Extintor: o fim desta aberração me incentivou a sugerir ao Contran que encare de frente dez outras que agridem há tempos o bolso e a integridade do cidadão brasileiro.

 

Antes tarde do que nunca: o Contran peitou o lobby dos fabricantes de extintores (faça as contas: quantos milhões deles deixarão de ser empurrados todo ano?) e eliminou esta inutilidade a bordo. A injeção no lugar do carburador eliminou o incêndio no automóvel. Mas, quando ocorria, o motorista não sabia como utilizá-lo. Quando sabia, o extintor não conseguia apagá-lo…

Herança maldita de administrações anteriores, a decisão do Contran foi ato de respeito ao consumidor, tomada dias antes da obrigatoriedade do extintor do tipo ABC. Mas os milhares que o compraram ficaram no prejuízo…

O fim desta aberração me faz tomar a liberdade de sugerir ao presidente do órgão, Alberto Algerami, que tenha a mesma disposição para encarar dez outras que agridem há tempos o bolso e a integridade do cidadão brasileiro.

1 – A cadeirinha é obrigatória para transportar crianças em automóveis particulares, mas falta sua regulamentação para ônibus e táxis. A publicada recentemente para vans escolares é um imbróglio pois elas não dispõem do cinto de três pontos necessário para dependurá-la.

2 – O Brasil é dos raros — se não o único — país do mundo que proíbe diesel nos automóveis. A decisão é antiga, e justificada na época em que se importava diesel e se exportava gasolina.

3- Engate-bola e quebra-mato. O primeiro continua quebrando a canela do pedestre e amassando pára-choque de quem estaciona atrás. O segundo (meio em decadência…) é o tiro de misericórdia em alguém atropelado por um automóvel com este monstrengo. O Contran não ousou enfrentar os fabricantes de ambos e decidiu regulamentá-los ao invés de proibi-los.

4 – Pneu remoldado não é problema em países desenvolvidos. Mas no Brasil, o Inmetro não resistiu à pressão das empresas interessadas e o homologou sem exigir o registro de suas características originais na banda lateral.

5 – Prevista pelo código de trânsito desde 1998, a inspeção veicular não emplaca, pois governo e empresas não se entendem. E as sucatas sobre rodas continuam poluindo, congestionando e matando.

6 – Caminha a passos de tartaruga aleijada a homologação de autopeças para reposição. Enquanto isso, vende-se livremente fluido de freio que não freia, amortecedor recondicionado que não amortece, roda de liga leve recuperada que mata cantor sertanejo e outros atentados contra a vida do brasileiro.

7 – Até que o Congresso tentou, mas o presidente Lula vetou a proibição de se transferir para o inocente que comprou um carro usado as multas das infrações praticadas pelo dono anterior. Dá para confiar num político dessa estirpe?

8 – Caminhão pode transportar “boia-fria” na carroceria desde que autorizado pelo município, em estradas sem linha regular de ônibus e durante o prazo de um ano. A concessão vai sendo renovada pela autoridade enquanto morrem centenas todo ano pela óbvia falta de segurança. E de vergonha na cara dos irresponsáveis que o permitem.

9 – O seguro obrigatório (DPVAT) é uma das maiores maracutaias do país. Suas regras iniciais foram distorcidas, as companhias de seguros se escondem sob o manto de uma tal Seguradora Líder, arrecadam sete bilhões de reais por ano mas parte da verba é desviada de sua finalidade. Tem até pagamento de corretagem (seguro obrigatório precisa de corretor?), campanhas educativas previstas são “esquecidas” e correm várias ações do MP contra o DPVAT, um esquema escabroso e bilionário.

10 – Até que o Contran tentou, mas não conseguiu emplacar a proibição da venda de um automóvel que fugiu do recall. Como prêmio de consolação, obteve a obrigação de o Detran fazer constar a omissão do recall no documento de venda. Mas, a burrocracia falou mais alto e nem esta exigência foi cumprida.

BF

Foto: mundoconectado.net
Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

 

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