Desde que a Dodge lançou a sua dupla de Hellcats no ano passado, o Challenger e o Charger,  coloquei como um dos meus objetivos andar nessas feras. Deu certo! Dirigi um nos Estados Unidos há poucos dias, e cedido pelo fabricante, numa atenção especial da FCA América Latina, pelo seu diretor de comunicação Marco Antônio Lage, para com o Ae.

Logo de cara eu gostei mais do Charger. Sim, o Charger é mais bacana que o Challenger, ao meu ver, pois ele acaba sendo mais rebelde, inesperado. Deve ter algo relacionado com o nome também, que foi herdado dos Chargers cupê duas-portas, que eu sempre gostei mais do que os Challengers da mesma época. O Charger sempre foi mais malvado. E tivemos o Dodge Charger no Brasil, o normal e o R/T.

Outra coisa que me instigou foi o tapa na cara da grande massa que esse Charger com seus 717 cv representa. O filme publicitário da dupla, intitulado Predadores, deixa isso bem claro: “Nos dias de hoje não há mais monstros a temer, então nos temos que criar nossos próprios monstros”. A grande massa, esse rebanho de maria-vai-com-as-outras, o tal efeito manada, isso tudo nivela o mundo por baixo. O medo nos é imposto e a grande maioria o aceita.

 

Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas - 36  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas 36

O tigre dente-de-sabre bebendo água

Vou dar um exemplo que me intrigou. Outro dia perguntei para um amigo sobre o seu Monza 1985. Ele disse que não sai mais com o carro e que pensa em vendê-lo. Por quê? Porque agora ele tem uma filhinha e não tem coragem de dirigir o Monza levando a filha pequena. Disse que o carro é inseguro! Esse foi pego de jeito pelo medo.

Essa dupla de Hellcats é realmente é ameaçadora. Deve ter gente que tem medo falar ou se assusta apenas com esse nome politicamente incorreto. Aliás, esses carros são totalmente politicamente incorretos. São dinossauros num mundo de gente apavorada, medrosa. São dois tigres dente-de-sabre, prontos para atacar e desafiar o establishment. E por isso, para mim, eles são corretíssimos. São uma mostra que que o mundo não está perdido. Que ainda existem pessoas legais. Que o medo não nos dominou por completo.

E eu admiro muito a divisão Chrysler da FCA (Fiat Chrysler Automobiles N.V, que detém as marcas americanas Chrysler, Dodge, Jeep e RAM, além das européias Fiat, Alfa Romeo, Ferrari e Maserati) pela coragem de fazer isso, mesmo que minha sensação seja que isso não vá durar muito mais tempo. Mas se depender de mim vou continuar lutando e defendendo essa posição, pode o leitor apostar nisso. Eu e toda a equipe do Ae. Afinal, é o que o nome deste site exprime.

 

Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas - 15  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas 15

Uma espécie de outra época

O que mais me impressionou em dois dias e meio com o Charger Hellcat é que ele exige muito autocontrole. Mas muito mesmo. O diabinho no ombro esquerdo fica esperneando o tempo todo. Rodei por lugares não muito amigáveis e com uma vontade incrível que colocar essa potência para fora. Tentei o tempo todo evitar ir parar numa delegacia, como vítima ou como réu. E ao mesmo tempo me senti orgulhoso de poder desafiar o sistema, nem que fosse em aceleradas curtas, pois em poucos segundos já atingia 100 milhas por hora, ou seja, 160 km/h,  com um urro gutural assustando os medrosos, os fracos, os chatos e chamando a atenção de qualquer autoridade nos arredores. Mas ao mesmo tempo conclamando os autoentusiastas de plantão na terra do Tio Sam.

E esse foi um ponto muitíssimo interessante sobre o Hellcat. Por onde eu passava eu era praticamente aplaudido pelos que sabiam o que eu tinha nas mãos. “Mostre-me o que 707 hp fazem!”, “Você está usando a chave vermelha?”, “Faz um burnout!”, “Encosta aí para eu ver o motor!”. Isso sempre nas paradas nos sinais. Em todas as vezes eu saí rasgando e patinando até umas 50 milhas por hora. Ai os caras emparelhavam com enormes sorrisos, com seus celulares fotografando e filmando. Alguns deles com suas caras-metades como passageiro, me olhando como se eu fosse um monstro. Me senti honrado por proporcionar esses momentos de autoentusiasmo a outras pessoas tão distantes de nós.

Se alguém me achar no YouTube ou Facebook fazendo burnouts me manda o link! Sou capaz de dizer que tanto o Mustang quanto o Camaro, mesmo os mais potentes, não causam tanto entusiasmo assim.

 

Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas - 32  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas 32

Espalhando autoentusiasmo pelo mundo

E essa coisa da chave vermelha?! Uma idéia simples, meio que infantil, mas genial. A chave vermelha (the macho key) libera os 707 hp (717 cv), e a preta “apenas” 500. Eu não usei a preta nenhuma vez, obviamente. Eu poderia ter usado só para comparar, mas não quis gastar nenhuma acelerada à toa. Uma das funções do mostrador multi-informações é a potência instantânea. Só com pé embaixo com vigor eu atingi os 700 cv. Com 500 a diversão seria praticamente a mesma andando nas ruas. Outros carros têm um chave especial ou um modo track liberado apenas com um segunda chave. O Mustang Boss, esse moderno, é assim. Mas a Dodge soube usar melhor isso. E a tal chave vermelha funciona como uma medalha ou um objeto de desejo representando o próprio carro.

Aí vai a listinha de coisas desabilitadas com a pobre chave preta:

– potência máxima de 500 hp (506 cv) e rotação máxima de 4.000 rpm;
– a caixa sai sempre em segunda marcha e desabilita o modo manual;
– tração, direção e suspensão ficam apenas no modo Street;
as borboletas no volante são desativadas;
– o controle de largada é desabilitado e o controle de tração entra no máximo.

Bem, é uma chave chata, mas devido à facilidade de perder a tração e fazer alguma besteira feia, ela até que faz algum sentido. A chave vermelha demanda um nível extra de responsabilidade, como coisa de super-heróis: “Grandes poderes demandam uma grande responsabilidade”.

O Charger Hellcat não é um carro barato, ou melhor, não é muito acessível, mesmo nos Estados Unidos. O modelo parte de 62.295 dólares, 33.000 menos que um BMW M5 ou quase 40.000 a menos que um AMG E63. OK, esses dois são o supra-sumo dos sedãs esportivos. Mas ambos apanham do Hellcat.

