Estamos testemunhando o início do fim da era do antigomobilismo?

 

Com o avanço da tecnologia, a obsolescência programada com prazos cada vez mais curtos e a alteração da relação homem-carro, é possível que em pouco tempo já não se tenha mais exemplares colecionáveis. Recentemente outro fator está sendo acrescido a esta equação que são as municipalidades que estão proibindo a circulação de carros com mais idade, deixando menos carros disponíveis para se tornarem veteranos de coleção.

 A responsabilidade dos que mantém carros de coleção hoje em dia se torna maior, pois deles depende a manutenção dos exemplares realmente colecionáveis de hoje no futuro.

Eu sempre me impressiono com os incríveis carros conceito que estão saindo das pranchetas e deixam todos intrigados em salões de automóvel…

Será que este carro poderá em 30 anos vir a ser um carro de coleção?

Desculpem-me sou de outros tempos, hoje já não existem nem pranchetas, nem réguas T, nem canetas de nanquim — daquelas que sempre entupiam na hora errada ou largavam excesso de tinta num trabalho quase pronto, nem compassos, tampouco esquadros, curvas francesas ou transferidores, tudo é feito em modernos programas de computador — adeus às “cópias heliográficas” (cópias de originais em papel vegetal feitas em papéis fotossensíveis expostos a uma luz intensa) testemunhas de projetos que eram usados no passado. Tudo fica em memórias de computadores e logo poderão ser “ilegíveis”, já nas próximas mudanças de sistema operacional destes computadores e de seus programas — perder-se-ão no “limbo-cibernético”…

Ferdinand Porsche e seu filho Ferry em sua empresa em Stuttgart observando um desenho do Fusca numa prancheta de desenho, que foi feito à mão sobre papel vegetal (translúcido para permitir cópias heliográficas), com auxílio de réguas, esquadros, curvas francesas, canetas de nanquim etc

.

Exemplo de “cópia heliográfica” no caso do Fusca de pós-guerra elemento que ajuda na restauração de veículos antigos e permite a reconstituição de carros por meio de computação gráfica

 

O desenho que se segue é “modelado e renderizado” por Dan Palatnik um dos maiores especialistas nesta tecnologia, em nível mundial. Este desenho em três dimensões com volume foi feito a partir de “blue-prints” (tipo particular de cópias heliográficas onde o fundo era azul e as linhas são geralmente em branco) como a cópia da ilustração anterior. O Dan Palatnik tem uma admirável coleção de “blue-prints” originais dos mais variados carros e o seu trabalho se distingue pelo esmerado cuidado nos detalhes. Ele é um grande especialista em carros antigos. O saia e blusa não é original de fábrica, mas falaremos sobre isto em outra oportunidade.

 

Um dos belos trabalhos de Dan Palatnik

 

Pensando nos revolucionários carros-conceito eu comecei a “ruminar com meus botões”, coisa antiga também, pois hoje o jeito é “ruminar com o seu velcro”… Desta “ruminação” surgiu uma sucessão de idéias que eu gostaria de dividir com todos os antigomobilistas de raiz, a quem coloco as perguntas abaixo.

Será que no futuro ainda existirá “antigomobilismo” para estas coisas que estão surgindo ou os carros feitos com estas composições estranhas de materiais? Será que estes objetos rodantes não identificados durarão mais de 30 anos para então virarem relíquias? Já estamos ultrapassando o limiar dos carros colecionáveis em potencial?

Estas perguntas assustadoras não querem calar… Hoje a gente sofre para conseguir peças para um Fusca de 50 anos, algumas têm que ser refeitas, mas os componentes e as dimensões são conhecidos ou mensuráveis. Mas com a eletrônica fortemente customizada por marca e totalmente integrada será que existirão peças de reserva NOS (New Old Stock) daqui a 30 anos para um dos carros supermodernos de hoje em dia?

 

 

O pior de tudo é a redução dos prazos aceitos para a obsolescência programada em toda a indústria, o que não deixa a automobilística de fora. Acho que estamos abaixo de 10 anos em alguns tipos de carros. Daqui a pouco virão carros com componentes realmente biodegradáveis. O que vai acontecer com estes componentes quando o carro atingir o limiar de validade da auto-decomposição?

Lembro da primeira ignição transistorizada que apareceu no Simca Tufão (com o símbolo de um transistor na lateral), tinha componentes discretos, não integrados, e dava até para trocar uma resistência, um tiristor ou transistor (bastava saber fazê-lo — muitos “mexânicos” tentavam usar um ferro de solda de 500 W que fazia os componentes volatizarem — e a culpa era da “maldita modernidade”)… Mas hoje há milhares de componentes em chips dedicados que não admitem nem pensar em conserto, tem que trocar e, pior, a troca deveria ser feita por um componente específico da geração daquele carro (que pode mudar várias vezes dentro de um mesmo ano de um tipo de carro). É de se duvidar que nestas tecnologias hipermodernas haja espaço para as saudáveis gambiarras que deixam nossos antiguinhos felizes andando por nossas estradas.

Para dar uma de Herodes em relação a carros ainda colecionáveis no futuro, vários governos mundiais reagiram à presente crise mundial oferecendo a troca premiada de carros — desde que o carro “velho” fosse efetivamente e comprovadamente sucateado. Dava dó assistir à TV alemã Deutsche Welle mostrando carros “ainda novinhos”  na  Alemanha (a regra dizia nove anos ou mais de idade) serem desmantelados por conta do incentivo para troca por 0-km, mais “ecológicos” e mais econômicos. Nestas ações sucumbiram muitos dos que ainda poderiam virar carros de coleção no futuro!

Imagem aterradora para um antigomobilista, este é um das centenas de pátios de esmagadoras de carros na Alemanha, fomentados pelas facilidades do “Verschrottungsprämie” – Prêmio de Sucateamento – para troca de carros com nove anos de uso ou mais por um “zerinho”… Estes ai já não têm como se transformar em “carros de coleção”

Soma-se a isto a tendência da proibição de circulação, praticamente um decreto de morte, que prefeituras estão decretando como a de Paris, na França, onde a prefeita Anne Hidalgo decretou que a partir de 1º de julho de 2016 carros fabricados até 1996 estarão banidos das ruas de Paris. Ela diz que os carros de coleção estariam fora desta regulamentação, mas agora não existirá mais o “tempo de maturação” para que um carro passe de “velho” para “antigo”…

Sem esquecer dos procedimentos ostensivos de várias municipalidades no sentido de expulsar veículos particulares dos perímetros internos das cidades, desmotivando aceleradamente as novas gerações em relação aos carros. Talvez passemos a colecionar bicicletas?

Qual é o futuro do antigomobilismo? O que acontecerá com o plantel de carros de coleção sem a reposição de carros colecionáveis? Estamos no limiar de um tempo no qual o ocaso do antigomobilismo passa a ser previsível?

Outra pergunta que não quer calar: será que a tendência atual da indústria automobilística não mostra que está ocorrendo uma mudança conceitual e sentimental no relacionamento entre homens e automóveis? O elo outrora intocável de amor e cumplicidade inexplicável entre homem e máquina estará sendo minado pelo moderno consumismo de nossos dias? Será que os carros estão a caminho de serem degradados para meros objetos descartáveis de uso com substituição feita de tal modo que não sobrem testemunhas de época para o futuro, mesmo porque não existirão mais condições técnicas que viabilizem a conservação de “espécimes de coleção”? Esta situação é preocupante para um antigomobilista de plantão como eu.

A nova tendência de carros auto-dirigíveis que poderão transformar a maioria dos veículos urbanos em “cabines de transporte anônimas”, assim como vagões de um trem invisível usado pela coletividade, certamente irá reduzir em muito o que hoje chamamos de automóvel. Vamos colecionar estas cabines?

