Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas CICLOMOTORES FINALMENTE LIBERADOS DE HABILITAÇÃO – Autoentusiastas

Código de Trânsito Brasileiro, seção Conceitos e Definições:

CICLOMOTOR – veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de combustão interna, cuja cilindrada não exceda a cinqüenta centímetros cúbicos (3,05 polegadas cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a cinqüenta quilômetros por hora.

Na compilação do Código de Trânsito Brasileiro, na década de 1990, alguém se atrapalhou, pois ciclomotor sempre foi uma bicicleta à qual um motor é adicionado, mantendo pedais e transmissão que permitam impulsão humana.

 

VeloSolex

Velosolex, francês, motor de 0,85 cv (foto buyvintage1.wordpress.com)

Por força da definição acima, valem as motocicletas e scooters (motonetas) para fins de enquadramento na categoria ciclomotor, mesmo que não se possa pedalar neles. Há vários scooters com motor de 50 cm³ e logo me vem à cabeça a Vespa 50.

 

Vespa 50 web

Vespa 50 (youtube.com)

Seja como for, o fato é que a decisão, dia 20 último, da juíza Nilcéa Maria Barbosa Maggy, da 5ª Vara Federal de Pernambuco,  concedendo liminar à ação civil pública impetrada pela Associação Nacional de Usuários de Ciclomotores (Anuc) no sentido de condutores desses veículos serem dispensados de habilitação, é merecedora de todo aplauso. O meu receio é essa liminar ser derrubada por algum desembargador.

No mundo inteiro o ciclomotor é tratado como bicicleta e, portanto, não requer habilitação para conduzi-lo. A pequena cilindrada não permite que tenha grande potência. Mesmo hoje, com o avanço da tecnologia de motores, chega-se, por exemplo, a 2,7 cv na Traxx Sky 50 da foto de abertura. Com essa potência o desempenho é muito próximo do de uma bicicleta, se  não igual.

No Brasil criou-se a necessidade de se ser penalmente imputável (ser sujeito ao Código Penal) para conduzir qualquer veículo automotor, e como para ser imputável é preciso ter no mínimo 18 anos completos, resulta que para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou, no caso dos ciclomotores, ter a Autorização para Conduzir Ciclomotores (ACC), só tendo 18 anos.

Qual a idade para conduzir ciclomotor

Em geral, mundo afora, mesmo dispensada a habilitação,  há a exigência de se ter no mínimo 14 anos para conduzir ciclomotor, o que tem sua lógica, visto tratar-se de praticamente uma bicicleta em termos de desempenho, e com a vantagem de uma ciclística incomparavelmente superior a uma “magrela”, portanto uma questão indiscutível de maior segurança. Além disso, impensável precisar-se ter 18 anos para andar de bicicleta.

Nesse ponto a liminar em questão é falha ao suspender os efeitos da Resolução nº 168/04 do Contran, entre os quais precisar o candidato à CNH ou à ACC ser penalmente imputável, deixando brecha para que não haja idade mínima para conduzir um ciclomotor. Enfim, um imbróglio só, e inversamente proporcional à cilindrada de um ciclomotor.

A solução

Como no caso recente, em São Paulo, um senhor ter sido atropelado e morto numa ciclovia por uma bicicleta, se o ciclista fosse menor de idade (inimputável), nada poderia lhe acontecer senão ser conduzido à Fundação Casa. Analogamente, um condutor de ciclomotor com menos de 18 anos estaria sujeito ao mesmo tratamento. Desse modo, a solução para o “caso do ciclomotor”, na minha visão, seria:

1. Redefinir ciclomotor no CTB,  exigindo que tenha elementos mecânicos para tração humana. Não tendo, será considerado motocicleta ou montoneta (scooter), independente da cilindrada do motor.

2. Dispensar qualquer forma de habilitação ou autorização para conduzir ciclomotores com motor de até 50 cm³, mas só poderão pilotá-los os maiores de 14 anos, desde que portadores de carteira de identidade.