 

aa_autos_srt  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) aa autos srt

Essa brincadeira também vale para o Charger

Esse Charger é o sedã mais veloz e mais rápido do mundo com velocidade máxima de 204 milhas por hora, ou seja, incríveis 328 km/h, e zero-a-100 km/h em 3,7 segundos. Talvez apenas um Porsche Panamera consiga acompanhá-lo numa arrancada. Isso se o Hellcat conseguir manter a tração…

E para que serve isso? Simplesmente porque “nós podemos”, diria a Dodge. Mas na realidade serve para a Dodge vender mais carros para a massa. Posso garantir que esse Hellcat leva muitos consumidores de outras marcas para as concessionárias Dodge gerando um grande entusiasmo pela marca. Serve também para atacar o cavalo da Ford e o transformer da Chevy com um golpe muito bem dado. Vamos aguardar os contra-ataques.

 

Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas - 02  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas 02

O pônei, o tigre e o transformer…

A experiência sensorial com esse gatuno é das mais gratificantes. O som do escapamento é um dos sons mais bacanas que já escutei. É muito grosso e apesar do controle eletrônico da injeção é bem embaralhado, exatamente do jeito que gostamos. Mesmo com a rotação máxima de 6.200 rpm seu som nunca fica ardido, é sempre grosso e assustador. E andando devagar, a 1.000~1.500 rpm, é como se fosse um tigre à espreita, preparado para dar o bote a qualquer minuto. Esse som é controlado por válvulas no escapamento que o deixam bem grosso em baixas rotações e abrem totalmente para liberar o fluxo em rotações mais altas. O som é puro, nada de simulação no sistema de áudio como alguns alemães e assusta de verdade as pessoas mais sensíveis. Eu me diverti muito ligando o carro por fora, com duplo clique na chave, e já escutando a fera antes de entrar nela.

 

Um som intimidador  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Charger Hellcat AUTOentusiastas 12

Um som intimidador

Outro som interessante é o zunido que vem do compressor de deslocamento (blower), de fusos tipo Lysholm montado sobre o motor e acionado por uma larga correia. Esse zunido aumenta com a rotação e é bem diferente de tudo a que estamos acostumados. Por dentro se escuta apenas o suficiente para saber que o ar está sendo comprimido, mas por fora o zunido é mais intenso. Isso dá uma característica única e marcante ao Hellcat.

Segundo a Dodge o compressor foi escolhido em detrimento do turbocompressor por apresentar melhores respostas em baixas rotações. O que eu senti é que o Hellcat é explosivo, mas é uma explosão rápida porém progressiva, realmente um pouco diferente dos turbos que testei ultimamente.

Para se ter uma idéia sem o compressor e com 6,4 l (o Hellcat tem 6,2 l) a maior potência do Hemi é de 492 cv contra os 717 do superalimentado. Um ganho de 225 cv ou 45%.  Esse compressor tem um volume 2,38 litros e para dar conta de todo esse ar soprado ao pico de pressão de 0,8 bar (regulada por válvula de alívio), a caixa de ar tem 8 litros, e o corpo de borboleta (acelerador) tem diâmetro de 92 mm. Tente imaginar esse diâmetro fazendo um círculo com suas mãos.

Quase não sobra ar para respirarmos, pois o compressor suga 30.000 litros de ar por minuto. Tente imaginar esse volume. São 30 caixas de 1 m³ em um minuto!

Há ainda uma embreagem que desacopla o compressor nas desacelerações quando se tira o pé do acelerador, para evitar que a inércia do compressor gire o motor.

 

Charger Hellcat AUTOentusiastas 01  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Charger Hellcat AUTOentusiastas 01

Upsizing… I like!

Esse é o motor mais potente já fabricado pela Chrysler em toda sua história e a dupla Challenger/Charger com esse motor são os muscle cars mais potentes já fabricados. São mais potentes até que o Viper, o que demandou da Chrysler novas salas de testes com dinamômetros específicos para suportar toda essa potência. E pensar que a palavra de ordem hoje em dia é downsizing

Numa pista oval, com pé embaixo o tempo todo, o tanque de 70 litros dura 13 minutos e para dar vazão a todo esse combustível o Hellcat usa linhas de combustível de maior diâmetro. Por conta disso incide sobre o seu preço a chamada gas guzzler tax, ou o imposto para carros gastadores, de US$ 1.700. E além disso, de acordo com a EPA, órgão responsável pelas medições e homologação de consumo nos Estados Unidos, esse Charger gasta US$ 6.750 mais em combustível durante cinco anos em comparação com a média de consumo de carros novos. Tem gente que mesmo tendo bolso para isso fica fazendo essas contas. Na equação do prazer proporcionado por esse carro o consumo não deve e não pode ser levado em consideração. Por isso quem compra esse carro tem que ter duas coisas: grana e guts (coragem, raça). Tem que gostar de desafiar o citado establishment.

Sei que no Brasil a grana está curta e a nossa alcoolina está muito cara (lá na região de Detroit a gasolina comum custa US$ 0,60 o litro — menos que uma garrafa d’água). Mas os mais racionais têm dificuldade de se abster em perguntar sobre o consumo. Minha média, que foi feita com o acelerador sempre trabalhando no modo binário, zero ou 100%, foi de 4,7 km/l. Na estrada, a 100 km/h o consumo foi de 10 km/l. Vale ressaltar que diferentemente dos outros Hemi, esse Hellcat não tem o sistema de desativação de cilindros para poupar consumo. O máximo que ele tem é uma opção Eco, bem escondidinha na miríade de ajustes voltados ao desempenho acessados pela telona de 8,4 polegadas no painel. Acho que nunca será usada. Eu me senti um pecador quando a selecionei e o tudo que era vermelho no mostrador ficou verde. Voltei logo para o vermelho!

 

Mostrador de potência e torque  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) tech slide 7

Mostrador de potência e torque

O mais novo Hemi, hecho en Mexico, é um V-8 a 90º, de 6,2 litros, bloco de ferro fundido (que pesa 23 kg a mais que o original de alumínio, mas é mais resistente), cabeçotes de alumínio, comando único no bloco, duas grandes válvulas por cilindro ocas e preenchidas com sódio para melhor dissipação de calor (Ø 54,3-mm na admissão e Ø 42,0-mm, no escapamento), duas velas por cilindro,  pistões e bielas forjados, e que gera uma potência de 717 cv a 6.000 rpm e torque de 89,9 m·kgf a 4.800 rpm. É simplesmente impossível de usar tudo isso em qualquer via pública do mundo. E adivinhe no que o time SRT — Street and Racing Technology, divisão da Chrysler responsável pelo Viper e pelos Hellcats, está trabalhando: no V-10 de 8 litros do Viper com compressor, que deve gerar mais de 800 cv. Afinal a víbora tem que ser mais venenosa que os tigres.

