Liberdade, Igualdade, Fraternidade: estas três palavras constituem, por si sós, o programa de toda uma ordem social, que concretizaria um dos mais absolutos passos de evolução da Humanidade, sempre é claro que os princípios que elas exprimem possam receber sua integral aplicação.

Recentemente algumas reflexões a respeito da integral aplicação destes conceitos me fizeram matutar a respeito. Devido a uma grande e ótima chance que tive recentemente, de passar uma semana do quente verão europeu naquele continente, lugar fantástico e que foi o berço do progresso representando pelas três palavras de impacto do início do parágrafo anterior.

Gosto de coisas bem feitas, tenho apreciação e respeito por aqueles que se dedicam a aprimorar um produto ou serviço, acho bacana perceber que você está usando algo de qualidade, com eficiência e que se propõe a atender os anseios do usuário. Retórica total, eu sei, mas às vezes esquecida. Muito esforço é empenhado para melhorar a situação e aprimorar a realidade, porém mais esforço ainda se faz para aceitar o que não está bom, desvirtuar a realidade. E isso não é legal.

Na estrutura daquela expressão que serviu de marco para a Revolução Francesa, faltou, a partir do meu singelo ponto de vista de espectador da história, incluir a palavra Felicidade. Provavelmente porque foi deixado como consideração implícita, a igualdade decorre da fraternidade e a liberdade é conseqüência das duas outras. Se os princípios forem observados teremos conseqüentemente a felicidade.

Assim também vejo a qualidade, ela é fundamental. Derivando do conceito mais pragmático que concerne em suportar a linha de pensamento do Iluminismo, pegarei uma carona na história para reafirmar um modelo que deveria ser a prática e não a exceção.

Atualmente deveríamos ter em nosso país a mesma liberdade e as condições igualitárias de oferta de automóveis encontradas em outras regiões do mundo. A liberdade pressupõe confiança mútua. Quero poder escolher um automóvel sem fazer concessões, confiar que em sua produção os melhores processos e controles foram utilizados. Quero também condições abertas e justas de escolha. Já temos uma séria e robusta indústria automobilística instalada no país, precisamos nos permitir de subir um patamar.

Poucas regiões do mundo possuem um plantel tão pujante e rico de opções de fabricantes locais como o Brasil, mas isso não reflete imediatamente na oferta de melhores e mais eficazes produtos. Temos totais condições de Igualdade nos quesitos fundamentais desta indústria, engenharia, matéria-prima, mão-de-obra experiente. E mais importante, mesmo em tempos atuais mais difíceis, temos um mercado doméstico importante e uma chance não explorada adequadamente de sermos fonte exportadora de veículos acabados.

Quero meus direitos de ter um produto equivalente ao que se oferece lá fora.

Além de tudo e sobretudo, já que temos que pagar um preço respeitável para a aquisição de um carro novo, quero receber Qualidade em retribuição.

 

No Brasil o custo com o veículo pesa muito (jdpower.com)

No Brasil o custo com veículo pesa muito (jdpower.com)

De todos os lugares onde a JD Power realiza sua pesquisa de satisfação sobre a experiência na propriedade de veículos (o VOSS, de Vehicle Satisfaction Ownership Study – Estudo de Satisfação de Propriedade de Veículos), o Brasil é o que apresenta maior número de relatos de problemas de qualidade. Segundo uma declaração feita certa vez pelo responsável pela LD Power no Brasil, Sr. Jon Sederstron: “Os carros brasileiros têm menos conteúdo, portanto, teoricamente deveriam apresentar menos problemas, mas acontece o contrário. Isso é um desafio e uma oportunidade de melhorar dos fabricantes locais”. A pesquisa VOSS, é realizada já há quatro anos no Brasil com quase 10 mil proprietários de modelos das 12 marcas dos carros mais vendidas do País, considerando uma janela de 12 a 36 meses de uso.

Dentro do universo da pesquisa da JD Power, em média os donos de carros novos no Brasil relatam cerca de 50% mais problemas do que em mercados internacionais maduros como Canadá e Alemanha. O índice é também superior ao de veículos produzidos em outros países emergentes, estamos pior do que México e Argentina. Nesta pesquisa os automóveis brasileiros só estão melhor colocados do que os chineses, mas não por muito.

Segundo as bases do estudo da JD Power, nem todos esses problemas são necessariamente defeitos mecânicos ou de fabricação. O serviço de assistência técnica, preço de peças de reposição, custo do combustível, consumo e até mesmo as condições das ruas e estradas brasileiras podem causar mais insatisfação.

Entretanto o que mais me incomoda é o fato do custo de propriedade contar muito nesta equação, no estudo feito no mercado brasileiro a sensação de peso no orçamento, para possuir um automóvel, tem a maior representação: 42% (inclui gastos com combustível, valor do seguro, custo de manutenção e reparos). Enquanto o contentamento dos proprietários com o design e desempenho do carro, como conforto e recursos que oferece, participa com apenas 19%. Mesmo que se questione os métodos do estudo, a percepção de que possuir um carro mantém a nossa consciência nervosa, pelo tanto de empenho financeiro que é dedicado a ele, mais de duas vezes do que o automóvel retorna de prazer e satisfação em possuí-lo é angustiante.

Em países com o México, por exemplo, o mesmo estudo, usando portanto o mesmo método, retorna um resultado diferente. Ali e em outros países os problemas de qualidade e assistência são menores e a participação do custo de propriedade na experiência de compra de um automóvel é bem menos importante.

 

carros exportados tem preço menor lá fora (vwbr.com.br)

Carros exportados têm preço menor lá fora (vwbr.com.br)

Processos, materiais fornecedores, tudo atualmente é padronizado globalmente e temos no Brasil todas as condições de montar um veículo como é feito lá fora. A qualidade deve ser a mesma. O retorno em prazer de poder desfrutar, e bem, deste maravilhoso invento da capacidade técnica da humanidade deve ser um apelo de venda e não um dolo.

Toda esta tempestade de reflexões começou durante as férias no balcão da locadora de automóveis no aeroporto. Sempre que tenho a chance de alugar um carro fico na torcida para que saia um modelo interessante, algo diferente do que eu conheça. Mais legal ainda se estou em outro país.

