Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas AS APARÊNCIAS ENGANAM – Autoentusiastas

Lembro-me a primeira vez que dirigi uma VW Saveiro. Foi nos idos de 1983 no Campo de Provas da Ford em Tatuí, quando a Ford adquiriu a recém-lançada picape para conhecimento do novo produto concorrente da Pampa. Reconheço que minha primeira impressão não foi das melhores ao abrir o capô e ver o velho motor arrefecido a ar do Fusca instalado longitudinalmente. Porém, a aparência jovem da picape e o seu bom comportamento na pista, em termos de estabilidade direcional e em curva, me impressionaram positivamente. Afinal, o motor boxer era baixo, curto e leve, tudo favorecendo a resposta de direção.

Ficou claro que a Volkswagen visou o público jovem e o lazer em detrimento de seu uso para o trabalho, tanto é que a Saveiro “quadradinha” logo fez sucesso entre a meninada.

 

Saveiro 84

VW Saveiro BX “quadradinha” em foto divulgação de seu lançamento em 1982

O conforto interno era bom, embora os pedais ficassem descentralizados com relação ao volante de direção e a linha de centro do banco do motorista. Os freios me pareceram subdimensionados, requerendo maior esforço sobre o pedal para desacelerar o veiculo. Mas o que realmente se destacava era sua excelente estabilidade direcional, mesmo com carga total de 440 kg em sua caçamba (a capacidade máxima de carga do veiculo era de 580 kg)

E a Ford decidiu fazer uma durabilidade estrutural comparativa entre a Saveiro e a Pampa para  análise da engenharia. E eu logo prejulguei, achando que a Saveiro iria desmanchar nas pistas de durabilidade estrutural.  A Pampa com suspensão traseira de eixo rígido com molas semi-elípticas daria um banho na Saveiro, com sua suspensão de automóvel por eixo de torção e molas helicoidais, pensei eu.

E no final da durabilidade, basicamente o que se viu foram as picapes se saindo bem.  A Saveiro apresentando algumas trincas na carroceria, principalmente na região do túnel da transmissão e a Pampa com pequenas trincas na base da coluna “B”, nada mais de relevante além disso.

Falando um pouco da história da Saveiro, a Volkswagen decidiu projetar sua picape derivada do Gol para competir com  a Fiat e Ford, que já tinham suas respectivas picapes, a Fiorino e a Pampa.

Com seu desenvolvimento feito no Brasil e com forte integração com a matriz na Alemanha, a nova picape foi apresentada ao público em setembro de 1982, sendo o nome Saveiro inspirado em uma embarcação nordestina para transporte de passageiros e carga. Lançada inicialmente com o  velho motor boxer 1,6 arrefecido a ar, teve algumas reclamações de dirigibilidade e desempenho ao longo dos primeiros anos de vida. Em 1985 o motor “a ar” foi substituído pelo lendário AP 1600, fazendo  a Saveiro dar um salto em popularidade, tornando-se a picape derivada de carro mais vendida do mercado.

A Saveiro também foi fabricada com motorização Diesel, exclusivamente para exportação, recebendo o motor 1,6-L da Kombi e também o 1,9-L originário do Golf.

E em 1997, abandonando o design “quadradinho”, a Volkswagen lançou sua nova Saveiro baseada no Gol de segunda geração, o “Bolinha”. Maior e com mais capacidade de carga, foi em minha opinião a Saveiro mais significativa em termos de projeto bem idealizado. Quando vi a nova Saveiro com distância entre eixos 24 cm maior e aumento de carga na caçamba, mantendo sua mesma suspensão traseira com eixo de torção e molas helicoidais, pensei com meus botões, não vai dar certo….E deu, contrariando novamente as minhas expectativas, julgando pela aparência.

 

saveiro bolinha 1

VW Saveiro “Bolinha”, Mk 2 ( foto divulgação)

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saveiro bolinha

VW Saveiro “Bolinha” com o enorme emblema-logotipo Volkswagen  na tampa da caçamba (foto divulgação)

A Saveiro, totalmente remodelada, tinha suas dimensões e capacidade de carga bem aumentadas  com relação ao modelo anterior, com notória aparência mais moderna que a versão “quadradinha”.