A caixa é a consagrada automática epicicloidal ZF de oito marchas, com algumas modificações para suportar todo esse torque e designada como 8HP90 Torqueflite. A sétima e oitava marchas são multiplicadas para efeito sobremarcha (overdrive). Eu gostaria de poder ter esticado todas as marchas. Mas na estrada, apenas com uma pisadinha, em questão de segundos, como eu disse acima, já se atinge 100 milhas por hora equivalentes a 160 km/h, ainda em terceira (tem uma esticada no vídeo). A caixa tem três ajustes possíveis. No modo street e andando na maciota o trem de força é confortável e dócil. Na verdade é dócil apenas se o pé direito for leve. No modo sport as trocas são mais rápidas e há aceleração interina nas reduções. E o modo track é super rápido além de segurar mais as marchas. O Challenger ainda tem a opção de caixa manual Tremec. Mas com todo esse torque talvez a opção automática seja algo mais prudente. Você nunca pode esquecer de que tem que manter a tração, e isso só depende do seu pé direito.

 

Charger Hellcat AUTOentusiastas 14  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Charger Hellcat AUTOentusiastas 14

Imagine-se montado em um tigre caçador

Esses modos da caixa fazem parte do SRT driving modes, ou modos  de condução SRT, que também incluem o controle de tração, suspensão, potência e controle das borboletas. Existem os pré-ajustes normal/street, customizado, sport e track. A suspensão independente também na traseira usa amortecedores Bilstein ajustáveis.

Quem pensa que os Estados Unidos são uma maravilha em termos de pavimentação está completamente enganado. A região de Detroit é muito ruim. O Hellcat com suas rodas de 20 polegadas e pneus 275/40 é por natureza um carro mais duro mesmo no modo street. Mas não é desconfortável a menos que se use o modo Track, que enrijece bem a suspensão.

Essa região onde estive é totalmente plana e quase não há curvas. Mas nos retornos e acessos a estradas acelerei com mais vigor e senti o carro muito na mão. A assistência hidráulica da direção também é variável e mesmo em baixas velocidades é moderada, boa para um esportivo. O tempo todo eu fiquei pensando como esse monstro de 5.100 mm de comprimento e 2.072 kg de peso se comportaria na Estrada dos Romeiros. Confesso que esse pensamento me causava um frio na espinha. Muito carro para pouca estrada. O bom mesmo seria levá-lo para uma pista onde também seria possível avaliar os freios Brembo com discos dianteiros de 391 mm de diâmetro (os maiores de todo o grupo FCA) e seis pistões. No pouco que pude testar gostei da modulação do pedal e precisão.

São 3.058 mm de entre-eixos, 1.905 mm de largura e 1.480 mm de altura, o que proporciona um generoso espaço interno e um porta malas de 470 litros. O interior é muito caprichado e os bancos grandes, confortáveis e ainda com excelentes apoios laterais, me cativaram. Me senti muito bem cuidado. Nada daquela dureza germânica. Para quem gosta de brinquedos, o painel de instrumentos, “Wolfsburg” com conta-giros a esquerda, abriga um mostrador central que espelha todos os mostradores disponíveis na telona multimídia.

Durante muito tempo o topo da minha lista de desejos foi ocupado por um Charger dos anos 70, preto, com blower para fora do capô e intimidador. Morando em São Paulo acabei sendo minado pelo ambiente e pela inconveniência que seria usar um carro assim no dia-a-dia e o Charger acabou se transformando em um MINI JCW Coupé. Mas eu confesso que esse Hellcat trouxe à tona sensações e sentimentos até que contraditórios. Difícil imaginar esse carro como um carro usável por aqui. Mas morando lá nos EUA com certeza ele estaria no topo da minha lista. Lá, apesar de ser um bicho em extinção, ele ainda faz algum sentido. A Dodge caprichou muito e está mandando muito bem em manter essa chama acesa. Fiz até uma playlist no nosso canal do YouTube com alguns vídeos da Dodge e alguns outros para ilustrar isso. Mas mesmo assim ainda tem gente desejando um Tesla S…

 

Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas - 27  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas 27

Detroit Rock City

Bem, além de rodar com o Hellcat, aproveitei esses tempinho em Detroit e levei o gato para passear em lugares icônicos. Fomos até a fábrica abandonada da Packard, um lugar enigmático e interessantíssimo (e despertei no MAO a vontade de escrever uma matéria sobre o assunto). O JJ me sugeriu ir até a fábrica do Viper que segundo o MAO também era da Packard. Passei pela Belle Isle, uma ilha que fica no meio do rio Detroit, entre Detroit e Windsor, no Canadá (o Charger é fabricado no Canadá). Tive a ideia de levar  o felino para uma visita no Museu da Chrysler que está fechado ao público desde 2012. Dei a maior sorte, pois estava havendo um encontro Mopar, e o museu estava aberto! Também andei bastante por Detroit e me imaginei fazendo arrancadas na Woodward Avenue.

Simplesmente não dá para descrever toda essa experiência em texto. Então registrei tudo em vídeo. Como o material ficou muito longo, mesmo depois de dias fazendo cortes e recortes, tive que dividir em partes. E pensando naqueles que querem saber apenas sobre o carro há um resumido (nem tanto) com foco apenas no carro.

O Hellcat foi um dos carros mais bacanas que já tive a chance de testar. Pelo carro é claro, mas em grande parte pelo seu espírito. Durante essa viagem me conectei muito com o MAO. Ele praticamente vivenciou todas as minhas sensações mesmo não estando lá. A prova disso é o que ele escreveu sobre o Hellcat na matéria sobre os motores Hemi. E eu me sinto um pouco dono dessas palavras (ele me entende) e por isso vou terminar com elas.

 

Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas - 12  DODGE CHARGER SRT HELLCAT, NO USO (COM VÍDEO) Dodge Charger Hellcat AUTOentusiastas 12

Never surrender!

O espírito humano se eleva não na lógica, na segurança, na falta de individualidade pregada por teóricos que se sentiriam realizados se agíssemos como parte de um formigueiro gigante e acéfalo. Não, o homem é caótico, ilógico, indomável. Nós amamos intensamente, criamos música, dançamos, lutamos pelo que achamos certo, choramos e caímos na gargalhada no momento seguinte. Nosso espírito é tão indomável que criamos máquinas que nos tiram do chão e nos fazem voar, que nos levam para longe rápido, e até nos permitem sair de nosso planeta, apenas pela vontade de saber o que existe além. O espírito humano é corajoso, sem medo, explorador, descobridor. Esta ridícula mania atual de endeusar a racionalidade, a segurança e a saúde nunca vai avançar a humanidade; no máximo nos tornar drones imortais presos a telas interativas, trancados sozinhos em algum lugar, vendo o mundo por detrás de portas eletrônicas que não podemos transpor. Pior que a morte é uma alma amputada, retirada de nós.
Os Dodge Hellcat são o antídoto para tudo isso. Setecentos e dezessete cavalos de fúria controlada, em um sedã familiar americano. Ilógico, perigoso, perdulário? Claro que sim. Mas libertador como poucas coisas neste mundo de hoje. Como cantar uma música a plenos pulmões, como abraçar forte seu filho, como se apaixonar pela primeira vez, um carro desses é somente sobre emoção pura. Sobre prazer de controlar algo poderoso. Sobre o excesso como uma declaração de independência de pensamento. 