Após curtir a minha torcida na fila de espera, a gentil atendente da locadora me explicou com esmero as condições de contrato e me avisou que tinha um Opel Corsa 1,0 disponível (disponível para o tamanho do meu bolso, claro, conforme indicado na minha reserva), decidi então perguntar se tinham outros modelos ou se poderia subir de categoria e ela prontamente me ofereceu algo melhor, mas pelo dobro do preço. Voltei atrás e aceitei o Corsa com resignação.

Quando você espera pouco de uma experiência, normalmente ela se revela muito interessante. Ao receber as chaves do Corsa não tive qualquer reação positiva. Estava pronto e me preparando para receber um veículo comum e ter uma experiência comum. Fui caminhando para o estacionamento e ao me aproximar do carro reparei que as suas linhas eram modernas e joviais, e ainda que sem ousadia agradavam e combinavam bem com o porte do veículo, além de seus traços respeitarem com dignidade o padrão de filosofia de design atual da Opel.

Numa carroceria em cor preta com apenas quatro metros de comprimento, notei que a frente destaca-se seja pela grade proeminente ou pelos faróis bem desenhados que incluem uma assinatura de “asa” visível nas luzes diurnas a LED. Descobri que a porção traseira trazia linhas que acentuam visualmente a largura do automóvel, apresentando ainda lanternas orientadas na horizontal. Consegui acomodar a bagagem no porta-malas e mesmo antes de fazer girar o motor já estava mais impressionado do que antes com a opção de circular alguns dias com o pequeno Opel.

Sabendo que estava em um veículo de entrada de mercado, pensei em tentar imaginar quanto ele era capaz de atender uma pequena família, um casal ou um jovem estudante. Ao final de minha jornada de uma semana, depois de 1.500 km rodados nas ótimas estradas e ruas da Europa, percebi que a proposta era mais do que adequada e tentei fazer uma comparação com aquilo que podemos obter no mercado brasileiro, percebendo imediatamente que apesar de estarmos melhorando muito, há ainda espaço para fazer melhor. Principalmente no quesito conteúdo.

A sensação de usar um carro simples como o Corsa, mas que devido às boas condições de estradas e vias de circulação nos países do Velho Mundo, associada à alta qualidade de construção do veículo, faz com que o este conceito de simplicidade mude bastante.

Você volta de viagem, senta em seu carro no Brasil, mesmo que de um nível superior ao que estava usando lá fora e percebe que algo não está legal. Demora um tempo até voltar a se acostumar com pouco, mesmo que tenha custado muito.

Decidi pesquisar alguma coisa sobre a tecnologia e os equipamentos embarcados no Corsa 1,0 Turbo que usei, para avaliar o que poderia ser a fonte da sensação de produto melhor e mais refinado.

 

opel corsa 2015 (www_cockpitautomovel_com)

Raio-x do Opel Corsa 2015 mostrando a suspensão (cockpitautomovel.com)

Logo de cara descobri que o modelo atual do Corsa possui um sistema de suspensão revisado e não herda um único componente do versão anterior, a estabilidade é ótima para os pisos da Europa e o conforto, exemplar. A sensação ao rodar é inesperadamente agradável para um modelo deste segmento.

O comportamento em estrada, a precisão da direção e as características de subesterço são de um patamar que esperava encontrar em modelos maiores e mais caros, enquanto o nível de amortecimento confere ao Corsa capacidade para filtrar e absorver melhor as irregularidades da estrada.

 

cinco gerações corsa (www_cockpitautomovel_com)

Cinco gerações de Corsa (cockpitautomovel.com)

O sistema elétrico também é novo, incluindo com sistema de monitoração da pressão dos pneus de série! Isso mesmo, você tem no painel a informação da pressão dos pneus, equipamento de série em um Corsa 1,0!! O modelo pode ser escolhido ainda com dois tipos de configuração de chassis: Comfort ou Sport, sendo o Sport com molas mais duras e amortecedores com mais carga e com geometria e calibração de direção diferentes para a obtenção de uma resposta mais direta. Aqui para a nossa realidade as opções são de suspensão elevada, muito ou pouco.

 

interior corsa 2015 (www_cockpitautomovel_com)

Interior do Opel Corsa 2015 (cockpitautomovel.com)

Entre os outros equipamentos disponíveis (apenas os de série) no pequeno carro de aluguel, estavam a assistência a saída em ladeiras, rádio com sistema Bluetooth e entrada USB, ar-condicionado, computador de bordo e espelhos retrovisores com regulagem elétrica, além de vidros elétricos e trava central de portas com comando a distância.

Um novo motor de três cilindros de 988 cm³ é superalimentado com um turbo e possui injeção direta (de gasolina). Ajudado por uma árvore de balanceamento o 1,0 Turbo da GM se apresenta com baixos níveis de ruído e vibrações e, conseqüentemente, conforto. Tudo isso em um simples Corsa de aluguel.

 

painel corsa 2015 (www_cockpitautomovel_com)

Quadro de instrumentos do Opel Corsa 2015 (cockpitautomovel.com)

Construído em alumínio, este motor compacto está disponível em dois níveis de potência — 90 cv e 115 cv — e apto a cumprir a norma de emissões Euro 6. Está acoplado a uma caixa manual de seis marchas, totalmente nova e extremamente compacta. Tudo bem que o carro que eu usava era o de 90 cv, mas o câmbio de seis marchas seguramente permitia usufrui-lo de modo entusiasta. Ajudado mais do que tudo pelo pico de torque com quase 18 m·kgf logo a 1.800 rpm.

Por aqui recentemente chegou ao nosso mercado o VW up! TSI trazendo novamente para a nossa lista de opções um motor 1-litro turbo. Pode ser o começo de uma revolução, mas ainda temos que encarar um custo não muito baixo para usufruir da tecnologia. Mas é sem dúvida um começo.