 

nova saveiro vs saveiro bx

Nova Saveiro Mk 2 versus Saveiro BX Mk 1

Chama a atenção o trabalho estrutural da carroceria com elementos  de segurança, pensando no deslocamento da carga na caçamba em casos de acidentes frontais e também nas frenagens de emergência com altas desacelerações. Para proteger o habitáculo, além da célula de sobrevivência a nova Saveiro dispunha de um rack estrutural no teto, barras de proteção nas portas e nervuras no painel divisório entre a cabine e a caçamba.

A plataforma da nova Saveiro era basicamente a do Gol até o apoio do banco traseiro, com longarinas longitudinais integradas às caixas de rodas e com cinco travessas transversais que compunham o arranjo estrutural do veículo. O assoalho da caçamba era todo nervurado complementando o trabalho de engenharia.

 

nova saveiro estrutura

Esquema estrutural da Saveiro “Bolinha”

O desenvolvimento da Saveiro “Bolinha” em termos de crash test foi todo feito no Brasil nas dependências da Volkswagen em São Bernardo do Campo.

 

nova saveiro crash test

Crash test contra barreira  indeformável na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo

E não faltou capricho. O protetor da caçamba em polietileno apresentava um encaixe perfeito, além de ter uma aparência muito bonita, esbanjando qualidade.

 

bedliner

Protetor da caçamba (bedliner) muito chique

E a Saveiro foi o utilitário leve mais vendido do Brasil até 2002, quando perdeu o posto para a Fiat Strada, que atualmente é  líder absoluta na categoria. A Chevrolet Montana e a Saveiro continuaram brigando pela segunda posição.

E ficou uma lição aprendida. Nunca mais vou prejulgar um veículo pelas aparências. A Saveiro foi prova do que estou falando.

Termino a matéria com um forte elogio à Fiat Strada, que conseguiu conquistar o coração dos brasileiros, sendo a picape derivada de carro mais vendida desde 2002.

 

strada

Fiat Strada 2016 (foto divulgação)

 

CM

Créditos: Volkswagen do Brasil Ltda, wikipedia, acervo do autor

 

Sobre o Autor

Carlos Meccia

Engenheiro mecânico formado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) em 1970, trabalhou 40 anos na Ford brasileira até se aposentar. Trabalhou no campo de provas em Tatuí, SP e por último na fábrica em São Bernardo do Campo. Dono de amplo conhecimento de automóveis, se dispôs a se juntar ao time de editores do AUTOentusiastas após sugestão do editor Roberto Nasser.

  • Pablo Nascimento

    Ótimo texto, como sempre!
    Meccia, me surpreende o fato da tendência à trincas no túnel da trasmissão da linha BX ter ido até o encerramento da linha.
    A solução era assim tão complexa?

  • Comentarista

    A Strada é fenomenal mesmo. Já trabalhei com uma 4 anos. Pau para toda obra. Passava em lugares que pensava que só 4×4 conseguiria.
    Uma dúvida Meccia, esses testes de impacto de fabricante tem similaridades aos desses órgãos independentes? Eles têm que obedecer a quais critérios?

    • Comentarista,
      Os testes da fabrica são homologados

  • E grande parte da boa fama da Strada com quem leva carga mesmo se dá pelo uso do feixe de molas, que muitos torcem o nariz. Quando dirigi uma, não senti que era um carro ruim de curva, pelo contrário.

  • Mr. Car

    Com a Saveiro nunca tive muita intimidade, exceto por umas poucas vezes que dirigi a Mk2 de um primo, mas a Pampa (GL 1,6), por um bom tempo, foi minha companheira de trabalho na fazenda do meu avô, e também nas minhas horas de lazer. Picapinha valente, sô, carregou muita muda de laranja, caixas de laranja, sacas de sal para o gado, sacos de adubo, latões de leite, de óleo diesel para os tratores…E era espertinha e gostosa de andar. A única bronca que eu tinha dela era que era a álcool, e nos dias bem frios, um inferno para fazer pegar, he, he! Até hoje tenho vontade de ter uma, desta vez minha de fato, e já com um certo status de carro “antigo”, de coleção. O problema é que quando se acha uma bem inteira (e isto é raro), pedem uma fortuna. Quem sabe um dia…
    Abraço.
    Para pensar: “Tira-me ó Deus, o ouro e a fortuna, mas volta a dar-me as minhas ilusões”. (Ramón de Campoamor y Campoosorio)
    Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=r2JZdSFH2aI

