguro de carro naqueles tempos. O detetive encontrou o carro depois de alguns dias de procura, que estava nas mãos de um delegado da polícia do Paraguai e sequer as placas brasileiras haviam sido substituídas! O detetive ficou de tocaia por um tempo e observou que o carro ficava estacionado o dia todo próximo da delegacia, sem ninguém vigiando. Basicamente, só era usado na hora do almoço. O detetive avisou o dono, que foi para lá e combinaram o momento certo de “roubar” o carro de volta. Só que o retorno foi feito via Pedro Juan Caballero, justamente para evitar a alfândega de Foz do Iguaçu, devido às “ferramentas de trabalho” da equipe de recuperação do veículo…

  • Isso com certeza, mas na Bolívia, Venezuela, etc….tem um monte de esquemas assim, que “acolhem de braços abertos” os carros roubados da Bananalândia (e o Governo não está nem aí)

    • FocusMan

      Naquela época carro roubado não era bem visto por lá.

  • Quem estava com ela? Vc ou o cara?

    • Comentarista

      O cara andando na rua e eu a reconheci de dentro do meu carro.

  • Título do filme: “- Cara, cadê meu carro?”

  • Affonso Pazzini Junior

    Em 85 meu pai fez algo semelhante: porém o Del Rey dele (0 km) estava dentro de um formigueiro na divisa Brasil-Bolívia.
    O carro tinha sofrido uma avaria, foi arrumado em Corumbá, e ele pode trazer seu carro de volta pra casa.

  • Ulisses D´Avila

    Mauro talvez se você esperasse mais 30 anos a PF tinha recuperado o carro pra você. Aí em 2025 você estaria com o carro de volta…

    http://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2015/10/caminhonete-furtada-ha-30-anos-em-curitiba-e-recuperada-em-foz.html