Ou recomeço, já que tivemos no passado a chance de desenvolver no Brasil tecnologias para motores de baixa cilindrada, ao ser criado incentivo governamental para isso. Uma canetada mudou a referência de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), reduzindo a diferença de alíquota entre os carros mil e os acima. Era 10% até 1.000 cm³ e 25% dessa cilindrada para cima, mas foi criada a alíquota de 15% (13% para álcool, que acabou se estendendo para os flex) para motores entre 1.001 e 2.000 cm³.

 

Iniciativas tentam compensar o desequilíbrio econômico (glbimg.com)

Iniciativas tentam compensar o desequilíbrio econômico (glbimg.com)

A Eaton, que na época estava fabricando o compressor para os 1-L da Ford, teve que fechar a sua fábrica dedicada a este componente, empregos e tecnologia se foram. A VW encerrou em 2003 a produção do Gol turbo (a Parati turbo ficou mais um ano), e mais um punhado de técnica e competência foram jogadas fora.

A chance de desenvolver no Brasil uma engenharia apta a encarar desafios em desenvolvimento deste tipo de solução, criando e aperfeiçoando motores pequenos de alta potência, para que pudéssemos usufruí-las e aprimorá-las, ficou perdida no tempo e espaço, a capacidade de absorver e adaptar localmente as tecnologias disponíveis em outros países levou um revés, muito antes que fosse cunhado o termo downsizing para isto.

Entendo a dificuldade dos fabricantes de automóveis no Brasil em temer mudanças de rumos e perder investimento. Vamos fazer voz para que condições mais justas e igualitárias se mantenham presentes em nosso mercado, vamos lutar por uma ajuda inteligente de empresários, executivos de empresas e governo para proporcionar estas condições. Vamos tentar evitar que o downsizing ocorra também em nossas competências locais.

As três palavras de ordem da Revolução Francesa, surgiram como uma inspiração de François Fénelon, eram provocações concretas contra o “status quo” das regras da sociedade impostas pela Igreja e pelo Estado dessa época. O lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, ganhou força posteriormente e tornou-se mais difundido durante o Iluminismo.

Durante a Revolução Francesa, “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” foi uma das muitas frações invocadas. Em um discurso sobre a organização da Guarda Nacional, Robespierre defendida em dezembro 1790 que as palavras “o povo francês” e “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” deveriam ser escrito em uniformes e bandeiras. Quando se redigiu a Constituição de 1848, o lema foi definido como um princípio da República Francesa.

Evitado pelo Segundo Império na França, ele passou a dominar sob a Terceira República. Existia, no entanto, ainda alguma resistência, mesmo entre os partidários da República: a solidariedade foi por vezes preferida à igualdade que implica um nivelamento e a conotação cristã de fraternidade. não foi aceita por unanimidade.

A seguir o lema voltou a ser reintegrado na fachada dos edifícios públicos, por ocasião da celebração de 14 de Julho de 1880. Afigura-se ainda nas constituições de 1946 e 1958 e hoje é uma parte integrante do patrimônio nacional francês.

 

Liberté

Mensagem na fachada de prédio público na França (www.flickr.com)

Chegar às armas é exagerado para mudarmos a nossa situação no quesito indústria automobilística, mas a história da Revolução Francesa pode bem ser um exemplo de determinação e vontade de melhorar. Proponho assim que tenhamos sempre uma consciência de defesa de alguns direitos que gostaríamos de ter atendidos como consumidores, compradores de produtos, que tanto deixam de divisas para o país com sua carga tributária faustosa, e que tem um valor agregado altíssimo quando comparado com a média de capacidade de compra e os salários de nosso país.

 

Nós é que somos o país rico (veja-tudo-certinho.com)

Nós é que somos o país rico (veja-tudo-certinho.com)

Até mesmo para compararmos os modelos de automóveis fabricados no Brasil e no resto do mundo encontramos situações esquisitas. Se quisermos comparar modelos básicos, por exemplo, teremos a curiosa dificuldade de encontrar em outras regiões carros oferecidos com dois airbags, por exemplo. O que é novo para nós, a utilização em massa do airbag para passageiro e motorista é já história para aqueles que oferecem este equipamento nas colunas laterais, bancos, joelhos etc.

Para fazermos algumas contas aproximadas, lembro que em Portugal, país que também apresenta forte carga tributária sobre automóveis, o Opel Corsa que usei pode ser comprado com 26 salários mínimos locais. Na França, com 12. Uma dúzia de salários mínimos no Brasil soma menos de dez mil reais.

 

Salário Mínimo em Paridade de Compra França (statista.com)

Salário mínimo em paridade de compra França (satista.com)

Ainda não quero abordar os custos com combustível, seguros, despesas de manutenção e outros impostos, que tornam a experiência de possuir um automóvel um tema de planejamento financeiro no Brasil.

Somando-se a esta condição econômica à eventual oferta de um produto não nivelado em tecnologia aos países mais afortunados, temos realmente além da necessidade de um bom planejamento a constituição de um desafio, onde deveríamos ter um simples processo de adquirir e manter um bem útil, interessante, apaixonante e que permite aumentar em muito a experiência de viver, entra uma aventura.

 

Salário Mínimo em Paridade de Compra Brasil (statista.com)

Salário mínimo em paridade de compra Brasil (statista.com)

Caramba, eu quero um carro bacana e confiável para poder me carregar, e não para que eu tenha que carregar preocupações ele.

FM

Foto de abertura cockpitautomovel.com


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  • Daniel S. de Araujo

    Felipe Madeira, apesar de eu achar que o exemplo da revolução francesa é ruim (a França é um país altamente regulamentado), o problema brasileiro é o ambiente econômico que afetam as grandes empresas. Vejamos
    -> Impostos: PIS/COFINS sobre o faturamento. CSLL e IRPJ sobre o Lucro. CPP/Outras entidades/SAT (de 25 a 28% da folha de salários). IPI e ICMS sobre a circulação de mercadorias, imposto sindical, contribuições diversas, recolhimento compulsório sobre autônomos/prestadores de serviços e o maior crime de todos: A burocracia em termos de controles financeiros, notas fiscais, recibos, etc. etc. etc. E fora a equipe altamente especializada em recolher e declarar todos os documentos exigidos pelo Fisco, sob pena de recebimento de multa de altos valores. E em nenhum momento falei de impostos incidentes diretamente sobre o produto…
    -> Questão trabalhista – O passivo trabalhista chega a dar medo em qualquer empregador. Uma mentira do funcionário não pode ser desmanchada nem com 100 verdades documentais dos empregadores.
    -> Questão legal. A ciranda financeira de impostos acarreta em incertezas e essas incertezas inibem a inovação. O Governo em uma canetada, acabou com 3 carros simultâneamente. O Polo 16 valvulas, o Gol turbo e o Fiesta Supercharger. Como investir num ambiente desses? Mais um exemplo de intervenção estatal inibindo a inovação.