    • Danniel

      Há duas semanas em Pirenópolis, vi uma Pampa Jeep impecável.. Quase me abaixei para ver se o cardã traseiro ainda estava lá.

      • Mr. Car

        Esta é a mais bacana delas, inclusive com o mesmo painel maravilhoso dos Del-Rey Ouro/Guia. Pirenópolis…nem fale, me amarro neste lugar, he, he!
        Abraço.

  • Lucas

    Logo após eu ter tirado minha habilitação, fui com meus pais ao Rio Grande do Sul visitar familiares e passar os festejos de final de ano. Como eu era o primo mais velho (sou o segundo mais velho de todos os primos da família) e o único habilitado, coube a mim, nas aventuras típicas de jovens de 17~18 anos, dirigir o carro de trabalho do meu tio, que era justamente uma Saveiro G2. Cara, que carrinho bom de guiar! O AK ontem contando a história do Renault 12 e me vinha em mente a minha experiência com essa Saveiro. Dávamos cada laço nela e ela nem aí. E também me lembro que, apesar de ela ser o carro de trabalho do meu tio, já estava com folga nos pinos da dobradiça da porta, mas não fazia muitos ruídos no painel. Isso me impressionou. Boas saudades daqueles dias com aquela Saveiro.

  • m.n.a.

    legal….na minha opinião, Strada cheia de “plásticos de acabamento peso-morto inúteis” por fora…melhor e mais útil a “limpeza” de design da Saveiro “quadradinha”….

  • Programador Maldito

    Saveiro diesel somente exportação? Eu me lembro que uma amiga minha tinha uma Saveiro diesel em 1993. Não me lembro o ano da Saveiro e de que forma foi adquirida, mas não creio que minha amiga tenha feito algum “cambalacho”. O que explica isso?

    • RoadV8Runner

      Nos anos 80 e 90 foram convertidas algumas Saveiro para diesel, aproveitando uma brecha na lei. Quando o (des)governo viu o grande número de conversões que vinha sendo feito, tratou de fechar a brecha rapidinho…

    • fabio

      Durante alguns anos foi possível legalizar essas picapinhas com motor diesel, através de ações judiciais. Por isso existiam, e talvez ainda existam algumas, Saveiros rodando com este combustível. Mas não eram vendidas assim pela fábrica. Os motores eram trocados.

  • Marconi Henrique

    O que acho estranho nessa nova Saveiro é a ausência de revestimento em carpete da parede divisória cabine/caçamba na versão de cabine simples. Acho que a Volkswagen pensa que quem a compra vai utilizá-la apenas para trabalho.

    Off topic:Tenho uma Montana 2006 e não entendo o que falta à GM para lançar a nova geração baseada no Onix. Utilizando-a no dia-a-dia fica difícil entender o retrocesso que foi lançá-la baseada no Agile. Ameaçaria o reinado da Strada, uma vez que teria painel digital e sistema MyLink, modas que são os maiores atrativos na visão do mercado para a linha Onix/Prisma e Cobalt/Spin.

  • Alessandro Peres

    Todos os veículos que já passaram pelas minhas mãos foram da VW, sempre achei os Fiat frágeis em relação às peças de acabamento interno e de veículo com baixa vida útil, realmente me surpreendi com a picape Strada passando a Saveiro, acho que estou cometendo o mesmo erro do Meccia e me deixando levar pela aparência..

  • konnyaro

    Tenho uma Saveiro diesel 88 tirada 0-km da concessionária em estado final de restomod, pena que a legislação tenha dada esta brecha apenas nos anos de 87 a 88, para que a VW pudesse desovar seu estoque de motores diesel.
    Quanto às trincas no túnel, tem que colocar as barras que ligam as torres de suspensão, assim como a barra inferior ligando as bandejas, senão é trinca na certa. Típico erro de projeto ou economia nos pontos de solda e em materiais mais resistentes.