Pois é, estamos vendo que de um lado a indústria e de outro a sofreguidão por possuir novidades (que nem sempre são melhores) está fomentando a aceleração das trocas, bem como a descaracterização do meio individual de transporte que ainda é teimosamente chamado de carro. Celulares, programas de computador, eletrodomésticos e carros…. Uma tendência explosiva e definitivamente cruel que pode ser a pá de cal no antigomobilismo.

Será?

AGr

 

Nota do Autor: este material foi originalmente publicado na minha coluna “Volkswagen World”, do Portal Maxicar (www.maxicar.com.br), e esta publicação ocorre de comum acordo com o meu amigo Fernando Barenco, gestor do MAXICAR, companheiro de muitos anos de trabalho em prol da preservação dos veículos VW históricos e de sua interessante história. O conteúdo foi revisado, ampliado e atualizado. O seu conteúdo é de interesse histórico e representa uma pesquisa bastante aprofundada do assunto. Pesquisas complementares na internet. Ilustrações: pesquisa na Internet.
 A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 



Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

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  • Lemming®

    Já estamos no ponto de ser impossível o reparo de veículos excepcionais, colecionáveis ou modelos de fabricação limitada.
    Fiat é campeã nestes casos como Marea, Brava, Tipo, Uno Turbo e por aí…quem consegue uma peça original e de boa qualidade para estes?
    Ou Ford Escort com aqueles amortecedores eletrônicos/magnéticos (não me lembro ano/modelo)?
    Sem contar Opalas e afins que as peças estão custando os olhos da cara.

    Salvo BMW ou Mercedes das marcas européias ou carros americanos em geral (pois americano gosta de carro realmente) o resto está no sal. Não citei super carros pois são outra categoria…hehe

    • Então Lemming,
      Será que os “super carros” serão os colecionáveis do futuro?
      Sei que a MB tinha, não sei se ainda tem, a filosofia de não deixar um de seus carros sem peças de reposição, isto incluía carros antigos. Mas acho que esta filosofia deve custar muito à empresa num mundo sujeito a esta maldita globalização que nivela tudo por baixo…
      Grato por seu comentário.

      • Lemming®

        Pois é…
        E por isto sou a favor, neste caso especificamente, de uma canetada obrigando os fabricantes a fornecerem os desenhos de todas as peças, a composição e os materiais utilizados em qualquer produto que será “abandonado” (o famoso EOL -(end of life)). Acabaria em uma tacada com o mercado de peças de baixa qualidade, falsificações e furto/roubo…

    • Maycon Correia

      Amortecedores dianteiros do XR3 Fórmula de 1991 e 1992

    • RoadV8Runner

      O Opala tem peças caras de funilaria, pois estão desaparecendo rapidamente… Peças mecânicas originais já são praticamente impossíveis de se achar. Mas, com calma, ainda é possível encontrar praticamente tudo para o Opala, mesmo que de marcas paralelas, a preço justo. O importante é conhecer bem a linha Opala, pois a cada ano a Chevrolet efetuava alguma mudança, principalmente até 1984. Não existe consenso nem mesmo entre os especialistas do modelo!

  • Marlon J Anjos

    Olha como exemplo a caixa de direção do Ford Fusion que teve recall nos Estados Unidos e alguns modelo no Brasil. Antes do recall mal se tinha caixa para trocar, as vezes demorava 90 dias para chegar, imagina daqui a 10 anos…

    • Caro Marlon J Anjos,
      Grato por seu comentário.
      O seu relato dertamente corrobora milhares de outros como o meu, que na compra de meu Nissan Sentra tive alguns problemas em garantia que só puderam ser resolvidos por a concessionária teve o expediente de “canibalizar” dois carros novos para atender a seus clientes… Tive sorte, pois os problemas foram resolvidos através deste expediente.

      • Marlon J Anjos

        Imagina se o mesmo problema ocorrer daqui a digamos, 5 anos, quão difícil será para encontrar a peça?

  • RMC

    AGr
    Suas preocupações têm muito a ver com o que venho chamando de “carros eletrodomésticos”. Honestamente, faz muita diferença ter um Corolla ou um Civic? Ou uma nova geração traz realmente algo de muito novo ou revolucionário? Como bons eletrodomésticos, os carros japoneses (antes que me trucidem, há honrosas excessões, por favor!) funcionam direitinho, são razoavelmente bem acabados, resistentes, as redes de assistência técnica prestam bom atendimento, etc. São ótimos produtos, honestos, mas causam tanta emoção quanto um aspirador de pó (você se lembra da marca do seu?). Faz diferença comprar um ou o outro?
    Aí caímos no que o Josias Silveira escreveu sobre multimídia: como os produtos estão caminhando para uma padronização total, chama atenção aquele que oferece a melhor interface e os equipamentos mais habilidosos – que, todos sabemos, estarão superados em coisa de 6 ou, no máximo, 12 meses…
    Fico triste com essa situação, pois noto que realmente aos jovens não interessa se o motor do carro é longitudinal ou transversal, se a tração é dianteira ou traseira, se tem um ou dois comandos de válvulas no cabeçote ou no bloco… como tudo é tão certinho, se o carro couber no orçamento, for bonitinho e tiver uma central multimídia, “da hora” prá mostrar pros amigos, tá resolvida a compra.
    RMC

    • Pois é RMC,
      Acho que a situação de colecionabilidade de carros atuais esá chegando a um ponto de total não sustentabilidade…
      Grato por seu comentário!

  • Daniel S. de Araujo

    AGr
    Acredito que a questão colecionável/não colecionável vai passar justamente pela descartabilidade do modelo. Dessa forma acredito que em um futuro, alguns modelos como Civic, Corolla, Mille venham a ser modelos colecionáveis, como estão ficando os Gol´s/Voyage/Parati/Saveiro quadradados das décadas de 80 e 90, Santana, Opala e até Chevettes.

    Modelos descartáveis eu não acredito que encontrem espaço no mercado de colecionaveis até em virtude da perecibilidade do conceito/modelo junto ao mercado. Sem ser preconceituoso mas de certa forma até sendo, Marea, Brava,Tipo, os atuais GM, todos os Ford´s automóveis e muitos Volkswagens são veículos que o próprio mercado de automóveis acaba descartando, alguns queimados mercadológicamente, alguns por literalmente “ter caido de moda”, enfim, caros que não acredito que povoem o universo dos antigos, até pela ausência de significado, seja na vida do candidato a colecionador, seja pelo abandono do próprio fabricante.

    • Concordo Daniel S. de Araujo,
      A linha de pensamento é esta mesmo, mas há casos que caem fora deste curva, como é o caso do Ford Edsel que foi execrado pelo mercado, com a imprensa chamando a sua grade característica de vagina (carros com conotação feminina via de regra não foram um sucesso de mercado nos EUA) ou de tampa de privada, e que hoje são raros veículos de coleção (também pudera sobraram poucos para contar a história)…
      E olhe que há uma centena de outros exemplos similares.
      O assunto é complexo, e eu continuo achando que até alguns dos carros que você citou como potenciais colecionáveis irão sucumbir ante a falta de componentes eletrônicos e do excesso de plástico (se bem que Renato lembrou do advento das impressoras 3D que talvez ajudem a reproduzir peças plásticas, desde que se tenha o desenho das mesmas)
      Grato por seu comentário.

    • RoadV8Runner

      Pô, Daniel… Da Ford não perdoou nem o Focus Mk-1?! Rsss… Mas é verdade, o Focus de primeira geração é um carro que tem pouca procura, ainda mais o meu modelo, com o motor Zetec-E 16V. Uma pena, pois é um excelente carro, um verdadeiro “tanque de guerra”, que agüenta muito desaforo. A maioria das peças são caras por aqui (boa parte delas vem da Europa), mas é difícil dar manutenção mais trabalhosa.