Logo abaixo está uma playlist com os seguintes vídeos que podem ser vistos individualmente no nosso canal no YouTube. E depois da ficha técnica há muitas outras fotos. Espero que curtam todo esse material.

PK

Dodge Charger Hellcat & Detroit Rock City (uma volta rápida por Detroit)
Hellcat visita a fábrica abandonada da Packard (Hellcat visits Packard Plant) (uma volta rápida pelos arredores da antiga fábrica da Packard)
Dodge Charger Hellcat na espreita (Stalking Hellcat) (o gato mais feroz passa em revista do seu grupo)
Dodge Charger Hellcat no uso (só o carro)
Dodge Charger Hellcat em Detroit – Episódio 1 (Belle Isle, Packard plant, Viper plant)
Dodge Charger Hellcat em Detroit – Episódio 2 (Woodward Avenue)
Dodge Charger Hellcat em Detroit – Episódio 3 (QG da Chrysler e encontro Mopar)
Dodge Charger Hellcat em Detroit – Episódio 4 (Museu Chrysler)

 

FICHA TÉCNICA DODGE CHARGER SRT HELLCAT 2015
MOTOR
TipoHEMI Hellcat
InstalaçãoDianteiro, longitudinal
Material do bloco/cabeçoteFerro fundido/alumínio
N° de cilindros/configuração8 / em V a  90º
Diâmetro x curso103,9 x 90,9 mm
Cilindrada6.166 cm³
AspiraçãoForçada por compressor de 2 fusos tipo Lysholm
Taxa de compressão9,5:1
Potência máxima717 cv a 6.200 rpm
Torque máximo89,9 m·kgf a 4.800
N° de válvulas por cilindro2
N° de comando de válvulas/localização1 / bloco
Formação de misturaInjeção eletrônica seqüencial no duto
TRANSMISSÃO
Rodas motrizesTraseiras
CâmbioAutomático epicicloidal de 8 marchas mais ré ZF 8HP90
Relações das marchas1ª 4,71:1; 2ª 3,14:1; 3ª 2,10:1; 4ª 1,67:1; 5ª 1,29:1; 6ª 1:1; 7ª 0,84; 8ª 0,67:1; ré 3,3:1
Relação de diferencial2,620:1
FREIOS
De serviçoABS, distribuição eletrônica das forças de frenagem
DianteiroA disco ventilado de Ø 390 mm
TraseiroA disco de Ø 350 mm
SUSPENSÃO
DianteiraIndependente por triângulos superpostos, mola helicoidal e amortecedor pressurizados Bilstein concêntricos e barra estabilizadora
TraseiraMultibraço, mola helicoidal, amortecedor pressurizado Bilstein e barra estabilizadora
DIREÇÃO
TipoPinhão e cremalheira com assistência hidráulica variável, relação 14,1:1
Diâmetro mínimo de curva11,7 m
RODAS E PNEUS
RodasAlumínio forjado, 9J x 20.
Pneus275/40R20 Pirelli P-Zero
PESOS
Em ordem de marcha2.072 kg
CARROCERIA
TipoMonobloco em aço, 4 portas,5 lugares
DIMENSÕES EXTERNAS
Comprimento5.100 mm
Largura sem espelhos1.905 mm
Altura1.480 mm
Distância entre eixos3.058 mm
Bitola dianteira/traseira1.625/1.618 mm
Altura do solo116 mm
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx)0,335
Área frontal calculada2.255 m²
Área frontal corrigida0,755 m²
CAPACIDADES
Porta-malas478 litros
Tanque de combustível70 litros
DESEMPENHO
Velocidade máxima328 km/h
Aceleração 0-100 km/h3,7 s
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (EPA)
Cidade5,5 km/l
Estrada9,4 km/l
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 8ª75,8 km/h
Rotação do motor a 120 km/h em 8ª1.600 rpm
Rotação do motor à vel. máxima em 6ª4.300 rpm

 

Galeria Hellcat

 

Galeria Hellcat em Detroit

 

Galeria Encontro Mopar

Sobre o Autor

Paulo Keller
Editor Geral

Engenheiro mecânico com pós-graduação em marketing e administração de negócios iniciou um grupo de discussão sobre o mundo do automóvel no final dos anos 90. Em 2008 percebeu que a riqueza do conteúdo desse grupo não deveria ser restrita aos seus integrantes e então criou o blog AUTOentusiastas. Seus posts são enriquecidos com belas fotos que ajudam a transmitir sua emoção e sensibilidade. Além de formatar e manter as mídias sociais do site. Visite: www.paulokeller.tumblr.com.

Publicações Relacionadas

  • Pablo N

    Ansioso, assisti os vídeos durante a madrugada… Com um sorriso no rosto.
    Que bela experiência, que belo automóvel!
    Os Hellcat são a personificação dos mais secretos e obscenos sonhos do autoentusiasta, que curte carros e não videogames sobre rodas.
    Pornografia automotiva em doses cavalares…
    Com um desses creio que rodaria 24hs ininterruptas, só por prazer.
    Que monstro, senhores.
    Muito obrigado por nos proporcionar motivos para viver e sonhar!

  • Thiago Teixeira

    Ele parece menor do que os 5 metros. Pelas fotos. Qual o motivo de 8 marchas com essa cavalaria?
    Eu, simples mortal, não faço a menor ideia do que é um carro desses.
    O máximo que conheço de carro esporte é um Eclipse de duzentos e poucos cavalos e um Gol bolinha AP preparado de uns 500cv que andei de carona. Mas o bicho era tão subdimensionado que praticamente em todas as marchas não saia do lugar. Ficava só gastando pneu.

    • Domingos

      Ainda bem que passou a moda dos Gols turbo. Eita carrinho/preparação de quem é forçado.

      Se eu vi 2, dos montes que tem por aí, feito e funcionando certo foi muito. Fora que a cavalaria parece ser sempre medida ao infinito, no final o carro anda como um de menos de 200 cavalos.