3. Obrigar o licenciamento dos ciclomotores de modo a poderem ser identificados e lavradas autuações por infração de trânsito, cabendo ao pai ou responsável do condutor a responsabilidade pelo pagamento de multas. Para isso, este terá que ser, obrigatoriamente, o proprietário do ciclomotor.

4. Consoante o ponto acima, o ciclomotor será alvo do DPVAT.

5. Condutores de ciclomotores serão obrigados a cumprir o estabelecido no Código de Trânsito como qualquer condutor habilitado, cabendo-lhes se inteirarem do seu conteúdo, hoje facilmente encontrável na internet, sendo desnecessário cursos ou treinamento a respeito.

Vantagens

Possibilitar o acesso dos menores de 18 anos ao ciclomotor é altamente vantajoso sob vários aspectos. Entre as vantagens:

1. Possibilitar o ingresso do jovem ao mundo motorizado legalmente, de grande utilidade para sua vida futura, aumentando significativamente a possibilidade de vir a ser um bom motorista.

2. Inseri-lo desde cedo no sistema de tráfego com conhecimento das regras de trânsito e responsabilidade.

3. Dar mobilidade de baixo custo ao jovem, que naturalmente se absterá de pegar o carro do pai ou da mãe para se deslocar.

4. Por ser um veículo mais veloz que a bicicleta, o ciclomotor pode se misturar melhor e com mais segurança à corrente de tráfego urbano.

5. Incutir no jovem tecnologia e noções de como cuidar de veículo automotor, igualmente útil para sua vida futura.

Tudo o que foi exposto nesta matéria é pragmático, dado que passei por essa experiência quando adolescente e tenho certeza e consciência do valor que representou para mim nos anos que se seguiram, experiências que guardo e utilizo até hoje com quase 73 anos.

 

victoria-1

Foi com uma bicicleta com motor Victoria de 38 cm³ e 1 cv, duas marchas, como a da foto, que começou minha vida motorizada aos 14 anos (foto 50kubk.de)

Que legisladores e autoridades de trânsito tenham um rasgo de luz e voltem seus olhos para uma questão tão importante.

BS

 



Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

  • Renan Becker

    Saudades de quando andava pela cidade com minha Mobilette de 50 cm³ e motor 2-tempos, na época que tinha 16 anos

    • AlexandreZamariolli

      Bem que a Yamaha, atual proprietária da MBK – ex-Motobecane, que criou a Mobylette original -, poderia trazê-la de volta. Esta MBK Libero, por exemplo, usa o mesmo motor AV-10 e o mesmo quadro da nossa Caloi 1979. Simpática, não?

  • Lemming®

    Como sempre…tudo uma questão de educação.

  • Mineirim

    Bob,
    Dúvida técnica: qual a potência exercida por uma pessoa ao pedalar? Pergunto isso porque, se 1 cv é teoricamente a força de um cavalo, imagino que uma pessoa tenha bem menor força e potência. Seguindo esse raciocínio, um ciclomotor de 2,7 cv tem a força, digamos, de 4 pessoas pedalando.

    • Mineirim,
      Cerca de 400 watts ou 0,54 cv. Lembre-se que a definição de cavalo-vapor é a potência necessária para eleva uma massa de 75 kg a uma altura de 1 metro em 1 segundo, donde 1 cv = 75 kgf·m/s.

      • FR

        Não, Bob, 400 W é muita potência, os melhores ciclistas do mundo dificilmente conseguem manter uma potência dessas por 1 hora, a potência média que a maioria dos ciclistas conseguem atingir é de cerca de 160 W ou 0,22 cv. Se tiver curiosidade http://www.kreuzotter.de/english/espeed.htm

        • Romulo Rostand

          FR, Você incluiu um fator bastante limitante em sua consideração; a potência mantida por um ciclista no período de 1 hora.