  • Rodolfo Feijó

    Será que é ecológico deixar apodrecer em um ferro-velho ou até reciclar um carro com apenas 9 anos de uso?
    Acho que não, pois para fazer um carro novo e para se reciclar um é gasto uma energia para isso. E para se fazer um carro novo precisasse de recursos materiais como ferro e plástico.
    Na minha opinião quem vai sair ganhando nisso são os fabricantes de automóveis. Pois agora o que importa não é a durabilidade, mas a quantidade de carros 0-km que são vendidos.

    • Acho que a questão, caro Rodolfo Feijó, é exatamente definir o que é um carro com “apenas” 9 anos de uso!!! Será que já é um investimento que já foi amortizado e “deve” ser descartado? Como diz o meu amigo Jürgen: -“isto é uma questão de um depende”! Certamente esta regra foi feita para acomodar a situação das indústrias automobilísticas atingidas pela crise. Um carro de 9 anos na Alemanha, via de regra está é novo!
      Eu lembro de meu MB 230E que tive durante o meu segundo estágio na Alemanha, de 89 a 91. Comprei o carro usado e quando o vendi ele estava muito bom, baixa quilometragem, mantido em oficinas especializadas. Mas para a Alemanha já estava meio difícil de vender com seus 10 anos de uso. Mas, apesar do sufoco do tempo que eu tinha para realizar a venda, consegui vendê-lo para um libanês que enviava este tipo de carros para a Síria onde eles eram usados a exaustão como limousines de transporte entre cidades distantes…
      Ah, sim… Porque eu não o trouxe para o Brasil? Simples, não daria certo ele não tinha os ajustes necessários para aguentar as estradas e o combustível brasileiros.
      Valeu por seu comentário…

      • Rodolfo Feijó

        Disponha!

      • Luciano Ferreira Lima

        Eu curto demais essas avaliações de veículos em terras estrangeiras.

  • Mr. Car

    Gromow, para um amante do antigomobilismo, o cenário que você descreveu é simplesmente aterrador. É como diagnosticar este hobby, esta paixão, como algo que está em estado terminal. Tanto mais se se vive em um país de terceiro mundo (ao contrário do que diz a propaganda oficial do (des)governo), onde até para carros que ainda não possuem esta eletrônica toda embarcada (ao menos nos mais antigos), é uma luta se encontrar uma peça (nem vou falar dos preços, quando se acha), e até profissionais que conheçam profundamente suas mecânicas, e capazes de promover ajustes finos. Desalentador, e o pior é que de fato, tudo indica que o fim do antigomobilismo está se aproximando. E com a velocidade de um carro moderno.
    Para pensar: “Ai do homem que causa inveja e não consegue, ao mesmo tempo, causar temor”. (Manuel Tamayo y Baus)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=S_hY89b05mo

    • Sim, é isto mesmo caro Mr. Car,
      A idéia básica é a conscientização dos antigomobilistas no sentido de preservarem seus carros de coleção do melhor modo possível…
      Pois o relógio está prestes a bater a hora na qual atingiremos o “ponto sem retorno”.
      Grato por sue comentário!

    • RoadV8Runner

      Você tocou em ponto que me deixou surpreso quando comprei meu Opala atual: são poucos os mecânicos que sabem mexer no modelo atualmente!!!
      E a boa música também parece estar com os dias contados. Quando se escuta uma música como a da Legião Urbana e se nota o que temos disponível nas rádios hoje…

      • Mr. Car

        As únicas duas rádios que se pode ouvir no Rio hoje, tocam um repertório bastante voltado para o flashback. Todas as outras são absolutamente inaudíveis.

    • Maycon Correia

      O fim se aproxima, e é por causa de haver vários envolvidos que apenas visam lucro total.
      Ainda ontem vendi um jogo de rodas fechadas de Fusca 1200 até 1966 por apenas 350 reais. Nunca quis ficar rico vendendo peças, mais tem gente que quer,
      supervalorizando qualquer carro ou peças que não se vê tão facilmente. Já desisti de vários carros que sempre quis ter. Hoje meu objetivo é um up! TSI e não mais um Gol GTi quadrado. Detalhe é que ambos têm quase o mesmo preço.
      Concordo que carro bom e preservado vale mais que um comum do mesmo ano, mas não concordo com a exploração que isso está tendo!

  • Maycon Correia

    Já existem componentes auto destrutivos. Bombas d’água com rotores de plástico, caixa de direção mecânica em carros com rodas de aro 15 que se estragam rapidamente, rolamentos de rodas com gaiolas plásticas, pneus champiro em celta e up! Que se desfazem antes de 30 mil km.
    Esses novos sistemas interligados não aceitam emendas fios, sei de um audi a1 que teve um sensor de abs arrancado, e ao colocar o fio devolta o carro não pegou mais . Sendo necessária a troca de um pedaço do chicote por míseros r$4.800,00. O que será daqui uns anos quando essas peças não estiverem mais disponíveis na audi?

    Existe a obsolencia programada, o que força os donos a viver atualizando para produtos mais novos, e cada dia ela é mais praticada.

    Quando antes se ganhava $$$$$ fazendo coisas para sempre, perceberam que ganhariam mais $$$$$$$$$$ fazendo coisas que durariam menos e venderiam mais!

    • Caro Maycon Correia,
      É exatamente isto ai, sem tirar nem por!
      E é exatamente por isto que eu abomino a tal de globalização que nos jogou neste consumismo nivelado por baixo.
      Eram bons os tempos em que os países de digladiavam pela hegemonia no projeto e fabricação de carros, cada um com suas características próprias – hoje a maioria dos fabricantes tem projetos muito próximos e tem que usar peças “Made in China” para poder sobreviver e isto dá arrepios, além de uma “baita de uma reiva” como diria o Adoniran Barbosa…

      • Maycon Correia

        Abra um pivô Nakata eu estará lá gravado um MADE IN CHINA. Aí você compra um rolamento SKF lá está o mesmo China… Como diria um missionário alemão da igreja luterana que eu conheci. É o fim tas tempos!

  • Luciano Ferreira Lima

    Prefiro guardar dentro de casa meu quase- antiguinho (Logus 1,8 1995 monoponto) a ter que me submeter a sedução de trocá-lo por um plastificado sem graça novo; ele me dá tanta alegria e faz parte da família, tem horas que me pego até conversando com ele. Sr Gromow me dá arrepios pensar que esse governo nefasto possa sancionar tal lei aqui no Brazil. Eu nunca tinha pensado na diferença de manter um antigo de carburador e um novo cheio de parafernálias eletrônicas que irá um dia envelhecer. Ainda bem que o AP ainda se acha peças até em lojas fedorentas de 1,99. Amo também os Fiasas, CHTs e Famílias 1 e 2 da GM.

    • O Logus marcou uma época, caro Luciano Ferreira Lima,
      Foi o meu sonho de consumo quando, como recém-promovido a Gerente Geral, a empresa disponibilizou uma quantia para comprar um “carro de empresa” – um sonho que se realizava…
      Fui ver um Logus e o sonho de consumo acabou sendo um Fiat Tipo do Grupo 7 com tudo em mais um pouco (ar-condicionado, direção hidráulica, teto solar, trio elétrico, banco do motorista com regulagem de altura, pintura metálica etc) e, mesmo assim, mais barato que o Logus na versão “absolutamente pelado”, não teve jeito de ficar com um VW…

      • Mingo

        Logus, Tipo, Golf, Astra e dezenas de outros carros fabricados depois dos anos 80 também não passam de um monte de plástico descartável. Acho que carros realmente possíveis de se manter são os fabricados dos anos 70 para trás, com pouco plástico e sem componentes eletrônicos descartáveis.