  • PK, não há muito a dizer: Fantástico!. Simples assim… Matéria gostosa de ler, instigante, que mexe com a vontade de sentar no banco desse Hellcat e sentir, minimamente que seja, algo parecido com o que você descreve. Recheada de conteúdo técnico, repleta de opiniões e complementada com imagens. Poucas vezes li algo tão empolgante. Parabéns. Ah! inveja branca… rsrs…

  • Christian Bernert

    V/1000 em 8ª = 75,8 km/h. Um mundo desconhecido. É como ir morar em Marte.
    Queria poder sentir isto nem que fosse por um dia apenas.

  • Fat Jack

    PK, parabéns pela matéria…, ficou sensacional!
    Pessoalmente eu ainda prefiro o Challenger por achar que suas linhas têm uma maior herança do modelo original, mas ambos são indiscutivelmente divinos. Confesso que com toda essa cavalaria eu esperava valores de consumo inferiores (pô, 10km/l com a gasosa a U$0,60 o litro “é lindo”).
    Agora andar com um carro como esse tendo sem poder sequer uma experimentada verdadeira do seu potencial (claro, que não seria na rua) deve ter sido pelo menos um pouco torturante…
    Li que você comentou a respeito de um “generoso espaço interno”, mas em uma das fotos da Galeria Hellcat há pouco mais que alguns centímetros separando os bancos da frente dos de trás, estariam os bancos dianteiros totalmente recuados na hora da foto ou interpretei de forma equivocada o comentário?
    Há possibilidade (e material) de uma matéria somente sobre o encontro Mopar? Sou muito fã dos antigos…
    Mais uma vez parabéns a você e toda equipe AE!

  • m.n.a.

    …pro painel ser verdadeiramente “Wolfsburg” só faltou o fundo preto, não ?

  • Lemming®

    Esse sim pode ser chamado de carro! E “The macho key” foi impagável!
    Só podia ser no Ae!
    Excelente matéria! E ainda vou ver os vídeos…hehe

  • Alex Ctba

    “Rotação do motor a 120 km/h em 8ª = 1.600 rpm

    Poxa vida, como é chato ser um simples mortal…

  • Viajante das orbitais

    O nome é muito bom. Só de olhar para ele me dá medo.

  • Marcos Alvarenga

    Que texto!
    Que experiência!

    Deu vida própria e ainda mais alma às palavras do MAO!

    Parabéns, PK. O mundo precisa de coisas mais humanas assim.

  • Car Science

    Mais uma superprodução “by Ae” muito legal. Agora falando de sensações… Nos dois primeiros vídeos me bateu um desespero.. FALA P.K. rsrsrs.. Pensei comigo. O visual do carro com a música e lugares estão legais.. mas cadê o som do motor? cadê os comentários? fiquei louco. Ai em seguida no terceiro vídeo veio o presente. 32′ de vídeo. Fantástico. Coisa que só vejo aqui no Ae.
    Sobre o carro não existe muito a se falar. Simplesmente perfeito! Parabéns Ae. Abs..

  • BlueGopher

    Água na boca…
    Eu não poderia ter este carro.
    Meu pé direito não conseguiria obedecer as muitas regras controladoras (e muitas vezes sem sentido) que sempre nivelando por baixo procuram domar e controlar a população em geral.

    • De certa forma ter esse carro é um martírio…

  • Fórmula Finesse

    Obra para ser lida de noite; com calma…no silêncio do escritório vazio – como a degustar furtivamente (não seria egoisticamente?) um vinho de qualidade…
    Até mais AE e PK; já posso adiantar que conseguiram engendrar algo épico!

    • RoadV8Runner

      Então li o texto do jeito certo! Rsss…

    • Épico é legal!

  • Chico

    Prezado Paulo Keller, concordo com tudo que voce disse sobre esta maravilha sobre rodas mas acho que assim como o Challenger, ele deveria ser mais fiel ao design do Charger original. Assim como está é um sedanzão e não um Charger legitimo . É apenas minha opinião. Abraço.

    • Opinião respeitada! E de certa forma compartilhada.

  • Cláudio P

    Uau!! PK, o espírito desse monstro maravilhoso está em cada linha do seu texto. Parabéns pela aventura! E também por provar que ainda se pode ter emoção ao volante.

  • Lucas Mendanha

    “E tivemos o Dodge Charger no Brasil, o normal e o R/T.”

    Pena que era um Dart modificado…

    • Dieki

      Era bem menor na verdade…. Uma pena!

      • Lucas Mendanha

        Pois é.. O Dart e o Charger brasileiro eram A-Body e o Charger americano um B-Body

        Um ’69 Charger 440 Magnum Preto Triplo faz parte da minha garagem imaginária.. hahaha

      • Domingos

        Será que ser menor não tornava nosso Charger melhor de curvas e desempenho?

  • Roberto Alvarenga

    Sem um pouco de irracionalidade não se fazem grandes carros. Que monstro espetacular.

  • João Carlos

    Isso é que é dar um chapél nas normas de emissões!

    Na minha conta só não bateu a máxima, que em 6ª seria a 6.450 rpm. Acho que corta a 6.500 rpm.

  • lightness RS

    Autoentusiastas consegue reunir o melhor do jornalismo, FICHAS TÉCNICAS COMPLETAS, belas fotos e um texto que te prende.!!

  • Kátia Virginia

    Fiquei preocupado depois do passeio na terra com o RS de só 150 CV
    em Tuiuti…..

  • Mr. Car

    My heart stood still !!! Post histórico, épico! Dá vontade de chorar quando lembro que tirando a remotíssima chance de ganhar na Mega-Sena, eu nunca vou poder ter um destes. Só o ronco deste motor já vale um bom punhado destes US$ 63 mil. Só o ronco! Não me perguntem a razão, não sei responder, mas acho um carro destes infinitamente mais legal que Veyrons, Lambos, Zondas, ou coisas que os valham. Não sei mesmo, só acho, simplesmente acho. Ainda assim, e pelas mesmas razões do Fat Jack, já que o coração deles é o mesmo, gosto mais ainda do Challenger. Delícia de post! Mais uma vez: histórico, épico! Obrigado por nos presentear com isto, Keller!
    Abraço.
    Para pensar: “O homem não aguenta muita realidade”. (Thomas Stearns Eliot)
    Para ouvir (não podia ser outra): https://www.youtube.com/watch?v=6esg77d4UBk PS: um dia ainda tomo umas aulas de piano até aprender a tirar um solozinho como este que vai de 1:57 até 2:12. Que coisa gostosa de ouvir, he, he!

    • Pablo N

      Mr. Car, faço das suas palavras as minhas!

    • Mr. Car, eu que agradeço suas palavras. O Challenger pode ser até mais interessante por ser duas portas, ter nascido para ser um muscle car. Mas o que me atrai no Charger é que ele é inesperado. E até low profile. mas me d~e um Challenger que eu fico feliz igual!

