O motor de combustão interna é uma máquina térmica que transforma a energia  proveniente de reação química em energia mecânica. Nos motores de quatro tempos, o processo de conversão se dá através de ciclos termodinâmicos envolvendo a admissão da mistura ar-combustível, sua compressão, sua combustão e o escapamento dos resíduos decorrentes do processo.

Esses motores são popularmente chamados de motores a explosão. Esta denominação, apesar de freqüente, não é tecnicamente correta, pois explosão define um fenômeno caótico não controlado. De fato, o que ocorre no interior da câmara de combustão não é uma explosão de gases e sim uma queima controlada de mistura ar-combustível, inclusive com frente de chama ideal.

De fato, o termo combustão é mais apropriado, referindo-se à ignição controlada da mistura ar-combustível que gera a energia através de sua expansão volumétrica e pressão na cabeça do pistão. É neste processo é que entra a vela de ignição, fundamental para o início da combustão através de faísca elétrica de alta tensão gerada entre os seus eletrodos.

 

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Pressão (em azul) e temperatura (em vermelho) dentro da câmara de combustão de um motor 4-tempos genérico

Falando um pouco da história da invenção da vela de ignição, em 1860, Étienne Lenoir usou o aparato em  seu motor a gás, o primeiro motor de combustão interna movido a pistão. Outras patentes incluíram as de Nikola Tesla em 1897, Richard Frederick Simms em 1898 e Robert Bosch, também em 1898, com a invenção da primeira vela de ignição de alta tensão comercialmente viável. Outros inventores como Gottlob Honold, Albert Champion, os irmãos Lodge e outros, também contribuíram para o seu desenvolvimento.

 

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Vela Ford no ano de 1913

A vela de ignição é um elemento relativamente simples porém de escolha complicada, com a sua posição bem definida  na câmara de combustão, sua isolação térmica e a folga entre os seus eletrodos, incluindo o material de que são feitos.

A vela de ignição é composta  basicamente por um condutor central envolto com material isolante e dois eletrodos, sendo um deles ligado à parte metálica onde está a rosca para fixação da vela ao cabeçote do motor e o outro ao condutor central.  A diferença de potencial de alta tensão, 25 mil volts ou mais, gerada pelo sistema elétrico do motor, é responsável pela faísca entre os eletrodos e que vai inflamar a mistura ar-combustível dentro da câmara de combustão.

A posição da vela na câmara de combustão no cabeçote determina a frente de chama, fundamental para a queima completa da mistura ar-combustível e que é responsável pela aplicação de pressão corretamente distribuída na cabeça do pistão, gerando o torque na saída do virabrequim que vai movimentar o veículo.

Devido à grande quantidade de variáveis envolvidas no processo de combustão, o projeto engloba análises virtuais do formato da câmara de combustão, cabeça do pistão, tamanho, curso e tempo de abertura das válvulas, posição da vela, temperatura de trabalho etc. Aproximadamente 85% dos trabalhos são virtuais. O restante 15% é feito empiricamente durante o processo de calibração do motor, envolvendo as variações controladas da mistura estequiométrica, um pouco mais pobre ou um pouco mais rica, durante as várias condições reais de aplicação do veículo.

A intensidade da faísca gerada depende de vários fatores, como, por exemplo, a constante dielétrica  entre os eletrodos, a sua temperatura e também a pressão interna da câmara de combustão. O seu perfeito desempenho está diretamente ligado ao rendimento do motor, ao consumo de combustível e à maior ou a menor carga de poluentes dos gases expelidos pelo escapamento. No projeto de um motor é fundamental o saber quais as temperaturas e pressões dentro da câmara de combustão para balizar a escolha do tipo de vela de ignição ideal para a aplicação. Saiba o leitor o quanto é complicado a escolha das velas de ignição para os motores flex que não são otimizados nem para gasolina e nem para o álcool. O álcool tem a constante dielétrica maior que a da gasolina dificultando a geração da faísca.

Detalhes construtivos e funcionais 

O conceito de constante dielétrica é relacionado aos capacitores elétricos.