        • Faz todo o sentido, caro Mingo!
          Só que sempre há espaço para a criatividade dos colecionadores que bolam soluções incríveis para manter suas “máquinas dos sonhos” andando…

      • Maycon Correia

        Único Fiat importado que eu teria seria um Uno CSL 1,6 4p com ar, entre Tipo, Golf GL e Astra até 1995. A briga seria feia entre Golf e Astra, mas acho que o Astra ainda era melhor. Tanto que se vêem eles ainda hoje melhores e mais bonitos que Golf até mais novos

  • CorsarioViajante

    Muito legal conhecer este lado reflexivo de sua coluna.
    Acho que pelo viés técnico, não será um pesadelo. Será difícil sim, assim como hoje é difícil achar peças mecânicas para alguns carros, mas assim como se pode tornear uma peça também se pode criar códigos de programação ou mesmo substituí-los todos.
    Pelo lado da matéria-prima, também não acho que será catastrófico: de forma geral os carros hoje tem suas principais estruturas muito melhor preparadas do que os de antigamente, seja contra ferrugem, corrosão, etc etc.
    O lado que realmente pode e deve nos preocupar é o CULTURAL. Pois como bem dito, a função do carro, especialmente para os países (ou cidades) desenvolvidos, mudou radicalmente, de um solucionador de problemas para um causador de problemas. Parece que as gerações onde o carro já é algo rotineiro não tem muitas emoções ou idealizações sobre ele exceto no tocante à um transporte cômodo, rápido e direto.
    Vale notar que nos países periféricos ou mesmo nas regiões mais periféricas subsiste com muita força o peso emocional do carro, pois este representa, acima de tudo, uma necessidade para a dignidade.
    Para muitos, principalmente membros desta nova leva de prefeitos “esquerda soft” (Haddad é ótimo exemplo), o carro é um vilão e portanto tem que ser banido ou, no máximo, tolerado. Portanto, se depender desta corrente de pensamento, o antigomobilismo está fadado a ser destruído junto com todas as ligações EMOCIONAIS que nos prendem aos carros. Afinal, a melhor forma de destruir o carro é cortando todos os laços afetivos que nos prendem à ele.
    O que fazer? Difícil… É uma corrente mundial, e ninguém sabe ainda se é apenas uma moda que logo será esquecida ou se estas pessoas serão capazes de influenciar de forma perene as políticas públicas, ainda que sem nenhum respaldo da sociedade.
    Desculpe o textão!

    • Valeu exatamente pelo “textão”, caro CorsarioViajante, ´so tenho a agradecer por seu empenho em colocar as suas idéias!!!
      Eu só relembraria de situações como a de Paris, com o banimento de carros mais velhos, e o sucateamento forçado através dos planos de troca de carros com 9 anos ou mais por bônus para a troca por carros novos. Fatores que não são de ordem psicológica e que diminuem efetivamente o plantel de carros “velhos” que não terão como se transformar em “antigos”.
      A questão de cunho psicológico que também é preocupante é a mudança de postura dos jovens em relação aos carros, ele estão dando preferência a outras coisas…

      • CorsarioViajante

        Obrigado! O tema é polêmico mesmo!

    • iCardeX

      Muito boa essa sua análise!

      • CorsarioViajante

        Obrigado!

  • VeeDub
    • É uma obra de arte, VeeDub???

    • Ou será, caro VeeDub, que você está se referindo à matéria que a Zeynep Tüfekçi colocou no New York Times sobre o escândalo de emissões da VW – “Volkswagen and the Era of Cheating Software” (recomendo a leitura):
      http://goo.gl/BA6kut
      onde este desenho (trabalho de Matt Chase; fotografia por Fotosearch, via Getty Images) foi usado como ilustração???

      A Zeynep Tüfekçi , é de origem turca, radicada nos EUA e é uma escritora contribuinte do The New York Times, que escreve sobre os impactos sociais da tecnologia. Ela é professora assistente na Escola de Informação e Biblioteconomia na Universidade da Carolina do Norte, uma associada no Centro Berkman para Internet e Sociedade da faculdade de Harvard, e que foi membro do Centro para Políticas de Tecnologia da Internet em Princeton. Sua pesquisa gira em torno de política, civismo, movimentos sociais, privacidade e vigilância, bem como de dados e algoritmos.

      Será que era isto que você queria dizer com o desenho???

      • VeeDub

        Foi desta matéria do NYT mesmo, a qual já havia lido. Meu intuito era apenas associar o Beetle ao Fusca citado na matéria.

        • A ligação com o NYT foi fácil de matar, a do desenho no contexto de minha matéria é que eu ainda não consegui encaixar muito bem…

  • Jorge Diehl

    Tenho amigo que possui um dos primeiros Mercedes-Benz que vieram com eletrônica embarcada, como costumamos dizer. O carro é maravilhoso, colecionável. Mas danificou-se uma central eletrônica que custa mais de R$10 mil. Por isso ele está eslá parado – virou autofixo! Se um carro assim já está condenado, imagina os mais modernos…

    • Certo Jorge Diehl,
      Não precisamos ir tão longe, no meu Fiat Tipo italiano, em 2006, tive uma pane a válvula de controle de admissão de ar e só vinha a peça inteira com toda a tubulação. Custo da peça original? Próximo a R$ 4 mil, num carro que valia R$ 7,5 mil… Se não fosse um mecânico bem esperto… Mas desta vez deu para consertar o carro e continuar usando-o.
      As peças de reposição estão ficando cada vez mais caras, o que implica na obsolescência forçada…

  • Fabrizio Paes

    Eu ainda penso que há tipos e tipos de carros: para ter-usar-reciclar e para usar e colecionar. Vai ter veículos/mercado para o entusiasta/gearhead (assim como existem e continuarão existindo máquinas fotográficas analógicas e discos de vinil, por exemplo), e os demais serão apenas meios de locomoção. Uma boa padronização dos componentes utilizados, inclusive de fabricantes (que, claro, pode vir a levar a um lobby devido à ganância que reina no mercado mundial, mas como vai virar nicho tornar-se-á algo artesanal e, infelizmente, caro) poderia facilitar a preservação dessa memória, mas hoje em dia pensa-se em tudo, MENOS nisso – o que importa é o lucro, participação de mercado, acionistas e afins, como sempre foi – a grande diferença é que antes era tudo mecânico, e agora é tudo eletrônico. Sim, a geração atual provavelmente deixará poucos veículos históricos.

    Futuramente quase ou todos os veículos de uso urbano não serão mais que eletrodomésticos mesmo e serão elétricos. A indústria automotiva não se prepara para essa virada de jogo, e muitos impérios cairão.

    • Pois é Fabrizio Paes,
      Máquinas fotográficas analógicas…
      O problema começa por encontrar filmes e termina por encontrar laboratórios de processamento…
      Sim, algumas coisas perdem a atualidade e ficam muito difíceis de usar, em dúvida alguma…
      Tenho uma excelente Leica M3 e infelizmente não encontro um “digital back” para ela, seria o máximo!!!
      Grato por seu comentário!!!

      • Fabrizio Paes

        Caro Alexander, eu também sou fotógrafo por hobby. Ao mesmo tempo em que mantenho uma SLR digital por toda sua facilidade de uso (e poder registrar mais momentos, não necessariamente melhores momentos), minha câmera para quando quero fazer algo “pra guardar” ainda é uma Pentax SP1000 – mãe da famosa K-1000 – e, fato, filmes e revelações estão cada vez mais escassos, caros e raros –
        é coisa artesanal, como serão os carros de verdade no futuro. Sonho também com um Filme Digital, pra que possamos colocá-lo em uma analógica e termos filmes digitais. Em aula, pouco mais de um ano atrás, um de meus professores falou sobre um dispositivo desse, que não vingou, nos idos de 2000, salvo engano.