  • José Manoel

    Orgásmico o som do V8! It’s a dream!

  • Valdomiro Junior

    Santa ignorância, Batman (rs) !
    Um muscle car moderno, com baixo consumo, estabilidade e freios incríveis, quando comparados àqueles dos anos 60. Será o clássico do futuro e que retomada de velocidade impressionante. Qual autoentusiasta não gostaria de dirigir um monstro desses, com a “macho key” ?

    • Esses Hellcats daqui uns 30 anos serão disputados a tapas…

  • Fórmula Finesse

    Material muito bacana e extremamente bem selecionado; uma visão ampla não apenas do carro, mas de um pedaço importante dos USA que fomentou (e fomenta) o entusiasmo de milhões de malucos por carros. Museu, encontro Mopar, o rodar por Detroit e pelas plantas desativadas nos dão uma ideia do contexto geral, uma abordagem mais holística de uma verdadeira viagem entusiasta, e não “apenas” a apreciação de um carro, mesmo que muito especial.
    Cultura, história, a possibilidade de “enxergar” outras paisagens é um privilégio importante e um presente de grande valor que o AE nos proporciona; o “no uso” é a nossa cara, o entusiasta de pés no chão que até acha bonito as derivas insanas das avaliações gringas em pista fechada, mas que entende que a vida real é parametrizada de modo totalmente diferente.
    E o PK nos traz exatamente essa sensação familiar de crime x castigo; faça um “crime” muito leve que talvez não sejas punido…o auto controle de explorar uma parte do potencial dessa máquina insana sem se meter em encrencas sérias; o respeito ao tráfego local, aquele gosto agridoce na boca de imaginar que “dava para ter ido mais a fundo” (assim imagino), mas que a responsabilidade inerente para gerenciar grandes números (de toda a ordem, como na vida) precisa estar ali, latente, atenta…
    É o que eu faria, é o que tu farias leitor: um tanto de respeito, mas os olhos arregalados e as mãos suadas para sentir uma vez mais o empuxo brutal nas primeiras marchas que ainda se atreve a experimentar à fundo, as mãos que querem tocar tudo, os olhos que querem enxergar a paisagem se transmutando, os ouvidos que querem captar cada decibel do urro demencial lá no final do contagiros…
    Gostamos? Muito!
    Parabéns AK e equipe AE!

    • FF, me arrepiou! Você captou muito bem como eu sou (soul). Valeu!

      • Fórmula Finesse

        Nós que agradecemos PK!

  • Cafe Racer

    PK
    Lindas as fotos , como sempre…
    Incrível esse Dodge, adoraria poder experimentar … Porém eu faço parte do grupo que se intimida com ele! Vejo que a escalada de potência nos últimos anos chegou num nível para lá de perigoso. Muito mais do que aconteceu no fim dos anos 60.
    Um carro de 700 cv “relativamente barato” e acessível a uma grande parte dos motoristas … Não sei… não sei se é bom ou ruim?
    Hellcat : um carro “tarja-preta”

    • Você tem um ponto. Mas não se esqueça que nos EUA a lei e o respeito mutuo funcionam.
      Em alguns países eu sei que a carta de moto é por potência. Carros como esse poderiam exigir uma carta especial, mas não impossível de se obter. Mas por outro lado, a própria coragem do comprador já é um filtro.

  • ochateador

    Só imaginando como ficaria uma versão perua do charger….

    • Lucas Rodrigues de Souza

      Seria maravilhosa!

    • RoadV8Runner

      Já imaginou um Charger Magnum Hellcat?

      • Eu vi umas Magnuns bem acabadinhas por lá. Uma Hellcat seria fantástica. MAs já que é para completar a família seria bacana uma 300C Touring Hellcat. Mas a Dodge vai fazer a Gran Cherokee!

    • Nunca pensei numa perua Charger. Seriam bem bacana.

  • RoadV8Runner

    Falar o quê sobre esse texto magistralmente bem escrito? E os vídeos então? Acredito que esse seja um dos textos mais entusiásticos jamais feitos aqui no Ae. Justamente por ser, digamos, politicamente incorreto, ir na contra-mão dessa hipocrisia que reina nos dias atuais, da razão dever estar sempre acima de tudo. Um grito de liberdade para falarmos sobre aquilo que realmente gostamos, sentimos, temos vontade de fazer. Incita a viver de verdade, chutar para longe a culpa que tanto nos forçam em sentir por gostar de carros como o Charger Hellcat.
    Os Charger e Challenger Hellcat são carros de macho, para quem gosta de ouvir e sentir toda a potência de um mastodôndico e incrivelmente entusiástico V8 americano. Saber que os Hellcat pagam a infame taxa de gas guzzler só aumenta ainda mais o desejo de eu ter um Charger Hellcat. E o carro nem gasta tanto assim, pois fazer médias de 10 km/l em estrada, tendo sob o capô 717 puros-sangue prontos para saírem por aí, é excelente.
    Jamais trocaria um Charger Hellcat por um M5 ou E63 AMG. Por mais que aprecie a precisão cirúrgica dos alemães, nada substitui a força bruta de um incrível V8 old school bem elaborado e aprimorado pela tecnologia atual. Nada de finesse, a essência da potência ignorante continua lá, pronta para te devorar se fizer bobagem.
    Vida longa aos modelos Hellcat! E parabéns à Dodge por ter coragem de desafiar os chatos de plantão, que adoram pregar “eco” qualquer coisa por onde passam.

    • Valeu RR.
      Esse texto foi dificílimo. Tanta coisa para falar do carro e da experiência que eu nem sabia muito bem por onde começar e como organizar. Então sentei e fiz do jeito que foi saindo. Com a máxima sinceridade.Não tem Hemi orange para ele!!

  • Domingos

    Cafona, esdrúxulo, desajeitado como quase todo muscle car e suas recriações.

    Mas genial e excelente a sua própria idéia, espírito e presenças. Mais legal ainda é saber que isso é realmente um espírito de abaixo à mentira, abaixo à afetação, confirmado pelo próximo Viper então seguir a mesma motorização de destaque e com essa idéia a preço bom.

    Inclusive é excelente contra seus concorrentes europeus, todos com turbinhos sobre motores padrão do resto da linha, por sua vez com o downsizing e ainda com o decrépito emulador de ruídos via rádio.

    No Viper a conta vai fechar certinho, com menor peso e desenho adequado.