  • Thiago Teixeira

    A linha Del Rey tinha problema semelhante. Trincava sob a coluna C quando se carregava peso constante na mala. Fazendo obra lá em casa não agüentou as sacas de cimento, duas por viagem (100kg) e rachou.
    A Strada é muito boa. Acredito que a versatilidade a fez líder. Serve ate como carro de passeio. Infelizmente pesa o alto custo do seguro, já que é a queridinha dos larápios.

    • Domingos

      Isso de trincas me faz lembrar toda vez que alguém fala que carro antigo que era bom é pura mentira ou completa falta de conhecimento mesmo.

      Grande parte, especialmente os mais comuns, são é estruturalmente descartáveis e ainda sofrem muito com ferrugem. Não é à toa que um antigo nunca restaurado em nada seja extremamente raro e valorizado.

  • Chico

    A Strada pode até ser boa mas com todos estes enfeites de plástico, mais parece um carro alegórico !!!

    • Mr. Car

      Também acho, por isto prefiro a Trekking, que tem um pouco menos de adereços plásticos. Acho toda a linha Adventure (Strada, Doblò, Idea, e Weekend) horrível.

    • Leonardo Mendes

      Por isso eu prefiro a Working, versão básica mas sem as “alegorias e adereços” da Trekking/Adventure.

      Me admira como a Fiat ainda não ganhou o Estandarte de Ouro por causa dessas versões.

  • Clésio Luiz

    Um defeito da Saveiro (pelo menos as duas primeira gerações) é o grande volume das caixas de roda dentro da caçamba, quando picapes com eixo rígido traseiro não sofrem desse problema.

    E uma grande dúvida minha: a primeira Parati é um derivado do Saveiro, certo? Porque vendo ambos lado a lado, fica patente a inclusão de um teto numa carroceria de Saveiro, com um linha transversal no teto da Parati, bem onde acaba o teto na Saveiro. Ambas usam ainda as mesmas lanternas traseiras.

    • Leonardo Mendes

      Havia uma capota pra caçamba da Saveiro que era baseada na porção traseira da Parati.
      Um desavisado que visse uma com essa capota juraria que era a Parati, tamanha a semelhança que a Saveiro assumia com esse acessório.

  • CCN-1410

    O que seria de mim sem minhas ilusões? Nada!

    • Mr. Car

      Adoro estas sacadas de pensadores, estas frases curtas mas que dizem tanto, encerram verdades e sabedoria, muitas vezes até em um tom de amargura, de tristeza, ou de sarcasmo, ou de cinismo…acho geniais, e por isto as coleciono, he, he! Esta outra sobre ilusão eu já coloquei aqui, mas caso não tenha visto, aí vai: “Jamais te separes das tuas ilusões. Quando elas se forem, talvez continues a existir, mas é certo que já não mais viverás”. (Samuel Langhorne Clemens = Mark Twain). Tenho outras mais, aos poucos irei colocando.
      Abraço.

  • Mr. Car

    Já eu não gosto deste painel de motoca barata da linha Onix/Prisma, que viria em uma possível picape Onix. Sou muito mais o da atual Montana, o mesmo que vinha no Agile.

  • Mr. Car

    O pai de um amigo também tinha, mas não lembro o ano. De qualquer forma, também não sei se era original de fábrica.

  • Daniel S. de Araujo

    Bom, sou suspeito para falar de Saveiro porque sou fã dela. Já tive duas e teria outras sem pestanejar.

    A Saveiro a ar devia ser divertida! Se o Gol já acelerava legal, fico imaginando a Saveiro, mais levinha! (Honestamente prefiro o Gol a ar em termos de dirigibilidade do que o CHT 1.6 – tive um 92)

    • Domingos

      Será que os modelos “ar” além de melhores de curva não trincavam?