        Quanto à padronização, um exemplo é a própria Pentax, cujas lentes em baioneta K funcionam em qualquer câmera desde os anos 70 até as atuais (exceto alguns modelos apenas). Como citado, os módulos eletrônicos poderiam ser assim sem problemas, visto que com alguns componentes a mais, apenas (informações para cilindros extras, por exemplo) poderiam tornar um módulo de injeção, por exemplo, padrão para modelos entre 1 e 12 cilindros, afinal o princípio de funcionamento é sempre o mesmo e as variáveis e inputs sempre iguais. Só mudaria a programação do módulo e as características mecânicas de cada carro. Com códigos abertos, de quebra, ter-se-ia muitos experimentos práticos em campo com feedbacks às fabricantes. Mas isso representa muito perigo à lucratividade das empresas, é preferível ver o fim pela saturação e mudança de foco do mercado mesmo…

    • CCN-1410

      ” A indústria automotiva não se prepara para essa virada de jogo, e muitos impérios cairão”.
      Faz tempo que eu penso nisso.

  • Carlos A.

    Muito oportuno o texto! Inclusive entre alguns amigos já discutimos o assunto e costumamos chamar de “descartáveis” os veículos atuais por esse motivo. Eu acho que infelizmente a eletrônica embarcada vai acabar com a graça do carro colecionável….além de ter a central eletrônica código, versão e modelo específico para reposição, o computador tem que ter o programa para monitorar os parâmetros do sistema e identificar os defeitos, coisas que logo não serão mais disponíveis devido a troca de versões etc. Também acredito que com tanta “frescura” eletrônica nos motores, qualquer folguinha a mais já vai fazer a luz de injeção acender e talvez colocar o sistema em modo “emergência”. Quem tem um carro mais antigo e carburado sabe que basta uma gasolina mais alcoólica (como a dos dias de hoje) para o rendimento da máquina antiga cair ou dificultar a afinação do motor.
    Mesmo assim, eu achava que os primeiros Gol e Uno não chegariam à fase de coleção (pelo menos 30 anos) com o plástico sendo usado em elevada escala, porém estão ai!! Mas hoje já me pergunto se os carros cujos faróis com suas lentes em plásticos chegarão…não raro, observo carros com uns 6 a 10 anos de uso e essas lentes já bem opacas!!
    Certamente acredito que muitos cheguem, se seus computadores não derem defeitos e nem fiquem direto sob sol pelas ruas. Assim, imagino que serão raros os carros em condições de coleção, só se rodaram muito pouco e passaram pouco tempo sob sol.
    É uma opinião….

    • Caro Carlos A.
      Suas observações são muito pertinentes, vamos ver o que vai sobrar para contar a história…
      Grato por seu comentário.

    • Acho que alguém aparecerá com uma solução, não para o gerenciamento de motores, pois hoje essas soluções existem, mas para controle de outros sistemas, como comandos elétricos ou mesmo freios e transmissões.

      Mas sem dúvidas que um carro moderno é muito mais robusto e resistente que um antigo.

  • Renato

    Em relação à manutenção de veículos modernos poderemos ter a impressão 3D para reproduzir componentes plásticos e metálicos, e a eletrônica daremos um jeito, de maneira similar ao que os cubanos fazem hoje em dia.

    Quanto às coleções… realmente, hoje eu conheço apenas uma pessoa que coleciona carroças puxadas a cavalo. Numa civilização que não vivenciar os automóveis como são hoje não terá motivação para colecioná-los.

    • Lucas

      Cubanos?? O loko, não é aquilo que eles fazem que eu gostaria para o meu antiguinho, não.

      • Renato

        Nem eu. Mas é o que eles têm disponível.

  • Fernando

    Antes de falar dos carros antigos: será que haveriam colecionadores para eles também, nesse futuro em que os carros atuais fossem já antigos? Pois hoje já está uma histeria contra poluição, que não sei se as crianças de hoje ou do amanhã estarão com mente aberta para separar bem as coisas. Na capital paulista o prefeito que já critica quem usa carro, imagino do que não gostaria de xingar quem gosta de carros antigos.

    Pelo que vejo no cenário do antigomobilismo atual, não se tem muito à perder: peças de Fusca, Opala ou outros, além de diversas não serem mais fabricadas, os preços cobrados já são abusivos por peças “simples” de manufatura. Ao mesmo tempo vejo que com os recursos atuais, as fabricantes de peças de reposição estão melhorando muito de qualidade, e pelo menos com no futuro pensar em ter uma impressora 3D pode ajudar a “imprimir” aquela peça que a fabricante não nos vê como consumidores(não o suficiente para ela continuar em produção), e quem tem uma original pede o preço de outro carro.

    Outra forma que notei certa esperança, é no caso de justamente a eletrônica embarcada poder ser parcialmente reposta. Conheci gente que tinha carros importados dos anos 90 e por um problema elétrico que ninguém resolvia, e a oferta de peças escassa, acabou ao invés de fazer o carro funcionar com um carburador(nem sempre possível) conseguindo fazer isso com injeções programáveis e então usando também parâmetros de ignição, e enfim resolvendo o que seria uma complicação e inimaginável quando esse carro era novo.

    Em outros sub-sistemas também, acredito que a ocasião pode ser usada à favor para se conseguir fazer o que antes era um ultra complexo sistema ser substituído por uma caixinha de fósforo que faz o mesmo, melhor, mas igualmente descartável. Assim continuarão as coisas, mas cada vez mais fabricadas pelos chineses.

    Bola para frente, que quando o negócio chegar em carros que não fazem barulho, que não precisam de motorista e etc, não serão meus objetos de coleção mesmo…

    Prefiro a imperfeição do que chia, vaza, barulha, cheira, mas diverte.

    • Ah, meu caro Fernando, sobre o PT e o antigomobilismo…
      Não sei a sua idade, portanto não tenho como saber se você chegou a acompanhar a “invasão” do Tendal da Lapa em São Paulo. Na verdade houve um contato de uma representação de antigomobilistas com o então prefeito Jânio Quadros no sentido de passar o Tendal da Lapa para que colecionadores o transformassem num museu do carro antigo – com espaços para todos os clubes participantes. Estávamos em 1988, e ele se mostrou favorável à idéia, mas o mandato dele estava no fim…
      Na esperança de obter o espaço antigomobilistas fizeram um incrível mutirão para limpar a área que estava abandonada e cheia de entulho e restos da ocupação de drogados (já naquele tempo). Alguns carros chegaram a ser colocados lá. Naquele tempo eu era presidente do Fusca Clube do Brasil e estava envolvido com os trabalhos – a nossa sala seria chamada de “Sala Expedito Marazzi” (o motivo disto fica para uma próxima oportunidade).
      Pois é… Não deu tempo para que o Jânio oficializasse a sua promessa e entrou a Luiza Erundina e simplesmente nos expulsou de lá para, aproveitando o saneamento que tínhamos feito, transformar aquela área num centro do trabalhador nordestino…
      Foi um doloroso banho de água fria, tanto que não houve nenhuma iniciativa mais de se fazer algo no sentido de reunir clubes em busca de um lugar para um museu coletivo…
      Sim, graças ao PT não temos um centro comunitário de antigomobilismo em São Paulo…

      • Fernando

        Não sabia desta!

        É uma pena tudo isso, e embora não conte muitas velinhas, acabei junto de alguns amigos fazendo algumas iniciativas para tentarmos preservar e manter ativas as memórias de nossas infâncias, então de alguns carros que estão chegando hoje a serem considerados antigos.