    Exclusivíssima e muito legal a matéria! Uma pena ter podido andar com o carro só em retas…

    PS: Esse painel não tem nada de Wolfsburg…

  • Lucas Rodrigues de Souza

    Upsizing é o negócio, 6.2 supercharger 717 cv, poxa, sem palavras é sensacional! Tesla invente e venda tablets, celulares, outras coisas, mas, carros não! #HELLCAT

  • Leo-RJ

    Simplesmente um texto fabuloso!

  • Frank Pontes

    Off topic.

    Amigos autoentusiastas, no último domingo foi organizado um encontro nacional do Fiat Coupe Clube do Brasil, em comemoração aos 20 anos de lançamento do Coupe aqui na terra brasilis. Como proprietário de um Coupe e apaixonado pelo carro, não podia deixar de participar! Reunimos 20 coupes em Campinas-SP. Alguns colegas vieram do Rio Grande do Sul, rodando, em caravana, 1.300 Km pra chegar e mais 1.300 Km de volta! Nada mal pra um carro de 20 anos. O único incidente foi um pneu furado…
    Foi muito legal o evento. O passeio em carreata pela cidade, a curiosidade que despertou, todo mundo tirando fotos… Mas o que mais me chamou a atenção foi o relacionamento humano. É incrível como uma paixão em comum une pessoas tão diferentes, de personalidades, vidas e interesses tão distintos, e de uma forma tão harmoniosa! Autoentusiasmo é muito mais do que gostar de carros. É um traço de personalidade, um estilo de vida que faz com que pessoas que nem se conhecem se tornem amigos de infância em questão de minutos!
    Peguei a estrada de volta pra casa com uma alegria que há muito não sentia. E a certeza de que são essas pequenas loucuras que fazem a vida valeu a pena! Desculpem se me estendi. Mas precisava compartilhar isso com os editores e leitores do Autoentusiastas.com.br! Abraços a todos!

  • Mr. Car

    Rapaz, eu acho este Fiat Coupe bacana demais! Parabéns e obrigado por preservar um exemplar.
    Abraço.

    • Frank Pontes

      Obrigado pela mensagem, Mr. Car. Meu Coupe está com 56 mil Km, e estou preservando ele todo original. Mas rodo nele, no mínimo, três vezes por semana.

  • Lorenzo Frigerio
    • Tem matéria do Juvenal Jorge sobre esse avião Vulcan e agora estou pedindo para ele uma sobre o avião Hellcat!

      • Juvenal Jorge

        PK,
        anotado na agenda. Parabéns pela entusiasmante matéria.

  • Lorenzo Frigerio

    Acho que o painel “Wolfsburg” tende à extinção, especialmente em carros mais caros.

    • Domingos

      Sim, e também o conceito de painel limpo e bonito (não o de instrumentos, o painel mesmo) deve acabar por enquanto com as telinhas em posição de destaque.

      Não basta existirem, ainda elas têm que saltar para fora do painel de forma a serem mais visíveis, o que bagunça toda a objetividade e clareza.

      Apenas a BMW tem mantido os painéis de instrumentos bem clássicos e sem muitas distrações ou cores nos carros mais caros. Porém uma boa parte ainda mantém bons desenhos…

  • Fórmula Finesse

    Perguntinhas prosaicas:
    – Em aceleração total, o cabra precisa se agarrar com as duas mãos no volante? A carga dele desaparece sob empuxo total (direção fica meio boba, leve)?
    – Em alguns vídeos, o pneu dá uma giradinha em falso (coisa linda, o torque gira aquela bolacha preta de Itu com uma facilidade desconcertante) antes de pedir arrancada total pro bicho, nesse modo ele está com os controles desligados ou é uma forma de habilitar algum modo em especial?
    – Se for arrancar forte com todos os controles desabilitados; ele fatalmente ficará parado no lugar se carregar torque com ajuda do freio antes?
    – O motor parece que dá uma estilingada abrupta a dois terços (???) das “pisadas” totais, o urro afina, enlouquece…parece que algo vai sair do controle ou explodir (rsrsrs); acredito que assusta bem mais do que um RS7 que anda de modo similar?
    – A produção desse carro já se esgotou? Não é uma edição limitada?

    • Vamos lá…
      – Precisa segurar o volante com firmeza mas ele nunca fica leve. A suspensão dianteira não levanta.
      – O controle do pé direito é fundamental nesse carro. até terceira marcha se meter o pé o carra vai patinar mesmo em retas.
      – Fica parado com uma leve pressão no freio e quando se solta o freio dá uma estilingada animal. Tem muitos burnouts no YouTube com o carro indo em linha reta perfeita. eu escolhi um lugar de piso ruim e quase perdi o carro. Ele deveria vir com pelo menos uns dois jogos adicionais de pneus.
      – Eu só pisei com muita vontade e sem hesitar quando fiz duas passagens de zero-a-100. As outras foram mais progressivas ou de curta duração pois num piscar de olhos se atinge 160. Tudo acontece muito rápido nele a estilingada já vem desde o início e apesar de forte é progressiva.
      – procurei dados de vendas mas não encontrei. A produção teve que ser aumentada para atender a demanda. mas nem todos os concessionários tem o carro. Para ter o carro o concessionário tem que ser bom, ou seja, ter histórico de vendas de carros mais esportivos. Hoje falta carro! tem leasing de 900 dólares por mês.

      • Fórmula Finesse

        Valeu PK!! Imagine passar sob um ressalto sob forte aceleração e o bicho virar para o “lado errado” da estrada? Ter esse carro deve ser o mesmo que ter uma moto superesportiva; têm que ter muito critério onde acelerar!
        Obrigado!

    • Faltou
      RS7/RS6 são extremamente empolgantes e muio mais seguros devido a tração 4. Eles também urram. Mas tem dispositivos para aumentar o barulho. Tem uma entrevista com o Lothar da Audi, no nosso canal, em que ele explica isso. A comparação com o Hellcat é dificílima pos são personalidades muito diferentes. Depende da alma de cada um.
      Megane RS tem uma similaridade de caráter com o Hellcat, algo mais outlaw, mais raw, mais direto, com nervosismo a ser controlado pelo piloto e não pelo próprio carro. Pouca gente me entendeu na minha avaliação do Golf GTi. É disso que eu falei lá. Hunt vs Prost. o cool vs o racional.

      • Fórmula Finesse

        Eu ia tecer um comentário sobre o nosso Sandero RS ser uma espécie de Hellcat nacional (conceito); ainda no post pertinente…mas fiquei na moita com o medo de não ser corretamente interpretado, fico contente que compartilhamos opiniões parecidas.

        • Domingos

          Faltaria uns 100 cv para ele ser nosso equivalente…

  • Elizandro Rarvor

    Rapaz que delícia de matéria, 30.000 litros de ar por segundo? Este monstro suga criancinhas e suas mamães saindo de seus SUVs na frente das escolas.