 

dieletrico  FAÍSCA NA HORA CERTA dieletrico

Esquema de um capacitor mostrando os pólos negativo e positivo separados pelo material dielétrico

Com o aumento da tensão entre os terminais (diferença de potencial) vai chegar um ponto que uma faísca vai se formar entre as placas, rompendo a isolação do material dielétrico. É o que acontece nos terminais da vela onde o dielétrico é a mistura ar-combustível.

Quanto maior a taxa de compressão, tanto maior a dificuldade da geração da faísca entre os eletrodos. Também quanto maior a temperatura, tanto mais difícil a faísca, lembrando o leitor que a resistência elétrica é diretamente proporcional à sua temperatura, ou seja, quanto mais fria a resistência mais fácil a circulação da corrente elétrica. Velas com eletrodo de irídio ou de platina facilitam a faísca.

No trabalho de desenvolvimento se utiliza uma vela especial que mede a temperatura dos eletrodos durante as várias aplicações de carga ao motor, normalmente feita em dinamômetro. Desta maneira é escolhida a gama térmica adequada da vela.

A gama térmica das velas define a temperatura de trabalho de seus eletrodos. Quanto mais fria for a vela, menor a temperatura dos mesmos.

 

HotColdPlugs  FAÍSCA NA HORA CERTA HotColdPlugs

Figura mostrando detalhes do isolador para as velas quentes e frias; note o leitor que a mais fria tem uma dissipação maior para o cabeçote e daí para o meio ambiente por meio do sistema de arrefecimento do motor

A função do corrugado no isolador da vela é de aumentar distância entre o pino terminal da vela e o castelo metálico, evitando ter de aumentar o comprimento total da vela. Desta maneira é dificultada ocorrência de flash over entre o cabo de ignição e o castelo da vela — a corrente de alta tensão descarregar diretamente na terra —, comprometendo a faísca onde ela deve ocorrer, que é entre os terminais da vela.

Alguns projetos de velas não possuem corrugado e nestes casos o isolador da vela é mais comprido. Observe os isoladores das torres de transmissão de energia elétrica, também têm o corrugado.

 

corrugado da vela  FAÍSCA NA HORA CERTA corrugado da vela

Vela com o isolador corrugado para otimizar o comprimento da vela evitando a faísca externa entre o terminal e o castelo metálico

 

É comum observarmos em algumas velas a ocorrência de uma mancha no isolador da vela. É comum achar que esta mancha é devido ao escape de gases do motor. Na realidade, um escape de gases do motor através do isolador provocaria um forte ruído característico de assovio.

A mancha no isolador é decorrente do efeito corona, quando a alta tensão passa pela vela de ignição há a geração de um campo elétrico envolta dos fios de velas e da própria vela. Vapores que estão no cofre do motor são atraídos para o isolador da vela formando este efeito de mancha, não afetando o funcionamento da vela.

 

efeito corona  FAÍSCA NA HORA CERTA efeito corona

Efeito corona

A vela deve sempre trabalhar dentro de uma faixa de temperatura que facilite a auto limpeza dos seus eletrodos. O superaquecimento dos terminais podem provocar um ponto crítico para a pré-ignição do combustível. Podemos reconhecer que uma vela que sofreu superaquecimento através de exames da ponta ignífera da vela. Quando a ponta apresentar-se esbranquiçada, vitrificada com grânulos ou pontos pretos na superfície é sinal que ocorreu o superaquecimento. Há casos extremos onde pode ocorrer a fusão do eletrodo central e lateral, podendo chegar até mesmo a desaparecer completamente os eletrodos.

 

temperatura de funcionamento  FAÍSCA NA HORA CERTA temperatura de funcionamento

Esquema mostrando as faixas de temperatura em função das carga do motor; a faixa ideal de funcionamento é a de cor azul escuro

Outro ponto fundamental no projeto é garantir que a vela quando instalada no cabeçote no fique com a rosca nem curta e nem longa demais, podendo formar crostas de carvão e/ou interferir com o pistão em subida.