      O motor deitado contra o pendurado deve dar uma boa diferença de esforço na estrutura…

      • Daniel S. de Araujo

        Acredito que os modelos a ar aguentariam mais pelo fato de serem mais leves.
        Agora, por experiência própria, o que racha túnel de Gol são as pancadas secas na suspensão e isso acontece com amortecedor cansado.
        O interessante é que modelos apresentam suas aguras estruturais. O Gol com o problema do túnel, a linha Belina/Pampa/Del Rey com as longarinas inferiores, na frente e atrás, o Palio com rachadura junto a caixa de direção, a linha GM Corsa, Vectra A, Monza e Kadett sem subchassis que quando mais velhos, acabam ficando com a frente boba e com o aspecto de que está “tudo solto” e assim vai.

        • Domingos

          Essa do Vectra A é tão conhecida lá fora que existe um reforço comprado e desenvolvido por outras pessoas que não a fabricante e que todo mundo instala em todos os carros com essa base.

          • Daniel S. de Araujo

            Meu pai teve um Vectra A comprado zero que eu por fim acabei usando bastante. A frente ficou boba, ao passar por depressoes no asfalto com grande movimentação da suspensão dianteira, parecia uma canoa quebrando onda de tâo boba que ficava a frente.

          • Domingos

            Meu avô teve um, usou tão pouco que nunca notamos esse problema – o carro era quase zero, infelizmente o deixamos passar pouco antes dele morrer.

            Quando vi sobre isso lá fora fiquei surpreso. É um defeito grave mesmo e dizem que é isso aí: até a direção fica sem resposta, boba mesmo, sendo perigoso.

            Todos os carros com a base do Vectra A tiveram esse problema e essa solução paralela, com exceção talvez ao Calibra.

      • Humberto

        Meu pai possui um Gol 1,6 a ar 1982 desde 0-km e rodou por quase 30 anos todo dia nas ruas esburacadas de São Paulo. O carro é muito resistente e nunca teve nenhuma trinca sequer. Creio que as trincas no túnel sejam mais comuns na linha AP. Abraços

        Humberto “Jaspion”.

        • Domingos

          Desconfio mesmo que o motor “pendurado”, como ficou na instalação do AP, tenha prejudicado mesmo as coisas.

          É um peso bem considerável, inclusive em área de balanço do carro, em posição muito mais alta que a original – e ainda concentrada toda na longitudinal.

          Provável que ficou mal previsto isso aí.

  • Leonardo Mendes

    Uma coisa que a Saveiro perdeu com o passar dos anos foi o apelo junto aos jovens.
    Evidente que ainda se vêem alguns a bordo das versões mais moderna, notadamente a Cross, mas não é o mesmo frisson das gerações anteriores.

    Esse emblema VW gigante na tampa da caçamba da Saveiro bolinha foi definido por um ex-amigo meu da seguinte forma:
    Você não sabe se está vendo a traseira de uma Saveiro ou a frente de uma Kombi.

    • Domingos

      Eu lembro na época justamente dessas comparações com a Kombi e o quanto era exagerado, mas que os boatos diziam que era intencional. Como a VW na época era sinônimo de “bom carro”, o logotipo grande agradaria aos proprietários – e de fato tinha gente que gostava.

      Mas acho que a falta de apelo foi mais pela mudança de preferência. Hoje os jovens se ligam muito mais em outras coisas, mesmo os que gostavam de carro gastam muito mais com frivolidades tecnológicas que com isso. Dá vontade de comprar um Monza só pra quebrar com isso às vezes…

      Por sua vez é muito mais “sonho” para os jovens uma SUV hoje que uma Saveiro ou uma picape pequena. Mesmo a Strada pouca gente tem sem ser para trabalho, ao menos eu vejo muito pouco.

      Aí que a Fiat acertou fazendo de um mesmo modelo a cobertura para todos os nichos e funções.

  • lightness RS

    Esse painel digital da linha GM é bizarro, me sinto andando de moto, mas na moto fica legal, num carro não

  • CharlesAle

    Sem querer fazer média com o Meccia. Mas para mim, a melhor “picapinha” e a Courier. Pelo menos para o trabalho pesado, vai muito bem!! Tenho um conhecido, dono de depósito de gás de cozinha. Teve quase todas (menos a Montana) E a que mais suportou o difícil trabalho de venda de gás foi a Courier..