          No contexto do post, acho que o que deve ser considerado é a potência máxima, ou de tiro. Situação para a qual 400 watts, no caso de um ciclista profissional, se torna um valor bem aquém da média. Veja parte de um texto que localizei na Internet:

          “Um ciclista amador consegue manter, por exemplo, 210 watts durante uma
          hora. Um ciclista de estrada profissional produz, no sprint final, por curto espaço de tempo, até 1.700 watts”.
          Fonte: http://www.mobfloripa.com.br/mobilidade_det.php?codigo=168

          • FR

            Não vejo dessa forma, e uma avenida de 2km por exemplo uma cinquentinha a 50km/h vai consumir aproximadamente a potência de sprint de um ciclista profissional, e esses sprints duram em média 5s.

        • Romulo Rostand

          Como curiosidade, já existe equipamento para instalação em bicicletas que permitem a leitura instantânea da potência desenvolvida pelo ciclista. Custam entre 700 e 2.600 dólares. Alguns modelos se utilizam de sensores de torque instalados na pediveta, outros nos pedais e ainda há modelos em que os sensores são instalados no cubo traseiro, segue um link de um dos fabricantes,

          http://www.praquempedala.com.br/blog/powertap-lanca-medidores-de-potencia-para-o-pedal-e-pedivela/

          • FR

            Rômulo,
            conheço o equipamento, são os famosos “powermeters”, desejados por 11 em cada 10 ciclistas, infelizmente são extremamentes caros apesar do princípio de funcionamento simples e peças não cheguem a custar 100 dólares, infelizmente não posso ter um desses…

          • Romulo Rostand

            Pois é FR, o preço afasta muitos consumidores potenciais. É difícil entender um preço tão alto.

      • Leister Carneiro

        Agradeço esta resposta , procurava a anos por esta consideração sobre cavalo vapor

      • Rodolfo Flesch

        Titulo de informação: O CTB iguala a ciclomotores, cicloelétricos de até 5kw de potência, também limitados a 50km/h.

        As bicicletas elétricas são limitadas a 250W de potência, e auxílio até 25km/h e peso máximo 130kg com ciclista.

        Como já citado, um ciclista médio produz 200w, com picos de 1800-2000w para curtos espaços de tempo.

    • WSR

      Conheço ciclistas que produzem muita potência, mas em bv: burro-vapor. Esses, aliás, são perigosíssimos! Produzidos aos montes no Brasil.

    • Havia um museu em São Paulo há uns 30 anos, chamado de “Museu da Tecnologia”, um embrião da Estação Ciência e do Museu Catavento e lá havia um sistema muito simples onde hvaia uma bicicleta acionando por correia um alternador automobilístico.
      Conforme se peladava mais e maisum conjunto de lâmpadas de 10 W de pisca eram acesas em sequência.
      Atingir 100W era fácil. Duro era manter essa lâmpada acesa por muito tempo.

  • Mário César Buzian

    Levou “só” 40 anos para consertar esse erro inominável.
    Às vezes CANSA viver nesse país.

    • Mr. Car

      Talvez seja um defeito meu, talvez eu seja impaciente demais, mas o fato é que do meu ponto de vista, não é “às vezes”, e sim “quase sempre”.

  • Lucas

    Boa discussão. Talvez na parte onde é citado o limite máximo de cilindrada caiba alguma menção a motores elétricos, relacionando-os, visto que já há algumas bicicletas com motores elétricos.

  • Renan Becker
    E com um câmbio de variação contínua (CVT)!

  • RoadV8Runner

    Concordo totalmente com o proposto no texto, pois deixa tudo claro e permite que se use um ciclomotor antes dos 18 anos. Quando era “moleque”, era relativamente comum ver adolescentes andando com suas Mobilettes e afins pelos bairros. Não me lembro de ter visto alguém envolvido em acidente por conduzir um ciclomotor antes dos 18 anos. Aliás, idade é muito relativa, pois tá cheio de marmanjo com cabelo branco e habilitado fazendo barbaridades ao volante.