 

comprimento rosca  FAÍSCA NA HORA CERTA comprimento rosca

Esquema mostrando a correta posição de instalação da vela de ignição

O leitor pode me perguntar, quando substituir as velas de ignição? Eu recomendo a verificação do estado das velas a cada 10.000 quilômetros ou antes se caso o motor apresentar falhas evidentes em seu funcionamento, como perda de potência, por exemplo. Na realidade os motores flex são sujeitos a grandes variações devido às possíveis misturas de gasolina e álcool em seu uso diário. As velas podem sofrer bastante, dependendo das cargas do motor. A escolha das velas pelos fabricantes de veículo é baseada em uma média de utilização cidade-estrada e que pode não representar cada caso real, individualmente.

Em geral, as velas duram de 30.000 a 40.000 km. O que é muito importante é somente usar velas especificadas pelo fabricante do veículo.

 

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Vela gasta e Vela nova

Termino a matéria prestando elogios à Bosch por ter viabilizado comercialmente as velas de ignição.

 

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Propaganda das velas Bosch no inicio do século passado

CM

Créditos: ngk.com, acervo do autor, fotos Google, wikipedia

Sobre o Autor

Carlos Meccia

Engenheiro mecânico formado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) em 1970, trabalhou 40 anos na Ford brasileira até se aposentar. Trabalhou no campo de provas em Tatuí, SP e por último na fábrica em São Bernardo do Campo. Dono de amplo conhecimento de automóveis, se dispôs a se juntar ao time de editores do AUTOentusiastas após sugestão do editor Roberto Nasser.

Publicações Relacionadas

  • Rodolfo Feijó

    Eu checo a abertura dos eletrodos das minhas velas a cada 5.000 km, pois eu rodo muito pouco (3000 km/ano).

    E sempre que eu pego estrada (a cada 20 dias em média) eu estico a 2a. macha até a rotação de potência máxima (5.400rpm – Gol 1,8-L AP – ano 1990 – a Gasolina) para queimar os depósitos de carvão na vela.

    • Rodolfo Feijó

      Lembrando que só faço isso uma vez quando pego a estrada.

    • Thiago Teixeira

      Acho que essa esticada ai não está limpando nada…

      • Rodolfo Feijó

        Adianta sim, pois apenas uma vela minha enche com uma crosta de carvão, parecendo uma borra, ao ponto de cobrir os eletrodos massa e central, então depois que comecei a esticar a 2ª. marcha até a rotação de potência máxima os eletrodos ficam limpos, mas acumula carvão ainda no pé do isolador, conforme imagem abaixo da vela com carvão no pé do isolador:

        https://lh3.googleusercontent.com/-3fzE4PNvqco/VeQw6kzkZtI/AAAAAAAAAD0/MPX444oLqQs/s640-Ic42/Vela%252520cil.%2525201.JPG

        • Lorenzo Frigerio

          A vela parece em perfeitas condições de funcionamento. Se você entrar no site da NGK, encontrará várias ilustrações sobre como “ler” as velas para anomalias de funcionamento. O normal é uma coloração castanha, sendo a parte projetada do isolador central mais clara.
          Se apenas uma vela suja, e contém resíduos de óleo, pode haver consumo de óleo só naquele cilindro. Inverta as velas e coloque uma boa naquele cilindro. Se o problema se repetir, leve ao mecânico para checar a compressão. Pode ser necessário retificar uma guia de válvula. No caso, com o cabeçote fora, a válvula por cuja guia o óleo desce estará coberta pelo mesmo material.

    • Rodolfo Feijó,
      Se você é daqueles que fazem curtos trajetos, ligando e desligando o motor varias vezes, sem que o mesmo atinja a temperatura ideal de funcionamento, as velas vão sofrer bastante, podendo realmente carbonizar os eletrodos, dependendo do “blend” combustível.

      • Leo-RJ

        Caro Meccia,
        E o que se pode fazer para limpar as velas quando carbonizam? Qual seria a melhor forma?