    • CharlesAle,
      Realmente a Courier foi uma excelente alternativa para trabalho pesado.

    • CCN-1410

      Não tenho Ford e não posso falar da resistência de seus veículos atuais, mas na região onde moro, enquanto carros e caminhões de outras marcas desapareceram, muitos Ford ainda estão no batente. Uns estropiados, mas ainda dando lucro aos seus proprietários. Corcel, Pampa, Belina, Del Rey e até os F-350 e F-600 da década de 60.

    • Domingos

      Butijão de gás é cruel. Aço de alto calibre e peso grande, onde encosta amassa.

  • Marcos Zanetti

    Sem dúvidas que o motor AP 1600 é lendário…Aliás, a VW sempre construiu bons motores.

  • Marcos Zanetti

    Fugindo um pouco do tema, mas falando de motores VW. Algum leitor tem experiência com o motor 2.0 120cv que equipa p Jetta Comfortline? Jetta é um carro que eu gostaria de adquirir, porém acho o TSI muito caro. E ouço uma avalanche de críticas ao 2.0 120cv. Alguém pode ajudar?

    • CorsarioViajante

      Eu tenho um Polo hatch com este motor. O que eu sinto é que ele deve andar mais ou menos como os 1.6 16v mais modernos.
      Isso não é algo “horrendo”, lembre que existe focus (e teve focus sedan) 1,6L até pouco tempo atrás.
      Mas certamente para quem tem a mínima preocupação com performance, eu não recomendaria.
      Além do mais, é um motor meio chatinho de manter pois todo mundo jura que é AP.

    • Kevin “Schãoantz!” (F.Lopes)

      Marcos este motor tem um bom torque em baixa rotação (você ficará surpreso), porém é um tanto “sedento” mas o Jetta faz 6-7 Km/l etanol fácil na cidade. Estrada 9-10 km/l etanol. É confiável junto ao câmbio Tiptronic automático de 6 marchas.
      As críticas são por que a VW tem coisa muito mais moderna na prateleira, o 1.4 TSI do Golf que anda mais e bebe menos.
      Vai sem medo que é um excelente carro.

  • Carlos A.

    Caro Carlos, muito curioso seu comentário referente ao produto da concorrente, mas não sabia que a Saveiro segunda geração era tão boa assim com relação a cargas. Ao menos o que escuto ‘no mercado’ é que ela não aguenta nada. Eu tive 2 Courier, ambas usadas para obras com a caçamba em sua capacidade máxima (respeitando a capacidade de carga) e sempre no “trabalho” usava a calibragem correta dos pneus também, a primeira uma 2001 comprada usada e escolhida depois de pesquisar muito sobre essas pick-up. Tanto rodando sem carga como carregada eram ótimas, pela o espaço interno não ser tão bom, e um defeito sempre me incomodava que era o problema de aterramento das lanternas traseiras que teimava em aparecer…até hoje (que não tenho mais pick-up) noto pelas ruas Courier com as lanternas com essas falhas.
    Além das vantagens com questão a carga, as Courier tinham pneus apropriados para suportar carga, maior comprimento da caçamba, grande autonomia (tanque de combustível de 60 litros) e bem econômica, motor forte, pouco visada na época na questão roubo e seguro barato.
    Atualmente vejo algumas dando prova disso carregando gás assim como a Fiat Strada, já Saveiro nunca vi nessa função.

  • Eduardo Sérgio

    Melhor ainda que a Strada foi a Ford Courier.

    Sobre as aparências que enganam, isso aconteceu comigo com o Fiat Mille 2006 que comprei. Na concessionária, a primeira impressão não foi boa, principalmente pelo acabamento tosco e rudimentar. Quase três anos depois e 106.000 km rodados, o carro ao ser vendido estava impecável, inclusive aquele mesmo acabamento tosco estava lá, íntegro.