    Tudo isso leva as empresas a adicionarem margens adicionais de lucro. Assim, o chamado lucro Brasil deveria se chamar na verdade “risco Brasil”. Para isso somente seriedade e a eliminação desse câncer que está no Planalto Central que atende pelo nome de PT.

    • Cristiano Reis

      Daniel, essas questões trabalhistas e os encargos decorrentes de um funcionário com carteira assinada fazem qualquer empresário perder o sono… E o pior é agüentar aquele que chega pedindo até pelo amor de Deus, que faz qualquer coisa pelo emprego, lhe colocar na justiça.

  • Davi Reis

    E pensar que por aqui interromperam a linhagem da família Corsa para botar o Onix em seu lugar. O Corsa sempre foi um ótimo carro, gostaria muito de ver essa geração em nossas terras. Se um dia a GM quiser voltar à categoria dos compactos premium, esse carro seria uma opção matadora.

    • Lemming®

      Se o Onix está em primeiro em vendas este mês…Corsa é luxo…

  • francisco greche junior

    Gostei dos teus pontos de vista, mas ficou até difícil comentar algo sobre nossa situação. Lembro bem da Parati 1,0 L turbo, era um ótimo carro, arrancava melhor que Astra 2,0 L. Aqui no Brasil parece que só existe espaço para motores 8 válvulas e arcaícos, coisa que dificilmente esta mudando.

  • Félix

    Talvez a gente ainda não esteja maduro quanto ao nosso nível de exigência em qualidade

    • Lemming®

      Só qualidade? Acho que está faltando aí um dicionário para descrever o que falta na terrinha…

  • Lemming®

    Na Banânia é assim…pague por 2 e leve 1 (sendo bemmmm otimista)…
    Excelente texto!

  • Fernando

    Perfeito texto, parabéns FM!

    Acho que é perfeitamente plausível se questionar todos estes pontos, afinal pagar(não só ao governo…) mais por menos não é justo, sobretudo com a quantidade de fabricantes estabelecidas aqui.

    Mas outra coisa que impressiona: como aqui as seguradoras fazem de tudo para negar seguro para os carros com mais de 10 anos, ou quando não o fazem, jogam o valor nas alturas. Enquanto isso, em outros países o seguro é nada menos que obrigatório, e assim, todos o tem e por valores perfeitamente justos. Homenagem aqui a todos que de alguma forma dificultam a vida dos outros brasileiros, é por causa de vocês que nosso país continua atrasado.

    • Lemming®

      Seguro em carro com mais de 5 anos é luxo e importado então nem se fala.
      Verdadeira máfia!

    • Felipe Madeira

      Valeu Fernando!

  • Roberto Neves

    Dirigi Renault Clio, Ford Fiesta e Opel Corsa em Portugal e Espanha e tive a mesmíssima impressão do Felipe. São outros carros, inteiramente diferentes dos que temos aqui nas terras brasileiras. Carro compacto de locadora com rodas de liga leve aro 16″, airbag, ABS e demais letras do alfabeto nunca se verá aqui!

    • Felipe Madeira

      Roberto, bem-vindo ao coro dos desconformados, -obrigado por seu comentário, realmente temos que saber distinguir as realidades e não é justo tamanha diferença.

  • Gabriel FT

    Entendo a idéia do texto e concordo com o espírito dela, mas discordo da premissa: a revolução francesa. Os conceitos liberdade e igualdade se opõem, não se complementam. Da tentativa de impor a igualdade, somente surgirá opressão. E a revolução francesa não foi a maravilha que nós aprendemos nas nossas escolas de doutrinação socialista. Foi um período de barbárie e opressão, à época, incomparável e marca o ressurgimento da democracia (outra coisa que nossas escolas nos fazem crer que é benigna mas que se analisada a fundo é um atalho para o totalitarismo) no ocidente.
    De fato, muitas das mazelas que afligiram e que ainda afligem a europa (e o restante do mundo, inclusive o Brasil) se devem justamente a ela.

    Recomendo o livro leftism: from De Sade and Marx to Hitler and Marcuse do escritor Erik von Kuehnelt-Leddihn que aborda brilhantemente o tema do ponto de vista liberal e conservador.

    • Daniel S. de Araujo

      Ainda bem que não sou só eu que considero a Revolução Francesa um péssimo exemplo para tudo. A Doutrinação Socialista nas escolas ensina da fase do terror mas não conta a ninguém que a chamada “fase do terror” foi a fase Jacobina daqueles que hoje sao denominados “esquerdistas”.

    • Lucas

      Concordo que liberdade e igualdade sejam termos que se oponham entre si. Entretanto entendo que eles devam ser encarados como peso e contrapeso de uma balança. Somente liberdade gera desigualdade social, acumulação e etc. Somente igualdade gera opressão, sufoca a criatividade, estimula o comodismo etc. O caminho é o do equilíbrio, o meio termo entre as coisas. A velha frase que há muito tempo pais dizem aos seus filhos (e que eu sempre ouvi dos meus) “tudo que é demais não presta” é muito válida neste momento. O capitalismo é bom, mas demais não. Das idéias do socialismo dá para tirar coisas boas, mas ele sozinho é péssimo. Estado máximo é ruim, mas o Estado mínimo também é. Extrema esquerda e extrema direita. Enfim, creio que deva haver espaço para todas as linhas de pensamento, mas o caminho nunca é pelos extremos, e sim pelo meio termo, pelo ponto de equilíbrio.