        • Leo-RJ,
          Velas carbonizadas podem indicar gama térmica errada, muito fria.
          Para limpar as velas nunca utilize escova de aço pois vai arranhar a superfície dos eletrodos, facilitando a ocorrência de pontos quentes que podem facilitar a pre ignição.
          Particularmente eu não limparia as velas e sim as substituiria.

        • Lorenzo Frigerio

          Existe lá fora um mini jateador de velas que você liga na bateria do carro. É uma coisa um pouco suja, pois o esmeril vaza um pouco, mas funciona maravilha. E é uma coisa baratinha de comprar.
          É óbvio que eu só o uso em velas de pau-velho, com motores que não queimam bem porque estão com má compressão.
          Não se deve esquecer de passar um bom ar comprimido nas velas depois do jateamento, para eliminar quaisquer restos de esmeril.

        • Thiago Teixeira

          No meu Tempra cansado eu passo uma lixa bem fina, 1200, e Car80. Fica quase nova.

      • Rodolfo Feijó

        Como somente uma das velas está carbonizando excessivamente, eu já troquei vela, cabos de vela e não adiantou.

        Agora eu troquei a tampa do distribuidor e o rotor e vou ver ainda quando completar uns 1000 km como fica a vela.

        • agent008

          O motor consome mais óleo que o normal? O cilindro onde está a vela que está carbonizando pode estar admitindo uma quantidade grande de óleo, por exemplo através das sedes de válvulas…

          • Rodolfo Feijó

            O consumo de óleo está muito bom… ele consome uns 200 ml a cada 1000 km de óleo mineral Mobil Super 20W-50 – API SM.
            O motor está com 223.000 km.

    • Domingos

      Checar abertura é um procedimento importante que os fabricantes deixaram de recomendar.

      Ainda mais com essas trocas longas que recomendam hoje em dia, é fácil que fiquem desreguladas e provoquem problemas – de bobina a falhas.

      As velas do meu último carro estavam uma zona com as folgas, uma diferente da outra, e algumas velas já bem gastas. E isso porque troquei com 10 mil km a menos da recomendação – que seria 40 mil.

      Na verdade ninguém quer pôr a mão num serviço que leva tempo e não dá dinheiro…

      • Lorenzo Frigerio

        Velas para trocas longas não desgastam. Irídio e platina são metais com altíssimo ponto de fusão, ali com o tungstênio.

        • Domingos

          Mas desregulam… De fato, gasta mesmo só estava 1 das minhas velas. Porém não havia nenhuma delas com a folga correta e não era só por desgaste do eletrodo, era por estarem tortas mesmo.

          • Lorenzo Frigerio

            Essas velas teoricamente já vêm reguladas de fábrica, justamente porque o eletrodo central é muito fino e frágil.

  • Lemming®

    E tem gente que não acredita em engenharia e/ou engenheiros…
    Impressionante o que uma “simples” vela de ignição faz.
    E o que uma boa mão de obra precisa saber/fazer para que funcione corretamente.
    +1

    • Lemming,
      O automóvel envolve tantos sistemas e compromissos que idealizá-lo corretamente, levando-se em conta o custo-benefício, é uma tarefa árdua e requer muito conhecimento da interação entre seus vários componentes

    • Maycon Correia

      Realmente! Quando alguém tira dois carburadores de um Fusca ou Kombi, está rasgando o diploma do engenheiro (um finado mecânico que dizia isso)

      • Lorenzo Frigerio

        Nem se fale então, de quem converte de injeção para carburado.

  • Daniel S. de Araujo

    Vela de motor flexível sofre um incrível desgaste. Nunca troquei tanta vela como foi na minha ex. Saveiro Supersurf 1,6-L flexivel. Foram uns 3 jogos em 70 mil km!

    • Daniel,
      É porque as velas para os motores flex são escolhidas para se adequar às várias misturas álcool/gasolina. Não são otimizadas somente para álcool ou somente para gasolina.