    • Muito boa essa!

    • Thiago Teixeira

      Acho de extrema prudencia por aqueles cones perto do motor como nos aviões próximo as turbinas pra ninguem ser sugado.

      • Elizandro Rarvor

        Rapaz, deveria vir com um adesivo de aviso para não ficar na frente na hora da partida.

        Meu sonho de consumo, a única dúvida seria, qual dos dois escolher. Preciso acelerar meus planos de me aposentar e ir morar nos EUA.

  • Que coisa maravilhosa. Esse Coupe tem um desenho muito especial. Acho até melhor que o Alfa Spider contemporâneo. Nunca andei num desses. Obrigado por compartilhar.

    • Frank Pontes

      O Coupe e o Alfa Spider compartilham plataforma. Tbm acho o desenho do Coupe bem mais bonito e harmonioso. Agora, PK, quanto a dirigir um, o meu está sendo conservado todo original, e podemos viabilizar algo. Seria uma honra!

  • Olbrigado Leo!

  • Boa Lucas!

  • Verdade, só a disposição é Wolfsburg e o carro é o oposto da engenharia germânica. Eu bem que procurei curvas.

    • Domingos

      Tirando o painel, nesse caso é muito bom ser o oposto!

  • Fazendo uma consulta no Google para achar o site da Dodge acabei de ver o posicionamento da marca.

    “Os veículos (tem suve também) Dodge são carros esportes e muscle feitos para ser dirigidos.”
    Isso explica muita coisa! Inclusive o fato de terem separado as picapes em outra marca, agora RAM.

    Dodge Official Site – Muscle Cars & Sports Cars
    http://www.dodge.com/
    Dodge vehicles are sport & muscle cars built to be driven. Explore Dodge.com for information on vehicles, dealerships, incentives, multimedia and offers.

    A publicidade da Dodge deixa isso bem claro. Preparei uma playlist especial.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Vou me abster de comentar, pois tudo que me vem à cabeça fere o decoro do site… Só posso agradecer o Ae pelo belo trabalho!

    • Boa! As vezes a gente pensa coisas que não podem ser ditas assim na lata…

  • Antonio Pacheco

    Que matéria fantástica! Essa surpresa no museu foi demais, um encontro Mopar! Sem palavras para elogiar todo o texto e vídeo! Esse Hellcat é o capeta!

  • KzR

    Qualquer adjetivo positivo é pouco para expressar a qualidade desta matéria e deste carro. Visceral é muito pouco para definir o HellCat. Politicamente incorreto, voraz, passional e irracional, um legítimo fora-da-lei. Apaixonante (e olha que é um AT)!
    Na luta pela preservação de espécimes de tão forte carisma e de entusiasmo, PK (e Ae) pode contar com nosso apoio.

  • Jose Valentim

    PK, trabalho no Samu, condutor socorrista, desde guri pisando fundo, nasci em 77, em 92 tirava o Opala 6-cl. do véio de giro, outro Opala 4-cil a álcool dava mais com pouco trabalho de motor, a maior dor até hoje em 94, bati o Malibu 68 do meu avô, e hoje é a primeira vez que alguém (PK) me faz rir sozinho e arrepiar ao mesmo tempo. indiquei a todos considerados.
    Obrigado por esta obra. seja bem vindo ao RS, Cachoeira do Sul e Santa Cruz do Sul. abraço e novamente, muito obrigado.

  • Christian Sant Ana Santos

    Presta não: comando único no bloco (de fofo), duas válvulas por cilindro, direção hidráulica…brincadeira…e a diferença de preço em relação aos de desempenho semelhante dá para abastecer muito.

  • Leonardo Mendes

    Quando esse Charger veio ao mundo eu me lembro perfeitamente da gritaria dos tais “puristas” pelo fato dele ser um sedan… ainda hoje se acha um ou outro que torce o nariz pra ele por causa disso.
    Bobagem, obviamente… não é porque tem quatro portas que deixou de ser um carro instigante, ainda mais nessa versão.

    Ei, eu li “MINI JCW Coupe”?
    Interessante, conte-nos mais a respeito dele…

  • Coêlho

    “O máximo que ele tem é uma opção Eco, bem escondidinha na miríade de ajustes voltados ao desempenho acessados pela telona de 8,4 polegadas no painel. Acho que nunca será usada. Eu me senti um pecador quando a selecionei e o tudo que era vermelho no mostrador ficou verde. Voltei logo para o vermelho!”

    KKKKKKKKKKKK Simplesmente sensacional!

  • Recente mente tive uma experiência com o SAMU. Vocês são her[ois anônimos. Valeu!

  • O Sandero RS é especial e também desafia o sistema. Mas não o considero um “outlaw” como o Hellcat.

    • Fórmula Finesse

      Ah de fato, eu exagero nas tintas considerando as péssimas relações técnicasxpecuniárias que assolam o entusiastas brasileiro.

  • Daniel Pessoa

    É lendo um texto desses e vendo os vídeos que acredito cada vez mais na profecia do Porsche: o último carro será um esportivo.

  • Vagnerclp

    Muito boa a descrição do passeio com o tigre. Sou mais um tigre ou um poney do que um transformer. Valeu PK.

  • Fórmula Finesse

    Exagerei nas cores tendo em vista as condições do mercado de esportivos no Brasil: algo relativamente barato e andador (0 a 100 em oito segundos declarados) é quase condição de fora da lei aqui…

  • Fernando

    Gostei do upsizing! hehehe

    Acho legais os nomes nada convencionais ou “corretos”, como o Hellcat. Já me perguntei várias vezes se isso faria sucesso aqui, acho que os que gostam existem sim, só estão na multidão, entre os que tem medo de tudo, mas basta a opção existir para isso ficar melhor visto. Com carros antigos é um exemplo, ao mesmo tempo que isso está virando um mercado especulador, também há muita gente que gosta e continua no que sempre foram, e chegaram na etapa de ter um para cuidar.

    Sobre o consumo, acho que mesmo quem não seja só “racionalidade pura” por questões de custo ou árvores sendo abraçadas, fica imaginando lá todo esse movimento, tanto ar admitido, e o que faz esse som, e no fim das contas o volume da gasolina é só uma coisa que o movimenta, logo não dá para esquecer. E vi como isso é bom, com um consumo bastante surpreendente, considerando um contra do modo como foi bem acelerado. E isso mesmo a gasolina sendo bem diferente da nossa, já vi consumos bem maiores que esse por lá sendo de carros bem menos felinos.

    E falando neles: sejam eles, seja a víbora, quando se está de frente para eles, somos o ponto mais fraco de qualquer forma! Não resta muito o que fazer se não os desafiar.