      • Gabriel FT

        Esta idéia de “equilíbrio” é uma armadilha perigosa.
        O que você descreve como “meio termo” é o que nós temos no ocidente e há
        inúmeros exemplos para ilustrar que é quase sempre o lado da liberdade
        que cede para o lado do coletivismo. E os militantes coletivistas sabem
        muito bem como se beneficiar dessa tendência de evitar o confronto e
        buscar o meio termo, para avançar a causa deles, mesmo que tenham que
        fazê-lo aos poucos. Além disso, é da natureza humana preferir o caminho de menor esforço e o homem médio sempre
        optará pela ilusão de segurança e igualdade à responsabilidade da
        liberdade.
        Também não acho que se possa tirar algo de positivo dos ideais
        socialistas, porque estes nascem de sentimentos humanos negativos: o
        medo e a inveja (complexo de inferioridade).
        A desigualdade é normal e natural. Não há nada intrinsecamente ruim nisso. É a miséria que é o problema, mas não acho que intervenção
        do Estado seja a melhor forma de combatê-la. A livre iniciativa e a
        caridade, na minha opinião, são muito mais capazes de lidar com ela.
        A riqueza não é estática. Para que Bill Gates e Steve
        Jobs tenham se tornado bilionários não foi preciso que alguém se tornasse
        miserável. Muito pelo contrário, eles enriqueceram e também beneficiaram muitas pessoas no processo.
        O capitalismo não necessariamente tende ao acúmulo pois o livre mercado
        se baseia na livre concorrência e esta tende a regular os preços e consequentemente os lucros. Para
        haver monopólios e afins, é preciso a mão do Estado, que detém o poder de criar
        burocracia, para dificultar o surgimento de concorrentes.
        Eu não consigo ver um cenário onde o mínimo de governo possível para que não mergulhemos no caos, permitindo aos indivíduos desfrutarem o máximo de liberdade possível seja ruim. Obviamente não há consenso sobre o que seria o mínimo, mas usando os ideais conservadores e liberal dá para enxugá-lo aos poucos até que se chegue a algo satisfatório.

  • Caio Azevedo

    Zelo. Em todos os sentidos. É isso que o brasileiro precisa entender e passar a praticar.

    • Mingo

      Escreveu pouco, mas disse tudo!

    • Lemming®

      Ahhh…mas dá um trabalhoooo….(o que temos refletido em nosso povo…)

    • Felipe Madeira

      Sábias palavras, Caio!

  • BlueGopher

    Muito oportuna a sua colocação sobre a Felicidade.
    Acredito que Felicidade é o grande objetivo de todos e de cada um de nós, este seria o verdadeiro lema, é sua busca que nos move no dia a dia.
    Liberdade, Igualdade, Fraternidade seriam alguns dos meios sociais através dos quais a Felicidade pessoal poderia ser alcançada.
    Interessante é a foto onde “Liberté Égalité, Fraternité” estão lado a lado com uma câmera de vigilância.
    Isto demonstra bem como estes conceitos gravados na pedra ainda estão longe da nossa realidade…

  • Mr. Car

    Ainda estamos longe de ter estes direitos todos vigorando em sua plenitude. Tão longe, que sei que nem verei tal dia. Muito menos o de, ao restaurar e manter um antigo, poder encontrar fartura de peças, desde detalhes de acabamento até a parte mecânica, preços acessíveis para elas, e mão-de-obra farta e especializada. Tanto para carros novos quanto para a área do antigomobilismo, me sinto deprimido ao visitar sites estrangeiros, e constatar que apesar de algum progresso, ele é quase nada quando comparado aos mercados de primeiro mundo.
    “O aparecimento da razão no mundo é recente, ao passo que os sentimentos, os desejos e as paixões, remontam à origem da vida, e é natural que tenham adquirido um peso contra o qual, pouquíssimas vezes, consegue lutar a inteligência”. (Gustave Le Bon)
    Música (Youtube): “Pat Boone- Love Letters in the Sand (Lyrics)”

  • Israel Bellotti Nicori

    Ótima matéria, nota 10. Reflete muito o que penso de carros neste país comparando ao resto do mundo.

    • Felipe Madeira

      Obrigado Israel, junte-se à voz que deseja conseguir melhores condições para nós e para o nosso país!

  • Lucas Salina

    Primeiramente, parabéns pelo texto. Sobre o tema, é bem depressivo avaliar o custo x benefício do automóvel no Brasil. Destaco, dentre os motivos já apresentados:
    1. Custo de aquisição exorbitante, explicitado brilhantemente no texto;
    2. Juros altos caso opte por financiar, dobrando o valor inicial;
    3. Impostos também altos sobre propriedade veicular, após já ter pago 60% do valor do veículo em impostos;
    4. Seguros caros, apenas por consequencia dos outros fatores;
    5. Manutenção cara. Aqui vale a pena refletir a tensão em que vivemos, pois quem não tem acesso a uma oficina de confiança, fica refém de altíssimos preços em concessionários, tanto em peças quanto mão de obra, e muitas vezes com profissionais despreparados e incapazes de resolver o problema ou, pior, desonestos a ponto de vender ao cliente, leigo, peças e serviços desnecessários. Não raro, compra-se carro no Brasil com base em índices de valor de manutenção, com o intuito de minimizar o risco de não conseguir arcar com o custo futuramente.
    6. Estradas com pedágios frequentes e/ou péssimas condições de rodagem, diga-se asfalto e sinalização, e mesmo o próprio projeto da estrada, com trechos incompreensivelmente perigosos;
    7. Radares em posição “te peguei”, colocados para arrecadar, e não para evitar infrações;
    8. Cidades com trânsito caótico, pedestres “suicidas”, condutores violentos, assaltantes de semáforo;
    9. Quebra-molas
    10. Ruas mal planejadas, semáforos não sincronizados, faixas de pedestre sem critério e por aí vai….
    11. Prefeitos ensandecidos piorando ainda mais a situação.

    Pergunto: Como pode ser prazeroso usar automóvel no Brasil?

    • Felipe Madeira

      Lucas, obrigado pela sua contribuição na discussão! Valeu pelo seu comentário!!