    • CCN-1410

      Meu filho e minha filha tiveram uma “Mobi”. Pena que quando terminou a fase da caçula eu a vendi. Deveria ter ficado com ela.

    • Elizandro Rarvor

      Eu vi esta fase e vi dezenas de acidentes e na época, caro incauto V-8, não havia nem 30% do número de carros que há hoje em dia.

      Eu trafego por cidades pequenas de 10.000 habitantes e posso falar com absoluta certeza, há mais carros nestas cidades pequenas hoje do que haviam carros em cidades de 100.000 há 20, 25 anos atrás.

      E me diga ai, um menor de idade furar um semáforo e atropelar alguém em cima da faixa, o que acontece?

      • RoadV8Runner

        O mesmo vale hoje para um menor em uma bicicleta: avançar sinal vermelho, atropelar e matar um pedestre sobre a faixa. Como fica a situação? Se formos olhar todas as coisas sob esse prisma, não há solução a não ser nivelar todos por baixo, algo que considero absolutamente condenável.

      • Milton Evaristo

        Bem lembrado. Não se compara o início dos anos 90 e a galera adolescente com Mobilette , com agora. A região aqui do Tatuapé era um paraíso de trânsito, andava-se nelas numa boa, cruzava-se para lá e para cá. Hoje acabou. Não restaram nem as vias internas, é tudo muito movimentado, sobretudo de pedestres, as reais vítimas do trânsito. Estamos caminhando para uma daquelas cidades da Ásia a passos largos.
        http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2014/03/Taip%C3%A9-Nicky-LohReuters.jpg

        Malthus tinha razão.

        • Elizandro Rarvor

          hahahaha, crêem Deus-pai, olha o mar de motocas. “Carcule” o caboclo no meio tomar um chão o strike que deve ser.

  • FR

    Tenho certeza que essa liminar vai cair, dois argumentos para isso são: é muito fácil retirar o limitador de velocidade de 50 km/h, para a moto na primeira foto basta desconectar o fio roxo da CDI, e motores de 50 cm³ dois tempos podem atingir até 8 cv. O ciclomotor teria que ser classificado de acordo com a potência e não pelo tamanho do motor.

    • Elizandro Rarvor

      Nas estradas do interior do Paraná, passou por dúzias de bicicletas elétricas que teoricamente não poderiam rodar sem que você estivesse pedalando, mas eles retiram este bloqueio, simples por sinal e pior, trafegam nas rodovias, estaduais e federais, e duro é que acham que tem direito de estar na pista trafegando a menos de 50% da velocidade máxima permitida.

  • Mr. Car

    Tudo bem que se dispense a CNH, Bob, contanto que todos os itens listados na parte “A solução” do seu texto, sejam efetivamente implementados. É preciso haver alguma forma de controle e responsabilização por infrações de trânsito e/ou acidentes causados por estes condutores, tanto imputáveis, quanto inimputáveis, senão, vira “terra de ninguém”. Acho ainda que apesar de não ser necessária a CNH, as pessoas que as forem conduzir tenham que passar por algum tipo de curso de formação teórica, como em uma auto-escola mesmo. A pequena cilindrada não torna estes veículos tão inofensivos assim, já que como você mesmo citou no post, uma simples bicicleta é capaz de causar sérios ferimentos, ou até matar.
    Abraço.
    Para pensar: “O primeiro amor faz parte dos venenos que agem mais rapidamente, e para os quais não existem antídotos”. (Edouard Maria Oettinger)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=Gp7UlPMIgQc

    • CCN-1410

      Mas qual é a diferença para a bicicleta elétrica que é permitida?

  • Mr. Car

    Acho que na prática não é muita, por isto acharia interessante que seguissem as mesmas regras dos ciclomotores para serem conduzidas. Aqui no Rio se vê demais estas elétricas circulando sobre as calçadas, e nem tão devagar assim.