    • João Carlos

      Depende da vela, do motor e do rodar. A de irídio do City durou 120 mil km, e o motor vê faixa vermelha e corte todo dia. O manual manda trocar com 60, prazo de vela de platina.

  • Mr. Car

    Uma curiosidade, Meccia: velas em estoque por longo tempo, se deterioram de alguma forma? Se eu encontrasse velas de 1950 por exemplo, guardadas na caixa, em condições normais de temperatura ambiente e umidade, ao abrigo de chuva, sol, grande índice de salinidade, etc, elas poderiam ser usadas sem perda de eficiência em um carro para o qual sua aplicação era indicada naquele ano? Pergunto pois em 1993 ou 1994, uma loja de autopeças na cidade em que eu morava, estava encerrando suas atividades e se desfazendo do estoque. Entre outras preciosidades, havia centenas de velas para diversos carros desta década. Infelizmente, eu não tinha dinheiro. Você não tem idéia do que encontrei no galpão deles! Tinha peça 0km na caixa até para Ford 1929! Um galpão enorme lotado de peças novas para carros, caminhões, e tratores das décadas de 30, 40, 50, 60, 70 e 80, fora as para os carros novos dos anos 90. É por isto que dizem que dinheiro chama dinheiro. Se eu pudesse arrematar ao menos parte daquilo, acho que tinha feito fortuna revendendo. Diz a lenda na cidade que muito daquilo acabou sendo vendido por quilo para um ferro-velho, imagine!
    Abraço.
    Para pensar: “As pessoas inteligentes e práticas só fazem o mal que lhes convém. Deus nos livre das pessoas pouco inteligentes, que fazem o mal que não lhes convém”. (Jacinto Benavente y Martínez)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=UH1CMCtV4to

    • Mr. Car,
      Não vejo as velas com prazo de validade.

    • Christian Govastki

      Mr. Car, se você quizer eu tenho um jogo de velas originais Ford Motorcraft para o Corcel I…

  • Leonardo Amaral
  • Thiago Teixeira

    Texto das galáxias!! muito bom!!
    Meu Duratec, na época em que estava na garantia, pedi numa das revisões, a de 40mil km, que fosse trocada a vela. Lembro que quando chegou na faixa de 50mil km começou um problema que durou mais uns 10mil km: Em toda rampa, saída de imobilidade qualquer, maior abertura da borboleta com baixo RPM ou com mais de 3 pessoas no carro ocorria a famosa batida de pino. E apesar do auto ajuste do sistema, ela não parava até que eu aliviasse a pressão no acelerador. Troquei de postos de combustível por varias vezes, passei o scanner no carro etc.. e não achava o problema. Até que surgiu a ideia de verificar se a altura dos eletrodos estavam em ordem e, quando retirei as velas, estas ainda eram as originais. Praticamente já não tinham os eletrodos. Não atentei para elas por confiar que tinham sido trocadas quando na realidade paguei por um serviço que não tive, como muitos outros que descobri depois.

    • Fernando

      Também tive problema igual mas com velas novas, mas o carro ainda não usava bobinas individuais… dada a dica, eram os cabos de vela os causadores, isso que eu havia medido a resistência e estava de acordo com o que a fabricante considerava normal, mas acabou sendo a solução para as batidas de pino.

  • marcus lahoz

    Excelente texto, como sempre. Uma pergunta Carlos: veículos que rodam somente a gasolina tem velas grau 5 ou 6 (mais quentes) e os apenas a álcool tem velas mais frias, grau 8 até 10 (já usei 11 mas em corrida, então não conta); os flex usam 6 ou 7 (a maioria usa 6). Se eu for utilizar o veículo apenas no álcool que tem como padrão vela 6, ao colocar uma vela de grau 9 terei algum ganho? O contrário também funcionaria, como se for utilizar somente gasolina usar vela de grau 5?

    • marcus lahoz,
      Quanto maior a taxa de compressão do motor e maior for a temperatura dos eletrodos, tanto pior a geração da faísca elétrica e por este motivo as velas mais frias são utilizadas nos motores a álcool. Se você utilizar velas mais frias com gasolina, a carbonização dos eletrodos provavelmente vai ocorrer, principalmente se o uso do veículo for em cidade, trafego anda e pára.