    • Ricardo kobus

      Bom dia Bob!
      Eu sei que o senhor deva ter muitas perguntas sobre isso, mas vamos lá, como o senhor trabalhou na Volkswagen poderia me dizer como minimizar o problema de trinca no túnel dos VWs quadrados, colocando barras anti- torção ajudaria?
      Meu gol não é rebaixado, talvez era antes, e eu abuso dele nas curvas influi?

      • Ricardo kobus
        Tínhamos equipe de rali interna e as únicas modificações estruturais que os Gol recebiam era reforçar a soldas do assoalho com o túnel a parede de fogo, devido ao esforço brutal nas provas. Nem barra entre as torres de suspensão usávamos, não era necessário.

        • Rodrigo Bárbara Fachini

          Bob….

          Infelizmente posso citar inúmeros problemas estruturais nos Gols, inclusive no G5. Os Gols quadrados trincam o túnel, o calço da caixa descola do assoalho, trinca as torres dos amortecedores, há casos em que solta até a caixa de ar do ar-condicionado. Os Gols família 2, com carroceria AB9, trincam o assoalho nos pés do passageiro e as colunas A e B, bem na curva. As Saveiros G2 trincam o teto acima do pára-brisa, e também o assoalho perto dos pedais do acelerador. Os Gol G3 tem os mesmos problemas do G2, o G4 trinca a caixa de roda e “descola” o suporte do setor de direção se for exigido em curvas. O G5 trinca a lata acima da coluna de direção, afrouxando-a e deixando entrar água para dentro do habitáculo. Ricardo, na minha experiência de ter visto muita coisa referente a este problema, você pode minimizá-lo comprando um carro que não foi batido, que não rodou muito em estrada de chão e que sempre teve manutenções na suspensão realizadas quando necessário. Porém, é uma estrutura frágil e o metal já fadigou bastante em todos estes anos rodando, e essa fadiga vai causar trincas. Quando trincar, a melhor solução é fazer uma solda bem feita, e reforçar exatamente os pontos que o Bob citou, que não terás mais problemas. Ao colocar a barra de torção inferior, vai acabar estressando outra parte do carro, a qual talvez não tenha sido projetada para suportar este esforço, lhe causando mais problemas. Meu Gol TSI 1,8 MI com 70 mil km trincou a s colunas e o assoalho, fiz o que Bob citou de reforçar os pontos de solda do assoalho e da parede corta-fogo, e fiz um reforço nas colunas igual o que foi adotado pela VW nos modelos 4-portas, e nunca mais tive problemas, inclusive participo de rachas diurnos e noturnos em autódromos. Já fazem 7 anos e nunca mais abriu.

  • vstrabello

    Eu acho demais a Saveiro BX, essa primeira mesmo, com motor boxer. Hoje são difíceis de se ver por aí. Uma pena. Meu avô teve uma Pampa, azul, quando tinha 10 anos, mas desfez dela, não sabia por quê. Fazia um belo par com um F-4000 1994 que ainda é usado na labuta do dia-a-dia. E o meu pai conseguiu um financiamento de uma Strada, branca, motor 1.4. Como anda! Parabéns pela matéria!

  • Lucas Sant’Ana

    Aqui em recife é comum vermos a Pampa rodando.

  • Pércio Guimarães Schneider

    A Saveiro é um erro desde que nasceu. A suspensão traseira tem molas e amortecedores em posição vertical e o resultado são as enormes caixas de rodas que roubam espaço importante na caçamba. Já e Strada tem amortecedores inclinados e molas parabólicas longitudinais que permitem caixas de rodas menores, com maior espaço na caçamba. Na Parati o encosto traseiro nunca baixava por completo e roubava espaço. Tive duas Marajós que, quando deitava o banco, o piso ficava totalmente plano, com total aproveitamento do compartimento de carga.

  • Carlos A.
    Meu ponto de vista a respeito da Saveiro “Bolinha” é descrito no post, com base no que eu conheço de projetos estruturais.
    A Pampa e a Courier foram duas picapes excelentes, porém não foram o assunto específico da matéria.

    • Carlos A.