        Acho importante que mesmo que a gente saiba desses problemas que enfrentamos, devemos sempre prosseguir no que acreditamos ser certo, às vezes nossa força que pode até passar por oculta, é bem intencionada e aquilo que plantamos será uma base. Certamente você e os outros que tentaram o Museu tiveram com isso uma má experiência mas preservaram a base para o que é hoje, espero poder fazer algo, é o que tentamos.

  • André K

    Texto fantástico que traz uma discussão muito importante à tona.

    Obrigado!

    • Quem agradeço sou eu, caro André K.
      O painel está aberto para discussões…

  • Bruno Hoelz

    Puxa, a foto do pátio alemão me deixou triste… Resgataria aquele VW Passat do centro da foto e o trataria com todo o carinho se deixassem… E acho que ele está em “amassando” um BMW…

    • Este Passat também chamou a minha atenção, pois parece estar inteiro e infelizmente aguardando aquela amassada “aos costumes”…

  • RoadV8Runner

    Sassenhora! Assustadoramente apocalíptico esse texto. Estou quase pegando meu travesseiro e cobertor e indo dormir dentro de meu SS, enquanto ainda posso! Rssss…
    Brincadeiras à parte, o pior é que vira e mexe fico com elucubrações semelhantes… Como meu Focus já está com seus 13 aninhos de vida, de vez em quando me vejo questionando até quando conseguirei encontrar peças para mantê-lo prestando seus bons serviços e me proporcionando grandes momento entusiásticos. Claro que gosto de comprar carros novos, mas sinto uma dor danada quando entrego o carro anterior para o novo proprietário… Esse é o motivo de eu ficar muito tempo com meus carros, pois todos foram comprados com uma boa dose de paixão. Só entraram em minha garagem porque os considerei algo muito maior que um simples meio de transporte.
    Infelizmente, são poucos os verdadeiros autoentusiastas modernos. Como já comentei aqui no Ae, já me desencanei de fazer amizades em encontros de carros antigos, pois a maioria só “curte” antigos porque hoje virou moda, é “chique” ter um antigo na garagem para exibir aos vizinhos. Triste…
    É bom saber que tem mais gente que, como eu, considera um ferro-velho um verdadeiro “show de horrores”, ao ver carros que poderiam estar rodando (claro que com alguma atenção mais cuidadosa) sendo deixados ao relento e corroídos dia-a-dia pelo tempo. E essa proibição de circulação de carros mais veteranos em certas cidades é um verdadeiro absurdo.

    • Apocalíptico??? Sim, pode ser caro RoadV8Runner…
      Mas infelizmente real e concreto.
      Muito bacana este seu emocionado post, valeu!!!

    • Cristiano Pilonetto

      Nesse ritmo, nem mesmo haverá a possibilidade de “entregar o carro anterior ao novo proprietario”. Acabará sendo “entregar ao desmanche”. Aí sim a dor será grande.

  • CCN-1410

    Ao olhar as fotos dos motores do Fusca e do BMW, eu prefiro a simplicidade do primeiro.

    • Concordo plenamente, caro CCN-1410,
      São mundos diferentes…

  • Realmente, os carros “cubanos” são muito antigos, não sei de nenhum que tenha eletrônica embarcada…
    Fica cai uma dúvida sobre o que o Renato quis dizer com isto…

    • Mr. Car

      Gromow, eu entendi que ele quis dizer que de alguma forma, os cubanos driblaram a falta de peças de reposição, e mantiveram os carros funcionais. Só que estão todos altamente descaracterizados, “gambiarrizados”, e de forma alguma podem servir como paralelo com aquilo que entendemos por carro de coleção, e por antigomobilismo.
      Abraço

      • Absolutamente certo, meu caro Mr. Car!!!
        É bem por ai mesmo. Consertar a qualquer custo não vai garantir um resultado aceito sob o ponto de vista do colecionismo!!!

    • Lucas

      Creio se refira as soluções adotadas para fazerem os carros andar de qualquer jeito.

    • Se este negócio de Cuba continuar vigindo como exemplo de manutenção “exemplar” de carros antigos (para mim parece mais ser um non plus ultra em matéria de quebra-galhos) acho que daqui a pouco será instituído o “Mais Mecânicos” com uma correspondente invasão de mecânicos cubanos…

  • Coêlho

    De fato, os carros hoje se tornaram mais gadgets e menos obras mecânicas. Isso nos tira da oficina, dos parafusos, das graxas e leva o carro para escritório de programação asséptico, sem cheiro e escravo dos decifradores dos códigos binários. De certa forma, acredito que esses carros sempre retornarão às oficinas dos autoentusiastas que farão um belo swap daquele câmbio automático por um manual, colocará um belo pedaço de plástico no lugar daquele painel que um dia foi um tablet de última geração ou meterá uma boa e bela “chave de ignição” no lugar daqueles tediosos botões de “start/stop”. Sou otimista. O mundo mudará e acredito que nós também. Já a paixão será a mesma.

    P.S.: Nada contra carros autômatos nas cidades desde que deixem as rodovias e autódromos todos para a gente. Quem gosta de dirigir em cidade mesmo? rs Somos eternos!

    • Mudar coisas para retroagir em direção a um formato do passado? Esta é a sua proposta Coêlho?
      Interessante, aliás este é um ponto de atrito no antigomobilismo atual quando puristas se confrontam com “mexedores” – dai para um revolução é um “tirinho de espingarda”…
      Grato por seu comentário

  • Lucas

    O triste é que o Brasil nunca foi muito amigável aos antigos.

    Tive de 2008 até 2011 um Passat Pointer 85 e simplesmente não existem mais novos os pára-choques originais dele, de plástico. Só de fibra de vidro. A grade e aros dos faróis eram outra tristeza, quebradiças. Acabamentos internos idem. Pelo menos a parte mecânica ainda tinha condições de ser mantida ok, devido a ser AP. Antes do Passat tive um Fusca 1975, e peças de boa qualidade para ele era quase impossível, especialmente de lataria.

    Hoje tenho um Astra sedã GL, ano 2002, e apesar de ainda não ser tão velho assim, e ter sido produzido na mesma geração até 2011 (ou 2012, não tenho certeza), já começa a preocupar. Certa vez tive que trocar a trava elétrica da portinhola do tanque, e a original já não se encontrava mais. Provavelmente em 2003 houve uma grande mudança em muitos componentes na parte elétrica do carro (fios mais finos, conectores mais simples, atuadores diferentes…) e a tal trava mudou completamente, me obrigando a fazer algumas gambiarras na sua fixação que eu não desejava. Componentes eletrônicos específicos desse modelo (GL 1,8 álcool) logo logo só usado… O ar-condicionado festejo não ser digital, pois são menos motorzinhos para estragar. Peças de acabamento, apesar de ainda se achar o que sirva no carro, muitas vezes não são mais iguais em cores ou em padronagem de tecidos. Em compensação, em alguns itens há intercâmbio entre outros carros da marca, o que ajuda. Em 2012 troquei a caixa de direção por uma de um Astra 2010 e está zero até hoje. E há cerca de duas semanas, troquei o compressor do ar condicionado pelo de um Vectra GT 2012, e até agora está perfeito. Espero poder ter aí alguns anos de sossego com ele.

    • Assim como você, caro Lucas,
      Muitos de nossos leitores têm que “se virar’ para manter seus carros em boas condições. Seu relato é muito interessante e muitos devem estar se identificando com você.
      Boa sorte para o futuro!
      Grato por seu comentários

    • CorsarioViajante

      O mercado de manutenção de forma geral desconhece o “conceito” de carro antigo, para eles é tudo carro velho mesmo e na cabeça deste povo carro velho é lixo.