  • Leister Carneiro

    Meccia, agradeço pela matéria. Mas pergunto se poderia nos mostrar como é estabelecida a folga entre eletrodos?

    Grato

    • Leister,
      A folga entre os eletrodos define a espessura do dielétrico, que somado a diferença de potencial existente (alta tensão) vai proporcionar faísca adequada para a ignição da mistura ar- combustível.

  • Rafael Alx

    Checo as velas do meu carro periodicamente, dando uma lixadinha com lixa fina para limpar os eletrodos e ajustando sua folga depois.

    Tem aqueles que defendem que uma maior abertura de gap dos eletrodos melhora o consumo e as retomadas a partir de baixas rotações. O manual do carro fala que a folga deve ficar entre 0,8 e 0,9mm, e eu deixava em 1,0 mm e notei alguma diferença sim. Mas como dizem que pode aumentar a fuga de corrente pelos cabos, e superaquecer a bobina parei de fazer isso. As velas vem da fábrica ajustadas com 0,8mm e as deixo assim.

    Outra coisa que relatam na internet é que medindo a resistência das velas e dando até um certo valor, a mesma estaria ok (se não apresentar danos físicos, claro). Porém, meu carro há pouco tempo começou a falhar 1 cilindro. Testei os cabos, troquei por uns reservas que tinha e continuou falhando. A bobina, pelo teste do multímetro parecia ok. Limpei as velas, regulei a folga e medi pelo multímetro, e todas apresentaram uma leitura parecida e dentro do valor que falavam. Já estava preparado para mandar para uma limpeza de bicos, quando retirei as velas de novo e vi que uma delas havia sujado muito rápido e estava cheirando a gasolina. Troquei a vela em questão por outra usada e o carro voltou ao normal. E as velas haviam sido trocadas a cerca de um ano e rodado uns 10 mil km. Não sei o que aconteceu, mas na duvida troquei por outro jogo novo.

    • marcus lahoz

      Rafael quanto maior o gap, maior a faísca e por consequência mais homogênea a queima. Mas isso queima bobina.

    • Lorenzo Frigerio

      De 0,9 para 1,0 mm a diferença é mínima. Se você quiser andar com velas mais abertas, terá de adaptar um sistema de ignição de descarga capacitiva, o que para carros injetados não sai barato. Para carros clássicos, é uma grande adaptação, mas idealmente você precisaria de cabos com melhor isolação. Apesar disso, tenho uma MSD no meu Santana carburado com cabos originais, e não dá flashover. Mas no meu Dodjão dá (acho que a bobina Bosch “vermelha” do Santana tem uma torre mais alta que a MSD Blaster 2 do Dodge).

    • Rafael Alx,
      Quanto maior a folga entre os eletrodos tanto maior a alta tensão necessária para a faísca elétrica ser mantida no mesmo nível energético.

  • Lorenzo Frigerio

    Chevrolet V-8 velhos são doidinhos para “subir óleo na vela”, tanto que a turma usa “tuchos” para afastar a vela da câmara de combustão. Isso é totalmente “old school”. O óleo “sobe na vela” porque ela deixa de funcionar, devido a ter rodado em motor sem compressão, o que não a permite atingir a temperatura de auto-limpeza. Na verdade, ainda não consegui entender direito como uma vela pode ficar em aberto internamente e deixar de funcionar. Talvez o Meccia ou o Bob possam explicar isso. O fato é que o “tucho” piora as coisas ao invés de melhorar, pois aí é que ela nunca atingirá a temperatura de auto-limpeza.
    O melhor upgrade que uma pessoa pode fazer num carro clássico para evitar essas dores de cabeça é instalar uma MSD. Não tem vela que resista!

    • marcus lahoz

      Lorenzo melhor mesmo é instalar bobinas individuais, Marea ou Audi A3 são as mais fáceis, mas perde muito em aparência de motor.