  • João Carlos

    Muito bom você fazer esse comparativo. Aqui no Brasil, acho muito descaso ainda haver carros duros ou desconfortáveis como o Fit e o up!. Retrabalho de suspensão não é só erguê-la em 10 mm, tem de considerar nosso piso ondulado e irregular.

  • Fat Jack

    Eu já ouvi diversas vezes (inclusive de jornalistas especialistas na área automobilística) que há no Brasil a cartelização do tipo:
    “Aceita pagar quanto?!”
    Não sei se procede, porém também não acho nada difícil pois mesmo com a abertura de novas fábricas os preços (dos básicos inclusive) se mantiveram, não notei nenhuma queda significativa, e os recentes aumentos de impostos sobre os importados dificultou ainda mais a “pressão” sobre as fabricantes ao reduzir a competitividade deles no mercado interno.
    Não se pode deixar de falar também que somando-se impostos diretos e indiretos os mesmos chegam (segundo li tempos atrás) à casa dos 40%, 45% do valor do produto final, ou seja, para cada carro comprado iria praticamente outro para o governo.

  • Ilbirs

    Um modelo que considero mais justo e de fluxo natural para tributar os carros e que favoreceria a variedade de soluções tecnológicas seria o de taxar conforme uma combinação de consumo e emissões. Com isso, fala-se aos fabricantes a seguinte mensagem: “estipulo este índice e a maneira como vocês chegarão a ele é de sua livre escolha”. Alguns podem ir na base do motorzinho com turbo e injeção direta, mas outros podem ir com outras soluções (vide uma Mazda da vida, que continua firme às cilindradas maiores e aspiração natural e consegue bons resultados mesmo assim).
    Combinar emissões e consumo também previne marotices dos fabricantes, pois se estrangularem o motor para emitir pouco, é quase certo que irá consumir mais, enquanto um estrangulamento para menor consumo é muito provável que não vá ter uma contrapartida esperada em emissões. Com isso, estariam sendo favorecidos projetos que naturalmente consomem e poluem pouco, havendo aí ganho tecnológico. Também seria um estímulo à obsolescência de algumas soluções que estão no mercado há mais tempo do que deveriam (vide o motor 1.4 Família I 8v Flexpower, que descobriu-se que emite tantos poluentes quanto um motor 2.5 20v de um Jetta da geração passada).

    Como podem observar, seria um estímulo ao desenvolvimento harmônico (aqui entendendo-se o tal lance de consumo e emissões baixas sem haver estrangulamentos que prejudiquem um ou outro aspecto) sem tornar os veículos muito padronizados, uma vez que dá para chegar a isso por várias vias. Logo, fosse a coisa assim, não teríamos uma Eaton fechando sua fábrica de compressores mecânicos ou outros problemas gerados por modelos tributários que ficam em um único dado que obrigatoriamente não significa que se vá conseguir mais avanço (como o IPI por faixa de cilindrada que temos hoje).

    • Mr MR8

      Ilbris, não sei se procede, mas já ouvi falar que na Alemanha é assim, por isso que o A3, embora usando o mesmo motor 1.4Tsi do Golf, tem 122cv

  • Roberto

    Tempos atrás vi alguns vídeos e reviews deste Opel Corsa, e como fã de carros pequenos, eu achei este modelo muito bacana. Além das versões com motores bem modernos (existe uma versão turbodiesel 1.3 que faz seus quase 30 km/l), o carro possui recursos que só encontramos aqui em veículos beirando os R$50 mil para cima.

    Pena que pelos comentários que se tem dito por aí, o que virá para o Brasil no lugar do Celta provavelmente será uma versão mais simples do novo Spark, que já é uma simplificação do Opel Corsa.

  • Felipe Felipe

    Me desculpem a vulgaridade mas nós estamos a cada dia mais afundados no excremento!!

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Ótimas reflexões Felipe Madeira! Sempre que viajo ao exterior (não com a frequência que eu gostaria) tenho impressões como essas que você tão bem expressou. Eu já ficaria bastante satisfeito com os carros disponíveis hoje no Brasil, pelos preços e salários atuais se:

    1) Houvesse transporte coletivo de qualidade, com pontualidade, capilaridade e segurança, para que eu usasse meu carro apenas esporadicamente, à lazer, por necessidades específicas ou à serviço;

    2) As ruas e estradas fossem melhor projetadas, construídas e mantidas;

    3) Os limites de velocidade fossem corretamente estipulados, sem a óbvia intenção arrecadatória.

    4) Houvesse segurança ao trafegar ou estacionar, inclusive à noite, sem a sensação de que bandidos estivessem à minha espreita.

    • Felipe Madeira

      Valeu pelo comentário Rafael!

  • Felipe! Veja como estão Argentina e Venezuela hoje….Assim estaremos em quatro ou cinco anos…E podes ter certeza, tanto na Argentina quanto na Venezuela ainda tem gente instruída apoiando o governo…Imagine aqui! (Sem contar que vendem lá os carros que fabricamos e temos aqui hoje…mais barato, claro! )

    • Felipe Madeira

      Huttner, estamos aqui fazendo voz (e preces) para que o nosso destino seja melhor!!

  • Lauro Agrizzi

    Em vez de fazer o dever de casa melhor tomar aumentar impostos. Essa é a razão do governo vermelho. Uma hora não vai dar e estamos chegando no limite. A Dilma devia ligar o alerta.

    • Marcelo Henrique

      É um governo populista.
      Não admite em momento nenhum momento que a crise foi causada por eles e mesmo assim só falam que a crise de 2008 que chegou só agora no Brasil.
      Aí eu penso, 2014 – 2008 = 6 anos.
      6 anos para evitar um colapso na economia brasileira e só fizeram populismo.

  • Parabéns pela matéria Felipe Madeira,

    A questão de igualdade de modelos “mundiais” por aqui chega a ser, em muitos casos, uma piada de mau gosto… Não podemos esquecer que vivemos abaixo do equador e que este estigma nos remete a um país de segunda ou terceira classe sob a ótica de fabricantes internacionais de automóveis que têm fábrica por aqui.