      Compreendo, Carlos Meccia, e desculpe se fugi da picape abordada. Apenas refleti a experiência que tive com duas Courier que tive em casa, minhas únicas picapes até hoje. Adoro seus textos que nos dá a oportunidade de conhecer o lado técnico e toda engenharia envolvida em cada detalhe de um veículo. E aprendi nesse texto, que trata-se de uma bela discriminação o que escuto sobre a Saveiro “Bolinha”.

      • Carlos A.
        A Courier alem de ser boa para o trabalho pesado, tinha uma estabilidade direcional que poucos carros a tem. Dava gosto de dirigi-la. Infelizmente não tinha um apelo jovem para o lazer.

        • Carlos A.

          Exato Carlos Meccia!
          Isso mesmo, o apelo jovem passava longe tanto que pela minha idade, alguns amigos me perguntavam exatamente isso, o que eu estava fazendo com uma Courier? A resposta era imediata, a compra foi para o trabalho e não o lazer enquanto construía minha casa.

  • Mr. Car,
    Realamente a Pampa era uma picape valente para carregar e malhar no trabalho. Pena que não tinha nenhum apelo esportivo para os jovens.

  • Marcos Zanetti

    Obrigado Corsário.

  • Fat Jack

    CM, excelente matéria!
    Para mim o foco da Saveiro sempre foi diferente da Pampa, acho que a primeira já nasceu com o foco muito mais urbano e de lazer que a segunda que focava em trabalho e até (porque não dizer) rural. Eu gosto muito da Pampa (devido a uma pouca mas agradabilíssima experiência com um Corcel), adoraria ter uma 1,8S (raríssima, em boas condições então, vixe…).
    Só acredito que possa ter havido um equívoco quanto a Saveiro diesel, salvo engano meu ela chegou a ser vendida no mercado interno (conheço quem teve duas delas pelo que eu sei “originais de fábrica”) até a legislação que regulava este tipo de veículo ser alterada de carga máxima acima de 500 kg para acima de 750kg ou 1000 kg (diga-se de passagem como veículo de trabalho era interessantíssimo, pois não raramente o consumo ultrapassava a marca dos 20 km/l e não apresentava o problema crônico de superaquecimento das Kombis diesel).
    Para mim Strada chegou ao topo pela grande variedade de configurações oferecidas pela Fiat e a manutenção não ser exageradamente alta.

    • Fat Jack, a Saveiro diesel era vendida na Argentina. No Brasil a legislação não permitia motores diesel para picape com carga útil menor que 1.000 kg.

  • Meccia parabéns pela sua matéria! pode parecer uma pergunta óbvia e com resposta também, já que está falando de Saveiro e a Pampa foi lançada em simultâneo com ela, eu queria saber sobre o câmbio dos Ford AP 1.8 longitudinais: Del Rey, Belina e Pampa, todas as fontes dizem que é a mesma dos VW refrigerados a água e eu estou aqui dizendo que é, mas tem gente que insiste que não, mas só para garantir já que você trabalhou lá durante a Autolatina esse câmbio dos Ford 1.8(com exceção do Escort é claro) é o mesmo dos VW refrigerados á água da época? estou correto?

    • XRS250,
      As relações do cambio da Saveiro e Pampa com motor AP 1.8 são as mesmas

      1ª – 3,45:1 (38/11)
      2ª – 1,94:1 (35/18)
      3ª – 1,29:1 (36/28)
      4ª – 0,97:1 (31/32)
      5ª – 0,80:1 (28/35)
      ré – 3,17:1 (38/12)
      dif- 4,11:1 (37/9)

  • Patureba

    Pode até ser uma dosa de saudosismo, mas ainda temos na família uma Pampa 91 AP 1.8 a gasolina e estou desde sempre tentando comprar ela do meu vô. Ele vende? Segundo ele, só depois que morrer… rsrs Brincadeiras a parte, tenho um carinho especial pela Pampinha, aprendi a dirigir nela e ainda gosto de dar umas voltas de vez em quando.
    Agora, tenho lembrança especial de uma Saveiro TSI que meu prima tinha, eu tinha os meus 10 anos e babava nela, vinho, uma preciosidade. Pena foi ele ter dado pt nela e depois não achar outra pra comprar. Ah, como era show aquela picapinha!!!