    • Newton ( ArkAngel )

      Óleo na vela geralmente é anel danificado, muitas vezes o Óleo vem através do respiro, devido à excessiva pressão no cárter gerada pela fuga de compressão.

      • Lorenzo Frigerio

        Sim, mas aí afetaria todas as velas. O fato é que, com a compressão de um cilindro específico escapando para o cárter, falta onde precisa: o cilindro. A vela não consegue atingir a temperatura ideal de funcionamento e suja. Só que ela também entra em aberto, e não adianta limpar.

  • RoadV8Runner

    Sempre imaginei que a escolha de uma vela correta não era tarefa das mais fáceis, principalmente se observarmos a enorme quantidade de modelos de vela que existem no mercado. Depois de ler o texto então, ficou claro que é um trabalho razoavelmente complicado, que requer uma boa dose de tentativa e erro.
    Interessante a causa das manchas no isolador das velas. Imaginava que a causa era temperatura elevada, nunca me passou pela cabeça ser efeito corona.
    No primeiro Ford Ka 1-litro 2009 que passou aqui em casa, as velas tiveram que ser trocadas com apenas 17 mil km, pois o motor apresentava falhas usando álcool puro e batidas de pino constantes quando abastecido com gasolina (naquela época fiz muita experiência com misturas de álcool e gasolina). Depois de ler o texto e ver que outros tiveram problemas com velas em motores gambifréx, entendo melhor o porquê delas terem apresentado falha tão cedo. Hoje, só entra a gasolina alcoolizada padrão no tanque.
    A propósito, é impressionante a evolução que ocorreu entre o primeiro Ka Flex 2009 e o último, modelo 2013, como um todo. Em termos de motor, o funcionamento ficou muito mais suave e as famigeradas batidas de pino ocorrem de forma sutil e somem rapidamente, além de serem bem menos freqüentes.

  • André Castan

    Excelente texto! Parabéns CM! Já instalei iridium em 2 carros meus. Será que chega aos 100 mil Km? Essa é a minha expectativa. Em um deles tá quase batendo 10 mil Km. Logo tiro para dar uma olhada.

  • Cristiano Reis

    Carlos, acho que faltou falar um pouco sobre o Twin Spark…

    • Cristiano,
      O twin spark é uma maneira de otimizar a frente de chama.

      • Lorenzo Frigerio

        Meccia, há alguns meses o Alexandre Garcia mencionou uma alteração que ele havia feito no TwinSpark, e eu não havia entendido. Basicamente ele roteu os cabos de vela de forma a ambas as velas dispararem ao mesmo tempo. Não entendi e perguntei: mas já não era assim? A única razão que eu veria para dispararem a 180 graus seria para terminar de queimar a mistura. Ele disse que era exatamente dessa maneira de fábrica, e a mudança era para dispararem juntas.
        Então, a Alfa dele deve ser a única que otimiza a frente da chama.
        Seria interessante ver qual é o esquema dos Hemi atuais, que também têm duas velas por cilindro.

        • Domingos

          A F1 atual trabalha em alguns motores com 2 disparos no mesmo ciclo para o mesmo efeito, mas aí é coisa de trabalhar com regulamento e extraír máxima economia dele.

          A idéia seria fazer o papel das 2 velas, mas acho que além da complicação que seria, talvez mais que uma vela seja proibido.

    • Lemming®

      +1. Seria realmente interessante mais informações.

  • Lucas Sant’Ana

    Vc deveria ter chamado a polícia, tem que se denunciar!!

    • Thiago Teixeira

      Imagina que desvendei o mistério uns 6 meses depois, talvez mais. Imagina juntar provas. Imagina que com tantos problemas maiores sem solução a policia não quer saber disso. A única coisa que eu poderia fazer seria não recomendar aquela concessionaria, mas ela fechou. Ficava em Jacarepaguá/RJ, Rua Candido Benicio.