    Temos exemplos de carros que aqui passam a ter menos pontos de solda em suas carroçarias para economizar alguns centavos, ai carros semelhantes registram coisas inexplicáveis, como os mesmos modelos europeus passam pelos crash tests com louvor de o tupiniquins bombam fragorosamente… E isto que estes carros aqui custam muito mais caro!!!

    Para quem se lembra de um passado próximo, a estrutura do Fusca brasileiro nunca progrediu além do modelo alemão de 1963!!! Mesmo depois de encerrada a sua fabricação na Alemanha em 1978 os estampos alemães foram para o México (que está acima do equador, só para lembrar) e para um país asiático e não para o Brasil. Já compraram o último Vocho mexicano com o nosso Fusca Itamar de 1993??? Sim, ária envidraçada maior, vidro para-brisas levemente abaulado, etc.Mas para que investir no Brasil se tudo que era produzido era vendido???

    Mudando de assunto e falando de carro de aluguel na Europa. Na minha recente viagem à Alemanha (para comemorar o vigésimo aniversário do Dia Mundial do Fusca em Bad Camberg) eu aluguei um Golf da Avis. Chegando à Frankfurt fui buscar o carro e a gentil atendente me disse alegre que o meu carro era Diesel… Fiquei desacorçoado, o último carro Diesel que eu havia alugado, na década de oitenta, foi um Fiesta, cujo motor transversal mal cabia no compartimento, fazia um barulho muito alto, trepidava o carro todo e não andava nada. Fui com esta jabiraca da Alemanha para a Áustria e voltei – detestei. Voltando ao guichê da Avis a atendente vendo o meu desapontamento disse: -“o senhor pode ficar tranqüilo, tenho um igual e posso afirmar que é ótimo!” Fui buscar o carro nas catacumbas do Fraport e já nos primeiros quilômetros de estrada fiquei maravilhado, tirando os sustos que o start stop causaram, o carro era silencioso, não vibrava e baixava mais de 200 km/h na Autobahn!!! Cai do cavalo, pois o carro é uma maravilha como a atendente da Avis tinha dito..Foi uma viagem maravilhosa.. E sobre as malas? Couberam, acreditem se quiserem…

    • Rodolfo

      Enquanto o brasileiro comprar gato por lebre e achar que isso é status, então vai continuar tudo sempre assim…

    • Felipe Madeira

      Agradeço seu comentário e a contribuição com o próprio testemunho. Valeu!

  • Mauro

    Mas é a velha história: o mercado cobra e oferece o que o cliente paga e aceita… A Eaton, a VW, a Renault (que oferecia air bag de série já nos Clio 2000 e depois retirou) e outras perceberam que o brasileiro prefere rodão e telinha no painel ao invés de airbag de joelho e ESP, e se adaptaram ao nosso nível de exigência. Pergunte ao seu vizinho ou colega de trabalho não entusiasta o que é EuroNcap, BAS, ESP, e pergunte o que o influencia na compra de um carro… Leva tempo mas estamos no caminho certo. Com o dólar baixo a brasileirada foi a Miami e Orlando e viu o quanto se conseguia comprar com o dinheirinho das férias, e de quebra deve ter visto e comparado preços e qualidades de produtos e serviços. Isso ajuda a formar consumidores conscientes não só de preço, mas de valor das coisas. Mas agora com os U$ a quase 4,00 as coisas custam quase a mesma coisa por aqui, e todos vamos esquecer do custo Brasil. Perdoem se pareço repetitivo, todos nós já ouvimos aquele papo antes, “viu quanto custa um Camaro nos EUA?”, mas é frustrante o tempo que leva para conscientizar gerações de cidadãos consumidores.

  • Piero Lourenço

    O Brasil pode até ter condições… mas aqui até o plástico é de pior qualidade comparado ao mesmo carro/peça fabricado lá fora… se esse mesmo carro for feito na Europa a diferença é ainda maior.

    • Felipe Madeira

      Piero, a questão é ter menor qualidade e custo maior. Esta é a equação complicada.

  • César

    Há dois meses estive na Espanha e aluguei um Chevrolet Spark. A princípio, nada de interessante. Não poderia esperar muito de um Chevrolet. Um carro urbano pequeno, apertado, ano 2011, básico e com motor 1.0. Depois de alguns quilômetros, descobri algumas coisas que aqui no Brasil jamais teriam vez: o pequeno popular era equipado com 7 airbags, freios ABS, controles de estabilidade e de tração, equipamento de som com entrada USB, porta-luvas refrigerado, faróis de neblina, computador de bordo e luz de alerta para todos os cintos de segurança, sendo que, obviamente, o banco traseiro possuía todos com três pontos, além de Isofix e três apoios de cabeça. Tudo fechado com chave de ouro: a dupla start-stop e hill-holder (que o Bob me perdoe pelos estrangeirismos).
    Mas o que eu queria mesmo, era o direito de ter aqui no Brasil um scooter igual aos que vi no Velho Continente…

    • César.
      Sem problema usar estrangeirismos. Não usamos aqui por norma interna, mas você e os demais leitores são livres para usá-los;

    • Felipe Madeira

      César, esta sensação não é boa mesmo. Gostaríamos de ser melhor tratados por aqui… Pelo menos em condição de igualdade.