  • Bera Silva

    Muito boa esta matéria, sr. Gromow. Com a sua visão meio brasileira/meio européia, mostra que nem tudo que vem de fora é bom, como muitos aqui pensam. Até porque essa onda socializante nasceu toda lá.
    Engraçado que estava conversando sobre essa anti-cultura anti-carro no domingo… Eu concordo com tudo que os colegas abaixo já falaram e gostaria acrescentar:
    As exigências legais de impacto, emissões etc. vão aumentar cada vez mais o custo de aquisição do automóvel. O custo de manutenção vai aumentar muito, afastando os mais pobres e depois a classe média. Quantos pobres-coitados dependem do carro para trabalhar num lugar, estudar no outro e voltar para casa? Use a “bike” dirão os ” esclarecidos”, pois é, quero ver nego, jovem, velho, com sacolas e cacarecos andando 80 km por dia, sob sol e chuva, subida e descida de bicicleta. É muito fácil empurrar o problema do transporte de massa para as próprias pessoas, tirando um fardo enorme dos governos. Aliás, o transporte público é uma droga justamente por ser um monopólio/oligopólio, o Uber deixou isso muito claro.
    Imaginem no caso de proibir a circulação de carro em certos bairros, a população que ali vive não vai manter garagens afastadas para guardar seus carros, optando por desfazê-los, já que não poderão ser utilizados. Não adianta adotar a tática do avestruz, nosso carros estão com os dias contados.
    O automóvel não vai morrer, nem o antigomobilismo, mas vai ficar MUITO caro. Carro será coisa de muito rico e antigos só de milionários.
    Eu não entendo essa política suicida dos fabricantes e autopecistas que ficam caladas quanto às restrições impostas aos veículos em troca de incentivos de renovação de frota. Não vêem que em longo prazo todas elas perderão? As fábricas seguem a filosofia da excursão e do jacaré. Um grupo de turistas caiu num buraco com um jacaré. Ao invés de todos se juntarem para matar o jacaré, os mais fortes jogam os mais fracos para o jacaré comer primeiro, na esperança de deixá-lo satisfeito e poupar suas pobres vidas. O problema é que o jacaré nunca fica saciado… e no fim todos serão comidos.
    Estamos voltando mais de 100 anos no passado, onde carro era brinquedo de rico…
    Interessante como nenhum Greenpeace da vida questiona sobre o sucateamento forçado de carros novos, não vêem o desperdício de recursos jogar fora algo bom e útil? Não aprenderam o que é entropia?
    Se continuar do jeito que está, o futuro é negro. Carro particular será sonho distante. Mas não se preocupem, porque as autoridades, a polícia e o alto escalão, estes ainda terão seus carros. Na verdade o que se discute aqui não é o objeto automóvel em si, mas o que ele representa que é a Liberdade. É isso que está em jogo. Depois da Vida a Liberdade é o segundo maior dom que Deus nos deu, para fazermos o bem ou o mal, mas para que possamos trilhar nosso caminho e evoluir.

  • Danniel

    Como dito por alguns, felizmente hoje temos alguns módulos programáveis que podem substituir os originais de fábrica, por exemplo, MegaSquirt e MegaShift.

    Com o Omega, peças de desgaste é bem tranqüilo encontrar. Peças elétricas/eletrônicas é razoável, consigo achar em lojas de usados. Mas nas peças de acabamento que o bicho pega, quem tem sabe o quanto é difícil e cobra alto por isso.

    • Pois é Daniel,
      Vamos torcer para o seu Omega maturar para a condição de antigo com tranqüilidade.
      Grato por seu comentário

    • Maycon Correia

      Em 2000 quando precisei do vidro lateral direito da Suprema…
      30 dias de espera na revenda e custava R$ 1900,00
      Encontro em um ferro-velho de uma Suprema batida com baixa por R$ 300,00
      Nem fazia 4 anos que ela havia sido morta pela GM. Belo carro com motor “seis bocas”

      • Pois é Maycon Correia,
        As empresas não tem o mínimo interesse em garantir o fornecimento de peças de reserva para seus carros! E agora imagine se por aqui a regra também fosse amasse o carro para trocar por um zero, ai nem no ferro velho você encontraria o seu vidro!!!

  • Caro Bero Silva,
    Um estudo de fôlego sobre o problema. Eu lembro de outra condicionante que serão os veículos autodirigidos… Eles poderão mudar em muito o cenário das cidades. Sem esquecer dos “pools de carros elétricos de aluguel” – ainda nem falei nisto, mas já temos exemplos aqui no Brasil mesmo. Com eles não será necessário ter um carro para andar na cidade…
    Parabéns pelo estudo e obrigado por seu comentário.
    Em tempo olha só o carro autodirigido que a Google está propondo:

    • CCN-1410

      Os assassinos do carro são os próprios compradores e seus fabricantes.
      Não temos necessidade imediata de carros elétricos ou que utilizem algum combustível novo, não poluente e barato. No momento os motores que conhecemos e usamos cumprem direitinho a sua parte.
      O que os fabricantes e compradores precisam fazer, é mudar seus conceito. Carros enormes, picapes e suves não nos servem mais. É preciso entender que esses veículos além de tomar mais espaço nas ruas consomem mais combustível, poluem mais, e ainda vão para o sucateamento bem mais cedo que carros simples e menores, pelo fato de possuírem um custo de manutenção elevadíssimo.
      Mas aí pisamos no calcanhar de muitas pessoas que se acham no direito de comprar o que quiserem se possuírem dinheiro ou crédito. porque aí a “coisa” não é com eles. A culpa de tudo isso, – dizem eles, é porque agora “todo mundo tem carro”. É sempre assim, e isso não é só no Brasil, é no mundo todo. O cidadão quer carro enorme, potente, gastador, cheio de tecnologia, mas a culpa são dos outros que infestam as cidades e não permitem mais que “ele” trafegue ou estacione seu carro sossegado.
      Como alguém já disse nas colunas sociais que não tem mais graça ir a Paris, porque agora todo mundo também vai.
      Ao olhar atentamente a foto do carrinho da Google, ele muito bem poderia ser utilizado hoje e com motorista. Deveria ter também uma opção um pouquinho maior para quatro pessoas. A Peugeot já tem um carro pequeno, que é o 108 que mede apenas 3,47 m. Li em algum lugar que ele pode ser adquirido no Uruguai por módicos R$ 70.000.00. Assim também não dá! É como o smart da MB. Carro ótimo para esse fim seria o Nano, mas não pegou porque não dá status. Imaginou como tudo seria melhor?
      Quanto ao Greenpeace que o Bera Silva cita, para eles e para o povo, ecologia é não cortar árvores, não matar baleias, não fumar e agora andar de bicicleta. E só!

  • rebuli

    Mais uma vez, Mestre… Claro, Correto e Conciso!!!

  • Valdomiro Junior

    Uma coisa é certa, as percepções de muitas pessoas e também as mudanças nas leis, mudarão o futuro dos veículos antigos. Tente trocar o motor de um carro, hoje em dia e legalizá-lo, o processo é muito mais burocrático e caro do que vinte, ou trinta anos atrás, mas, na minha opinião, o antigomobilismo não morrerá. Sempre haverá um grupo de apaixonados por esta sensação de voltar no tempo, usando carros de outras épocas, sem falar no prazer pessoal que muitos sentem ao fazer a própria manutençao destes na garagem de casa.