      • Domingos

        Negócio que está para fechar é bom para duas coisas: conseguir bons preços e ser enganado facilmente…

  • Belford

    CM, as velas do Fiesta Rocam 1,6 2013 são grau 6, num carro que só anda no álcool traria algum benefício a mudança para grau 7?

    • Belford,
      Certamente a Ford gastou um tempo enorme para entender a gama termica ideal para o 1,6 flex. Caso tenha a curiosidade de examinar os eletrodos da vela, se estiverem clarinhas sem pontos de desgaste, a gama térmica está OK. Não acredito que a gama térmica 7 vai trazer algum beneficio para o álcool pois a taxa de compressão também não está otimizada para este combustível. Se a taxa para o álcool fosse em torno de 14:1, certamente a vela mais fria seria necessária.

  • Lorenzo Frigerio

    Uma bobina mais dada uma determinada tensão primária permitirá uma faísca mais potente. Mas isso não é tudo. Pela dinâmica da formação da tensão secundária – auto-indução – sistemas de ignição eletrônica permitem extrair mais potência da bobina que o velho platinado, enquanto submetem a bobina a uma corrente primária mais baixa.
    A folga dos eletrodos é em parte uma questão de custo X retorno. Para uma maior folga, o sistema tem que ser mais potente e melhor isolado. Vale a pena?

    • Leister Carneiro

      Agradeço a explicação

    • Lorenzo Frigerio

      Digo, “uma bobina mais forte”…

  • Lorenzo Frigerio

    Meccia, este artigo merece uma “parte II”.

  • Rodolfo Feijó

    Lorenzo, muito obrigado pela atenção!

    Você acha que esse pequeno depósito de carvão pode prejudicar o desempenho da vela? Pois talvez eu seja muito perfeccionista em achar que esta vela da imagem acima esteja ruim.

    • Lorenzo Frigerio

      Só não pode haver sujeira nas faces dos eletrodos onde ocorre a faísca. Se ela acumular na parte externa do eletrodo massa, não se preocupe.
      Não lixe ou risque as superfícies onde pula faísca, pois aí pode acumular carvão, mesmo.
      Existe um produto na Inglaterra chamado Colortune. É uma vela especial que tem vidro ao redor do isolador central, o que permite observar a cor da chama – inclusive vem com um visor, pois o brilho é baixo. De acordo com a cor (ou seja, temperatura), você pode diagnosticar problemas de combustão.
      Finalmente, existem problemas de projeto que podem levar a um desempenho inferior de um cilindro específico, em geral o último. O Fusca 1200 tinha o came do platinado de um dos cilindros traseiros “atrasado” em relação aos outros, pois era mal refrigerado, e podia bater pino – foi essa a solução barata que encontraram.

  • Marcos Alvarenga

    Meu Linea T-Jet só a gasolina antou 105.000km sem reclamar com as velas com irídio originais. E conferia as velas a cada 20.000km, troquei porque já estava incomodado com a idade das velas, mas estavam perfeitas e o motor sem falhas nem aumento de consumo.

    • Lorenzo Frigerio

      Minha Dodge Grand Caravan está com 125000 km. As velas presumo que sejam as originais. São velas de platina, feitas para mais de 100000 km. E eu não vou trocá-las porque é muito difícil na parte traseira do motor.

  • Rodolfo Feijó

    Muito obrigado!
    Abraços,

  • Lorenzo,
    Duas velas é solução cara que pode ser conseguida com somente uma vela. Se fosse necessário o conceito twin spark, todas as fabricas já o teriam adotado.

  • Rodolfo Feijó

    Em complemento ao abaixo informado, veja o que a NGK diz:

    “Conforme aumentamos a rotação e a carga do motor, aumentamos a temperatura na ponta da vela. Quando a temperatura da ponta ignífera da vela supera os 450° entramos em uma faixa de temperatura que chamamos de auto limpeza da vela de ignição. Onde a própria vela queima todos os resíduos de carvão da ponta ignífera.”

    Fonte:
    http://www.ngkntk.com.br/automotivo/suporte-tecnico/perguntas-mais-frequentes/