    • AlexandreZamariolli

      Amigos, peço-lhes um pouco de paciência porque o buraco é mais embaixo.

      Conforme o Bob explicou, o CTB define ciclomotor como “veículo de duas ou três rodas, provido de motor de combustão interna (…)”.

      Conclui-se por imperativo lógico que, de acordo com a lei brasileira de trânsito, uma bicicleta com motor elétrico jamais poderá ser considerada um ciclomotor.

      Simples, não?

      Não, porque estamos no Brasil.

      O problema é que algumas resoluções do Contran tentaram criar os tais “cicloelétricos”, primeiro equiparando-os aos ciclomotores e, depois, afastando a equiparação dos veículos com potência limitada e sem acelerador autônomo, de sorte que seus motores somente funcionariam enquanto o ciclista estivesse pedalando.

      E daí, dirão alguns?

      Daí que a Constituição diz, no artigo 5º, que ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar que se faça alguma coisa senão em virtude de lei. E quem faz a lei, no Brasil, é o Poder Legislativo (no caso federal, o Congresso).

      Ora, como órgãos do Poder Executivo, o Contran e o Denatran não têm competência legislativa, mas apenas regulamentar. Então, e ao contrário do Poder Legislativo, eles não podem criar uma lei nova ou modificar uma lei já existente. Eles podem apenas baixar regras para dizer como as leis que já existem devem ser aplicadas. Regulamento, em Direito, é isto. E se o regulamento estiver em conflito com a lei, prevalece a lei.

      Então, quando o Contran disse “bicicleta elétrica é a mesma coisa que ciclomotor”, acabou alterando o Anexo I do CTB, que caracteriza os ciclomotores pelo motor a combustão interna, sem ter competência para isso.

      Resumo da ópera: enquanto o Anexo I do CTB não for mudado por outra lei federal, qualquer bicicleta elétrica – independentemente de sua potência ou de ter ou não acelerador – é pura e simplesmente uma bicicleta, e nada mais do que isso.

      Ufa!

      • Caio Azevedo

        Bravo. E torçamos pra alguém acordar e entrar com um Mandado de Segurança para andar de bicicleta elétrica sem as restrições impostas pela administração.

    • AlexandreZamariolli

      Amigos,

      Peço um pouco de paciência, porque o buraco é mais embaixo.

      O CTB – a lei federal que disciplina o trânsito no Brasil – define ciclomotor como “veículo dotado de motor a combustão interna“.

      Consequentemente, enquanto o Anexo I do Código – que é lei federal – não for alterado por outra norma de mesma hierarquia (outra lei federal), uma bicicleta dotada de motor elétrico não será um ciclomotor.

      Simples, não?

      Seria, se não estivéssemos no Brasil.

      O Contran andou baixando umas resoluções que inventaram um tal “cicloelétrico”, primeiro equiparando-o aos ciclomotores e, depois,
      afastando essa equiparação quando o veículo atender a certas características – limitação de potência e ausência de acelerador (no esquema europeu de “pedal assistido”, em que o motor só funciona quando o usuário está pedalando).

      O problema é que, de acordo com o artigo 5º da Constituição, direitos e obrigações só podem ser criados por lei. E “lei”, aqui, significa uma norma jurídica discutida e aprovada pelo Poder Legislativo; no caso específico, o CTB.

      Ora: o Contran, que é órgão do Poder Executivo, não tem poder legislativo, mas apenas regulamentar. Dessa forma, ele não pode criar leis novas ou alterar as que já existem; pode apenas editar regras para dizer como a lei existente deve ser aplicada. Regulamento, em Direito, é isto. E, se o regulamento estiver em conflito com a lei, é esta última que prevalece.

      Pois bem. Ao dizer que “bicicleta elétrica é igual a ciclomotor”, o Contran acabou alterando o Anexo I do CTB, sem ter competência para isso. As tais resoluções, portanto, valem tanto quanto uma nota de R$ 3.