    • Caro Valdomiro Junior,
      Uma coisa é “sensação de voltar no tempo, usando carros de outras épocas”, quando a questão é manter um carro de mais idade rodando, e outra é cultuar o “antigomobilismo” que é mais ligado com aspectos de manter o maior grau de originalidade possível…
      Conheço pessoas proficientes nas várias habilidades necessárias à manutenção de carros antigos de coleção e o fazem muito bem, mas são poucos. Mão de obra profissional para a recuperação e restauração de carros antigos está se tornando muito escassa e cara e dai que vem a necessidade de treinamento de mão de obra especializada; como é feito na Inglaterra com cursos específicos há mais de 20 anos. E aqui o Clube do Automóvel Antigo iniciou a fazer com cursos especializados neste campo; aliás uma iniciativa louvável.
      As minhas conjecturas se referiram mais ao “antigomobilismo” dai a minha preocupação, em especial com o acréscimo de carros que hoje são de uso para daqui a 30 anos se tornarem “clássicos” seguindo as regras ora vigentes.
      Eu concordo que sempre encontraremos pessoas conseguindo, seja de que maneira for, fazer seus carros lhe propiciarem a “sensação de voltar no tempo, usando carros de outras épocas”, mas tenho sérias dúvidas sobre a real possibilidade de carros atuais se transformarem em clássicos daqui a 30 anos…

      • Fernando

        Alexander, talvez se tornem clássicos por serem poucos os que ainda rodarem(e originais) até lá. Não tanto pela durabilidade, mas a obsolescência programada e o “cerco” ao meio de transporte individual! rs

  • Rodrigo

    Bera, perfeitamente colocado seu comentário, e essa questão da liberdade e um fato, e acho que e justamente por isso que os grandes fabricantes não se mostram tão preocupados se iremos ou não ter qualidade, afinal tudo e vetorizado para o controle da massa…

  • Grato meu caro Rebuli.
    E vamos resgatar as “Velhas Senhoras” que ainda sobraram…

  • Pois é caro CCN-1410,
    O assunto é complexo mesmo, e, mesmo sendo um dos que “gosta de carro grande” (talvez por algum desvio psicológico…) eu concordo com você e penso assim que já não é de hoje.
    Acho que todo mundo lembra que “um dos fatores da equação” que veio a acabar com o Fusca em Brasil foi o advento do Corcel II, que era um carro “inchado” à partir do Corcel I, com um volume maior e uma mecânica semelhante. Mas o povo queria (e boa parte continua querendo até hoje) ter carros “grandes e representativos” – e o Corcel II foi um tremendo sucesso de vendas. Pois bem, como fazer o povo passar a gostar e usar uma solução racional de transporte individual? Acho que isto só será possível ser feito com uma mudança comportamental, que vejo ser tão difícil com o mudar de hábitos alimentares para perder algum peso (nem falo da mudança de hábito para parar de fumar que isto é bem mais complexo)…
    Eu espero que o lançamento de carros pequenos, com conforto, segurança e uma boa motorização venham a ajudar a promover a dita mudança comportamental; que terá que abranger questões de “status” que tanto forçam as decisões de compras para carros maiores…
    Sim não é fácil resolver esta equação.
    Grato por seu estudo sobre o assunto!

    • CCN-1410

      Obrigado a você pela resposta.
      Ah! No meu tempo de adolescente eu gostava muito de carros grandes, mas com o tempo e depois de algumas análises, mudei.
      O que dizes do Corcel é verdadeiro, eu lembro bem daquela época, e confesso que achei o Corcel II muito legal, mas acredito que muitas vezes precisamos abandonar velhas convicções e partir para novos caminhos.
      Claro, eu sei que não será fácil incutir essa minha ideia nas pessoas, mas quem sabe um dia, hehehe…
      Ah! Deixei de fumar há seis anos e às vezes nem acredito que consegui. Para quem fumava quase três maços por dia foi uma grande vitória, e nem me tornei um ex-fumante chato.

  • Em vários países onde está vigindo “o bônus sucateamento” é isto mesmo que está ocorrendo, caro Cristiano Pilonetto.

  • Pois é caro Fernando,
    Muito de nossas histórias não chega a sair do pequeno espaço das memórias de quem foi partícipe das mesmas ou de alguma rodas de conversa. Quem sabe esta valorosa história seja registrada em livro algum dia (eu pelo menos não conheço tal compêndio, se existir agradeço me informarem).
    Acho que estamos prosseguindo no trabalho relativo ao antigomobilismo e eu até me orgulho de ter sido escolhido Antigomobilista do ano 1982, tendo recebido o Troféu Og Pozzoli, depois que ele e o Roberto Nasser me antecederam nesta distinção; que acabou recebendo o nome do primeiro agraciado o querido Og.
    O importante é que jovens com você tenham todo o elã para tocar o barco adiante e manter esta bandeira tremulando sempre!!!
    Valeu.

  • Valdomiro Junior

    Acho que você tem razão, os carros se tornarão, infelizmente, no futuro, cada vez mais descartáveis. Veja o que acontece no Japão, atualmente, muitos carros em bom estado, para nós, brasileiros, viram sucata, pois financeiramente, torna-se inviável, recuperá-los. Realmente, outra coisa que realmente pesa é a vida útil dos sistemas eletrônicos,usados nos carros atualmente. Muitas peças de aço, podem ser fabricadas para refazer um carro antigo e de mecânica simples, como os Fuscas, mas tente comprar um módulo de controle do cambio automático do Del Rey…

  • Leo-RJ

    Grande Alexander,

    No que se refere à pergunta: “Mas com a eletrônica fortemente customizada por marca e totalmente integrada será que existirão peças de reserva NOS (New Old Stock) daqui a 30 anos para um dos carros supermodernos de hoje em dia?” É pouquíssimo provável que existam… E, pior, será que existirão profissionais aptos a fazerem serviços decentes nos carros antigos?

    No bairro de Vila Isabel, no Rio, existia um alemão – há mais de 50 anos no Rio -, que trabalhava formidavelmente nos Fuscas, Kombis, Brasílias, Karmann-Ghias e que tais. Faleceu há cerca de 5 anos, e deixou um “vazio” nesse tipo de serviço (correto, honesto e bem feito) que se tornou insubstituível…

  • Leo-RJ

    Caro Alexander,
    Também não sabia disso. Lastimável… para dizer o mínimo e sem usar palavrão…

  • Leo-RJ

    Caro Mingo,
    Pode ser, mas eu bem teria um VW Pointer (mesmo sabendo que não é um VW, posto que fabricado pela Ford) caso fosse fácil mantê-lo hoje em dia.

  • Lucas

    O mercado de manutenção praticamente desconhece o que seja montar ou desmontar com cuidado, especialmente quando é coisa de acabamento. São tudo uns cavalo! O que envolva acabamento eu praticamente faço tudo sozinho.

    • Sim Lucas, tens toda a razão!
      Coisas simples como colocar uma pequena bateria em paralelo antes de desconectar a bateria principal, para que não se percam todos os setups que carros modernos têm (antes era o setup só do rádio incluíndo a tal de senha que só a fábrica conhece) o pessoal toma o cuidado de fazer. Ai para recuperar tudo é um trabalhão!!!

  • Rodolfo Feijó

    Na minha opinião no futuro carro antigo só poderá ficar exposto para exposição, pois será impossível faze-lo funcionar com as suas peças eletrônicas originais.

  • Maycon Correia

    Verdade! O seguro iria querer dar perda total no carro pois não existe o vidro ou reposição dele! Igual faziam com tigra.
    Eu soube de uma história que na Europa um cidadão teve o vidro do canto da kombi quebrado e não existe esse para reposição lá, apenas os brasileiros santa marina com B vw e o cidadão preferiu não repor o vidro a ter uma peça de “má procedência” e andou mais de ano atrás de um sekurit, até que conseguiu um em Portugal. Não tenho pena de ele não ter conseguido justo pelo fato de amassarem e reciclarem a história e menos ainda pelo preconceito das peças brasileiras.