  • RoadV8Runner

    Se fosse apenas com automóveis essa desgraça, até que me daria por satisfeito. Mas não, muitos produtos vendidos por aqui, se comparados a mercados estrangeiros, descobriremos que a qualidade dos nacionais é inferior. Dependendo do produto, é simplesmente impossível encontrar um que atenda a um mínimo de robustez e durabilidade decentes. Outro problema gritante é a discrepância medonha de qualidade de alguns produtos usados nas linhas de montagem dos automóveis e os disponibilizados para compra (reposição), mesmo que na rede de concessionárias do fabricante. Por exemplo, nos dois Ford Ka que minha noiva comprou 0 km, as palhetas dos limpadores de pára-brisa de fábrica duraram mais de um ano, quando comecei a perceber que ficavam algumas linhas de água no vidro, indicando que a borracha já não estava mais 100%. Pois as palhetas compradas em concessionária mal chegaram em boa forma a três meses de uso…
    Outro problema é a falta de oferta de produtos que vendam pouco. Mais um exemplo básico: o desodorante que uso (ou usava, vai saber…) simplesmente sumiu dos mercados, encontro somente a versão antitranspirante, que abomino. Uma rápida olhada pela prateleira e descubro que TODOS os desodorantes em embalagem aerosol são antitranspirantes!
    Mas por que isso tudo? Ora, porque a maioria dos brasileiros acha que assim está bom e eu sou um tremendo de um chato que fica procurando pelo em ovo…

    • Lemming®

      Realmente. A palheta original do meu durou 3 anos. A de reposição (“original de fábrica”) menos de 3 meses, trocada na garantia, e a nova em menos de 3 meses já estava ressecando novamente.

  • Vagnerclp

    Embora eu já tivesse idéia do que se trataria no texto, eu li. Cada dia mais triste em morar aqui no Brasil.

  • Antonio Filho

    Infelizmente esse quadro no Brasil sempre vai existir, pois os próprios fabricantes e montadoras, estes que também vendem seus carros aqui e lá fora, sabem muito bem que o Brasil é um país pouco exigente, sempre enrolado em problemas políticos, a economia de montanha russa, desorganizado e muito passivo em quase tudo, e nisso – eles mesmo os Sr. fabricantes, ganham com esse caos nacional, sabem muito bem que o povo aqui compra carro em que é o mais fácil de adquirir e/ou barato (com o juros bem alto) ou o que esta na moda sem nenhuma pesquisa simples de mercado… Itens de conforto como ar condicionado, trio elétrico em todas as portas, computador de bordo, freios a disco traseiros e agora, controles de tração e estabilidade é coisa de carro “caro”, até porque um HB20, Onix ou um até Uno não tem isso de fabrica, alias “itens de fabrica” é algo muito chique para os padrões brasileiros, pois o povo pensa assim…

  • CCN-1410

    Meu “Novo” Corsa em 2002 foi um caso típico de fabricante brasileiro. Reclamei durante um ano de vários problemas, sendo um deles muito grave, mas que nunca resolvido pela concessionária. Interessante é que depois de um ano, findo a garantia, o problema foi encontrado. Era uma peça da parte eletrônica que custava a “ninharia” de R$ 3.500,00 na época. Reclamei com a fábrica e solicitei a peça gratuitamente, que prontamente foi negado.

    • Marcelo Henrique

      Ah, isso é normal. Infelizmente É N O R M A L ! ! !

      O Vectra 2011 teve que visitar algumas a concessionária para resolver alguns problemas mecânicos e de montagem (acabamentos caindo, radiador furado, câmbio automático etc) e aí descobri o por que dos japoneses estarem vendendo muito bem mesmo cobrando um valor maior.

      Os carros nacionais que os meus parentes compraram foi tudo a mesma coisa, seja VW, Fiat, GM ou Ford.
      O único importado que foi comprado foi o ix35 por uma tia e não deu dor de cabeça.

  • WSR

    Lembre-se de que no lema Ordem e Progresso, da bandeira brasileira, o Amor (do pensamento Comtiano) foi omitido ou capado. Quem fez isso já deveria saber dos rumos que o Brasil tomaria no futuro, hehe.

  • Mauro

    Meu comentário de ontem sumiu…

  • Concordo 100%. Zelo pelo que fazemos, pelo que usamos, pelo público, pela vida.

  • Mauro
    Como assim? Está um pouco mais abaixo. Foi esse comentário, correto?

    • Lucas dos Santos

      Bob,

      Acho que seria interessante deixar um aviso próximo ao campo de comentários sobre o fato deles estarem sujeitos a aprovação antes de serem publicados.

      Muitos leitores –normalmente os que entram pela primeira vez no site –não sabem disso e acham que tiveram o seu comentário apagado ou acham que ocorreu algum problema e postam de novo, duplicando o comentário.

  • Lucas dos Santos
    Você tem razão, vou cuidar disso. A maioria das duplicatas eu detecto (memória ainda está “de garoto”) e só um entra, mas pode passar algum duas vezes. Lembra de algum especificamente?

    • Lucas dos Santos

      Não lembro, Bob.

      Como você bem disse, é bastante raro haver comentários duplicados. O último que vi faz bastante tempo. Só lembro que o autor dissera que estava escrevendo novamente porque o primeiro comentário não tinha saído, mas na verdade ambos os comentários estavam lá.

      Grato pela atenção.

  • Antonio Filho

    Uma coisa me atentou hoje a tarde: Será que o desgoverno fabricou essa desvalorização brutal do real frente ao dólar ou euro somente para “equiparar” valores dos produtos vendidos por aqui para nos amarramos totalmente e ter que consumir tudo por aqui ???

    • Bera Silva

      Infelizmente não. A desvalorizaçào do real vai continuar à revelia das medidas do Bacen para tentar frear a subida do dólar. O FED está com uma política de revalorizar o dólar, diminuindo a base monetária. Nós estamos entrando em uma era de inflaçào com estagnação da economia. O PIB vai cair mais e vamos levar anos para recuperarmos um pouco de crescimento. Dependemos de capital estrangeiro que migrará para os EUA e mercados menos instáveis, mesmo ao custo de menor rentabilidade, frente as instabilidades daqui, aí o governo aumenta os juros dos títulos brasileiros para tentar torná-los mais atrativos. Com a inflação, quem tem um pouco de dinheiro não vai investir em setor produtivo da economia, vai colocá-lo nos títulos do governo, realimentando o ciclo de baixo investimento.

  • Ramiro Junior

    Isso aqui só mesmo com uma revolução, infelizmente…

    Este parágrafo está repetido (não sei se já comentaram sobre isso):

    “Processos, materiais fornecedores, tudo atualmente é padronizado globalmente e temos no Brasil todas as condições de montar um veículo como é feito lá fora. (…)”

  • Ramiro Júnior,
    O parágrafo estava de fato repetido, já corrigi. Obrigado pelo alerta.