      Enquanto o CTB não for alterado por outra regra jurídica de mesma hierarquia (lei federal), as bicicletas elétricas – independentemente da potência e de terem ou não acelerador – continuarão sendo apenas bicicletas, e nada mais do que isto.

      Ufa!

  • marcus lahoz

    Boa solução. Concordo com o texto.

  • Fat Jack

    Bob, concordo quanto a desobrigação de carteira de habilitação, porém como você mesmo mencionou, os “Condutores de ciclomotores serão obrigados a cumprir o estabelecido no Código de Trânsito como qualquer condutor habilitado”, de que forma isso pode ser exigido sem pelos menos um a apresentação do código através de um cursinho de legislação?
    Há a necessidade também de uma forte fiscalização sobre esses ciclomotores, pois eu vi a situação na região de Recife, onde nem habilitação nem emplacamento eram obrigatório…, e esta era caótica, não tendo esses condutores respeito algum por nenhum tipo de sinalização e alguns deles transitando próximo aos 100km/h entre Recife e Porto de Galinhas…

  • Motos Antigas 125ecia

    Tenho medo das consequências.

  • César

    Também tenho medo das consequências…

    Tenho a sorte de ser leitor de um blog no qual sempre prevalece o bom senso. Tenho orgulho de ter lido um artigo no qual o autor, sabiamente, não deixa de citar que seria de bom alvitre ser penalmente imputável para conduzir uma bicicleta. Um atropelamento causado por uma “magrela” é, como citado no exemplo, potencialmente tão perigoso quanto se provocado por qualquer outro veículo.

    Aliás, a maioria dos ecochatos cicloativistas são pessoas a quem faz muita falta a educação e gentileza no trânsito. Existe meio de transporte mais individualista do que uma bicicleta? Bem, talvez uma motocicleta italiana monoposto…

    • m.n.a.

      não consigo compreender a “raiva mortal” que o pessoal que comenta aqui no site tem contra a bicicleta….

      será que possuem a experiência de pedalar (não passear…) em centros urbanos para sustentar suas opiniões ?

  • Carlos

    Concordo com seu ponto de vista BS,aqui no Japão para pilotar a 50cc,scooter ou motos como honda nsr 50,é preciso ter 16 anos e tirar uma habilitação especial para motos de até 50 cc,dá para tirar em um dia,o teste consiste de uma prova sobre legislação de trânsito e um teste prático,com um custo bem acessível.
    As motos precisam ser emplacadas e pagar seguro contra terceiros(não é obrigatório,mas aconselhável)os motoristas com habilitação para automóvel tem permissão automática para motos de até 50cc.
    Funciona bem aqui.

  • Daniel S. de Araujo

    Bob, excelente artigo! Tomara que o bom senso norteie as decisões futuras sobre esse assunto!

    O extintor obrigatório já caiu, ainda resta esperança!

  • Mendes

    Off:

    Bob,

    Você que é contra lombadas e outros obstáculos nas vias, o que você proporia para resolver o problema relatado por este morador no vídeo a seguir?

    https://video-gru1-1.xx.fbcdn.net/hvideo-xta1/v/t42.1790-2/12127962_699182610217461_1388971109_n.mp4?efg=eyJybHIiOjQwOCwicmxhIjo1MTIsInZlbmNvZGVfdGFnIjoic2QifQ%3D%3D&oh=742fe6668ade91e9687675467a3ad467&oe=562C7E53

    No vídeo ele reclama que, mesmo o cruzamento estando bem sinalizado com placas, ocorrem diversos acidentes ali e ele pede para que sejam colocados tachões para induzir os motoristas a parar ou, pelo menos, reduzir a velocidade, já que, segundo ele, as placas não resolvem nada.

    Eu também sou contrário a qualquer tipo de obstáculo nas vias, mas admito que não saberia como esse problema poderia ser resolvido sem apelar para os “dejetos viários”. Qual a sua opinião sobre o assunto?

    Observação: Apesar de eu ter me dirigido ao Bob, os demais colegas podem ficar à vontade para responder também! Isso só enriquecerá o debate!

  • Geraldo Lima

    Não consegui abrir o vídeo, mas imagino
    que um semáforo possa resolver.

  • Mendes,
    Também não consegui abrir o vídeo, se você pudesse repetir a inserção no comentário seria ótimo. Sobre esse assunto, é a “Escola Brasileira de Motorista Idiotas” em pleno funcionamento, como você relata de estar o cruzamento bem sinalizado e ocorrerem acidentes. Os “formados” nessa escola precisam de estímulo físico-cerebral (lombadas, tachões) para reagir, só a sinalização convencional não resolve.

    • Mendes

      Olá, Bob.

      Era um vídeo do Facebook. Acho que não soube copiar o link corretamente.

      Por via das dúvidas, baixei o video no meu computador e enviei para um outro local. Agora deve funcionar:

      https://vid.me/hPOr

  • m.n.a.
    Não é contra a bicicleta, é contra o cicloativismo e os cicloativistas, que querem impor sua “mirabolante” solução de mobilidade numa cidade como São Paulo e ferrar toda a população e a atividade comercial e de serviços. Veja o caso do tal presidente de associação de ciclistas em http://autoentusiastas.com.br/2015/10/inimigos-do-automovel-e-por-conseguinte-da-populacao/

    • Bruno Bertha

      Bob,
      Isso aqui resume o cicloativismo em 30s.

      Seria passível de multa?
      Abs.

      • FR

        Não vi cicloativismo aí, vi ciclismo de performance, ou você acha que qualquer um conseguer pedalar assim? E outra, a velocidade do painel é menor do que a velocidade real.

  • mdollis

    O parâmetro de medida para motores precisa ser revisto, pois motos e motonetas elétricas já são realidade a não é possível enquadra-las em critérios q levam em conta somente a cilindrada do motor

  • Elizandro Rarvor

    A possibilidade de alguém atropelar uma pessoa de bicicleta e esta falecer é bem menor do que liberar uma nação de incompetentes em veículos que atingem 50 km/h ou mais em muito menos espaço.

    Tenta rodar com uma bicicleta em um pequeno aclive de 5% de inclinação a mais de 30 km/h agora faz o mesmo nestes veículos, você vai superar os 30 km/h em poucos metros, atingir os 50 ou 60.

    Não há discussão, veículo motorizado, NO BRASIL, só para maiores de idade, se habilitados já somos um bando de barbeiros, imagina sem carteira.

    • Elizandro Rarvor
      Pensamento completamente retrógrado o seu, desculpe. É na adolescência que se começa a entrar na fase motorizada e é assim que se formam bons e responsáveis motoristas. Eu e incontáveis adolescentes da minha geração começamos com bicicletas motorizadas e ciclomotores. Temos a péssima mania de achar que “no Brasil é diferente”. É isso o que tanto nos prejudica.

    • RoadV8Runner

      Sobre “bando de barbeiros”, eu não me incluo nessa lista e conheço muitos que também ficam de fora. De novo, temos que nivelar por cima, senão o Brasil jamais irá evoluir. A partir do momento que menores de 18 anos podem escolher o governante supremo de uma nação, responsabilidade no trânsito é um cafezinho perto do estrago que um mau governo pode fazer, como estou vendo acontecer.
      Se tudo o que o Bob apresentou no texto for feito, o controle de eventuais acidentes de menores conduzindo ciclomotores fica coberto. Sou da opinião que a punição para quem mata no trânsito tem que ser feita de outra forma que não o encarceramento, a fim de realmente corrigir o motorista. Se isso não funcionar, cassação definitiva da CNH, simples assim. Aliás, eu defendo que muitas CNHs aqui no Brasil tinham que ser cassadas permanentemente, pois existem alguns motoristas sem o mínimo de civilidade para conduzir um veículo motorizado em vias públicas (aqueles que ultrapassam em curvas em pistas de mão-dupla, quem avança deliberadamente sinal vermelho em horários de trânsito intenso, quem desrespeita também deliberadamente placa “PARE” etc. etc. etc.).

  • Mendes,
    Vi agora. obrigado. É isso aí, é a Escola com aproveitamento máximo.

    • Mendes

      Sim, Bob.

      Diante dos fatos, mesmo não gostando desses obstáculos, não vejo outra solução para esse cruzamento – colocar semáforo ali é exagero. Parece que tachões e lombadas são um mesmo um “mal necessário” hoje em dia.

      Grato pela atenção.

  • Leonardo Mendes

    No começo dos anos 90 a Agrale lançou o Tchau… vi poucos desses nas ruas, hoje devem ser tão raros quanto o quadriciclo da marca que podia ser emplacado.

    http://bestcars.uol.com.br/carros/motos/agrale/tchau-92.jpg

    Aquela Vespa 50 que apareceu na matéria faria um barulho no nosso mercado, hein?
    Muito bonita!

  • Agenor Souza

    Alguém lá pelos 50 anos se lembra das Puch, Garelli, Mobilette ?

  • AlexandreZamariolli

    Esse Tchau foi o ciclomotor stricto sensu – ou seja, com pedais – mais potente fabricado por aqui. O motor Morini tinha 3,4 cv, contra 3 cv dos Termo (Motobecane AV10) usados pela Caloi e pela Monark.
    Curiosidade: nas primeiras versões, o motor podia ser ligado pelos pedais ou por meio de um kick starter. Depois de alguns anos, os pedais foram abolidos e substituídos por uma pedaleira fixa, passando a partida a ser feita apenas pelo kick.

  • Mibson Fuly

    O que me incomoda é a falta de policiamento.

  • Guilherme Guersoni

    O problema é que, como dizem, na teoria, a prática é outra. Aqui, nos confins do Brasil, estas motonetas são facilmente “modificadas” e atingem velocidades bem mais elevadas. Transitam em qualquer lugar, até mesmo em rodovias. Concordo que CNH e demais rigores são exagero, mas alguma regulamentação seria bem vinda!

  • Leo-RJ

    Caro Bob, concordo integralmente com tudo o que foi exposto.

  • Mendes,
    É exatamente esse o ponto, você deu um bom exemplo. A EBMI é o maior sucesso! Se não houver um dejeto qualquer, pista livre! “Mal necessário” nada mais é que diploma de incompetência para resolver um problema..

  • Frank BassSinger

    Bob acho extremamente válidas as suas colocações. A única coisa que me preocupa é a “manolagem” que anda pelo trânsito em suas cinquentinhas todas mexidas e cheias de “xuning” dos piores tipos…..muitas com motores alterados, freios capengas, “xenão”, que saem “barbarizando” e cometendo todo tipo de infrações em nossas cidades. Aqui em MG direto eu vejo esses “manos” e essa brecha da CNH, falta de placa, é uma maravilha pra eles…muitos deitam e rolam na cara das autoridades mesmo. Basta você dar uma olhada na net que você vê várias dessas “máquinas da desgraça”:

    https://www.youtube.com/watch?v=wMmDQiUV7MQ

  • Danilo Grespan

    Só para alertar os desinformados: infelizmente o status de hoje (jan/2016) é que a liminar caiu. É necessário ter CNH “A” ou a autorização específica, além de licenciar o ciclomotor:

    – Necessidade de habilitação: http://g1.globo.com/carros/motos/noticia/2015/12/contran-da-novo-prazo-para-tirar-habilitacao-para-cinquentinhas.html

    – Necessidade de registro: http://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2016/01/prazo-final-para-registro-de-ciclomotores-sera-29-de-janeiro.html